Thursday, March 29, 2007
só mais um livro
Eu preciso é aprender a permitir o esculacho. Porque leio e releio meus escritos e naturalmente na terceira leitura acho tudo uma bosta e eu, uma pretenciosa babaca.
Tenho certeza de que o Mario Prata não fica se relendo. Ou então tem um senso de autocrítica invejavelmente baixo.
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De uma hora pra outra todo mundo aqui resolveu falar da escravidão. O Reino Unido “comemorou” (de memorar-junto, não de celebrar) no dia 25 os 200 anos do fim da escravatura. Nunca se falou nada. Aí, porque é “aniversário redondo”, resolveram fazer marketing. Aí veio o Tony Blair e disse so-sorry e pronto, está tudo ok pelos próximos 100 anos.
E segundo o historiador John Oldfield, as desculpas do primeiro-ministro constituem uma homenagem (forçada) aos imigrantes, que são os novos cidadãos do Ocidente.
Homenagem aos imigrantes pelo fim da escravatura? Não entendi. (Sempre fui ruim de história, anyway.)
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Melhorei da gripe. Já quase passou. Após dormir 4h ontem de tarde e mais 8h essa noite. Um Rivotril natural, essa gripe.
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Agora é oficial: Preciso comer mais verdura. Tenho certeza de que essa gripe só veio porque meu sistema imune, de quem sempre me gabei, está no chão, derrotado, chorando pelos cantos. Abandonado. Preciso comer mais verdes. Eu gosto deles, os verdes, só que geralmente eles requerem *preparo*, e quase todo dia tenho arrepios ruins na nuca só de pensar na palavra *preparo*. Mas é preciso. É preciso cuidar bem de mim.
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Tempo voando – Fru chega no domingo, quinta vamos em NOVE para Bretanha. Lá vou eu, mais uma vez, tentar desfazer a idéia que nasceu empiricamente na minha cabeça de que viajar em grupo grande é uma grande merda.
Pode ser divertido.
O problema é que não agüento gente mole. Gente que demora anos-luz para lavar um rosto, que enrola para acordar, que enrola para escolher, que enrola, enrola, enrola. E convenhamos que em um grupo de NOVE sempre vai haver um atrasildo em tudo. Ficar impaciente is a no-no, Beatrissinger.
Remember: holiday!
Wednesday, March 28, 2007
Friday, March 23, 2007
poucas palavras
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Ontem acordei atrasada.
Mas meu chefe está me amando. Só hoje, uma das campanhas que estou fazendo gerou £40,000. Não é pouco, não.
Eles sempre dão champagne de presente para quem se destaca. Aí há um mês eu tive a brilhante idéia de sugerir que parem de dar champagne e comecem a dar mp3 players. Mandei bem.
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Acho que estou ficando doente. Passei meio mal de noite, mas nada demais. Só que acordei toda torta. Dor nas costas e na garganta e nos olhos. Cansada. É sexta, eu vou parar de reclamar.
Mesmo porque, posso estar doente mas tem quem cuide de mim.
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É complicado viver sem secadora de roupas. É complicado viver sem uma geladeira de tamanho decente para quatro pessoas. É complicado viver sem microondas. É complicado viver sem aspirador de pó numa casa toda de carpete. É complicado. Tá complicado.
Wednesday, March 21, 2007
blow it all
Fui visitar a vovó no hospital. Ela cantou três vezes o hino do Corinthians. Deve estar tudo certo, então.
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Desenterrando pérolas: “Talvez se eu bebesse um pouco, um dia eu saberia o que é estar triste sem sentir tristeza.” – Eu, 2003.
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Na minha hora de almoço fui na Wilkinson’s comprar antipulga.
Estou furiosa com os serviços desse país. Vocês acham que Inglaterra é muito civilizada, né? Nããão, nããão. Estou tentando apenas transferir minha broadband/telephone/TV a cabo para o endereço novo. Aí, pessoas que pensam como eu e você, imaginam que será fácil, afinal, quem quer perder clientes num mercado competitivo como esse das telecomunicações, certo? Errado. Eles querem perder, sim. Eles perderam, inclusive. De uma hora para outra meus dados *sumiram* do banco de dados dele. Sem hesitar, falei, well, my dear, se meus dados sumiram, o Direct Debit também vai sumir. Claro. Vou eu, idiota, ficar pagando por um serviço que não me está sendo fornecido? Cancelei. Cancelado. Cancelado o Direct Debit, que fique claro, porque eu não tenho como cancelar ou transferir uma conta que para eles nem existe.
Palhaçada.
Aí então ligo para a imobiliária para pedir meu depósito de volta. Aqui no UK temos que dar um depósito para o dono do imóvel, para o caso de sairmos da casa antes do contrato terminar. É tipo um cheque-caução, mas bem, bem alto. Na casa em que eu estava em Fulham, eu e Broo tínhamos £810 cada uma. E, vou te dizer, estou tendo um hard time para reaver essa grana.
(Quero que a dona vaca arda bem devagar no mais escuro, profundo e fétido dos infernos.)
Essa é minha vida. Pelo menos comprei o antipulga.
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Hoje estou em um daqueles dias em que gente, de um modo geral, me irrita. Não respira, não chega perto, não conversa, não me olha. Não me enche. Puta merda.
Tá, nem toda gente. Mas quase todo mundo pode enfiar o dedo no cu e rodar!
Tô num puta mau humor. Mas há de passar em algumas horas. Há sim. É só eu parar de ter que falar com os mongolóides dos Customer Services do universo.
Monday, March 19, 2007
send back letters from the Graceland home
Agora tenho escrivaninha.
E meus livros todos olham para mim enquanto durmo.
Meu chuveiro é meio frio, mas tudo bem. Enquanto bato os dentes, penso que faz bem para a pele e para a circulação. Aí bato os dentes quase feliz.
O plano para hoje é passar aspirador de pó e trocar a roupa de cama. Feito isso, não preciso fazer mais nada (até começar a baderna de novo).
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Bruno, eu sei que você está aí: pode calibrar o pneu da minha bike, façavô? Foge não.
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Fim de semana muito proveitoso. Além de ajeitar meu quarto, descolei força motriz, de carro e de gente, para buscar minha escrivaninha nova. Teve Guanabara com feijoada na sexta, teve churrasco na Casa Oval no sábado, e teve enrolação e almoço no Nandos no domingo. Foi bom. Mas estou voltando ao regime, pelamor.
E o melhor – essa segunda passou voando.
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Comprei nossa much expected torradeira. Ninguém segura Graceland, alcunha carinhosa dada por Byrifoy a nossa casinha. Graceland é o nome do rancho do Elvis Presley. Daí vocês já têm uma idéia.
Friday, March 16, 2007
22
Dezembrando
Talvez eu tenha sido meio sacana com você
Jamais se deixaria confundir por uma mulher
Foi melhor cairmos fora do caminho
(um do outro).
Até quis te reencontrar, te ligar, dizer um oi,
como
vai.
Mas você estranharia.
Você estranhava muita coisa em mim
Você não trazia poesia no olhar.
Falta de aparatos poéticos da sua cabeça
(quase genial).
A força das palavras em que tropeçamos não causava efeito em você
Preciso, embora doa o coração
Eu nunca gostei de coisas simples anyway
De repente ele não fez mais
(diferença).
De repente minha vida continuava igual, como sempre fora.
De repente ele foi
(uma invenção da minha cabeça).
Vinte minutos e, bom, então a gente se fala
Por alguns instantes achei que fosse uma balsa
A balsa oscilava em mar pouco mareado, mas ainda assim mar.
O leve balanço da balsa.
O balanço que a princípio assusta mas depois embala.
O balanço de uma balsa tão pequena como uma cama
(de solteiro),
que não te dará
(respostas), mas que não mais virará.
Um balanço cativante, que simula o coito.
Um balanço que te leva para outras águas sem você
(perceber). Sempre.
Voz que podia ser de engano
Deus é a resolução
(de uma equação)
É o delírio epifânico do conjunto solução
São vários livros que se abrem e se fecham a todo instante
É que aqui sou eu, sabe? E só.
Não tem ninguém
participando
Conselho de amigo: bico calado.
(ou eu atiro).
Thursday, March 15, 2007
atenção: "clothes!"
“Clothes!”, quase gritando: por favor abra o saco e salve roupas lindas, algumas semi-novas, da morte prematura. Tem de tudo lá: gorros, cachecóis, sobretudos com microfuros – mas ainda assim sobretudos -, restos de perfume, restos de cosméticos, um quadro meio rachado que tenho há anos e nunca pendurei, bolsinhas que não usei, até ceroulas tem. E, pecado dos pecados, um livro. Tem um livro que comecei a ler e larguei no meio e não achei que valia o peso de carregá-lo comigo. Um pecado que não me incomoda. A livros ruins têm que ser dado o devido desvalor.
Vou parar de pensar nos dois sacos “clothes!” agora, *1 2 e já*.
Vou parar de pensar em outras coisas que possam estar contribuindo de maneira direta ou não para o processo mingüante de minha sanidade mental.
*1 2 e já*.
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O que sonhei essa noite? Sonhei que havia uma velha numa piscina, e a velha parou de respirar. Fui até a borda e segurei seu braço direito, mas percebi que, antes de tentar ressuscitá-la, ela voltaria a respirar. E voltou. Deu uma leve tossida e perguntou o que tinha acontecido. Ficou assustada, poderia ter morrido. Eu sentei na beira da piscina e deitei sua cabeça no meu colo. Ela começou a chorar. Fazia tempo que ninguém lhe fazia cafuné. Depois de um tempo começamos a conversar. E aí eu entendi que acabou o ar da velha por causa da solidão.
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Ontem eu fiz tanta, mas tanta coisa. Eu fiz muita coisa mental, eu fiz muita coisa física. O dia durou umas 40 horas e eu terminei o que comecei. Também venci um medo bobo que, na minha cabeça boba, era gigantesco. Venci, então, mais um medo bobamente gigantesco. Eu até conto se você perguntar. É só perguntar com jeito.
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Saudade da minha irmã e da energia que ela irradia. Meu solzinho pontudo e folgado.
E saudade de babãe e babái também. Por que fico assim sempre que minha vida muda? Vontade de voltar para a época em que só mudavam as professoras da escola? Vontade de não ter controle sobre as mudanças? Babãe e Piu é que estão certas: manha, pura manha. Engole esse deschoro.
Tuesday, March 13, 2007
abre abas
Hoje em dia, não aceito ninguém mandando na minha vida. Aceito sugestões, aceito negociações, mas não aceito ordens. E não aceito ninguém criticando cada passo meu. Sou péssima para aceitar minhas falhas, mas sou pior ainda para aceitar falhas que não são minhas.
Amizade, legal. Mas sem parasitismo.
Vamos lá, cada um cuidando do próprio nariz. Não tem erro.
Pronto, desabafei.
