Após dois dias off sick, tenho uma montanha de trabalho me esperando. E pouca disposição, já que ainda há restos de resfriado correndo por aí.
Mas vou fazendo sem pensar porque se eu convencer meu corpo de que ele pode, a cabeça vai atrás. Sempre foi assim comigo.
**
O fim de semana foi bom. Quieto. Dormi muito, como precisava. Saí pouco, porque já tá frio. Fizemos uma sessão de filme em casa na sexta. O frio foi suficiente para convencer meia dúzia de marmanjos a comparecerem. Compramos pipoca e sorvete e panqueca. O filme que escolhemos, Hostel, foi uma bosta. Todo o resto foi bom.
Sábado foi dia do transporte em Londres foder com minha paciência once again. Metrô fechado, outro atrasado, ônibus parado, um carnaval, minha gente, um carnaval. Demorei mais de uma hora pra chegar em Central London. Fomos no cinema, assistir Red Road, um filme escocês que eu adorei, embora seja meio deprimente e embora eu tenha que assistir de novo quando chegar em DVD, dessa vez com legendas. O filme se passa no pior que há de Glasgow.
Domingo foi dia de fogos. Remember, remember the 5th of November etc. Fomos no Victoria Park, em Bethnal Green, assistir à queima de fogos. Viagem longa para fogos curtos e reles. Na verdade, achei a queima linda. Uns fogos que nunca tinha visto, emocionante mesmo. Só que viajamos bagarái pra chegar lá e assistir a, sei lá, 10 minutos de festa. If I had to do it all again I wouldn’t.
Em suma, aproveitei a maior parte do tempo em ótima companhia.
Mas como sou um bebezão, it’s never enough. Em Londres aprendi a ser carente. Nunca fui. Aqui sou um pouco. Não muito porque esse é um sentimento que me irrita e me intimida. Mas confesso que fiquei um pouco mais, ou ao menos aprendi a enxergar.
**
Sonhei com montanhas.
**
Falei com minha Piu no Skype com webcam pela primeira vez. Foi lindo. Ela estava usando o pijama que mais amo No. 2, também conhecido como Cecilinha.
**
Já falei que arranjei companhia pra minha viagem? Arranjei. Uma para a parte da Alemanha, outra para parte da parte da Suíça. O que me deixa apenas duas noites on my own. Should be fun.
**
Saving love for later – there’s no such thing. Aprendi isso na marra, claro. “Vou ficar aqui guardando seu amor para quando você voltar”. Frases que falamos para preencher vazios doídos. Eu fiz e você fez e eles fizeram. Todos mentimos, percebemos e ficamos quietos. Digerindo a mentira mútua.
Estava lendo o blog de uma menina cujo amado foi morar fora. E ela disse isso, que estará guardando o amor para quando ele voltar. E a vontade que tive era de dizer que não, que tá tudo errado, que ela ainda não sabe, mas isso não existe. Que, day in day out, deparo-me com alguém que acabou de descobrir a verdade, como eu uma vez descobri. Dói saber que amor não é tão forte como um dia acreditamos. Que acaba a maioria sabe depois dos 20. Mas não que acaba antes do que esperamos.
Então se um dia ela vier parar aqui, lendo este post, que seja rápido - indolor é impossível. Mas que faça sentido. Que ela não me xingue, não me odeie, não me ache uma burra generalista. Porque não estou sendo burra nem generalista. Vai ser assim.
Enfim, há várias formas de se tapar o sol com a peneira. Mas já adianto, nenhuma delas vai evitar queimaduras.
Monday, November 06, 2006
Wednesday, November 01, 2006
32 merdas
Hoje o dia começou assim: derrubei leite no sofá, esqueci o mapa do lugar pra onde ia em Richmond e esqueci o celular em casa e esqueci o iPod. Existe um psicanalista (só podia) que afirma que temos que ter 32 furstrações diárias, entre grandes e ínfimas, para que o dia seja completo. Considerando que em menos de uma hora já foram 4, em 24 serão 96, o que deveria fazer, segunda a matermática do nosso amigo, com que eu não tenha mais nenhuma frustração nos próximos dois dias.
Mas como eu duvido, desde já declaro que o psicanalista que afirmou isso e cujo nome não me lembro, só fala merda.
**
Continua inundando. Impressionante. Sorrisinho rasgado. As coisas não eram assim quando não éramos tão comunicáveis. Agora sou sempre achada. E adoro. E adoro reclamar adorando. Some sugar in my bowl, you know. Nina Simone continua tentando habitar meu corpo. Eu deixaria fácil, se ela quisesse mesmo. Já pensou uma blueseira loira de olhos claros? A voz, temporariamente, eu já tenho.
**
Ontem fui num pub e veio uma menina vestida de bruxa absurdamente apertável (aqui não posso fazer essas coisas, fiquei na vontade) dizer trick or treat. Peguei umas moedas da bolsa e dei pra ela. Mas acho que ela tava superafim de fazer o trick, então mesmo recebendo o treat. Ela virou as pálpebras pra fora e falou “looks like you’ll have a trick!” E eu respondi, “but, sweetheart, I just gave you your treat!”. Ela ficou me olhando meio encafifada, quase com medo. Abri um sorriso. Ela ficou ainda mais assustada. Aí eu percebi que ela ia correr mas ainda deu tempo de acrescentar: “hey! Stop doing that to your eyes. An angel will come and blow and you’ll be like that forever! Seriously!”
Ela recuou, de costas mesmo, e já armou o bico. Eu não queria fazê-la chorar, mas virar as pálpebras daquele jeito não pode fazer bem. Eu fiz isso pelo bem dela. Eu juro. E vai que realmente passa um anjo, sopra, e ela fica daquele jeito? Foi assim que eu, pelo menos, parei de brincar de ser vesga quando era criança.
Mas como eu duvido, desde já declaro que o psicanalista que afirmou isso e cujo nome não me lembro, só fala merda.
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Continua inundando. Impressionante. Sorrisinho rasgado. As coisas não eram assim quando não éramos tão comunicáveis. Agora sou sempre achada. E adoro. E adoro reclamar adorando. Some sugar in my bowl, you know. Nina Simone continua tentando habitar meu corpo. Eu deixaria fácil, se ela quisesse mesmo. Já pensou uma blueseira loira de olhos claros? A voz, temporariamente, eu já tenho.
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Ontem fui num pub e veio uma menina vestida de bruxa absurdamente apertável (aqui não posso fazer essas coisas, fiquei na vontade) dizer trick or treat. Peguei umas moedas da bolsa e dei pra ela. Mas acho que ela tava superafim de fazer o trick, então mesmo recebendo o treat. Ela virou as pálpebras pra fora e falou “looks like you’ll have a trick!” E eu respondi, “but, sweetheart, I just gave you your treat!”. Ela ficou me olhando meio encafifada, quase com medo. Abri um sorriso. Ela ficou ainda mais assustada. Aí eu percebi que ela ia correr mas ainda deu tempo de acrescentar: “hey! Stop doing that to your eyes. An angel will come and blow and you’ll be like that forever! Seriously!”
Ela recuou, de costas mesmo, e já armou o bico. Eu não queria fazê-la chorar, mas virar as pálpebras daquele jeito não pode fazer bem. Eu fiz isso pelo bem dela. Eu juro. E vai que realmente passa um anjo, sopra, e ela fica daquele jeito? Foi assim que eu, pelo menos, parei de brincar de ser vesga quando era criança.
Tuesday, October 31, 2006
life's short but sweet for certain
Sonhei que entrava numa piscine escura e cheia de bichos escuros. Nadava um pouco. Não estava exatamente à vontade, mas não importava muito. Nadei, e os bichos começaram a sair da piscina. Marrons. Sumiam, subiam em árvores, e eu continuava nadando. Era um dia cinza. Meu pai me assistia de longe. Nadei, nadei, nadei, até que estivesse eu e apenas eu na piscina. Não foi um sonho ruim.
**
Talvez por não ser negona essa voz de Nina Simone fique patética em mim. Estou tomando pastilhas, para ver se volto a ser mocinha. Enquanto isso eu sigo cantando baixinho, pra não assustar os transeuntes: do I move you?
**
Voltamos uma hora. Saio do trabalho e já está escuro. É apenas o começo de mais um inverno londrino. Hoje, Halloween, o começo das sombras compridas. Boo.
**
Talvez por não ser negona essa voz de Nina Simone fique patética em mim. Estou tomando pastilhas, para ver se volto a ser mocinha. Enquanto isso eu sigo cantando baixinho, pra não assustar os transeuntes: do I move you?
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Voltamos uma hora. Saio do trabalho e já está escuro. É apenas o começo de mais um inverno londrino. Hoje, Halloween, o começo das sombras compridas. Boo.
Monday, October 30, 2006
…and pleases me
Eu nem deveria falar muito. Eu queria falar muito though.
Porque quando chove, inunda.
Mas eu não deveria falar e, for a change, devo fazer o que deveria, e não o que quero. Porque fazer o que quero é uma delícia até a hora que acaba e chega a conta.
O fim de semana? Em uma palavra? Surreal. Surreal bom, que fique claro. Mas surreal. Todas as noites mal dormidas. Mais uma vez, happy and bleeding como eu gosto, já que nunca mais vou saber o que é ser feliz apenas. Que jorra sangue então. Vamos fazer bem feito. Eu não estou aqui para assistir todo mundo passando. Eu estou aqui para passar também. E não me iludo que haverá no fim do caminho alguém esperando que eu pare. E não iludo ninguém também ameaçando desacelerar. Não quero dormir sempre bem, nem sempre mal. Não quero um coração sempre abaixo dos 100bpm. Não quero também sempre acima.
Ah, e odeio mais ou menos também.
Não quero e odeio demais, e sempre me iludo de que sou o oposto, de que amo e quero e só digo sim.
Mentira.
**
Vi a peça do Kevin Spacey e, não sei se foi a peça ou a companhia, mas dei umas piscadas de mais de um minuto, desconfio. Três horas de peça em que só se fala, fala, fala. Três personagens. Nada muda. Só se fala. E falar não resolve nada, a gente sabe. E só se fala com sotaque irlandês e dos EUA do começo do século.
Não tinha jeito. Não tinha.
Vi uns filmes também, mas acho que não estava no clima de entender nada. Li pouco por falta de tempo para deixar os olhos abertos e parados.
Passeei. Sim, andei de bicicleta, eu confesso. Comprei uma bicicleta, eu confesso. Não quero saber de babãe e Piu achando que eu vou morrer. Não vou, tá? É só uma bicicleta.
**
Estou sem voz e feliz. Na verdade, voz grossa. Nina Simone na vitrola. Sempre, sempre bom.
Porque quando chove, inunda.
Mas eu não deveria falar e, for a change, devo fazer o que deveria, e não o que quero. Porque fazer o que quero é uma delícia até a hora que acaba e chega a conta.
O fim de semana? Em uma palavra? Surreal. Surreal bom, que fique claro. Mas surreal. Todas as noites mal dormidas. Mais uma vez, happy and bleeding como eu gosto, já que nunca mais vou saber o que é ser feliz apenas. Que jorra sangue então. Vamos fazer bem feito. Eu não estou aqui para assistir todo mundo passando. Eu estou aqui para passar também. E não me iludo que haverá no fim do caminho alguém esperando que eu pare. E não iludo ninguém também ameaçando desacelerar. Não quero dormir sempre bem, nem sempre mal. Não quero um coração sempre abaixo dos 100bpm. Não quero também sempre acima.
