Monday, May 19, 2008

the girl with far away eyes

Precisou que alguém querido apontasse o que estava debaixo do meu nariz para eu enxergar. Estou indo atrás de tudo o que quero. Pedi aumento (que veio em forma de humilhantes 4.3%, mas veio); estou perdendo peso de forma lenta e estável, como se deve fazer; parei há mais de duas semanas de tomar Fluoxetina. Sou hoje uma pessoa mais próxima do que quero ser do que era há um mês.

And yet, ainda não estou satisfeita. Aliás, quando fiquei? Acho que sou muito dura comigo mesma.

Um pouquinho desinspirada. Muita coisa desimportante ocupando espaço grande na minha cabeça. Se eu morresse hoje, julgaria-me fútil por achar, depois de 28 anos, que as pequenas coisas realmente importam.

E o sono, claro. Todo fodido. Deve ter a ver com a interrupção da medicação. Mas acho que não é só isso. Faz um mês que voltei do Brasil e já parece que faz um ano. Como pode? Cada dia mais entendo menos porque fui me meter nessas de vida corporativa. Não tem a ver comigo. Agora não há muito o que eu possa fazer, mas tenho planos maiores e melhores para mim. Assim que eu descobrir exatamente o que quero.

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Mas terei novidades até o final da semana. Que não tem a ver com trabalho, antes que me sabatinem. Só quero falar depois que acontecer.

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Ontem fui ver Persépolis. Adorei. E olha que para eu falar que adorei desenho é porque realmente este é imperdível. Sensível e ao mesmo tempo straight to the point. Recomendo muito.

Tuesday, May 06, 2008

let the sunshine in

Clima supimpa, esse. Sol que queima, bem vindo à Inglaterra! Aí, agora que ele chegou, posso feliz da vida reclamar que tenho que ficar enfornada num escritório quente e meio sujo. Sim, acharam camundongos por entre as baias outro dia. Eu pensei em fingir uma fobia irracional para poder tirar uns dias de férias justificadas e pagas, mas pensei demais e não daria mais para simular, posto que fobia irracional não espera para estourar.

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O regime. Continua lindo. Dias mais bonitos hão de me ajudar a comer menos e me mexer mais.

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Agora vou - ali pedir aumento pro meu chefe. É sério.

Saturday, April 26, 2008

never alone, alone all the time

Ai, a solidão. Eu tinha esquecido como era. É ruim e passageira e inspiradora. Meus melhores textos foram escritos nos momentos mais solitários e nos dias mais ensolarados. Quanto mais paradoxal, melhor.

Mas claro que a culpa não é de ninguém senão minha. Sempre tentando passar a imagem de que me basto sozinha, de que gosto de pessoas até o ponto em que não gosto mais. E esse ponto varia. É preciso entender. Continuo achando que muitas vezes estou melhor sozinha do que acompanhada (claaaaro, depende da companhia, mas vocês entenderam). É que ficar sozinha é bom e me faz querer ficar mais e mais sozinha. Aí quando eu vou ver, as pessoas esquecem que eu existo, que estou por aqui, que estou até torcendo para ser chamada para programas, mesmo que os rejeite. Eu e minha mundaneidade.

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Minha irmã ganhou uma promoção da Ofner em que tinha que criar uma frase usando várias palavras dadas num total de 15 palavras. Foram 22 mil frases. A rabuda ganhou. O prêmio? Uma viagem de 10 dias para Austrália (alô, Austrália) com tudo pago em hotel 5 estrelas yadda yadda. Rabuda. Ela sempre foi. E rabudo o namorado dela também, porque é o acompanhante escolhido. Senão fosse ele, seria eu. Não é a minha cara?

Mas estou muito feliz por ela. É bom ter algo assim to look forward to.

Com essa história, fiquei empolgada em participar de promoções por aqui também. Mas logo me arrependi. Tinha que deixar o número de telefone, e estou sendo bombardeada por telemarketings e SMSs. Cagada, cagada. Mais uma vez, a minha cara.

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Sem querer soar patética, já tô morrendo de saudade do meu loiro. Nossa ida ao Brasil juntos foi mais um degrauzinho subido, quando achávamos que já tínhamos subido o suficiente. Votei para cá ainda mais certa de quem consegue me fazer feliz. É animal conhecer a outra vida de quem mora com você.

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Lindo dia hoje. Perfeito para dar início ao plano de correr. By the way, o regime vai bem, obrigada. Me pesei ontem à noite e perdi 2kg já, o que me assusta um pouco, mas juro que não passei fome.

À noite o plano é me afofar com Sam e ver filmes até não agüentarmos mais. Devo dormir por lá mesmo, abandonada e retirante (rarará) que sou.

Saturday, April 12, 2008

notícias d'além-mar

Com calor às 8.05pm. Que saudade, que saudade. Sei que em um ano isso vai me irritar mas, por ora, que saudade. Sol no osso, sabe? Você sente o raio ultravioleta detonando você toda e isso é curiosamente recebido com um sorriso de satisfação interno. Ninguém tem o direito de julgar alguém que passou tanto tempo longe do sol, alguém cuja melatonina já desencanou de responder.

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Estou me divertindo à beça aqui. Já cumpri a maior parte da chatice que queria resolver. Agora estou revendo alguns queridos e conhecendo outros. Fui a Campinas e conheci (quase) todos que fazem parte da vida do meu menino e que agora fazem parte da minha também. Foi muito bom, e estranho porque parecia que já conhecia todos. Me senti extremamente à vontade e saí de lá amando ainda mais meu Byrifoy. Amanhã ele chega aqui e espero, ansiosamente, que ele sinta pelos meus o mesmo que senti pelos seus. E espero que ele entenda um pouco mais dos meus nós, e que fiquemos ainda mais nós, e que saiamos da experiência com a convicção de que estamos no caminho certo. Nada se compara ao alívio da certeza de que se está feliz.

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Digam adeus à branca gorda. Digam olá à futura, er, branca. Porque não quero mais me encher de adjetivos pejorativos.

Sério agora: engordei mais de 10 quilos desde que cheguei na Inglaterra há 4 anos. E toda vez que venho ao Brasil algo ou alguém me lembra dessa extra banha. Seja minha médica ("Puxa, mas você não mudou nada, só engordou um bocado"), sejam minhas roupas que riem quando fecho a porta do armário sem coragem de prová-las.

Então resolvi apelar. Vou ver a nutricionista da minha irmã essa semana. Descobrir como emagrecer num país que cobra £0.20 em uma barra de chocolate e £1.00 em uma fruta.

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Sim, vai, o blog está de volta. Não sei por quanto tempo though. Vivamos como se cada post fosse o último. Heh.

Friday, March 28, 2008

Acho que estou meio deprimida. Ando pensando séria e repetidamente em cometer bloguecídio.

no Baci que acabei de comer

O amor não faz girar o mundo. O amor é o que faz com que o trajeto valha a pena.

F.P. Jones

Thursday, March 27, 2008

shut my eyes

Sono cão. Não tenho dormido bem. Na noite anterior foi justificável. Fui com ma’boy no show do Velvet Revolver. Nada programado – um amigo comprou dois ingressos e não pôde ir, então fomos nós, em cima da hora e na faixa, como a gente gosta.

Mas de ontem para hoje não tinha desculpa. Deitei antes das 11pm e dormi relativamente rápido, mas às 3am acordo com uma dor no estômago e ma’boy tentando vorazmente usar meu braço de travesseiro pela segunda noite seguida. Não dormi de novo antes das 4am.

Em uma semana e um dia embarco para o Brasil. Está tudo explicado. Estou eufórica com a possibilidade e meio assustada ao mesmo tempo. Não vai ser uma visita normal. Terei muita saudade para matar, claro, mas muitos problemas a resolver.

And yet, com tanta coisa para pensar, uma das que mais me recorre é que meu Lexotan deve estar vencido e não tenho como me dopar para enfrentar as 12h de vôo. Sugestões?

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No caminho para o trabalho, em plea Trafalgar Square, um acidente entre uma moto e um ônibus. O ônibus vazio. O motoqueiro estatelado no chão recebendo CPR dos paramédicos. Aquele torção na espinha que percorre e gela o corpo inteiro. Me senti quase idiota em retomar a leitura do meu livro. Mas era necessário. A imagem, no entanto, não sai da minha cabeça. O corpo inerte e completamente submisso ao paramédico cumprindo sua rotina. Às vezes odeio minha sensibilidade.

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Ouvindo muito.

I needed somewhere to hang my head
Without your noose
You gave me something that I didn't have
But had no use
I was too weak to give in
Too strong to lose
My heart is under arrest again
But I break loose
My head is giving me life or death
But I can't choose
I swear i'll never give in
No, I refuse

Wednesday, March 19, 2008

a solução

A solução é chutar. Mas e cadê perna?

Maldito bolo na garganta.

Saturday, March 15, 2008

me, myself, and my fucking stupid I

Uma noite de sábado fria. Como me sinto humana tentando beber um golinho de Bailey’s. Inclusive, vencido. Porque tenho uma garrafa há mais ou menos 2 anos, e é a única garrafa de alguma coisa alcoólica que um dia comprei.

Um pouco mais humana. É isso o que as pessoas fazem sozinhas num sábado frio, não é? Eu também quero fazer, mesmo que depois me sinta uma idiota fazendo algo que não gosto só para sentir gosto salgado nas lágrimas, e açúcar nos sorrisos. Como deve ser, como fui ensinada, como todos fazemos para, juntos, sempre, caminhar. Não é? Haha.

Mas não se preocupem. O Bailey’s tá velho, não vou conseguir tomar. Tá ruim. E não tinha gelo, então peguei um daqueles plastiquinhos com gel dentro que fica no congelador para quando me esborracho. Algo que provavelmente sera de grande utilidade em alguns minutos, mas que aí não vai estar mais frio, porque usei pra esfriar o Bailey’s. E por causa disso, também, o Bailey’s fede. Eu, um Bailey’s velho, um plastico fedido e gelado dentro, e um sábado sozinha e com frio. What a combination. Eu devia estar em outro lugar.

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Hoje fui a Bricklane. Adoro a região. Meio de longe, como qualquer um que já morou por ali e volta para visitar. Almocei num restaurante de pizzas artesanais fantástico. Chama não-sei-o-que-lá store. Very helpful, I know, mas agora não lembro o nome. Foi bom rever meu ex-flatmate. Ele voltando para a Austrália, eu voltando pro Brasil. Não canso de repetir: londres é líquida, e esse é um dos motives que me faz amá-la e odiá-la. O que é ruim vem e vai, mas o que é bom também.

Bom mesmo é o Brasil, que bom e ruim estão todos entalados e não conseguem sair.

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Enfim, chega porque começaram a aparecer uns patches vermelhos na minha cara e não tô nada feliz. Se bem que seria bom qdescobrir que sou alérgica a álcool e as pessoas pararem de me encher o saco para beber.
Ou vai ver é porque o Bailey’s tá velho.
Ou vai ver eu realmente não sei e deveria me preocupar um pouco mais. Mas não dá. Um pouco mais e a preocupação é maior que eu.

Friday, March 14, 2008

alone in the light

Eu estava em alguma festa em que três pessoas eram escolhidas por várias outras. Eu não era escolhida. E depois eu era. E por isso eu ficava feliz, mas uma parte de mim se envergonhava dessa falicidade rasa. Foi um sonho estranho.

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Sozinha este final de semana. Aceitando convites para passar o tempo. Para pará-lo também, mas nunca vi isso antes, então está dado o desafio.

Se ninguém aparecer, tenho minhas miudezas para fazer, meus livros pra ler, meus errands to run.

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Cagada me pôr para trabalhar na janela, hein?! Cagada. Eu não reclamo, claro. Amo. Mas eles não sabem da minha capacidade de deixar o ambiente e passear por aí, sem sair da minha escrivaninha. Tenho divagado mais do que minha quantidade de trabalho permite. Deve ser a ida ao Brasil, as coisinhas todas que preciso fazer antes de ir. A logística de tudo, preciso comprar uma mala nova, aliás. Das grandonas. Mas das grandonas moles, para caber dentro da grandona dura. Tudo isso eu penso o tempo todo. No Brasil em três semanas. E mais a viagem para a Ásia no final do ano. E mais a visita à Informa do Brasil. E mais a viagem que quero fazer ao Lake District mas que ainda não saiu do papel. Aliás, boa miudeza para o fim de semana – nota mental: procurar B&Bs em Windermere e adjacências. E mais os lugares da Europa que quero conhecer antes de sair daqui. Ainda não fui pra Barcela, nem Bruxelas, nem Budapeste. Nada contra a letra B, pura coincidência. Ainda não fui pra Viena e para muitos vilarejos na Toscana que adoraria conhecer. Indo além, também quero ir para a Croácia, Chipre e Grécia. Se eu fizer 50% do que quero, fiz bastante.