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Passei minha primeira noite na casa nova. Foi melhor do que eu esperava, mas acho que só porque bati o pé para o Byrifoy me fazer companhia. Ele teve que cancelar um “encontro” no mundo de LineAge (não sei o nome do “país”, sorry Byrifoy!) porque eu estava realmente assustada. Não era nada concreto, nem sei o que me deu. Uma daquelas estranhezas que me dão de vez em quando. Medo indefinido. Daqueles que dão mais medo, porque são generalizados, porque cada pedaço seu teme ser atacado a qualquer momento pelo novo. Eu, cercada de coisas novas, sem saber onde fica o interruptor, sem saber se haverá barulhos novos, sem saber se vou chegar no trabalho na hora, fico completamente perdida. E ontem estava assim. Mil coisas na cabeça, um cansaço homérico e justificado, e os olhos arregalados em contradição.
Hoje vou na casa velha, pegar, entre outras coisas, meu computador. Porque eu, com toda essa apreensão, com todo esse medo, estou inspiradíssima. Sempre foi assim.
Saturday, March 10, 2007
chega de brincar de casinha
Caralho, como eu tenho tralha.
Eu sublimo tudo, sublimo tudo e vou entuchando. Com um criteriozinho ou outro. Dois sacos de lixo cheios de roupas e bugigangas, muitas das quais nem tirei a etiqueta. Shame, shame.
O negócio é dar uma pausa agora, que o grosso já foi, almoçar, tomar um remédio, quem sabe uma cochilada e depois, Beatrissinger, façavor de terminar. Porque tá quase lá.
Puta merda, cansa.
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Ontem assisti Casino Royale com Byrifoy pela segunda vez. Pela segunda vez adorei. Daniel Craig e seu bico. Aiai.
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Eu tenho idéias brilhantes. Mas elas raramente se aplicam a mim.
Mas pelo menos são brilhantes. Né?
Thursday, March 08, 2007
deschoro
De qualquer forma, merecemos, sim. Nós montamos as campanhas deles muitas vezes. Um papo longo e chato. Esquece.
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Ontem conversando com Byrifoy tentei lembrar a última vez que chorei. Não foi fácil lembrar. A última que lembro foi num filme, mas isso não vale. Digo choro de verdade, choro com a minha vida, choro pelas minhas causas.
Acho que dei uma derramadinha quando saí do Brasil, no aeroporto mesmo, ao me despedir da família. Depois de me despedir, na verdade. Mas nada alagável.
Antes disso, lembro de ter chorado no natal também, com minha Piu. Mas contando apenas este ano, tudo indica que teremos um ano de deliciosa estiagem.
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Eu entendo se muita gente realmente não entende meu mundo. Andando na rua com a Flá, inventei que um cachorro qualquer, amarrado a um poste do lado de casa, seria meu oráculo. Fiz uma pergunta capsciosa e ele respondeu o que eu mais temia e mais queria “ouvir”.
Aí, no dia seguinte, constatei que o cachorro estava errado, e eu, também, ao querer que ele estivesse certo.
Ufa.
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É engraçado como tem gente que nunca
Jamais
Admite que perdeu.
E apenas que perdeu. Que ninguém sacaneou.
Só a pessoa que
*Simples assim*
Perdeu.
Wednesday, March 07, 2007
Monday, March 05, 2007
tufões
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Ainda nem chegou Bretanha e já estou querendo bookar a viagem de julho com minha Piu. Vida boa, essa, de cidadã européia. O plano é fazer Berlim e Amsterdã. De trem. Plano ainda.
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O fim de semana foi bom. Nada demais aconteceu. Mas é bom ter um fim de semana tranqüilo precedendo o fim de semana de mudanças. Reservamos o cara da van para o próximo domingo, 10 da manhã. Mudar em Londres deve ser bem mais fácil que no Brasil. Eu não sei julgar porque morei no mesmo apê em Sampa desde os 6 anos de idade, e não tenho lembranças das poucas mudanças que fizemos. Provavelmente porque não participei de nada, desde a compra do apê até a mudança em si, incluindo a disposição dos móveis etc. Fair enough, eu aos seis anos faria do meu quarto um cenário de Alice no País das Maravilhas, com gliter e bola e discos jogados aleatoriamente, tal acurado era meu senso estético.
Agora tenho que cuidar da mudança toda. É um sistema que vale uma animação gráfica, mas meus skills/tempo/saco para fazê-lo me impedem. Seria algo assim:
Decidir mudar --> procurar flatmate --> procurar casa --> achar casa (pode comprometer flatmate) OU achar flatmate (pode comprometer casa) dependendo do que for mais importante, flatmante ou casa --> acordar tudo com o landlord OU agência sem perder a sanidade mental (se perder a sanidade mental, mudar a primeira etapa de “decidir mudar” para “desistir de tudo”) --> acertar a saída com o antigo landlord e recuperar o depósito que demos ao mudar para lá (sem perder a sanidade, porque não vai resolver o problema, e será SEMPRE um problema) --> se a saída for tranqüila, parabéns (me ensina) se não for, perca alguns cabelos lutando pelos seus direitos --> arranjar uma van para fazer a mudança. Se você for pobre, como eu há um ano e pouco, faça a mudança com 7 (sete) viagens de metrô. Mas desconte também mais alguns tufos a menos de cabelo, plus costas estouradas --> uma vez efetuada a mudança e recuperado o depósito, o pior já passou. Mudar todos os 8479873275 de endereços da antiga casa para a nova à tentar ser rápido em descobrir o que é podre na casa nova e começar tuuuudo de novo, uma relação de ódio-ódio com o landlord.
Espero estar sendo muito pessimista. É que nossa experiência anterior foi foda. Não quero me iludir só porque meu novo landlord é meio velho, tem o naris meio torto, é irlandês e é meio fofo. Não, isso não é motivo.
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Sobre minhas portas e janelas, confesso que sempre quis deixá-las abertas, mas ultimamente preferi encostá-las, talvez porque entrou alguém na casa que eu não quero que saia. Mas estão apenas encostadas as portas, e destravadas as janelas. E a luz lá dentro indica que tem gente. E o cheiro indica que tem feijão e abraço quentinhos.
Porque amo demais e quando amo sou insuportavelmente carinhosa.
Mas eu ia dizendo: a porta está encostada. Ninguém precisa arrombar para entrar; ninguém precisa arrombar pra sair. Eu deixo circular. Eu quero movimento além de vento. Dentro fora. Para arejar, mas não a ponto de me sufocar com oxigênio demais.
Friday, March 02, 2007
justiça sujinha
Estou deliciosamente escangalhada, aliás.
Ainda assim hoje vou nadar.
E aquele mal-estar já está passando, já quase passou. Tem gente na minha vida que nem sabe mas tem esse poder. Também ajuda o fato de eu ter feito exercício todos os dias essa semana. Cheguei naquele ponto em que ou encaro o frio, ou encaro a depressão. Tendo passado pelos dois, fico com o primeiro.
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Comprei uma garrafinha térmica que a Flá pediu no Asda. Aí veio sem a borrachinha. Aí eu voltei lá hoje e roubei a borrachinha de outra garrafinha térmica. Chama-se justiça *sujinha* com as próprias mãos. Faço muito disso.
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Aí que hoje é sexta de novo e bochechas serão destroçadas de maneira esporádica throughout the weekend.
Thursday, March 01, 2007
stop the press
Folha: PIB de Lula empata com o de FHC
Estadão: Brasil cresce só 2,9%, bem abaixo da média mundial
Globo: Brasil cresceu em 2006 metade da média mundial
Entenderam? O Brasil é um país diferente de acordo com o jornal que você lê.
Wednesday, February 28, 2007
recorte
Aí virei pro Derek e desnecessariamente concluí que nada mudou. Só minha natação, que está lastimável.
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Angústia passandinho. Passar que nem macho nunca passa porque é inerente mesmo. Mas deu aquela aquietada. Falar com meu amor ruivo sempre, sempre ajuda. Impressionante.
- Olha, fica bem, viu? Quando começar a ter pensamentos obsessivos, lembre que você não tem controle, imagine-se recortando com uma tesoura cada um deles.
- Mas eu sou ruim de tesoura, corto tudo torto, lembra quando...
- Tá. Então imagine lançando-os no mar para bem longe.
- Ok, vou imaginar. É isso que você fala pros seus pacientes pequenos com TOC?
- É.
É ou não é um cristal, essa minha Piu?
Tuesday, February 27, 2007
todo ano, o ano todo
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Mas meu deus do céu, que se exploda a Britney Spears e a careca dela. E o piercing e a tattoo e as tentativas de suicídio. E o que mais ela venha a fazer para aparecer. Por que todo mundo se importa? Será que é por isso que eu desencanei de ler jornal? Faça-me o favor.
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Estou indo para minha sexta casa londrina. Deus dai-me forças.
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Hoje faz um ano que o tio Hans nos deixou. Ele foi e com ele a unidade da família. Faz um ano que não vejo minhas primas. Ele não ia gostar de saber disso.
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Há um ano, eu sobre o carnaval:
Enquanto todos ao sul do Equador derretem em pre-carnaval, aqui neva. Nevou o dia todo. Vai nevar de noite. Ha algo de errado com o aquecedor la de casa e eu nao sei como consertar.
Aqui neva, no Brasil frita. Porque esse contraste, depois de um ano e sete meses, ainda me deixa tonta?
Estao todos ai em ritmo de Carnaval, eu sei. Os jornais ja dao as noticias do transito e do quao estupido eh deixar para “descer” na hora que todo mundo “desce”.
Na Folha de hoje, um Cony bastante bairrista me mata de inveja: “o carioca está vivendo sua ‘finest hour’, meio avacalhada, mas gostosamente sua, intransferível”. A deliciosa avacalhacao carioca. Por que tudo o que eh avacalhado seduz? Talvez porque nada eh levado a serio. Nem quem eh seduzido.
Mas eu nao vou morrer de inveja porque nunca fui de Carnaval. Amanha, por sinal, irei a uma festa anti-carnaval na Toca dos Mongos, carinhosa alcunha para a casa do Ernesto & Cia Ltda. Se estivesse no Brasil, provavelmente me enfiaria num cinema com ar-condicionado por quarto dias.
Alem disso, a Pascoa ja estah chegando. Ou nao. Mas como eh meu proximo breque na vida, ja tenho que ir me envolvendo. Vamos eu, Broo, Mr Australia, Mr Suecia e um amigo de Mr Australia que chamaremos de Kangoroo. E talvez mais uma pessoinha linda, neam, pessoinha linda? Para onde? Para ca.
Como as coisas mudam. And still they remain the same: a mesma pessoinha linda vem para ca neeeeeessa pascoa.
Sunday, February 25, 2007
pale eyes
Várias vezes quis engatinhar em direção à porta certa mas não fui por saber que era a porta certa. Uma vida reta não me anima, não me incita, não me faz feliz. Estou feliz e talvez esse seja o problema. Onde está aquele brilho de luta nos meus olhos? Aquele sorriso de cansaço após a luta? O prazer de me jogar num sofa depois de correr por horas? Na verdade preciso reclamar de algo e, não tendo nada de que reclamar, reclamo da falta que reclamar faz.
Ou então, estou inquieta por algum motivo que realmente ainda não descobri, que vai muito além da minha dita sensibilidade absoluta. Resumindo: eu fugindo de mim. E correndo atrás de absolutamente todo o resto.