Ah, e odeio mais ou menos também.
Não quero e odeio demais, e sempre me iludo de que sou o oposto, de que amo e quero e só digo sim.
Mentira.
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Vi a peça do Kevin Spacey e, não sei se foi a peça ou a companhia, mas dei umas piscadas de mais de um minuto, desconfio. Três horas de peça em que só se fala, fala, fala. Três personagens. Nada muda. Só se fala. E falar não resolve nada, a gente sabe. E só se fala com sotaque irlandês e dos EUA do começo do século.
Não tinha jeito. Não tinha.
Vi uns filmes também, mas acho que não estava no clima de entender nada. Li pouco por falta de tempo para deixar os olhos abertos e parados.
Passeei. Sim, andei de bicicleta, eu confesso. Comprei uma bicicleta, eu confesso. Não quero saber de babãe e Piu achando que eu vou morrer. Não vou, tá? É só uma bicicleta.
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Estou sem voz e feliz. Na verdade, voz grossa. Nina Simone na vitrola. Sempre, sempre bom.
Thursday, October 26, 2006
feliz com éfe minúsculo
Às vezes sinto que a vida tá tão boa que eu preciso reclamar, só para poder mostrar ao mundo e aos demônios que mesmo estando tão feliz eu não estou tão feliz. Só para efeito de driblagem mesmo. Porque a verdade é que não posso reclamar. Estou caindo de sono e quasi-gripada. Estou com frio a maior parte do tempo. Quando não estou com frio, estou com calor. Nunca estou apenas. E estou feliz. Talvez não seja, ainda, a Felicidade, dessas com efe maiúsculo. Mas é felicidade. Efêmera, plástica, alienante, ouso dizer até traiçoeira. Mas felicidade pode ser qualquer coisa se ainda assim for felicidade.
**
Ontem recebi uma notícia que me arrepiou a espinha. Uma das minhas melhores amigas, a Cá, está grávida. Depois apenas alguns meses de casamento. Como ela queria. Exatamente como ela queria. Eu tenho mil perguntas pra fazer. E quero ouvir sua vozinha, para ver se está diferente ou se continua fofa e infantil. Quero que ela fale “estojo” para mim como só ela sabe. Quando eu for pro Brasil eu vou poder ver o little bump que já vai estar lá. Eu não me agüento. Esses dois, a Cá e o Rô, são muito fofos. Eles vão dar à luz a mais fofa das criaturas. E eu não vou estar por perto para ser a amiga preferida da mamãe. Mas não pensemos nisso, não. Minha Cá vai ser babãe e eu é que tô aqui, quase explodindo, querendo abraçá-los muito mas, na falta da presença física, eu abraço a mim mesma. Não é a mesma coisa, mas já alivia.
O negócio é que falta de abraço e de choro de alegria da dor no coração.
**
Mudanças internas. Pessoinhas indo e vindo, nessa ordem, porque não cabe mais ninguém vindo sem alguém antes indo. Tô completamente lotada. Se um quer entrar, tem que esperar o outro sair.
Engraçado é que ainda assim a gente se pega pensando em quem saiu por livre e espontânea vontade, em vez de dar as boas vindas em quem quer entrar e fazer *o bem*. Ah, eu não tô sabendo explicar. Talvez porque não esteja sabendo entender.
(Mas a gente sempre pensa mais em quem partiu do que em quem está aqui. Ser humano vive de passado e, paradoxalmente, morre de saudade.)
Anyway, outras coisas eu já entendi, porque sagacidade é meu outro nome. Seja bem vindo e, diferentemente deles, vê se fica para uma temporada, assim, mais longa, néam? Porque não dá para conhecer um país só em algumas semanas. É preciso anos, e mesmo assim... Explicando, bem vindo ao meu país, que já afugentou multidões. Vez ou outra rola um terremoto, um tornado, um deslizamento, nada que mate, mas assusta e eu vou entender se você picar a mula. Só não vou gostar. É só o que quero dizer.
**
Ontem recebi uma notícia que me arrepiou a espinha. Uma das minhas melhores amigas, a Cá, está grávida. Depois apenas alguns meses de casamento. Como ela queria. Exatamente como ela queria. Eu tenho mil perguntas pra fazer. E quero ouvir sua vozinha, para ver se está diferente ou se continua fofa e infantil. Quero que ela fale “estojo” para mim como só ela sabe. Quando eu for pro Brasil eu vou poder ver o little bump que já vai estar lá. Eu não me agüento. Esses dois, a Cá e o Rô, são muito fofos. Eles vão dar à luz a mais fofa das criaturas. E eu não vou estar por perto para ser a amiga preferida da mamãe. Mas não pensemos nisso, não. Minha Cá vai ser babãe e eu é que tô aqui, quase explodindo, querendo abraçá-los muito mas, na falta da presença física, eu abraço a mim mesma. Não é a mesma coisa, mas já alivia.
O negócio é que falta de abraço e de choro de alegria da dor no coração.
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Mudanças internas. Pessoinhas indo e vindo, nessa ordem, porque não cabe mais ninguém vindo sem alguém antes indo. Tô completamente lotada. Se um quer entrar, tem que esperar o outro sair.
Engraçado é que ainda assim a gente se pega pensando em quem saiu por livre e espontânea vontade, em vez de dar as boas vindas em quem quer entrar e fazer *o bem*. Ah, eu não tô sabendo explicar. Talvez porque não esteja sabendo entender.
(Mas a gente sempre pensa mais em quem partiu do que em quem está aqui. Ser humano vive de passado e, paradoxalmente, morre de saudade.)
Anyway, outras coisas eu já entendi, porque sagacidade é meu outro nome. Seja bem vindo e, diferentemente deles, vê se fica para uma temporada, assim, mais longa, néam? Porque não dá para conhecer um país só em algumas semanas. É preciso anos, e mesmo assim... Explicando, bem vindo ao meu país, que já afugentou multidões. Vez ou outra rola um terremoto, um tornado, um deslizamento, nada que mate, mas assusta e eu vou entender se você picar a mula. Só não vou gostar. É só o que quero dizer.
Sunday, October 22, 2006
happy and bleeding
Talvez eu tenha desistido cedo demais. Mas sou impaciente, preciso resolver tudo antes de começar a doer, porque eu suporto a mais intense das tristezas, mas não agüento a mais sutil das angústias.
Você me angustiava e é por isso que tive que deixar tudo para trás. Talvez você nem saiba e me ache louca. Talvez você nem saiba que sou capaz de querer tanto calada. Estou mal acostumada. Geralmente quieta consigo o que quero. Com você não, mas ao invés de me mudar, você só me deu preguiça. Não vou correr atrás porque meu joelho dói. Assim sendo, deixa eu explicar: não é que a fila anda; a fila *já andou*.
**
E falando em impaciência, também não tenho saco para pensar demais sobre coisas simples. Acabei de bookar minha viagem para Alemanha e Suíça. Saio de Londres dia 18/11 direto para Munique, onde devo encontrar a Fezinha, amiga de colégio. Tenho certeza que vai ser demais, porque perdemos muito o contato mas sempre gostamos muito uma da outra. Devo ficar em Munique uns dois dias e, de lá, seguir para oeste, pegar a Baviera de trem ou ônibus, parar em Heidelberg para uma noite, continuar, parar onde me der na telha até chegar na Suíça pelo sudoeste. Aí descer até Interlaken, passar uns dois dias lá também, passar por Lucerna e chegar em Basel, onde pego o vôo de volta a Londres no dia 25/11.
Com quem eu vou? Que eu saiba, com mais ninguém. A não ser que alguém se junte a mim de última hora, há tempos quero a experiência de viajar sozinha. Companhia é sempre bom, mas minha companhia já é ótima.
Não sei. Bookei. O resto acontecerá sozinho.
**
Mais uma semana recheada. Está difícil achar um espaço pra natação, mas quando sobra, nado bem. E quando não sobra, é por um ótimo motivo. Ótimo motivo.
Vidinha boa.
Você me angustiava e é por isso que tive que deixar tudo para trás. Talvez você nem saiba e me ache louca. Talvez você nem saiba que sou capaz de querer tanto calada. Estou mal acostumada. Geralmente quieta consigo o que quero. Com você não, mas ao invés de me mudar, você só me deu preguiça. Não vou correr atrás porque meu joelho dói. Assim sendo, deixa eu explicar: não é que a fila anda; a fila *já andou*.
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E falando em impaciência, também não tenho saco para pensar demais sobre coisas simples. Acabei de bookar minha viagem para Alemanha e Suíça. Saio de Londres dia 18/11 direto para Munique, onde devo encontrar a Fezinha, amiga de colégio. Tenho certeza que vai ser demais, porque perdemos muito o contato mas sempre gostamos muito uma da outra. Devo ficar em Munique uns dois dias e, de lá, seguir para oeste, pegar a Baviera de trem ou ônibus, parar em Heidelberg para uma noite, continuar, parar onde me der na telha até chegar na Suíça pelo sudoeste. Aí descer até Interlaken, passar uns dois dias lá também, passar por Lucerna e chegar em Basel, onde pego o vôo de volta a Londres no dia 25/11.
Com quem eu vou? Que eu saiba, com mais ninguém. A não ser que alguém se junte a mim de última hora, há tempos quero a experiência de viajar sozinha. Companhia é sempre bom, mas minha companhia já é ótima.
Não sei. Bookei. O resto acontecerá sozinho.
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Mais uma semana recheada. Está difícil achar um espaço pra natação, mas quando sobra, nado bem. E quando não sobra, é por um ótimo motivo. Ótimo motivo.
Vidinha boa.
Monday, October 16, 2006
16 de outubro
Tá, tá. Parem de reclamar. Estou aqui, bem, ou pelo menos viva e tirando um sarro, sempre. Debochada que só. Sobrevivi à semana do cão. Fluoxetina já deita confortável e rola suave nas minhas veias. Até suave demais. Dá um soniiiinho. Mas já estou quase normal. Completamente normal talvez na próxima encarnação. Tenho fé. Não sou uma alma danada.
Um pouquinho, talvez.
**
Hoje, né? Se ele estivesse aqui ainda, eu teria lhe enchido de beijos. Se ele estivesse aqui ainda eu ansearia por ouvir sua voz. Se ele estivesse aqui ainda eu daria um presente, não é todo dia que se faz 94 anos. Se ele estivesse aqui ainda eu lamentaria não estar ao seu lado.
Ele não está mais aqui, mas fiz todas essas coisas mesmo assim. Mandei beijos, anseio por ouvir sua voz, darei-lhe um presente hoje à noite - quietinha, na cama, olhando para a foto mais linda do mundo que me encara toda noite - e lamento não estar ao seu lado. De alguma maneira inexplicavelmente forte ele ainda vive dentro de mim. Enquanto houver memórias, há você, vô. As velinhas já se apagaram todas, mas ainda assim, meu amor, feliz aniversário.
**
Ei, você, você mesmo, don’t you look at me with worried eyes, all I know is I wanna be with you. Que gracinha que ele tava ontem, meu deus do céu. Que merda de cara linda.
