Monday, December 04, 2006

de quinta para frente

Vamos lá, acabar logo com esse diário pós-bordo, que já dando no saco e tem mil novas coisas para escrever.

Quinta, 23/11

Acordar cedo mais uma vez, e aproveitar o último dia do Alexandre. Não temos do que reclamar. Primeiro fomos a Grindewald (ou algo assim, o tempo está passando e vou esquecendo dos nomes). De lá fomos a Lucerna, uma vilinha toda linda, com um lago famoso no meio. Rodamos a cidade a pé e de carro, e subimos o morro para ver uma muralha medieval, tudo sempre muito bom. Bom demais. Naquele dia o Alexandre voltaria para Londres e eu continuaria a viagem sozinha, mas a verdade é que eu queria que ele continuasse lá comigo até o final. Mas ele, diferentemente de mim, é um mocinho muito dos responsáveis. De Lucerna continuamos passando por estradas estoanteantemente belas até chegar em Genebra. Antes disso, inclusive, quase fomos parados pela polícia na estrada. Mas isso é outra história. Sim, outra história.

Em Genebra foi meio caos. Alexandre tinha hora para chegar no aeroporto e eu não tinha albergue reservado nem nada, como sempre fazendo tudo torto, pela metade, avacalhado. O único albergue que achei na cidade estava lotado. Sorte é que ficava perto do segundo único albergue da cidade. Foi para lá que fui, já aflita porque o Alexandre ia perder o avião (apesar de que nem teria sido tão ruim assim, hohoho). Cheguei no albergue e uma excursão de 734876273 de italianos estava na minha frente, gritando, gesticulando, atrasando tudo. Eu já não estava no melhor dos humores. Mas respirei, relaxei, esperei. Bonitinha. Como era de se esperar. Consegui uma cama num quarto de seis. Foi tranqüilo, mais do que eu pensei que seria.

Sexta 24/11

Acordei às 7 da manhã porque em albergue é assim, um acorda, o outro acorda também e tudo acontece numa sucessão de sacolas do tipo barulhentas, e coisas que caem e luzes que acendem e celulares, malditos celulares (lembrando que eu havia perdido o meu, logo estava sem alarme, logo precisaria das sacolas barulhentas e das coisas que caem e das luzes que acendem para acordar a tempo de ir para Basel no dia seguinte e pegar o vôo de volta pra Londres).

Às 8h já estava na rua passeando. Grande erro, grande erro. Comecei a andar desenfreadamente. Andei em todas as ruas possíveis e imagináveis (algumas mais de uma vez) do centro histórico. Vi a catedral, vi casas onde moraram pessoas famosas, fui em tudo o que meu guia sublinhava. Chegou meio-dia e eu tinha visto tudo o que queria. E estava exausta. Sentei para tomar um café por meia hora. Continuava exausta. Andei mais um pouco para ver se era psicológico. Não era. Decidi dar um tempo. Ir pro albergue, sei lá, tomar um banho, tentar carregar meu iPod. A vida tem outra cor com iPod nos ouvidos.

Cheguei lá e bati com a cara na porta. O albergue ficava *fechado* até 2pm. Tive que tomar mais uma café, fazer hora mesmo, comprar besteiras. Cheguei no albergue, tomei banho, deixei meu iPod, o Nano Singer, carregando, pronto, melhor assim.

Saí de novo. Dessa vez passeei pelo parque à beira da Baía de Genebra, onde tem o Jardim Botânico e, mais além, a Universidade de Genebra e, mais além ainda, a ONU e outros órgãos internacionais. Uma delícia. Andei muito, andei demais, meu joelho doía, meu tornozelo também, mas tudo estava ficando cada vez melhor. Ao final do passeio, uma dor feliz de ter que voltar tudo a pé para o albergue. Cheguei lá exausta de novo, 5pm. Resolvi ler um pouquinho, só um pouquinho, terminar meu livro. Dormi. Acordei às 8pm, de novo com a corda toda. Me vesti e fui passear pela Rue Mont Blanc. Bati mais perna. Voltei umas 10pm e achei que seria difícil dormir de novo. Não foi.

Sábado, 25/11

Dia de partir. Acordei às 8am e tive que sair em jejum já que havia perdido o cartãozinho do café-da-manhã. A estação do trem de Genebra ficava a uns 10 minutos a pé de onde eu estava. Peguei o trem que ia direto a Basel. Duas horas de viagem, estou eu em Basel, nos achados e perdidos, perguntando do meu celular, fazendo mímica porque a mocinha não falava inglês. Eu – não – celular. Eu – cadê – celular. Uma hora ela entendeu e me deu um website pra entrar. Eu já sabia que o telefone tinha virado história.

Peguei um ônibus de lá até o aeroporto onde esperei horas e horas e horas. Voei ao lado de um alemão simpático que tentou me acalmar (não sei por que fiquei ansiosa com a decolagem) e me impressionar com seus estudos de árabe. Pegamos também o ônibus para Victoria, onde expliquei para o gajo como ir aonde ele precisava ir. Cheguei em casa, feliz de estar em casa, mas mais feliz por ter tido uma semana incrível, com mil histórias para contar, outras que não se sai contando, mas que estão guardadas aqui.

Voltarei, logo, para a Suíça.

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