Monday, September 18, 2006

uma idéia para deus

De novo aquela puxadinha sem sistema para expelir.

Se eu fosse dizer o que falta ao corpo humano para ser perfeito, diria que falta um cu, ou qualquer buraco equivalente, capaz de expelir angústia. Não seria perfeito?

Pois então, deus, fica aqui minha sugestão para os próximos milhões de anos, se é que até lá o senhor ainda terá saco de continuar fazendo e desfazendo gente.

Pois eu preciso, porque explodo de um jeito todo torto, todo primitivo. Explodo por todos os poros.

Mas enquanto espero deus me envoluir, vou arranjando soluções-tampão, o que, modéstia a parte (ou *modeste a parte* como li outro dia), sei fazer bem.

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Mais um fim de semana cheio de acontecimentos. Se chamássemos fim de semana de começo da semana acho que minha implicància com os domingos estaria 50% resolvida.

Mas voltando. Vou resumir porque senão fica um saco. Sexta ao chegar do trabalho, inspirada, resolvi correr com a Flá. Babãe deu sua caminhada à base do que-belas-flores! Dessa vez, com uma pessoa um pouco mais sensata que eu para estabelecer o ritmo, corri por 20 minutos. Um aproveitamento de 100% sobre a vez que saí correndo pelo parque feito um avestruz para me mostrar para os marmanjos e, apesar de morta, não ia parar na hora em que alguém estivesse vendo. Porque sou o centro do universo, eu sei. Estava o parque todo vendo como corre bem aquela avestruzinha das bochechas vermelhas. Me poupe, né, eguinho?

Do parque pro banho, do banho pro restaurante. Fomos no indiano perto de casa e ganhei todas as calorias que perdi correndo.

Sábado quis me enforcar por acordar às 7:30h e depois de muita manha fomos ao Shakespeare Globe, o teatro em que as peças do Shakespeare eram (e são) encenadas. Muito legal. Muito bonito. E tal. Mas achei caro pro que oferece. Sou mais um dia comprar ingressos para ver uma Macbeth da vida do que ouvir guia engraçadinho tirando sarro da calamidade sanitária de teatros em tempos escatológicos.

De lá caminhamos pelo South Bank até o Borough Market, o queridinho dos businessmen que têm culinária como hobby. Mercado lotado, um monte de gente aproveitando as amostras de degustação para pular o almoço, empurra-empurra quase brasileiro, aquela alegria, aquele calor humano. Eca.

Abreviei o passeio e tratei de sair de lá assim que houvesse brecha. Não precisou muito porque babãe e Flá já estavam de saco cheio do tumulto também. Voltamos ao South Bank, vimos ferinhas e pessoas querendo e conseguindo aparecer. Vimos de tudo e não compramos nada. Ou quase nada.

Babãe derrotada e Flá com amigos em Londres, fui encontrar minha turma, que já nem lembrava mais meu nome. Refresquei a memória e reaprendi alguns nomes também (haha). Foi legal. É bom voltar.

Domingo quis me enforcar por acordar às 11:30h mas me arrumei rapidão para ir a Trafalgar Square, onde ocorria o festival judáico. Foi legal pelas músicas, mas aí entrou uma falação do prefeito, e a feirinha e a comida deixaram a desejar. Rodamos aquilo desviando de policiais óbvios e à paisana, que às dúzias tentaram e conseguiram garantir uma festa sem explosões.

Resolvemos então aproveitar que esse fim de semana foi o London Open House, um evento em que vários prédios da cidade, fechados ao público normalmente, abrem por apenas dois dias para visitas gratuitas. Fomos no New Parliament, em frente ao incansável Big Ben. Foi legal.

E depois mais andanças pelo South Bank, bateria de escola de samba, homens-bonecos, comida, coreano vendendo qualquer coisa que faça barulho e fascine criancinhas. Gente esparramada na grama, comendo um frango ou fumando maconha. Um domingo típico.

Voltamos para casa. Canseira. Um fim de semana inteiro de andanças e até correiranças. Pena que passou tão rápido.

O últibo fim de sebâda com babãe e seus bibos.

Tuesday, September 12, 2006

uma vida inteira pra mim

Ah, então vamos brincar de quem agüenta mais tempo calado? Olha que eu ganho... Olha que você depois vai vir me implorar para pararmos com essa brincadeira de mau gosto.

Mas tudo bem. Tudo bem. Tudo vai ficar bem se no final das contas você disser que ficou com saudades.

Mas vai ter que falar.

I’ve got my feet on the ground and I don’t wanna sleep to dream.

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Vidinha, assim, tranqüila. Babãe na área significa mimos. Café-da-manhã na mesa, supermercado feito, quarto limpo. Coisas que eu normalmente faço quando me sobra uma esquina no tempo. O que raramente acontece porque estou sempre inventando coisas e reclamando da falta de tempo e corneteando para o mundo todo que não quero, não posso, ser apenas mais uma.

Trabalhando, nadando quando dá. Fazendo programas turísticos. Greenwich e Sinatra no sábado, Kew Gardens no domingo. Eu adoro o pretexto de ter visitas para ter que bater perna por essa cidade maravilhosa. Engraçado que quando vim morar em Londres eu nunca tinha posto o pé na cidade, mas de alguma forma sabia que seria a *minha* cidade, que eu viajaria o mundo e continuaria sentindo que moro na melhor cidade do mundo. Eu estava certa. Amo Londres. Viajei para vários lugares da Europa e, por mais que tenha me encantado com muitos, nenhum é tão encantador e tão a miha cara quanto Londres. Aiai. Declarando meu amor à cidade. Não imaginei que iria por aí quando comecei a escrever este post.

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Now now, resolvi que no final do ano eu vou me dar um aumento. Isso porque vou pedir ao chefe e, se ele não der, vou procurar outro. Sendo assim, de qualquer maneira eu vou me dar um aumento, por bem ou por mal. Adoro meu trabalho, adoro as pessoas etc, mas tenho que crescer, néam? Eu já fui promovida. Agora falta ganhar mais.

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E os Master Nationals estão aí, na porta, e eu já estou sendo relativamente cobrada, mas acho que vou me dar uma de João-sem-braço porque não estou com vontade de passar nervoso-vergonha-tristeza. Talvez eu vá assistir e torcer. Go Wandsworth, go. C’est tout.

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Preciso só deixar registradas aqui duas Bobbyces, porque se eu não tomo nota elas se perdem no buraco negro do esquecimento, um triste fim para tão gracioso espetáculo.

O primeiro, há poucas semanas, quando Bobbynha disse que fazendo assim e assado a gente resolve duas coisas *com uma coelhada só*. DOCE. FOFA. MORRI. DOEU. Mas sofri em silêncio com esses sentimentos porque falávamos de algo sério.

E o outro, ontem, em meio a uma conversa com várias flechas e gráficos saindo para todos os lados e apontando para mil coisas que só nós entendemos, ela estava a matutar sobre o nine-eleven e saiu sixteen-nine. Algo assim bem Bobby. Quem a conhece sabe. E custou para ela voltar encontrar os números certos. Dessa vez eu nem me segurei nem nada. Se ela estivesse do meu lado a bochecha sofreria as conseqüências. Ah, sofreria.

Thursday, September 07, 2006

fotas de Portugal

Esqueci de falar. Estão aqui.

Wednesday, September 06, 2006

paz armada

Meus olhos já não são mais os mesmos. Oito horas por dia na frente do computador já são suficientes para ficarem vermelhos. E eu, teimosa, estou aqui, na frente do computador mais uma vez, escrevendo mais uma vez, porque agora é a hora que dá (tempo e inspiração).

Está tudo corrido. Tenho que me dividir entre o trabalho e a babãe na area. Sei que ela tenta não interferir na minha vida para não me atrapalhar, mas se não interferisse seria até estranho. De qualquer forma, segunda feira fui nadar. E meu técnico, Tony, perguntou se eu havia treinado durante as “ferias” porque eu estava “fit”. Agradeci o elogio mas falei para ele não se iludir. Nadei bem por vontade acumulada de nadar. Acho que fazia uns dez dias que não caía n’água. E 4km passaram sem que eu percebesse. Claro que depois morri e tive cãimbra e yadda yadda. Mas foi a glória. Tentarei amanhã, eu juro. Juro, juro. Que tentarei.

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E depois da pataquada de babãe comprando ingresso para Chicago tendo confundido com Sinatra (eu assisti a Chicago há mais ou menos um mês, quando minha Piu estava aqui), ela garante que dessa vez comprou certo. Sabadanoite. Veremos!

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Ontem, antes de irmos ao teatro (porque, sim, assisti novamente a Chicago, e lembrava de pequenos detalhes que são só detalhes mas que se repetem e fazem, afinal, a diferença), fomos comer num restaurante tailandês. Um filhadaputa pediu um prato com sei lá que veneno mas que fez o nariz de todo mundo escorrer e a garganta de todo mundo coçar. De verdade. All of a sudden o restaurante todo tossia. Uma cena digna de Hiroshima. O horror.

Queria saber que tempero é aquele para o caso de, ah, sei lá, precisar para uma vigancinha, dessas de se pôr em prato que se come frio. Temos sempre que ter uma carta na manga para as necessidades de manter saudável aquele lado maldoso gostosinho.

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Por ora é isso. Tenho dormido com a Flá porque babãe, como poucos sabem, ronca. Quanto? O suficiente para eu dormir com a Flá. Não lembro se já falei da Flá aqui. Irmã da Broo e minha nova flatmate, quem, inclusive, já foi chamada de minha irmã também. Anyway, gosto de pensar que somos, assim, uma pequena família em Londres.

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Sexta-feira vou ao medico. Nada demais, imagino. Problemas e exams de rotina. Há que ser.

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Recebi uma das melhores notícias do ano: a possibilidade REAL de minha Bathatha vir passar um mês, UM MÊS INTEIRINHO comigo. Não poderia querer melhor notícia. Claro que ela vai ficar comigo. Claro que vou tentar faze-la perder o avião de volta. Claro que ela vai se apaixonar por Londres como eu sempre previ e, quem sabe um dia, se planejar para ser, mais uma vez, minha vizinha.

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Tenho sentido bichos caminharem sobre meu corpo. Passo a mão e não tem nada. Mal sinal.

Thursday, August 31, 2006

voltando

Eu tenho certeza de que todos vocês, estando no meu lugar, também ficariam dias e mais dias sem escrever. Por falta de tempo para deixar me invadir por uma angústia inspiradora. Não se enganem: a angústia continua aqui, mas é outra angústia, mais cruel porque não há tempo para exorcizá-la.

Vou resumir.

Acabou o frila que eu fazia para o Observatório e, embora tenha adorado, deu. Fiquei muito cansada trabalhando em dobro e aos fins de semana. Mas, claro, adorei. O feedback do público também foi ótimo e ressucitei a paixão por aquele lugarzinho especial que me abrigou por quase quatro anos.

Fui para Lisboa. Encontrei babãe. Visitei tudo, não paramos. Não paramos mesmo. Tanto que acabei mais cansada depois do que antes da viagem. Passamos um dia na praia, Cascais e Estoril. Passamos um dia na montanha, Sintra. Foi bom. Foi muito bom. Só sol.

E voltamos para Londres numa viagem pesadelável, em que ficamos empacadas em filas com pessoas peidando, e o metrô quebrado, e babãe caindo de joelho no chão porque não enxergava nada na escada. O inferno, o inferno.

Passou. Chegamos bem, apesar de não inteiras. Eu, pelo menos, quebrada. Mais pela perspectiva de acordar cedo do que de dormir tarde. Retomei a labuta. Liguei para quem me ligou, textei quem me textou, aos poucos escrevo para quem me escreveu. E tudo vai voltar ao normal. Porque precisa, sabe? Sou uma dessas pessoas horríveis que precisam sempre voltar pro marasmo para poder ser quase feliz. E sou uma dessas pessoas horríveis que precisam também estar no olho do furacão para se sentir vivas. Sou várias dessas pessoas de quem adoramos falar.

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Ainda não voltei a nadar decentemente. Ainda não voltei a escrever decentemente. Ainda falta alguém. Ainda falta tempo e espaço. Mas calma. Estou quase voltando.

Wednesday, August 16, 2006

the way I treat life

Agora melhor. A perspectiva de poder ir para cama bem cedo não significa que eu vá, de fato, para cama bem cedo. Mas só de saber que posso, que posso porque não tenho mais nada para fazer, só isso basta para me deixar serena. Eu tava precisando. Eu tô precisando. Eu e uma banheira e o shisha e a Nina Simone. Como nem tudo é perfeito, faltou sugar in my bowl, mas acho que se houvesse, eu reclamaria, e preferiria a simplicidade de eu e apenas eu, coisa que eu apreciava muito no passado, que desaprendi e estou reaprendendo. Não é me enclausurar. Não. É apenas saber, now and then, marcar um encontro inadiável comigo mesma. E uma banheira, ou uma piscina, ou uma tela em branco do Word. Qualquer coisa que me faça virar os olhos e não ter olhos para mais ninguém, a não ser para dentro.

Morar sozinha é isso aí.