Mas tô na minha, tô na minha. Na minha e na de outros, mas não na sua. Só que, olha, a porta tá encostada. Se você tentar abrir, consegue. OLHA A DICA ESCANCARADA COMO VOCÊ GOSTA! Seize it, babe, seize it.
**
O sol brilha. Mas já tá frio. Logo mais o sol já nem esquentará mais e, mais uma vez, tenho que recorrer à lã de cordeiro para me aquecer. Porque se for contar com qualquer outra forma de aquecimento morrerei de hipotermia. E, aqui entre nós, nunca fui de colocar minha vida no calor dos outros. Calor alheio será bem vindo mas, sorry, não insubstituível. No final das contas, sou eu quem aqueço o cobertor que me aquece. Todos os cobertores de nada adiantarão se não houver calor aqui dentro. Vamos lá, força.
Um pouquinho, talvez.
**
Hoje, né? Se ele estivesse aqui ainda, eu teria lhe enchido de beijos. Se ele estivesse aqui ainda eu ansearia por ouvir sua voz. Se ele estivesse aqui ainda eu daria um presente, não é todo dia que se faz 94 anos. Se ele estivesse aqui ainda eu lamentaria não estar ao seu lado.
Ele não está mais aqui, mas fiz todas essas coisas mesmo assim. Mandei beijos, anseio por ouvir sua voz, darei-lhe um presente hoje à noite - quietinha, na cama, olhando para a foto mais linda do mundo que me encara toda noite - e lamento não estar ao seu lado. De alguma maneira inexplicavelmente forte ele ainda vive dentro de mim. Enquanto houver memórias, há você, vô. As velinhas já se apagaram todas, mas ainda assim, meu amor, feliz aniversário.
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Ei, você, você mesmo, don’t you look at me with worried eyes, all I know is I wanna be with you. Que gracinha que ele tava ontem, meu deus do céu. Que merda de cara linda.
Mas tô na minha, tô na minha. Na minha e na de outros, mas não na sua. Só que, olha, a porta tá encostada. Se você tentar abrir, consegue. OLHA A DICA ESCANCARADA COMO VOCÊ GOSTA! Seize it, babe, seize it.
**
O sol brilha. Mas já tá frio. Logo mais o sol já nem esquentará mais e, mais uma vez, tenho que recorrer à lã de cordeiro para me aquecer. Porque se for contar com qualquer outra forma de aquecimento morrerei de hipotermia. E, aqui entre nós, nunca fui de colocar minha vida no calor dos outros. Calor alheio será bem vindo mas, sorry, não insubstituível. No final das contas, sou eu quem aqueço o cobertor que me aquece. Todos os cobertores de nada adiantarão se não houver calor aqui dentro. Vamos lá, força.
Monday, October 09, 2006
fluoxo intenso
Esse foi um dos fins de semanas mais estranhos da minha vida. Eu tive o dom de marcar programas com mais ou menos 7 pessoas diferentes, e, como de costume, fui deixando combinado after combinado pelo caminho. Mas foi diferente dessa vez. Sexta fui nadar. Achei que estaria com disposição para sair depois já que o pessoal tinha ido para um pub em Piccadilly. Mas nadei mal. O corpo pesado, fazia cada chegada me arrastando, não ornava mesmo. Saí do treino na metade. Fui para casa e não conseguia pensar em sair apesar de ter tido dito para uma galera que iria.
Instead, fiquei em casa. Sozinha, mas não completamente. Fiquei uma hora no telefone. Com quem? Ah, conto depois. Para quem merece saber.
Dormi quase tão pesado quanto nadei. Acordei com o telefone e era a tia Eva, amiga da minha mãe de décadas. Marcamos de nos encontrar em Leicester Square. Querida Flá veio junto, claro. Mandamos um Busaba delicioso. Meio spicy. Me deu uma leve diarréia. Pequenos sustos nossos de cada dia. Poderia ser, mas não foi. Era algo mais.
Calma.
Passeamos depois do almoço por Trafalgar Square, St Martins-in-the-fields e tal. Encontramos o Chris, que continua absolutamente igual. Me deu uma vela de presente que lia “they didnt have your name”. Tendeu? Todo engraçadinho. Ele tava vestindo uma jaqueta muito fedida. Mas eu não falei nada, juro. Doce Chris não muda. Carente que só.
E aí chegou a noite e fomos para mais uma festa na Casa Oval. O sono começou a pesar novamente, mas era um sono quase químico. Não existe sono assim sem ser sono induzido. Eu olhava para as pessoas e tinha medo de piscar no meio das conversas, porque achava que se piscasse não abriria mais os olhos até o dia seguinte. Até bate desesperinho de não ter forças para voltar para casa. Mas em Londres a gente sempre tira força de algum buraco. Cheguei em casa às 4am, convencida de que a noite fora ótima. Foi, sim.
E domingo foi mais um domingo. Acordei tarde, fui para minha antiga casa no leste encontrar meus ex-flatmates (leia-se Mr Australia apenas). Sei lá. Nada. Foi legal ir na minha ex-casa, mas meio estranho ver que as novas moradoras se adaptaram tão bem, e que uma delas mora no quarto que foi meu, e que uma delas inclusive vez ou outra escapole para debaixo do edredon do Mr Australia. Sim, ele me contou. Mas não teve o efeito desejado. Eu estava numb.
Calma.
Fomos apenas eu e Mr Australia no cinema. Assistir The Departed, o novo do Scorcese. Adoramos. Muito tiro e sangue e inteligência. Eu quase dormi nas partes silenciosas.
Numb.
Foi na volta para casa que percebi que havia algo errado. Aí lembrei que mudei de medicação e que sou uma fodida de pular de um remédio para o outro como se mudasse de marca de bala. Claro, sem ninguém para me guiar eu faço tudo do jeito merdoso que sempre fiz. Sistem a público de saúde. Não pago nada mas me fodo.
**
Mas passou, viu? Ou vai passar. Estou no trabalho sem a menor chance de fazer qualquer coisa. Consegui aprovar uns panfletos e emendar umas cartas e corrigir uns erros e foi isso. Meu dia poderia ter sido feito em meia hora. Cá estou, três da tarde, ensaiando como dizer para o meu chefe que estou me sentindo meio mal e quero ir para casa, sem passar por louca ou mentirosa. Sou um pouco dos dois, mas se ele acreditasse que era apenas enxaqueca, ficaria mais fácil para todo mundo.
É isso.
Off I go.
Instead, fiquei em casa. Sozinha, mas não completamente. Fiquei uma hora no telefone. Com quem? Ah, conto depois. Para quem merece saber.
Dormi quase tão pesado quanto nadei. Acordei com o telefone e era a tia Eva, amiga da minha mãe de décadas. Marcamos de nos encontrar em Leicester Square. Querida Flá veio junto, claro. Mandamos um Busaba delicioso. Meio spicy. Me deu uma leve diarréia. Pequenos sustos nossos de cada dia. Poderia ser, mas não foi. Era algo mais.
Calma.
Passeamos depois do almoço por Trafalgar Square, St Martins-in-the-fields e tal. Encontramos o Chris, que continua absolutamente igual. Me deu uma vela de presente que lia “they didnt have your name”. Tendeu? Todo engraçadinho. Ele tava vestindo uma jaqueta muito fedida. Mas eu não falei nada, juro. Doce Chris não muda. Carente que só.
E aí chegou a noite e fomos para mais uma festa na Casa Oval. O sono começou a pesar novamente, mas era um sono quase químico. Não existe sono assim sem ser sono induzido. Eu olhava para as pessoas e tinha medo de piscar no meio das conversas, porque achava que se piscasse não abriria mais os olhos até o dia seguinte. Até bate desesperinho de não ter forças para voltar para casa. Mas em Londres a gente sempre tira força de algum buraco. Cheguei em casa às 4am, convencida de que a noite fora ótima. Foi, sim.
E domingo foi mais um domingo. Acordei tarde, fui para minha antiga casa no leste encontrar meus ex-flatmates (leia-se Mr Australia apenas). Sei lá. Nada. Foi legal ir na minha ex-casa, mas meio estranho ver que as novas moradoras se adaptaram tão bem, e que uma delas mora no quarto que foi meu, e que uma delas inclusive vez ou outra escapole para debaixo do edredon do Mr Australia. Sim, ele me contou. Mas não teve o efeito desejado. Eu estava numb.
Calma.
Fomos apenas eu e Mr Australia no cinema. Assistir The Departed, o novo do Scorcese. Adoramos. Muito tiro e sangue e inteligência. Eu quase dormi nas partes silenciosas.
Numb.
Foi na volta para casa que percebi que havia algo errado. Aí lembrei que mudei de medicação e que sou uma fodida de pular de um remédio para o outro como se mudasse de marca de bala. Claro, sem ninguém para me guiar eu faço tudo do jeito merdoso que sempre fiz. Sistem a público de saúde. Não pago nada mas me fodo.
**
Mas passou, viu? Ou vai passar. Estou no trabalho sem a menor chance de fazer qualquer coisa. Consegui aprovar uns panfletos e emendar umas cartas e corrigir uns erros e foi isso. Meu dia poderia ter sido feito em meia hora. Cá estou, três da tarde, ensaiando como dizer para o meu chefe que estou me sentindo meio mal e quero ir para casa, sem passar por louca ou mentirosa. Sou um pouco dos dois, mas se ele acreditasse que era apenas enxaqueca, ficaria mais fácil para todo mundo.
É isso.
Off I go.
Tuesday, October 03, 2006
restos do dia
Um sono, mas um so-no. Inacreditável. Tenho dormido bem, toda noite a noite toda. Não há razão para ficar cansada. A tiróide vai bem, obrigada. Nada de novo no front. Espero que não seja uma gripe de emboscada.
Mas hoje eu vou nadar, enquanto a gripe não vem.
**
Claro que sim. Eu sempre digo sim. Você já devia saber.
Mas também devia saber que, assim como com você, com os outros também é assim.
Você tinha tudo para ser exclusividade.
Não é mais. Continua querido, mas agora é um querido entre muitos. Back to zero.
Mas hoje eu vou nadar, enquanto a gripe não vem.
**
Claro que sim. Eu sempre digo sim. Você já devia saber.
Mas também devia saber que, assim como com você, com os outros também é assim.
Você tinha tudo para ser exclusividade.
Não é mais. Continua querido, mas agora é um querido entre muitos. Back to zero.
Monday, October 02, 2006
debaixo d'água
Um pouco mais calma, obrigada.
Fim de semana cheio de festas e sonhos. De verdade. Fui a muitas festas e dormi tanto que tive os mais diversos sonhos e pesadelos. Inclusive sonhei que morava numa casa meio selvagem, com gatos e plantas subindo pelas paredes. E sonhei que nunca conseguia chegar à escola porque o ônibus demorava ou porque me batia desespero e, o mais gostoso de todos, sonhei que respirava debaixo d’água, e dormia por 20 minutos no fundo de uma piscina. Só de lembrar me encho de paz.
E festas. A primeira na casa Oval, a segunda na casa do Henrique. Ambas muito boas.
Também comprei produtos de Aloe Vera que a Broo tá vendendo. Carinhos, mas parecem bons.
E ainda estou com aquele apertozinho chato no coração, mas está passando. Há de me surpreender a rapidez com que vai passar.
Uma pena acabar assim.