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Não consegui falar com minha Xuána esse fim de semana. Fez falta. Mas a culpa foi minha. Também tem feito falta a natação, e a culpa também é minha. Eu decidi que agora a vida vai ter que voltar a me pertencer. Só pode ser esse o fundo de tanta angústia.
Talvez, também, falte celebrar à altura. Falta que outros voem tão alto quanto eu, para aproveitarmos e dividirmos os mesmos, insuportáveis e deliciosos vácuos no estômago.
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Falando no telefone agora pouco com um novo e já muito querido amigo, descobri que passo a imagem errada o tempo todo. Para cada pessoa sou um personagem completamente diferente e para ninguém sou multifacetada. Um quê de esquizofrenia que deve assolar todos.
De qualquer maneira, paro para pensar no que sou e no que passo. No que fico e no que vou. Fico pensando, arrancando cutículas que não existem, pensando, pensando em como me tornei o que me tornei. E em quê, afinal, me tornei? Eu não sei definir. Talvez porque não haja definição. Eu, que sempre precisei me agarrar a definições, agora preciso entender que sou um ser completamente indefinido, plural, sem gênero, sem grau.
Acho que no fundo é só mais um deep and painful Sunday blues.
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Escher teve a ousadia de prever meu sonho da semana passada. O sonho envolvia um cego que tentava me aterrorizar e no começo conseguia, mas depois passei a ignorá-lo. Eu era parte de uma gincana em grupo para achar a saída de uma casa, mas o grupo debandou e eu fiquei sozinha. E desde o começo eu não queria participar de gincana alguma, só que, aparentemente, eu não tinha muita escolha.
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Voltando à conversa com o amigo: acho que descobri a raiz da minha angústia. E ela não tem nada a ver com o que escrevi antes. Ela tem a ver com o fato de eu estar de certa forma me sentindo obrigada a coisas que na verdade POSSO escolher. Puta merda, viu? Quando foi que as coisas foram complicar assim? Parece cabelo na piscina: quando você menos espera, o nó está lá e, se não desembaraçado a tempo, pode não ter saída senão tosar.
Isso não. Amo meus nós. Amo cobri-los com fios retos mas saber secretamente da existência de um emaranhado protegido, um quebra-cabeça cabeludo a que só eu tenho acesso.
Eu adoro acessos exclusivos. Mas preciso aceitar que não fui eu quem montei o acesso. Essa é a parte difícil.
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Não acredito muito em palavras-chave, ou em segredos. Mas se houvesse um que me impedisse de rasgar, eu acataria de bom grado. Odeio rasgar. Mas é inevitável. Queria ter nascido tapada.
Friday, February 23, 2007
pingos
Resfriado sondando terreno. O problema é que eu espirro muito alto.
Tanta coisa para falar para tanta gente.
Não sou tão sábia assim.
Mas eu tento. Porque gosto de compartilhar o que aprendi, mesmo sendo diferente do que tudo o que já se viveu.
(No fundo, é sempre igual.)
E sou intrometida também. E gosto de ajudar, porque muitas vezes consigo.
Minha mãe foi pros EUA.
Não tive nem saco de passar rímel hoje. É bom porque posso coçar os olhos sem causar estragos.
Ontem à noite foi muito bom. Bendita sou eu entre as mulheres.
Não, não posso reclamar. E nem reclamo.
Vou no Ikea com Byrifoy amanhã. Eu não desgosto desses programas.
De repente até encontro algo, mas não estou procurando. Alguém se lembra? Sou daquele tipo irritante que não procura e acha.
Irritante mesmo. Vira e mexe penso em me benzer.
Aí penso que sentimento pequeno não sobe nem meu tornozelo.
Sou folgada demais.
E melhora a cada dia.
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Odeio ver coisas caindo pela janela. Tipo dinheiro, tipo saúde, tipo amor. Mesmo que haja razão. Esse mundo é todo desperdício. E gosto de ficar embaixo, com uma rede, tentando salvar os abstratos suicidas. Só que, abstratos que são, não são pescáveis com rede. Preciso inventar uma fórmula mais efetiva. Capaz de segurar não só dinheiro.Porque essa é a menor de todas as perdas.
Thursday, February 22, 2007
antes de mim
Sobrevivi a ontem. Em grande estilo, ouso dizer. A entrevista foi muito bem, apesar de achar que minhas chances de pegar o emprego são restritas porque um colega aqui do trabalho também foi fazer entrevista para a mesma vaga e, apesar de todo o meu carisma e brasilidade, ele tem anos e anos de experiência, além de um diploma de Marketing (o CIM) reluzindo nos dentes. Então fica mais complicado. De qualquer maneira, uma boa experiência.
E o contrato com a casa. Deu tudo certo, mais certo do que eu esperava. O aluguel vai ser mais barato e eu serei uma pessoa mais feliz, quero crer.
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A bomba que ninguém esperava: acho que vou largar o Wandsworth Swimming Club. Não sei ainda, mas é que já tava difícil de ir nadar morando perto do clube (que fica em Barnes), imagine só quando eu for pra Stockwell? Meio inviável. Não sei ainda, não decidi nada, mas a idéia está amadurecendo e talvez eu tente achar outro clube mais perto do meu novo lar. A conferir.
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Primeiro foi a música estourando em toooooodo o Brasil. Agora, outra novidade, vou virar colunista de revista para brasileiros que vivem na Europa. Esse é o plano pelo menos e, pelo que pude ver, é sério. Conto mais quando houver mais o que contar.
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Essa é uma mensagem abstrata para uma pessoa específica que está sempre por aqui conferindo qualquer coisa: não existe verdadeira conquista sem suor. Não existe acerto sem erro. Não existe certo sem errado. Não existe o não perdoar e não existe o adeus absoluto. Os extremos não estão por aí para serem alcançados, mas sim para servirem de trave. Onde vai ser o gol é problema seu. Mas extremo é trave, é entrave, e não vida. Cada pedra que estiver agora atrás de você, te fez mais forte. No final, seja lá qual for, você será capaz de atravessar montanhas em um pulo. Não desiste não.
Tuesday, February 20, 2007
uma casa muito engraçada
Amanhã, também, antes de assinar o contrato, tenho uma entrevista de emprego. Ou seja, é bom eu ficar serena. Há potencial para o Mal – if you know what I mean.
Enquanto isso, hoje, Flá vem até Kingston me ajudar a carregar umas crates que estou despreocupadamente roubando por algumas semanas, até nossa mudança. Pedi pro cara do trabalho, um loser aí que, entre outras coisas de igual importância, cuida de caixas, e ele disse que não tinha para emprestar. Ele, a autoridade em caixas. Aí eu achei, né? Se achei é porque tinha. Roubo, mas devolvo. Igual fiz com o ar condicionado do albergue de Paris.
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Minha casa nova fica de frente para um parque. Dentro do meu quarto tem um canto de 1 metro quadrado. Dentro dele, um chuveiro. Minha casa nova tem cara de casa. E tem cara de que fica insuportavelmente quente no verão. Minha casa nova tem dois banheiros e três quartos. Minha nova flatmate é mexicana e se chama Adriana e é arquiteta. Minha velha flatmate é a Flá. Meu novo vizinho vai ser o Lino - o filho que ainda não tive. Vou estar bem mais perto do byrifoy também. E minha estação de metrô mais próxima tem duas linhas, Victoria e Northern line. Foi lá, em Stockwell, que o Jean Charles de Menezes foi assassinado pela polícia.
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O que eu faço com tanto sono? Sono é uma maldição dos deuses, um castigo aos pecados. Não há nada pior que o sono não-satisfeito. Minha maior tortura seria uma vida em sono. Atualmente, apesar de estar feliz e muito bem, tenho sono. Muito sono. Estou cansada. Não sei direito porquê. Estou muito cansada. Acho que já estou precisando de férias. Acho que preciso de mais férias que a média da população economicamente ativa.
Acho que preciso me encarar mais de frente. Sono é esquiva.
(Porque se for só castigo eu não agüento.)
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Olha só, já estão eliminados a procura de casa e os acertos da Páscoa. Pronto. Inspira, conta até 4, expira, conta até 4. Faltando apenas: assinar contrato, conseguir meu depósito de volta, fazer a mudança, achar um hotel na França que não esteja lotado, pagar tudo, pagar pagar pagar, desbloquear meu online banking porque deu tilt, esqueci minha senha e bloqueei meu acesso. Uf. De novo, inspira, conta até 4, expira, conta até 4.
Monday, February 19, 2007
meu, seu, eu
Existem o meu interesse e o seu interesse. E existem o começo e fim do meu mundo e o começo e fim do seu mundo. Eles não andam juntos.
A gente, sim.
E é por isso que nos sentimos tão, tão sozinhos. E é por isso que enxugar as lágrimas não ajuda. E é por isso, finalmente, que aprendi a conviver com o sentimento de solidão, assim como aprendi a conviver com o sentimento de apreensão. Vão sempre estar ali, o negócio é adaptar.
carnaval inglês
Está tudo girando, e eu nem bebi. Eu nem bebo, e eu nem me droguei. O fim de semana foi bom, muito bom. Mais uma vez. Já estou ficando sem graça, eu sei, mas foi bom e sem razão específica. Talvez, mais uma vez, pela companhia.
E sempre foi assim, quem me acompanha sabe: a graça do meu blog é inversamente proporcional à graça da minha vida. Pelo menos tem sempre algo bom em meio à desgraça.
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É canaval, é a doce ilusão. Aqui tivemos uma festa muito boa no sábado. A fantasia. Fui de taxi. Não, não, fui de busão à festa, mas minha fantasia era de taxi. Ó:
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A história é a seguinte: lá pelos tortuosos idos de 2002 resolvi que iria escrever letras de música, mesmo não entendendo porcaria alguma de como se faz melodias. Escrevia poesias que conseguia imaginar sendo cantadas. Só. E aí, cinco anos depois, aconteceu. Uma das músicas foi parar na boca de uma cantora que participou do Ídolos aí no Brasil. E está no novo CD dela. Mas não vou explicar mais porque tenho vergonha. E para quem pergunta sobre royalties eu digo e, se necessário for, repito: não sei, e não sei se tô a fim de ir atrás para saber.
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Tem um lado meu que está muito bem preenchido no momento. Talvez seja por isso, meus queridos, que não esteja tanto aí, com vocês. Mas vou voltar. Quero que saibam que estou feliz, e que é uma felicidade independente. Não entendam mal, eu jamais esqueceria vocês. Jamais. Eu apenas estou bem o suficiente para não precisar de colo. Amanhã, como vocês já sabem, tudo pode mudar. E eu sei direitinho quem estará lá, pronto para me receber. E quem não.
Friday, February 16, 2007
sangria desatada
Essa semana foi muito boa.
Nada de muito especial. Uma ou outra pequena coisa.
The little things that cheer me up – muitas vezes mais que as big things.
Seja uma notícia inesperada, ou uma frase solta sem querer, cheia de sentido, ou uma possibilidade de ganhar mais, além de uma outra possibilidade de gastar menos.
A única coisa chatinha é que continuo sangrando. Há, xover, 18 dias.
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Sexta-feira. Nada é problema.