Isso aqui deixou de ser blog. É quase um mural de auto-recados.

Aliás, estou pensando se desmancho o blog quando voltar pro Brasil. Continuo Singer, mas não in the Reign... Talvez readapte pra Singer in the Rain(Forest). Aguardo idéias melhores. As minhas estão um pouco atrapalhadas.

curtain

the final curtain on one of the longest running
musicals ever, some people claim to have
seen it over one hundred times.
I saw it on the tv news, that final curtain:
flowers, cheers, tears, a thunderous
accolade.
I have not seen this particular musical
but I know if I had that I wouldn't have
been able to bear it, it would have
sickened me.
trust me on this, the world and its
peoples and its artful entertainment has
done very little for me, only to me.
still, let them enjoy one another, it will
keep them from my door
and for this, my own thunderous
accolade.


C. Bukowski

Sunday, March 09, 2008

truco

Mais um final de final de semana curto. Como demoram a chegar os feriados nessa terra. Em meio a uma gig ontem, um nhoque ao forno hoje, umas dezenas de páginas lidas, as horas passam como minutos. Estou cansada como se fosse sexta. Preciso muito de férias. Sei que sempre falo isso. Agora falo querendo dizer, mais que nas outras vezes. Sempre mais. Faltam 26 dias para eu chegar ao Brasil. Duas míseras e maravilhosas semanas. Terei de fazer com que caiba tudo: responsabilidades e saudades. Acima de tudo, precisam caber meus planos para uma vida no Brasil. Vai ser estranho ir para o Brasil com olhos de quem vê um futuro ali, e não como alguém de férias. Quando for a hora de voltar, sei que vai se surreal.

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Tenho pensado como adulta. Em coisas que adultos pensam, não eu. Em geral, não penso como adulta nem como criança. Penso de um jeito bem Bia. Estranho e pouco convincente, porque o objetivo jamais será convencer, e sim complicar. Cada vez mais, complicar. Mas agora não. Agora estou mesmo pensando na vida daqui a um ano e até dois. Isso é inédito. O máximo que soube planejar até hoje foram 6 meses, que foi o tempo que levei para resolver vir para a Inglaterra. Agora estou pensando mais longe. Faz parte do envelhecer ou estou apenas mais ansiosa (ainda)?

Foda-se, os planos que tenho para daqui a dois anos são deliciosos, então quero mais é pensar neles.

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Desafio qualquer um que esteja lendo a fazer um nhoque ao forno melhor que o meu. Sério. Nunca comi um tão bom. Só não foi bom o suficiente para tirar meu amado da frente do computador jogando Starcraft. Mas foi bom a ponto de eu lançar o desafio. Aos concorrentes, boa sorte.

Friday, February 29, 2008

complete and utter

Como sou velha. Uma vez que vou dormir mais tarde e o dia seguinte é um inferno. Estou com os olhos em meia fase e sem o menor saco de trabalhar. Não é nem pelo trabalho. Estou sem saco de qualquer coisa mesmo – até escrever aqui, agora, tá sendo chato e não entendo por que continuo.

Desastrosa. Simon Cowell diria, you are a complete and utter disaster. Mas preciso me recarregar porque vai ter noitada no Blues Bar, tudo indica. Cafeína na veia.

E chega porque estou realmente completely and utterly sem saco.

Tuesday, February 26, 2008

soft gaze

Hoje, principal matéria no breakfast da BBC: Fluoxetina é placebo. Que jóóóóia! E me drogando com algo que não ajuda nada. Pois segurem seus cavalos – vou tentar parar mais uma vez.

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E por falar em humor, o meu tem flutuado. Bem incomodamente. Tenho tido meus repentes de não-me-procurem e por-favor-me-achem. Ao mesmo tempo, o que é mais curioso.

Acho que preciso ser surpreendida. Faz tempo que ninguém me faz surpresas. Faz tempo que não levo sustos bons. Sempre achei que isso fosse o sinônimo de felicidade imediata. Não aquela budista e zen. Aquela de dar friozinho e te fazer querer chorar. Aquela que junta vinte verbos em um e faz sentido. Faz tempo, mas quem sabe logo mais. Não é? Estou aprendendo a esperar. E a dançar um tequinho mais devagar para acompanhar quem não dança twist.

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Ainda não vou revelar para os quatro ventos, mas uma de minhas melhores amigas está grávida. Serei madrinha. Estou tão, mas tão emocionada que corro o risco de ser temporariamente ignorada por meu namorado. Vontadinha de chorar, mesmo sem motivo. Os hormônios. Acho que eu já sou mãe. Só me falta o bebê.

Sunday, February 17, 2008

a gestação mais longa

Olha só, sem pressão, sem gritos histéricos e sem olhos arregalados porque isso só me assusta: voltei a escrever. Quase timidamente, retomei meu livro. Aquele. Anos em andamento. Nada demais. Escrevi uma página e meia. Mas pelo menos desestacionei. Não sei se desestacionei de vez ou se apenas realoquei a bagaça. O tempo há de dizer. Aliás, o tempo porra alguma. Chega de jogar as responsabilidades em mãos de que não tenho controle. Uma hora é a falta de tempo, depois o excesso de amor, depois a chuva, o frio. Sempre algo fora de mim ou de meu controle. Não mais. Se eu escrever e terminar vai ser lindo. Se eu não escrever mais a culpa vai ser pura e estupidamente minha.

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Fim de semana deveras bom. Começou com uma visita a Kingston na sexta. Fui ver meus antigos colegas de trabalho e me deu uma puta nostalgia. Não é sempre que vou a Kingston. In fact, tenho de reconhecer, pode ser a última. É fora de Londres e de mão. E sou preguiçosa com essas socializações.

Acordei antes das 7 no sábado. Um pouco patético, mas dei uma geralzinha na casa e fiz hora até ir tumultuar Byrifoy. Ele acabou levantando antes de eu acordá-lo, o que foi um infortúnio dado que adoro acordá-lo. De tarde fomos no parque curtir o sol e praticar umas meditações de aikidôs. Foi legal e tal mas minha mão congelou e tivemos de voltar. Sem programa para a noite, deixamos acontecer e pessoas apareceram. E apareceram. Meio surreal até, visto que quem ligava era convidado e aceitava. Isso nunca acontece, mas aconteceu e foi ótimo. Mais pessoas do que o apê comporta, mas foi divertidíssimo.

Hoje novamente no parque, dessa vez sem meditação e com muito mais agasalho, fiquei lendo meu livro e curtindo o sol na cara. Até novamente ficar insuportavelmente frio e nos enxotar para o lado de dentro.

Começamos a assistir a Samsara, filme ótimo que já vi no Brasil mas Byrifoy dormiu no meio. Antes que minha família me zoe com minhas escolhas cinematrográficas, ele estava gostando do filme, sim. Só dormiu porque estava cansado. Sei lá, meditou demais. O filme é bom.

Thursday, February 14, 2008

valentinos e desvalentinos

Hoje, famoso dia de São Valentino. Mulherada apavorada para arrumar programas. Ninguém quer ficar sozinho hoje à noite. O escritório está manchado de vermelho. Buquês a cada tropeço. Para mim, não significa muito. Aliás, é o tipo de coisa que significa muito quando não temos alguém. Sentimo-nos mais vazios que o normal quando estamos sozinhos, mas não nos sentimos mais repletos que o normal quando temos alguém. É apenas mais um dia, mais uma noite, quem sabe com um presentinho no meio. E só.

De minha parte, vou jantar num restaurante bem cosy perto de casa, só para não passar em branco mesmo. Datas importantes somos nós que fazemos, não o sistema capitalista.

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Ai, a volta. Ai. É mais difícil do que a maioria pensa, mas mais fácil do que eu penso. Já reconstruí minha despedida zilhões de vezes, cada vez de um jeito. Da mesma forma que reconstruí minha chegada definitiva. E ainda ouso dizer reconstruir algo que nem construído foi ainda. Estão entendendo? Um mar de magma, é o que tenho aqui dentro.

De modo geral acho que estamos lidando bem com a idéia toda. O que me assusta um pouco é a mudança no estilo de vida que nós, como casal, teremos. Hoje temos os mesmos amigos e nenhuma família por perto. Logo mais teremos amigos diferentes e uma família de cada lado para dar atenção. Pode não parecer muito coisa mas, acreditem, é. É o que tem me tirado o sono essa semana. Semana que vem vai ser a busca de emprego, e na seguinte vai ser achar moradia. Quando se esgotarem, os ansiogênicos entrarão em looping. É assim que funciono: todas as minhas ansiedades organizadas, semana por semana. Assim todas têm a sua vez de me deixar louca.

Tuesday, February 12, 2008

shit happens

doente, fodida, fraca.

Não sei qual é a desse lugar que me faz ficar doente com tanta freqüência. Tô realmente cansada. Peguei aquilo que chamam equivocadamente de stomach flu. Básica e teoricamente isso envolve vômito, diarréia e tudo o que acompanha essas condições. Quem me conhece sabe que eu não vomito (sim, é uma regra pessoal que meu corpo obedece há 12 anos). Logo...

Fora isso, nada. Não saí de casa o fim de semana todo, não vim trabalhar ontem e vim hoje porque sou uma mula teimosa. Dói tudo, principalmente o fundo dos meus olhos, o que faz com que eu fique com cara de peixe morto o tempo todo porque tento deixar meus olhos relaxados. Quando alguém me chama, fecho os olhos, viro a cara e abro os olhos novamente, tal como um robô dos anos 80. Um espetáculo.

Volto quando meu humor voltar.

Tuesday, February 05, 2008

wake-up light

Byrifoy comprou uma daquelas luzes-despertadores que imitam o nascer do sol. Uns 15 minutos antes da hora de acordar, a luz começa a acender. E quando chega na hora de despertar, um som de ondas do mar começa baixinho e aumenta, sem nunca ficar alto a ponto de irritar. O objetivo é você acordar naturalmente, pouco a pouco, em vez de pular da cama com o despertador e passar a manhã sonâmbula até a primeira xícara de café.

Olha, funcionou. Acordei muito disposta, como se estivesse realmente descansada, embora não tenha dormido mais que o normal, e o normal é eu acordar me sentindo cansada. Adorei e recomendo. Não imaginei que a maneira como acordo pudesse afetar tanto meu humor. Vamos ter que arranjar lugar na bagagem para levar isso pro Brasil.

Monday, February 04, 2008

assistam

O Cheiro do Ralo. Melhor filme brasileiro dos ultimos tempos, in my humble opinion.

Sunday, January 27, 2008

lista de livros 2007

Aqui vai a já tradicional lista anual dos livros que li e, em negrito, os top 3.

1) O silêncio da Chuva – Luiz Aldredo Garcia-Roza – livro leve e indolor. Também não deixa grandes vestígios na memória. Recomendável para uma tarde de chuva na praia.

2) The Line of Beauty – Alan Hollinhurst – overestimated. Muita gente ama. Eu achei ok. Um desses page turners que fecha e não é mais aberto. Favorito do público gay.

3) Não Espere Pelo Epitáfio – Mario Sergio Cortella – Surpreendentemente bom. Não punha muita fé no autor, professor de teologia da PUC. Mero preconceito meu. Ele é bom e inspirador.
4) Dubliners – James Joyce – Gostei, mas deveria ter estudado algo de Joyce antes. Ele é difícil, hermético, um ótimo aviso de que não estou pronta para Ulysses ainda. O foda de Joyce é que você invariavelmente se sente burro.

5) Diário de Um Magro – Mario Prata – divertidinho. Para ler na praia num dia de sol e depois dar para outra pessoa ler.

6) Fear and Loathing in Las Vegas – Hunter Thompson – Jornalismo gonzo sujinho, cruzinho. É ok, mas acho que não é o melhor de Thompson. Lerei The Rum Diary em 2008 para comparar e te falo.

7) Ela e Outras Histórias – Rubem Fonseca – terceiro colocado, esse livro me prendeu em vários aspectos. Não só a leitura solta te prende, quanto os personagens ambíguos e profundos de Fonseca apresentam semelhança quase desconcertante com atos censuráveis que muitas de nós, mulheres, faríamos se necessário. Leiam, leiam, leiam.

8) Longe do Abrigo – David Lodge – bom livro, quase pedagógico sem ser mala, sobre a vida de americanos na Alemanha pós-Guerra, e da situação na Inglaterra. Um paradoxo lindo sobre a vida sofrida por que passaram os ingleses (que “ganharam” a Guerra) e a vida divertida e sofisticada dos americanos que continuaram na derrotada Alemanha. Lodge costuma escrever sobre ciência. Aqui ele mostrou que é mais escritor que cientista.

