Que eu estou feliz, que as coisas estão aos poucos se ajeitando, que tenho perto de mim amados, disso eu sei. Mas tem alguma coisa que nunca volta pro lugar. E acho que não é um desarranjo só meu. É de todo mundo que optou por uma vida de saudade. Uma vida com laços lá e cá e uma vontade de criar novos laços acolá, onde ainda não há nada, mas sei que há de haver, e é isso que me mantém regularmente inquieta. Tem algo além do que conheço que eu não conheço. E eu quero me testar cada vez mais. Eu preciso me testar sempre. Eu preciso tentar os limites para me sentir centrada. Eu preciso gritar para entender o silêncio.
Nada mudou. Foram 5 anos fora. Foram muitas lições aprendidas. Foram 3 meses na Ásia. Foi muito bom, mas não foi o suficiente. Nunca vai ser suficiente. Minhas histórias e angústias não têm fim, e eu sabia disso quando comecei todas elas. Agora tebto adormecer no mesmo lar que adormecia antes, e tenho medo de acordar querendo estar em outro lugar. Querendo fugir de novo de coisas que me acompanham sempre, sempre. Eu sei, e mesmo assim não consigo fazer diferente.
Eu toparia, por exemplo, ir para a Coréia do Sul. Poucas coisas eu não toparia. Eu toparia qualquer coisa que não está acontecendo comigo, justamente porque não está acontecendo comigo.
Mas daí chega um email qualquer confirmando presença no meu evento. Ou dá vontade de tomar café. Ou o esmalte começa a sair. Ou toca o celular e é meu amor.
Aí tenho, quando muito, meia hora de trégua.
E começa tudo outra vez.