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Agora chega de enrolar. Vou bookar a Páscoa e desse fim de semana não passa. Vamos para Bretanha, não lembro se já disse. St Malo. Uma cidade murada medieval na costa noroeste da França.
Bom, pela companhia, o lugar pode ser mais triste que Birmingham e mais chuvoso que Seattle e mais sem graça que a vida de um padre, que ainda assim vai ser dugarái.
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Começou a saga de procurar casa para morar. Pelo menos essa em que estou durou um ano. Para Londres, foi meu recorde.
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Passei meu lunch break andando por parques e falando com minha Piu no telefone. Como é bom conversar com minha vermelha. Ela anda por caminhos que já andei. E eu ando por caminhos que ela já andou. E a gente conta desses caminhos uma para outra de forma a não nos sentirmos ETs neste mundo.
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Viu, vocês já ouviram falar da Pollyana Papel? Então.
Wednesday, February 14, 2007
the man
James Joyce in Dubliners
um pouco mais do diario de minha Xuaaana
Os meus números da sorte vão ser 5 e 9
Minha Bia querida rosa dourada, você e enfeitada de cristal, nas nuvens do céu no mar verde, na terra marrom você canta alegremente. As rosas da terra a terra do homem o homem de Deus e deus do céu. Todos te vê e apreciam a sua bondade, carinho belesa e mais coisas. Seus olhos verdes seus lábios rosados e seu loiro cabelo e sua manchinha são reparados. Você é uma gatona
São Paulo, 18 de maio de 87
Poesia para Helga (*Helga era a melhor amiga de Xuaaaana na escola*).
É sempre bom ter uma amiga japonesa, com olhos puxados, baixinhha, morena e educada.
Os jardins ela aprecia as flores e a naturesa que corre com o passar do tempo. O mar, deus, O céu e a naturesa não são ilusão de uma pessoa. Viagem miragem, quem eu sonho toda noite.
São Paulo 22 de maio de 87
(*D. Iracy foi a odiosa e odiada professora de matemática de minha Xuaaaana*).
Que injustiça da D. Iracy ela ensinou divisão do termo mais difícil e logo depois da prova
Que é isso “Mancha”?
E depois se manda, pede licensa.
Para falar a verdade nunca gostei dela
Smak
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I'm gonna fucking die de fofura dessa vermelha. Deus me ajude a ler essas coisas e permanecer sana longe dela. Minha doce Piu.
Tuesday, February 13, 2007
A quinze minutos do fim de uma terça
Mudança de casa feriado idas e vindas e o fim de semana
E outras coisas que não lembro mais
Além de uma campanha nova, sobre um assunto novo
Tanta, tanta coisa
Telefonemas que não quero, mas tenho que retornar
Telefonemas que quero, mas não tenho que retornar
And yet, aqui estou
A quinze minutos do fim de uma terça
Lendo Bukowski
Adiando um pouquinho a minha existência
Sem no entanto me afastar um pouquinho da morte.
Sunday, February 11, 2007
love today
E se eu resolver colocar a letra de música que não me sai da cabeça, aí eu estrago tudo mesmo. Para mim, de vergonha, de exagero, de loucura. Para mim. Só digo que essa história de que quem não sabe o que procura não vê o que acha é a maior falácia da história. Eu nunca sei o que procuro mas sempre, infalivelmente, vejo o que acho. E, muito fortunadamente, poucas vezes me enganei.
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Decidi que não tenho mais paciência para pessoas medíocres a minha volta – e, acreditem, são muitas. Deus vomitará os mornos.
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Ufff.
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Foi Heráclito quem disse, não se entra duas vezes no mesmo rio. Esquecemos que não é só porque o rio não é o mesmo a cada segundo que passa. Mas também porque o homem já não é o mesmo. Sic transit gloria mundi, meu bem. Anotar: não se deixar deslumbrar tão facilmente, mas nem por isso ser morna a ponto de ser vomitada por Deus.
Se for para rodar sem sair do lugar, que seja bem rápido, para depois cair no chão e poder ao menos rir da própria miséria.
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E se eu sonhar que sou uma borboleta e ela sonhar que sou eu: Quem é o humano e quem é a borboleta? O que é sonho e o que é realidade?
Wednesday, February 07, 2007
you're biryfoy, it's true
5 de dezembro de 1985
7 anos
A Bia 5.
Querido diário
Como eu me sinto é isso que eu quero te dizer eu amo esta vida hoje vai ser um dia maravilhozo eu quero que essa vida passe rápido e continue se esforçando e em 1986 vai ser melhor do que esse ano
Obrigada
*
Querido diário
A Bia 5
7 anos
Eu me sinto muito felis só tem um probleminha e que minha irma me bate muito mais ela as veses ela é muito legal minha irmã se chama Bia e quem me deu esse diário foi a mamãe Lucia eu escrevo nesse diário porque eu posso escrever todos os meus segredinhos eu tenho de segredo de esperar a minha irmã dormir para ir para a sala e receber cosiguinha.
*
Querido diário,
18 de janeiro de 1986
Vamos começar a 4a série. Que difícil! estou dando graças a Deus que o César vai embora. Ele é muito chato. Não gosto dele. A Sabrina e a Thais elas são muito mais legais quando estão sem o Cesar, sabe diario eu a Juliana a Bia a Sabrina e a Thaís nós vamos comer hoje juntas e a tia Branca que vai levar. E amanhã a Sabrina vem dormir em casa comigo (1a vez) E a Bia vai dormir com a Thaís (1a vez)
*
Querido Diário
4/11 de 1986
A Bia 5
7 anos
Querido Diário eu quero nesse mundo que todos sejam felizes e alegres por que quem é bom eu gosto de todos. As vezes eu faço negócios com a mamãe para a Bia não saber. Agora Diário eu quero falar minha grande verdade, eu tenho dois namorados um é um japonês que é um gatão e o outro é um gatão que se chama Adriano. Quando eu comecei a namorar foi na festa da Paulinha foi na brincadeira de casamento chinês Que era assim um menino ou uma menina fechava os olhos ficava de pé e rodava em quem o dedo para tem que dá um beijo um abraço um aperto de mãe e um passeio assim que eu comecei a namora!!!
Obrigada Diário.
*
Querido Diário
9 de setembro de 1988
I'Am straberry
I'Laik straberry
I'Love straberry
I's good straberry
Well, you understandi?
She, my sister,is very very duck!
I'Am very, very (expert)
Oh! No, my sister is very very byrifoy! Sory!
Kiss me, J.
Monday, February 05, 2007
um post dedicado
Sábado fui fazer programa de turista com o Rafa, amigo da Flá que mora em Berlim e veio com a namorada conhecer Londres. Os dois são uns doces, divertidíssimos mesmo. Também encontrei com um amigo inglês que mora fora de Londres mas veio passar o dia na capitar. Um sol delicioso, apesar do frio.
O resto do fim de semana vocês já sabem, foi todo indoors. Com as dores e delícias de se estar indoors. Mas mais delícias que dores. Bem mais. É.
Ontem tinha tudo pra não ser nada, mas foi muito bom.
E descobri que gosto de comida da Eritréia, e não é só porque se come com a mão.
De qualquer forma, o inverno precisa acabar.
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Amanhã vou ver o jogo de Brasil vs. Portugal no Emirates Stadium. Vai ser uma grande partida. É um amistoso. Está sold out. Sim, uma grande partida, um grande desafio (esse da multidão contra mim, que fique claro).
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Minhas unhas demoram tanto para crescer e tão pouco para serem destroçadas. Pelo menos eu destroço bonitinho.
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Eu disse que escreveria um post direcionado, como nunca faço. Ou raras vezes. Muitas vezes não escrevo nada com nada porque as palavras saem meio psicografadas, uma verborragia que pode ser uma bobagem sem tamanho, mas que no final das contas, por alguma razão, faz sentido para quem lê. Acho que por isso que este blog tem a audiência que tem. Other than that eu realmente não entendo.
Mas eu disse que, por mais que parecesse, os posts anteriores não foram dirigidos a ninguém em específico. Juro que não foram. Algumas pessoas querem ler nas entrelinhas quando o que há nas entrelinhas são apenas espaços em branco, ou então algo que nem eu enxergo.
Mas desta vez, não. Este último pedacinho de post é dedicado a alguém que nos últimos três meses (e um teco) só me fez bem. And no more needs to be said. Mesmo eu tendo milhares de palavras entupindo a porta de emergência. Eu gosto assim.
Mesmo porque se eu deixasse realmente, *realmente* fluir, aí sim seria tido como louca.
Thursday, February 01, 2007
efemérides
Vocês me acham curiosa mas não sabem o quanto tremo nas bases quando leio essas placas. Acho que só me mudei pra Londres porque viria sozinha. Não ia agüentar a minha adaptação e a de todo o resto.
Porque eu não ligo de me sentir sozinha. Eu ligo de me sentir sozinha em meio aos meus queridos.
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Belo dia, belo dia. Menos dores hoje, mas ainda não me sinto confortável em subir escadas. O lance, amigos, é que moro no segundo andar e trabalho no primeiro. Logo, contando saídas pra almoço e tal, subo e desço um total de, no mínimo, 5 andares por dia. É pouco, se você estiver inteira.
**
Ouvindo agora.
Hello, I’ve waited here for you, everlong
Tonight, I throw myself into
and out of the red, out of her head, she sang
Come down and waste away with me, down with me
Slow how, you wanted it to be,
I’m over my head, out of her head, she sang
And I wonder
when I sing along with you
if everything could ever feel this real forever
If anything could ever be this good again
The only thing I’ll ever ask of you
You’ve got to promise not to stop when I say when, she sang
Breathe out, so I can breathe you in, hold you in
And now, I know you’ve always been
out of your head, out of my head, I sang
And I wonder
When I sing along with you
If everything could ever feel this real forever
If anything could ever be this good again
The only thing I’ll ever ask of you
You’ve got to promise not to stop when I say when, she sang
And I wonder
If everything could ever feel this real forever
If anything could ever be this good again
The only thing I’ll ever ask of you
You’ve got to promise not to stop when I say when
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Ontem fui ver Blood Diamond. O melhor filme de 2007 so far. Podem falar o que quiserem, Hollywood fede a pombo, Leo Di Caprio fede a estopa, clichés fedem throughout the movie. Eu adorei. E levanta uma questão sobre venda de diamantes de que eu, pessoalmente, não estava a par.
E eu até quis soltar uma ou outra lagrimazinha porque o filme é chorável. Mas acho que estava cansada demais para chorar.
Outra coincidência foi que o filme mostra em determinado o World Food Programme da ONU, fundado pelo querido e much missed Sir Hans Singer, tio avô de vossa interlocutora. E foi nesse mesmo cinema que, em março do ano passado, recebi a notícia de que o tio Hans tinha morrido.
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Eu jamais teria a pretensão de conseguir me expressar inteiramente a ninguém. As palavras transbordam mas mesmo assim, mesmo assim, isso não é nada. Sou um mangue de pensamentos desconexos. Se você tentar passar por mim, é capaz que afunde. Mas a bem da verdade, pode ser que opte por mudar de caminho.
Eu, de minha parte, não posso fazer nada. Só entender que lá veio e lá foi mais um.
