Thursday, April 20, 2006

post-Easter blues

Voltei. Muito, muito, MUITO trabalho. Reclamei, tomei. Muito mesmo. E muita tensao tambem, ja que a amanha tenho uma reuniao, dessas de gente grande, nos headquarters da Grant Thornton UK. Meda, panica, horrora, desespera, socorra, salve salve. Vai ser lindo. Ontem tive uma reuniao com meu chefe sobre o que vai ser discutido na reuniao. Fiz anotacoes e tal. Ainda assim nao sei, nao. Acho que vou boiar. E vai ter um monte de gente na reuniao. E eu vou ter que falar para esse monte de gente sobre algo que eu nao entendo e eles entendem e muito. Vai ser bonito. Vai ser legal. Vai ser quase magico.

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Sobre a Sardenha, que eh onde busco refugio nos meus pensamentos para nao panicar com a reuniao, soh tenho boas lembrancas. Recomendo a viagem a qualquer um que aprecie belezas naturais. Praias lindas, montanhas lindas, cavernas, canyons, rios. Tudo em uma soh ilha.

O apartamento ajudou. De frente para o mar, vimos o entardecer mais lindo da historia, e vimos golfinhos tambem, que paravam o tempo para saltar.

Nao tenho muito como contar e descrever. Tem que ir la ver. Mas ainda assim, bem resumidamente, vou tentar contar:

DAY 1
Chegamos no aeroporto, dia de sol mas nao muito calor. Alugamos um carro e fomos direto para a costa. Conhecemos San Teodoro, parte da Costa Smeralda. O nome entrega. Eu tambem me entreguei. Fiz forca com os olhos, forca mesmo, para marcar aquela cor de mar para sempre na minha retina. Almocamos frutos do mar e seguimos para Cala Gonone, nosso cantinho no paraiso. Chegamos, demoramos um tempo para achar a casa mas achamos. De frente para o mar. Eu nao acreditava. Fui passear com Broo no porto, reconhecimento de area mesmo. Descobrimos que as pessoas que levam aquela vida nao poderiam levar nenhuma outra porque morreriam de desgosto.

DAY 2
Dia de acordar cedo e alugar um barco. Acordamos as 8h para estarmos as 9h no porto. O barco era bem pequeno, mas demos aquela cafofada. Fizemos toda a Costa Orosei e nadamos em piscinas travestidas de mares, tao clara a agua. E fria. Muito fria. Fria de dar falta de ar e deixar o musculo bobo. Fria de dar medo de ir e nao voltar, porque tudo endurece. Morri de frio na praia mais bonita do mediterraneo, uma das mais bonitas do mundo: Cala Gonoritze, acho. Ou algo assim. Foi o dia inteiro assim. De praia em praia, uma mais linda e virgem que a outra. Visitamos uma caverna, Bue Marino, e eu me perguntei como alguem pode nao achar cavernas e estalactites e estalagnites dos lugares mais sensuais. Tudo eh falico e ao mesmo tempo confortavel. Cheia de ecos e misterios e minigrutas e nomes estranhos como “couve-flor” dadas aas formacoes. Vimos tambem um casal praticando nudismo descarado numa praia que nem era de nudismo e me deu ateh uma certa invejinha de nao pertencer a esse mundo mais puro e desencanado. De noite fomos ao unico barzinho “cool” da vila, onde nosso amigo Mr Suecia ficou bebado como sempre e, como sempre, arranjou confusao. Nem foi culpa dele, mas como bebado ele fica insuportavel, acabou pagando um preco por algo que nem comprou: insistiu em ficar mais no bar, sozinho,e as 4 da manha chega em casa gritando, chorando e sangrando. Foi espancado por uns capangas do dono do bar, que jurava que Mr Suecia tinha dado um calote de, sei la;, 5 cervejas. Acordei com os gritos, fiquei ansiosa, nao sei direito, me descontrolei. Ataque de panico. Mas bobagem. Bobagem. Nem precisam se preocupar. Passou. Eu nem chorei.

