Monday, March 05, 2007

tufões

E com o passar do tempo, além de espontânea, vou ficando assim mais sincera. De modo que mesmo que eu queira esconder o quanto você me afeta (e todo o meu afeto), eu já não consigo. Nem no blog.

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Ainda nem chegou Bretanha e já estou querendo bookar a viagem de julho com minha Piu. Vida boa, essa, de cidadã européia. O plano é fazer Berlim e Amsterdã. De trem. Plano ainda.

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O fim de semana foi bom. Nada demais aconteceu. Mas é bom ter um fim de semana tranqüilo precedendo o fim de semana de mudanças. Reservamos o cara da van para o próximo domingo, 10 da manhã. Mudar em Londres deve ser bem mais fácil que no Brasil. Eu não sei julgar porque morei no mesmo apê em Sampa desde os 6 anos de idade, e não tenho lembranças das poucas mudanças que fizemos. Provavelmente porque não participei de nada, desde a compra do apê até a mudança em si, incluindo a disposição dos móveis etc. Fair enough, eu aos seis anos faria do meu quarto um cenário de Alice no País das Maravilhas, com gliter e bola e discos jogados aleatoriamente, tal acurado era meu senso estético.

Agora tenho que cuidar da mudança toda. É um sistema que vale uma animação gráfica, mas meus skills/tempo/saco para fazê-lo me impedem. Seria algo assim:

Decidir mudar --> procurar flatmate --> procurar casa --> achar casa (pode comprometer flatmate) OU achar flatmate (pode comprometer casa) dependendo do que for mais importante, flatmante ou casa --> acordar tudo com o landlord OU agência sem perder a sanidade mental (se perder a sanidade mental, mudar a primeira etapa de “decidir mudar” para “desistir de tudo”) --> acertar a saída com o antigo landlord e recuperar o depósito que demos ao mudar para lá (sem perder a sanidade, porque não vai resolver o problema, e será SEMPRE um problema) --> se a saída for tranqüila, parabéns (me ensina) se não for, perca alguns cabelos lutando pelos seus direitos --> arranjar uma van para fazer a mudança. Se você for pobre, como eu há um ano e pouco, faça a mudança com 7 (sete) viagens de metrô. Mas desconte também mais alguns tufos a menos de cabelo, plus costas estouradas --> uma vez efetuada a mudança e recuperado o depósito, o pior já passou. Mudar todos os 8479873275 de endereços da antiga casa para a nova à tentar ser rápido em descobrir o que é podre na casa nova e começar tuuuudo de novo, uma relação de ódio-ódio com o landlord.

Espero estar sendo muito pessimista. É que nossa experiência anterior foi foda. Não quero me iludir só porque meu novo landlord é meio velho, tem o naris meio torto, é irlandês e é meio fofo. Não, isso não é motivo.

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Sobre minhas portas e janelas, confesso que sempre quis deixá-las abertas, mas ultimamente preferi encostá-las, talvez porque entrou alguém na casa que eu não quero que saia. Mas estão apenas encostadas as portas, e destravadas as janelas. E a luz lá dentro indica que tem gente. E o cheiro indica que tem feijão e abraço quentinhos.

Porque amo demais e quando amo sou insuportavelmente carinhosa.

Mas eu ia dizendo: a porta está encostada. Ninguém precisa arrombar para entrar; ninguém precisa arrombar pra sair. Eu deixo circular. Eu quero movimento além de vento. Dentro fora. Para arejar, mas não a ponto de me sufocar com oxigênio demais.

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