Eu, de minha parte, pressiono um lábio contra o outro, para segurar talvez o riso, de ver as histórias todas se repetindo; talvez o choro, de me ver, mais uma vez, fria e sozinha: a desescolhida.
Wednesday, January 31, 2007
caatinga
Acordei, inclusive, meio desanimada. Não sei direito por quê. Não dormi bem. Li trinta páginas de The Line of Beauty antes de apagar a luz e, quando o fiz, fiquei pensando no livro que estou escrevendo. Não sei se está indo no caminho certo.
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Hoje tá um desses dias frios e azuis. Pelo menos o trabalho está rendendo. Daqui a pouco é lunch break e um fornecedor vai nos levar para almoçar. Mais tarde tem cinema. Blood Diamond. É o plano.
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Tem uma cesta lotada de chocolates bons e eu tenho passado longe. Continuo uma boa garota, mas tá ficando difícil já. Calculo que entre 2 e 3 quilos já se foram. Mas não tenho como saber ao certo. Só sei que as calças largas caem, as médias sambam e as apertadas, agora cabem. Supimpa.
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Vou agradecer quantas vezes forem necessárias, já que agradecer me deixa feliz, me faz pensar que dependo sim de tudo e todos, e a visão fica menos turva. Agradecer a delicadeza, o telefonema, o olhar demorado, agradecer o quase-esquecimento que não é esquecimento afinal. Foi quase, mas não foi. Agradecer quem tem inveja, mas vive querendo saber da minha vida. Agradecer quem genuinamente passa a mão em minha escápula com a vontade de me fazer melhor. É parecer uma Alanis Morissette sem o peso hippie desta, porque realmente não tenho saco para oferecer tudo e não ter nada em troca.
Passou-se o tempo em que me acreditava capaz de ser sozinha e feliz. Ou de ser feliz sem ter nada em troca. O desânimo pode vir daí. Do cansaço de um esforço que não foi inteiramente compensado ainda. De dar, dar, dar. E receber. Na proporção de tress para um. O que até dura um tempo, mas cansa.
Estou, assim, numa fase em que o papo morre e eu não me preocupo em ressuscitá-lo. Devo estar começando a ficar à vontade. Ou então é só desânimo passageiro. Pelo menos as dores se foram.
Tuesday, January 30, 2007
lounging
E não são prêmios meramente monetários.
Tenho a certeza de colher frutos sobre sementes que muitas vezes nem lembro de ter plantado. Preciso lembrar disso quando ousar me achar azarada.
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Tive um sonho delicioso essa noite. Mas envolvia pessoas e situações que não vêm ao caso aqui. Mas era muito, muito bom. Sonhos bons só são ruins porque acordamos e aí *puf*. Sonhos ruins são bons pelo mesmo motivo.
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Amanhã vou trabalhar. Estou entediada, é sério. Perigo. Que o dia passe rápido e que eu queira que passe devagar. É sempre melhor assim do que the other way around.
Monday, January 29, 2007
back to you
A quem não se preocupava/não sabia: estou bem também.
Passou. Agora só vou me preocupar de novo daqui a seis meses. E tentar (e conseguir) bravamente seguir as recomendações médicas pelo próximo mês. Porque não quero passar por isso de novo.
Estou orgulhosa de mim, though. Nem precisei recorrer aos caprichos e confortos de meu talismã, o Rivotril.
Minhas pernas ainda estão moles, no entanto. Obviamente não fui trabalhar. E se vou trabalhar amanhã depende da noite que terei hoje.
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Enquanto isso, Janine, minha amiga do trabalho, ganha £5.000 no Thunderball. É justo esse mundo? Ah, deve ser.
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Mais um fim de semana bom. Mais pela companhia que pelo programa em si. Porque poucas pessoas considerariam um domingo inteiro indoors bom, sem fazer absolutamente nada.
Sexta foi dia de filme na casa dos Herrmanns e sábado foi dia de feijoada. Tudo, o tempo todo, em boa companhia.
Só a cabeça a mil. O velho poste elétrico. Parado, mas cheio de potência. Danger, danger, high voltage.
Thursday, January 25, 2007
turning point
Não preciso de muito, preciso lembrar disso. Preciso esquecer o resto. Preciso ler mais Hilda. Não preciso de quase tudo o que tenho. Ainda mais agora que estou conseguindo.
E não posso, não posso nunca, mentir para mim.
vacamarela
Frases que eu odeio ouvir:
“Tô sussa, véio.”
“Vou dar uma chegadinha lá.”
“Ah, relaxa!”
“Não viaja.”
“E aí, não volta mais?”
“Esquece.”
Frases que odeio falar:
“Tá ouvindo?”
“Brava? Você ainda não me viu brava.”
“Você podia fazer agora aquilo que disse que ia fazer ontem?”
“Você está atrasado(a)”
“Por que não?”
“Não tô bem.”
Wednesday, January 24, 2007
o mesmo esmo de sempre
Tudo depende se vai haver sonho hoje
E se as estrelas brilham mais quando é frio
E um mundo sem música, como seria?
A cabeça de frente para o muro
Não dá para ir adiante mesmo parado?
Me ensinaram que sim
Mas talvez tenham me ensinado errado
Eu, que não ligo de subir e descer escadar
Mas odeio rampas.
Porque são contínuas e monótonas e mudamos de nível e nem percebemos.
E se eu nem enconstar. Se eu apenas tiver uma cabeça sobre um pescoço
Aí vou entender que é o certo
Mesmo sendo sem graça
Que o certo é quase sempre sem graça
Que eu nunca vou andar numa só linha
Porque não agüento o peso de minha cabeça em um pescoço
Que preciso de vários pescoços
Ou de outra cabeça
O melhor é esquecer, para falar a verdade
Rir até chorar
Enxugar as lágrimas com as costas das mãos
E agradecer o momento de insanidade
Que uma vida regrada oferece
(Eu que não queria uma vida insana com momentos de regra)
Mas não faço idéia de por que comecei a escrever isso, e nem sei como apagar, e nem ligo se já escureceu e não faz mais diferença onde está minha cabeça. Importa que no dia seguinte eu saiba de quantas hastes preciso.
Para jogá-la ainda mais longe.
Monday, January 22, 2007
keep turning that chin
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Um fim de semana inteiro bom. Bom até em suas imperfeições. Tudo que deu errado foi bom. Mesmo assim, quase nada deu errado. Vi muita gente querida. E matei mais saudades. E mais ainda.
E tive sono. Dormi pouco. Incrível como isso não me incomoda mais como incomodava. E não é porque não tomo mais *dorgas* de dormir. Sei lá, mudaram-se os parâmetros. Mais que isso, mudaram-se os padrões de bem estar. Ah, tá, hermético pra caralho, eu sei. Mas eu sou um pouco, apesar de mostrar minha vida aqui. A verdade é que mostro bem pouco.
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Tenho recebido emails de alguns leitores que não conheço. Mais uma vez queria deixar claro o quão fofo é isso. Sério. Me faz não desistir. Espero que seja esse o objetivo. E se for, tá funcionando.
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Daqui a uma semana. Medinho.
lista de livros 2006
1) The Secret History – Donna Tartt --> O ano começou bem demais. Esse livro é um page turner clássico. Fez o maior sucesso por aqui e, já nas primeiras páginas, entendi porquê.
2) The Reader – Bernhard Schlink --> A grande revelação deste ano. Este livro é simplesmente inperdível. Difícil não se emocionar. Difícil largar. Difícil de esquecer e impossível não gostar.
3) Aprendendo a Viver – Clarice Lispector --> Ela não precisa de muitos adjetivos de uma reles subordinada como eu. Como sempre inspiradora, como sempre emocionante, como sempre edificante, como sempre Clarice.
4) The Shadow of the Wind – Carlos Ruiz Zafón --> Outro page turner, este se passa em Barcelona e tem um enredo bem cativante. Não tem como não gostar. Daqueles que dá raiva quando tá acabando.
5) Of Mice and Men – John Steinbeck --> Este foi o primeiro livro do Steinbeck que li. Fala de amizade em seu estado mais puro. Fala de exploração também. E de injustiça, e de ignorância. De homens que são ratos. Lerei outros.
6) Deixe-me Ir, Mãe – Helga Schneider --> Relato ligado ao holocausto, filha revisita mãe que era membro do SS e yadda, yadda, yadda… YAWN. Meio infantil, achei.
7) O Processo – Franz Kafka --> Esse cara é louco.
8) Amor É Prosa, Sexo É Poesia – Arnaldo Jabor --> Mais do que eu esperava, mas eu esperava muito pouco mesmo.
9) O Cavaleiro Inexistente – Italo Calvino --> Meio difícil. Me perdi algumas vezes. No final achei bom mas nem sei dizer porquê.
10) Bricklane – Monica Ali --> Livraço que, travestido de ficção, expressa muito bem a realidade das comunidades de Bangladesh no leste de Londres. Muito sensível também. De guardar no coração
11) Lições de Abismo – Gustavo Corção --> Livro espinhoso mas lindamente profundo. Faz pensar mas exije uma concentração cã. Para ler no banheiro.
12) Paris, 98! – Mário Prata --> Dá pra ler em um dia. Escrita corrida, leve, engraçada, leve mesmo, tanto que já quase esqueci.
13) A Cura de Schopenhauer – Irvin Yalom --> Schopenhauer made easy não é para qualquer um. Fiquei grudada do começo ao fim e descobri que não conhecia Schopenhauer como achava que conhecia.
14) Efeito Urano – Fernanda Young --> Alguns insights legais mas, como um todo, um livro que quer vender narrando traições lésbicas.
15) Carnaval no Fogo – Ruy Castro --> Bairrismo demais, jornalismo de menos
16) The Little Friend – Donna Tartt --> Posso confessar? Parei no meio. Inacreditável que seja a mesma autora do fantástico The Secret History.
17) Beatrice – Noëlle Harrinson --> Muito, muito bom. Escrito num formato bem original e sedutor. E não é só porque leva meu nome.
18) Calcinha no Varal – Sabina Anzuategui --> Um porre. E mal escrito.
19) Shopping – Gavin Kramer --> Literatura indie de primeira. Passa em Tóquio. Mas não aquela que a gente acha que conhece. A decadente. Ótimos insights literários também.
20) The Haunted House – Charles Dickens --> Posso confessar? Parei no meio.
21) Quando Nietzche Chorou – Irvin Yalom --> Na minha opinião superior ao já muito bom A Cura de Schopenhauer. Livro incrivelmente leve para uma leitura capaz de mudar sua percepção do mundo.
Eis a lista, para quem cobrou e para quem nem sabia que isso existia. Todo ano publico uma. Espero pedras a quem esperava ver outros livros em vermehlo ou azul. Sorry, não sou tão previsível assim. Hehe.
Saturday, January 20, 2007
wild is the wind
Dia lindo que fez hoje. Fui passear em Putney e Wandsworth com a Flá. Tá certo que meu otimismo pode estar meio infundado já que em pleno Janeiro saí de casa de camiseta, agasalinho de moleton Hering e calça fusô. Viajei, ok. Mas juro que no sol eu nem batia os dentes.