9) The Time Traveller’s Wife – Audrey Niffenegger – Empatado em primeiro. Um livro que tem o dom de misturar ficção científica bem leve com romance bem contado. Quase um sci-fi de saias. Espetacular. E escrito por uma escritora que escreve com o estômago. Não podia pedir mais nada. Mas tenha um kleenex em mãos.

10) As Vidas de Chico Xavier – Marcel Souto Maior – Minha tentativa de entender mais o espiritismo. Gostei bastante e entendo mais. Também fiquei surpresa com o dom do Chico. Mas, convenhamos, não é material literário, e esta é uma lista literária.

11) The God’s Delusion – Richard Dawkins – Chato. Chato, chato, chato. O tempo todo o mané podando a religião. Não sou religiosa mas não vejo graça em quem passa mais de 400 páginas tentando justificar o fato de não ter fé menosprezando aqueles que têm. Não passei de 200 páginas.

12) The Kite Runner – Khaled Hosseini – O outro primeiro lugar. Muita gente leu esse livro e tenho certeza de que se sente redimido ao ver que essa pérola também está no topo da minha lista. Leiam antes de ver o filme. Sério. Ainda não vi o filme, mas por experiência própria, a ordem é importante. Depois venha conversar.

13) Freedom in Exile – HH The Dalai Lama – mais político do que eu esperava, mas ainda assim muito bom para quem tem interesse em entender o Tibet.

14) Travels with Charley – John Steinbeck – Sempre Steinbeck. Relatos de sua viagem ao redor dos EUA em um caminhão chamado Roncinante. Com Charley, seu poodle gigante e francês. Leia para aprender travel writing.

15) O Vendedor de Histórias – Jostein Gaarder – Surpresa boa. Minha mãe achou esse livro no setor infanto-juvenil e, acreditem, ele aborda temas que a maioria dos livros adultos não ousa. Muito bom e criativo.

16) A Spot of Bother – Mark Huddon – Mesmo autor de The Curious Incident… um livro que fez sucesso aqui. Ainda fico com o primeiro. De longe.

17) As Pequenas Memórias – José Saramago – ah, mas será que nunca mais o Saramago vai escrever algo que chegue aos pés de Ensaio Sobre a Cegueira? Aceito sugestões.

Thursday, January 24, 2008

ainda aqui

Passou meu aniversário, fiquei doente, melhorei, (quase) decidimos realmente voltar ao Brasil, comprei minha passagem para ir em abril de visita. Não me peçam encomendas de cá para lá pelo amor de alá porque estarei voltando com parte das coisas que quero deixar no Brasil. Encomendas do Brasil pro UK, beleza, within reason.

E assisti filmes, e estou viciada em Desperate Housewives, e semana que vem recomeça Lost, e hoje começo Yoga. Programa de inverno, meus caros. Because one needs to look forward to something.

E, sei lá, passou tempo demais desde meu último post. Meio que esqueci de muita coisa. Não esqueci que meu amor me levou pra ver o Cirque du Soleil no meu aniversário - isso não esqueci. Também não me esqueci das mensagens amadas. E infelizmente não esqueci daqueles que esqueceram! Acho que é por isso que não gosto muito do meu aniversário. É sempre motivo para frustração. Acho que eu devo valorizar demais a data. É tempo de let it go. Em 2009, em 2009.

Ah, e ultimamente tenho tido uma vontade de abrir meu próprio negócio... Só não sei que negócio. Mas é que fazer dinheiro pros outros cansa um pouquinho. Vontade rápida, já já passa. Se não passar, em breve aqui um convite para a inauguração de sabe deus o quê.

Sunday, January 13, 2008

está chegando a hora?

Devagar para eu não entrar em pânico – e nem vocês. Algumas das decisões que eu sabia que deveriam ser tomadas em 2008 estão tomando forma precocemente. Ainda não sei dar estimativa, porcentagem, nada. Sei que é PROVÁVEL que este ano eu volte para a terrinha.

Isso faz com que meus amigos que moram no Brasil e lêem este blog:

a) fiquem felizes porque há boas chances e eu voltar
b) fiquem putos porque tiveram 4 anos para virem para Londres com hospedagem gratuita e companhia de ouro, e desperdiçaram
c) estejam pouco se fodendo porque nem gostavam tanto assim de mim
d) estão genuinamente achando que estou fazendo merda de voltar para o buraco.

A verdade é a seguinte: Londres cansou um pouco. Não me entendam errado – Londres sera por muito tempo minha cidade preferida ever e precisará de muito para ser desbacada. Só que cansa também. Cansa o frio. Cansa a liquidez das relações. Cansa as despedidas que acontecem sem que você vá a lugar nenhum. Todo mundo indo e vindo o tempo todo. Cansa a falta de frutas tropicais. Cansa a falta de luz e vontade de nadar. Cansa achar que sou sempre um pouco inferior porque inglês não é minha primeira lingual, apesar de muitos dizerem que isso não é realmente um problema. Cansa estar longed as pessoas mais importantes da minha vida e, acima de tudo, cansa pensar que a pessoa mais importante na minha vida no último ano e pouco poderia estar longe de mim.

E nessas horas parece que não importa que eu more num país que me paga decentemente e que me permite viver bem e viajar pelo mundo. Parece não importar que no Brasil o pouco dinheiro que te sobre após as taxas acaba, vira e mexe, no bolso de outro ladrão. Lembro que ao sair do Brasil o que mais me impulsionou foi a vontade de sair do buraco e fazer a vida num país que me valorizasse. No Brasil sempre me senti podada, e pode ser que isso volte a acontecer. Pode ser. Mas as circunstâncias são outras. Antes, eu não tinha um real motivo para voltar para o Brasil; hoje eu tenho. E é isso que me faz ver 2008 como um ano que promete. Se for para ser, voltarei ao Brasil com gusto. Sorriso de orelha a orelha e vontade geuína de ver as coisas funcionando, na minha vida e no país.

E se não der certo, well, se não der certo de novo, nada, por enquanto, me segura em lugar algum.

E chega de cansaço. Londres é minha cidade preferida, mas ela me deixa meio envelhecida. Quero recomeçar restless. Vamos ver o que os ventos trazem.

Wednesday, January 02, 2008

'moaning' no primeiro post do ano

Eu tinha esquecido por quê não gostava de escrever no blog pelo meu Mac e agora lembrei. O Word pra Mac é uma bosta, como tudo que a Microsoft faz pra Mac.

O ano mal começa e já destilo meu veneno e espalho meu mau humor. Ontem foi um dia beeem ruinzinho para ser o primeiro do ano. Uma dor de cabeça inexplicável para quem não bebe, um sono latente inexplicável para quem dorme muito, uma preguiça inexplicável para quem, ultimamente, não faz nada.

Aí acordei com a cabeça explodindo no meio da noite. Tomei remédio e acordei nova.

Ano novo foi muito gostoso. Não vi fogos apesar de eles estarem etourando diante do meu nariz. Pelo menos não cuspi fogo com pessoas pisando no meu pé. Fiquei no lado de trás do barco, onde nada se via mas pelo menos se respirava. Foi gostoso. Só a gente e o reflexo dos fogos nas janelas.

Mais uma vez, não fiz promessa de ano novo. Não porque tenho algo contra, mas porque sempre fico meio confusa e acabo não decidindo se a promessa é cumprível ou não. Tenho vontades, e sei que ficarei feliz se x ou y acontecerem, mas não vou prometer. Prometer é muita coisa para alguém que se leva a sério. Parece que não, que o tempo todo tiro sarro de mim mesma, mas isso não passa de uma defesa para não encarar o sério e certo. Riri de si próprio é o gesto mais sério que se pode ter. Porque se levar a sério o tempo todo, meus amigos, isso sim é que é piada.

E lá vai mais um post sem pé mas com cabeça.

Thursday, December 27, 2007

I'll make the most of it

Vim trabalhar de novo. Só eu, claro. Estou sozinha em todo o meu andar e a sensação de abandono é quase ensurdecedora. Mas vou tocar meu trabalho. Enquanto isso, ouço CBN pela internet. O Heródoto acaba de noticiar que este foi o primeiro natal em não sei quantos anos que não houve nenhum seqüestro registrado na cidade de São Paulo. Uma grande conquista pra cidade, não é mesmo? Mas uma comemoração meio tosca para quem está “do lado de cá”.

**

Byrifoy e eu enfrentamos o terror do Boxing Day em Oxford Street. Guerreiros, conseguimos manter o bom humor e sair da batalha com um par de tênis cada um, pela bagatela de 15 pilas, e um jogo de Wii deveras, deveeeeras divertido e viciante.

Vou dar uma passadinha na Topshop na minha hora de almoço. Oras, tenho que me fazer agrados depois de chegar no trabalho e saber que sou a única em todo o meu andar. É deprimente, gente. As luzes são sensíveis a movimento, então se quero ir até a cozinha fazer um café, tenho que andar abanando os braços, senão tropeço e me esborracho – sozinha.

**

Natal? Foi ótimo. Apesar de muito longe, como disse anteriormente, value a pena. A Dri Pinheiro cozinha muito. Muito mesmo. Cozinha como adulto, sabe? Peru inteiro, , farofa, pernil, risoto, um espetáculo gastronômico. Fizemos inimigo secreto e ganhei um tapa orelhas. Inimigos brandos, esses.

Foi gostoso. Acho que todo mundo meio que escondeu as saudades e a vontade de estar em outro lugar atrás de álcool e otras cositas más. Eu, que não tenho esconderijo, quase estraguei a já branda maquiagem ao falar com a Bathatha quando bateu meia-noite aqui em Londres. Foi estranho. Ninguém comemorou, as pessoas não saíram se abraçando. Da nossa parte, eu e Byrifoy entramos numa bolha e selamos um feliz natal com um beijo rápido. Ou talvez nem isso, ou mais que isso, não lembro. O estranho é que não fazia diferença. Como se fosse um natal de mentira. Gostei, claro, mas gostei como gostaria de uma festa de Halloween em fevereiro. Uma festa boa, mas cujo motivo de comemoração continua vazio.

Que venha o ano novo.

Monday, December 24, 2007

I'll make the most of it

Vim trabalhar de novo. Só eu, claro. Estou sozinha em todo o meu andar e a sensação de abandono é quase ensurdecedora. Mas vou tocar meu trabalho. Enquanto isso, ouço CBN pela internet. O Heródoto acaba de noticiar que este foi o primeiro natal em não sei quantos anos que não houve nenhum seqüestro registrado na cidade de São Paulo. Uma grande conquista pra cidade, não é mesmo? Mas uma comemoração meio tosca para quem está “do lado de cá”.

**

Byrifoy e eu enfrentamos o terror do Boxing Day em Oxford Street. Guerreiros, conseguimos manter o bom humor e sair da batalha com um par de tênis cada um, pela bagatela de 15 pilas, e um jogo de Wii deveras, deveeeeras divertido e viciante.

Vou dar uma passadinha na Topshop na minha hora de almoço. Oras, tenho que me fazer agrados depois de chegar no trabalho e saber que sou a única em todo o meu andar. É deprimente, gente. As luzes são sensíveis a movimento, então se quero ir até a cozinha fazer um café, tenho que andar abanando os braços, senão tropeço e me esborracho – sozinha.

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Natal? Foi ótimo. Apesar de muito longe, como disse anteriormente, valeu a pena. A Dri Pinheiro cozinha muito. Muito mesmo. Cozinha como adulto, sabe? Peru inteiro, farofa, pernil, risoto, um espetáculo gastronômico. Fizemos inimigo secreto e ganhei um tapa orelhas. Inimigos brandos, esses.

Foi gostoso. Acho que todo mundo meio que escondeu as saudades e a vontade de estar em outro lugar atrás de álcool e otras cositas más. Eu, que não tenho esconderijo, quase estraguei a já branda maquiagem ao falar com a Bathatha quando bateu meia-noite aqui em Londres. Foi estranho. Ninguém comemorou, as pessoas não saíram se abraçando. Da nossa parte, eu e Byrifoy entramos numa bolha e selamos um feliz natal com um beijo rápido. Ou talvez nem isso, ou mais que isso, não lembro. O estranho é que não fazia diferença. Como se fosse um natal de mentira. Gostei, claro, mas gostei como gostaria de uma festa de Halloween em fevereiro. Uma festa boa, mas cujo motivo de comemoração continua vazio.

Que venha o ano novo.

"trabalhando" no natal

O que mais há para se fazer quando se tem que trabalhar no dia 24 de dezembro? Escrever no blog, claro. E fazer besteira.. O plano do dia é fazer uma coisinha ou outra e depois roubar o aquecedor portátil que não é usado para levar para o pé da minha cama, onde será acolhido com amor por quatro gélidos pés. Sim, roubarei temporariamente. Devolverei no final do inverno. É pequeno para caber numa sacolinha do Sainsbury’s, e vai fazer toda diferença e felicidade de um lar já feliz.