Fim de semana cheio de festas e sonhos. De verdade. Fui a muitas festas e dormi tanto que tive os mais diversos sonhos e pesadelos. Inclusive sonhei que morava numa casa meio selvagem, com gatos e plantas subindo pelas paredes. E sonhei que nunca conseguia chegar à escola porque o ônibus demorava ou porque me batia desespero e, o mais gostoso de todos, sonhei que respirava debaixo d’água, e dormia por 20 minutos no fundo de uma piscina. Só de lembrar me encho de paz.
E festas. A primeira na casa Oval, a segunda na casa do Henrique. Ambas muito boas.
Também comprei produtos de Aloe Vera que a Broo tá vendendo. Carinhos, mas parecem bons.
E ainda estou com aquele apertozinho chato no coração, mas está passando. Há de me surpreender a rapidez com que vai passar.
Uma pena acabar assim.
Thursday, September 28, 2006
plumas e chumbo
Engraçado é que eu fiz toda uma festa porque finalmente estaria com nova medicação, aí ontem fui no médico e peguei a receita, fui na farmácia e peguei o remédio e, hoje de manhã, na hora de tomar, por algum motivo não tive coragem. Tomei o velho de guerra.
Será que estou mais louca do que pensava?
Sei lá, não é a minha psiquiatra falando e ouvindo por uma hora para depois decidir se os prós superam os contras na troca dos remédios. É uma clínica geral do NHS (o sistema público de saúde daqui) que eu nem escolhi, mas me foi designada, que em cinco minutos de consulta, contando tirar minha pressão e ouvir outras lamúrias (eg tiróide, pílula etc) decide que devo tentar um novo remédio.
Não, não estou louca. Mas vou tentar. Tô com medo porque minha Piu disse que no começo eu vou piorar. Cara, se piorar explode. Sou uma bomba relógio ambulante. Preciso de um nada para estourar. Não, não pode piorar. Ainda não decidi o que vou fazer.
**
Os adjetivos que meu técnico usa para se dirigir a mim valem uma listagem. Não sei de onde ele tira. Outro dia ele perguntou para a Flá, que pacientemente assistia ao meu treino, se eu era famosa no Brasil. Mas hein?! Que pergunta é essa, minha gente?
Ontem ele me fala, na saída da piscina: Beatrice, you’re a gift from heaven!
Arregalei os olhos incrédula. Ele não me conhece. I can well be a gift from hell.
**
Mais um fim de semana todo agitado. Amanhã tem festa, sábado tem festa, a Broo vem pra Londres, vai ter um “chazinho” lá em casa, só para a mulherada. Esses são os planos. Na real, só deus sabe.
**
Voltando a enxergar tons, nada como cores pastéis depois de se ofuscar e só ver preto e branco. A começar pela beleza monótona do cinza, que me mostra que existe vida entre o oito e o oitenta. Repara só que eu não saio mais tanto da linha. Não fico semanas muito bem e semanas muito mal. Não. Minha vida vem se acinzentando e, juro, dou graças a deus. Só depois de uma vida que oscila entre preto e branco é que somos capaz de admirar a monotonia do cinza. Bem vindo. Inunde-me de imensidão imparcial. Ajude-me a não sorrir e nem franzir. Não no espaço de um segundo, pelo menos. Tenho certeza de que ser cinza não é perder o brilho.
E se eu paro e penso em um rosto qualquer, não é no seu rosto que eu penso. Não consigo me reter por muito tempo nas lembranças que você me emprestou. O problema, meu caro, é que tenho tantas lembranças, vivi minha curta vida com tanta riqueza, que é realmente um mérito estar entre as mais remotas. Não é o seu caso (I wish I could say otherwise). Então, toma de volta, eu tenho mais palavras e imagens para ocupar minha cabeça. Na verdade não sei o que fazer com um ou outro respingo de alegria. Penso em jogar para cima e dar a quem primeiro pegar. Penso em rasgar e jogar no lixo reciclável. Penso em mandar empalhar porque um dia vai valer uma fortuna – antigüidades, você sabe, respingos de alegria empoeirados.
Nem sei se essa idéia de confrontar vai dar certo. Você quer ouvir e eu também. Ninguém quer falar. Vai ser um diálogo bastante silencioso. Vamos ouvir a chuva cair e afundar em melancolia e aí sim será o fim. O fim das nossas poucas lembranças. O laço que fecha o embrulho. Pequeno embrulho. De conteúdo frágil e embalagem forte. Plumas numa caixa de chumbo. É assim que vejo o que houve. A bela história poderia flutuar, viajar mundos, papéis e cabeças (inclusive a minha, mil vezes), mas dentro do caixão de chumbo que você escolheu para nossas lembranças, baby, elas vão afundar.
Dê apenas algumas semanas e não se falará mais nisso.
Será que estou mais louca do que pensava?
Sei lá, não é a minha psiquiatra falando e ouvindo por uma hora para depois decidir se os prós superam os contras na troca dos remédios. É uma clínica geral do NHS (o sistema público de saúde daqui) que eu nem escolhi, mas me foi designada, que em cinco minutos de consulta, contando tirar minha pressão e ouvir outras lamúrias (eg tiróide, pílula etc) decide que devo tentar um novo remédio.
Não, não estou louca. Mas vou tentar. Tô com medo porque minha Piu disse que no começo eu vou piorar. Cara, se piorar explode. Sou uma bomba relógio ambulante. Preciso de um nada para estourar. Não, não pode piorar. Ainda não decidi o que vou fazer.
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Os adjetivos que meu técnico usa para se dirigir a mim valem uma listagem. Não sei de onde ele tira. Outro dia ele perguntou para a Flá, que pacientemente assistia ao meu treino, se eu era famosa no Brasil. Mas hein?! Que pergunta é essa, minha gente?
Ontem ele me fala, na saída da piscina: Beatrice, you’re a gift from heaven!
Arregalei os olhos incrédula. Ele não me conhece. I can well be a gift from hell.
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Mais um fim de semana todo agitado. Amanhã tem festa, sábado tem festa, a Broo vem pra Londres, vai ter um “chazinho” lá em casa, só para a mulherada. Esses são os planos. Na real, só deus sabe.
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Voltando a enxergar tons, nada como cores pastéis depois de se ofuscar e só ver preto e branco. A começar pela beleza monótona do cinza, que me mostra que existe vida entre o oito e o oitenta. Repara só que eu não saio mais tanto da linha. Não fico semanas muito bem e semanas muito mal. Não. Minha vida vem se acinzentando e, juro, dou graças a deus. Só depois de uma vida que oscila entre preto e branco é que somos capaz de admirar a monotonia do cinza. Bem vindo. Inunde-me de imensidão imparcial. Ajude-me a não sorrir e nem franzir. Não no espaço de um segundo, pelo menos. Tenho certeza de que ser cinza não é perder o brilho.
E se eu paro e penso em um rosto qualquer, não é no seu rosto que eu penso. Não consigo me reter por muito tempo nas lembranças que você me emprestou. O problema, meu caro, é que tenho tantas lembranças, vivi minha curta vida com tanta riqueza, que é realmente um mérito estar entre as mais remotas. Não é o seu caso (I wish I could say otherwise). Então, toma de volta, eu tenho mais palavras e imagens para ocupar minha cabeça. Na verdade não sei o que fazer com um ou outro respingo de alegria. Penso em jogar para cima e dar a quem primeiro pegar. Penso em rasgar e jogar no lixo reciclável. Penso em mandar empalhar porque um dia vai valer uma fortuna – antigüidades, você sabe, respingos de alegria empoeirados.
Nem sei se essa idéia de confrontar vai dar certo. Você quer ouvir e eu também. Ninguém quer falar. Vai ser um diálogo bastante silencioso. Vamos ouvir a chuva cair e afundar em melancolia e aí sim será o fim. O fim das nossas poucas lembranças. O laço que fecha o embrulho. Pequeno embrulho. De conteúdo frágil e embalagem forte. Plumas numa caixa de chumbo. É assim que vejo o que houve. A bela história poderia flutuar, viajar mundos, papéis e cabeças (inclusive a minha, mil vezes), mas dentro do caixão de chumbo que você escolheu para nossas lembranças, baby, elas vão afundar.
Dê apenas algumas semanas e não se falará mais nisso.
Wednesday, September 27, 2006
rútilos
Meia hora para ir embora. E depois mais uma hora até o médico, onde pego meus exames, faço mais alguns e discuto a troca do medicamento.
**
Depois do médico vou nadar, claro. Ainda é segredo porque há grandes chances de eu dar pra trás, mas estou escalada para nadar 100m borboleta nos Speedo Meets de outubro, novembro e dezembro. Isso significa que toda a negada com mais de 17 anos que aspire um dia fazer parte do GB team, estará lá, com garra e sem celulites, para meu desespero.
Sou monga ou o quê?
**
De uma coisa estou cada vez mais convencida: não sou uma pessoa lá tão fácil de bancar. E não culpo banana algum por não conseguir. Eu consigo ver uma menina meio morena, cabelo meio comprido, meio magra meio gorda, meio alta meio baixa, constantemente proto-sorridente, meio sentada no colo de cada homem que não soube me bancar. Eu consigo ver uma menina meio burra, meio esperta, meio bonita, mas nem tanto, meio estridente e meio egoísta.
Eu não consigo ver outra coisa.
Eu não consigo me ver plantada, sem brilho e sem vontade, no seu colo. Eu me vejo silenciosa, mas não silenciada. Eu não consigo me ver sem escrever. Eu não consigo pensar em parar de escrever no meu blog porque sei que você lê. Todos os homens que tentaram intereferir no que eu escrevo perderam a batalha. E você não é, nem de longe, o cavaleiro mais valente.
**
Ano que vem já estou com duas viagens em planejamento. Uma, em março, para Hungria com a Edina, minha amiga do trabalho. A outra, em junho, para ilhas gregas com pessoas a confirmar. Será um swim trek. Há que dar certo. Porque preciso de algo para me confortar pelo pouco tempo que ficarei na terrinha no final do ano.
**
Ontem fiz Reiki. Quer dizer, fui feita Reike. Quem fez foi a Adriana que, toda sweet, foi lá em casa aplicar. Adorei.
**
Depois do médico vou nadar, claro. Ainda é segredo porque há grandes chances de eu dar pra trás, mas estou escalada para nadar 100m borboleta nos Speedo Meets de outubro, novembro e dezembro. Isso significa que toda a negada com mais de 17 anos que aspire um dia fazer parte do GB team, estará lá, com garra e sem celulites, para meu desespero.
Sou monga ou o quê?
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De uma coisa estou cada vez mais convencida: não sou uma pessoa lá tão fácil de bancar. E não culpo banana algum por não conseguir. Eu consigo ver uma menina meio morena, cabelo meio comprido, meio magra meio gorda, meio alta meio baixa, constantemente proto-sorridente, meio sentada no colo de cada homem que não soube me bancar. Eu consigo ver uma menina meio burra, meio esperta, meio bonita, mas nem tanto, meio estridente e meio egoísta.
Eu não consigo ver outra coisa.
Eu não consigo me ver plantada, sem brilho e sem vontade, no seu colo. Eu me vejo silenciosa, mas não silenciada. Eu não consigo me ver sem escrever. Eu não consigo pensar em parar de escrever no meu blog porque sei que você lê. Todos os homens que tentaram intereferir no que eu escrevo perderam a batalha. E você não é, nem de longe, o cavaleiro mais valente.