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Resolvemos finalmente sair de casa. Eu amo nosso cantinho, mas ele tá muito caro. A Flá não tá podendo arcar com o aluguel e eu, por mais que consiga arcar com o meu, concordo que estamos pagando muito. Pagamos pela região boa, pagamos pelo flat moderno, pagamos por estarmos ao norte do rio. Pagamos para morarmos só em duas. Estamos pagando muito, sim. Vamos nos juntar a outras pessoas e considerar outras regiões, como Putney e Clapham e de repente podemos viver num lugar maior pagando menos. Esse é o plano. Como a gente sabe, as coisas sempre podem acabar sendo completamente diferente do planejado. Lembrando sempre que não sei planejar, então…
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A conferência em Birmingham foi boa. Cansativa bagarái. Na quarta acordei às 6h da manhã para encontrar dois colegas em Kingston e de lá irmos para Birmingham. Chegamos atrasados porque o colega que dirigia é pato e se perdeu.
Digo pato porque é pato mesmo. Ele é um tipo que me intriga. Porque desperta sentimentos nefastos. Sabe aquela pessoa boa, legal, cordata que, por algum motivo cuja origem é completamente nebulosa, consegue te irritar sem fazer nada? Então. É ele. Todo mundo poderia se perder, mas se é ele eu fico irritada. Todo mundo pode demorar pra responder quando eu chamo, menos ele. Todo mundo pode discordar do que eu digo, menos ele. É curioso. Um dia vou entender. Porque se em um minuto fico irritada com qualquer coisa que ele faça, no momento seguinte me encho de compaixão e culpa.
Mas deixemos o Seu Pato pra lá. Chegamos atrasados por causa de Seu Pato e foi o dia inteiro de discursos e apresentações dos poderosos chefões. Nada que me interessasse muito. Era uma conferência de sales e só convidaram o marketing porque estamos passando por um período de aproximação, de integração, de empresa como um todo, de unidade. Going for Growth! Muita, muita bullshit, minha gente. Mas eu sabia que seria assim. Evento corporativo, mil promessas, gráficos e metas e uma ou outra piadinha para quebrar e acordar a galera. À noite, jantar de gala. Salesmen que há muito não viam mulher além da esposa. Foi meio nojento. Muita bebida, um casino, prêmios, música e eu me enchi o saco e fui deitar meia-noite e meia. No dia seguinte, claro, era a única relativamente disposta a ouvir a segunda maratona de apresentações.
Foi bem cansativo. Saímos de Birmingham às 14h e cheguei em casa só às 19h. E aí eu cheguei, e eu tomei banho, e eu desarrumei as malas, e depois finalmente eu matei saudades.
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Hoje é dia de festa. Entre os anfitriões, eu. Obviamente não vai ser aqui em casa. Logo mais estou saindo para ajudar na arrumação. Levarei comigo as garrafas de champagne que ganhei dos fornecedores no natal. Tudo coisa fina. Que eu nunca vou beber.
Tuesday, January 16, 2007
a day before I leave again
Mas foi-se o fedor e acredito que me acostumarei com a falta de festa nas minhas chegadas. Bem mais que com fedor diário. Don’t get me wrong, a experiência de ter um cão em casa foi boa, mas deu. Mike foi na hora certa. Deixará saudades. E pulgas, talvez.
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Não estou com a menor vontade de ir nessa maldita conferência. Atrapalhou meus planos. Não sou muito de planejar, não porque não gosto, mas porque não sei. Mas as poucas vezes que planejo, gosto que dê certo. E dessa vez não vai dar. Mas tudo bem. Nenhum estrago maior. Só birra de ser contrariada. Nem sei do que estou reclamando. Vou ficar num puta hotel com mil piscinas e spas, num quarto só pra mim, refeições pagas etc. Mas acho que nem terei tempo pra aproveitar isso tudo. Amanhã, 6 e meia da manhã, lá vou eu, rumo a Birmingham, o ralo da Inglaterra.
**
Meu regime continua muito bem, obrigada. Calculo que tenha perdido mais de um quilo. Mas que é difícil comer coisas leves no frio, meus amigos, isso é.
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What comes is better than what came before.
Sunday, January 14, 2007
sol frio de domingo
E todo mundo já entendeu que um dia a mais é um a menos. Mas pouca gente entendeu que o MESMO dia de uma vida já curta está fadado a se repertir para toda a eternidade. E é isso que deveria guiar escolhas. É isso o que deveria libertar, e fazer entender que por que sempre pensamos em como é a morte mas poucas vezes nos perguntamos como é o nascimento e o que o antecedeu.
Eu não sei se Nietzsche deveria deprimir. Para mim, faz um bem danado. Vai ver eu não entendo direito.
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Ontem foi a segunda comemoração do meu niver. Adooooro ser mimada. E chega porque estou saindo porque o sol saiu. Não é sempre, então hei que aproveitar.
Saturday, January 13, 2007
Friday, January 12, 2007
O Primeiro Dia (do resto ou a ser repetido)
Foi bom. Faltou gente mas foi bom. Aniversário que pelo menos não passou em branco. E que ainda não acabou em comemorações, apesar de ter acabado cronologicamente.
Nunca fui muito fã de comemorar meu aniversário porque odiava o antes, a expectativa, a possibilidade de não ir ninguém. Odiava ter que assumir uma pose blasé para algo que eu acho importante não por ser meu aniversário, mas ser o dia que escolhi para ver meus amigos todos, ou quase todos. E de repente o dia que eu escolhi poderia não ser o dia que eles escolheram, e eu poderia ficar chutando pedrinhas.
E é chato, porque sou mundana e rasa muitas vezes, sim. Isso nunca aconteceu, mas sempre achei possível, já que aniversário em férias escolares é fadado ao esquecimento. Mas mesmo não acontecendo, mesmo assim continuo achando que pode acontecer. E no final é bom porque sempre me surpreendo.
E fui dormir às 2 da manhã e por isso perdi o fio da meada e não vou me preocupar em achá-lo.
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Aos poucos os dias parecem semanas. Comecei a trabalhar na terça, mas parece que já estou de volta há meses. Brasil já está lá longe, e só o que realmente importa desponta na memória.
Mas se fosse diferente, seria bem mais difícil.
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Nada de especial planejado esse fim de semana. Festa no sábado, o segundo round de comemorações do meu aniversário. Hoje quero saber de cama bem cedo. Um filminho antes também, só para ir me acostumando com a horizontal. Um chá de camomila para ficar calminha e, se não adiantar, uma gotícula de Rivotril para alegrar um pouco essa cara cansada.
Porque três dias dormindo mal, no meu caso, não é apenas doloroso. É também perigoso.
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Realmente, é mais efetivo pensar que tudo o que faço está condenado a se repetir ad infinitum, do que pensar que hoje pode ser o último dia da minha vida. O que vocês acham, hein, hein?! Nietzsche ou Buda? Quero saber.
Wednesday, January 10, 2007
down that road
Eu tô morrendo de sono.
Eu tive insônia depois de anos sem nem lembrar como era por causa das *dorgas*.
Eu assisti a O Primeiro Dia, em vez de ir nadar, porque está sono e está frio.
Eu quase chorei.
Eu acho que o mundo está sono. Não só eu. O mundo não, mas Londres está sono.
Eu logo mais faço anos. 27, idade besta.
Eu não gosto de ver as fotos da festa de natal da empresa penduradas na parede do escritório.
Eu me comprei um sobretudo porque o meu tava rasgado.
Eu também me comprei calças sociais já que as minhas de trabalho também estão rasgadas.
Eu ainda preciso comprar outras coisas para virar mocinha decente.
Eu nunca vou ser mocinha decente se pretendo continuar com uma conta bancária positiva.
Eu acho que ser mocinha é uma merda gigante.
Eu estou mocinha, no sentido menstruado do termo. E odiando.
Eu tive um começo de enxaqueca ontem, mas tomei remédio e passou.
Eu recebi uma mensagem de texto amadíssima no meio da minha insônia.
Eu aí não consegui dormir mesmo.
Eu amei.
Eu queria ter dormido, no entanto.
Eu estou um caco.
Eu vou odiar esse texto amanhã.
Eu queria que o iTunes adivinhasse o que quero ouvir.
Eu quero que a Banda Eva se exploda.
Eu queria nunca mais ser interrompida quando escrevo.
Eu queria que alguém estivesse aqui comigo agora.
Eu tô com saudade.
Eu quero bochechas além das minhas.
Eu quero parar de querer tudo, também, porque cansa e dói e é pequeno.
Eu sou um monstrinho do bem.
Eu estou com medo, mas estou feliz. É possível?
Tuesday, January 09, 2007
London again
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A viagem de volta foi tranqüila apesar de, mais uma vez, ficar no meio da fila do meio. Ao meu lado, por coincidência, sentou a Bel, uma menina que estudou no colégio comigo, um ano à frente. Sorte dela, já que morre de medo de avião e pode agarrar alguém conhecido em vez de um total estranho.
Deu tudo certo, mas balançou muito.
Cheguei em casa, sangue pisado nas mãos de carregar uma mala que pesava quase metade de mim. Ridículo, ridículo. Trouxe mais de dez livros. Um exagero. É que foi sobrando espaço e fui metendo. E teve também os presentinhos, néam? É que o senhor Rubenzão e o senhor Breuno, ávidos leitores deste espaço, me pediram Chocotone. E Chocotone é uma merda pra caber na mala. Mas eu trouxe. Chegou amassado mas sei que eles vão comer como se fosse o melhor chocotone do mundo. Ou apanham.
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Disseram aqui que emagreci no Brasil. Não quero saber. Estou de regime.
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É estranho vestir sobretudo bronzeada.
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Mil pepinos pra resolver néam? Mas ainda não discuti com ninguém! Consegui cancelar um cartão que só me dava problemas sem ter que gritar com o atendente! Estou satisfeita.
Agora vou lá que já tão me chamando. Não sei como ouvem o que falo. Juro. Depois tem mais.
Thursday, January 04, 2007
des-espero
Cabe acrescentar que não bebi, como de costume, e não caí, como de costume. Aliás inventei uma nova técnica para pararem de me encher para eu beber. Quando surgir a oportunidade vocês vão ver qual é.
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2007 então. Nenhuma resolução, nenhuma promessa, algumas vontades (que já estavam aqui antes e independentemente de qualquer passagem de ano) nenhuma olhada muito nostálgica para trás e nenhuma, nenhuma esperança pela frente. Cheguei à conclusão de que esperança é o que me mata. É o que me deixa infeliz. Esperar é sempre querer o que não se tem e, uma vez conquistada, deixa de ser esperança, e fica o buraco, e, sendo um vício, está fadada a voltar, como tapa-buraco, cada vez apontando uma direção diferente e me fazendo acreditar que nunca vou ser o que quero ser. Que felicidade é o que está pendurado nas pálpebras do eterno dia seguinte.
Anotem aí: 2007 vai ser o ano do desespero. O ano em que não espero nada. Esta pode ser a chave, desconfio. Ou então tenho lido os filósofos errados. Mas duvido, duvido. Estou convencida de que a fonte das minhas angústias está nas esperas que o tempo todo mudam de direção. Sou cega demais para ficar feliz com o que aspirei e conquistei e pronto. O negócio é não aspirar nada. O que acontecer vai ser aproveitado aqui e agora. O ano do desespero. Não vou esperar muito de mim, nem dos outros.
