Thursday, September 29, 2005

depois do afeto

Apesar de ter metido o pé na jaca no meu regime, tenho me sentido linda. Gatinhos na área. Alguns mais, alguns menos, alguns novos e alguns velhos. O Chris, por exemplo, resolveu reaparecer. Combinamos de nos ver semana passada. Fomos num pub no final da tarde, depois do trabalho de ambos. Conversamos muito, tudo muito divertido, ele fofo, eu fofa, somos fofos afinal. Aí no final fomos nos despedir e, tchuf, o moço atola a mão na minha bunda. Ah, Chris, não é assim que se faz. Tudo errado.

Definitivamente passado.

Meu atual foco não é Manager, não é Malandro, não é Chris. É o Mr Austrália.

Tá. Pode ser a maior cagada dos últimos tempos (e olha que pra ser maior cagada nos últimos tempos tem que feder meeeesmo), mas, cara, tá foda. E se digo que está é porque está mesmo. Fruquinha amiga e leitora assídua não me deixa mentir e estava presente no digníssimo housewarming que fizemos aqui. Ela conheceu meus novos flatmates e aprovou o mocinho, claro, ele é todo aprovável. Provável, na conotação, ahn, gastronômica da palavra.

Mas pára, Bia, pára. Não bom. Ele mora com você e vai morar com você por sabe deus quanto tempo mais. Ele vai trazer menininhas para dormir no quarto dele. Eu pretendo muito decentemente trazer rapazinhos para dormir no meu quarto. Não vai ser legal ver olhos injetados de ciúmes de nenhuma parte. Não quero correr o risco de me sentir incomodada com a idéia de trazer algum carinha em casa, nem com a idéia de vê-lo chegar com uma sirigaita. Assim sendo, declaro e assino aqui que só darei o próximo passo (que promete ser deliciosamente cheio de beijos e amassos, ufff) se for para fazer direito. Brincar sério, se é que vocês me entendem.

Mudemos de assunto e só voltemos a este quando eu tiver NOTÍCIAS, e não POSSIBILIDADES.

Fui a uma entrevista na segunda-feira. Não gostei. Serviu para eu conhecer Kingston, ao sul de Wimbledon. Uma gracinha de vila. Mas não rolará ir todo dia para lá, ainda mais que não achei o lugar tão bacana assim. O negócio é que eles gostaram de mim, e querem me ver novamente, e eu não quero e não sei ainda o que vou fazer. Aí quarta tive outra entrevista, em Highgate Village, uma coooooisa de região, norte de Londres, próximo de Hampstead, ladeirinhas, casas vitorianas, praças de paralelepípedos, tudo pequeno, tudo lindo. Adorei o trampo. Tô na expectativa de que dê certo. Mesmo. Amanh㘘tenho outra entrevista, dessa vez para salva-vidas, para um trampo que paga bem melhor. Dinheiro é coisa do bem. Todo mundo merece.

E segunda-feira tem uma surpresa. Além do curso, que está indo muito bem, e que vocês poderão acompanhar mais de perto no meu blog recém-nascido. A surpresa fica para quando ela deixar de ser POSSIBILIDADE e virar FATO, ok? Cansei de me iludir e iludir vocês, fofos leitores.

E é isso. Minha vida está quase boa de novo. Nota 6.0. Falta bastante tempero, mas os ingredientes básicos já estão cozinhando.

Wednesday, September 28, 2005

o sétimo filho

Queridos, amados, conhecidos, desconhecidos: hoje pari meu sétimo filho eletrônico. Desta vez, nasceu nerd, de óculos e livro em punhos, com bafo de quem fica muito tempo sem falar, com teorias por trás de qualquer prática. Meu primeiro filho gringo, inclusive. Educadinho a falar inglês desde o nascimento. Meu filho acadêmico. Na verdade, nasceu como lição de casa do curso que comecei a fazer na University of London na última segunda-feira. Evitem morte prematura: visitem, leiam e comentem.

Ele está aqui, ó: Blame it on Media!

Friday, September 23, 2005

working my arse out

Basicamente sumi e basicamente serei breve agora porque estou trabalhando muito mais que um dia sonhei. E isso porque, entre outras coisas, não tenho dinheiro para comprar um iPod nano como o que comprei alguns dias atrás. Foi tão fácil... Entrei no site da Apple Store, nenhuma taxa de entrega, algumas AirMiles colecionáveis e a lembrança de como eu e meu iPod Shuffle nos dávamos bem antes de ser seqüestrado sem pedido de resgate.

Depois de mais uma semana de self-pity (juro que tentei evitar, mas aconteceu), resolvi me dar esse *treat*. E para me dar esse treat, tive que sacrificar dias de merecida bundação para trabalhar como ontem, por exemplo, das 6:30h às 21:30h, com meia hora de intervalo, o tempo de subir no metrô e ir de um trampo ao outro.

Ridículo, babaca, sem graça. Mas foi. Trabalho logo mais e o fim de semana inteiro e a semana inteira, claro. Esse iPod nano é bom ser a coisa mais *fofa* dos últimos tempos, porque me custou bem mais que £140 no final. Custou um tequinho da minha saúde.

Novamente, aquele blablablá: estou atrasada em meus emails, posts, escritos, falados, telefonemas, tudo. Não sei se um dia chegarei a ficar realmente em dia com tudo. Desconfio que não, mas tento não falar isso muito alto em caso de eu ouvir. O eu obsessivo-compulsivo que não agüenta nada pendente, nem mesmo uma vontade mínima de fazer xixi. Não muito longe do ódio de existir na forma humana, que permite estar consciente de que há uma vontade de fazer xixi; há, portanto, a necessidade de uma privada e, preferivelmente, um rolo de papel higiênico.

Ai, tô pirando demais. Mesmo meus leitores mais costumazes não devem estar entendendo nada. Não os culpo: eu também já não entendo mais.

Saturday, September 17, 2005

aonde foi parar minha casa ou a metáfora do ponto de ônibus

Outro dia estava saindo do trabalho, no ponto de ônibus, e um cara senta ao meu lado. Distraído, ele não viu o ônibus dele chegando e quase partindo. Levantou esbaforido e saiu correndo. Eu gritei, ei, moço, não esquece sua sacola! E ele respondeu "sorry". Tudo bem que inglês pede desculpas até por respirar mas a questão é que, em vez de agradecer, ele se desculpou. Como se fosse uma ofensa esquecer uma sacolinha, uma dessas small brown bags, no banco do ponto de ônibus. Como se, enfim, eu fosse achar que naquela sacolinha de papel estivesse uma bomba.