Mas estão acabando meus dias de andar pelada pela casa, tomar banho de porta aberta, ocupar cada espaço da casa, largar a toalha, fechar a vida para o mundo num espaço que é só meu. Sábado a irmã da Broo chega em Londres e vai morar comigo. Ela é um doce, não tenho dúvidas de que nos daremos extremamente bem. Na verdade, acho que ela está chegando em ótima hora. Mais um pouco e a casa virava casulo. Preciso lembrar de não ser grande demais, porque pretendo um dia dividir minha vida, meu tempo, meu espaço, com mais uma pessoa, e depois mais uma ou duas, se tudo acontecer conforme eu sempre ensaiei.

Estou feliz com a chegada da Flá. Vai ser um desafio para nós duas, já que não nos conhecemos tão bem assim. Ela chega verdinha do Brasil. Toda aquela expectativa de vou-viver-em-Londres que é uma delícia. Uma sensação que ainda me assalta de vez em quando, mas que depois de dois anos e bolinha por aqui vai ficando na memória. Uma brisa gostosa que vez ou outra sopra meu cerebelo e me lembra com ternura que *não sou daqui*.

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Não foi nada, gente. O estresse está todo nos aeroportos. Nada mudou na vida em Londres. E como só vou pegar avião no fim da semana que vem, tem tempo de sobra para as coisas se aquietarem em Heathrow. É notícia todo dia, toda hora, claro. Mas tudo se restringe aos aeroportos e suas desgraçadas filas e suas desgraçadas regras e suas desgraçadas falhas.

Esquenta não.

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O que sinto mais falta da minha infância é a capacidade de gostar que se estendia ad infinitum na minha cabeça. Agora não. Agora esqueço bem mais rápido. Agora um pouco de tudo o que era docemente platônico vive, mais uma vez, no fundo da minha cabeça, em forma de memória.

Agora, alguns meses são suficientes para algo que me ocupava a cabeça durante todo o dia, não ser mais que reflexo de um tempo distante. Alguns meses já são um tempo distante. Onde foi parar a sabedoria da velhice? Eu fico mais velha mas parece que tudo o que pára fica realmente para trás. Não tenho mais paciência de esperar. Se não for agora, não é.

Não é.

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Ando muito espuleta.

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Mas espuletagem tem um preço. Primeiro veio no sábado à noite, quando tive a infelicidade de assistir, antes de dormir, a Vanilla Sky. Rapaz, entrei numa paranóia dessas que fazia tempo. Nada estava no lugar, meu mundo é um caos e eu sou um bebezão incapaz de: trabalhar; cuidar de uma casa; cuidar da minha saúde; ter relacionamentos, todos e quaisquer. Em alguns segundos eu me anulei. Virei pó. virei uma boneca com braços e pernas tortas cujo olho não fecha mais se deitada. Deitei na cama, sentei de novo, me olhei no espelho e comecei a chorar. Meu mundo não sobreviveria àquela noite. Meu mundo estava desabado e só eu não via. Como sobreviver àquela noite? Eu não sabia. Eram 2 da manhã quando resolvi ligar para minha Piu. Ela não estava. Para minha Bobby. Ela não atendeu. Antes de continuar com as tentativas frustradas de falar com alguém que me trouxesse pro chão, lembrei que felicidade e tranqüilidade, para mim, responde putamerdamente rápido pelo nome de Rivotril. E lá fui eu. Em menos de uma hora estava lutando com os olhos para continuarem abertos e avançarem mais um pouco no espetacular Bricklane.

Aí a noite passou, e veio o dia, e foi, e veio a segunda. E no final do dia aconteceu. Estava no trem voltando pro trabalho e começou. Aperto na garganta, palpitação, suor frio, desespero, maldito trem que não pára, mas se parar eu também não desço, então fodeu, fodeu mesmo, vou ficar para sempre derretendo e gelando naquele banco sujo de trem. Quando passei para o metrô, piorou. O cara da minha frente deve ter percebido, porque me olhava genuinamente preocupado.

Aos poucos foi passando, passando, uma eternidade de 30 minutos para chegar em casa. Uma eternidade horrível. Juro que parecia que 15 minutos haviam se passado entre uma estação e outra.

Quando cheguei em casa, passou completamente.

Perigoso, isso.

Saturday, August 12, 2006

Ain't got no, I got life

Deve ter sido a picada da abelha.

Mandei uma velha æshut up" no ônibus. Mas ela mereceu. Ando sem o menor controle sobre minha língua. E não tenho o menor receio em colocar velha folgada no lugar dela. Não é porque é velha que pode tudo. Se pudesse tudo, estaria andando de carro, táxi, whatever, e não de busão. Mandei-a calar a boca e ouvi risos abafados atrás. Uma senhorinha muito arredia, isso sim.

Ontem saí do trabalho e fui ao supermercado. Enchi uma cesta. Quando estava a um passo do caixa, recuei. Voltei para os corredores do supermercado, devolvi tudo. Tudo parecia imensamente superficial. Para que queijo brie? Para que crumpets? Para que barrinhas de cereal?

Fui deixando tudo pelo caminho, num Budismo desenfreado e mal-interpretado pela minha cabeça. Saí de mãos e estômago vazios. Continuei andando rumo à estação de trem. Olhei no relógio e vi que não daria tempo de pegar o trem das 17:36. Entrei em outro supermercado. Peguei algumas coisas, mas na hora de pagar, só passei os dois litros de coca-light.

Aí, claro, cheguei em casa e não tinha o que comer.

Hoje acordei com a macaca. Fui correr. Eu. Correr. Eu não corro, eu só nado. Mas fui correr. Shorts e top e tudo mais, presilhinha para segurar a franja, iPod. Corri. E corri rápido demais, porque cansei rápido demais. Foi bom. Acho que estava precisando sentir meu peito gritar. Correr rápido, bem rápido, até além do não-agüento, é um jeito.

Sim, sim, com certeza foi a picada de abelha.

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Ontem fui assistir a Nacho Libre, com Jack Black. Achei que fosse me divertir porque o diretor é o mesmo do Napoleon Dynamite. Porra nenhuma. Fraquinho. Não gastem dinheiro, não.

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A situação nos aeroportos está ridícula, mas fora deles, a vida está normal. Ninguém mudou rotina nenhuma, e não senti que trens, metrôs e ônibus estão com maior segurança. Garanto que os riscos com terroristas aqui são menores que os riscos com PCC ou Comando Vermelho ou Terceiro Comando daí.

Não que eu queira nivelar por baixo. Não é bem uma questnao de querer nos tempos atuais.

Tuesday, August 08, 2006

cadeira errada

Realmente correndo. E com dor na coluna, nuns nervos aí. Devo ir num massagista ou algo do gênero no meu lunch break. Carregar dois trabalhos nas costas ao mesmo tempo, além de cuidar de uma casa, nao é missão para qualquer um. Ontem fechei o notebook às 22:30h. E, claro, não consegui dormir. Hoje acordei toda devagar. A dor nas costas piorou. Deve ser a maldita cadeira que a maldita landlady enfiou naquela casa.

Uma vaca, essa mulher, uma vaca. Eu queria muito um dia sentar com ela para um café com biscoitos, sabe? Queria entender por que ela faz das menores coisas as maiores e mais trágicas. Agora ela resolveu que quer receber o aluguel diretamente, e não via agência. Só que a agência disse que não. E como eu já criei o maldito standing order faz menos de um mês, não vou mudar, não. Ela que agüente mais uma pequena razão para reclamar muito da vida. Ela gosta.

Mas tem tanta coisa mais interessante para falar, por que uma velha caquética que não significa nada para mim precisa ocupar espaço, não? Não precisa.

O frila vai muito bem, obrigada. Até melhor que a encomenda, com alguns artigos gerando respostas e mais respostas apaixonadas. Acho ótimo. E sinto saudades desse trabalho com feedback direto do público.

Aiai.

Não se dêem ao trabalho de assistir a Miami Vice.

Oito de agosto meus amigos, oito de agosto. O tempo voando e eu rodopiando junto. Tentando não derrubar as bandeijas, mas às vezes acontece de copos virarem. Entendo que são frustrações nossas de cada dia, mas ainda me sinto injustiçada pelas pequenas desgraças diárias.

Sim, definitivamente um massagista.

Tuesday, August 01, 2006

who am I to be blues

Cantando para mim mesma como se fosse uma diva.

Que semana, que semana.

Trabalhando muito para pagar as contas, e também por amor.

E trabalhando para ser uma pessoa melhor. Cansei de levar na cabeça a paulada que um dia, sem lembrar, eu mesma dei.

É isso. Abraçar árvores só pra ver se é bom mesmo como dizem os loucos, acolher refugiados, patrocinar quem pedala 783658726287 de milhas em prol de uma caridade para ajudar na pesquisa para leucemia, conversar com pessoas desinteressantes - vontade genuína de achar alguma luz em cada ser-, doar escondido para não precisar ser condecorado.

O ano não precisou virar para eu ter minhas resoluções, bonitinhas, todas guardadas, etiquetadas em ordem alfabética para facilitar o acesso. E elas aparecem o tempo todo. A maioria, sem prazo para acabar.

Assim, não sei, a vida parece durar mais. E não me custa nada. Ou quase nada. O preço vale anyway.

It's a new dawn
It's a new day
And I'm feeling good

(no repeat)

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Voltei a nadar e, rapaz, confesso que ontem saí roxa da piscina. Bochechas roxas de cansaço. Foi um treino puxado, séries puxadas que, somadas, davam mais de 3km. Foi gostoso, mas está na hora de arregaçar as mangas (que mangas?) e nadar de verdade. Estou decidida. Amanhã, amanhã.

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Minha pequena se foi. Fez uma zona imensa na casa, e agora olho o que falta para ajeitar e a vontade que me dá é de bagunçar tudo de novo só para lembrar dela.

Foi ruim nossa despedida. Ofereceram overbooking. Ela aceitou, mas, ao contrário do que aconteceu no ano passado, dessa vez eles não quiseram mais brincar. Às nove ela sai correndo para despachar a mala e passar por todas as barreiras que se passa num aeroporto, inclusive meu abraço. Como as outras barreiras, essa teve que ser feita às pressas. Eu deveria ter segurado mais um pouco. Quem sabe assim ela não perdia o vôo?

Na próxima vez serei mais exigente e, da minha barreira, ela não passa sem bens a declarar.

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E ele, hein?! Vai ou não vai?

Porque, sabe, a vida acontece. Comigo, então, acontece bastante. A vida acontece duas vezes mais que a rotação da terra, porque senão fico entediada.

Não é nem uma questão de odiar o muro e os que nele se empoleiram. É uma questão de eles não durarem muito tempo na minha vida.

Mas por enquanto tenho lembranças. E isso está sendo o suficiente para me manter longe do tédio. Até quando não for mais.

Sunday, July 30, 2006

C'est Paris once again

Fotas, fotas, fotas!



Essa é do D'Orsay, mas tem muitas outras aqui.

Aos defensores de Paris, repito (porque em dezembro de 2004/janeiro de 2005 também estive lá: o parisiense não merece a cidade que tem. É porco, é fedido, é ranzinza. Não dá. Eu até aceito ser chamada de rabugenta. Mas é uma rabugem fofa. Eu sei. Eles não. Eles são muito malas. Eu não consigo entender. Taí um lugar em que jamais moraria, Paris.

E morri de calor e quase morri mesmo. Mesmo, mesmo. Desidratei. Desesperei. No meio da noite pedi socorro para minha irmã, que tentou arrancar um gesto de compaixão do peito de um senhor com óculos e sem desodorantes que esperava algo acontecer às 3h da manhã e 33 graus celsius. Aí aparece uma menina dizendo que sua irmã está passando mal enquanto milhares de pessoas estão desmaiando e algumas dúzias morrendo com o calor pela Europa. E ele era francês. Fechou a cara. Disse que estava calor para todo mundo. Eu não precisei de muito tempo para arquitetar o seqüestro do ar condicionado do lounge do hotel. Era um desses pimpolhos portáteis. Desci de pijama. Eu e meu pijama mui brasileiro e meu mau humor que desarmaria qualquer tentativa de intervenção. Eu, meu pijama mui brasileiro, o mau humor e uma ruiva de "olheira". Se alguém aparecesse a senha seria SUJOU e eu sentaria o pimpolho no chão.

Água para todos os lados, um elevador que demora mais ou menos 37 minutos para fechar as portas, mas eu levaria aquilo até as últimas conseqüências. Quase chorei quando vi que o bichinho funcionava. Funcionava, esfriava, ventava, oscilava, fazia tudo, ele. Só não me fez cafuné mas mesmo assim dormi flutuando.

E, olha, o calor foi realmente um problema. No primeiro dia, principalmente. Mesmo assim, heroína que sou, fiz aquilo tudo: torre eiffel-barquinho no Sena-Notre Dame-St Germain-Champs Elisée-Arco do Triunfo-D'Orsay-Sacre Coeur. Só faltou o Louvre, mas em dois dias e meio fica difícil fazer tudo. E eu chorava só de pensar em ficar em fila debaixo do sol.


(mau humor no barquinho no Sena -- clique na foto para ampliar)

Foi isso. Amamos Paris, odiamos os parisienses. Chegamos em Londres e mais uma vez tive a deliciosa sensação de voltar para casa após uma pequena e doce guerra.