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Ano que vem já estou com duas viagens em planejamento. Uma, em março, para Hungria com a Edina, minha amiga do trabalho. A outra, em junho, para ilhas gregas com pessoas a confirmar. Será um swim trek. Há que dar certo. Porque preciso de algo para me confortar pelo pouco tempo que ficarei na terrinha no final do ano.
**
Ontem fiz Reiki. Quer dizer, fui feita Reike. Quem fez foi a Adriana que, toda sweet, foi lá em casa aplicar. Adorei.
Monday, September 25, 2006
doze almas
Cheguei no trabalho. Doze peixes morreram no aquário. O escritório pareceu bem mais morto, apesar do volume de coisas a fazer. E meu chefe meio cabisbaixo. Geralmente ele ilumina qualquer segunda-feira.
Minha mãe está com o pé quebrado, meu pai com rotavírus e minha irmã está, como eu, achando o mundo todo meio estranho, sendo que sabemos deep inside que estranhas somos nós.
Esqueci o guarda-chuva no trabalho sexta-feira e cheguei hoje encharcada. Derrubei um litro de água na minha escrivaninha e quase chorei por isso. Passei o almoço todo lendo Hilda e mais Hilda. Não estou trabalhando. Até agora, só atendi telefonemas. Emendei uma ou outra coisa. E mesmo assim, foi nas coxas. Coisa que odeio fazer. Mas não conseguiria fazer diferente. Hoje é a segunda mais típica da minha vida. Cinza, errada, ressaca de um fim de semana que foi como vinho barato, enxugado da boca com as costas das mãos. Enxugadas as mãos em algum lugar que não lembro, porque nem foi de propósito.
Não consigo parar quieta. Tô com vontade de sentar no colo de alguém e apenas me deixar abraçar em silêncio. Mas como isso não acontece, me contento em resmungar para dentro e balançar as pernas sem parar. Pular de site em site em busca de absolutamente nada, já que não sei o que procuro – então como saber quando encontro? Vontade mesmo era de dormir. Hoje o despertador tocou e eu simplesmente não acreditei que aquela seria a primeira de cinco manhãs em que eu teria que acordar forçada.
Essa semana vou ao médico, ver o resultado dos meus exames e mudar minha medicação para pânico. Minha última chance, já que a ciência e seus dedicados homens ainda não apareceram com nova poção mágica no mercado.
E o fim de semana passou como bala. Quando eu vi, já tinha me atravessado e me jogado de joelhos num chão duro. Mas com todo mundo olhando, claro, eu sorri e fiz piadas e fui a Bia de sempre, embora com *sono*, a nova palavra da moda para mal-humorada. Mas é só isso que vou perder nessa história. Um fim de semana e nada mais. Quem sabe algumas horas de trabalho também. Mas ganho com inspiração; Nada como uma boa derrapada na merda para me inspirar. Obrigada por foder com minha vida de novo! Só assim mesmo para eu desembestar a escrever.
De resto, uma vontade visceral de nadar até o peito rasgar. E é o grande plano to look forward to tonight.
Mas doze peixes morreram no aquário do trabalho. E por isso, e só por isso, estou triste hoje.
Minha mãe está com o pé quebrado, meu pai com rotavírus e minha irmã está, como eu, achando o mundo todo meio estranho, sendo que sabemos deep inside que estranhas somos nós.
Esqueci o guarda-chuva no trabalho sexta-feira e cheguei hoje encharcada. Derrubei um litro de água na minha escrivaninha e quase chorei por isso. Passei o almoço todo lendo Hilda e mais Hilda. Não estou trabalhando. Até agora, só atendi telefonemas. Emendei uma ou outra coisa. E mesmo assim, foi nas coxas. Coisa que odeio fazer. Mas não conseguiria fazer diferente. Hoje é a segunda mais típica da minha vida. Cinza, errada, ressaca de um fim de semana que foi como vinho barato, enxugado da boca com as costas das mãos. Enxugadas as mãos em algum lugar que não lembro, porque nem foi de propósito.
Não consigo parar quieta. Tô com vontade de sentar no colo de alguém e apenas me deixar abraçar em silêncio. Mas como isso não acontece, me contento em resmungar para dentro e balançar as pernas sem parar. Pular de site em site em busca de absolutamente nada, já que não sei o que procuro – então como saber quando encontro? Vontade mesmo era de dormir. Hoje o despertador tocou e eu simplesmente não acreditei que aquela seria a primeira de cinco manhãs em que eu teria que acordar forçada.
Essa semana vou ao médico, ver o resultado dos meus exames e mudar minha medicação para pânico. Minha última chance, já que a ciência e seus dedicados homens ainda não apareceram com nova poção mágica no mercado.
E o fim de semana passou como bala. Quando eu vi, já tinha me atravessado e me jogado de joelhos num chão duro. Mas com todo mundo olhando, claro, eu sorri e fiz piadas e fui a Bia de sempre, embora com *sono*, a nova palavra da moda para mal-humorada. Mas é só isso que vou perder nessa história. Um fim de semana e nada mais. Quem sabe algumas horas de trabalho também. Mas ganho com inspiração; Nada como uma boa derrapada na merda para me inspirar. Obrigada por foder com minha vida de novo! Só assim mesmo para eu desembestar a escrever.
De resto, uma vontade visceral de nadar até o peito rasgar. E é o grande plano to look forward to tonight.
Mas doze peixes morreram no aquário do trabalho. E por isso, e só por isso, estou triste hoje.
alimento da alma
Roberta: oi minha amadinha...re-lendo o seu texto sua coisa
me: pois eh, visceral, ne?
Roberta: que inspirada ne escritorinha favorita. fabulous!!
me: vc achou? que bom
Roberta: chegou a dar um pouco de dor nas axilas
do caralho..
devo me preocupar?
me: ehhehhe
nao, pequena, nao
eu eh que preciso crescer
Roberta: prioridades sao prioridades
adorei essa parte
me: sua fofa
Roberta: É isso então. O oxigênio não chega aos meus membros porque há um coração inteiro a ser levantado. Prioridades são prioridades. Fico então de braços e pernas bambos, inundados de gás carbônico que não sai nem a crises de tosse, nem a natação furiosa, nem a gritos da alma.
ge-ni-al
me: brigada, princesa
vc eh q eh doce
Roberta: eu tbem to em inferno emocional, sonhei com o john
aquele puto
Roberta: ja arruinou meu dia...mas esse cara vai pagar caro, ah vai
te prometo bibi
me: mulheres vingativas, uni-vos!
Roberta: siiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm
e eh indeed um prato que se come frio
eh um carpaccio, um sushi a vinganca
eles hao de pagar (risada de vilao em desenho animado)
me: um gazpacho catarrado
hahahahah
Roberta: eh cheio de catarro!!!
hehehehehe
Roberta: acabei de mandar esse email pra ele, saying are you insane or what?
heheheheheeh
me: vamos mandar essa gente sem expressao morrer engasgada no proprio sentimento
nem q seja de raiva
Roberta: ele vai ter que ler o que tenta esquecer
hahahaha
me: ai deus. nao vai fazer besteira, menininha
Roberta: gente sem expressao eh fria
o pior tipo
Roberta: eu ja to ate comecando a ficar com pena
me: eu tb
perdidinhos
quase sub-humanos
(...)
me: maditos robos
a gente tb deve ser uma aberracao pra gostar de robos como se fosse gente
Roberta: nos too somos aberracoes
temos a missao de salvar o mundo e dar alma aos robos
me: hahahahah
exatamente
mas acho q eles nao querem
estao bem assim
Roberta: uma maldicao que comecou no reinado de julio cesar
me: e so servem pra isso mesmo. serem robos
Roberta: cleopatra mesmo tentou fazer algo e SE FODEU
me: estao ali. fingem que sao felizes ou tristes, fingem que respiram, fingem q se divertem ou se entediam, mas na verdade nao tem nada la
Roberta: na-da
na-da
eu estou exausta desta minha missao
essa eh a ultima vinganca dai deu...pagina virada
me: concordo
pq ficar pendurada num robo pelo sentimento de vinganca eh uma merda. ele nem vai sentir. a dor eh toda sua
Roberta: ele ha de sentir. infelizmente as palavras nao o tocam, ele nem responde
me: ja dizia minha querida Hilda: Embora se mova o trem, tu não te moves de ti.
Roberta: hahahahahahahaha
porque se dizem que a vaca eh pintada..
Roberta: qual a historia behind hilda?
me: Hilda Hilst
a melhor escritora brasileira
e talvez ateh do mundo
Roberta: sabia que vc amava ela
ai que fofa, talvez ateh do mundo
me: talvez
Roberta: meiguinha
me: E hoje, repetindo Bataille:
"Sinto-me livre para fracassar".
Roberta: eu nao gosto de perder...mas nao tenho medo de fracassar
nos duas hj estamos perfeitas para uma praia de inverno na varanda de uma casa de praia com muito cha e cobertor tapando as pernas e falando mal dos que merecem ou dos que nao merecem ser mencionados
me: verdade. aquele vento frio enxugando as lagrimas antes delas cairem
Roberta: que livro da hilda vc tem aqui?
me: aqui acho q soh o Rutilos
Roberta: e as duas tomando cha e divagando, olhando pro mar just for the sake of it
me: ateh ver peixinhos no ceu
Roberta: um dia chuvoso, ne?
me: sim, chuvoso e frio
paia de agasalho de moleton
O vento parou, eis o recado para o outro: sê fiel a ti mesmo e um dia serás livre. Prendem-me.
merda, nao vou conseguir trabalhar direito hj
Roberta: hahahahaha
to rachando o bico pensando justamente isso
me: q merda de cabeca viajante
Roberta: ainda bem que minha reuniao no office eh so amanha, que hj nao vai prestar
me: e romantica pra porra
Roberta: to com minha cabeca em mercurio
ou mergulho
me: pois eh
to indo prum meeting
Roberta: romantica e vingativa: what a weird combination
me: quero me matar
ja volto
Roberta: vai la
nao te mata antes de falar comigo
me: ok. com vc e com a Hilda
Roberta: ela em segundo
me: claro claro! sempre
vc sabe q eu te amo
ela, eu venero
eh diferente
Roberta: ta bom
diferente
nem vem com a veneracao demasiada que eu fico com ciume
hahahahhahaa
as duas merecem hospicio de frente pro mar
eu e tu
deus eh mais
me: hahaha
deus eh dez
e ta do nosso lado
porque somos loucas, mas somos do bem
Roberta: true
somos pobres mas somos limpas
me: isso
e deus da o frio conforme o cobertor. (hahahahha)
mas se pudermos fazer os malditos passarem frio, ah, seria otimo
Roberta: vou pensar o que farei HOJE para um mundo melhor, AKA o que farei para arruinar um pouco o dia dele
Roberta: so tenho duas maneiras de machuca-lo: gastos e pequenos gestos(lembra-lo de quanto o pau dele eh pequeno)
(…)
me: hilario
acabo de derrubar um litro de agua sobre minha escrivaninha
e sobre mim
estou taaao feliz
puta da vida e com frio e feeling sorry for my miserable self
Roberta: dont!!!!
its just a bad day
to indo pra rua nessa puta chuva agora
fica quentinha ai no office que amanha melhora
o que nao nos mata nos deixa mais fortes (e mais traumatizadas, e mais fodidas e menos confiantes etc)
me: tomara meu doce, tomara
Roberta: mas c'est la vie, innit?
me: mas la vie en rose
e eu odeio rosa
sempre fui uma crianca azul
enfim
q horas vc entra hj?
