Aqui é feriado. Não que seja uma data especial. Aqui não tem muito disso. Temos o natal, reveillon, páscoa e dia do trabalho. O resto é só feriado bancáriom, simetricamente disposto para coincidir com sei lá o que do ano financeiro. Tudo matematicamente calculado para o ócio coincidir com o fechar-para-balanço.
Londres em si continua igual. Estamos na porta de junho, batendo e pedindo sol, um tequinho, e ele até aparece, mas só um tequinho mesmo. Birrento. Hoje foi assim o dia todo. Chuva, sol, chuva, sol e, claro, chuva. Para fechar com chave de ouro – o dia e a minha garganta, que, naturalmente, piorou.
Meio melancólico, esse foi o dia. Acordei tarde demais, levantei cedo demais. Gastei horas que não voltam em programas que não ficam. Vi TV, li meu livro. Vi mais TV e li mais meu livro. Não me agüentei mais e saí. Fui a Putney Heath, um parque meio bosque delicioso perto de casa. Andamos, Broo e eu, sambando em barro e tirando e pondo capuz. Tá, foi divertido. Não quero enrabujar. Mas minha garganta começou a piorar, claro, com vento chuva sol chuva vento sol chuva chuva chuva. Vento. Fomos ao Asda e compramos tudo o que não precisávamos. Voltamos. Assistimos a Elizabethtown, com minha sósia (alias não estou lá tão convencida de que sermos parecidas é bom; os dentes dela – falo da Kirsten Dunst – são péssimos) e cá estou, past ten, escrevendo e ouvindo One Way or Another, uma das mais ouvidas ultimamente PORQUE ESTÁ FAZENDO SENTIDO. Sim, está.
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O fim de semana foi bom apesar do resfriado estranho; chamá-lo-ei pomposamente de “gripe do amante perfeito”: vem e vai, vem e vai, e ataca as mais inesperadas partes do meu corpo.
Mas sou incapaz de lembrar tudo.
Teve festa sábado, teve cinema no domingo, e depois mais festa no domingo. E muitas e merecidas horas de sono. E almocinho fora e passeio à beira-rio. Foi todo bom, apesar de eu não ter estado toda boa. Não sei o que tenho. Faz uma semana que não vou nadar por causa do maldito resfriado. Mas resolvi comigo mesma que amanhã vou, doente ou não. Era assim que eu fazia no Brasil e, se bem lembro, funcionava. Ignorava a gripe e ia nadar, mesmo que toscamente, como se nada houvesse de errado. Comigo gripe é assim: eu dou atenção e ela fica mimada. Não pode.
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Agora é oficial: me deu vontade de mudar o mundo. Alguém tem algum conselho para me dar? Não quero saber daqueles conselhos de livro de auto-ajuda, do tipo mude-você-primeiro, ou que deus é quem muda e eu tenho que ficar na minha.
Sério, I’m talking about a revolution. Talvez tenha sido - oh, como sou infantil - V de Vendetta que me inspirou – filmaço, não percam. Mas a vontade surgiu antes disso na verdade. Tenho deixado em banho-maria faz algumas semanas. Mas é um tsunami em formação. The tables starting to turn. Será? Ah, já aconteceu antes. E foi mero fogo de palha. Mas pode ser que dessa vez o fogo suba mais. Quem é que vai julgar? Nem eu, nem você. Mas eu vou tentar. Porque eu mereço a mera tentativa. E eu mereço também considerar o fracasso como uma doce e pequena vitória interna. uma vitoriazinha que talvez so eu veja, mas que me tira da cama toda manhã. E ela nem é tão grande, nem tão forte, mas mantém longe de mim um dos meus maiores fantasmas: a resignação.
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