O dia que eu queria que passasse rápido enfim chegou. Trocentas mil coisas para resolver no trabalho e janeiro chega ao fim cumprindo sua meta. Corro o risco de levar mais uma garrafa de champagne para casa, o que paradoxalmente me desanima, já que odeio champagne, não tenho onde colocar e não posso carregar peso.
Acordei, inclusive, meio desanimada. Não sei direito por quê. Não dormi bem. Li trinta páginas de The Line of Beauty antes de apagar a luz e, quando o fiz, fiquei pensando no livro que estou escrevendo. Não sei se está indo no caminho certo.
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Hoje tá um desses dias frios e azuis. Pelo menos o trabalho está rendendo. Daqui a pouco é lunch break e um fornecedor vai nos levar para almoçar. Mais tarde tem cinema. Blood Diamond. É o plano.
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Tem uma cesta lotada de chocolates bons e eu tenho passado longe. Continuo uma boa garota, mas tá ficando difícil já. Calculo que entre 2 e 3 quilos já se foram. Mas não tenho como saber ao certo. Só sei que as calças largas caem, as médias sambam e as apertadas, agora cabem. Supimpa.
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Vou agradecer quantas vezes forem necessárias, já que agradecer me deixa feliz, me faz pensar que dependo sim de tudo e todos, e a visão fica menos turva. Agradecer a delicadeza, o telefonema, o olhar demorado, agradecer o quase-esquecimento que não é esquecimento afinal. Foi quase, mas não foi. Agradecer quem tem inveja, mas vive querendo saber da minha vida. Agradecer quem genuinamente passa a mão em minha escápula com a vontade de me fazer melhor. É parecer uma Alanis Morissette sem o peso hippie desta, porque realmente não tenho saco para oferecer tudo e não ter nada em troca.
Passou-se o tempo em que me acreditava capaz de ser sozinha e feliz. Ou de ser feliz sem ter nada em troca. O desânimo pode vir daí. Do cansaço de um esforço que não foi inteiramente compensado ainda. De dar, dar, dar. E receber. Na proporção de tress para um. O que até dura um tempo, mas cansa.
Estou, assim, numa fase em que o papo morre e eu não me preocupo em ressuscitá-lo. Devo estar começando a ficar à vontade. Ou então é só desânimo passageiro. Pelo menos as dores se foram.
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