Roberta: eu nao entro hj, minha reuniao eh so amanha e eu nao vou a deli...eu tenho que resolver coisas pessoais, banco do brasil (mandar money br), imobiliaria levar uns documentos e ai meu curso
tudo na rua, um saco, mas amanha sera um novo dia
enquanto isso eu sempre posso me divertir pensando em como foder o j
me: nos juntas somos um perigo, meu deus
Roberta: enfim, acordamos assim hj
mas somos imprevisiveis
amanha podemos estar cagando e andando
going: who the fuck are them?
Roberta: gotta go my love
escreva bastante se puder
ou apenas vomite
tire algum proveito dessa canalhice
me: pode deixar, amada
te amo
Roberta: te amo too
estarei de volta soon
ai falamos mais
beijo na bochecha
rosa
(nao da pra ser azul)
me: pois eh, visceral, ne?
Roberta: que inspirada ne escritorinha favorita. fabulous!!
me: vc achou? que bom
Roberta: chegou a dar um pouco de dor nas axilas
do caralho..
devo me preocupar?
me: ehhehhe
nao, pequena, nao
eu eh que preciso crescer
Roberta: prioridades sao prioridades
adorei essa parte
me: sua fofa
Roberta: É isso então. O oxigênio não chega aos meus membros porque há um coração inteiro a ser levantado. Prioridades são prioridades. Fico então de braços e pernas bambos, inundados de gás carbônico que não sai nem a crises de tosse, nem a natação furiosa, nem a gritos da alma.
ge-ni-al
me: brigada, princesa
vc eh q eh doce
Roberta: eu tbem to em inferno emocional, sonhei com o john
aquele puto
Roberta: ja arruinou meu dia...mas esse cara vai pagar caro, ah vai
te prometo bibi
me: mulheres vingativas, uni-vos!
Roberta: siiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm
e eh indeed um prato que se come frio
eh um carpaccio, um sushi a vinganca
eles hao de pagar (risada de vilao em desenho animado)
me: um gazpacho catarrado
hahahahah
Roberta: eh cheio de catarro!!!
hehehehehe
Roberta: acabei de mandar esse email pra ele, saying are you insane or what?
heheheheheeh
me: vamos mandar essa gente sem expressao morrer engasgada no proprio sentimento
nem q seja de raiva
Roberta: ele vai ter que ler o que tenta esquecer
hahahaha
me: ai deus. nao vai fazer besteira, menininha
Roberta: gente sem expressao eh fria
o pior tipo
Roberta: eu ja to ate comecando a ficar com pena
me: eu tb
perdidinhos
quase sub-humanos
(...)
me: maditos robos
a gente tb deve ser uma aberracao pra gostar de robos como se fosse gente
Roberta: nos too somos aberracoes
temos a missao de salvar o mundo e dar alma aos robos
me: hahahahah
exatamente
mas acho q eles nao querem
estao bem assim
Roberta: uma maldicao que comecou no reinado de julio cesar
me: e so servem pra isso mesmo. serem robos
Roberta: cleopatra mesmo tentou fazer algo e SE FODEU
me: estao ali. fingem que sao felizes ou tristes, fingem que respiram, fingem q se divertem ou se entediam, mas na verdade nao tem nada la
Roberta: na-da
na-da
eu estou exausta desta minha missao
essa eh a ultima vinganca dai deu...pagina virada
me: concordo
pq ficar pendurada num robo pelo sentimento de vinganca eh uma merda. ele nem vai sentir. a dor eh toda sua
Roberta: ele ha de sentir. infelizmente as palavras nao o tocam, ele nem responde
me: ja dizia minha querida Hilda: Embora se mova o trem, tu não te moves de ti.
Roberta: hahahahahahahaha
porque se dizem que a vaca eh pintada..
Roberta: qual a historia behind hilda?
me: Hilda Hilst
a melhor escritora brasileira
e talvez ateh do mundo
Roberta: sabia que vc amava ela
ai que fofa, talvez ateh do mundo
me: talvez
Roberta: meiguinha
me: E hoje, repetindo Bataille:
"Sinto-me livre para fracassar".
Roberta: eu nao gosto de perder...mas nao tenho medo de fracassar
nos duas hj estamos perfeitas para uma praia de inverno na varanda de uma casa de praia com muito cha e cobertor tapando as pernas e falando mal dos que merecem ou dos que nao merecem ser mencionados
me: verdade. aquele vento frio enxugando as lagrimas antes delas cairem
Roberta: que livro da hilda vc tem aqui?
me: aqui acho q soh o Rutilos
Roberta: e as duas tomando cha e divagando, olhando pro mar just for the sake of it
me: ateh ver peixinhos no ceu
Roberta: um dia chuvoso, ne?
me: sim, chuvoso e frio
paia de agasalho de moleton
O vento parou, eis o recado para o outro: sê fiel a ti mesmo e um dia serás livre. Prendem-me.
merda, nao vou conseguir trabalhar direito hj
Roberta: hahahahaha
to rachando o bico pensando justamente isso
me: q merda de cabeca viajante
Roberta: ainda bem que minha reuniao no office eh so amanha, que hj nao vai prestar
me: e romantica pra porra
Roberta: to com minha cabeca em mercurio
ou mergulho
me: pois eh
to indo prum meeting
Roberta: romantica e vingativa: what a weird combination
me: quero me matar
ja volto
Roberta: vai la
nao te mata antes de falar comigo
me: ok. com vc e com a Hilda
Roberta: ela em segundo
me: claro claro! sempre
vc sabe q eu te amo
ela, eu venero
eh diferente
Roberta: ta bom
diferente
nem vem com a veneracao demasiada que eu fico com ciume
hahahahhahaa
as duas merecem hospicio de frente pro mar
eu e tu
deus eh mais
me: hahaha
deus eh dez
e ta do nosso lado
porque somos loucas, mas somos do bem
Roberta: true
somos pobres mas somos limpas
me: isso
e deus da o frio conforme o cobertor. (hahahahha)
mas se pudermos fazer os malditos passarem frio, ah, seria otimo
Roberta: vou pensar o que farei HOJE para um mundo melhor, AKA o que farei para arruinar um pouco o dia dele
Roberta: so tenho duas maneiras de machuca-lo: gastos e pequenos gestos(lembra-lo de quanto o pau dele eh pequeno)
(…)
me: hilario
acabo de derrubar um litro de agua sobre minha escrivaninha
e sobre mim
estou taaao feliz
puta da vida e com frio e feeling sorry for my miserable self
Roberta: dont!!!!
its just a bad day
to indo pra rua nessa puta chuva agora
fica quentinha ai no office que amanha melhora
o que nao nos mata nos deixa mais fortes (e mais traumatizadas, e mais fodidas e menos confiantes etc)
me: tomara meu doce, tomara
Roberta: mas c'est la vie, innit?
me: mas la vie en rose
e eu odeio rosa
sempre fui uma crianca azul
enfim
q horas vc entra hj?
Roberta: eu nao entro hj, minha reuniao eh so amanha e eu nao vou a deli...eu tenho que resolver coisas pessoais, banco do brasil (mandar money br), imobiliaria levar uns documentos e ai meu curso
tudo na rua, um saco, mas amanha sera um novo dia
enquanto isso eu sempre posso me divertir pensando em como foder o j
me: nos juntas somos um perigo, meu deus
Roberta: enfim, acordamos assim hj
mas somos imprevisiveis
amanha podemos estar cagando e andando
going: who the fuck are them?
Roberta: gotta go my love
escreva bastante se puder
ou apenas vomite
tire algum proveito dessa canalhice
me: pode deixar, amada
te amo
Roberta: te amo too
estarei de volta soon
ai falamos mais
beijo na bochecha
rosa
(nao da pra ser azul)
Friday, September 22, 2006
looking out
Fim de semana está aí. Quanta alegria, quanto calor – not! Está chovendo. Foi babãe me deixar para Londres voltar a ser Londres. O plano para amanhã era nadar dos ponds de Hampstead Heath. Digamos que o plano será adiado para...well, ano que vem. Acabou o verão. Agora é de verdade.
Nadarei hoje, menos pelo exercício que pela possibilidade de liberar tensão. Ando extremamente ansiosa. Meu médico aqui, inclusive, quer mudar minha medicação pra pânico. De sertralina para fluoxetina. Eu não sei, né? Sei nada não sinhô. O dotô mandô eu faço ou me esborracho.
Fim de semana promissor. Eu conto, eu conto. Ou não.
Nadarei hoje, menos pelo exercício que pela possibilidade de liberar tensão. Ando extremamente ansiosa. Meu médico aqui, inclusive, quer mudar minha medicação pra pânico. De sertralina para fluoxetina. Eu não sei, né? Sei nada não sinhô. O dotô mandô eu faço ou me esborracho.
Fim de semana promissor. Eu conto, eu conto. Ou não.
Wednesday, September 20, 2006
eixos da loucura
Pela primeira vez em anos eu quero escrever o que sinto e não consigo. Sempre saiu como uma enxurrada. Mas agora estou com os dedos prontos para digitar e não consigo decidir para que lado vou. Estou feliz e triste e tranqüila e ansiosa. Estou tudo ao mesmo tempo. Estou um hotpot de sentimentos, virado à moda da casa. Picadinho ao New Deck. Todos os sabores ao mesmo tempo na minha boca, chamando meu paladar de débil mental.
Disse tchau para babãe, enquanto disse oi para minha vida nos eixos. Eu quero eixos, também. Por mais descarrilhada que seja, ou queira ser, eu preciso ter do que descarrilhar. Se nunca houve trilho, não há como sair do caminho. Para ser louco, há que ser preso.
Mas babãe já foi eixo antes. Onde foi que o trem mudou de trilho que ninguém me avisou? Quando é que ter mãe ou pai ou até minha Piu por perto deixou de ser eixo para ser belvedere? Eu não sei e, como quase tudo, me assusta.
Pronto, consegui.
**
A despedida da babãe foi rápida e indolor. Hoje de manhã, saindo pro trabalho. Durou um minuto e meio, creio. Não mais. Foi tempo suficiente para seus olhos encherem de lágrimas, mas não para que escorressem.
Em três meses estarei no Brasil. Três mesezinhos. Nada. Passa logo. Por menos tempo que da última vez, é verdade. Terei que bookar direitinho o espaço de cada querido. Devo chegar na terrinha dia 21 de dezembro e voltar pra cá dia 5 de janeiro. O aniversário será frio, escuro e choroso, mas há que se fazer sacrifícios se os planos para 2007 são (obriguê, Piu!) viajar mais pela Europa.
**
Festas festas festas. O timing foi perfeito. Babãe se vai e as festas começam a acontecer novamente por aqui. Se eu fosse um pouco mais umbiguenta, diria que esperaram por mim. Esperaram nada. Good timing, that was. Esse fim de semana e o próximo. Aguardem.
**
Saudade, saudade, maldição que terei ao meu lado para o resto da vida. Metade de mim sempre será saudade. A outra metade será saudade sendo matada.