Wednesday, July 26, 2006

ta dificil

Ta dificil, pessoinhas, ta dificil e vou explicar brevemente por que:

Quatro dias longe do trabalho fodem tudo. Me atolei.

Minha irma estah aqui, o que faz com que meu tempo seja bastaaante canalizado.

Comecei o frila para o meu antigo trabalho, o que me deixara com ainda menos buracos livres no trabalho para atualizar o blog.

Entao eh isso. Vou tentar, now and then, mas nao cobrem porque ta foda.

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Paris foi bom, mas foi um inferno. Conto depois. Juro.

Wednesday, July 19, 2006

Paris 40 graus

Sim, sim, continuo aqui. Correndo mais que o vento. Morrendo de calor. La fora, 37 graus. Saudades do inverno, juro!

Minha Piu na area tambem ajuda a tumultuar! Fico com ela quando nao estou trabalhando. Fomos ver "Stomp" no domingo (sensacional, um dos melhores shows que ja vi na vida) e "Avenue Q" ontem (mais ou menos. Eh um musical super aclamado na Broadway mas nao adianta, nao curto essa coisa de boneco). Passamos o sabado em Brighton, pegando um sol de rachar (juro). Eu nadei meus 15 minutinhos – nao mais porque a agua ainda (sempre) esta muito fria. Aa noite fomoa na festa de uns amigos, housewarming, aquela coisa de sempre. Muito legal. Deveras, deveras.

(Nao sei, esse calor me tira a inspiracao! Cade o frio para me fazer doer o peito? Soh assim escrevo bem.)

Enfim, estou com minha amada Piu, essa pessoinha tao querida. Amanha vamos a Paris. Dizem que la tambem estah bem quente. Eu nunca pensei que essa seria uma preocupacao minha morando na Europa. Estou obcecada com noticias do tempo.

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Estou fazendo minha primeira venda via eBay. Dois tickets de adulto para a Eurodisney. Sim sim, minha princesinha caiu em si e viu que Paris tem bem mais a oferecer do que o Mickey e a Minnie e o Pluto e o Pateta. La vie en rose, ma non troppo afinal. A torre Eiffel que não se foda mais, certo? Certo.

Amanhã, então, voamos a Paris, eu e minha bola de fogo. Vai ser deveras histórica essa viagem. Watch this space.

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Quente. Muito quente. Estou com pena de minha condição de usuária do transporte público nessa cidade. A gente sofre e nem se diverte.

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Esse mês de agosto promete ser uma correria. De fim de julho a fim de agosto voltarei ao meu emprego do coração, como redatora do melhor site crítico da rede, in my humble opinion. Sempre falei de peito estufado que quatro anos no Observatório me fizeram uma jornalista com algo mais. Bem mais. Vai ser bom voltar por um mês. Minha vida mudou tanto... E no entanto voltarei a fazer o que fazia há seis anos no Brasil. Gostoso. Por um mês é gostoso.

E no final, quase como se eu já previsse e me desse de presente, a viagem com babãe para Lisboa. Para fechar agosto em grande estilo.

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Comigo é assim: esse negócio de "beija, beija, tá calor, tá calor" é mais "deixa, (me) deixa, tá calor, tá calor". Entenderam? Não, né? Legal.

Thursday, July 13, 2006

so be it

Em caso de tedio, eu escrevo. Nao que nao haja coisas para fazer no trabalho. Tem e muita. Mas estou entediada. Simples assim. Quero fazer o que tenho que fazer, mas nao consigo. Olho para onde tenho que olhar e nao foco. Uma porcaria. Me deem um travesseiro e eu faco da minha escrivaninha o mais confortavel dos futons.

A realidade eh que o tedio se mistura e se soma ao sono. Tenho dormido pouco, como ja expliquei, mas agora estah comecando a pegar. Dormi pouquissimo na segunda, na terca nao deu para por em dia, ontem fui nadar e cheguei pilhada, hoje tem festa do Ernesto, amanha cedo chega minha Piu e sabado cedo vamos para Brighton. E a noite tem outra festa. Nao posso reclamar, eu sei, mas reclamo. Fui atropelada por bicicletas de afeto. E caminhoes de preguica.

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A verdade eh que achei que rolaria pelo menos, eu disse pelo menos, uma mensagem de texto de tchau. Mas nao rolou. Oh well. Por que nao estou surpresa?

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Tem alguem que logo logo estah indo para o aeroporto de Guarulhos rumo a Heathrow… Quem?? Quem?? Quem te ama??

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Na minha vida posso dizer que ja fiz muito joguinho, e ja fui sincera alem do necessario. Hoje em dia, ja nao sei mais dizer. Eh triste.

Tuesday, July 11, 2006

faraway

Sei que faz tempo. Nao deveria. Estou com tudo entalado, querendo sair. Eh assim quando acumula. Tanta coisa acontecendo tao rapido que eh dificil focar – que nem os olhos dos outros no metro.

Mas estou mais viva que nunca. Dormindo menos, comendo menos – nadando menos, confesso. Reclamando menos. Porque ultimamente ha bem pouco de que reclamar. Deixa eu ver… Babai veio e foi. Isso eh triste. Estou com muito trabalho. Isso eh de um triste quase feliz. Estou nadando pouco. Eh triste que o dia soh tenha 24 horas. A Broo se foi. Isso eh triste, sim.

E soh. Nada mais me aborrece. Minha Piu estarah aqui em poucos dias. Vou buscar minha fogueteira no aeroporto na sexta. Nao poderia pedir mais.

O trabalho vai muito bem. Cada vez mais responsabilidades caem nas minhas maos, e eu nem tremo nas bases. Acho que aprendi mesmo a enganar.

E tem tambem o coracao, neam? Que estah sempre mais acelerado que o normal, voces ja sabem, mas raramente me surpreende com isso. Hoje estou surpresa. Voces ja dormiram mal aa noite, acordaram um bagaco e ficaram felizes cada momento do dia seguinte em que sentiu essa *bagaceria* porque o motivo eh adoravel? Porque eh otimo lembrar? Por que eu sou assim, tao filme?

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Aproveitei o unico fim de semana babaiano para rodar a cidade. Sexta uncle John e Jane vieram em casa e saimos para jantar. Foi muito bom. Biggles, o cao amado, tambem veio, e agora eh o papel de parede do meu celular.

Sabado fomos no Victoria & Albert museum ver uma exposicao sobre Modernismo. Achei meio pequena, mas bem legal. Quebrou um pouco do meu preconceito contra essas expressoes muderrrnas. Mas soh um pouco. Ainda sou uma mocinha de familia, que gosta dos impressionistas e suas donzelas rechonchudas e rosadas.

De la fomos aa Waterstones de Piccadilly, acho que a maior livraria de Londres. Me perdi, me perdi. Quase terminei um Bukowsky sem piscar.

Aa noite fomos passear e jantar em Putney. Vimos a Alemanha ganhar o terceiro lugar o que, por um lado, me enfureceu, por outro me fez chegar em segundo lugar no bolao do escritorio, ja que era essa a posicao que eu havia previsto para os anfitrioes.

E domingo viemos para o lugar em que mais tempo passo: Kingston. Babai viu onde trabalho, mas fomos adiante, ateh o rio, onde estava tendo uma regata. Passeamos, passeamos, voltamos. Assistimos aa final da Copa em casa e saimos para jantar num indiano la perto, divino.

Pronto. Aqui estah meu fim de semana a la meu-diario. Ha muito mais alem disso, claro, porque eu estava parada enquanto minha cabeca dancava a mais doce valsa.

Puta merda, como sou romantica.

Wednesday, July 05, 2006

subamos

Como todos devem saber, Babai’s inda house. Que delicia eh ter meu barbudinho do lado, todos os dias. Ser a ultima pessoa que vejo antes de dormir e a primeira quando acordo. Eh tudo o que um filhote carente poderia querer.

Ansioserrima novamente. A pressao do meu novo cargo no trabalho estah subindo, a chegada de babai tambem subindo, a perspectiva de ver minha suprema Piu em pouco mais de uma semana subindo, e historias, historias de ontem, e de anteontem, e do mes passado, historias subindo. Ontem foi quase, viu? Coracao palpitando, respiracao acelerada, muito calor, subindo, subindo, subindo. Aih parei, respirei, me concentrei e passou. Mas foi quase.

E eu ateh queria escrever mais, neam?, mas tem gente demais lendo esse blog. Vou ter que guardar para mim. Pelo menos por enquanto.

Monday, July 03, 2006

efemérides

Impressionante. Há uma semana, uma semaninha apenas, para tudo mudar. Eu realmente não posso acreditar que as coisas são. Elas sempre estão. Eu, inclusive. Não sou nada. Apenas estou. E nessa condição é que tiro o peso de tudo o que fica. Se eu fosse uma pedra, por exemplo, minha vida seria bem mais difícil. Eu seria. Agora, apenas estando, posso fazer e desfazer o que bem entender. A vida não é minha; ela está minha.

E estando assim, preciso entender que o mundo dança. Que eu posso acordar amanhã completamente diferente. Que um pôr-do-sol roxo pode ser sucedido por um amanhecer cinza. Não dá para saber. Por que teimamos em permanecer? Por que, no entanto, admiramos o que passa sem apego – uma estrela cadente (sinal de sorte), uma rosa vermelha (sinal de paixão), uma borboleta (sinal de beleza). Por quê, se nada duram?

Enfim. Eu quero dizer que estou feliz. Que este foi um fim de semana muito bom. Especial. Que mais uma vez terminou como jamais imaginei, e é por isso que já é lembrado com doçura de anos que passam rápido. Quero dizer, ou melhor, gritar, que o Brasil perdeu, mas eu ganhei. Está tudo aqui, guardadinho, nas gavetas que sempre fiz questão de manter arrumadas. Tudo aqui.

Thursday, June 29, 2006

bye bye Broo

Meus ultimos dias de convivencia diaria com essa amada bochechuda. Que dificil que eh se apegar a alguem e depois ter que se desapegar.


[clique na foto para ampliar]

Acho que por isso morrer deve ser tao dificil.

Mas tem nada nao. Uma vida que eh toda despedida. Eu ja devia estar acostumada.

bosta

Clonaram meu cartao do banco. La se foram £150. Estou puta demais para ficar explicando. Se entrar em detalhes ficarei ainda mais. Se alguem souber se o banco tem a obrigacao de me ressarcir ficarei grata. Mas quero apenas mensagens de quem entende, nao de motivacao ou religiao ou estarei-sempre-contigo.

O mais ironico eh que eh uma fraude meio estupida. O pessoal tem torrado meu dinheiro na Pizza Hut e na Domino’s Pizza. Claro que nao sou ingenua ao ponto de achar que realmente eles pediram pizza. Mas deve ter alguma gangue trabalhando nesses lugares. Evitem. Pelo menos evitem pagar com cartao. A verdade eh que nao sei onde tudo comecou, ja que deve fazer um ano que comi pizza no Pizza Hut pela ultima vez, e nunca pus o peh num Domino’s. Entao em algum lugar meu cartao foi clonado. Dificil eh descobrir para evitar incorrer no mesmo erro no futuro.

Ai, chega. Falei que nao queria falar.

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Hoje vou jantar no uncle John. Soh a Biggles mesmo para tirar meu mau humor.

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Vendo cigarros por £25 o pacote com 20 macos. Marlboro Lights. Oferta especial de alguem que acaba de ser roubado (antes era £30). Eh serio. Quem quiser comprar, entra em contato. Rapido.

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Agora chega que eu com raiva nao fumciono.

Tuesday, June 27, 2006

esmos

Acho que estou desenvolvendo uma linguagem propria. Nao eh ingles, nem portugues, e nem deriva de nenhuma dessas. Eh estranho. Sou estranha.

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Estou em processo de ser convidada a assistir uma rodada de RPG. Meda e panica, horrora e desespera. Eu vou. Watch this space.

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Muita coisa acontecendo. Ultimos dias de Brooninha em casa, poucos dias para babai chegar. Poucos, tambem, para minha amada Piu. Poucos dias, sempre, para tudo mudar. Se fossem dias demais, nem sentiria que seriam mudancas. Entao nao reclamo. Eu gosto de reciclar. Reciclar sem perder a docura, claro.

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Estou tentando guardar cada uma das frases fantasticas que leio em Abismos do Coracao, mas acho que eu teria que decorar o livro.

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Cheguei no trabalho as 8am e vou pular o almoco. Espero que o sacrificio valha a pena, hein, Brasilzao?!

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Se eu pudesse, me teletransportaria. Ficaria ali no canto mais importante da plateia, em algum lugar em que, de relance ela pudesse me ver sem se assustar. Eu ficaria quieta quando fosse hora de ficar quieta, e riria quando fosse para rir, e todos ririam comigo, e daria tudo certo. Meu aplauso seria o mais alto (maos vermelhas das pancadas), e seus olhos, os mais brilhantes. Um sorriso que nao cabe em um soh rosto. Extravaza pelos olhos, pinica o nariz. Se eu pudesse me teletransportar, acho que invadiria o palco alucinada de amor e orgulho. Ela eh minha, ouviram? Soh minha. Mas voces tambem podem assisti-la. No final, eu vou ficar com o melhor mesmo.

