Cheguei. Fiquei doente mesmo. Minha mãe foi embora. A vida voltou ao que era. De volta ao trabalho. Muito trabalho.
Praga é linda, mas cheia de contrastes. Se de um lado ainda dá para notar a influência soviética nos modos das pessoas (grooooossas bagarái), eles também caíram de boca no capitalismo, cobrando para uma mera mijada, para tirar fotos, para absolutamente tudo. Não vá para Praga sem dinheiro se você pretende ficar lá mais de um dia – ou está fadado a se entediar. Já com dinheiro, todas as portas se abrem e você descobre uma Praga maravilhosa.
E no começo consegui ignorar minha gripe, mas com o passar do tempo foi ficando mais difícil. Depois de um dia de muito frio em Terezín, cidade vizinha em que ficava um dos principais campos de concentração da então Tchecoslováquia, caí de cama para assim ficar até a hora de ir embora. Pelo menos consegui ver tudo o que queria. Faltou o que não queria mas que poderia me surpreender. Oh well, tenho que me dar por feliz. O hotel era confortável para abarcar uma hóspede deveras resmungona.
O tempo voou naquela cidade de brinquedo. Voltei meio com medo de voltar para alguma coisa que não sei bem o que é. No dia seguinte à minha chegada, não fui trabalhar porque ainda estava gripada. Mas sair para fazer compras no supermercado foi difícil, e não pela gripe. Sair foi difícil. Por algum motivo que não consigo entender, estava com medo de sair na rua. Vejam bem, entendo a sensação; não é a primeira vez. Não entendo apenas a razão. Medo de sair na rua e ter que desviar das pessoas que parecem correr na minha direção? Talvez. Mas não é só isso. Medo de ter esquecido, de ter enlouquecido mais um pouco. De não conseguir trabalhar com a eficiência com que tenho trabalhado. Acho que estou chegando mais perto. Tem a ver com a sensação que tenho toda vez que volto de viagem desde que a merda da Business Monitor fodeu com a minha cabeça quando saí de férias e, quando voltei, tive de enfrentar duas chefes medrosas que precisavam culpar alguém por não ter atingido uma meta que eu não tinha como atingir já que estava viajando.
Maybe I got to the bottom of it, maybe not. Escrever é bom. Quase, quase cheguei perto de começar a esquecer.
Mas enfim, estou de volta ao trabalho e meu chefe disse que a semana em que estive ausente passou sem sustos ou pendências, além de ter tido resultado de vendas bem favorável, para meu alívio e quentinho no coração.
Aquela Business Monitor realmente fodeu com a minha cabeça. Já faz três anos e cá estou, ainda sentindo o aperto no peito e o medo do mundo que eles me impingiram.
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