Eu sempre fui assim, de entrar em sintonia com minhas amigas. Sempre. No caos, principalmente.
Primeiro a avoh de minha Bathathinha falece.
O mundo de Bobby cai.
Broo vai para longe de mim.
Fru nao vem mais esse ano.
Milao deve estar quase vomitando para o grande dia: amanha ela vira mulher casada.
Ha muitos outros, mas eu nao sei. Estou longe, entao nao interesso mais.
Tudo rodando bem mais rapido que o conveniente. Eu, daqui, passo por muitas e boas, e tento fingir que saio ilesa. Sempre esse risinho ironico no canto direito, que eh para nao esquecer que a vida eh uma piada mesmo em seus desfechos mais tragicos. Eu no meu barco de papel que ameaca virar a qualquer momento, e por isso nao pode ser levado a serio. Eu e um pequeno mundo que anda toda vez que eu ando, porque sou profunda, quero crer, e todo mundo que eh profundo leva consigo um mundo ao redor.
Entao vou rodando saia, tropecando sem estar bebada, mas fingindo estar para fazer mais sentido. Vou virando tequilas imaginarias e dancando tangos que desconheco. E quando se encherem de dancar tango comigo, eu sambo sozinha, eu grito ateh as jugulares nao aguentarem. Eu deixo que toda a minha garganta sangre, para eu secar com exaustao uma ansiedade insaciavel.
Quanto mais eu bebo, mais seca e sobria fico. Estou me lavando. Todas as canetas que me riscaram por dentro agora vao sair por meus cabelos. Toda a tinta me vai pingar dos olhos. No final soh fico eu, no cantinho de um quarto claro - que eh pra eu ver minha miseria – enrolada em mim mesma, tentando guardar o que restou do meu mundo. Um ponto-final. A lapis para poder apagar amanha.
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