Te amo, minha pequena grande atriz, e um dia nao precisarei me teletransportar para te ver no palco.

Monday, June 26, 2006

sweet days, sweet dreams

Foi um grande final de semana. Sexta-feira, como sempre, foi dia de nadar. Broo foi comigo. De la fomos ao Wagamama, por que nosso assunto nunca acaba? Por que nao eh assim com todo mundo? Por que justo com uma querida que vai morar em outra cidade? Olha, ela nao cansa de repetir que nao estah se despedindo, mas eu nao me canso de nao me deixar convencer por essas palavras, porque, sim, muda tudo.

Minha gemeazinha vai morar em Bristol. Vou ficar orfa ateh agosto. Claro que nesse meio tempo, nem ouso reclamar. Estarei com babai, depois minha Piu e depois babae. Mas mesmo assim. Minha amiga das mais queridas vai para longe, entao sim, da lincenca que eu me vejo no mais digno direito de ficar triste.

E sabado foi soh arrumacao. Na verdade, acordei ja quase a tarde. Compramos coisinhas, arrumamos a casa e, finalmente, nos arrumamos. Era a festa do B. Todo mundo deveria vir vestido de algo que comece com a letra B, o que acabou nao acontecendo.

Eu ia de beijinhos, ja que tinha uma camiseta cheia de beijinhos e pensei em fazer outros mil beijinhos na minha cara e nos meus bracos. Mas ai a Broo achou que era meio foda ir com blusa furada e encardida e eu concordei. Entao resolvi ir de boneca. Pus uma blusinha com uma boneca russa estampada que a Bathatha me deu no meu ultimo aniversario, sainha preta, meia de listras coloridas areh o joelho e sapatilha. Maria-chiquinha e maquiagem de boneca tambem. Fiquei tao boneca que se me deitassem eu fechava os olhos automaticamente.

Broo foi de baiana. Ela custou a reconhecer, mas a verdade eh que ela quis ir de baiana porque sempre quis usar turbante e nunca achou um bom pretexto. Ai foram chegando as pessoas e percebemos que pouquissimas entenderam que realmente falamos a serio quando falamos da festa do B. Mas valeu anyway. A zona foi ateh 4.30am, com direito a convidado overnight inclusiveam...

E domingo, apos generosas quatro horas de sono, fui ao Thorpe Park, uma especie de Playcenter aa inglesa. Foi bem legal. A Joo e a Re tinham um convite extra cada para o "fun day out" da empresa delas, e eu e Broo tivemos a felicidade de sermos as escolhidas (valeu, meninas fofas!). Fomos em montanha russa de tudo quanto eh tipo - ateh uma no escuro e toda de costas que era mais engracada que assustadora, nao sei por que. Talvez fosse o sono.

Chegamos em casa como criancas que passaram o dia correndo atras de patos. Nem consegui assistir ao jogo de Portugal e Holanda ateh o fim. Dormi, dormi, dormi, e acordei meio sem entender que quase dez horas haviam se passado desde que pisquei pela ultima vez.

Friday, June 23, 2006

saia rodando da minha vida

Eu sempre fui assim, de entrar em sintonia com minhas amigas. Sempre. No caos, principalmente.

Primeiro a avoh de minha Bathathinha falece.

O mundo de Bobby cai.

Broo vai para longe de mim.

Fru nao vem mais esse ano.

Milao deve estar quase vomitando para o grande dia: amanha ela vira mulher casada.

Ha muitos outros, mas eu nao sei. Estou longe, entao nao interesso mais.

Tudo rodando bem mais rapido que o conveniente. Eu, daqui, passo por muitas e boas, e tento fingir que saio ilesa. Sempre esse risinho ironico no canto direito, que eh para nao esquecer que a vida eh uma piada mesmo em seus desfechos mais tragicos. Eu no meu barco de papel que ameaca virar a qualquer momento, e por isso nao pode ser levado a serio. Eu e um pequeno mundo que anda toda vez que eu ando, porque sou profunda, quero crer, e todo mundo que eh profundo leva consigo um mundo ao redor.

Entao vou rodando saia, tropecando sem estar bebada, mas fingindo estar para fazer mais sentido. Vou virando tequilas imaginarias e dancando tangos que desconheco. E quando se encherem de dancar tango comigo, eu sambo sozinha, eu grito ateh as jugulares nao aguentarem. Eu deixo que toda a minha garganta sangre, para eu secar com exaustao uma ansiedade insaciavel.

Quanto mais eu bebo, mais seca e sobria fico. Estou me lavando. Todas as canetas que me riscaram por dentro agora vao sair por meus cabelos. Toda a tinta me vai pingar dos olhos. No final soh fico eu, no cantinho de um quarto claro - que eh pra eu ver minha miseria – enrolada em mim mesma, tentando guardar o que restou do meu mundo. Um ponto-final. A lapis para poder apagar amanha.

Thursday, June 22, 2006

voo baixo

Nao sei de quem estou com mais pena, se do Ronaldo ou da Varig. Ambos devem ter seus voos cancelados hoje. Ambos devem sofrer dura queda.

Alias, deixo registrado aqui o meu completo horror perante a situacao da Varig. Como uma filha da decada perdida, preciso confessor que Varig para mim era sinonimo de alegria. Viajar pra fora, e ainda por cima de Varig, era ser feliz sabendo. Eu e minha irma faziamos muito mais planos para as horas que passariamos no aviao, do que para o proprio local de destino. Guardavamos guardanapos, roubavamos cobertores (se eu fosse um pouquinho mais obsessiva acharia que contribui para a ruina da companhia), ficavamos extremamente empolgadas com as refeicoes e admiravamos as aeoromocas.

Varig era sinonimo de felicidade. Era uma marca solida em minha pequena vida. Ateh commercial da Varig eu parava para ver quando era menor. Ai, quando a grana ficou mais curta, nao deixamos de viajar, mas escolhiamos linhas aereas mais “dodgy”, como Aerolineas Argentinas (gulp). Odiavamos a viagem. As aeromocas eram velhas e a comida insuportavel. Nao que a da Varig fosse otima, mas era pelo menos mastigavel. E sempre que voamos, pensavamos que poderia estar bem melhor se fosse com a Varig.

Meu primeiro choque veio recentemente, quando voei pela Swiss Air de Sao Paulo a Zurique. Um ano e meio depois, voei TAM de Paris ao Brasil. Em ambas as ocasioes fiquei estupefata com a alta qualidade dos servicos e das aeronaves. Enquanto isso, ouvia que a Varig, tadinha, soh piorava. Servico pessimo, comida pessima, tudo, tudo pessimo. E me deu um apertaozinho. Como aquele que da quando o nosso brinquedo favorito de infancia perde a graca.

E a punhalada final veio hoje, quando na primeira pagina da Folha Online, leio que mais da metade dos voos programados para hoje, uns 180, foram cancelados. Pobrezinha. E que ha apenas sete aeronaves fazendo voos internacionais. Sete. Nada restou da Varig da minha infancia.

Tuesday, June 20, 2006

acordes em desacordo

Estou querendo ver o jogo da Inglaterra em algum pub. Mas ainda nao decidi se quero ser pisoteada/amassada hoje.

Com esse calor, perdi a fome.

Mas ganhei em ansiedade. Estou pilhada. Perigo, periguissimo.

Eu e Broo vamos dar festa la em casa. Eh a festa do "B". Eh nesse sabado. E no domingo vou no parque de diversao com a Re e a Joo. Eu vou morrer de tao pouco tempo para tanta coisa.

Ontem fui no show da BBC com a Broo. Amamos! Mesmo so entendendo metade!

Em alguns dias meus queridos Rodrigo e Camila, casal dos mais tops da minha vida, estao finalmente trocando aliancas. Aiai. Como eu odeio a distancia e os custos para transpassa-la.

Outro dia eu ouvi na natacao que eh muito bom ver meu lindo sorriso. Aih eu devo ter escancarado os labios de tal maneira que minha boca quase rasgou para sempre. Foi um elogio bem vindo, vindo da pessoa certa.

Estou comendo uma salada de fruta curiosa. A manga tem gosto de limao e o melao tem gosto de nada. E eh essa a salada de fruta. Salada de duas frutas.

Existe um jeito de ficar calma sem ter que tomar Rivotril e morrer de sono? Alo, industria farmaceutica?

Achei UM blueberry na salada de fruta. Piada, nao?

Monday, June 19, 2006

se tudo pode acontecer

Mais uma segunda-feira de muito, muito sono. Mais um fim de semana muito, muito bom se passou.

Apesar de que me rendi aos encantos do Rivotril.

Mas eh que nao deu. Eu estava extremamente ansiosa e, depois de ter ido dormir as 3 da manha na sexta, acordo no sabado as 8. Isso porque estava arrebentada depois de uma semana de pouco sono. Ai acordei, o corpo atropelado mas a cabeca a mil. Nao conseguia dormir. E foi entao que ele, o meu anjo salvador e entorpecente, meu santo padroeiro Rivotril, foi entao que ele mais uma vez me salvou. Dormi, letargica, ateh uma e meia da tarde, quando Bobby ligou para nos encontrarmos. Fui flutuando tomar banho. Flutuando almocei, e flutuando fui ateh o metro para encontra-la. Rumo a Angel.

Andamos, rimos, andamos, tomamos café, rimos, engasgamos e rimos mais. Fomos para sua casa, onde falamos ateh nao aguentarmos mais o som de nossas proprias vozes. Falamos de homens, de casa e filhos, de trabalho, do futuro, de desgracas, de livros, de programas de TV, dos outros. E mais uma vez lembrei que Bobby eh uma das minhas pessoas favoritas. Nao canso de estar com ela.

Fomos dormir la pela meia-noite, porque meu camarada Rivotril ainda estendia seus tentaculos sobre meus olhos que lutavam para permanecer abertos. Mas fui embora e soh acordei na manha seguinte, com Bobbynha ao peh da cama, fazendo de tudo para chamar minha atencao.

Primeiro ela me chamou. Nao funcionou.

Ai ela comecou a cantar musiquinhas. Nao funcionou.

Ai acho que ela perdeu a paciencia e, meio indignada com meu estado letargico, declamou: “Bi, o Bussunda morreu, po!”.

Entao ta, acordei.

Fui para casa depois de mais tagarelice. Um banho, comida, eu ainda flutuava, embora menos. Fui ao jogo entao. O lugar era maior, mas as telas menores. A farra nao foi tanta quanto do outro jogo, mas o jogo foi melhor. Tinha menos brasileiros, mas mais amigos meus que da outra vez. Sempre assim, para equilibrar os sorrisos.

O jogo. Olha, o Brasil foi mais Brasil no segundo tempo, mas ainda deixou a desejar. Eu queria ver uma goleada melhor que a que a Argentina deu na Servia e Montenegro. Nao chegou nem perto. Mas ganhou. Unico time do grupo que ganhou todas as partidas ateh agora. Calma que vai esquentar. Tenho fe!

**

E quando eu digo que perdoo, eu perdoo meeeeesmo. Eu ateh queria ser uma pessoa mais dura em geral, mas o argumento de que soh se vive uma vez sempre vence. Eu fico eterea e maleavel. No bom sentido, claro. Fico leve, leve. E eh assim que estou me sentindo.

Aconteceu. De novo.

E apesar de passar o fim de semana todo flutuando, sai da casa dele com os pes devidamente fincados no chao.

Friday, June 16, 2006

i'm going to Jackson

Ontem eu me dei duas bermudas.

Ontem eu ia encontrar com a Randa em Earlsfield e nao rolou. Acabei indo lavar roupa suja. Sentido figurado.

Ainda nao sei o que vai acontecer. Mal sei o que aconteceu. Ainda preciso de mais alguns dias para digerir e fazer meu veredicto. Foi tudo muito rapido, e tudo o que eh muito rapido fica surreal. Que nem a morte. Que nem o nascimento. Fins e comecos sao sempre surreais. E rapidos.

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Ja estou novamente empolgada para o jogo do Brasil. Nao sei se eh a Copa que tem me deixado ansiosa, mas deus bem sabe que eu dei umas olhadas de soslaio para o meu vidrinho de Rivotril.

E a Argentina ganhando de 6 x 0 da Serbia e Montenegro so nao estragou meu dia porque hoje eh sexta-feira.

Aiai.

Hoje vou nadar. Hoje vou nadar. Hoje vou nadar.

Mas estou tao cansada... mas vou.

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Fim de semana bem Bobbuxo este promete. Te vejo amanha, esposinha! Ai poderemos freak out together, como nos velhos tempos.

Thursday, June 15, 2006

Eu e Lino. Lino e eu.




Esse é o filho que eu ainda não tive.

[Clique na foto para ampliar]

Wednesday, June 14, 2006

dois anos

Isso mesmo. Ha dois anos larguei-me num mundo desconhecido. Deixei familia, amigos, namorado, emprego e esporte por uma tela em branco. Uma nuvem de potenciais trovoes ou de mera dissipacao. Troquei 8 por 80, como de costume. Quase esmoreci, eh verdade, mas acho que fui fraca demais para aceitar o fracasso. Nao voltaria ao Brasil fugida. Quando acontecer, vai ser bonito. Vai ser novamente um 80 por 800.