E vou acreditar que felicidade mesmo é só o que posso pegar. Serei justa comigo. Tudo o que voa eu posso até achar bonito, mas não me motivo a ir atrás. Vai que eu despenco lá de cima? Não, não vale mais a pena. Já valeu. Passei dessa fase.
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Domingo volto para Londres. Parece que foi ontem que saí de lá, ao mesmo tempo estou com umas saudades loucas de algumas pessoas e situações. Estou com saudade dos fins de semana abarrotados de programas, e de começar a semana já cansada, mas feliz. E de recomeçar as coisas que larguei pela metade. Até do trabalho ta dando saudadinha. Sinal de que descansei bastante aqui.
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Tá, tá, minha vida não é só flores e eu não sou tão segura assim. No final do mês terei que fazer uma pequena intervenção médica. Estou tranqüila (o caralho), confiante (o caralho) e sorridente (o caralho). Sei que não é nada do outro mundo mas não consigo não ficar ansiosa. Que maldição! Vou ter que me dopar ou corro o risco de pôr enfermeiras pra correr no hospital.
Na verdade, bem verdade, só preciso de um bom colo. É uma merda passar por essas longe da família. Mais uma que vou ter que superar. C’est la vie.
Thursday, December 28, 2006
merda
Resumindo: feliz ano novo.
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Tá. Passados alguns minutos de ira e barriga vazia. Eu tinha dito várias coisas fofas sobre o ano novo, e sobre meus dias em Campos do Jordão, e sobre os por vir em Boiçucanga, e sobre emails que ainda não foram respondidos mas que serão, e sobre saudades.
Não vou escrever tudo de novo. Mas quem me conhece só precisa dos tópicos para saber exatamente o que vou dizer. E feliz ano novo de novo.
Tuesday, December 26, 2006
até depois
* Estou finalmente queimada. Mais do que gostaria, apesar do fator 38 do bloqueador solar. Diz que é pra passar mais de uma vez, né? É que eu não gosto.
* O natal foi bem tradicional. Ganhei cachecóis, sempre bem vindos, da tia Miriam.
* Amanhã cedinho estou indo para Campos do Jordão. Nadar, andar a cavalo e saltar de asa-delta se a profecia se realizar. Eu não acredito muito em profecias, mas que seria dugarái, isso seria.
Sunday, December 24, 2006
bom natal, e boa noite
Diz que é natal e eu ainda não tive uma brilhante idéia para fazer o embrulho do presente das meninas. Pensei em jornal, pensei em papel alumínio, tudo bem low key. Pensei em procurar algo guardado nas gavetas que não sei mais o que guardam. Preguiça de revirar. Sempre acabo fazendo alguma cagada no natal na casa da Bathatha. Alguns anos atrás foi o doce de banana que inventei de fazer e confundi a canela com pimenta do reino. E levei o doce assim mesmo. E todo mundo adorou.
Acho que se eu embrulhar o presente em papel filme vão achar arty. Sempre enganei bem.
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Ano passado vi bem mais gente. Umas 20 pessoas devem ter ido no meu bota-dentro. Esse ano diminuiu. É triste, mas incrivelmente esperado. Quem não é meu já foi. Quem é, sempre será.
E quem está faltando, façavor de me ligar. Você e você e você e você, que não lêem meu blog, têm o número.
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Voltei hoje, então repito. Feliz natal a todos. Não faça cara de caneca se ganhar uma caneca de presente. E se beber não dirija. E se dirigir dê carona. E se a noite ficar um saco, cante Esquadros baixinho na cabeça. E se não adiantar, diga boa noite a todos e vá dormir. E decida que 2007 será o ano em que você não se forçará a nada de que não precise.
Saturday, December 23, 2006
da terrinha
Fiquei fazendo hora mesmo, sem entender minha pressa em sair do trabalho, minha pressa em fazer tudo really. Ansiedade pura. Fui para o aeroporto bem antes com medo das cagadas de antemão. Já sou ressabiada. E na verdade foi bom porque o metrô estava todo merdoso como era de se esperar. Mas cheguei a tempo de ir com calma. Cheguei lá e deu de cara com a Rapha, uma amiga da Bru que também virou minha amiga. Coincidência pura já que estaríamos no mesmo vôo e só não sentamos uma ao lado da outra porque os dois bebezões queria ir na janela. E no final das contas, foi até bom. Tive o rabo sem precedentes de não ter ninguém ao meu lado de forma que pude usufruir de maneira mais completas os inigualáveis efeitos do amigo Lexotan. Claro que atrás de mim um rapaz em seus 11 anos, cheio de gordurinhas e cara de peste, se pôs a chutar meu banco. Mas como cansei dessa vida, logo antes do avião decolar virei para trás e falei pra não começar pelamordedeus. O menino até me chutou depois algumas vezes, e eu me vingava deitando o banco ao máximo, o que o emputecia já que ele estava na última fileira e seu banco não deitava. Haha. Duas pessoas com a mesma idade mental, claramente.
E deu tudo certo. Vi um capítulo de Friends antes do jantar, jantei antes de capotar, tomei café antes de aterrissar. Foi tudo rápido e quase indolor. Pouca fila na alfândega, nada a declarar, sinal verde, minha mãe e minha irmã me esperando, abraços, aê brasilzão, calor, sol, buzina, fumaça, cadê o carro. Cadê o carro? Claro, estava sendo resgatada do aeroporto por duas mulheres tão quanto ou mais ansiosas que eu. Não se lembraram de ver onde deixaram o carro. Demorou uma meia hora para elas atinarem que o carro estava exatamente onde eu falei que deveria estar assim que chegamos no estacionamento. Mais uma hora e meia no trânsito *goshtoso* da marginal. Brasilzão. Homens sem camisa dirigindo caminhões e girando o pescoço para ver qualquer par de pernas nos carros ao lado. Brasilzão. Carros cortando, tirando finas. Brasilzão. Escorts 86 soltando fumaça preta, buracos na rua, vendedores ambulantes tirando proveito do caos do Natal para andar tranqüilamente por entre os carros em plena marginal. Pessoas tirando caca de nariz e jogando a meleca pela janela. Brasilzão. Finalmente cheguei.
Em casa, quase tudo igual. Um ou outro quadro de babãe pendurado na parede, uma mesinha e um abajour novos, nova torradeira, novas toalhas, novos azuleijos na beira da piscina. Tudo salta aos olhos.
Esqueci onde ficavam os copos, esqueci meu atalho preferido pra chegar à Rua dos Pinheiros. Esqueci nomes de atores e atrizes. Esqueci que se dá gorjeta em cabeleireiro.
Estou amando cada minuto, mesmo aqueles que parecem perdidos. Exatamente como era antes. O tempo passa mais devagar, os sorrisos ficam mais tempo nos rostos, as noites parecem mais descansadas. Tudo na minha cabeça, mas é assim. É mais real quando é só na minha cabeça.
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Ontem foi meu bota-dentro e amei cada pessoinha que foi e cada papo, e cada novidade, e cada minuto mesmo. Que saudade, que saudade. Eu nem sabia para onde olhar, de onde ouvir, para quem falar. Eu deveria virar dez, na verdade.
Inclusive, para as fofas que me cobraram, minha lista de livros de 2006 sairá em breve, quando eu voltar pra Londres, já que tá naquele computador.
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Ainda não pude aproveitar todo o calor brasileiro de que todos me falaram. Hoje, por exemplo, só choveu. Deu para dar um pulinho e umas braçadas reles na piscina do prédio. Não muitas porque tinha acabado de comer (arroz, feijão, farofa de banana e frango, sorry). E tomei um nada de sol que deve ter me queimado porque estou um papel.
E já deu para conhecer o consultório (nem tão) novo da minha irmã, e a casa (nem tão nova) do Putão, e passear na João Cachoeira, e no Extra, e comer Temaki e comprar blusinha, e comprar saia, e ver minha vó que parece cinco anos mais velha a cada ano. Toda pequena, toda enrugada, chorando e rindo ao mesmo tempo. Já não faz mais diferença.
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Ontem cheguei do bota-dentro e resolvi olhar quem estava online. E quem estava era quem eu queria. Adorei. E deu saudades. Estranho. Preciso morder bochechas.
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Feliz natal, se eu não voltar aqui amanhã.
Wednesday, December 20, 2006
últimos acordes
Planos. Não quero fazer muitos mas eles aparecem e exigem uma posição. E embora eu dê risada, é uma risada meio de nervoso, porque sei que se não planejar vou apenas perder meu tempo. E não tenho muito.
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Dizem que está quente demais enquanto aqui eu digo que está frio demais. Um choque, desconfio. Um choque não apenas térmico. Aqui tá frio, mas por dentro eu tô quentinha. Estou acostumada com choques térmicos e outros choques também.
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Tentarei atualizar isso aqui enquanto estiver no Brasil mas não quero garantir nada. Não cobrem.
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O sistema de comentários voltou a funcionar. E para quem reclamava que meus posts apareciam cortados no final, isso também deve ter sido consertado.
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Vou embora! Stay gold.
Monday, December 18, 2006
quase lá
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Meu último fim de semana aqui antes de ir para a terrinha foi bom. Me fez pensar muito, apesar de ter passado rápido. Me fez pensar o quanto estou bem aqui agora. Depois em outro lugar, não sei. Agora tá bom. Aqui tá bom. Aqui agora tá doce sem perder as borboletas, you know what I mean.
Não fiz muita coisa mas fiz muita coisa. Frio apertando mas realmente não estou preocupada. Ficar grudada é a solução. No que quer que emita calor.
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Depois de amanhã. Estou aqui repassando over and over tudo o que tenho que fazer até quarta. Hoje, por exemplo, vou passar no médico e arrumar as malas - quando tudo o que eu queria era dormir, dormir, dormir. Por que ficamos com mais sono quanto mais o tempo passa? Minha nova moda é dormir no meio dos filmes, algo que nunca fazia antes (a não ser dopada, claro). Meu deus do céu, vou fazer 27 anos.
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Alguém tire os malditos chocolates da minha frente. Alguém os faça parar de correr para minha boca. Alguém me explique porque comi todas as minhas unhas. Alguém concorde comigo que meu remédio vai ter que subir porque tá foda. Alguém?
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Para quem não está sabendo ainda, dia 22/12, sexta, vai ter festinha para moi no Corleone. Quem quiser mais detalhes me manda um email. Vou estar lá, bonitinha, bufando de calor e sorrindo muito.
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Eu estou muito feliz de ir pro Brasil. Mas eu também vou ficar com saudades. *Você* sabe do que eu tô falando.
Wednesday, December 13, 2006
party mood
Saio daqui e, junto com mais duas colegas, vamos a casa de uma outra, onde nos vestiremos e iremos para o lugar, um galpão em Cobham. Até na volta nossos fornecedores pensaram: vão pagar táxi para levar todo mundo para casa. Haja grana.
Pior é que eu nem tava a fim de ir nem nada, mas já que entrei nesse barco, vou com ele até o final. Me animei. Trouxe estojo de maquiagem e meia-calça (ugh), vários pares de brinco para experimentar e receber (ou não) aplausos de minhas fiéis colegas.