Aqui está assim. Uma neura sem tamanho, mas não sem fundamento. Agora Londres é parte do crescente número de cidades *com histórico*. Enquanto qualquer cidade for *sem histórico* de terrorismo, nenhuma precaução é justificada, qualquer alerta é alarde, uma ameaça é só uma ameaça e uma sacola esquecida e recuperada é agradecida, e não desculpada.

Claro que somado ao fato de morar numa cidade *com histórico* está minha desilusão com o rumo que minha vida tomou aqui. Não estou querendo soar fatalista; tudo pode mudar e as coisas podem parecer menos negras ou até coloridas dentro de alguns meses. Mas por enquanto meu gráfico está caminhando para a abcissa.

Essa semana, inclusive, bati meu recorde. Não consegui o mestrado, não consegui Reader's Digest, não consegui IMP, nem uma noite, er, quentinha ao lado do Malandro consegui. Ficamos assistindo devedê. Supimpa. Devedê my ass, meu filho.

Três da manhã e lá fui eu de volta para casa de táxi, pensando que de fato tudo o que realmente quero não tem acontecido. Onde eu errei? O que está faltando? O que está sobrando? Quantas voltas mais o mundo precisa dar para começar a girar para o lado contrário - o certo? Quando todos esses nãos vão fazer algum sentido? Estou esperando a hora em que vai me dar o tal do clique. Que vou entender por que, como todos dizem, tudo aconteceu de forma a me contrariar mas só porque lá na frente vai fazer sentido. Estou esperando para ligar os pontos. Estou há meses com o lápis na mão. Espero que na hora em que houver pontos a ser ligados *lá na frente* eu não tenha quebrado a ponta.

De repente me senti sozinha de novo. Bobbynha me mandando text messages de L.A., aquela fofa. Fruquinha me afofando o quanto pode, aquela fofa. Mas ainda assim me sinto sozinha. Todas as pessoas importantes na minha vida estão longe de mim. Não sobrou uma, UMA. Todas moram no meu coração, mas eu quero *tocá-las*. Beijar molhado a bochecha da minha mãe, arrancar o nariz da minha irmã, balançar a lela do meu pai,mordiscar a bochecha da Bathatha, passar a mão na testinha enrugada da minha avó, beijar a careca do meu avô (que saudade, que saudade), beijar o olho do Putão, apertar o queixo da Cá, esmagar o braço da Dé, e apertar tantos outros braços e testas de tantos fofos com braços e testas apertáveis. Minhas saudades começam a sair pelos poros, no suor, no movimento rápido dos olhos, nos suspiros mais e mais freqüentes, em lágrimas que inevitavelmente me escapam - já nem luto mais.

Que medo de desabar mesmo.

Thursday, September 15, 2005

babylon

Sem aviso a vida desaba. Um precipício raso, mas ainda assim precipício. Eu prometo não gritar quando chegar a hora de me atirar. Porque todas as decepções que eu podia ter esse ano não cabem num grito, nem o fazem valer a pena. Cair nem seria assim tão ruim, para quem se estatelou sem sair do lugar.

O mestrado não vai rolar. Basicamente, o diretor do curso acha meu inglês escrito fraco para um curso dentro do Departamento de Inglês. E, agora, looking back, concordo com ele. Não quero estudar aqui, investir tempo e dinheiro, para ser aluna nota 5.0. Nunca fui, nunca quero ser.

Agora é hora de repensar minha vida aqui. Não vim pra Londres pra ser salva-vidas. No matter how cool alguns acham, esse trabalho é bem entediante. Então, o negócio é tentar entender o que está me esperando aqui realmente. Quero ficar mais um tempo aqui. Minha hora ainda não chegou. Tenho alguns trabalhos esperando resposta. Reader's Digest obviamente não vai rolar, mas ainda não recebi resposta da outra empresa, IMP. E tem ainda outras coisas. Estou pensando em fazer short courses, para continuar pensando. Não quero parar de pensar, porque eu sem pensar, ou pensando para dentro, sou um perigo. Atestado por minha psiquiatra.

**

E depois de chorar pra burro com a falha no mestrado, resolvi, no bom e velho estilo I'm-a-survivor, sacudir. Let go your heart, let go your head. O mundo continua desabando, eu continuo me estatelando sem sair do lugar, o precipício canta meu nome, mas eu não vou. Ainda não.

Hoje vou sair com o Malandro. Não sei aonde vamos, não sei sobre o que conversaremos, não sei se vou continuar curtindo a idéia de curti-lo, não sei. E estou adorando a idéia de não saber.

Depois conto do Manager. Estou atrasada e preciso tomar um banho caprichado hoje. Porque termino o trampo às 22h30 e de lá vou encontrar o Malandro e sei que a noite vai ser só uma criança.

Sunday, September 11, 2005

cyberlove

Não. Não é isso que vocês estão pensando. Não encontrei um amor virtual. É o mundo virtual que eu amo. Essa é uma declaração de amor à internet. Internet, obrigada por você existir e me manter tão próxima a um passado amado, aos amados de ontem e hoje e sempre. Aos leitores que nem me conhecem e mandam ondinhas de amor - eu sei, eu sinto.

Estou com internet em casa. No meu colo, para ser exata. Enquanto Mr Austrália e Mr Suécia assistem a Dogville no DVD, digito freneticamente.

Minha vida está em apnéia até amanhã, quando muita coisa vai ficar clara na minha vida. Amanhã sai a resposta do mestrado. Se rolar, começo a estudar já no mês que vem. Isso significa que tenho que ler, em um mês, uns 7 livros, entre eles Ulysses. Sim, sim. Se rolar o mestrado estarei pretty much fucked até sabe deus quando. De qualquer maneira, não quero que nada atrapalhe minha ida ao Brasil. Mesmo que tenha que levar livros & cia a tiracolo.

**[pausa para comentário urgente] Gente, o australiano deitou aqui do meu lado, a cabeça a uma régua escolar de distância. Puta vontade de fazer um cafuné. Ele é um fofo. [/pausa para comentário urgente]**

A entrevista de sexta, a segunda que fiz na Reader's Digest, foi uma bosta. Quer dizer, isso foi o que eu achei. Jamais me contrataria se tivesse assistido àquela apresentação. Tive brancos, ri de nervoso, troquei palavras, coisa mais difícil que é embromar em inglês. Não que eu tivesse a intenção de embromar, mas entrevista de emprego precisa ter uns floreamentos. Você não responde simplesmente "não". Responde "não, mas acho que se x e y colaborarem, ou se z não atrapalhar, e se o alfabeto inteiro estiver disposto, aí acho que pode ser. Mas, a priori, não".