Sempre em frente. Faz dois anos que tento nao olhar com muito apego para tras. Faz dois anos que chorei compulsivamente e pensei que o mundo nao pudesse ser mais insuportavelmente doloroso. Faz dois anos que acreditei que apenas um milagre me faria ficar nessa terra. Pois ca estou, dois anos inteiros, muita coisa boa e muita, muita coisa ruim tambem. Um milagre.

Eu vi serenidade crescer em mim, mas tambem vi rugas e cabelos brancos. Eu vi a independencia, finalmente, mas vi tambem o medo paralisante do depender apenas de si mesmo.

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Dias meio estressantes. Nada ruim. Estresse bom, do tipo que prova que na veia ha sangue correndo e rapido. Fiquei extremamente ansiosa com o jogo ontem. Extremamente. Ta, digamos que ao jogo somou-se uma irritacao daquelas bem mundanas, que eu odeio confessar que mora em mim. Mora, sim.

A verdade eh que nao me irritei com o fato dele, que nao eh nada meu, agarrar a menina na minha frente. Irritei-me foi com a falta de respeito desde o dia zero. Sim, pela mesma porta em que na manha de sabado deixei sua casa, na mesma tarde entrou outra.

Isso nao teria problema algum, mesmo mesmo, se eu mal o conhecesse. O negocio eh que ele eh meu amigo. Ele faz parte do meu grupo de amigos, convivemos muito juntos. E achei muito descaso. Me senti descartavel, e o problema eh que me levo a serio demais para ser banalizada pelos outros.

Ateh pensei em mandar um email, ou ligar, ou chamar para um papo tete-a-tete mesmo. Mas ai me veio um desanimo. Filminhos repetidos na minha cabeca. Quantas vezes nao tentei desentortar homens? Nao adianta, nao adianta. E, mesmo sendo um cara cuja amizade eu quero preserver acima de qualquer one-night-stands, ainda assim nao sei se vale o esforco de ter de me comunicar, de ter de explicar que isso nao se faz, que eh feio, que eh errado, que doi. Soh de pensar me da preguica. Porque ninguem estah aberto a ser rotulado de filho da puta, mesmo quando mais claramente o eh. Entao eu ja consigo antever horas de DR que nao vao levar a lugar nenhum e soh vao doer mais ainda.

Ontem, durante o jogo do Brasil, ainda tentei quebrar um pouco o gelo que vinha sendo disfarcado com risinhos e piadinhas nervosas de ambas as partes. Mas ele nao aceitou bem. Um a zero para o silencio. Sigamos, entao. Eu eh que nao vim ao mundo para ensinar habilidades sociais.

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Ai, gente, tadinho do Ronaldo.

Com a palavra, Soninha: “Deve ser difícil ser Ronaldo e admitir: “Cansei. Não quero mais”. O mundo inteiro no seu pé, recordes a cair (partidas jogadas, gols marcados), talvez o próprio ego estrilando porque, se não deixou a careira no auge, não pode deixar agora sem provar outra vez que é capaz de se superar e surpreender etc. etc. etc. E aí não dá pra voltar atrás, e é como a tentativa de corrigir uma gafe: a gente vai deixando as coisas cada vez piores.”

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E ai, neam, que minha nova camera digital chegou! Eh uma Nikon fofa fofa, daquelas Nikon-para-amadores mesmo. Estou carregando a bateria, e fico de meia em meia hora conferindo se a luzinha de recharging ja parou de piscar. Enquanto nao rola, entrem no meu flickr clicando na foto do post abaixo! Entrando la tem muitas outras.

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Menos de tres semanas para babai amado vir. Um mes exato para a vinda de minha amada Piu. Pouco mais de dois meses para chegar binha bae. Eh verao e estou sorrindo mais, apesar dos oopsy-daisy da vida. Nao vejo a hora de me sentir em casa.

Monday, June 12, 2006

vem, tchutchuca


9fe6re2
Originally uploaded by Bia Singer.
Essa foi de sexta-feira, na festa do Bruno. Vai vir mais logo mais.

Sunday, June 11, 2006

these are the thoughts

Meu sonho me vem em pedaços desconexos. Em pedaços desconexos, fidedigna que sou, hei de relatá-los.

Fragmento 1: Estava num lugar desconhecido. Precisava escapar sozinha. Eu era a única de todo mundo que conseguia usar um equipamento que me permitia respirar debaixo d’água. Eu era a única, portanto, capaz de mergulhar no escuro de um tanque gigantesco. E havia a possibilidade de um monstro em algum lugar do prédio. E eu ali sozinha, pronta para morrer lutando, a qualquer momento. Quando volto à tona, todo mundo já havia debandado. Ando de maiô na noite fria, sem tempo para ma vestir, já que o monstro ainda estava ali de alguma maneira, e nada o impedia de vir atrás de mim. Até que chegava numa avenida onde carros passavam mas eu não sabia onde iam. Não sabia onde estavam todos daquele grupo que, juntos, deveriam eliminar o monstro. Eu havia sido deixada para trás.

E no aperto mais agudo do desespero, um carro pára. Era minha mãe. Minha mãe veio me buscar. Eu não sabia mais dizer se o desespero era meu ou dela. Eu estava indo embora.

Fragmento 2: O país todo estava obcecado com a Copa e só se pensava em jogo. Não havia mais lugar para assistir. Eu não conhecia aquela cidade, então não sabia onde podia entrar, onde mostrariam o jogo, onde seria *divertido*. O jogo já havia começado quando, aos prantos, consegui achar um lugar. Mas não consigo me lembrar qual.

Fragmento 3: Eu era alvo de piedade. Meu pai morrera. Fazia dois dias. Todos distantemente condescendentes. Eu precisava que alguém tirasse de mim um pouco da tristeza desesperada, da agonia mais afiada da minha vida. Mas quanto mais eu tentava fazer as pessoas entenderem o que acontecera, mais eu me distanciava de todas elas. Todas elas tinham pai. Todas emanavam um afeto que não durava nem um segundo, e a dor, céus, a dor. Como era forte. Como era desamparadora. Eu estava sozinha. Porque todas as outras pessoas, cada uma estava sem tempo para sentir minha dor por mim e me aliviar um pouco. Todos estavam preocupados em sanar suas grandes e pequenas dores. Eu me sentia jogada na sarjeta, pronta para morrer.

Friday, June 09, 2006

agua que canarinho bebe

Esse negocio de Copa estah realmente me pegando. Acho que por estar longe do Brasil fico ainda mais nacionalista. Eu e os bebados. Ja perceberam como todo bebado eh nacionalista?

Hoje vou assistir ao kick-off da Copa num pub aa beira do Tamisa, com amigos, aproveitando o sol que soh vai cair depois das 22h. Todos merecemos, apos um inverno escuro e frio.

Amanha devo arranjar alguem para curtir o jogo da Inglaterra junto. Porque essa historia de ver jogo sozinha eh que nem ganhar na loto quando o mundo acabar.

**

Querem saber como foi a competicao, neam?

Com a palavra Derek, um de meus coleguinhas de bracadas:

On 7th June the South London Swimming Club celebrated the centenary of their home, the Tooting Lido, with an invitation fun relay event to which Wandsworth SC sent two Master's teams. The Lido, at 100 yards long, the largest fresh water pool in England proved a daunting and extremely chilly task for all the participants.

The Wandsworth 'A' team of Karen Mitchell, Beatriz Singer, Will Reader and Derek Sansom, comfortably beat their team mates in the first event, the 4x100 yards medley relay. This first dip into the water brought it home to the swimmers just how cold and unheated outdoor pool in the middle on Tooting Bec Common could be. Not to be put off, however, the teams lined up again 15 minutes later for the 16x1 length freestyle relay.

The most difficult task facing the teams on this occasion was that of swimming in a straight line - no mean feat in a pool with around 30 other teams and no markings to help guide them. The Wandsworth 'B' team of Dion Harrison, Liz Stoyel, Vicki Booth and Mark McNerney were looking for revenge and all appeared to be going well with both teams neck and neck until the 9 th leg when 'B' team swimmer Vicki Booth went AWOL. Enjoying the sunshine and the conversation of a young man at the side of the pool meant her team lost the advantage and despite her Herculean efforts to pull back the gap this gave the 'A' team an unassailable advantage, brought home by Beatriz, with the comment "Oh, so are we all finished, then?"


Foi isso mesmo. A competicao terminou e eu nao percebi. Achei que ainda tinha gente para nadar o revezamento. Fiquei toda confusa. Haha.

Derek esqueceu de mencionar, felizmente, o triste evento de eu perdendo meus oculos. Ele foi parar no queixo. Tive que parar *no meio* da competicao para ajeitar a barbeiragem. Um colega que me esperava do outro lado da piscina achou que eu tivesse batido a cabeca no fundo. Essa *ainda* nao aconteceu comigo. Que mais? Fiquei com uma falta de ar do cao porque a agua estava muito fria e nao deu tempo de aquecer. Tem fotos? Teeeem. Tem video? Teeeeem. Eu mostro assim que a Broo baixar no computador.

Alias, Broo se revela cada dia mais minha roadie. Uma fofa, isso sim. Fofa com F maiusculo.

Wednesday, June 07, 2006

If you don’t have a date – celebrate

Desculpem-me todos os que voltam religiosamente todo santo dia ao meu blog em busca de minhas palavras divertidas. Esses dias rolou muito, muito trabalho e nenhuma, nenhuma inspiracao em consequencia. Agora melhorou um pouco.

Eh que a Randa, que trabalhava aqui do meu lado, saiu. Foi trabalhar no Evening Standard. Bem legal, coisa e tal. Soh que o trabalho que ela deixou pela metade caiu para cima de quem? Sim, sim. Por que? Porque sim.

E, sejamos francos e diretos, a menina fez tudo errado. Tudo nas coxas, tudo esquisito. Mas agora ja foi e ja ganhei controle da situacao. E, claro, novamente nao reclamo. Ficar sem trabalho eh bem mais chato que ficar atolada. Eu acho.

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Fim de semana foi um dos tops do ano. Sexta fui nadar depois de 10 dias parada por causa da gripe. Me surpreendi com o fato de ter nadado bem, ter feito bons tempos, apesar de ter quase vomitado.

Broo foi para Bristol para o fim de semana, entao fiquei home alone. Sabado eu tambem me mandei cediho: fui para Cambrisge, conhecer a cidade de que todos falam tao bem e ver a Karlinha, uma amiga da minha irma muito, muito fofa. Fizemos tudo o que tinha que ser feito por la: punting, catedrais, mirantes, visitas a campi de faculdade, passeios a esmo, ateh que acabamos num festival meio hype meio hippie. Me senti num Woodstock da era eletronica. Montes de gente estranha. Divertidissimo. Eu era tao normal ali que fiquei estranhissima.

Voltei para casa feliz e queimada de sol. Muito calor.

Domingo fiz uma faxina geral na casa. Estava precisando. Depois encontrei o pessoal de sempre do frisbee no Hyde Park. De la fomos para o quase-de-sempre Wagamama. Soh fui chegar em casa as 23h. Tarde para um domingo. Estava ansiosa para dormir logo, mas feliz.

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Hoje tenho competicao. Numa Lido em Tooting Bec. Inclusive eh a maior piscina da Europa. 90m x 33m.



Estranho, neh? Pois vamos ver. A piscina nao eh aquecida. Vai ser lindo. Caimbras e tal. Lindo lindo. Looking forward to.

Mas, falando serio, se nao tivesse revezamento, nao sei se iria, porque os dez dias afastada das aguas fez diferenca no meu pulmaozinho escarrento.

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Ganhei mais tickets da BBC para ser plateia das gravacoes. Desta vez eh para o programa de Sir David Frost, na BBC Radio 4. Ele discute politica e atualidades com convidados. Se ele fizer a parte dele, prometo fazer a minha – nao dormir.

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Hoje ateh canga eu trouxe para o trabalho para deitar no parque na hora do almoco. Os dias estao liiiiindos.

Vou agora, ja, comprar uma saladinha e deitar e ler e talvez ateh dormir, porque nao posso com tanto sono. E o sol brilha. Muito, muito a se comemorar.

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Lendo, no momento, Bricklane e Abismos do Coracao. Lindos. Ambos. O primeiro nao da para parar de ler. O segundo eh inspirador, quase tanto quanto Clarice. Leiamos todos. Esbaldemo-nos. Eu queria muito que todas as pessoas conseguissem sentir o prazer que sinto quando estou diante de um livro. Porque ai eu ficaria ainda mais motivada a terminar de escrever os meus.

Falando nisso, sim, estah em andamento. Muito andamento. Tres deles. Tomara que eu pegue no tranco.

Monday, May 29, 2006

one way or another

Aqui é feriado. Não que seja uma data especial. Aqui não tem muito disso. Temos o natal, reveillon, páscoa e dia do trabalho. O resto é só feriado bancáriom, simetricamente disposto para coincidir com sei lá o que do ano financeiro. Tudo matematicamente calculado para o ócio coincidir com o fechar-para-balanço.

