Sunday, September 11, 2005

cyberlove

Não. Não é isso que vocês estão pensando. Não encontrei um amor virtual. É o mundo virtual que eu amo. Essa é uma declaração de amor à internet. Internet, obrigada por você existir e me manter tão próxima a um passado amado, aos amados de ontem e hoje e sempre. Aos leitores que nem me conhecem e mandam ondinhas de amor - eu sei, eu sinto.

Estou com internet em casa. No meu colo, para ser exata. Enquanto Mr Austrália e Mr Suécia assistem a Dogville no DVD, digito freneticamente.

Minha vida está em apnéia até amanhã, quando muita coisa vai ficar clara na minha vida. Amanhã sai a resposta do mestrado. Se rolar, começo a estudar já no mês que vem. Isso significa que tenho que ler, em um mês, uns 7 livros, entre eles Ulysses. Sim, sim. Se rolar o mestrado estarei pretty much fucked até sabe deus quando. De qualquer maneira, não quero que nada atrapalhe minha ida ao Brasil. Mesmo que tenha que levar livros & cia a tiracolo.

**[pausa para comentário urgente] Gente, o australiano deitou aqui do meu lado, a cabeça a uma régua escolar de distância. Puta vontade de fazer um cafuné. Ele é um fofo. [/pausa para comentário urgente]**

A entrevista de sexta, a segunda que fiz na Reader's Digest, foi uma bosta. Quer dizer, isso foi o que eu achei. Jamais me contrataria se tivesse assistido àquela apresentação. Tive brancos, ri de nervoso, troquei palavras, coisa mais difícil que é embromar em inglês. Não que eu tivesse a intenção de embromar, mas entrevista de emprego precisa ter uns floreamentos. Você não responde simplesmente "não". Responde "não, mas acho que se x e y colaborarem, ou se z não atrapalhar, e se o alfabeto inteiro estiver disposto, aí acho que pode ser. Mas, a priori, não".

Pois foi isso. Me enrolei no meu próprio nariz de cera. Maldição jornalística.

Mas esqueçamos. Passou, foi, zupt, sumiu. Agora é só esperar. Esperar a resposta do mestrado. Esperar a resposta da IMP. Esperar a resposta da Reader's Digest. Sabe que até estou começando a gostar de esperar. Porque quando todas as respostas chegarem, todas todas, aí sim vou ter que começar a tomar decisões. E não são das mais fáceis. E não são das mais superficiais. São decisões de gente grande saindo de uma cabeça que cisma em continuar bebê, sempre que possível. E o sempre que possível está se tornando quase impossível. Quanto mais o tempo passa aqui, mais me sinto uma senhora. Tantas responsabilidades, tantas preocupações, tanto a pensar, decidir, unir, excluir, telefonemas a fazer, coração para aquietar, minha saúde, compras, o aluguel, trabalho demais, e no entanto estou aqui, sentada na sala com dois rapazes deitados, assistindo a um filme quietinhos, enquanto digito e nada, nada além de digitar, nada além de vomitar pelos dedos, ocupa minha cabeça.

Uma senhora. Crescer é isso. Saber que o mundo desaba sobre seus ombros todos os dias, e nem por isso você deixa de regar sua planta, ou fazer seu café com calma, ou assistir a um programa favorito, ou escrever num blog que é mero engano de Google para tantos leitores.

Voltei.

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