Nao sei de quem estou com mais pena, se do Ronaldo ou da Varig. Ambos devem ter seus voos cancelados hoje. Ambos devem sofrer dura queda.
Alias, deixo registrado aqui o meu completo horror perante a situacao da Varig. Como uma filha da decada perdida, preciso confessor que Varig para mim era sinonimo de alegria. Viajar pra fora, e ainda por cima de Varig, era ser feliz sabendo. Eu e minha irma faziamos muito mais planos para as horas que passariamos no aviao, do que para o proprio local de destino. Guardavamos guardanapos, roubavamos cobertores (se eu fosse um pouquinho mais obsessiva acharia que contribui para a ruina da companhia), ficavamos extremamente empolgadas com as refeicoes e admiravamos as aeoromocas.
Varig era sinonimo de felicidade. Era uma marca solida em minha pequena vida. Ateh commercial da Varig eu parava para ver quando era menor. Ai, quando a grana ficou mais curta, nao deixamos de viajar, mas escolhiamos linhas aereas mais “dodgy”, como Aerolineas Argentinas (gulp). Odiavamos a viagem. As aeromocas eram velhas e a comida insuportavel. Nao que a da Varig fosse otima, mas era pelo menos mastigavel. E sempre que voamos, pensavamos que poderia estar bem melhor se fosse com a Varig.
Meu primeiro choque veio recentemente, quando voei pela Swiss Air de Sao Paulo a Zurique. Um ano e meio depois, voei TAM de Paris ao Brasil. Em ambas as ocasioes fiquei estupefata com a alta qualidade dos servicos e das aeronaves. Enquanto isso, ouvia que a Varig, tadinha, soh piorava. Servico pessimo, comida pessima, tudo, tudo pessimo. E me deu um apertaozinho. Como aquele que da quando o nosso brinquedo favorito de infancia perde a graca.
E a punhalada final veio hoje, quando na primeira pagina da Folha Online, leio que mais da metade dos voos programados para hoje, uns 180, foram cancelados. Pobrezinha. E que ha apenas sete aeronaves fazendo voos internacionais. Sete. Nada restou da Varig da minha infancia.
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