Pois foi isso. Me enrolei no meu próprio nariz de cera. Maldição jornalística.

Mas esqueçamos. Passou, foi, zupt, sumiu. Agora é só esperar. Esperar a resposta do mestrado. Esperar a resposta da IMP. Esperar a resposta da Reader's Digest. Sabe que até estou começando a gostar de esperar. Porque quando todas as respostas chegarem, todas todas, aí sim vou ter que começar a tomar decisões. E não são das mais fáceis. E não são das mais superficiais. São decisões de gente grande saindo de uma cabeça que cisma em continuar bebê, sempre que possível. E o sempre que possível está se tornando quase impossível. Quanto mais o tempo passa aqui, mais me sinto uma senhora. Tantas responsabilidades, tantas preocupações, tanto a pensar, decidir, unir, excluir, telefonemas a fazer, coração para aquietar, minha saúde, compras, o aluguel, trabalho demais, e no entanto estou aqui, sentada na sala com dois rapazes deitados, assistindo a um filme quietinhos, enquanto digito e nada, nada além de digitar, nada além de vomitar pelos dedos, ocupa minha cabeça.

Uma senhora. Crescer é isso. Saber que o mundo desaba sobre seus ombros todos os dias, e nem por isso você deixa de regar sua planta, ou fazer seu café com calma, ou assistir a um programa favorito, ou escrever num blog que é mero engano de Google para tantos leitores.

Voltei.

Tuesday, September 06, 2005

a place called home

Desde ontem um bolo na garganta. Um medo de tanta coisa acontecer em tao pouco tempo e nao ter ninguem para olhar serenamente de fora. Sim, estou sozinha. Digo, me sentindo sozinha. Sozinha mesmo eu nunca estou. Minha casa estah sempre cheia, meu trabalho eh com pessoas o tempo todo, minhas viagens de trem sao regadas a mensagens e telefonemas. Mas estou meio sozinha.

Acabo de sair da Goldsmiths. Basicamente, preciso provar que sou capaz de escrever um trabalho academico em ingles. Se conseguir fazer isso, nos proximos dois dias estou dentro. Sim, eles me ofereceram a vaga de mestrado. Fui aceita. Claro, com a condicao de poder provar que sou capaz de escrever. Eu. Capaz de escrever. Vou arrebentar meu computador. Ele quer 6 paginas. Farei 12. E nao quero nenhum native speaker corrigindo meus desabafos. Eu e eu apenas. Eu e o desafio. Vou escrever. Dai, apenas continuem torcendo.

Tenho toda essa mistura de medo e felicidade tipica de novos tempos, e nao tenho com quem dividir. Bobby na Franca, Fru em Budapeste e eu aqui, meio perdida, meio achada, feliz e assustada, correndo parada.

Ainda sem internet em casa. Puta merda, minha gente, puta merda.

Respirem por mim, porque eu, nos proximos dias, estou prendendo o ar com medo de ele, tambem, me escapulir para sempre, perdido entre as coisas que vem e vao tao depressa na minha vida.

Saturday, August 27, 2005

worried eyes

Ainda sem internet em casa - desgraca. Estou tao cheia de palavras, mas nao tenho como da-las a voces agora. Estou escrevendo, sempre. Mas para mim. Ou para voces no futuro. Meus livrinhos. Em breve um terceiro comecarah a tomar forma. O esboco ja estah feito. A historia eh otima e besta ao mesmo tempo. Mas como sempre, boa literatura nao eh uma boa historia. Eh uma historia qualquer escrita com maestria. Os melhores livros que li nao tinham enredos inesqueciveis, mas estilos inesqueciveis.

Bom, nao vou comecar a filosofar porque soh tenho mais meia hora nesse cybercafe meio pulguento no Soho (pelo menos eh £1 a hora). Aas news:

* Finalmente fui a uma fisioterapia. Levei bronca por ter demorado tanto. Meu pescoco estah crunchy e meu tornozelo inchado. Sou toda elastica, tenho as malditas double joints que, por um lado, me permitem acrobacias e manobras deveras apreciaveis, mas, por outro, me causam dores porque tendo a compensar o peso nas pobres juntas. Terca-feira volto la, vou comecar a fazer uns exercicios de Pilates.

* Entrevista na Reader's Digest foi muito bem. Fui chamada para a segunda etapa, em que terei de fazer uma apresentacao (!) para o diretor de marketing (!!) e uma prova de matematica (!!!). Bom, todos sabemos que ainda tenho meu empreguinho humirde de lifeguard. Oh well, nao sei quanto tempo mais aguento.

* Application mandada para a Goldsmiths College. Agora eh esperar, esperar, esperar. Odeio esperar quando nao ha mais nada a fazer a nao ser esperar.

* Descobri que o amor da minha vida da semana passada eh casado e tem tres filhos. To fora. Perdeu a graca.

* Amanha vou sair com o Malandro. Resolvi reavivar a situacao depois que descobri a vida dupla (hahaha) do Manager, que por sinal ainda nao voltou de Cyprus e tenho certeza de que quando voltar vai gavianar minha vida bem agora que resolvi abandonar o jogo.

* Carnaval em Notting Hill - to fora tambem. Nada mais deprimente.

* Estou apaixonada pelo livro que comecei a ler esta semana. I am Charlotte Simmons, do Tom Wolfe. Santo Tom Wolfe, merece minha adoracao. Ele, que eh o pai do New Journalism. Leiam, leiam, leiam. Eh novo, mas ja deve estar no Brasil.

* A casa nova vai comecando a ficar confortavel. Ainda nao eh a *minha* casa, com *minhas* amadas Fru & Bobby Co Ltd. Mas eh interessante. Aos poucos estou conhecendo melhor a sul-africana, que eh gente boa, apesar de muito fechada. E estou conhecendo mais e mais Mr Australia. Hum.

Bom, nao consigo pensar em mais nada. 15 minutos para estourar meu tempo e uma tonelada de emails para responder, de voces, amados conhecidos e desconhecidos! Voces que me mantem menos saudosa quando as saudades me parecem insuportaveis. Ta ficando cada vez mais dificil pensar a vida longe de todos voces.

Wednesday, August 17, 2005

manha de sol

Estou num cybercafeh meio fedidim em Shadwell mesmo, perto de onde trabalho. Sem internet em casa fica faltando um pedaco. Once nerd always nerd.

