Meu sonho me vem em pedaços desconexos. Em pedaços desconexos, fidedigna que sou, hei de relatá-los.
Fragmento 1: Estava num lugar desconhecido. Precisava escapar sozinha. Eu era a única de todo mundo que conseguia usar um equipamento que me permitia respirar debaixo d’água. Eu era a única, portanto, capaz de mergulhar no escuro de um tanque gigantesco. E havia a possibilidade de um monstro em algum lugar do prédio. E eu ali sozinha, pronta para morrer lutando, a qualquer momento. Quando volto à tona, todo mundo já havia debandado. Ando de maiô na noite fria, sem tempo para ma vestir, já que o monstro ainda estava ali de alguma maneira, e nada o impedia de vir atrás de mim. Até que chegava numa avenida onde carros passavam mas eu não sabia onde iam. Não sabia onde estavam todos daquele grupo que, juntos, deveriam eliminar o monstro. Eu havia sido deixada para trás.
E no aperto mais agudo do desespero, um carro pára. Era minha mãe. Minha mãe veio me buscar. Eu não sabia mais dizer se o desespero era meu ou dela. Eu estava indo embora.
Fragmento 2: O país todo estava obcecado com a Copa e só se pensava em jogo. Não havia mais lugar para assistir. Eu não conhecia aquela cidade, então não sabia onde podia entrar, onde mostrariam o jogo, onde seria *divertido*. O jogo já havia começado quando, aos prantos, consegui achar um lugar. Mas não consigo me lembrar qual.
Fragmento 3: Eu era alvo de piedade. Meu pai morrera. Fazia dois dias. Todos distantemente condescendentes. Eu precisava que alguém tirasse de mim um pouco da tristeza desesperada, da agonia mais afiada da minha vida. Mas quanto mais eu tentava fazer as pessoas entenderem o que acontecera, mais eu me distanciava de todas elas. Todas elas tinham pai. Todas emanavam um afeto que não durava nem um segundo, e a dor, céus, a dor. Como era forte. Como era desamparadora. Eu estava sozinha. Porque todas as outras pessoas, cada uma estava sem tempo para sentir minha dor por mim e me aliviar um pouco. Todos estavam preocupados em sanar suas grandes e pequenas dores. Eu me sentia jogada na sarjeta, pronta para morrer.
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