Então é natal. Eu e Byrifoy (esse apelido, de tantos novos que surgiram, já virou um clássico demodê, mas criei a tradição aqui, então assim permanecerá) vamos passar o natal da casa da Dri Pinheiro, uma fofa que mora longe, bem longe. Conosco, uma cambada de brasileiros.

Aaaanyway, falo do natal quando ele acontecer.

Vou falar da Madeira. Foi fantástico. Mesmo. Uma das melhores férias que já tive, senão A melhor. E essa foi minha terceira vez na Madeira. Acho que a companhia influenciou um pouco, hehe. Byrifoy e eu ficamos no Cliff Bay, um hotel sem palavras. Fomos tratados como reis, ficamos na melhor suíte e fomos sujeitos a todas as regalias possíveis e imagináveis. Tínhamos TV de tela plana no quarto. Tínhamos uma cama de casal do tamanho de duas camas de casais. Tínhamos uma varanda que praticamente nos jogava no mar. Tínhamos chuveiro e banheira. Tínhamos vinho de graça (só para constar; o vinho nem foi aberto). O café-da-manhã era um desbunde. Comi french toast todos os dias. Tínhamos duas piscinas para escolher, e mais uma jacuzzi. Tínhamos serviço de quarto duas vezes ao dia. Enfim. Não vou listar mais pormenores senão isso vai parecer meus diários de bordo de quando eu tinha 10 anos e colava uma amostra do papel higiênico do hotel na página. É sério. Easily amused, I was.

E a Madeira. Porra, não preciso falar muito. Quem foi sabe que as fotos do post abaixo não fazem jus ao lugar. Madeira é encantada em tantos aspectos que chega a ser uma sacanagem com o resto do mundo. O clima é perfeito. Tem praia, tem montanha, tem mato, tem cidade. Tudo ao alcance de todos. Povo simples e feliz. Simpático. Comida estupenda. Brisa Maracujá. Byrifoy e eu não acreditávamos que cada dia chegava ao fim sendo mais um dia perfeito. Também fizemos um curso de mergulho. Somos mergulhadores certificados PADI e já estamos atrás de parceiros de viagem para se perder em mares muito d’antes navegados, por favor, porque somos principiantes.

A primeira sugestão amiga foi Egito, da Bea Preguiça. Eu tô dentro. Em algum momento do ano que vem.

Por ora é isso. Vou trabalhar por pelo menos uma horinha. E olhe lá – posso ser bem mal-criada já que não vou ganhar presente de natal anyway.

Friday, December 21, 2007

Madeira

fotos aqui.

relatos depois.

Friday, December 07, 2007

countdown

Acho que bati o recorde. Dez dias sem escrever, é isso? Estou bem e viva. Nessa ordem. Continuo igual – reclamando do tempo, de sono, de ter que viver em meio a milhões de pessoas que também lamentam viver entre milhões de pessoas. Continuo, no entanto, sorrindo para coisas pequenas que ninguém mais percebe, tenho certeza.

Mas estou sublimando isso tudo porque Byrifoy e eu vamos para Madeira. E é nessa terça! Eu disse ESSA TERÇA – só para garantir que Byrifoy realmente entendeu que não é quinta, como ele achava até ontem.

Vamos ficar no Cliff Bay. Eu sei, eu sei, eu também ficaria com inveja se não estivesse indo. Oito longos dias à beira-mar ou no topo da montanha, o que mais nos aprouver na hora. Estamos também querendo fazer curso de mergulho e finalmente tirar aquele certificado que cobiço há anos. Meu tio Michael vai nos emprestar um carro, então já estamos resolvidos para transporte também.

E chega porque estou cansada e com fome. Viram? Não mudei.

Tuesday, November 27, 2007

numa fria

Uma das noites mais estranhas, ontem. Estava quase caindo no sono, e ouvi a voz do Byrifoy lá na sala. O estranho foi que eu não esperava ouvir a voz dele, mas sim a voz da minha mãe ou da minha irmã, como se ainda estivesse no Brasil. Depois acho que ouvi o Byrifoy falando em espanhol, mas pode ser puro delírio.

Pouco depois acordo encharcada de suor. Abro a janela pra deixar um frio perto de 0 grau entrar. E sabe deus como eu ainda resmunguei qualquer coisa pro Byrifoy quando ele veio dormir de forma que ele foi lá e fechou a janela, pelamordedeus.

Estranho indeed.

**

Ontem fui nadar. Pela primeira vez em quase um ano. Foi ridículo. Me senti humilhada. Não por ninguém, mas por mim mesmo. Porra, eu fazia maratonas aquáticas, nadava quase 2 horas todo dia e competia 10km em mar aberto no campeonato paulista. Que porra é essa? Nadei 10 minutos e meu braço ficou pesado como uma lasanha quatro queijos. Parei um pouco, nadei um pouco. Completei meia hora e saí, sacudindo a cabeça de indignação. Hoje acordei com os tríceps doloridos. Meia hora, meia hora. Por que fui cagar assim?

Claro que quero voltar a nadar, mas cadê o estímulo? Aquela história de que o problema de estar no topo é que a queda é braba é, vacamente, verdade.

Sunday, November 25, 2007

e de novo com vocês, Dri

"Tenho por princípio nunca fechar portas,

mas

como mantê-las abertas
o tempo todo
se em certos dias o vento quer
derrubar tudo."

Eu, que achei que a teria abandonado de vez. Acho que não, que nunca. Acho que Inverno vai sempre congelar meu coração e fazê-lo tal qual uma uva passa. Quase esqueci que o destino sempre me quis só. Mesmo quando bem acompanhada.

Num deserto, sem saudade, sem remorso
Só.

Parece que o inverno aqui está pegando. Mas eu nunca, nunca ignoro meus invernos internos. Preciso entender o que há. Porque há.

Friday, November 16, 2007

mudando sem sair do lugar

Mudei de lugar no trabalho. Continuo fazendo as mesmas coisas, mas agora sento no primeiro andar em vez do segundo. Longe do meu chefe, já que o meu portfólio agora faz parte de um outro. Não entendo por que por aqui as pessoas mudam tanto de lugar fisicamente mas continuam fazendo exatamente as mesmas coisas. Oh well. Deve ser mais um desses gestos corporativos que nunca entendi, nunca vou entender.

Mais um fim de semana chegando, mais uma onda fria, muito fria. Amanhã de tarde devo encontrar o pessoal do meu antigo trabalho. Hoje, apenas uma das pessoas que estarão lá continua trabalhando no mesmo lugar. Aliás, aproveito o ensejo para dizer o quanto estou gostando do meu trabalho. Achei que nunca iria realmente gostar de marketing, mas algo em mim disse pra eu insistir mais um pouco antes de voltar para a vida miserável do jornalismo. E, olha, valeu. Posso dizer que realmente gosto do que faço, que as segundas-feiras não são mais tão tristes e a sextas não mais tão felizes. Tá, claro que sexta-feira é sempre feliz. Mas quando se gosta do que se faz, a vontade de que a semana acabe logo deixa de ser tão intensa. E fazia muito tempo que não sentia isso.

**

Continuo na minha empreitada mestre-cuquística. Essa semana as novidades foram lasanha e brownie. Os dois saíram OK. O Brownie, mais que OK. Soberbo, eu diria.

**

Estou com mania de contar quantos espirros dou por dia. É TOC isso?

Monday, November 12, 2007

Wednesday, November 07, 2007

brainy rush

Nevermind que o curso de francês era pra ser feito todo dia e até agora uma semana se passou e eu fiz vergonhosa uma aula. Tão típico! Hoje quero fazer a segunda. Não. Hoje VOU fazer a segunda. Mas tá difícil sentar no computador de noite depois de passar tantas horas camelando no computador do trabalho. Simplesmente não rola.

Estou cansada. Bem cansada. Não aquele cansaço ruim, de basta dessa vida; um cansaço depois de fazer muita coisa mesmo. Um cansaço justificável e coerente: trabalho, me concentro, canso depois de muitas horas, quero descanso. Nada mais natural. Este é o ciclo do meu dia. Acordo com muito sono, mas com o primeiro galão de café a vida fica mais fácil. Daí só paro mesmo para almoçar (geralmente resolver coisas na rua) e quando termina o batente. Com ocasionais paradas xixícias.

**

Estou quase suportando a idéia de que não há nada me esperando. Que a vida é isso que acontece todo dia e vez ou outra o vento faz mudar de direção. Um pouco mais serena. Nunca o suficiente. Mas mais ou menos convencida de que é isso aí – e, se é isso aí, que eu possa aproveitar sem esperar nada lá na frente.

Odeio ler ou escrever em termos abstratos. Mas tenho certeza de que essa é uma das conclusões mais concretas a que já cheguei desde não sei quando. Muito, for sure.

**

Ah, sim, tem também o caso de fraude de que minha mãe foi vítima. Aquele do seqüestro, batido mas que ainda funciona. Mas não tô a fim de falar disso. Nem um pouco. Já fiquei com o estômago bastante revirado com a história. Além, claro, do natural desânimo de vir do Brasil e um dia talvez voltar.

Wednesday, October 31, 2007

Je allons a appris!

Aí, né, que agora ninguém segura. Que eu fiz esse curso. Que é de marketing integrado e tem um monte de matemática em inglês e é difícil e o difícil é legal. Aí que eu estou com aquela síndrome de cérebro-maravilha e acho que posso tudo. Posso aprender tudo, posso e devo. Aí que eu quero tirar nota alta e fazer a lição de casa e ser a primeira a levantar a mão quando a professora (no caso CEO da empresa) pergunta. E aí que o curso acabou mas eu cismei que quero aprender a fazer os cálculos que não consegui. Aí que estou assim, com mania de aprender. Cheguei em casa e comecei meu curso básico de francês. Nous allons à Nice! Oui, nous allons à Nice. J’aime le soleil, la plage et belle et j’aime le vin!

Disparei. Fodeu. Au revoir.

Monday, October 29, 2007

kicking mood

Ando violenta. A culpa não é minha, mas dos filmes que tenho visto. Na semana passada vi Tropa de Elite. Nesse fim de semana, fui ao cinema ver Eastern Promises (não sei o nome em inglês e nem se já chegou no Brasil, mas se passa em Londres e é sobre a máfia russa que aqui vive).

Gostei muito dos dois. Gostei muito de Tropa de Elite. Se é fiel à realidade ou não, não sei. Se a intenção era ser fidedignou ou não, não sei. Gostei do filme como filme. O Wagner Moura tá, como sempre, muito bom. O enredo cativa e prende. Querendo ou não, o filme mostra um dos catch 22 mais intrínsecos e escrotos do Brasil atual: A classe média/alta que não agüenta mais violência é a mesma que consome drogas e alimenta o tráfico - que naturalmente gera violência.

O diretor é o mesmo de Ônibus 174. Para quem acha mesmo que Tropa de Elite glorifica o BOPE, vai ver o outro filme, este sim de tom jornalístico e compromissado com a verdade.

Já Eastern Promises, achei muito bom. Byrifoy achou que faltou aprofundar na questão, mas como eu nunca soube nada sobre máfia russa em Londres, a abordagem foi perfeita. 110 minutos que passam sem piscar.

Mas sobre eu andar violenta, não é nada novo. Aquela velha história de não suportar multidões. Estava andando pelo centro de Londres com Byrifoy sábado à noite. Mais de meia-noite e aquela multidão (bêbada) pelas ruas. Frio, tarde, porra, vão para casa! Um inferno, um inferno. Seduz-me e muito a idéia de passar um tempo no countryside. Por ora, pelo menos mais um mês há de se passar até que eu me aventure por Leicester Square e adjacências novamente. Amigos londrinos que lêem este blog, não me chamem para eventos no centrão. É sério, eu não vou. Não sou palhaça e não fico bêbada.

**

Fora isso, a vida tem cheirado a crisântemos. Estou novamente sentindo vontade de escrever, apesar de estar feliz (porque até agora as duas coisas pareciam inversamente proporcionais). E exatamente um ano se passou e continuo apaixonada. Para comemorar, levei Byrifoy para ver os Shaolin Monks lutando Kung Fu. Adorei o espetáculo. E adorei ver que o presente foi bem escolhido.

Wednesday, October 24, 2007

the bitter taste of trauma

Cheguei. Fiquei doente mesmo. Minha mãe foi embora. A vida voltou ao que era. De volta ao trabalho. Muito trabalho.