DAY 3
Contrariando todas as preces, o dia amanheceu nublado. Nao um numblado ruim. Tinha um mormacinho la e ca. Tentamos. Fomos para Cala Osala e Cala Canoe, tentar pegar um solzinho. Eu acabei com meu agasalho de nailon, de capuz e tudo. Achamos que nao seria mais uma boa. Voltamos para casa, meio sem saber o que seria daquele dia. No final das contas, resolvemos sair. Tinhamos combinado que nao iriamos mais numa festa em Olbia, que fica a desnecessarios 150km de onde estavamos e eh a capital local. Mas sairiamos para jantar for sure. Qual nao foi nossa (minha, da Broo e do Ma) surpresa quando percebemos que os meninos (Mr Australia, Mr Suecia e kangaroo) estavam na verdade dirigindo ateh a maldita festa! Nos fazendo de trouxa, no minimo. Nos nao queriamos ir na festa e estavamos sendo arrastados. A partir dai rolou uma cisao no grupo que jamais voltaria a unir. Brigamos. Nos viramos os sharks; eles, os tigers. Eramos um perfeito No Limite aa italiana. E, na boa, os sharks ganharam disparado. Mas calma. Deixamos os meninos na maldita festa e toca dirigir mais duas horas de volta para Cala Gonone. O indio em seu melhor programa.

DAY 4
Acordamos cedo, nos tres. Os tigers, claro, ainda estavam sabe deus onde. Pegamos o carro, tomamos café num boteco qualquer, so nao digo que tomei um pingado porque estavamos na Italia. Tomei um macchiato. Dois, na verdade. Fomos direto para o rio, destino: caiaque. Nao rolou. Todos os caiaques estavam alugados e meu sonho de remar pelas calmas aguas do rio que ziguezagueia montanhas, afundou. Mas nao deixamos por isso, nao. Caminhamos ateh o rio e mergulhamos. E nadamos. E foi bom. A agua estava bem mais quente que a do mar. Eu achei que estaria mais fria, por causa da sombra das montanhas. Me enganei. Nadamos e tomamos sol no pier, e o Ma quebrou a haste do meu oculos escuro quando tentava agarrar um calanguinho. De la fomos para a praia, porque merecemos. E da praia para outra gruta, Ispigninola (ou algo do genero), que tem a maior estalactite da Europa, segunda do mundo. Cinquenta metros para baixo, fomos. Gente morreu la em excavacoes. Eu achei lindo e descobri que italiano eh uma lingua muito facil, muito mais facil que frances. Depois passeamos por uns Canyons perto de Tiscali, fomos parando aqui e ali. Onde um dos tres gritasse para, paravamos os tres. Uma delicia. Passeamos no centro de Dorgali, uma coisa fofa de cidade, dessas que soh existem pintadas em quadros. O dia perfeito. Chegamos em casa soh depois do jantar. E nada dos tigers. Comecei a ficar preocupada. Mas ainda assim fui para cama e dormi na hora

DAY 5
Tigers voltaram para casa. Parece que chegaram depois das 11 da noite apos 18km de caminhada e um dia inteiro tentando achar onibus para voltar para Cala Gonone em domingo de pascoa. Mas hoje seria o ultimo dia que teriamos para passear. Eles estavam acabados, perderam entao mais um dia. Eu e os outros sharks estavamos com a macaca. Pegamos o carro e saimos para aproveitar o ultimo dia. Fomos a um sitio que tem uma tumba milenar. Fomos para cima e para baixo em cidadezinhas. Fomos para uma vila nuralgica que acabamos nao entrando. Fomos almocar num restaurante de comida tipica sarda. O dia estava cinza, feio, mas estava lindo. Era nosso ultimo dia, afinal. Chegamos em casa e os meninos ainda nao tinham saido de casa. Eram 7 da noite. Mr Suecia mancava. Andou 18km com sapatinho de balada. Segurei o riso, porque deve ter sido foda. Merecido, mas foda. Passei a noite fazendo Sudoku e outros quebra-cabecas japoneses legais com Broo. Os tigers estao tentando se aproximar, mas nao estah Rolando. Principalmente porque o Ma nao consegue nem ouvir a voz deles, em especial do kangoroo, que se revelou uma mala sem alca e sem rodinha, daqueles casos perdidos mesmo. O cara eh daqueles chatos que fica repetindo ad nauseam dialogos de filme sem importancia alguma. Inconveniente. Chato. Sem limites. E fedidim. Juro.

DAY 6
A volta. A viagem para Olbia, onde fica o aeroporto, foi tranquila. Eu e Broo na frente, os tigers atras. Quase nao conversamos. Voamos juntos e tudo. Chegamos em Gatwick e as malas minha e da Broo chegaram primeiro. Nos despedimos, abraco, promessa de troca de fotos e tal. Fiquei triste. Eu gosto do Mr Australia, voces devem saber. Nao queria que as companhias malas que ele carrega pela vida me afastassem dele. Por outro lado, se ele escolheu esses amigos eh porque ha um que de veneracao aos malas que em nada me atraia. Como diz Bobbynha, citando sua amiga “Ju”, se dizem que a vaca eh pintada, eh porque alguma mancha ela tem.

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