Londres em si continua igual. Estamos na porta de junho, batendo e pedindo sol, um tequinho, e ele até aparece, mas só um tequinho mesmo. Birrento. Hoje foi assim o dia todo. Chuva, sol, chuva, sol e, claro, chuva. Para fechar com chave de ouro – o dia e a minha garganta, que, naturalmente, piorou.

Meio melancólico, esse foi o dia. Acordei tarde demais, levantei cedo demais. Gastei horas que não voltam em programas que não ficam. Vi TV, li meu livro. Vi mais TV e li mais meu livro. Não me agüentei mais e saí. Fui a Putney Heath, um parque meio bosque delicioso perto de casa. Andamos, Broo e eu, sambando em barro e tirando e pondo capuz. Tá, foi divertido. Não quero enrabujar. Mas minha garganta começou a piorar, claro, com vento chuva sol chuva vento sol chuva chuva chuva. Vento. Fomos ao Asda e compramos tudo o que não precisávamos. Voltamos. Assistimos a Elizabethtown, com minha sósia (alias não estou lá tão convencida de que sermos parecidas é bom; os dentes dela – falo da Kirsten Dunst – são péssimos) e cá estou, past ten, escrevendo e ouvindo One Way or Another, uma das mais ouvidas ultimamente PORQUE ESTÁ FAZENDO SENTIDO. Sim, está.

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O fim de semana foi bom apesar do resfriado estranho; chamá-lo-ei pomposamente de “gripe do amante perfeito”: vem e vai, vem e vai, e ataca as mais inesperadas partes do meu corpo.

Mas sou incapaz de lembrar tudo.

Teve festa sábado, teve cinema no domingo, e depois mais festa no domingo. E muitas e merecidas horas de sono. E almocinho fora e passeio à beira-rio. Foi todo bom, apesar de eu não ter estado toda boa. Não sei o que tenho. Faz uma semana que não vou nadar por causa do maldito resfriado. Mas resolvi comigo mesma que amanhã vou, doente ou não. Era assim que eu fazia no Brasil e, se bem lembro, funcionava. Ignorava a gripe e ia nadar, mesmo que toscamente, como se nada houvesse de errado. Comigo gripe é assim: eu dou atenção e ela fica mimada. Não pode.

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Agora é oficial: me deu vontade de mudar o mundo. Alguém tem algum conselho para me dar? Não quero saber daqueles conselhos de livro de auto-ajuda, do tipo mude-você-primeiro, ou que deus é quem muda e eu tenho que ficar na minha.

Sério, I’m talking about a revolution. Talvez tenha sido - oh, como sou infantil - V de Vendetta que me inspirou – filmaço, não percam. Mas a vontade surgiu antes disso na verdade. Tenho deixado em banho-maria faz algumas semanas. Mas é um tsunami em formação. The tables starting to turn. Será? Ah, já aconteceu antes. E foi mero fogo de palha. Mas pode ser que dessa vez o fogo suba mais. Quem é que vai julgar? Nem eu, nem você. Mas eu vou tentar. Porque eu mereço a mera tentativa. E eu mereço também considerar o fracasso como uma doce e pequena vitória interna. uma vitoriazinha que talvez so eu veja, mas que me tira da cama toda manhã. E ela nem é tão grande, nem tão forte, mas mantém longe de mim um dos meus maiores fantasmas: a resignação.

Friday, May 26, 2006

vamos ver se da certo...

Inspirada num desses comentarios ultraingleses que me soltaram hoje no trabalho, eis que crio um novo blog, sem a menor pretensao, meus queridos. Leiam hoje porque amanha pode ser que eu apague.

cuddly mood

Marina Lima ou Adriana Calcanhotto voces ja sabem: eh confusao. Elas nao saem da minha cabeca. Eh um tal de solidao com vista pro mar e o leao que sempre cavalguei. Estou de novo no meio do caminho entre flutuar e ficar no chao. Na eternal iminencia. E ando desesperadamente para algum lugar que ainda nao descobri, e soh vou descobrir se realmente existe quando acha-lo.

Tive um sonho lindo essa noite. Lindo e triste. Eu estava feliz no sonho, mas devo ter chorado no travesseiro. Era todo despedida e descoberta. Descoberta de sentimento, despedida de pessoas, e essa combinacao sendo lindamente insuportavel. Descobrindo-me encantada por quem eu iria deixar e ja sabia.

So um sonho, so um sonho afinal.

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Ainda estou um pouco doente (ou muito doente, para quem nao me deu a atencao devida!), mas vim trabalhar. Estou melhor, claro. Gracas aa minha forca de vontade ja que NINGUEM ME MIMA NESSE PAIS.

Mas foda-se. Quem precisa de mimo? Eu que nao. Minhas vitaminas Boots® sao mais que suficientes para uma recuperacao rapida. Estao ouvindo?

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Afora minha tentativa de emanar e absorver AMOR, todo o tempo, toda a hora, para com todos, estou tranquila. Vida nos eixos. Ainda sentindo falta de, sei la, pelo menos uns tres abracos diarios. Sou uma abracadora compulsiva e tinha essa compulsao mais que satisfeita quando morava no Brasil. Agora nao, ne? As vezes vou ateh o banheiro e me abraco, mas nao eh a mesma coisa. Ta, mentira, claro que nao me abraco. Mas eh que estou com medo de virar aquela ostra que ja fui um dia.

Eh isso. Pessoas que leem meu blog e que sao daqui, entendam: eu nao vos conheco bem, mas vou abraca-las. Voces vao achar estranho, eu vou perceber, mas vou ignorar. Abracem de volta.

Tuesday, May 23, 2006

classico

Esse eh um classico da net. To toda youtubada ultimamente.

silencio em movimento

Preciso me acostumar com a ideia do tempo passando rapido. Ou simplesmente do tempo passando. Ate pouco tempo atras eu achava que a passagem do tempo nao existia. Que os acontecimentos eram quadros estaticos sucessivos, algo assim meio cinema antes da era digital.

Ai, recentemente, comecei a sentir as coisas todas se mexendo continuamente, nao ha estaticidade, tudo mexendo ao mesmo tempo e, com isso, a sensacao aguda do tempo passando mais rapido que antes. Virei digital, acho.

Enfim, tive um otimo fim de semana que, naturalmente, passou rapido demais. Na sexta-feira fui nadar e assegurei ao meu tecnico, contra minha vontade, que competiria no domingo. Sabado Broo e eu fomos no cabeleireiro aparar as madeixas. Gostei. Dai fui ver hoteis em South Kensington pro babai. Mais tarde, depois de uma tarde preguicosa, fomos para a festa do Lalo. Uma delicia. Pessoas legais, comida boa, clima otimo, sensacional. Estou cada vez mais surpresa com minha capacidade de me divertir (serah por causa do tempo em movimento?).

E eu e Broo fizemos as contas e ficamos oito horas na casa do Lalo. Oito horas! Pareceu menos. O tempo, o tempo.

Ai domingo nao teve jeito. Acordei com dor de cabeca, mas acordei. Fui competir, ne? Nao teve jeito. A primeira prova foi linda. Revezamento 4x50m medley. Eu fechei a prova nadando 50m livre. Estavamos em Segundo quando larguei e chegamos em primeiro! Fiquei toda bochechas risonhas, claro. Mas dai para frente foi bem mediocre. Nadei 50m costas soh para dar quorum. Nadei 50m livre como o meu nariz. Fechei com o 4x50m livre parecendo uma alga marinha. A cabeca explodindo, mas acabou, acabou, e nem foi tao ruim assim. Muito pelo contrario.

Depois teve churrasco com todos os competidores. Churrasco de ingles, que se resume a hamburguer e linguica. Mas nao era a comida que importava afinal, e sim os comentes.

Aiai.

E ai o domingo, como qualquer domingo, voou. Henrique e Daniel vieram em casa ver um filme que nao conseguiu se sobrepor ao meu sono. Foi o fim de um fim de semana bom.

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Tive uma experiencia. Nao eh uma experiencia qualquer. Uma experiencia realmente especial. Um velhinho que quase caiu na guia perto de casa. Socorri. Levei-o para casa e percebi nos olhos dele o brilho do meu avo. Depois chorei.

Thursday, May 18, 2006

I need to burn to be alive

Estou emocionada. Participei do primeiro fire drill da minha vida. Um daqueles em que o alarme de incendio soa e todo mundo sai correndo. Estou emocionada.

Claro que nada aconteceu, sei la porque ingles tem tanta mania de fogo, mas enfim. Toca nao sei quantas centenas de funcionarios descer e se dirigir ao Assembly Point que se revelou apenas um espaco indefinido na calcada. Meu chefe estah convencido de que tudo isso foi porque na reuniao sobre o fim do meu probation period, comentamos que eu nao tinha tido uma health & safety induction, e ele mencionou que eu precisaria disso no relatorio ao RH.

Mas meu chefe eh meio fora da casinha, entao eu concordei e nao falei mais nada. Meu chefe dorme toda segunda-feira a tarde, fingindo que olha a tela do computador que, ha muito, ja estah desligada de tanto tempo que ficou sem ser mexida.

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Nao creio que ja estah no fim de uma quinta-feira. O fim de semana deve ser animado novamente. Acho que o sol estah me fazendo bem. Amanha a noite devo ir ao cinema com meu ex-flatmate, bom e velho conhecido dos meus leitores, Mr Australia. Nao, nao. Nao eh o que voces estao pensando. Passado eh passado. Morto e enterrado.

Sabado vou cortar o cabelo de manha, depois vou rodar South Kensington atras de hotel para babai, e depois tenho churrasco/festa na casa do Lalo. Domingo nado e depois tem churrasco com meus colegas deveras gostosos da equipe de natacao. Perdoem meu frances, mas o que sao aquelas coxas? Cada homem, cada homem. Um desperdicio todos de sunguinha nadando ao meu lado. Um verdadeiro desperdicio, minha gente! Quem me conhece sabe do que estou falando. Ah, sabe! Odeio jogar comida fora (hahahahaha).

Voltando: domingo. Vou nesse churrasco e, se nao estiver bom como deveria, vou encontrar o pessoal de sempre, no lugar de sempre. Mas gosto do domingo assim: aberto. Thousands of roads diverging. Sou uma diverter classica de qualquer maneira. Vou voltar aqui dizendo que nada do que tava programado aconteceu. Ou, se aconteceu, com certeza foi diferente do que eu esperava.

Tomara.

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Olha, eu to fazendo forca. Estou mesmo. Dentro de mim, eu digo. Porque soh dentro de mim eh possivel fazer esse tipo de forca. Mas eu vou continuar tentando. Uma hora acontece – uma hora eu me apaixono.

Tuesday, May 16, 2006

steady, steady - steady going nowhere

Nao da para dizer que ta tudo bem. Nada mudou aqui. Acordo, vou trabalhar, volto, vou nadar, durmo. Mas a angustia de saber que minha cidade estah completamente vulneravel e indefesa, aquele monstro que eh Sao Paulo, que se revelou um ratinho com sombra de dragao, essa angustia nao me deixa enquanto sigo minha rotina.

Gente, o que ta acontecendo? Minha irma levou horas e horas para ir de Perdizes ao Itaim Bibi. Nem sei quantas horas, ja que pedi para ela ligar quando chegasse em casa e quando ela ligou eu ja estava bebada de sono. Fico feliz de saber que todos estao bem, mas triste de nao poder tira-los dessa cidade. A vontade que eu tenho eh de mete-los num aviao com passagem soh de ida. Fodam-se se nao querem – vao vir aa forca. Eh a vontade. Mas nao eh tao simples.

Alias, nada simples.

Mas nao vou comecar. O dia ja entrou meio errado. O onibus demorou uma eternidade. Tive vontade de recitar Frost ao motorista: “Two roads diverged in a wood and I – I took the one less travelled by, and that has made all the difference”. For fuck sake, levei mais de uma hora hoje para chegar no trabalho porque o onibus imbecil me resolve acabar antes do ponto final.

Mas vai parar por aqui. Hoje eh niver da Broo e ela merece um dia otimo do comeco ao fim. Nao eh facil, mas vai ter que ser, ja diria meu superego.

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Olha, a natacao soh tem melhorado. Ateh treinos de explosao eu tenho curtido. Proximo domingo tem uma mini-competicao entre Nos (Wandsworth Swimming Club), Otter Swimming Club e St Paul’s School Swimming Team. Claro que ja avisei que estarei na arquibancada. Nao quero competir. Ainda nao estou em forma para isso. Alem do mais, eh soh prova curta, maximo de 100m. Nao, ne? Um acinte para quem, como eu, quer nadar pelo menos 1,000m.

Mas vou e depois vai ter um churrasco do pessoal e eu vou, porque se enturmar eh preciso, ja dizia meu alter-ego.

O fim de semana tambem promete outras espuletagens ja que eh aniversario de metade da comunidade brasileira em Londres. Acho que no sabado, no churrasco na casa do Lalo, vao ser comemorados uns quarto aniversarios ao mesmo tempo. Inclusive o da Broo.

E sabado, tambem, Broo e eu vamos cortar as madeixas. Sim, as madeixas. Ja era tempo.

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Mandem noticias? Mas boas, ta? Por favor.

Thursday, May 11, 2006

testando!

Alem do YouTube, agora tambem sou Flickr.