Praga é linda, mas cheia de contrastes. Se de um lado ainda dá para notar a influência soviética nos modos das pessoas (grooooossas bagarái), eles também caíram de boca no capitalismo, cobrando para uma mera mijada, para tirar fotos, para absolutamente tudo. Não vá para Praga sem dinheiro se você pretende ficar lá mais de um dia – ou está fadado a se entediar. Já com dinheiro, todas as portas se abrem e você descobre uma Praga maravilhosa.

E no começo consegui ignorar minha gripe, mas com o passar do tempo foi ficando mais difícil. Depois de um dia de muito frio em Terezín, cidade vizinha em que ficava um dos principais campos de concentração da então Tchecoslováquia, caí de cama para assim ficar até a hora de ir embora. Pelo menos consegui ver tudo o que queria. Faltou o que não queria mas que poderia me surpreender. Oh well, tenho que me dar por feliz. O hotel era confortável para abarcar uma hóspede deveras resmungona.

O tempo voou naquela cidade de brinquedo. Voltei meio com medo de voltar para alguma coisa que não sei bem o que é. No dia seguinte à minha chegada, não fui trabalhar porque ainda estava gripada. Mas sair para fazer compras no supermercado foi difícil, e não pela gripe. Sair foi difícil. Por algum motivo que não consigo entender, estava com medo de sair na rua. Vejam bem, entendo a sensação; não é a primeira vez. Não entendo apenas a razão. Medo de sair na rua e ter que desviar das pessoas que parecem correr na minha direção? Talvez. Mas não é só isso. Medo de ter esquecido, de ter enlouquecido mais um pouco. De não conseguir trabalhar com a eficiência com que tenho trabalhado. Acho que estou chegando mais perto. Tem a ver com a sensação que tenho toda vez que volto de viagem desde que a merda da Business Monitor fodeu com a minha cabeça quando saí de férias e, quando voltei, tive de enfrentar duas chefes medrosas que precisavam culpar alguém por não ter atingido uma meta que eu não tinha como atingir já que estava viajando.

Maybe I got to the bottom of it, maybe not. Escrever é bom. Quase, quase cheguei perto de começar a esquecer.

Mas enfim, estou de volta ao trabalho e meu chefe disse que a semana em que estive ausente passou sem sustos ou pendências, além de ter tido resultado de vendas bem favorável, para meu alívio e quentinho no coração.

Aquela Business Monitor realmente fodeu com a minha cabeça. Já faz três anos e cá estou, ainda sentindo o aperto no peito e o medo do mundo que eles me impingiram.

Wednesday, October 17, 2007

praga de Praga

OE de PRAGA.

Estou doente.

A cidade eh linda, mas estou doente.

O tempo estah lindo, mas estou doente.

Tudo eh lindo mas estou doente. Eh a primeira vez no ano que fico doente, e tem que ser quando venho pra Praga. Que praga...

Estou adorando. Mas meio que cuspindo sangue. E com dor de cabeca e talvez febre. Mas estou pensando em aplicar aquele meu golpe basico de fingir que nao eh comigo e sair mesmo assim. Ai se amanha estiver pior eu sossego. Eh isso. Soh sossego se piorar. Porra, cidade tao linda e eu de cama? Nao, nao.

Vou sair e soh volto antes da hora para o hotel se estiver muito, muito mal.

Wednesday, October 10, 2007

foca brega, arrogante, supimpa

Continuo sem tempo. Acho que não é mais um estado, e sim uma constante. Mas eu gosto de escrever no blog, mas eu canso às vezes. Mas eu gosto, eu gosto, preciso lembrar que eu gosto. De escrever e de ser lida.

Tá. As novidades. Não muitas. Quer dizer, sempre tem.

Minha mãe chega amanhã. Segunda-feira vamos para Praga por uma semana.

Continuo firme na minha proposta de cozinhar algo novo pelo menos uma vez por semana. Já fiz bolo de cenoura, strogonoff, chicken hot pot (não sei a tradução!) e macarrão ao forno. Até agora tudo deu certo, ou quase. Juro que estou tentando pegar gosto pelo negócio.

Ganhei um bônus pelos meus dois primeiros meses de árdua labuta no emprego novo. Sardinha pra foquinha. Não tô reclamando, não. Vai pagar boa parte dos meus gastos na Ilha da Madeira em dezembro. Sou nojenta ou não sou? Uma foquinha arrogante.

Logo mais Byrifoy e eu completamos um mês na casa nova. E mais um pouquinho completamos um ano juntos. Vou parar de escrever - altos riscos de breguice. Não se enganem though, a breguice está guardada aqui no meu peito e será bastante usada entre quatro paredes.

Supimpa. Minha vida está supimpa.

Monday, October 01, 2007

um pouco

Em resumo, porque continua foda.

- Minha avó morreu. Finalmente a velhinha descansa. Claro que fiquei triste.
- Mudei de casa já faz duas semanas. Estou amando a nova casa, a vizinhança e o novo “roommate”. Claro que estou feliz
- Fiz o primeiro bolo da minha vida. Bolo de cenoura. Ficou “muito bom”, segundo o roommate Byrifoy. “Melhor que o meu”, lembro-o dizer.
- Terminei um freela para o Observatório da Imprensa – um dos motivos da ausência no blog.
- Peguei outro freela de revisão – um dos motivos da minha ausência no blog nos dias vindouros.
- O trabalho vai bem. Trabalho muito mas estou gostando. E sendo reconhecida.
- Em menos de duas semanas binha bãe chega. Em duas semanas, vamos para Praga.
- Temos Wii em casa. E uma freeview box. Mais motivos para ausência.
- Ainda não temos internet – mas o vizinho tem, e, *poor thing*, deixa a rede aberta para parasitas como nós chupinharmos. Mas essa semana já devemos estar dentro da lei de novo, com nossa própria internet.

Friday, September 21, 2007

Injustificável, eu sei.

Mas then again, quem disse que preciso me justificar?

Thursday, September 06, 2007

a senha do inbox dele - ou o passaporte para a merda


Aí um dia eu tive a oportunidade de ver a senha dele. Ele tapou meus olhos, mas eu vi por entre seus dedos. E eu tentei não decorar mas não consegui. E daí fui dormir, e quando acordar quis ter esquecido, mas não esqueci.

A senha. A senha do email. Descobrir senha é hoje o que ouvir na extensão do telefone era há 20 anos e o que procurar marcas de batom, arranhões ou perfumes pouco familiares eram há 30.

E eu “sem querer” memorizei. E fiquei com aquela informação pesando. Eu poderia ler todos os emails dele. Eu poderia escarafunchar cada mensagem enviada, cada mensagem recebida. Eu podia. A Verdade vem dos emails. As maiores Verdades do século 21 foram descobertas fuxicando emails alheios. E justo eu, curiosa, curiosíssima, mas orgulhosa demais para perguntar qualquer coisa, com aquela maldita informação preciosa.

Hoje está tudo bem, mas vai que um dia me bate aquela insegurançazinha, aquele deseperinho, aquele vaziozinho tão mulherzinha? Aí posso recorrer ao poço da Verdade, o inbox dele. Sim, posso! Posso descobrir coisas e passar horas me divertindo ou me flagelando. Até inventar eu posso, sob o pretexto de poder inferir. E ele nunca vai saber.

Mas eu vou. Vou sempre saber. Vou sempre hesitar. Vou sempre desconfiar. Por mais que não queira. E odeio não poder controlar sentimentos tão reptícios. Odeio saber que eles vão estar sempre a espreita.

E num impulso de boa índole, de quem quer que as coisas realmente funcionem, falei assim que lembrei que não havia esquecido: “eu memorizei sua senha”. Ele só acreditou quando eu falei. Franziu a testa meio bravo, mas acho que foi puro reflexo. É chato se sentir desmascarado mesmo quando nada aconteceu. Foi uma desmascarização em potencial. Mas eu fiz o que era certo, o que era direito. E eu sei que no fundo fiz um gesto respeitoso e respeitável.

Ele mudou a senha e eu continuo confortavelmente longe do que nem meu é.

Porque é assim: relacionamento tem sempre milhares de pontos prontos para encrespar, milhares de começos de fins. É muito fácil se deixar seduzir – quem não faria a festa com a senha de email do amado? Mas há conseqüências. Sempre há. E eu não estou a fim de encrespar linhas tão lisas. Com orgulho eu afastei um dos muitos começos de fins que assombram os relacionamentos.

Fui daquele melhor tipo de medroso: o que tem medo de foder com o que está muito, muito bom.

Tuesday, September 04, 2007

filtros

Bem ela não está. Leucemia galopante (que termo, que termo). E quando eu perguntei inocentemente se eu ainda a veria, mamãe respondeu: imagino que não, mas eu entendi: óbvio que não. E aí doeu um pouquinho porque aquela história de que para sempre é tempo demais é clichê mas é verdade. De qualquer maneira, guardo uma foto dela no meu celular. E quando aperta eu dou zoom na foto, ora nos olhinhos quae fechados de tanta ruga, ora na boca cheia de linhas mas com um digno batom, ora na orelhinha que carregou tantos brincos, ora na cabecinha branca e cuidada por fora, desgastada por dentro. Minha vó. Ela ainda não se foi, mas já aperta a saudade e a garganta e o estômago. Afinal, é quase aritmético que não vou mais a ver.

**

Contagem regressiva para minha mudança. É domingo, minha gente, é domingo!

**

Sobre o post anterior, parem de perguntar, please. Se quisesse falar eu falava. Passou e não me abalou. Só na hora. Agora estou de novo inalterada no caminho que escolhi. Nunca acreditei em uruca anyway.

**

Semana agitada. Ontem fui ver a casa nova mais uma vez, eu e Byrifoy queríamos rever detalhes importantes. É, de fato, uma casa pequena. Terei que deixar coisas pelo caminho. Estou me desfazendo de tranqueiras com um sorriso de orelha a orelha. É bom precisar de menos.

Hoje depois do trabalho, talvez, vou encontrar a Carol, amiga da PUC que veio passar uma semana em Londres. Amanhã é dia de horas de papo com a amada Bobby. Faz ridículos meses que não nos vemos. Quinta eu queria já estar com o contrato da casa assinado, idealmente, para parar de panicar. Nada assinado e em teoria nos mudamos no domingo.

Sexta e sábado – empacotar, empacotar.

Domingo – mudar. E soltar uma grande e merecida bufada ao final do dia.

Thursday, August 30, 2007

sai, uruca!

E a saudade?

“Bia, a única novidade é a saudade. Principalmente saudade de vc nas travessias.
Vc estava nadando muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito...lembra! Prova de 10Km...não é
para qualquer um!”

Saudade do meu técnico brigando comigo. Quando ele manda um email como o acima dói ainda mais. Ele não é de elogiar o certo, ele é de xingar o errado. Assim fico ainda mais longe daquela realidade.

**

Talvez eu mude esse fim de semana, talvez não. Talvez eu vá acampar em Kent, talvez não. Consegui o microondas, vou buscar na sexta. Falta pouco para tudo mudar. Estou feliz.

**

Incrível como tem gente que simplesmente não suporta ver os outros felizes quando estão infelizes. Eu tive o azar de ter uma pessoa dessas tão próxima de mim. Mas fica um conselho: não rola. Já era. Desista. Não gaste sua pouca energia. Tô feliz e forte e além do ponto em que suas pequenices sejam capazes de estragar. É bem maior que você, a minha felicidade. No máximo solto umas fumacinhas de raiva e depois lembro do quanto estou bem, e do quanto você está fodida, e aí a raiva vira pena.

E de novo, de novo você perdeu. Porque se continuar querendo cultivar intrigas, você jamais vai sair da merda, e vai sempre perder, e as merdas que você cultiva hoje vão voltar para te afundar porque você ainda não aprendeu a superá-las, então está fadada a repeti-las. Você é meio burra. E você me cansou. Eu tentei ajudar, agora pouco me importa se a merda te tapa os olhos. Você já não me interessa. Por favor, fique longe de mim e do que é meu. Espalhe sua infelicidade e frustrações, suas faltas de orgasmos e sorrisos, com os pobres coitados que vão ter que te aturar. Eu só terei que agûentar esse veneno por pouco tempo.

Que pena que você virou esse monstro.

A verdade é que fui cabeça-dura – eu devia ter ouvido as pessoas ao meu redor.

Tuesday, August 28, 2007

empty sobbing

E cá estou, mais uma vez, tentando recuperar o tempo perdido. Não vou entrar em detalhes porque em detalhes só se entra quando se escreve todo dia, então não tenho mais esse direito, não agora.

O dia de me mudar para a casa nova parece galopar na minha direção. Eu acho ótimo. Quero mudar logo, me estabelecer logo e parar de, ridícula e injustamente, sentir saudade dele no meio da noite.

Esse fim de semana arrecadamos umas panelas ótimas. Acho que de principal só falta mesmo o microondas.

