Tuesday, June 14, 2005

spin it

E se a vida em geral é um carrossel, a minha é um peão. E a culpa é toda minha, que puxo incessantemente a cordinha e o faço dançar desvairado sobre qualquer superfície, em qualquer contexto, dentro ou fora do ritmo. A culpa é toda minha.

Esse fim de semana foi surreal do começo ao fim. Começou já sábado de manhã. Fui no centro esportivo implorar emprego como salva-vidas. Fui muito bem, senti. Ontem passei lá para deixar meu NPLQ (certificado de salva-vidas) e meu National Insurance Number e a manager me puxou de lado. Disse que a vaga é minha. A partir de amanhã, 7 da matina, sou lifeguard na mesma piscina em que costumo treinar, a cinco minutos de casa. Trabalho feito alucinada até sexta, quando já terei ganho quase o suficiente para sanar os gastos que tive com o curso de salva-vidas.

Aí depois disso fui encontrar com a Rô, uma brasileira que fundou o site www.BrazilianArtists.net e que me chamou para uma conversa a respeito de possível trabalho. O legal: a causa, que é linda. O não-legal: é voluntário. Convenhamos que não estou podendo me dar ao luxo. De qualquer forma, fui na casa dela ontem e passei a tarde trabalhando em cima de um release que mandamus para toda a imprensa local anunciando a vinda do MV Bill para o lançamento do livro Cabeça de Porco. Mas não tô podendo, não tô podendo. Preciso cuidar de mim e dos meus sonhos primeiro, para depois cuidar dos outros e de seus sonhos. Porque sou estúpida o bastante para sonhar os sonhos alheios.

E então fui para Oxford, encontrar com minhas primas, Jo e Lucia. No dia seguinte, triathlon. Elas estavam nervosíssimas. Eu não porque a distância da natação, que era a minha perna na comeptição, não era longa. Muito pelo contrário: a distância é o que costumo fazer para aquecer normalmente. Rolou bem legal. Fui a segunda mulher no geral, e a 19a pessoa, entre homens e mulheres, entre 150 competidores. Not too bad para quem parou de treinar há tanto tempo e hoje só nada para chacoalhar a pança mesmo.

Aí, terminou a premiação e voltei pra minha Londres. Cheguei em casa e em 15 minutos tinha que estar pronta para, bom, foda falar mas, pro meu date. Aquele, lembram? O tal bonitinho que conversou comigo no meu drink de despedida do trabalho; aquele que ligou semana passada. Finalmente nos encontramos. Não rolou nada. Ele tava todo ansioso porque tinha que terminar um trabalho. Mas já temos novo programinha: cinema no final dessa semana ou começo da semana que vem.

Hoje faz um ano que deixei meu país.

Hoje faço seis meses de namoro com o Chris.

A verdade é que não estou me sentindo culpada. Nem um pouco, actually. Ele precisa se esforçar um pouco mais, como eu já disse.

Um peão desequilibrado, que ameaça quedar pro lado, mas não queda. Não pára. Até quando?

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Já assistiram Vera Drake? Se ainda não, não percam a oportunidade de ver o melhor diretor de cinema inglês em um de seus melhores momentos ever. Imperdivelíssimo, juro mesmo.

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