No Wandsworth Swimming Club semana passada.

Wednesday, May 10, 2006

armisticio

Esse negocio de YouTube.com eh demais. Demais.

Como Linux, como Skype, como blogger, mais uma mostra de que, apesar de ter sido criado pelo capitalismo, ha coisas maravilhosas sem fins lucrativos. Uma prova de que ha caminhos alternatives partindo do capitalismo, e que ha boas intencoes, simples como boas intencoes. Intencoes genuinas de fazer tudo mais acessivel e facil num mundo que depende de tecnologia.

Pronto. Passou meu momento filosofico. Logo volta, adoro falar disso.

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Hoje estah calor. Passei meu lunch break no parquet, comendo uma saladinha de frango e lendo o livro do Jabor, Amor eh Prosa, Sexo eh Poesia. Eu nao gosto do Jabor. Lendo o livro dele, gosto menos ainda. Os grandes textos do Jabor foram aqueles que rodaram a internet assinados por ele, mas que ele veio a publico dizer que nao escreveu. Ele eh repetitivo. Tem meia duzia de ideias ha 40 anos, e continua falando a mesma coisa, de formas diferentes, e as vezes nem tao diferentes assim. O livro que leio eh de cronicas, e fica claro como ele eh limitado de criatividade. Sempre repetindo frasezinhas de efeito como “namoro de celebridade dura duas edicoes de Caras”. Vira e mexe ele solta essa. Ele deve ter gostado mesmo.

Acho-o chucro, preso ao passado, descontente com o presente. Um daqueles odiaveis saudosistas do Rio dos anos 40, 50, 60. Quaisquer anos desde que nao sejam os de hoje. Nao suporto. Acho que falta vida numa pessoa que vive de vangloriar o passado. Falta entender que o tempo passa, e que nos anos 60 se reclamava porque as coisas nao eram mais como nos anos 20, e assim por diante. Claro que nao sao os mesmos anos. Gracas a Deus! Nao deve haver pior sensacao que a de estar preso no tempo, sem evoluir, sem descobrir, sem conhecer, sem acrescentar.

Desculpa, Jabor, mas eu ja ate achava chato. Agora, alem de chato, eh limitado.

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E como podem ver, continuo nos meus momentos. Acho que nao eh um bom dia para falar do quanto estou com saudade de todos, principalmente da minha familia, que nao passa um dia sequer sem mandar um email, um telefonema ou aparecer no chat. Voces sabem que tenho andado cabisbaixa e que preciso de carinho neste momento. Voces sabem mais que ninguem. E voces nao me decepcionaram. Me senti incrivelmente acolhida e amada mesmo a milhares de milhas de todos. Logo mais estaremos juntos. Eu e todos voces. Logo mais.

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Conversa no telefone com a minha irma anteontem:

- Ah, Bi, fica bem… Lembra sempre que eu te amo!
- Eu sei, minha linda, *hip!* eu tambem.
- Ai, voce ta chorandinho, eh?
- Nao, nao, to arrotandinho.

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Sexta-feira vou ter a famigerada reuniao com meu chefe, onde vamos discutir minha performance na empresa e decidir se viro funcionaria permanente. Ateh hoje, estava no que aqui se chama “probationary period”, em que tanto a empresa quanto voce podem demitir/se demitir com apenas duas semanas de aviso previo. Virando permanente, o aviso previo sobe para dois meses. Voce ganha uma serie de regalias, como bonus ao final do ano, entre outras cositas mas. Vamos ver, vamos ver.

Tuesday, May 09, 2006

I bet you look good on the dancefloor

Na casa nova, jantar com Mr Australia, Mr Suecia e o amigo mala (o Pirulao).



Eu sei que nao da pra ver muito, mas eh o que eh. Eu sou essa em cima do sofa, chamando a amiguinha de "vaca" as usual.

Monday, May 08, 2006

xaprala

Hormonios mais no lugar, mas ainda assim tudo gira mais rapido que a Terra. Fica dificil manter o equilibrio. Sexta faltei no trabalho por causa de uma enxaqueca daquelas. Me senti meio culpada, mas nao conseguia pensar em por o nariz fora de casa, mesmo depois que o remedio comecou a fazer efeito. A noite eu estava bem melhor e resolve nadar. Foi uma delicia. Estava nadando bem, com energia e tal. Mas ai domingo foi o contrario, talvez porque sabado comi muito mal (ou melhor, nao comi). Muitos tiros de borboleta e meu ombro se pronunciou. Fazer o que? Hoje vou nadar de novo.

E agora fiquei irritada porque tinha escrito muito mais e tudo o que essa merda de Word salvou quando meu computador RESOLVEU DESLIGAR foi o paragrafo acima. Como nao sou otaria, fica aqui minha revolta. Tinha escrito um monte de coisas. Agora ja foi. Amanha talvez.

Wednesday, May 03, 2006

Sim, eu sei

Mas tambem o que voces queriam? Estou trabalhando mooooito e quando chego em casa nao tenho saco para ficar na frente do computador, mesmo agora sendo quem sou: uma menina com broadband wi-fi em casa.

A verdade eh que tenho sono. Muito sono. Nao eh a natacao, antes que me falem que meu hobby atrapalha minha vida. Porque todo hobby parece atrapalhar para quem ve de fora. Acho que eh hormonal mesmo. Emendei uma cartela de pilula na outra quando fui pra Sardenha, e agora vem o resultado. Nao vou dizer que eh uma soma perfeita, mas que acumulou, acumulou. Anyhow, to tentando ignorar. Ontem fui nadar. Getting better and better. Meu desafio agora eh baixar dos 3min nos 200m livre. Lastima! Que meu ex-tecnico nao esteja lendo. Mas preciso recomecar de algum lugar.

*

Estou ouvindo Fiona Apple obsessivamente. De novo. Nao paro de ouvir o novo CD, que acaba de chegar da Indonesia pelo correio. Ebay rules.

*

O date de quinta-feira foi com o nosso amigo filhodaputa numero 347. Aquele cuja namorada estah gravida. Pus meu plano em acao: instiguei, instiguei, e agora pulei fora. Ele que resolva a vida dele. Eu nao quero mais homem comprometido, casado, quase-casado. Nunca quis. Eles eh que apareciam na minha frente que nem semaforo vermelho.

*
Que mais? Ah, varias coisas. Andei triste. Mas andei. Nunca mais parei pore star triste.

Mas aqui estou, mesmo que soh para drop a line para espiritos mais inquietos. Estou bem e com saude. Talvez poderia estar melhor. Mas deve ser hormonal, eh, deve ser hormonal.

Mas tambem ha razoes concretas, que eu sei. Merda de sensibilidade.

Tuesday, April 25, 2006

tudo azul

Dias melhores estao vindo. Ja eh quase desnecessario carregar um casaco, a nao ser pelos extremos do dia. Londres estah virando a cidade que eu amo e que nasce em fim de abril e morre em fim de outubro.

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A natacao estah aos poucos ficando importante. Meus tempos nos 400m livre baixam a cada treino e ontem ousei exibir meus ainda tortos 400m medley. Esse vai ter que esperar mais um pouco. Vexaminho. Mas estou bem feliz. Meu tecnico eh um fofo. Vive me dando “well dones” e dizendo que estou no lugar certo, na hora certa. Eu acredito, ateh.

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Esse fim de semana foi todo bom, em sua calma e promessa. Aniversario de uma amiguinha nova em Wimbledon, trabalho na academia no sabado, encontro com o Chris que me fez mais uma vez entender o porque de ele ser ex e nao atual, natacao no domingo, cinema frances e amigos no Tinto Coffee, pertinho de casa.

Fim de semana que vem eh feriado de novo. Estamos tramando Inverness. Estah meio em cima. Vamos ver se rola.

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Eu reclamei e agora estou tomando. Estou com tres projetos sobre os ombros, os tres precisando de uma acao relativamente urgente. Estou feito uma barata tonta para la e para ca. Nem reclamo. Ontem achei que fossem 3pm. Fui conferir e eram 4.30pm.

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Estou toda tecnologicada em casa ja. Telefone unlimited, broadband wi-fi e TV digital com uns 30 canais. Viu, me adicionem no Skype. Nao lembro meu username mas procurem la que deve ser facil me achar.

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Os dois encontros de sexta foram bons. No primeiro, em que servi de interprete, foi bem tranquilo. Na verdade nao precisei fazer muito. Acho que era mais para dar seguranca aos presidentes da associacao, que ateh falavam um pouco de ingles. Alem disso, eles sao uns amores, e me pagaram bem.

O segundo encontro foi mais de gente grande mesmo. A mulher com quem tinhamos que nos reunir era meio bruxa travestida de princesa, sabe? Sei la. Nao gostei do olhar dela. E morri de vergonha porque ela me perguntou algo e eu nem me liguei que ela falava comigo porque estava prestando atencao na mocinha que servia café. E tambem morri de vergonha quando eu disse que “I don’t have a car” quando na verdade ela perguntou “do you have a card?”

Coisas de Bibinha.

Mas foi bom. No final, fiz minha apresentacao exatamente como queria fazer, fui muito bem entendida e tive minhas perguntas todas respondidas. Bom.

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Last but not least, tenho um date na quinta-feira. Nao perguntem ateh que aconteca. Please.

Thursday, April 20, 2006

post-Easter blues

Voltei. Muito, muito, MUITO trabalho. Reclamei, tomei. Muito mesmo. E muita tensao tambem, ja que a amanha tenho uma reuniao, dessas de gente grande, nos headquarters da Grant Thornton UK. Meda, panica, horrora, desespera, socorra, salve salve. Vai ser lindo. Ontem tive uma reuniao com meu chefe sobre o que vai ser discutido na reuniao. Fiz anotacoes e tal. Ainda assim nao sei, nao. Acho que vou boiar. E vai ter um monte de gente na reuniao. E eu vou ter que falar para esse monte de gente sobre algo que eu nao entendo e eles entendem e muito. Vai ser bonito. Vai ser legal. Vai ser quase magico.

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Sobre a Sardenha, que eh onde busco refugio nos meus pensamentos para nao panicar com a reuniao, soh tenho boas lembrancas. Recomendo a viagem a qualquer um que aprecie belezas naturais. Praias lindas, montanhas lindas, cavernas, canyons, rios. Tudo em uma soh ilha.

O apartamento ajudou. De frente para o mar, vimos o entardecer mais lindo da historia, e vimos golfinhos tambem, que paravam o tempo para saltar.

Nao tenho muito como contar e descrever. Tem que ir la ver. Mas ainda assim, bem resumidamente, vou tentar contar:

DAY 1
Chegamos no aeroporto, dia de sol mas nao muito calor. Alugamos um carro e fomos direto para a costa. Conhecemos San Teodoro, parte da Costa Smeralda. O nome entrega. Eu tambem me entreguei. Fiz forca com os olhos, forca mesmo, para marcar aquela cor de mar para sempre na minha retina. Almocamos frutos do mar e seguimos para Cala Gonone, nosso cantinho no paraiso. Chegamos, demoramos um tempo para achar a casa mas achamos. De frente para o mar. Eu nao acreditava. Fui passear com Broo no porto, reconhecimento de area mesmo. Descobrimos que as pessoas que levam aquela vida nao poderiam levar nenhuma outra porque morreriam de desgosto.

DAY 2
Dia de acordar cedo e alugar um barco. Acordamos as 8h para estarmos as 9h no porto. O barco era bem pequeno, mas demos aquela cafofada. Fizemos toda a Costa Orosei e nadamos em piscinas travestidas de mares, tao clara a agua. E fria. Muito fria. Fria de dar falta de ar e deixar o musculo bobo. Fria de dar medo de ir e nao voltar, porque tudo endurece. Morri de frio na praia mais bonita do mediterraneo, uma das mais bonitas do mundo: Cala Gonoritze, acho. Ou algo assim. Foi o dia inteiro assim. De praia em praia, uma mais linda e virgem que a outra. Visitamos uma caverna, Bue Marino, e eu me perguntei como alguem pode nao achar cavernas e estalactites e estalagnites dos lugares mais sensuais. Tudo eh falico e ao mesmo tempo confortavel. Cheia de ecos e misterios e minigrutas e nomes estranhos como “couve-flor” dadas aas formacoes. Vimos tambem um casal praticando nudismo descarado numa praia que nem era de nudismo e me deu ateh uma certa invejinha de nao pertencer a esse mundo mais puro e desencanado. De noite fomos ao unico barzinho “cool” da vila, onde nosso amigo Mr Suecia ficou bebado como sempre e, como sempre, arranjou confusao. Nem foi culpa dele, mas como bebado ele fica insuportavel, acabou pagando um preco por algo que nem comprou: insistiu em ficar mais no bar, sozinho,e as 4 da manha chega em casa gritando, chorando e sangrando. Foi espancado por uns capangas do dono do bar, que jurava que Mr Suecia tinha dado um calote de, sei la;, 5 cervejas. Acordei com os gritos, fiquei ansiosa, nao sei direito, me descontrolei. Ataque de panico. Mas bobagem. Bobagem. Nem precisam se preocupar. Passou. Eu nem chorei.