Ontem foi a festa de dissolução da casa do Byrifoy. Triste e feliz. Eu, bem mais feliz que triste. Mas, claro, vou sentir saudade de chegar lá com saudades. Tem nada não. Guardo as saudades para outras pessoas e situações. Não me faltam aparatos.

**

Minha vó tá mal. Não sei quão mal, mas na idade dela qualquer malzinho já assusta. Foi internada ontem no hospital. Fiquei sabendo no meio da festa na casa do Byrifoy. Estragou, confesso. Fui embora porque não tava mais sendo simpática. Aos que sentiram falta do meu beijinho de tchau (e lêem esse blog quase bissexto), ei-lo aqui, smack, e fiquem contentes.

Parece que ela melhorou um pouco hoje. Princípio de pneumonia nunca é bom. É tão ruim estar longe... Me sinto por fora, meio desolada, mas pelo menos não me sinto sozinha.

Saturday, August 18, 2007

oi

Calma. Não tá fácil arranjar tempo. Na verdade, verdade mesmo, falta inspiração. Como já disse, tem mais coisa acontecendo fora do que dentro, então, pela primeira vez em muito tempo, preciso cuidar de fora e o de dentro vai ter que esperar.

Os highlights são os seguintes:

* Byrifoy e eu achamos casa. Vamos morar em Pimlico, bairro ótimo e central. Mudamos dia 9 no máximo. Não vejo a hora.

* O trabalho novo é bem legal. Bem mais puxado, o que acho ótimo. Ainda não me entrosei muito com o pessoal, mas aqui é assim mesmo. Até te chamarem pra tomar um café em casa pode contar pelo menos um ano.

* Estou pensando em passar esse fim de ano aqui e ir pro Brasil só no começo do ano que vem. A ver.

* Adoro sábado de manhã.

Friday, August 10, 2007

home and away

Tá. Eu sei que bati o recorde. Foda-se. Não tenho tido tempo e nem vontade de escrever. Talvez porque esteja num dos raros momentos em que tem mais coisa acontecendo fora do que dentro de mim.

Trabalho novo. Estou me assentando aos poucos. Curtindo. Ainda sou aquela menina nova, sem amigos, estrangeira, mas foda-se. Sempre foi assim e nunca foi um problema. O trabalho em si está bem legal. Bem mais que o antigo. Claro que o antigo era cheio de pessoas que eu conhecia e de quem gostava. Mas é uma questão de tempo, I know. Aqui, ainda mais que no Brasil, amizade leva muito tempo. E mesmo assim, depois de anos, a intimidade ainda é superficial. Ou é brasileiro que é muito intrometido. Ou um pouco de cada, o que é mais sensato.

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Vou mudar de casa. Resolvemos nas últimas semanas. E “resolvemos” não envolve minhas flatmates, e sim eu e o Byrifoy. Resolvemos tentar morar juntos. Haha, coitado.

Brincadeira.

Sou muito legal e cordata.
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Estamos naquela insanidade de ver casas, ver termos, pensar em todas as possibilidades e limitações, e lá vou eu para minha sétima residência em Londres.

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No mais, o sol brilha e minha mente está quieta sob o cafuné doce da Fluoxetina, minha amante preferida – eu vou embora e ela me recebe de braços abertos quando volto.

Esse fim de semana, além de ver casas, vou ciceronear a Déa, que vem de Paris cheia de bicos passar o fim de semana comigo. A primeira vez que a vejo em mais de três anos. O tempo muda de significado quando se mora fora do Brasil. Ficar sem ver alguém por três anos equivale a três meses quando se está perto. Pensando assim, pelo menos, minha vida fica menos absurda.

E chega. Acho que enferrujei.

Sunday, July 29, 2007

let me be me

Rápido que realmente a vida anda corrida. Se eu não corer também sou engolida. Voltei de Berlim e Amsterdã. Minha irmã voltou pro Brasil. Eu voltei para minha vida aqui. Amanhã começa o trabalho novo e é por isso que está tudo igual e tudo diferente ao mesmo tempo. Diferente, nem preciso explicar; igual, nem preciso explicar.

Ansiosa pra porra. Fluoxetinada novamente, mas ainda assim ansiosa. Levando susto com penas que caem pelo ar na minha frente. Me coçando sem ter coceira. Comendo unha e respirando daquele jeito que algumas pessoas reconhecem já de longe (né, mirrrrmã?).

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E ando apaixonada. Minha paixão vem em ciclos, mas cada vez que ela aperta mais, ela fica mais madura e evolui, evolui. E eu me sinto uma menina com coração de senhora e depois de segundos me sinto senhora com coração de menina. Só não me sinto e sou a mesma coisa. Nunca fui dessas de fazer sentido, nunca vou ser, você nunca vai imaginar exatamente o que se passa na minha cabeça e nem qual a frase seguinte que vou falar. Mas hoje, hoje você soube exatamente quando me abraçar, e me fazer carinho com o pé, e me dizer que está tudo bem, que vai dar tudo certo, e que de uma certa forma, só minha, eu sei ser adorável. E isso bastou. Minha ansiedade continua altíssima, mas agora disputa espaço com meu amor. Um amor que me surpreende todo dia. Eu, de todas as pessoas. Eu, que nunca soube o que era a vida sem ironia. Eu, que nunca sorria meu sorriso mais verdadeiro para homem algum que não fosse meu pai.

Brigada, meu amor.

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Amei Berlim, amei Amsterdã, acho que ouso dizer para desespero e indignação de alguns que gostei mais de Berlim que de Amsterdã. Mas talvez isso seja porque peguei tempo bom em Berlim, e porque lá tem mais coisa pra fazer, e porque tenha muito turista em Amsterdã, e muita turminha de jovens maconheiros querendo pegar mulher. Nada mais enervante, como bem sabem.

Quem sabe um dia desses eu conto como foi a saga da ida no aeroporto. Nunca fiquei tão perto de perder um vôo em toda a minha vida. Mas agora não. Tenho que descansar, relaxar, adormecer docemente porque amanhã será um dia cheio de emoções para esse coração idiota que ainda acelera pelas causas erradas.

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Ouvindo Nina, sempre Nina. Ultimamente como um mantra. Let it be me.

Saturday, July 21, 2007

rapidao

De Berlin. Isso aqui eh foda. Indo pra Amsterdam amanha. ACM morreu e eu quero comemorar. Brasil eh um teco mais leve a partir de hoje. Saudade, como sempre, porque saudade eh sempre metade. Mas adorando. Vendo o tempo voar. Cai da bicicleta duas veyes. A primeira foi culpa da minha irma, que jogou o pneu da bicilceta dela na minha frente. "Parabens, Joana, demorou mas voce conseguiu!", disse eu ainda no chao. A segunda foi culpa minha mesmo. Mas nada demais, nada dramatico. Aquelas quedinhas paradas de quem nao alcanca o chao, sabe? Nao machuca nada alem do ego (porque sao quedas pateticas e lentas, muito lentas, sempre).

Ansiosa para comecar o novo trabalho, mas querendo que as ferias durem meses. Calor. Voltei a tomar a Fluoxetina porque nao tava dando. Mas eu tentei. E foi dificil mas reconheci que tive que voltar. Isso eh ainda mais dificil do que parar de tomar, acreditem. E chega, porque devidamente medicada tenho sono na hora certa e sorrio nas horas de sorrir e sinto frio e calor na medida certa. Sou equilibrada e nao lato para pessoas na rua. Me amo um pouquinho mais que na semana passada, quando ainda nao tinha voltado a tomar remedio.

E eh isso. La se vao 100 euros no trem de amanha. Ha que valer a pena. Fluoxetina, hurray!

Wednesday, July 11, 2007

spinning

Fim de semana foda, muito foda. Foda mesmo. Desculpem, mas foi muito bom. Interiormente bom.

Sexta fui pra Brixton, num café com música brasileira ao vivo que fica dentro de um cinema, o Ritzy. Fomos eu, Tania – a pankeka louca –, o Dani e a irmã dele.

De lá fomos para um outro lugar cujo nome me escapa. Fiquei pouco porque queria ver meu Byrifoy. Cheguei lá, recebi jantar e carinho e dormi no meio de Animals, stand-up comedy do Ricky Gervais que, pelos cinco minutos iniciais, parecia ótima. Mais uma vez, culpa do travesseiro, que vem com um delicioso cafuné embutido.

Sábado, dia lindo. Sol. Me and ma’boy pegamos nossas bikes (bom, ele pegou a do Bruno) e fomos até Battersea Park. Sentamos num banquinho e ficamos vendo a pagoda budista e o Tâmisa e um ao outro, e falamos do futuro e de sonhos e de loucuras que estávamos ou não dispostos a fazer. Eu poderia estar ali com vinte ou 80 anos. Teria sido bom em qualquer época. Voltamos para a casa do Byrifoy para pegar a moto e ir almoçar no Nando’s, uma cadeia de restaurantes portuguesa que faz, entre outras coisas, frangos. Bons frangos.

Domingo teve almoço na casa do uncle John. Byrifoy foi conhecer um pedacinho da minha família inglesa. Foi uma delícia. Matei saudade do meu tio, da Biggles e da outrora dona Bruxa, que agora está um doce, confortavelmente longe de mim.

Voltamos para casa, assistimos mais um filme, Lady in the Water, que eu já tinha visto no cinema mas achava que não. Minha cara.

E aí chegou a segunda. Não fui trabalhar - inventei que estava doente - para pegar minha irmã no aeroporto.

Aí depois eu conto.

Thursday, July 05, 2007

free and cycling

Tá. Vamos lá.

Final de semana em Bristol foi muito bom. Mas não de todo proveitoso, na minha humirde. Não sei se porque o tempo estava uma bosta ou se porque nossos anfitriões não estavam muito a fim de fazer programas de turista, ou se porque realmente não há muito o que fazer em Bristol.

E Bath, poxa, Bath. Vou ter que voltar porque não valeu. Quer dizer, claro que valeu, fui no SPA termal com o Byrifoy e Broo+Ma e foi um tanto idílico. Piscinas aquecidas no teto do SPA (veja foto ao lado), vista para o bucólico e medieval. Mas faltou ver a cidade. Ver e andar. Queria ter visto os banhos romanos, as ruínas, a cidadezinha em si, o rio se tem rio, o castelo se tem castelo, os detalhes que sempre têm. Enfim, fui a Bath mas não fui. Na verdade fui ao SPA de Bath e só. Valeu cada minuto e cada centavo. Mas preciso voltar.

E dormi mal, como um todo.

Mas mesmo assim valeu. Viagens em condições adversas com pessoas, er, desadversas não têm como dar errado.

Resumão: chegamos sexta de noitinha, fomos para a night de Bristol. Tem muitos lugares pra se sair à noite em Bristol porque a cidade tem acho que duas universidades grandes. Fomos ali para a beira do rio, onde tem uma congregação de baladas e, naturalmente, bêbados, gente brigando etc etc. Byrifoy e eu resolvemos jantar num restaurante que é um barco no rio. Adoramos. Íamos para a balada X mas não rolou porque era gay e custava £5, fomos para a balada Y e não entramos porque o Ma brigou com o segurança da porta e porque também custava £5. Quando chegamos na balada W eu já estava bem cansada e o lugar era lotado e não pagava nada para entrar. E eu não entraria nem que para tal me pagassem. Voltamos para casa. Sabadão, íamos passear mas só chovia, só chovia, e ninguém se animou muito (acho que só eu, mas como não teria nenhum cúmplice, desencanei). Só saímos de casa lá pelas 3 da tarde para ir num churrasco que foi legal mas, again, durou tempo demais – pelo menos para um churrasco em que você não conhece ninguém a não ser seu namorado. Chegamos em casa de madrugada. Capotamos. Dia seguinte, manhã completamente perdida, tarde no SPA como já contei, e volta para Londres.

Fim de semana gostoso, sim, mas mais uma vez constatei: gente, como Londres é abençoada! Happy to be here.

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Outro resumão, agora do que se passou durante uma hora no fim da tarde da última quinta-feira:

- chego em Vauxhall, estação de trem em que desço para pegar minha bicicleta e pedalar até minha casa, e constato com aquela cara idiota que minha bicicleta foi roubadda. Queria entender como já que o lock que eu uso era considerado ultra-super-max-hiper-platinum-secure. Enfim, foi-se a magrela de que eu nem gostava tanto.

- saindo de Vauxhall (a pé, claro), um cara na rua empurrando/batendo numa mulher e gritando: “Eu sofri abusos quando tiha seis anos, você está entendendo???”. Ai, mundo. Fiquei ali parada, querendo fazer algo porque o cara estava descontrolado. Ia chamar a polícia quando ele virou as costas para ela e ela então correu atrás dele. Aí achei que o assunto não era mais da minha conta. Mesmo assim, avisei o guardinha da estação que um cara “agressivo” estava agredindo uma mulher na rua.

