Isso mesmo. Ha dois anos larguei-me num mundo desconhecido. Deixei familia, amigos, namorado, emprego e esporte por uma tela em branco. Uma nuvem de potenciais trovoes ou de mera dissipacao. Troquei 8 por 80, como de costume. Quase esmoreci, eh verdade, mas acho que fui fraca demais para aceitar o fracasso. Nao voltaria ao Brasil fugida. Quando acontecer, vai ser bonito. Vai ser novamente um 80 por 800.
Sempre em frente. Faz dois anos que tento nao olhar com muito apego para tras. Faz dois anos que chorei compulsivamente e pensei que o mundo nao pudesse ser mais insuportavelmente doloroso. Faz dois anos que acreditei que apenas um milagre me faria ficar nessa terra. Pois ca estou, dois anos inteiros, muita coisa boa e muita, muita coisa ruim tambem. Um milagre.
Eu vi serenidade crescer em mim, mas tambem vi rugas e cabelos brancos. Eu vi a independencia, finalmente, mas vi tambem o medo paralisante do depender apenas de si mesmo.
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Dias meio estressantes. Nada ruim. Estresse bom, do tipo que prova que na veia ha sangue correndo e rapido. Fiquei extremamente ansiosa com o jogo ontem. Extremamente. Ta, digamos que ao jogo somou-se uma irritacao daquelas bem mundanas, que eu odeio confessar que mora em mim. Mora, sim.
A verdade eh que nao me irritei com o fato dele, que nao eh nada meu, agarrar a menina na minha frente. Irritei-me foi com a falta de respeito desde o dia zero. Sim, pela mesma porta em que na manha de sabado deixei sua casa, na mesma tarde entrou outra.
Isso nao teria problema algum, mesmo mesmo, se eu mal o conhecesse. O negocio eh que ele eh meu amigo. Ele faz parte do meu grupo de amigos, convivemos muito juntos. E achei muito descaso. Me senti descartavel, e o problema eh que me levo a serio demais para ser banalizada pelos outros.
Ateh pensei em mandar um email, ou ligar, ou chamar para um papo tete-a-tete mesmo. Mas ai me veio um desanimo. Filminhos repetidos na minha cabeca. Quantas vezes nao tentei desentortar homens? Nao adianta, nao adianta. E, mesmo sendo um cara cuja amizade eu quero preserver acima de qualquer one-night-stands, ainda assim nao sei se vale o esforco de ter de me comunicar, de ter de explicar que isso nao se faz, que eh feio, que eh errado, que doi. Soh de pensar me da preguica. Porque ninguem estah aberto a ser rotulado de filho da puta, mesmo quando mais claramente o eh. Entao eu ja consigo antever horas de DR que nao vao levar a lugar nenhum e soh vao doer mais ainda.
Ontem, durante o jogo do Brasil, ainda tentei quebrar um pouco o gelo que vinha sendo disfarcado com risinhos e piadinhas nervosas de ambas as partes. Mas ele nao aceitou bem. Um a zero para o silencio. Sigamos, entao. Eu eh que nao vim ao mundo para ensinar habilidades sociais.
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Ai, gente, tadinho do Ronaldo.
Com a palavra, Soninha: “Deve ser difícil ser Ronaldo e admitir: “Cansei. Não quero mais”. O mundo inteiro no seu pé, recordes a cair (partidas jogadas, gols marcados), talvez o próprio ego estrilando porque, se não deixou a careira no auge, não pode deixar agora sem provar outra vez que é capaz de se superar e surpreender etc. etc. etc. E aí não dá pra voltar atrás, e é como a tentativa de corrigir uma gafe: a gente vai deixando as coisas cada vez piores.”
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E ai, neam, que minha nova camera digital chegou! Eh uma Nikon fofa fofa, daquelas Nikon-para-amadores mesmo. Estou carregando a bateria, e fico de meia em meia hora conferindo se a luzinha de recharging ja parou de piscar. Enquanto nao rola, entrem no meu flickr clicando na foto do post abaixo! Entrando la tem muitas outras.
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Menos de tres semanas para babai amado vir. Um mes exato para a vinda de minha amada Piu. Pouco mais de dois meses para chegar binha bae. Eh verao e estou sorrindo mais, apesar dos oopsy-daisy da vida. Nao vejo a hora de me sentir em casa.
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