De qualquer maneira, amigos, estou amando meu quarto. Ontem finalmente meus outros tres flatmates se mudaram. Mal os vi, jah que antes das 23h capotei. E a verdade eh que a menina que mudou eh ligeiramente chatonilda. Os dois caras sao bem legais, como havia dito. A menina eh uma sul-africana com um sotaque desgracaderrimo, nao sei, nao sei, sou chata pra burro, mas vou fazer o esforco para ir com a cara dela, afinal, agora moramos juntas. Pelo que entendi, ela nao era a primeira opcao dos meninos. Ela foi ver a casa algumas semanas atras e eles preferiram outras flatmates, euzinha por exemplo. Ai o tempo foi passando e nao achavamos ninguem para por no quarto quarto. Entao foi ela mesmo. Ainda teve o acinte de "reclamar de brincadeira" que eu peguei o quarto de cima, com espelhos na parede. Te foder, neh, fia?

No mais, tenho entrevista na Reader's Digest depois de amanha. E outra na quarta. Varias coisas.

E a application para meu mestrado, se deus for pai, chegara a tempo nas maos dos todo-poderosos assessores do curso.

No final, pelo menos, aqui faz sol. Ja eh motivo para comemorar.

Thursday, August 11, 2005

um ano em um dia

Hoje cresci um ano. Acordei às 5:45h, sabendo que a vida já não me deixa em paz e cisma em me tirar de minha voluntária meia-morte. Mas não reclamei de ir trabalhar. Um cara muito especial, novíssimo na parada, estaria no trabalho hoje. Ele não é salva-vidas. Ele é apenas lindo. Com sua lovely evil face. Cara de mau, mas não tão mau. Um sorriso que em alguns anos lhe renderá belíssimas proto-rugas. Um cabelo cuidadosamente descabelado, um corpo de endoidecer amantes de corpos.

Só o sotaque que é meio foda. Ele nasceu em East London e morou por três anos na Escócia. Praticamente um estrangeiro para mim, tanto quanto eu. Ele fala e eu não entendo. mas ele sempre repete sorrindo, olhando através dos meus olhos, como se um varal de roupas nos ligasse e dependesse exclusivamente dele. Se ele deixar a corda cair, eu caio junto. Mas ele não deixa. Ele segura, e eu vou desmanchando, só meus olhos continuam inteiros, em pé, teimosos, nos dele.

Ele me chama de Bee. Bom, todo mundo no trabalho me chama de Bee. Mas com ele é mais especial. Apenas recentemente ele começou a me chamar de Bee. E eu adoro. E, olha, sinceramente, acho que há recíproca. É bom que eu esteja muito certa disso, porque ele, bom, ele é meu chefe. Não é legal excangalhar com o emprego, néam? Mas estou quase, quase certa. Ele me ama e eu o amo loucamente.

Aí estava saindo do trabalho e topo com L., o Malandro. Ele foi visitar o pessoal. De quebra, um eu-te-ligo-sabadanoite. Eu até queria que ele ligasse. Mas nosso amigo malandro sambou no lugar. Perdeu pontos na comissão de frente mesmo. O novo amor da minha vida dessa semana - dessa vez é sério - promete ser destaque da escola.

Desnecessário dizer que saí do trabalho carregada por borboletas. Tentei disfarçar para a Anna, a polonesa que trabalha comigo, mas achon que não consegui. Ela não comentou nada, mas sou um bebezão transparente e imagino que ela seja minimamente perspicaz. Oh well, foda-se. Tô nem aí.

E começou a grande mudança para a casa nova. Antes de sair de casa, claro, tinha que ser, um quebra-pau em terra amiga. Brigar tem sido tão fácil ultimamente... Acho que os ânimos estão em progressivo caos. Pela primeira vez em Londres, vou me separar das meninas. O dia está chegando. Já fechei contrato com o Mr Australia e Mr Suécia-Equador. A partir de domingo meu endereço oficial é em Mudchute, em Isle of Dogs, uma região nas docklands, zona leste, céito? Mas zona leste do bem. Muito verde, muita casa bonita, meu lar a 50m do Thames. Estou feliz demais com minha escolha. Meu quarto é um bibelô. Todo azul, mas não azul-calcinha. Um anil apastelado. Lindo. E armário com portas de espelho deveras interessante. E, porra, meu quarto, meu meu meu. No terceiro andar. Lindo, cheiroso, superficialmente bagunçado, como eu gosto.

Apesar das brigas por aqui, estou feliz. Um sentimento bom e adormecido voltou a cutucar meu coração, esse bolostrô preguiçoso e idoso, cansado de guerra. Uma casa nova. Bastante trabalho e, a última ótima notícia: fui chamada para uma entrevista na Reader's Digest. Sexta-feira que vem. Fingers crossed once again!

Em um dia, tanta coisa. Eu querendo meio-morrer porque não agüento mais correr tanto assim, e minha meia-vida querendo ser inteira, chacoalhando meu corpo fodido de tanto tentar escalar. Unhas sangrando de tanto tentar agarrar. Olhos ardendo de tanto querer enxergar. Braços doendo de tanto arrastar - coisas, pessoas, principalmente pessoas - e de ser arrastada - por coisas, pessoas, lugares também, mas principalmente pessoas.

Foi um dia e tanto. Meio-ressucitei com a força de um ano. Um ano para entender que cresci e que minha força é mais que nunca absurda. Absurda.

Friday, August 05, 2005

I don't believe in hell

Porque estou dançando entre as chamas que queimam minha alma. Dançando e rindo e cantando. Então não pode ser inferno. Inferno não existe. Liberte-se desse consolo chamado inferno. Liberte-se também do paraíso. Hoje conheci outro australiano com um quarto para alugar. O apê dele é de frente para o rio, todo decorado, muderno, a dois passos de London Bridge, a um do Borough Market. Ele queria me alugar um quarto de solteiro por £140 por semana. Escapou-me uma gargalhadinha. Falô então.

Mas ele estava infeliz. Tinha tido um péssimo dia no seu emprego nine-to-five. Uma reunião não saía bem. Ele tem um daqueles sorrisos bem largos de dentes amarelos, como todos eles.

Eu não quis ser ele, mesmo querendo ter sua casa.

E atinei então que não existe também paraíso. Foi então que percebi que estava livre para rir, dançar, me sujar nas cinzas do inferno. O inferno que é pura ilusão. O mundo está aí e não é inferno nem paraíso. É um eterno purgatório, te lança para cima para baixo, mas no final você morre sem saber realmente se usou a vida para provar alguma coisa. Para que provar, então?