DAY 3
Contrariando todas as preces, o dia amanheceu nublado. Nao um numblado ruim. Tinha um mormacinho la e ca. Tentamos. Fomos para Cala Osala e Cala Canoe, tentar pegar um solzinho. Eu acabei com meu agasalho de nailon, de capuz e tudo. Achamos que nao seria mais uma boa. Voltamos para casa, meio sem saber o que seria daquele dia. No final das contas, resolvemos sair. Tinhamos combinado que nao iriamos mais numa festa em Olbia, que fica a desnecessarios 150km de onde estavamos e eh a capital local. Mas sairiamos para jantar for sure. Qual nao foi nossa (minha, da Broo e do Ma) surpresa quando percebemos que os meninos (Mr Australia, Mr Suecia e kangaroo) estavam na verdade dirigindo ateh a maldita festa! Nos fazendo de trouxa, no minimo. Nos nao queriamos ir na festa e estavamos sendo arrastados. A partir dai rolou uma cisao no grupo que jamais voltaria a unir. Brigamos. Nos viramos os sharks; eles, os tigers. Eramos um perfeito No Limite aa italiana. E, na boa, os sharks ganharam disparado. Mas calma. Deixamos os meninos na maldita festa e toca dirigir mais duas horas de volta para Cala Gonone. O indio em seu melhor programa.

DAY 4
Acordamos cedo, nos tres. Os tigers, claro, ainda estavam sabe deus onde. Pegamos o carro, tomamos café num boteco qualquer, so nao digo que tomei um pingado porque estavamos na Italia. Tomei um macchiato. Dois, na verdade. Fomos direto para o rio, destino: caiaque. Nao rolou. Todos os caiaques estavam alugados e meu sonho de remar pelas calmas aguas do rio que ziguezagueia montanhas, afundou. Mas nao deixamos por isso, nao. Caminhamos ateh o rio e mergulhamos. E nadamos. E foi bom. A agua estava bem mais quente que a do mar. Eu achei que estaria mais fria, por causa da sombra das montanhas. Me enganei. Nadamos e tomamos sol no pier, e o Ma quebrou a haste do meu oculos escuro quando tentava agarrar um calanguinho. De la fomos para a praia, porque merecemos. E da praia para outra gruta, Ispigninola (ou algo do genero), que tem a maior estalactite da Europa, segunda do mundo. Cinquenta metros para baixo, fomos. Gente morreu la em excavacoes. Eu achei lindo e descobri que italiano eh uma lingua muito facil, muito mais facil que frances. Depois passeamos por uns Canyons perto de Tiscali, fomos parando aqui e ali. Onde um dos tres gritasse para, paravamos os tres. Uma delicia. Passeamos no centro de Dorgali, uma coisa fofa de cidade, dessas que soh existem pintadas em quadros. O dia perfeito. Chegamos em casa soh depois do jantar. E nada dos tigers. Comecei a ficar preocupada. Mas ainda assim fui para cama e dormi na hora

DAY 5
Tigers voltaram para casa. Parece que chegaram depois das 11 da noite apos 18km de caminhada e um dia inteiro tentando achar onibus para voltar para Cala Gonone em domingo de pascoa. Mas hoje seria o ultimo dia que teriamos para passear. Eles estavam acabados, perderam entao mais um dia. Eu e os outros sharks estavamos com a macaca. Pegamos o carro e saimos para aproveitar o ultimo dia. Fomos a um sitio que tem uma tumba milenar. Fomos para cima e para baixo em cidadezinhas. Fomos para uma vila nuralgica que acabamos nao entrando. Fomos almocar num restaurante de comida tipica sarda. O dia estava cinza, feio, mas estava lindo. Era nosso ultimo dia, afinal. Chegamos em casa e os meninos ainda nao tinham saido de casa. Eram 7 da noite. Mr Suecia mancava. Andou 18km com sapatinho de balada. Segurei o riso, porque deve ter sido foda. Merecido, mas foda. Passei a noite fazendo Sudoku e outros quebra-cabecas japoneses legais com Broo. Os tigers estao tentando se aproximar, mas nao estah Rolando. Principalmente porque o Ma nao consegue nem ouvir a voz deles, em especial do kangoroo, que se revelou uma mala sem alca e sem rodinha, daqueles casos perdidos mesmo. O cara eh daqueles chatos que fica repetindo ad nauseam dialogos de filme sem importancia alguma. Inconveniente. Chato. Sem limites. E fedidim. Juro.

DAY 6
A volta. A viagem para Olbia, onde fica o aeroporto, foi tranquila. Eu e Broo na frente, os tigers atras. Quase nao conversamos. Voamos juntos e tudo. Chegamos em Gatwick e as malas minha e da Broo chegaram primeiro. Nos despedimos, abraco, promessa de troca de fotos e tal. Fiquei triste. Eu gosto do Mr Australia, voces devem saber. Nao queria que as companhias malas que ele carrega pela vida me afastassem dele. Por outro lado, se ele escolheu esses amigos eh porque ha um que de veneracao aos malas que em nada me atraia. Como diz Bobbynha, citando sua amiga “Ju”, se dizem que a vaca eh pintada, eh porque alguma mancha ela tem.

Wednesday, April 12, 2006

sardinha

Ultimas palavras antes de ir m’embora pra Sardenha. Eu mereco muito essa viagem. Muito mesmo. Eu mereco que faca sol todos os dias. Que de para dar umas bracadas no mar (nao mais que uma duzia de bracadas, soh para purificar mesmo). Nao importa que a agua esteja fria. Eu quero coisa fria. Eu quero me contrair inteira. Me arrepiar inteira. Encolher em minha imensidao. Eu me transbordo todo dia. Preciso de um mar congelando para me manter no ponto.

Pensei ateh na loucura de lever meu notebook, mas nao. Eh loucura. Para que? Para escrever, claro. Mas acho que vou ter que ficar sem. Vai ser bom, ateh. Nada de computador, nada de telefone. Nada de pessoas brincando quando nao quero brincar. Toda a ilha tentando me agradar, eh o que quero.

Sardenha, o lugar que eu meti na cabeca que conheceria no ano passado. Tentei ir com Bobbynha, nao deu certo (porque poucas coisas deram certo entre as zilhoes que nossas imaginacoes ferteis bolaram). Mando noticias quando voltar, na quarta-feira que vem.

**

A natacao vai bem, obrigada. Ja estou sentindo que a puxada ta mais ponderosa, sabe? Aquela sensacao maravilhosa de se sentir deslizando, quase sem fazer forca. Em junho, parece, ja temos campeonato. Mas calma. Muita calma. Senao me bate aquela meda-panica-horrora-desespera-socorra que voces ja conhecem bem.

De qualquer maneira, ja sou membro da Amateur Swimming Association. E ja adoro meu tecnico – que parece adorer pronunciar meu nome, o tempo todo ele tenta enfia-lo nas frases que dirige a mim. Por ora eh o suficiente.

Monday, April 10, 2006

I've got to admit it's getting better

Mais um fim de semana todo bom.

Bom porque sexta fiquei bundando em casa, vendo O Homem do Ano.

Bom porque no sabado trabalhei e assim nao me sinto tao mal em ir viajar.

Bom porque finalmente estou com telefone em casa.

Bom porque meus ex-flatmates vieram jantar em casa e foi muito, muito legal.

Bom porque estamos todos muito empolgados com Sardenha.

Bom porque fui fazer meu teste no clube de natacao e, apesar de ter morrido apos 4km, passei!

Bom porque descansei ao lado de pessoas muito queridas.

Can it get any better? Claro que sim. Quinta cedinho voamos.

Friday, April 07, 2006

quase 28 aninhos

Senhoras e senhores, minha irma, hoje de manha:

Agora que me toquei que a Eurodisney fica em Paris!! é isso mesmo?!?!?!?!?! será que a gente pode, pelo amor de deus, passar um dia lá? foda-se torre eiffel!

Eu ainda te estrago de tanto apertar, menina!

Thursday, April 06, 2006

La vie en rose

Ontem conhecemos Bishop’s Park. Esse eh nosso parque local, a dois minutos a peh de casa. Fomos Broo e eu apos o trabalho desbravar a selva. Nao tivemos grandes problemas. Talvez o momento mais radical foi quando resolvemos brincar de gangorra.

Tem gente correndo, tem plantas de varios tipos, tem um jardim exotico que nao eh exotico, tem patos, tem o rio logo na beirada, tem cachorros e poucos cocos de cachorro. Tem muita grama e ateh laguinho. Esse eh nosso parquet local.

E decidimos que agora torcemos para o Fulham FC, seja la qual for a divisao em que se encontre nosso timinho do coracao.

Chegamos em casa e jantamos e assistimos The Apprentice e ela insistiu para eu me inscrever no proximo programa e eu falei para ela nao viajar. Se Sir Alan Sugar me aponta o dedo eu tenho um ataque de panico ali na hora, pah! E ai me deu um quentinho de estar na minha casa, com minha amiga, numa cidade que amo, vivendo, simplesmente deixando o sol do fim da tarde entrar.

Tudo vai manso. Tudo vai passar. E eu vou ficar. Ateh quando for de novo.

Wednesday, April 05, 2006

onde canta o sabia

Chega. Nao achei que isso tudo fosse me fazer tao mal.

Respirar.

E pensar em outras pessoas que sacaneiam tanto no mundo e jamais olham para tras para conferir o estrago. Mas sao pessoas mais felizes, sem culpa. Podem sofrer as consequencias, mas jamais vao enxergar que sao consequencias.

Nem sei do que estou falando.

Estou caindo de sono, hoje.

Comecei a ler O Processo, de Kafka. Fiz mal?

Em uma semana estarei de malas semi-prontas. Preciso de um guia da Sardenha. Alguem tem dica?

A Broo inventou de fazer um curso de fabricacao e escultura em vidro. Eu adoro a ideia. Eu odeio o preco. £125 por um dia. Complica, neam?

Amanha vou ver Bobbynha custe o que custar. Ja combinamos: eu a pego em Putney Bridge, onde ela estarah me esperando paradinha, sem balancer a lancheira para nao voar suco de uva. Aih eu vou pega-la e abraca-la tanto que vai sair amor pelos olhos.

E hoje eu decidi que merecia comer bem e ganhar um presente. Comi um Irish stew (como se traduz isso? Ensopado irlandes?) e depois me dei um creme para maos da Body Shop. E comprei menos pelo cheiro (nao muito bom) que pela origem: a material-prima vem do Brasil. A Body Shop eh uma das pioneiras em Community Fair Trade, que apoia pequenos produtores em paises em desenvolvimento. E esse creme que comprei, em especial, vem da soja de pequenos agricultures brasileiros, aqueles fofos.

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Preciso de mais noticias do Brasil. Tenho me sentido muito desconectada de meus amados ultimamente. Nao sei das ultimas, nem das penultimas. Nao sei se tudo caminha bem. Imagino que sim. Imagino.

Preciso de mais. Sou pidona mesmo. Mas o dia em que eu parar de pedir eh porque tem algo errado. E nao ha nada de errado agora. Soh nao ha nada definitivamente certo.

Tuesday, April 04, 2006

move on (I did)

Os treinos estao ficando cada vez mais gratificantes. Finalmente estou voltando a ser ao menos a sombra do que um dia fui. Antes, nem isso. E ja marquei a data do teste no Wandsworth Swimming Club: domingo de manha.

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Os dias estao ficando cada vez mais agradaveis. Essa semana vou deixar o sobretudo em casa, ja estah decidido.

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Falando em dias mais agradaveis, contagem regressivissima para minha viagem de Pascoa. Eu, Broo, Mr Australia, Mr Suecia e o outro kangaroo. Num bangalo em Sardenha. Quase nada a vida que eu quero para mim.



Quinta-feira da semana que vem, entao, voamos para Olbia. Ateh la, devo encontrar Mr Australia no fim de semana. Eu e Broo vamos fazer um jantar para ele e o amigo. Saudadinha ja.

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E tem ainda a Bobbynha, que chegou tumultuando e inacessivel. Cade voce, esposinha? Eu quero!

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E finalmente, a derradeira mensagem para nossa amiga do queixo indecente (porque nao tenho tempo a perder com tolices, see, I myself have a life):



Mas, sabe, eu entendo. Ta ficando tarde, ne? Os anos passam... E a gente tem que aceitar o que aparece, mesmo que o que apareca esteja mais voando que na sua mao.

E chega dessa obsessao pelo meu blog e pela minha vida. Pega mal.

Monday, April 03, 2006

chega de poupar quem nao me poupou

Alo alo, anuncio oficial: nao vou mais me censurar! Neste espaco, aguardem.

Se eu pudesse, ah, se eu pudesse, eu juro que punha o link do meu outro blog aqui. Mas nao. Meu bom senso e a certeza de que cada um tem o que merece independentemente dos meus atos, me impedem.

Pode voar, mas nao perca o caminho de casa: voce vai precisar dele para voltar.

Um sorriso de pena rasgado nos labios. Seja feliz agora. Ria agora, hiena sem causa. Porque eh soh o agora que voce tem mesmo.

Lembram que eu estou aprendendo alemao? Eis a prova mais cabal: Ich bin der heraus loud lachend. Sie sind das, wer an betrogen wurde. schande, schande, schande.