Viram, até minha escrita ficou mais fútil.
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Sim, é verdade, o sistema de comentários não está funcionando. Sim, pode ser que seja a primeira manifestação do meu inferno astral. Not that bothered, really.
Querem falar algo? Me escrevam! Aliás tem um monte de gente que lê meu blog calado. Chegou a hora de se manifestar! Estou de ótimo humor.
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Em uma semana estarei voando. E como estarei lexotanicamente dopada, é como se hoje já fosse amanhã. Entenderam?
Tuesday, December 12, 2006
quick thought of the day
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Senhoras e senhores, eis que passou por mim o fim de semana mais estranho deste ano. Consegui sentir coisas opostas ao mesmo tempo e não surtar. Palmas para mim.
Nove dias e estou no Brasil. Oito e estou voando. Não dá para acreditar.
Thursday, December 07, 2006
loads of sugar in my bowl
Ansiedade, ansiedade, ansiedade. Ontem eu cosegui controlar. Mas essa é que é a merda. Eu *tenho* que controlar. Ela não é controlada sozinha. Eu *tenho* que prestar atenção, eu *tenho* que me desgastar. É que nem andar de salto. Eu tenho que prestar atenção quando ando de salto porque, sendo double-jointed, viro o pé com a facilidade e indoloridade com que pisco. O único detalhe é que vira e mexe caio no chão. O mesmo acontece com a ansiedade.
Mas chega de falar no diabo, porque assim é só ele na minha vida. Ano que vem vou re-focar meus pensamentos. Todo ano falo isso. Mas ano que vem, ano que vem. O livro, ano que vem. E perder os quilos ingleses que ganhei, ano que vem. E cozinhar mais e nadar mais, ano que vem. Mais potássio e menos carboidratos, ano que vem.
Dois mil e sete vai ser uma beleza. Muni’dimais.
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Ontem reli alguns textos meus. Sabe, às vezes eu tenho uns repentes divinos. Mas é muito de vez em quando. Eu preciso me concentrar em não querer ser isso ou aquilo. Preciso mexer menos no cabelo e mais no que realmente interessa. Preciso esquecer que o tempo passa e que é isso que mata, é isso que mata e cura também. Preciso esquecer que sou levada na maioria das vezes, embora acredite piamente que levo.
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Tive um sonho lindo esta noite. Eu me hospedava num hotel com minha família, mas eles iam para um lado e eu ia para outro. Eu estava num lugar de montanhas com neve, e passeava sozinha num trenó que ia escorregando pelas montanhas. Eu via paisagens lindas que lembrava de ter visto antes em cartões postais. Um dia nublado, mas claro. Eu acima das nuvens e muito frio na barriga. Eu conhecia a ilha inteira e no final conseguia voltar pra casa.
Lembrei do sonho quando escovava os dentes, de olhos fechados. Foi bom.
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Ontem eu comecei um processo novo na minha cabeça. Meu pequeno Projeto de Bem Com a Vida. Ando me estressando com muita facilidade sobre coisas de que não tenho controle. Vamos ver se dá certo. Na real, vamos ver o quanto dura.
Wednesday, December 06, 2006
de volta ao presente
Ontem, no trem, de novo. Um saco. Não sei nem porque ainda me abalo. A gente tinha que se acostumar com coisas que fazem parte da vida, não? Não, comigo não. As coisas que fazem parte da vida sempre voltam como se chegassem pela primeira vez. O inferno do desconhecido embora eu já esteja cansada de conhecer. O negócio é que é questão de sabedoria. E é isso que me falta.
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Minha Piu me insistiu para colocar alguns dos diálogos que tivemos dia desses aqui no blog mas, minha pequena, eles não ficam tão bem escritos quanto falados. Tem nada não.
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Fui nadar na segunda-feira, depois de semanas parada. Que vergonha, que fiasco. Mas foi bom rever todo mundo. Só foi ruim perceber o quanto fiquei fora de forma. Depois de uma hora de treino tive que sair. Não era cansaço cardiovascular. Era cansaço muscular.
O foda é que tá ficando muito frio.
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Preciso comprar um vestido de festa. Que saco. Nunca gostei de ter que comprar roupa. Experimentei um ou outro vestido numa loja legalzinha daqui. E daí que fiquei parecendo um bolo de noiva. Sei não, se pá vou chocar aparecendo no jantar de gala de calça de moletom.
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Vou nada.
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Catorze dias para eu me mandar. Vocês não estão entendendo. Tudo isso, essa falta de extremos, ou essa falta de mansidão que satisfaça, todo o turbilhão e as lágrimas que saem em forma de riso nervoso, e os risos que saem só nos olhos, pinicando o nariz, tudo isso só pode ter a ver com minha ida para a terrinha.
Preciso confessar uma coisa. Da última vez que fui ao Brasil, senti mais como se estivesse voltando para casa. Acho que é normal, né? Acho que é normal, sim. O tempo define o que é seu, o que não é mais, e o que nunca foi. Mas obviamente minha empolgação não é menor. Talvez diferente. Mais madura. Vou ficar menos tempo, vou ter que escolher mais. Vou ter que me dividir e me multiplicar. E além de tudo, vou ter que descansar. Porque estou exausta. Não sei bem de quê, mas estou exausta.
Ah, e para deixar registrado, estou feliz. 2006 foi um ano dugarái. (Babái, dugarái é só uma versão adaptada de “do caralho”, tá?) E quem está por aqui lendo e ajudou na “caralhice” do ano, você e você e você e você, nem preciso dizer nada, néam? I’m chuffed.
Monday, December 04, 2006
de quinta para frente
Quinta, 23/11
Acordar cedo mais uma vez, e aproveitar o último dia do Alexandre. Não temos do que reclamar. Primeiro fomos a Grindewald (ou algo assim, o tempo está passando e vou esquecendo dos nomes). De lá fomos a Lucerna, uma vilinha toda linda, com um lago famoso no meio. Rodamos a cidade a pé e de carro, e subimos o morro para ver uma muralha medieval, tudo sempre muito bom. Bom demais. Naquele dia o Alexandre voltaria para Londres e eu continuaria a viagem sozinha, mas a verdade é que eu queria que ele continuasse lá comigo até o final. Mas ele, diferentemente de mim, é um mocinho muito dos responsáveis. De Lucerna continuamos passando por estradas estoanteantemente belas até chegar em Genebra. Antes disso, inclusive, quase fomos parados pela polícia na estrada. Mas isso é outra história. Sim, outra história.
Em Genebra foi meio caos. Alexandre tinha hora para chegar no aeroporto e eu não tinha albergue reservado nem nada, como sempre fazendo tudo torto, pela metade, avacalhado. O único albergue que achei na cidade estava lotado. Sorte é que ficava perto do segundo único albergue da cidade. Foi para lá que fui, já aflita porque o Alexandre ia perder o avião (apesar de que nem teria sido tão ruim assim, hohoho). Cheguei no albergue e uma excursão de 734876273 de italianos estava na minha frente, gritando, gesticulando, atrasando tudo. Eu já não estava no melhor dos humores. Mas respirei, relaxei, esperei. Bonitinha. Como era de se esperar. Consegui uma cama num quarto de seis. Foi tranqüilo, mais do que eu pensei que seria.
Sexta 24/11
Acordei às 7 da manhã porque em albergue é assim, um acorda, o outro acorda também e tudo acontece numa sucessão de sacolas do tipo barulhentas, e coisas que caem e luzes que acendem e celulares, malditos celulares (lembrando que eu havia perdido o meu, logo estava sem alarme, logo precisaria das sacolas barulhentas e das coisas que caem e das luzes que acendem para acordar a tempo de ir para Basel no dia seguinte e pegar o vôo de volta pra Londres).
Às 8h já estava na rua passeando. Grande erro, grande erro. Comecei a andar desenfreadamente. Andei em todas as ruas possíveis e imagináveis (algumas mais de uma vez) do centro histórico. Vi a catedral, vi casas onde moraram pessoas famosas, fui em tudo o que meu guia sublinhava. Chegou meio-dia e eu tinha visto tudo o que queria. E estava exausta. Sentei para tomar um café por meia hora. Continuava exausta. Andei mais um pouco para ver se era psicológico. Não era. Decidi dar um tempo. Ir pro albergue, sei lá, tomar um banho, tentar carregar meu iPod. A vida tem outra cor com iPod nos ouvidos.
Cheguei lá e bati com a cara na porta. O albergue ficava *fechado* até 2pm. Tive que tomar mais uma café, fazer hora mesmo, comprar besteiras. Cheguei no albergue, tomei banho, deixei meu iPod, o Nano Singer, carregando, pronto, melhor assim.
Saí de novo. Dessa vez passeei pelo parque à beira da Baía de Genebra, onde tem o Jardim Botânico e, mais além, a Universidade de Genebra e, mais além ainda, a ONU e outros órgãos internacionais. Uma delícia. Andei muito, andei demais, meu joelho doía, meu tornozelo também, mas tudo estava ficando cada vez melhor. Ao final do passeio, uma dor feliz de ter que voltar tudo a pé para o albergue. Cheguei lá exausta de novo, 5pm. Resolvi ler um pouquinho, só um pouquinho, terminar meu livro. Dormi. Acordei às 8pm, de novo com a corda toda. Me vesti e fui passear pela Rue Mont Blanc. Bati mais perna. Voltei umas 10pm e achei que seria difícil dormir de novo. Não foi.
Sábado, 25/11
Dia de partir. Acordei às 8am e tive que sair em jejum já que havia perdido o cartãozinho do café-da-manhã. A estação do trem de Genebra ficava a uns 10 minutos a pé de onde eu estava. Peguei o trem que ia direto a Basel. Duas horas de viagem, estou eu em Basel, nos achados e perdidos, perguntando do meu celular, fazendo mímica porque a mocinha não falava inglês. Eu – não – celular. Eu – cadê – celular. Uma hora ela entendeu e me deu um website pra entrar. Eu já sabia que o telefone tinha virado história.
Peguei um ônibus de lá até o aeroporto onde esperei horas e horas e horas. Voei ao lado de um alemão simpático que tentou me acalmar (não sei por que fiquei ansiosa com a decolagem) e me impressionar com seus estudos de árabe. Pegamos também o ônibus para Victoria, onde expliquei para o gajo como ir aonde ele precisava ir. Cheguei em casa, feliz de estar em casa, mas mais feliz por ter tido uma semana incrível, com mil histórias para contar, outras que não se sai contando, mas que estão guardadas aqui.
Voltarei, logo, para a Suíça.
Friday, December 01, 2006
ouvindo agora e sorrindo de leve
When I just want to sit here and watch you undress
Does it have to be a life full of dread
I wanna chase you round the table, I wanna touch your head
I can't believe that the axis turns on suffering
When you taste so good
You're the only story that I never told
You're my dirty little secret, wanna keep you so
Quando nada mais torcer seu estômago, ouça PJ Harvey.
Quando tudo torcer seu estômago mas mesmo assim você quer mais, ouça PJ Harvey.
Só não ouça PJ Harvey quando você quer almofadas em todas as quinas da vida.