Esquece isso. Preciso parar de ter vergonha do que sou hoje. Sempre me orgulho do passado. Preciso me preocupar mais com o presente. E esquecer um pouco essa história de futuro. Futuro, inferno, paraíso. Tudo a mesma merda, tudo a mesma ilusão. Não quero viver para morrer feliz. Quero viver feliz e depois morrer. Apenas morrer. Não quero morrer feliz. Morta, nem devo saber o que é felicidade. Não que eu saiba hoje. mas pelo menos ela, a puta da felicidade, hoje tem o dom de me deixar encafifada.

Be good to yourself 'cause nobody else has the power to make you happy.

Thursday, August 04, 2005

O encontro com o Mr Austrália

Foi quase todo smoothly. Pelo detalhe de que esqueci meu celular em casa e não sabia como o cara era e ele não sabia como eu era. Havíamos marcado de se encontrar nas escadas saindo da estação de Canary Wharf pela Docklands Light Railway. Combinamos meio nas coxas já imaginando que por celular nos acharíamos. E eu levo tudo, menos o celular.

Óquei. Encosto numa pilastra e sei que se a cagada foi minha, sou eu quem tenho que descobrir quem é o cara. Para facilitar um pouco, fiz minha mais genuína cara de perdida, olhando em volta, encarando os homens que estavam parados por ali. Olho à minha direita, um cara bonitinho parado na frente da escada. Olho para frente, um executivo cabeçudo mandando SMS freneticamente. À minha esquerda, um japonês parado com cara de nada. Alguns subindo escadas, andam, olham em volta e seguem. Fodeu, pensei. O cara é que vai ter que me achar. Só tem homem nesse lugar. Não vou sair feito uma louca perguntando quem é o Mr Austrália.

Mudei de idéia subitamente quando um colega de GANA resolveu puxar conversa. Ele vinha com um relógio na mão, para consertar ali do lado. Arrastava suas chinelas num ambiente bem pouco chinelento. Camisa pólo verde musgo, toda encardida. Uns fiapos brancos no pescoço e na cabeça que me deixou sem entender mesmo. Começou perguntando se eu era americana. Nope. Australiana? Nope. De onde então? Brasil. Ah, Brasil, era do Brasil o cara que foi assassinado no metrô, né? É. Triste, não? Muito.

Eu já estava perdendo a paciência porque queria ser vista pelo Mr. Australia sozinha. Com o Mr GANA do meu lado meu possível futuro housemate jamais viria conferir se eu sou eu.

Abri as ventas em desaprovação. Olha, moço, eu preciso ir porque tenho que encontrar alguém. Onde você vai encontrar esse alguém? Aqui mesmo. Então aonde você está indo? Olha, moço, prestenção: não conheço a pessoa que veio me encontrar e ela nunca vai me achar se me vir aqui conversando com você. Ponto de interrogação do tamanho do prédio do Citigroup. Me dá seu telefone então? Não. Por que não? Porque não lembro o número e esqueci o celular em casa. Ahn... peraí então, deixa eu pegar um papel, segura aqui meu relógio e...

Eu já estava freaking out. Olha, Mr. Gana, preciso ir, really. Olha, tá vendo aquele cara ali sentado? (Apontei para o bonitinho à direita) Então, tenho quase certeza de que é ele. Entreguei o relógio na mão dele e andei até o carinha. Oi. Qual é o seu nome? Ele disse. E era ele. O Mr. Austrália era o bonitinho. Uau. Uau. UAU. Nem parece a minha vida. Não dou essas sortes. O Mr. Austrália não só é gato como é bem legal. Dei um aceno para o Mr Gana sem olhar para ele. Não queria ver sua reação ao me ver walking away com outro cara. O cara que eu estava esperando.

Ele perguntou se eu conhecia aquele cara, referindo-se a Mr Gana. Não! (Aturdida demais) Quer dizer, não...(Mais mansa) Ele veio puxar papo, sei lá, gente estranha, daquelas bem Londres. Ele riu. Eu ri. E ele riu da minha risada. Estávamos entrando em sintonia.

Gostei. Vou conhecer o outro cara que morará nessa casa no sábado. Mr Suécia. Acho que não tiro dois 6 nos dados, mas vai que a sorte está virando?

Pelo menos defini que o Tony, um amigo da BMI, mudará comigo. Decidimos que vamos morar juntos. Ele é um amor, o mesmo que me arranjou onde ficar em Southampton. Em alguns meses estarei falando inglês com sotaque de Bristol.

E encerro esse post agora, já, porque vou encontrar Tony e ver uma casa em Maida Vale. Estamos considerando casas vazias para depois escolhermos, você sim, você não, pessoas para morar conosco.

Vai funcionar. Porque tem que funcionar. Na metade da semana que vem temos que mudar.

Wednesday, August 03, 2005

on my own - and I don't really care

Então aconteceu. Aquilo de it can't get any worse é puro bullshit. Estamos nos separando. As três. A Fru vai para oeste. De lá, um par de meses depois, voltará ao Brasil. A Bobby também vai embora. Ainda não sabe para onde, mas vai. Ainda não sabe para quê, mas vai. Ainda não sabe. Mas eu, que sou péssima nisso de não saber, preciso definir minha vida agora. E estou procurando um quarto, não importa o tamanho, não importa a região, não importa o número de pessoas que vai morar comigo. Só importa que eu possa, novamente, criar meu universo e pagar minhas contas. Meu quarto e apenas o suficiente no bolso, for now. Porque, ladies, gents, eu não paro de escrever, não. Um dos meus livros está gigante. O outro, começando a fermentar. Eu preciso acreditar que alguma coisa boa de toda a tragédia dos últimos meses vai germinar.

Sim, sim.

Vai.

Ontem visitei uma casa em Bethnal Green. Amo a região, mas a casa é lamentável. Hoje vou encontrar um Mr Australia em Canary Wharf. Um pouco mais promissor, I'd say. Um monte de coisas ameaçando encaixar. Não quero me iludir, for I've already eaten the bread the devil smashed (ok, foi fraca) por aqui.

Friday, July 29, 2005

the world spinning in front of my astonished eyes

Férias dos sonhos. Fechei os olhos e entrei nelas, nas férias. E só agora saí delas e abri os olhos para o mundo novamente. E os dias que passei de olhos fechados foram dos mais especiais este ano, junto com os dias movidos a tapas e paella com babãe. A Ilha da Madeira é um pequeno mundo de sonhos, um daqueles carrossel em que toda criança quer subir e nenhuma quer descer. O mar a cada canto dos olhos, peixes em cada canto dos mares, sol demais, sempre a brisa. Mordomia. Uma parte da minha família, como já devo ter citado no ano passado, quando também fui à Madeira, é dona de uma cacetada de coisas, entre elas quatro hotéis, um deles daqueles que já são o sonho em si. Um sonho dentro do sonho. Fiquei hospedada na casa de um de meus tios-primos preferidos, o Michael. Fora que ficar de papo pro ar, vendo as paisagens mais bonitas que meus olhos podem absorver, ao lado de alguém tão querido quanto minha Piu, chega a ser sacanagem de tão bom. Chega a doer, chega a congelar, apesar de o tempo voar. Chega a fazer me sentir uma idiota de passar por pequenas coisas ruins e me deixar abalar, se tenho a pessoa mais preciosa do mundo ao meu lado num dos lugares mais preciosos aqui já fui.

E ainda para ser arrebatada com um proto-convite para ir morar na Ilha da Madeira. Digo proto porque quem me convidou foi a esposa do Michael, que não manda muito no circo. Mas o Michael estava presente, assentindo. Mas calado. Calado não é bom. E também não sei se quero morar na Madeira. Acho que em alguns meses eu estaria correndo atrás do próprio rabo, com medo de pôr chinelas e ir à padaria do Joaquim porque obviamente em alguns meses já estaria "falada" num lugar tão provinciano.

Meninas traquinas como eu devem se conformar com a condição de encurraladas nas megalópoles. Ou livres para aprontar sem ser identificadas. Escolham a versão que parece menos ruim. Ambas estão corretas.

Voltando à família, uma das melhores sensações que tive foi a de ver meu pai, que chegou na Madeira três dias após eu e minha irmã, resgatando uma parte importante do passado dele. Primos que ele não via há 35 anos. Outros que ele nem conhecia. Os filhos, os netos, as casas e as vidas. As dores, as viúvas, tudo o que há numa família. A família do meu pai, a família No.2, depois de minha irmã e eu. Finalmente, a família de cujo reencontro ouso me sentir pivô. Babái não tinha contato com esse lado dele até que eu resolvi cutucar o vespeiro. Primeiro morando com meu tio-primo aqui em Londres nos primeiros meses. Depois, indo para a Madeira e desenterrando, inclusive para muitos que nem sabiam da minha existência, o lado Blandy que vem do Brasil. Um lado Blandy que é branquelo de olhos claros, mas que samba, joga futebol, ri pra cacete e abraça. Uma louca brasileira que ninguém lembrava que poderia um dia aparecer. Mas apareci e este ano voltei, com minha irmã a tiracolo e babái, uma mão dada a mim, outra a sua namorada, para rever o passado. Entender como tudo foi parar onde parou.

Foi precioso ver onde meu pai aprendeu a andar de bicicleta. Onde passava horas olhando os astros por um telescópio. Onde morou os primeiros anos de infância. Onde aprendeu a nadar, puta merda, onde APRENDEU a NADAR.

Foi delicioso revisitar o passado com babái. Não foi fácil dizer tchau. Mas nunca é. Acho que tô ficando profissional nesse negócio de despedida. Tô me acostumando à saudade. Tô me acostumando em deixar pedaços de mim com pessoas que deixam pedaços delas comigo também. Fui eu que escolhi.

Monday, July 18, 2005

Cardiff

Conheci uma das minhas cidades preferidas. Eu sabia que adoraria, tinha um good feeling sobre a capital do País de Gales. Estava certa. Eu e minha Piu aproveitamos cada segundo dessa viagem deliciosa. Mal chegamos no hotel - delicios, diga-se - fomos para o Cardiff Castle. Fizemos o tour completo. Maravilhoso. Ainda passeamos pelo centro da cidade e terminamos o dia em Cardiff Bay, o ponto de encontro de final da tarde, cerveja pros que são de cerveja, suco pros que são de suco. O sol se pondo às 10pm.

Dia seguinte acordamos cedo, nos esbaldamos no café-da-manhã do hotel e pegamos o busão para Barry Island, que fica a uns 50 minutos de Cardiff. Praia de areia (um adendo necessário nessa ilha chamada Grã-Bretanha), mar quentinho, crianças, muitas crianças, praia limpa e sol, sol, sol. Banho de sal para me livrar de qualquer coisa ruim que esteja me impregnando. Porque acredito muito que esteja.

Na praia fizemos um amigo, o Ethan. Ethan tem dois anos e a língua presa. Sorvete seco espalhado pela cara e areia por todos os lados. Sempre que saía para pegar um brinquedo, anunciava depois sua volta: "I come back". E cismava que tinha um barco, mas que não estava achando. Pegava pedrinhas na areia e dizia: "tiny!" e eu me controlava, ô se me controlava, porque aqui é meio estranho essa história de sacudir bochecha de bebês alheios.

Ainda tentei negociar com o pai, já que uma hora em que estava indo dar uma nadada no mar o Ethan quis vir junto. Disse ao pai que sou salva-vidas e que não teria problema levá-lo para um mergulho. Ainda assim não quis. Entendo.

Piu e eu ainda tentamos, nesse mesmo dia, visitar St Fagan's, uma vilazinha ao lado de Cardiff que possui o maior museu aberto da ilha, o Welsh Folk Museum. Mas o último ônibus partia às 18h (!). Nada feito.

Passeamos mais por Cardiff, exploramos o Bute Park (acho que é esse o nome, not sure, not sure) e voltamos cedo para o hotel. No dia seguinte, hoje, era o dia de empacotar tudo e voltar. Ainda deu tempo de passear pelo parque, mas fomos pega por uma chuva pentelha - já era esperado, ninguém tem a sorte de só pegar sol na Inglaterra; com minha Piu não seria diferente.

Na hora do almoço arribamos no trem. Para nossa surpresa, nos puseram na primeira classe. Não reclamamos. Eu até consegui dormir, já que, em troca de um gole da minha coca-light, minha irmã prometeu não cantar as músicas que ia ouvindo no discman.

Agora estou resolvendo todos os pepinos a serem resolvidos antes da esperada viagem para a Ilha da Madeira. Novo telefonema para a polícia, nova constatação de que polícia é incompetente em qualquer lugar.

