Friday, July 15, 2005

aftermaths ou two steps away from losing it

Estou ao lado da pessoa que mais amo no mundo exatamente agora que o mundo resolveu desabar e eu não sei no que me seguro, na raiz ou na nuvem. Nenhum apetitoso. Só consigo agarrar minha irmã, e morro de medo de levá-la comigo para o caminho errado.

Antes dos ataques terroristas, antes de babái me dar o deleite de sua visita, muita merda fedeu. Duas noites após terminar o namoro, encontrei aquele gatinho, o Certinho, que a partir de agora, se é que há algum partir que não seja partida em minha vida, chamarei de D. Fui assistir Bonbón com ele, um filme argentino que julgo eu deve estar fazendo sucesso pela terrinha. Resolvemos esticar depois para um pub. Coisa rápida já que ambos acordavam cedo no dia seguinte, mesmo sendo domingo. Levantei para ir embora, virei para alcançar minha bolsa e não havia mais bolsa. Fui roubada pelo mais malandro dos trombadinhas. Não percebi nada, e não deixei a cadeira nem para ir ao banheiro - vantagens de não beber.

Eu não acreditava. Na hora me veio um gelado na espinha, daqueles que todo mundo tem, de desespero. Mas comigo sempre é mais dramático. Associei as sensações a um ataque de pânico e quase o tive ali, em frente ao D., que me olhava com cara de "fuck!", e em frente às garçonetes do pub, que estavam tentando partilhar da minha dor, mas que na hora, aos meus olhos ranzinzas, apenas regozijavam internamente por não ter acontecido com elas.

Sem carteira, sem cartões, sem dinheiro, sem iPod, sem telefone celular, sem chave de casa, o desespero foi crescendo porque o quebra-cabeça foi fechando e parecia que as peças não iam mais se encaixar. Foi nessa hora que me deu um clique, naquela hora em que a vista começa a escurecer. Essa é minha hora preferida de ter cliques. Nunca antes de tudo parecer perdido. Sempre segundos antes de eu apagar.

O único celular que eu sabia de cor era o do Ernesto. Liguei para ele depois de cancelar celular e cartões de banco e pedi o número do telefone da Bobby. Mais uma longa jornada até encontrá-la. Cheguei em casa detonada, chorando, mal mesmo, achando que não conseguiria levantar no dia seguinte para trabalhar. Eu estava certa. Eu não conseguiria levantar, mas alguma força maior que eu andou por mim, comeu por mim e me levou ao trabalho.

Daí para frente vocês já conhecem. Fui me reerguendo, resolvendo todas as dores de cabeça que uma perda desse gênero gera, yadda yadda yadda. A verdade é que cansei do meu próprio discurso de eu-me-fodo-mas-levanto-pois-sou-foda. Cansei do gesto de bumbar no peito estufado. Cansei de ficar serena, esperando a hora certa para levantar e levar outro bofetão, mesmo depois de juiz ter decretado nocaute. É isso. Alô deus, rolou um nocaute aqui, já. Fim de jogo. Esquece os próximos rounds porque, really, I can't cope.

E babái aqui e minha Piu aqui, e todos os elementos que deveriam me deixar explodindo de alegria, ainda não estão conseguindo. Não quero saber de D. ou de L. (L. agora é o Malandro). Não quero saber. Preciso mudar de casa com a Bobby e ao mesmo tempo I don't give a shit. Moro em qualquer canto, jogada, durmo em qualquer esquina, em posição fetal, economizo no arroz. Tudo o que eu nunca quis para mim.

Estar com a minha irmã aqui faz com que tudo seja menos insuportável. Só não quero levá-la comigo para a merda. Eu jamais me perdoaria. Jamais.

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Em tempo, amanhã começam minhas férias. Vou para o País de Gales, volto na segunda e na quata vou para a Ilha da Madeira novamente. Eu pretendo muito acordar outra. Férias merecidas. Férias de mim mesma.

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