Monday, May 28, 2007

mirror to the moon

Eu realmente não precisava passar por esse cinza e esse frio nesse momento. Estou naquelas épocas de ouvir obsessivamente a mesma música por nenhuma razão específica. Como eu fazia há uns 10 anos. Quando era boba e usava saias curtas e estourava bolas de chiclete todos os dias. Eu precisava sangrar a música. Aí de vez em quando isso volta e parece que é uma droga. Vicia. Já nem faz mais bem. Mas parece que se eu parar de ouvir a vida vai parar de girar. Preciso parar com essa idiotice.

A culpa é do dia. Dos últimos dias. Todos cinzas e molhados. E eu fiquei cinza e molhada também, e meu coração passou a bater de acordo com a bateria dessas músicas que me perseguem e não posso mais, não posso mais. Meu coração precisa bater como um coração. Chega de inundá-lo de cargas elétricas e faze-lo desempenhar o papel de ditador do ritmo. Eu não agünto, não agüento.

Vai ver foi tempo demais em casa. Isso acontece. Não há para onde ir! Só chove faz três dias. Eu bocejo a cada cinco minutos e espirro a cada dez. Um relógio triste.

Como sempre, minha gente, reclamo de barriga cheia. Mas é aí que tá o problema. Só barriga cheia não faz ninguém parar de reclamar.

**

Preparei minha apresentação de amanhã e, sinceramente, ficou faltando graça. Ela ficou que nem eu hoje, cinza. Não vai ser nenhum desastre, mas também não será brilhante.

Desastre mesmo será ter que chegar lá na entrevista às 8am se o tempo continuar assim. Depois de tantos meses de frio, acho que merecemos um pouco de calor. Estamos quase em junho. Dia 20 será o dia mais longo do ano aqui. And yet estou com o aquecedor ligado e com pantufas e com frio. Não é justo.

**

Vou fechar um pouco mais os olhos, e tapar um pouco os ouvidos. E dizer menos com os olhos e mais com os lábios. E vou tentar entender. Entender de verdade, não isso que eu acho que já sei, não essa minha pretensnao de achar que em 5 minutos se conhece uma vida e se vê uma história e se chega a toda e qualquer conclusão. Alguém, por favor, chute meu pedestal longe. Me faça cair e quebrar docemente a perna. Preciso ser chocada. Preciso ser contrariada. De verdade. De embaçar a vista e perder o chão. Preciso ver furacões que jamais previ vindo em minha direção. Preciso parar de tentar enxergar amor o tempo todo. Como cansa tentar ver amor. Como cansa tentar entrar no outro. Como cansa dormir precisando muito descansar.

No comments: