Thursday, August 04, 2005

O encontro com o Mr Austrália

Foi quase todo smoothly. Pelo detalhe de que esqueci meu celular em casa e não sabia como o cara era e ele não sabia como eu era. Havíamos marcado de se encontrar nas escadas saindo da estação de Canary Wharf pela Docklands Light Railway. Combinamos meio nas coxas já imaginando que por celular nos acharíamos. E eu levo tudo, menos o celular.

Óquei. Encosto numa pilastra e sei que se a cagada foi minha, sou eu quem tenho que descobrir quem é o cara. Para facilitar um pouco, fiz minha mais genuína cara de perdida, olhando em volta, encarando os homens que estavam parados por ali. Olho à minha direita, um cara bonitinho parado na frente da escada. Olho para frente, um executivo cabeçudo mandando SMS freneticamente. À minha esquerda, um japonês parado com cara de nada. Alguns subindo escadas, andam, olham em volta e seguem. Fodeu, pensei. O cara é que vai ter que me achar. Só tem homem nesse lugar. Não vou sair feito uma louca perguntando quem é o Mr Austrália.

Mudei de idéia subitamente quando um colega de GANA resolveu puxar conversa. Ele vinha com um relógio na mão, para consertar ali do lado. Arrastava suas chinelas num ambiente bem pouco chinelento. Camisa pólo verde musgo, toda encardida. Uns fiapos brancos no pescoço e na cabeça que me deixou sem entender mesmo. Começou perguntando se eu era americana. Nope. Australiana? Nope. De onde então? Brasil. Ah, Brasil, era do Brasil o cara que foi assassinado no metrô, né? É. Triste, não? Muito.

Eu já estava perdendo a paciência porque queria ser vista pelo Mr. Australia sozinha. Com o Mr GANA do meu lado meu possível futuro housemate jamais viria conferir se eu sou eu.

Abri as ventas em desaprovação. Olha, moço, eu preciso ir porque tenho que encontrar alguém. Onde você vai encontrar esse alguém? Aqui mesmo. Então aonde você está indo? Olha, moço, prestenção: não conheço a pessoa que veio me encontrar e ela nunca vai me achar se me vir aqui conversando com você. Ponto de interrogação do tamanho do prédio do Citigroup. Me dá seu telefone então? Não. Por que não? Porque não lembro o número e esqueci o celular em casa. Ahn... peraí então, deixa eu pegar um papel, segura aqui meu relógio e...

Eu já estava freaking out. Olha, Mr. Gana, preciso ir, really. Olha, tá vendo aquele cara ali sentado? (Apontei para o bonitinho à direita) Então, tenho quase certeza de que é ele. Entreguei o relógio na mão dele e andei até o carinha. Oi. Qual é o seu nome? Ele disse. E era ele. O Mr. Austrália era o bonitinho. Uau. Uau. UAU. Nem parece a minha vida. Não dou essas sortes. O Mr. Austrália não só é gato como é bem legal. Dei um aceno para o Mr Gana sem olhar para ele. Não queria ver sua reação ao me ver walking away com outro cara. O cara que eu estava esperando.

Ele perguntou se eu conhecia aquele cara, referindo-se a Mr Gana. Não! (Aturdida demais) Quer dizer, não...(Mais mansa) Ele veio puxar papo, sei lá, gente estranha, daquelas bem Londres. Ele riu. Eu ri. E ele riu da minha risada. Estávamos entrando em sintonia.

Gostei. Vou conhecer o outro cara que morará nessa casa no sábado. Mr Suécia. Acho que não tiro dois 6 nos dados, mas vai que a sorte está virando?

Pelo menos defini que o Tony, um amigo da BMI, mudará comigo. Decidimos que vamos morar juntos. Ele é um amor, o mesmo que me arranjou onde ficar em Southampton. Em alguns meses estarei falando inglês com sotaque de Bristol.

E encerro esse post agora, já, porque vou encontrar Tony e ver uma casa em Maida Vale. Estamos considerando casas vazias para depois escolhermos, você sim, você não, pessoas para morar conosco.

Vai funcionar. Porque tem que funcionar. Na metade da semana que vem temos que mudar.

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