Não sei se são hormônios ou a posição dos astros ou energia em movimento, mas me deu uma vontade gigantesca de dizer que amo quem eu amo. Uma vontade quase urgente. Amo gente demais e isso às vezes atrapalha minha rotina. Me faz largar o que for para me certificar de que minha mensagem foi passada com sucesso para todos os destinatários.
Amo. Sempre amando. Aliás, não à toa, a personagem principal do meu livro chama Amanda. Amor em gerúndio. Condição: amor.
E é por isso que já ouvi Inverno milhares de vezes e continuo querendo chorar toda vez que ouço novamente.
Lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só
Num deserto sem saudade sem remorso só
Sem amarras barco embriagado ao mar
Disse tchau para babãe, enquanto disse oi para minha vida nos eixos. Eu quero eixos, também. Por mais descarrilhada que seja, ou queira ser, eu preciso ter do que descarrilhar. Se nunca houve trilho, não há como sair do caminho. Para ser louco, há que ser preso.
Mas babãe já foi eixo antes. Onde foi que o trem mudou de trilho que ninguém me avisou? Quando é que ter mãe ou pai ou até minha Piu por perto deixou de ser eixo para ser belvedere? Eu não sei e, como quase tudo, me assusta.
Pronto, consegui.
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A despedida da babãe foi rápida e indolor. Hoje de manhã, saindo pro trabalho. Durou um minuto e meio, creio. Não mais. Foi tempo suficiente para seus olhos encherem de lágrimas, mas não para que escorressem.
Em três meses estarei no Brasil. Três mesezinhos. Nada. Passa logo. Por menos tempo que da última vez, é verdade. Terei que bookar direitinho o espaço de cada querido. Devo chegar na terrinha dia 21 de dezembro e voltar pra cá dia 5 de janeiro. O aniversário será frio, escuro e choroso, mas há que se fazer sacrifícios se os planos para 2007 são (obriguê, Piu!) viajar mais pela Europa.
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Festas festas festas. O timing foi perfeito. Babãe se vai e as festas começam a acontecer novamente por aqui. Se eu fosse um pouco mais umbiguenta, diria que esperaram por mim. Esperaram nada. Good timing, that was. Esse fim de semana e o próximo. Aguardem.
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Saudade, saudade, maldição que terei ao meu lado para o resto da vida. Metade de mim sempre será saudade. A outra metade será saudade sendo matada.
Não sei se são hormônios ou a posição dos astros ou energia em movimento, mas me deu uma vontade gigantesca de dizer que amo quem eu amo. Uma vontade quase urgente. Amo gente demais e isso às vezes atrapalha minha rotina. Me faz largar o que for para me certificar de que minha mensagem foi passada com sucesso para todos os destinatários.
Amo. Sempre amando. Aliás, não à toa, a personagem principal do meu livro chama Amanda. Amor em gerúndio. Condição: amor.
E é por isso que já ouvi Inverno milhares de vezes e continuo querendo chorar toda vez que ouço novamente.
Lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só
Num deserto sem saudade sem remorso só
Sem amarras barco embriagado ao mar
Monday, September 18, 2006
uma idéia para deus
De novo aquela puxadinha sem sistema para expelir.
Se eu fosse dizer o que falta ao corpo humano para ser perfeito, diria que falta um cu, ou qualquer buraco equivalente, capaz de expelir angústia. Não seria perfeito?
Pois então, deus, fica aqui minha sugestão para os próximos milhões de anos, se é que até lá o senhor ainda terá saco de continuar fazendo e desfazendo gente.
Pois eu preciso, porque explodo de um jeito todo torto, todo primitivo. Explodo por todos os poros.
Mas enquanto espero deus me envoluir, vou arranjando soluções-tampão, o que, modéstia a parte (ou *modeste a parte* como li outro dia), sei fazer bem.
**
Mais um fim de semana cheio de acontecimentos. Se chamássemos fim de semana de começo da semana acho que minha implicància com os domingos estaria 50% resolvida.
Mas voltando. Vou resumir porque senão fica um saco. Sexta ao chegar do trabalho, inspirada, resolvi correr com a Flá. Babãe deu sua caminhada à base do que-belas-flores! Dessa vez, com uma pessoa um pouco mais sensata que eu para estabelecer o ritmo, corri por 20 minutos. Um aproveitamento de 100% sobre a vez que saí correndo pelo parque feito um avestruz para me mostrar para os marmanjos e, apesar de morta, não ia parar na hora em que alguém estivesse vendo. Porque sou o centro do universo, eu sei. Estava o parque todo vendo como corre bem aquela avestruzinha das bochechas vermelhas. Me poupe, né, eguinho?
Do parque pro banho, do banho pro restaurante. Fomos no indiano perto de casa e ganhei todas as calorias que perdi correndo.
Sábado quis me enforcar por acordar às 7:30h e depois de muita manha fomos ao Shakespeare Globe, o teatro em que as peças do Shakespeare eram (e são) encenadas. Muito legal. Muito bonito. E tal. Mas achei caro pro que oferece. Sou mais um dia comprar ingressos para ver uma Macbeth da vida do que ouvir guia engraçadinho tirando sarro da calamidade sanitária de teatros em tempos escatológicos.
De lá caminhamos pelo South Bank até o Borough Market, o queridinho dos businessmen que têm culinária como hobby. Mercado lotado, um monte de gente aproveitando as amostras de degustação para pular o almoço, empurra-empurra quase brasileiro, aquela alegria, aquele calor humano. Eca.
Abreviei o passeio e tratei de sair de lá assim que houvesse brecha. Não precisou muito porque babãe e Flá já estavam de saco cheio do tumulto também. Voltamos ao South Bank, vimos ferinhas e pessoas querendo e conseguindo aparecer. Vimos de tudo e não compramos nada. Ou quase nada.
Babãe derrotada e Flá com amigos em Londres, fui encontrar minha turma, que já nem lembrava mais meu nome. Refresquei a memória e reaprendi alguns nomes também (haha). Foi legal. É bom voltar.
Domingo quis me enforcar por acordar às 11:30h mas me arrumei rapidão para ir a Trafalgar Square, onde ocorria o festival judáico. Foi legal pelas músicas, mas aí entrou uma falação do prefeito, e a feirinha e a comida deixaram a desejar. Rodamos aquilo desviando de policiais óbvios e à paisana, que às dúzias tentaram e conseguiram garantir uma festa sem explosões.
Resolvemos então aproveitar que esse fim de semana foi o London Open House, um evento em que vários prédios da cidade, fechados ao público normalmente, abrem por apenas dois dias para visitas gratuitas. Fomos no New Parliament, em frente ao incansável Big Ben. Foi legal.
E depois mais andanças pelo South Bank, bateria de escola de samba, homens-bonecos, comida, coreano vendendo qualquer coisa que faça barulho e fascine criancinhas. Gente esparramada na grama, comendo um frango ou fumando maconha. Um domingo típico.
Voltamos para casa. Canseira. Um fim de semana inteiro de andanças e até correiranças. Pena que passou tão rápido.
O últibo fim de sebâda com babãe e seus bibos.
Se eu fosse dizer o que falta ao corpo humano para ser perfeito, diria que falta um cu, ou qualquer buraco equivalente, capaz de expelir angústia. Não seria perfeito?
Pois então, deus, fica aqui minha sugestão para os próximos milhões de anos, se é que até lá o senhor ainda terá saco de continuar fazendo e desfazendo gente.
Pois eu preciso, porque explodo de um jeito todo torto, todo primitivo. Explodo por todos os poros.
Mas enquanto espero deus me envoluir, vou arranjando soluções-tampão, o que, modéstia a parte (ou *modeste a parte* como li outro dia), sei fazer bem.
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Mais um fim de semana cheio de acontecimentos. Se chamássemos fim de semana de começo da semana acho que minha implicància com os domingos estaria 50% resolvida.
Mas voltando. Vou resumir porque senão fica um saco. Sexta ao chegar do trabalho, inspirada, resolvi correr com a Flá. Babãe deu sua caminhada à base do que-belas-flores! Dessa vez, com uma pessoa um pouco mais sensata que eu para estabelecer o ritmo, corri por 20 minutos. Um aproveitamento de 100% sobre a vez que saí correndo pelo parque feito um avestruz para me mostrar para os marmanjos e, apesar de morta, não ia parar na hora em que alguém estivesse vendo. Porque sou o centro do universo, eu sei. Estava o parque todo vendo como corre bem aquela avestruzinha das bochechas vermelhas. Me poupe, né, eguinho?
Do parque pro banho, do banho pro restaurante. Fomos no indiano perto de casa e ganhei todas as calorias que perdi correndo.
Sábado quis me enforcar por acordar às 7:30h e depois de muita manha fomos ao Shakespeare Globe, o teatro em que as peças do Shakespeare eram (e são) encenadas. Muito legal. Muito bonito. E tal. Mas achei caro pro que oferece. Sou mais um dia comprar ingressos para ver uma Macbeth da vida do que ouvir guia engraçadinho tirando sarro da calamidade sanitária de teatros em tempos escatológicos.
De lá caminhamos pelo South Bank até o Borough Market, o queridinho dos businessmen que têm culinária como hobby. Mercado lotado, um monte de gente aproveitando as amostras de degustação para pular o almoço, empurra-empurra quase brasileiro, aquela alegria, aquele calor humano. Eca.
Abreviei o passeio e tratei de sair de lá assim que houvesse brecha. Não precisou muito porque babãe e Flá já estavam de saco cheio do tumulto também. Voltamos ao South Bank, vimos ferinhas e pessoas querendo e conseguindo aparecer. Vimos de tudo e não compramos nada. Ou quase nada.
Babãe derrotada e Flá com amigos em Londres, fui encontrar minha turma, que já nem lembrava mais meu nome. Refresquei a memória e reaprendi alguns nomes também (haha). Foi legal. É bom voltar.
Domingo quis me enforcar por acordar às 11:30h mas me arrumei rapidão para ir a Trafalgar Square, onde ocorria o festival judáico. Foi legal pelas músicas, mas aí entrou uma falação do prefeito, e a feirinha e a comida deixaram a desejar. Rodamos aquilo desviando de policiais óbvios e à paisana, que às dúzias tentaram e conseguiram garantir uma festa sem explosões.
Resolvemos então aproveitar que esse fim de semana foi o London Open House, um evento em que vários prédios da cidade, fechados ao público normalmente, abrem por apenas dois dias para visitas gratuitas. Fomos no New Parliament, em frente ao incansável Big Ben. Foi legal.
E depois mais andanças pelo South Bank, bateria de escola de samba, homens-bonecos, comida, coreano vendendo qualquer coisa que faça barulho e fascine criancinhas. Gente esparramada na grama, comendo um frango ou fumando maconha. Um domingo típico.
Voltamos para casa. Canseira. Um fim de semana inteiro de andanças e até correiranças. Pena que passou tão rápido.
O últibo fim de sebâda com babãe e seus bibos.
Tuesday, September 12, 2006
uma vida inteira pra mim
Ah, então vamos brincar de quem agüenta mais tempo calado? Olha que eu ganho... Olha que você depois vai vir me implorar para pararmos com essa brincadeira de mau gosto.
Mas tudo bem. Tudo bem. Tudo vai ficar bem se no final das contas você disser que ficou com saudades.
Mas vai ter que falar.
I’ve got my feet on the ground and I don’t wanna sleep to dream.