- chego em casa, uma pessoa oferece uma bicicleta no Freecycle. Mando email contanto que a minha acaba de ser roubada. A pessoa então me responde que não só me dará a bicicleta como virá entregar em casa (!!!) junto com uma caixa de potinhos de geléia (???) – eu sei, não perguntem, eu também não sei.

- falo com a Cá, que acabou de dar à luz a Manu. Aquela vozinha tão familiar, carregada de emoção. Eu já tava mole, amoleci de vez.

- me despeço da Carol, flatmate queridíssima, que está deixando a Graceland e Londres e Inglaterra para passar três meses na França.

Tudo isso em uma hora. Não sou eu que sou estranha com emoções. São as emoções que acontecem todas desproporcional e desconcatenadamente na minha vida.

By the way, a bicicleta é velhinha e provavelmente não vou usar. Ontem comprei minha bicicleta nova. Vou manter a velhinha pra minha irmã usar enquanto estiver aqui, se ela quiser. Depois disso, está up for grabs. Quem quiser um bike velhinha e básica mas funcionando, põe o dedo aqui que já vai fechar.

Minha bicicleta nova é essa aqui, ó:



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Momento de grandes definições na minha cabeça. Friozinho no peito, quentinho no coração. Antíteses sinestésicas, que é para eu testar se essa história de pânico realmente não existe mais.

Ah! Parei a fluoxetina. De vez.

Wednesday, July 04, 2007

Thursday, June 28, 2007

obsessões do Bem

Agora vou falar um pouco das minhas últimas obsessões. Uma delas se chama Freecycle. Freecycle é uma rede de listas de discussão. Você entra na sua lista local e enconta milhares de pessoas querendo se livrar de coisas, outras querendo, outras levando o que é oferecido, outras dando o que é pedido. E é lindo. Posso dizer com a maior sinceridade que dar é tão bom quanto receber. Estou me desfazendo de coisas que não uso e sei que vão para pessoas que realmente precisam e darão alguma utilidade. Por outro lado, já fui premiada com algumas doações ótimas. Coisas que eu compraria e que me foram dadas, tipo um aquecedor elétrico, um ferro de passar, um colchão de ar para visitar (né Djones?).

Eu recomendo, muito, para quem quer se livrar ou para quem precisa de algo e tá sem grana. Freecycle.org. Tem no mundo inteiro, mas no Brasil ainda é pequeno. Acho que só tem no Rio, Sampa e, se não me engano, Porto Alegre. De qualquer forma, vale a pena entrar no grupo, ler as instruções, e reciclar de graça.

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Pronto, passando o discursinho Madre Teresa (mas levem a sério, Freecycle é mó legal e vira uma obsessãozinha do bem), outra obsessão é o meu joelho, que dói mais a cada semana.

Not much I can do. Já fui em medico, fisioterapeuta, o escambau e a resposta é sempre a mesma, que eu preciso fazer Pilates e/ou RPG. Quem sabe seja hora de então fazer Pilates de fato. Largar a mão de ser teimosa.

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Ontem fui ver o show do David Cross. Quem não o conhece, entre no Youtube e digite David Cross. E abra qualquer vídeo que aparecer. Ele é ótimo. A melhor stand-up comedy desde Seinfeld. Aliás, melhor ainda, vou facilitar. Vejam o vídeo abaixo.



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Amanhã vou pra Bristol, visitar a Broo e o Má e passear com o Byrifoy. Domingo devemos passar o dia em Bath. A previsão? Oras, chuva, é claro. Mas não tô nem aí. Vai ser bom com sol ou chuva.

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Estou prestes a adquirir minha bicicleta nova. A ver.

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Post informativo, quase dissertativo, para compensar a molengueza do anterior (interior?)

Tenho esta irradiante. Estranho isso, logo quando resolvi parar de tomar a fabulosa Fluoxetina.

Monday, June 25, 2007

Manuela

Ela chegou. Meu coração partiu em mil porque eu queria estar lá. Ela chegou e o mundo fiocu um pouquinho menos difícil. Ela trouxe inocência e delicadeza. Como eu sei? Eu não sei. Eu só sinto. Eu queria saber depois de ver, de tocar. Mas talvez não precise. Talvez essa sensação de formigamento no coração seja suficiente. A pequena e abençoada Manuela chegou.

E eu chorei no trabalho vendo as fotos. Quase todas as fotos desfocadas. Quem é que consegue segurar direito uma câmera numa hora dessas? Se fosse focada seria mentirosa. Bem-vinda, Manu, ao primeiro dia da sua vida.

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Essa semana vou ver a standup comedy do David Cross. Vocês não conhecem? Não creio. Se conhecessem, estariam com vontadinha de ir também.

E fim de semana que vem vou com Byrifoy para Bristol e Bath, visitar a Bru e o Ma e tomar um banho nos spas medievais.

Ah, life is good.

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Fim de semana fui meia.
Se não fosse uma outra metade teria sido meia-boca.
Se fosse sozinha seria um copo meio-vazio.
Sendo como foi, fui meia complementada com outra metadinha.
Adorei cada riso e bocejo.
Mesmo quando estava minutos sozinha com a chuva correndo pela janela.
Tédio dividido é meio tédio.
Alegria dividida é dupla alegria.
É quase matematicamente possível ser feliz (quando já se está feliz).

Wednesday, June 20, 2007

bailarina


Tenho congelado no trabalho. O ar condicionado aqui é muito forte. Sei que no alto verão vai ser pecado reclamar. Mas sempre fui um tantinho pecadora. E reclamona.

Mas é sério. Estou com o XALE de uma amiga. Imaginem a cena... Havaianas e XALE. Tá buniiiiito, minha gente. Ê Brasilzão.

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Como estou num momento resgate, tenho tentado falar com queridos no Brasil. Ontem foi a vez da Djones via Skype. Se tudo der certo, ela vem de BsAs pra Europa e, enquanto estiver em Londres com a irmã, ficará hospedada lá em casa. Uma farra.

Depois liguei pra Milão, minha amiga de tantos anos (quase dez, quase dez, como voa!) que está para ter bebê a qualquer momento. Falei com a secretária eletrônica mas hoje recebi um email lindo dela. Vou tentar ligar de novo.

A próxima da fila (em nenhuma ordem específica, sem chiliques!) é a Frubinha, que já me alertou para possíveis novidades piscáveis. Aguarde meu telefonema, viu, sapequinha bolinho-de-carne?

O resto dos meus amigos? Então. Tenho um monte. Muitos dos quais gostaria de ligar também. Mas muitos dos quais não parecem interessados! Então, não há santo que faça milagres, também acabo perdendo interesse. Mas esses amigos sabem quem são, sabem onde me achar, sabem que vou adorar um contatinho e que vou buscar ao máximo não vomitar punições por terem sumido.

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Ontem conheci um dos melhores amigos do Byrifoy, o Tonhão. Ele e a esposa vieram passar a lua-de-mel na Europa e passaram por Londres para ir ao show do Ozzy Osbourne, que foi ontem.

E, sou boba mesmo, é uma delícia entrar assim, aos pouquinhos, na vida do loiro. I’m absolutely loving it. Talvez por isso falte a inspiração. Cadê todo o peso do mundo para eu poder amaldiçoar? Eu não sei.

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Ainda sonho com o dia de acordar e dar de cara com uma declaração de amor. Não eterno, porque há que ser real. Amor de hoje. Amor de muita carne e pouca alma. Amor de alma sem fantasias. Amor entendível, agarrável, perdível, fotografável.

Mas não é assim que funciona. Não existem declarações pedidas.

Vou continuar dançando mesmo sem música.

Monday, June 18, 2007

never quite as it seems

Sexta fui no show da Dolores O’Riordan – para os desavisados, a vocalista do Cranberries; para os perdidos, Cranberries é (era) uma banda irlandesa de rock que foi sucesso nos anos 90. Gente, eu não dava muito. Gosto de Cranberries mas nunca fui alucinada. Fui mais para acompanhar o Byrifoy e perder o medo de shows. Gente, eu adorei. Mesmo. A ponto de agora achar que posso encarar qualquer show (o que sei que não é verdade). Mas foi bom. Quase mágico. Comecei a acreditar em shows, e a não achar um absurdo gastar centenas de reais e/ou libras para sentir a vibração ao vivo (me segurando para não usar a palavra “vibe”, da série palavras-que-odeio).

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Depois de anos sem contato, uma feliz ocorrência. Um email dela que já foi uma grande amiga e que sumiu sem grandes explicações, apesar da minha nem tão assídua insistência. Um desses pequenos afastamentos que vão aumentando sem percebermos até que entrar em contato de novo não faça mas sentido. Mas ela entrou em contato e sentido nunca foi uma palavra forte no meu dicionário. Agora, depois de anos de silêncio, vamos nos encontrar. Talvez em Paris, onde ela vai passar um mês. Talvez aqui em Londres. Talvez, melhor de tudo, em algum outro lugar, onde nenhuma de nós se sinta em casa – a melhor forma de reatar uma amizade quase perdida.

Em agosto, a confirmar.

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Olha só, eu tô tentando ser menos mimada. Eu vou continuar tentando. Pode não funcionar muito, mas você vai ver, estou tentando! É que na verdade sou mimada por mim mesma. Coloco a expectativa no mesmo patamar que colocaria se fosse você em relação a mim. E aí cruzando os dados dá uma grande baderna sem sentido. Ah, mas isso você já sabe. De novo, o sentido. De novo, o estranho sentido.

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Olha, gente, eu não mordo, viu? Quem quiser falar comigo, elogiar o blog ou meu cabelo, pode vir. Eu vou achar legal (embora não acredite na parte do cabelo)

Thursday, June 14, 2007

a faxineira

Eram quase seis e eu já estava atrasada. Tinha que estar às 7pm em Wandsworth Town para assistir a uma palestra. Fui ao banheiro e, ao sair, dou de cara com uma das faxineiras do escritório. Ela não olhou para mim, só eu para ela. Novamente, não foi a cara, não foi nada que ela falou (ela não abriu a boca), mas o jeito de pegar o papel-toalha, de enfiar os braços cruzados por dentro do avental, de lavar as mãos com a planta de um dos pés recostada sobre a lateral da outra perna. Não tive dúvidas e, mesmo atrasada para pegar meu trem, tive que perguntar.

E novamente, era brasileira. Novamente aquele sorriso escancarado que me faz sentir erroneamente especial por também ser brasileira e *entender*, mesmo que nossas vidas sejam completamente diferentes. Mesmo que meu dia-a-dia tenha mais a ver com o de uma inglesa nowadays.

Mora aqui há três anos, como eu. Aliás, três anos exatos HOJE. Veio por causa da irmã. Casou com um português. Mora em Surbiton, uma região muito boa no Surrey. Trabalha de faxineira, vai de carro a todo lugar. Não me pareceu envergonhada por isso. Carioca, graduada e faxineira. Ela realmente não ligava.

Me senti pequena por ter um dia ligado de confessar que apesar de toda a minha formação, toda a minha bagagem intelectual, eu por um tempo virei salva-vidas. Eu tinha vergonha, claro. Salva-vidas não faz nada. Fica o dia inteiro sentado na cadeira olhando os outros se divertirem, vez ou outra apitando para quem se divertia inadvertidamente atrapalhando os outros. E quando não estava na piscina, estava limpando banheiros, espelhos, passando aspirador de pó na recepção, contando band-aids nas caixas de primeiros-socorros.

Mas voltando à moça, Monica, ela não quer voltar. Ela fala português com sotaque de Portugal. Ela bufou de saco-cheio quando disse que os ingleses do escritório vivem tentando cantá-la. Ela bufou, mas não desgosta. Ela bufou sorrindo.

Descrevi para ela onde no escritório fica a minha escrivaninha. E no mesmo momento me perguntei por que fui dizer isso. Que diferença faz? Talvez eu tenha pensado, num flash, que minha mesa pudesse ser uma ilhota de refúgio. Saber que uma brasileira senta ali poderia trazer qualquer coisa de familiar para um escritório tão vazio, sem rostos, apenas um ou outro zumbido de hardware que não foi desligado.

Me arrependi de falar onde sento. Achei que ela pudesse achar arrogância, já que tenho um so-called “proper job”. Aí pensei novamente que não é porque a mulher é faxineira que preciso ser cheia de dedos e cuidados, achando que sua profissão a faz mais sensível, mais suscetível a enxergar ofensas onde não há. Prepotência minha. Ela estava tranqüila. Ela nem devia desconfiar de metade do que se passava na minha cabeça estranha. Se soubesse, claro, me acharia uma louca varrida.