Minha pequena ruiva deve estar perdida em Oxford Street, comprando lembrancinhas inglesas para seus brasileirinhos. Estou sozinha em casa. Faz tempo que não fico sozinha. Um vento delicioso entrando pela janela. Um sol brilhando apesar de estar meio nublado. Um sossego de que tudo dará certo, sempre, mesmo que certo não signifique perfeito.

retrolavagem e purificação

Começo a desconfiar que este blog está amaldiçoado. Gente demais lendo, nem todas de boa energia. Infelizmente ainda não inventaram um recurso para banir de acesso a esta página essa gente pequena, cujas grandes alegrias são encher o saco da vida alheia. Um recado: eu sei que esse blog é legal, que vocês não conseguem não vir aqui ler, que minha vida é mesmo muito interessante. Mesmo não concordando com vocês entendo que, em tendo uma vidinha bem mais ou menos, vocês achem a minha excitante. Óquei, sem problemas. Mas leia e vá embora. Não deixe aqui seu fedor

Friday, July 15, 2005

aftermaths ou two steps away from losing it

Estou ao lado da pessoa que mais amo no mundo exatamente agora que o mundo resolveu desabar e eu não sei no que me seguro, na raiz ou na nuvem. Nenhum apetitoso. Só consigo agarrar minha irmã, e morro de medo de levá-la comigo para o caminho errado.

Antes dos ataques terroristas, antes de babái me dar o deleite de sua visita, muita merda fedeu. Duas noites após terminar o namoro, encontrei aquele gatinho, o Certinho, que a partir de agora, se é que há algum partir que não seja partida em minha vida, chamarei de D. Fui assistir Bonbón com ele, um filme argentino que julgo eu deve estar fazendo sucesso pela terrinha. Resolvemos esticar depois para um pub. Coisa rápida já que ambos acordavam cedo no dia seguinte, mesmo sendo domingo. Levantei para ir embora, virei para alcançar minha bolsa e não havia mais bolsa. Fui roubada pelo mais malandro dos trombadinhas. Não percebi nada, e não deixei a cadeira nem para ir ao banheiro - vantagens de não beber.

Eu não acreditava. Na hora me veio um gelado na espinha, daqueles que todo mundo tem, de desespero. Mas comigo sempre é mais dramático. Associei as sensações a um ataque de pânico e quase o tive ali, em frente ao D., que me olhava com cara de "fuck!", e em frente às garçonetes do pub, que estavam tentando partilhar da minha dor, mas que na hora, aos meus olhos ranzinzas, apenas regozijavam internamente por não ter acontecido com elas.

Sem carteira, sem cartões, sem dinheiro, sem iPod, sem telefone celular, sem chave de casa, o desespero foi crescendo porque o quebra-cabeça foi fechando e parecia que as peças não iam mais se encaixar. Foi nessa hora que me deu um clique, naquela hora em que a vista começa a escurecer. Essa é minha hora preferida de ter cliques. Nunca antes de tudo parecer perdido. Sempre segundos antes de eu apagar.

O único celular que eu sabia de cor era o do Ernesto. Liguei para ele depois de cancelar celular e cartões de banco e pedi o número do telefone da Bobby. Mais uma longa jornada até encontrá-la. Cheguei em casa detonada, chorando, mal mesmo, achando que não conseguiria levantar no dia seguinte para trabalhar. Eu estava certa. Eu não conseguiria levantar, mas alguma força maior que eu andou por mim, comeu por mim e me levou ao trabalho.

Daí para frente vocês já conhecem. Fui me reerguendo, resolvendo todas as dores de cabeça que uma perda desse gênero gera, yadda yadda yadda. A verdade é que cansei do meu próprio discurso de eu-me-fodo-mas-levanto-pois-sou-foda. Cansei do gesto de bumbar no peito estufado. Cansei de ficar serena, esperando a hora certa para levantar e levar outro bofetão, mesmo depois de juiz ter decretado nocaute. É isso. Alô deus, rolou um nocaute aqui, já. Fim de jogo. Esquece os próximos rounds porque, really, I can't cope.

E babái aqui e minha Piu aqui, e todos os elementos que deveriam me deixar explodindo de alegria, ainda não estão conseguindo. Não quero saber de D. ou de L. (L. agora é o Malandro). Não quero saber. Preciso mudar de casa com a Bobby e ao mesmo tempo I don't give a shit. Moro em qualquer canto, jogada, durmo em qualquer esquina, em posição fetal, economizo no arroz. Tudo o que eu nunca quis para mim.

Estar com a minha irmã aqui faz com que tudo seja menos insuportável. Só não quero levá-la comigo para a merda. Eu jamais me perdoaria. Jamais.

**

Em tempo, amanhã começam minhas férias. Vou para o País de Gales, volto na segunda e na quata vou para a Ilha da Madeira novamente. Eu pretendo muito acordar outra. Férias merecidas. Férias de mim mesma.

Thursday, July 07, 2005

estou bem

Aparentemente. Nada aconteceu comigo ou com alguém que eu conheça. Até agora, que eu saiba, apenas uma amiga estava num metrô que foi evacuado. Parece pouco, mas é traumático demais. Por aqui, no Eastend, o barulho das ambulâncias está começando a ser uma extensão de meu ouvido. Melhor assim, porque passo a não ouvir de tanto ouvir. Não a ser humano que agüente a certeza a todo segundo de que tem alguém morrendo ou sofrendo aqui do lado.

Londres está quieta. Depois de um dia de chuva intermitente, finalmente o sol saiu. Mas não tem ninguém lá fora para aproveitar. Os que estão na rua, estão tentando ter uma idéia de como vão voltar para casa.

Meu peito está apertado, medo fodido de passar pelo que passei no 11 de setembro. Meu pai na cidade, depois de mais de ano sem vê-lo, e não posso encontrá-lo porque simplesmente não há como. Não há meio.

Se deus quiser amanhã será um dia de reerguimento. Não dá para parar.

Quando achamos que chegamos no inferno, ainda estamos aptos a achar, então ainda não chegamos lá. Agora que tudo começa a perder as margens é que desconfio de que o verdadeiro inferno está próximo.

Nada não. Amanhã estou melhor. Por ora, eu e Schopenhauer dançamos o mais triste dos tangos.

Friday, July 01, 2005

o fim da primeira metade

Acabou a primeira metade de 2005 e, com o fim, minha esperança de que esse ano não será um fiasco completo, afinal ainda temos meio ano pela frente para fazê-lo um semi-fiasco: é só tudo dar certo a partir de HOJE. Já que até hoje, convenhamos, conto nos dedos de uma mão as coisas boas que me acontecerm. 2004 foi ridiculamente bom. vai ver é isso. Alguém reclamou lá em cima que era meio mancada me deixar tão feliz. Aí deu no que deu: fechei os seis primeiros meses do ano em grande classe: eu e o Chris terminamos.