**
Vidinha, assim, tranqüila. Babãe na área significa mimos. Café-da-manhã na mesa, supermercado feito, quarto limpo. Coisas que eu normalmente faço quando me sobra uma esquina no tempo. O que raramente acontece porque estou sempre inventando coisas e reclamando da falta de tempo e corneteando para o mundo todo que não quero, não posso, ser apenas mais uma.
Trabalhando, nadando quando dá. Fazendo programas turísticos. Greenwich e Sinatra no sábado, Kew Gardens no domingo. Eu adoro o pretexto de ter visitas para ter que bater perna por essa cidade maravilhosa. Engraçado que quando vim morar em Londres eu nunca tinha posto o pé na cidade, mas de alguma forma sabia que seria a *minha* cidade, que eu viajaria o mundo e continuaria sentindo que moro na melhor cidade do mundo. Eu estava certa. Amo Londres. Viajei para vários lugares da Europa e, por mais que tenha me encantado com muitos, nenhum é tão encantador e tão a miha cara quanto Londres. Aiai. Declarando meu amor à cidade. Não imaginei que iria por aí quando comecei a escrever este post.
**
Now now, resolvi que no final do ano eu vou me dar um aumento. Isso porque vou pedir ao chefe e, se ele não der, vou procurar outro. Sendo assim, de qualquer maneira eu vou me dar um aumento, por bem ou por mal. Adoro meu trabalho, adoro as pessoas etc, mas tenho que crescer, néam? Eu já fui promovida. Agora falta ganhar mais.
**
E os Master Nationals estão aí, na porta, e eu já estou sendo relativamente cobrada, mas acho que vou me dar uma de João-sem-braço porque não estou com vontade de passar nervoso-vergonha-tristeza. Talvez eu vá assistir e torcer. Go Wandsworth, go. C’est tout.
**
Preciso só deixar registradas aqui duas Bobbyces, porque se eu não tomo nota elas se perdem no buraco negro do esquecimento, um triste fim para tão gracioso espetáculo.
O primeiro, há poucas semanas, quando Bobbynha disse que fazendo assim e assado a gente resolve duas coisas *com uma coelhada só*. DOCE. FOFA. MORRI. DOEU. Mas sofri em silêncio com esses sentimentos porque falávamos de algo sério.
E o outro, ontem, em meio a uma conversa com várias flechas e gráficos saindo para todos os lados e apontando para mil coisas que só nós entendemos, ela estava a matutar sobre o nine-eleven e saiu sixteen-nine. Algo assim bem Bobby. Quem a conhece sabe. E custou para ela voltar encontrar os números certos. Dessa vez eu nem me segurei nem nada. Se ela estivesse do meu lado a bochecha sofreria as conseqüências. Ah, sofreria.
Mas tudo bem. Tudo bem. Tudo vai ficar bem se no final das contas você disser que ficou com saudades.
Mas vai ter que falar.
I’ve got my feet on the ground and I don’t wanna sleep to dream.
**
Vidinha, assim, tranqüila. Babãe na área significa mimos. Café-da-manhã na mesa, supermercado feito, quarto limpo. Coisas que eu normalmente faço quando me sobra uma esquina no tempo. O que raramente acontece porque estou sempre inventando coisas e reclamando da falta de tempo e corneteando para o mundo todo que não quero, não posso, ser apenas mais uma.
Trabalhando, nadando quando dá. Fazendo programas turísticos. Greenwich e Sinatra no sábado, Kew Gardens no domingo. Eu adoro o pretexto de ter visitas para ter que bater perna por essa cidade maravilhosa. Engraçado que quando vim morar em Londres eu nunca tinha posto o pé na cidade, mas de alguma forma sabia que seria a *minha* cidade, que eu viajaria o mundo e continuaria sentindo que moro na melhor cidade do mundo. Eu estava certa. Amo Londres. Viajei para vários lugares da Europa e, por mais que tenha me encantado com muitos, nenhum é tão encantador e tão a miha cara quanto Londres. Aiai. Declarando meu amor à cidade. Não imaginei que iria por aí quando comecei a escrever este post.
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Now now, resolvi que no final do ano eu vou me dar um aumento. Isso porque vou pedir ao chefe e, se ele não der, vou procurar outro. Sendo assim, de qualquer maneira eu vou me dar um aumento, por bem ou por mal. Adoro meu trabalho, adoro as pessoas etc, mas tenho que crescer, néam? Eu já fui promovida. Agora falta ganhar mais.
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E os Master Nationals estão aí, na porta, e eu já estou sendo relativamente cobrada, mas acho que vou me dar uma de João-sem-braço porque não estou com vontade de passar nervoso-vergonha-tristeza. Talvez eu vá assistir e torcer. Go Wandsworth, go. C’est tout.
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Preciso só deixar registradas aqui duas Bobbyces, porque se eu não tomo nota elas se perdem no buraco negro do esquecimento, um triste fim para tão gracioso espetáculo.
O primeiro, há poucas semanas, quando Bobbynha disse que fazendo assim e assado a gente resolve duas coisas *com uma coelhada só*. DOCE. FOFA. MORRI. DOEU. Mas sofri em silêncio com esses sentimentos porque falávamos de algo sério.
E o outro, ontem, em meio a uma conversa com várias flechas e gráficos saindo para todos os lados e apontando para mil coisas que só nós entendemos, ela estava a matutar sobre o nine-eleven e saiu sixteen-nine. Algo assim bem Bobby. Quem a conhece sabe. E custou para ela voltar encontrar os números certos. Dessa vez eu nem me segurei nem nada. Se ela estivesse do meu lado a bochecha sofreria as conseqüências. Ah, sofreria.
Thursday, September 07, 2006
Wednesday, September 06, 2006
paz armada
Meus olhos já não são mais os mesmos. Oito horas por dia na frente do computador já são suficientes para ficarem vermelhos. E eu, teimosa, estou aqui, na frente do computador mais uma vez, escrevendo mais uma vez, porque agora é a hora que dá (tempo e inspiração).
Está tudo corrido. Tenho que me dividir entre o trabalho e a babãe na area. Sei que ela tenta não interferir na minha vida para não me atrapalhar, mas se não interferisse seria até estranho. De qualquer forma, segunda feira fui nadar. E meu técnico, Tony, perguntou se eu havia treinado durante as “ferias” porque eu estava “fit”. Agradeci o elogio mas falei para ele não se iludir. Nadei bem por vontade acumulada de nadar. Acho que fazia uns dez dias que não caía n’água. E 4km passaram sem que eu percebesse. Claro que depois morri e tive cãimbra e yadda yadda. Mas foi a glória. Tentarei amanhã, eu juro. Juro, juro. Que tentarei.
**
E depois da pataquada de babãe comprando ingresso para Chicago tendo confundido com Sinatra (eu assisti a Chicago há mais ou menos um mês, quando minha Piu estava aqui), ela garante que dessa vez comprou certo. Sabadanoite. Veremos!
**
Ontem, antes de irmos ao teatro (porque, sim, assisti novamente a Chicago, e lembrava de pequenos detalhes que são só detalhes mas que se repetem e fazem, afinal, a diferença), fomos comer num restaurante tailandês. Um filhadaputa pediu um prato com sei lá que veneno mas que fez o nariz de todo mundo escorrer e a garganta de todo mundo coçar. De verdade. All of a sudden o restaurante todo tossia. Uma cena digna de Hiroshima. O horror.
Queria saber que tempero é aquele para o caso de, ah, sei lá, precisar para uma vigancinha, dessas de se pôr em prato que se come frio. Temos sempre que ter uma carta na manga para as necessidades de manter saudável aquele lado maldoso gostosinho.
**
Por ora é isso. Tenho dormido com a Flá porque babãe, como poucos sabem, ronca. Quanto? O suficiente para eu dormir com a Flá. Não lembro se já falei da Flá aqui. Irmã da Broo e minha nova flatmate, quem, inclusive, já foi chamada de minha irmã também. Anyway, gosto de pensar que somos, assim, uma pequena família em Londres.
**
Sexta-feira vou ao medico. Nada demais, imagino. Problemas e exams de rotina. Há que ser.
**
Recebi uma das melhores notícias do ano: a possibilidade REAL de minha Bathatha vir passar um mês, UM MÊS INTEIRINHO comigo. Não poderia querer melhor notícia. Claro que ela vai ficar comigo. Claro que vou tentar faze-la perder o avião de volta. Claro que ela vai se apaixonar por Londres como eu sempre previ e, quem sabe um dia, se planejar para ser, mais uma vez, minha vizinha.
**
Tenho sentido bichos caminharem sobre meu corpo. Passo a mão e não tem nada. Mal sinal.
Está tudo corrido. Tenho que me dividir entre o trabalho e a babãe na area. Sei que ela tenta não interferir na minha vida para não me atrapalhar, mas se não interferisse seria até estranho. De qualquer forma, segunda feira fui nadar. E meu técnico, Tony, perguntou se eu havia treinado durante as “ferias” porque eu estava “fit”. Agradeci o elogio mas falei para ele não se iludir. Nadei bem por vontade acumulada de nadar. Acho que fazia uns dez dias que não caía n’água. E 4km passaram sem que eu percebesse. Claro que depois morri e tive cãimbra e yadda yadda. Mas foi a glória. Tentarei amanhã, eu juro. Juro, juro. Que tentarei.
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E depois da pataquada de babãe comprando ingresso para Chicago tendo confundido com Sinatra (eu assisti a Chicago há mais ou menos um mês, quando minha Piu estava aqui), ela garante que dessa vez comprou certo. Sabadanoite. Veremos!
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Ontem, antes de irmos ao teatro (porque, sim, assisti novamente a Chicago, e lembrava de pequenos detalhes que são só detalhes mas que se repetem e fazem, afinal, a diferença), fomos comer num restaurante tailandês. Um filhadaputa pediu um prato com sei lá que veneno mas que fez o nariz de todo mundo escorrer e a garganta de todo mundo coçar. De verdade. All of a sudden o restaurante todo tossia. Uma cena digna de Hiroshima. O horror.
Queria saber que tempero é aquele para o caso de, ah, sei lá, precisar para uma vigancinha, dessas de se pôr em prato que se come frio. Temos sempre que ter uma carta na manga para as necessidades de manter saudável aquele lado maldoso gostosinho.
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Por ora é isso. Tenho dormido com a Flá porque babãe, como poucos sabem, ronca. Quanto? O suficiente para eu dormir com a Flá. Não lembro se já falei da Flá aqui. Irmã da Broo e minha nova flatmate, quem, inclusive, já foi chamada de minha irmã também. Anyway, gosto de pensar que somos, assim, uma pequena família em Londres.
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Sexta-feira vou ao medico. Nada demais, imagino. Problemas e exams de rotina. Há que ser.
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Recebi uma das melhores notícias do ano: a possibilidade REAL de minha Bathatha vir passar um mês, UM MÊS INTEIRINHO comigo. Não poderia querer melhor notícia. Claro que ela vai ficar comigo. Claro que vou tentar faze-la perder o avião de volta. Claro que ela vai se apaixonar por Londres como eu sempre previ e, quem sabe um dia, se planejar para ser, mais uma vez, minha vizinha.
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Tenho sentido bichos caminharem sobre meu corpo. Passo a mão e não tem nada. Mal sinal.
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