“Bom”, ela disse, “melhor eu agilizar aqui”. Claro, claro, eu disse. E pensei que fazia tempo desde a última vez que alguém terminou a conversa por mim. Geralmente eu termino, por falta de interesse, por falta de tempo, por falta do que falar.

Peguei o telefone dela para dar para alguém que esteja precisando de faxineira. Ela disse que adorou conversar comigo. Abriu mais um daqueles sorrisos bem brasileiros, de rir com boca, olhos, nariz e quase orelha, e antes de eu virar as costas perguntou: “Onde mesmo fica sua escrivaninha?”

Wednesday, June 13, 2007

no caso, senhor

Novo link na minha barra à esquerda.
Nocaso.org.
O site é formado por cabecinhas boas, a maioria vivendo aqui em Londres. Um dessas cabecinhas, por sinal, é loira com raízes escuras, e byrifoy.
Todo mundo lá.
Eu, por exemplo, estou sempre metendo o bedelho.
Um dia, quem sabe, estarei lá como colaboradora.
Enquanto isso atuo de PR e tendo difundir site e autores. Nas horas bem vagas(bundas).

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Ganhei um livro lindo de Dia dos Namorados. Afobada que sou e desconfortável em ganhar presentes, nem vi que tinha dedicatória.

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Ontem assisti a Notes On a Scandal. Adorei. A mulher lá, a velhota – esqueci o nome, preguiça de pesquisar, alguém que assistiu, help, plis – está espetacular como protagonista. Vale a pena ver. Babái, você vai adorar. Ao contrário do que eu pensava, não é baseado numa história real. Ainda assim, poderia bem ser.



*ah, sim, no momento em que pesquisava a imagem para colocar aqui, vi o nome da velhota. É a ótima Judi Dench.

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Arrombaram o escritório da binha bãe. Levaram um par de óculos que lhe custou 20 reais. Sério. De um escritório todo levaram só isso. Ladrões burros, incompetentes.

Arrombaram escritórios vários distribuídos em quatro andares do prédio. Levaram laptops, dinheiro, enfim. Foi uma gangue. Entre 6 e 8 infelizes.

E ainda me perguntam por que eu cansei do Brasil.

Na real, moro num dos bairros mais violentos de Londres e ainda sim estou mais segura aqui do que no Itaim Bibi, bairro em que cresci em São Paulo – o mesmo onde fica o escritório de binha bãe.

Tuesday, June 12, 2007

esmalte

Agora resolvi ser mocinha. Não sei quanto tempo vai durar. Mas comprei um kit manicure. Juro. É verdade. Meu primeiro kit manicure ever. Comprei lixa decente, acetona, base, esmalte. Aí ontem, quando fui fazer minha própria mão, lembrei que esqueci de algumas coisas, como aquela pazinha de empurrar cutícula. Também não quis me preocupar muito com cutículas. Nada de água quente, de empurrar, de tirar. Acho que estava ansiosa para pôr o esmalte logo. Ficou bom. Amador, mas bom. Vamos ver se dura.

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Hoje tenho minha segunda aula de introdução ao Budismo. Looking forward to.

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Menos de um mês pro meu furacão ruivo assolar terras britânicas. Pouco mais de um mês para sair do meu trabalho. Que ridículo, quanto mais perto fica de eu sair, mais começo a gostar do meu trabalho. Deveria ser o contrário, não?

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Ontem terminei, em meio a muitas lágrimas, The Time Travaller’s Wife. Puta merda, que livro, que livro. Escrito com o estômago e a cabeça ao mesmo tempo – coisa que não sei fazer ainda, só escrevo com o estômago. Recomendo muito. Empresto o meu depois que o Byrifoy ler. 500 e poucas páginas que parecem cento e algumas. De novo, recomendo muito.

Sunday, June 10, 2007

I want to be a good woman

Um fim de semana delicioso, apesar dos nãos da vida, tive sins que compensaram. De verdade. Vários pequenos sins (do plural de sim) compensando um Grande Não. Não achei que isso fosse possível - vários e simples e pequenos sins obnubilando um dos maiores nãos da minha pequena e fútil história -, mas é. Me senti tão leve, tão leve. Até quase me esqueci de chorar e, quando lembrei, era tarde demais, a vontade já tinha passado.

Culpa sua, que faz tudo com tanto cuidado e que sabe me fazer sorrir quando me debato no que deveria ser o mais ardido dos espinhos.

No final, como sempre, o medo é pior do que seu motivo.

Não preciso fazer muita coisa para que você esteja certo, ou faça o certo. Ao contrário de mim, você não precisa fazer muita força para fazer o bem.

De qualquer forma, vou estar aqui, cuidando, não demais, para não te irritar; mas o suficiente para me fazer quase necessária.

I want for you to be a good man.

Thursday, June 07, 2007

almost out of drugs

Tava lendo no Guardian uma notícia que mais soa como piada. Vocês sabiam que no Irã neguinho precisa se registrar junto ao governo para ter um blog? É simples: você dá seu username E senha para o governo e pronto! O que acontece se você se recusar a dar sua senha? Seu blog será filtrado/bloqueado de acesso para pessoas no Irã e até fora do país.

Matéria inteira aqui:

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Resolvi diminuir a fluoxetina. Por conta própria. Por quê? Porque cansei, oras.

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Acabo de voltar de uma reunião. Me pergunto se foi realmente boa idéia ter baixado a Fluoxetina.

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Ontem vi Ask the Dust. Adorei. Uma surpresa mesmo, já que sou apaixonada pelo livro homônimo e é difícil acontecer de eu gostar do filme. Assistam. Antes, claro, leiam o livro.

Wednesday, June 06, 2007

efemeridades

Não era para ter lido. Não era.

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A primeira aula de introdução ao Budismo foi bacana. Classe pequena e um professor para lá de fofo, como a maioria dos budistas que conheço. “Nosso curso vai começar sempre às 6:32pm”, ele disse. “Por alguma razão todo mundo sempre chega às 6:32pm quando marco às 6:30pm”. Primeira aula foi básica. Ele explicou alguns termos usados na tradição budista, alguns preceitos básicos – a maioria eu já sabia, mas é sempre bom reiterar – e algumas das diferenças entre as diversas vertentes budistas.

Ele explicou que no Budismo não há Deus. E que não há alma, ou “self”. Que não há nada que esteja realmente estagnado. E eu percebi o quanto é difícil para nós ocidentais assimilarmos realmente alguns desses conceitos básicos (como o de reencarnação em animais), porque fomos criados para assimilarmos outras coisas. Aí parece que algumas coisas da cultura oriental são piada. Nós, ocidentais, é que sabemos da verdade. Que há céu, e inferno, e purgatório, e pecados, e dízimos, e muito mais que não sei citar porque realmente desconheço.

Terça que vem tem mais.

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Assinei o contrato e mandei. Pronto.

Aqui no trabalho todos já sabem. Recebi mensagens muito amadas. O editor de quem mais gosto e com quem tenho que trabalhar diariamente, foi o mais querido. Disse que fazia anos que a companhia não tinha um “marketeer” como eu. Achei estranho ser chamada de marketeer. Outra editora me disse “you are not allowed to leave!”

Enfim, feliz e triste. Vou sair à brasileira, fazendo alarde e, se se fizer necessário, chororô.

Monday, June 04, 2007

muito do mesmo

Não me entendo. Uma hora resolvo que a vida é boa e quero achar emprego na área editorial. Hoje, mesmo com um emprego novo e mais promissor nas mãos, me pego no site da Catho procurando vagas de marketing no Brasil. Por nenhum motivo específico. Não quero voltar e, se voltar, não acho que vá trabalhar com marketing. Não me entendo, mas também, não me reprimo. Quem sabe mais pra frente tudo vá fazer sentido.
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Hoje entreguei minha carta de demissão.

*Alívio*

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Fim de semana perfeito, para compensar o tédio do anterior. A bagunça começou na sexta, com jogo do Brasil e Inglaterra na TdM. Convidados seletos, tudo como planejado. Foi ótimo. De lá, fomos bater um GBK, o melhor hamburguer de Londres.

Sábado acordei relativamente cedo. Fui para o parque na frente de casa, tomar sol e ler. Saí quando a pirralhada começou a jogar futebol do lado e tive ímpetos satânicos de furar a bola big time se ela caísse mais uma vez perto de mim.

Fui encontrar meus ex-flatmates Izac e Diego no Borough Market. Eu e minha bike, minha bike e eu. Foi uma delícia, o dia estava perfeito (talvez até um pouco quente demais). Chegando lá o Raí e sua PANCINHA DE CHOPP davam o ar da graça. Sério, o Raí, jogador de futebol, pancinha. Acho que ele pode, néam?

Papo vai, papo vem, monto na bike e vou para a casa do Byrifoy. Vamos para o kennington Park onde – nem sei como explicar – ficamos atirando bolinhas uns nos outros (eu, Byrifoy e Bruno).

Chego em casa, tomo banho e Byrifoy passa para me pegar de moto. Queimo a perna no escapamento, olá queimadura, olá bolha, bem vindas. Vamos para um bar chamado Escape que fica em Herne Hill, pra lá de Brixton. Era lançamento da marca de roupas da Tânia e o Byrifoy foi modelo.

Dia seguinte fomos com Bruno na escola de aviação dele. Programa diferente. Na pqp. Estação de debden, zona 6, já em Essex. Foi legal. Só tava muito quente. Estendemos uma canga e eu dormi sobre pedregulhos. Nunca fui assim, não sei o que me deu. Deve ter sido a alta qualidade do travesseiro.

De lá fomos direto para o oeste de Londres, churrasco do Renato em Earl’s Court. Fiquei com um pouquinho de saudade de morar no oeste. Mas logo passou.

Terminei o fim de semana tentando entender porque este foi tão bom e o anterior tão ruim. Concluí que a culpa não é do fim de semana. E nem tanto do clima quanto eu pensava. Eu até sei a resposta, mas não consigo prová-la. Eu chego lá.

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A meta de hoje é passar no South Bank Gym Club. É do lado de casa e, teoricamente, barato. Voltar a me mexer.

Amanhã devo ir à minha primeira aula de Introdução ao Budismo.

O que estou tentando fazer: Ressuscitar paixões, despertar outras. Algo que me faça gritar de vontade. Ultimamente tem havido pessoas que me fazem ficar assim, mas não atividades, lugares, coisas. Claro que é melhor desse jeito, mas porque não ter de tudo? Meu mundo precisa de mais descobertas, paixões, vontade de revirar, de saber mais, de sonhar de noite com assuntos sobre os quais não paro de pensar de dia, de me devotar, me obcecar. Sou assim.

Friday, June 01, 2007

vrum

Daqui a pouco vou falar com meu chefe.

MEDA PÂNICA HORRORA DESESPERA SOCORRA.

Não vai doer, mas bom também, não pé. Vou dizer que me foi feita a oferta de um outro trabalho, no estilo mais prolixo e cheio de dedos inglês. Do tipo, me foi oferecido um emprego, não tenho culpa, sou agente da passiva.

Por enquanto mandei um email rapidinho, dizendo que quando ele tiver “a mo”, vir falar comigo. Ele já deve saber. Ele já estava antenado. Não vai doer, ele vai facilitar as coisas.
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Falei. Pronto. E como num passe de mágica, o escritório todo já sabe. Não sei como eles fazem isso. Mas isso é o menos importante. Meu último dia aqui é dia 17 de julho. Meu primeiro dia lá é dia 30. Isso mesmo. Férias de quase duas semanas para a princesa aqui. Mais do que merecido, mais do que eu esperava. Porque sempre espero menos, anyway.

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Ontem fui jantar num restaurante coreano com Byrifoy e mais um casal de amigos. Foi a primeira vez que comi comida coreana. E amei (apesar da pimenta das entradas). Saudável e saboroso. Claro, comi coisas palatáveis. Nada de ovo cru no meio da comida, como vi no prato dos coreanos ao lado.

Ontem foi um dia bom, como um todo. Cheguei na casa do Byrifoy completamente exausta, mas com um sorriso de canto. Eu, sozinha, vivi tanta coisa em um só dia e sobrevivi. Dormi quase imediatamente. Acordei inchada de sono e esperança de que o sol vai brilhar o fim de semana inteiro.

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Hoje Brasil e Inglaterra jogam. Impressionante como estando fora fico mais ligada nesses eventos nacionalistas. Claro que faz sentido, mas é estranho ser parte da manada. Estranho, e estranhamente confortável.

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Estou virando motoqueira. Jaqueta de couro e tudo. Adoro. Babãe, babái, Piu: não tem motivo pra alarme. Por enquanto, e por um bom tempo, só penso em ser passageira.

(Na verdade andar de moto é uma desculpa para ter que agarrar bem agarrado quem está dirigindo.)