Já era esperado, claro, vide post abaixo, vide antigos posts, vide minha vida. Mas o fim de um namoro é sempre um fim. O Chris esteve comigo durante a metade do tempo em que estou na Inglaterra. E eu o conheci apenas dois meses após ter aqui me ancorado. Ele é importante. É especial. Uma das três pessoas que me fazem ou fizeram não desistir de tudo e voltar.

Mas nosso tempo passou. Na verdade, passou do ponto do passou. Mais um pouco e a gente nem se olharia mais na cara. Foi um término civilizado. Mãos agarradas, olhos nos olhos, umas e outras lagriminhas saindo dos olhos nos olhos. Alívio. A certeza, para ele, de que é só um tempo e que provavelmente vamos voltar. A certeza, para mim, de que é o fim definitivo.

Mas ele não precisa saber.

Fechei o primeiro semestre com mais uma perda. Nesses seis meses perdi meu avô, perdi meu emprego, perdi meu namorado, perdi dinheiro e, finalmente, me perdi. Fiquei meio abirutada no meio de campo. Mas depois me achei um pouco. Sempre vão faltar alguns parafusos porque sou um quebra-cabeça infinito. Tive momentos de serenidade. A viagem com babãe para a Espanha foi, sem dúvida, o cume de minha felicidade nesses tempos difíceis.

E hoje é dia primeiro de julho e eu não quero sentar para ver o resto do ano me foder. Hoje dormi como há muitas semanas não conseguia. 10 horas de sono sem parar. Acordei depois de sonhos estranhos. Pesadelos, as usual. Mas o sono em si foi bom. Tenho um freela dos muito bem apessoados para fazer na sexta-feira que vem, de intérprete num evento bem dos chiques. Dei meu valor, £30 por hora. Acabo de pegar a resposta: valor aceito.

Também recebi telefonema do meu chefe na academia em que trabalho aos fins de semana e ele quer me pôr em mais shifts a partir dessa semana.

Amanhã devo ver pelo menos um dos gatinhos, o Certinho. Finalmente, se deus for mesmo pai, dessa vez rola.

E ainda há chances de ver o Malandro. Sob o pretexto dele deixar o CV dele na academia em que trabalho. Vai ser bom entrar nos olhos dele de novo.

Sem falar na vinda eminente de babái, que está me deixando bastante apreensiva. Não parei de voltar na sala do meu manager na St George's para lembrá-lo que farei small shifts nas próximas duas semanas, e no shift at all nas duas seguintes.

Foi-se o primeiro dia da melhor metade de ano que posso ter, já que foi-se a pior metade que já passei as well. Tenho que acreditar em algo nessa vida, nem que seja na matemática.

**

Minha pessoa favorita criou uma comunidade no Orkut para moi! Se estiverem no embalo, vão lá.

Thursday, June 30, 2005

meus olhos se escondem onde explodem paixões

Mão fria, coração quente. O verão na Inglaterra é patético. Estou de agasalho e ainda assim com frio. Mas pelo menos aqui dentro as coisas estão bem. Na verdade, as coisas estão estranhas. Tenho ups muito upds e downs muito downs. Desacredito que vou ver meu pai em 4 dias e minha irmã, sim, ela, a toda poderosa, capaz de ser minha pessoa favorita, primeira entre as primeiras. Vai ser foda. Altas emoções nos dias vindouros.

E também tem os gatinhos. Nesse exato momento aguardo o Malandro me ligar. Ele ligou quando estava bufando, carregando sacolas do supermercado, pronta para subir dezenas de lances de escada. Não ia rolar ser simpática, ainda mais depois de ter pego uma chuva desnecessária nessa época do ano. Disse que ligaria de novo. Se for o canalha que eu estou pensando, vai demorar bastante para ligar. De repente só amanhã. Mas tá valendo, faz parte da malandragem, eu conheço o tipo. Conheço bem.

E tem o Certinho, o da despedida do trabalho. Combinamos de ir no cinema ontem. Marcamos às 6:20pm (ingleses, meus caros, ingleses…), o filme começava às 6:35pm (Inglaterra, meus caros, Inglaterra…). O negócio é que na hora marcada estávamos lá (mentira, ele atrasou MENOS DE DOIS MINUTOS e ligou para pedir desculpas porque estava atrasado. Depois me perguntam o que eu vejo nos ingleses. Eles são tudo de bom. O negócio é que a 15 minutos do início do filme, não sabíamos muito bem onde ficava o cinema. Acabamos desencanando e fomos a um pub, conversar e ver o jogo do Brasil e Argentina. Fiquei com vergonha dos berros que soltei, mas ele fazia cara de ternurinha, então, na pior das hipóteses, achou fofo. Fofo não é ótimo, mas tá legal.

Jogamos o cinema para sábado à noite. Todos nós sabemos o que significa saída de sabadanoite, então fico um pouco mais animadinha. O negócio é que o Certinho é muito tímido. Esse é nosso segundo date e até agora ele nem pegou na minha mão. A verdade é que estou gostando, curtindo o regresso à quarta-série, porque, como disse a Bobby, faz bastante tempo que isso aconteceu a última vez, desde a quarta-série!

E enquanto tudo isso de bom adoça meu coração, tem mais um monte de coisinhas beliscando. Não deixando que tudo sossegue por aqui. Preciso na verdade de mais um estômago para digerir tanta coisa.

Essa indefinição profissional está bem estranha. Nunca trabalhei tanto na minha vida – way beyond the amount allowed by law. Sério mesmo. Mas a causa é justíssima. De qualquer forma, me irrita um pouco estar trabalhando com algo que não contribui, pelo menos não diretamente, com o futuro profissional que quero pra mim. A verdade é que sempre fui tão abençoada profissionalmente, sempre tive facilidade para ser empregada, que quando me deparo com uma situação de rejeição, é extremamente difícil lidar. Estou passando agora pelo que muita gente passa no primeiro ou segundo ano no mercado de trabalho.

E, obviamente, toda essa situação faz com que eu repense minhas estratégias, perspectivas e planos futuros aqui em Londres. Não vou ficar aqui se não for para fazer o que mais feliz. Se é para ser infeliz, prefiro o ser do lado de pessoas que me fazem feliz no Brasil. Mas calma que ainda tem muita água por rolar.

Hoje, mais tarde, devo ver o Chris. Grand-finale, tudo indica.