Pela primeira vez em anos eu quero escrever o que sinto e não consigo. Sempre saiu como uma enxurrada. Mas agora estou com os dedos prontos para digitar e não consigo decidir para que lado vou. Estou feliz e triste e tranqüila e ansiosa. Estou tudo ao mesmo tempo. Estou um hotpot de sentimentos, virado à moda da casa. Picadinho ao New Deck. Todos os sabores ao mesmo tempo na minha boca, chamando meu paladar de débil mental.
Disse tchau para babãe, enquanto disse oi para minha vida nos eixos. Eu quero eixos, também. Por mais descarrilhada que seja, ou queira ser, eu preciso ter do que descarrilhar. Se nunca houve trilho, não há como sair do caminho. Para ser louco, há que ser preso.
Mas babãe já foi eixo antes. Onde foi que o trem mudou de trilho que ninguém me avisou? Quando é que ter mãe ou pai ou até minha Piu por perto deixou de ser eixo para ser belvedere? Eu não sei e, como quase tudo, me assusta.
Pronto, consegui.
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A despedida da babãe foi rápida e indolor. Hoje de manhã, saindo pro trabalho. Durou um minuto e meio, creio. Não mais. Foi tempo suficiente para seus olhos encherem de lágrimas, mas não para que escorressem.
Em três meses estarei no Brasil. Três mesezinhos. Nada. Passa logo. Por menos tempo que da última vez, é verdade. Terei que bookar direitinho o espaço de cada querido. Devo chegar na terrinha dia 21 de dezembro e voltar pra cá dia 5 de janeiro. O aniversário será frio, escuro e choroso, mas há que se fazer sacrifícios se os planos para 2007 são (obriguê, Piu!) viajar mais pela Europa.
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Festas festas festas. O timing foi perfeito. Babãe se vai e as festas começam a acontecer novamente por aqui. Se eu fosse um pouco mais umbiguenta, diria que esperaram por mim. Esperaram nada. Good timing, that was. Esse fim de semana e o próximo. Aguardem.
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Saudade, saudade, maldição que terei ao meu lado para o resto da vida. Metade de mim sempre será saudade. A outra metade será saudade sendo matada.
Não sei se são hormônios ou a posição dos astros ou energia em movimento, mas me deu uma vontade gigantesca de dizer que amo quem eu amo. Uma vontade quase urgente. Amo gente demais e isso às vezes atrapalha minha rotina. Me faz largar o que for para me certificar de que minha mensagem foi passada com sucesso para todos os destinatários.
Amo. Sempre amando. Aliás, não à toa, a personagem principal do meu livro chama Amanda. Amor em gerúndio. Condição: amor.
E é por isso que já ouvi Inverno milhares de vezes e continuo querendo chorar toda vez que ouço novamente.
Lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só
Num deserto sem saudade sem remorso só
Sem amarras barco embriagado ao mar
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