Foi um grande final de semana. Sexta-feira, como sempre, foi dia de nadar. Broo foi comigo. De la fomos ao Wagamama, por que nosso assunto nunca acaba? Por que nao eh assim com todo mundo? Por que justo com uma querida que vai morar em outra cidade? Olha, ela nao cansa de repetir que nao estah se despedindo, mas eu nao me canso de nao me deixar convencer por essas palavras, porque, sim, muda tudo.
Minha gemeazinha vai morar em Bristol. Vou ficar orfa ateh agosto. Claro que nesse meio tempo, nem ouso reclamar. Estarei com babai, depois minha Piu e depois babae. Mas mesmo assim. Minha amiga das mais queridas vai para longe, entao sim, da lincenca que eu me vejo no mais digno direito de ficar triste.
E sabado foi soh arrumacao. Na verdade, acordei ja quase a tarde. Compramos coisinhas, arrumamos a casa e, finalmente, nos arrumamos. Era a festa do B. Todo mundo deveria vir vestido de algo que comece com a letra B, o que acabou nao acontecendo.
Eu ia de beijinhos, ja que tinha uma camiseta cheia de beijinhos e pensei em fazer outros mil beijinhos na minha cara e nos meus bracos. Mas ai a Broo achou que era meio foda ir com blusa furada e encardida e eu concordei. Entao resolvi ir de boneca. Pus uma blusinha com uma boneca russa estampada que a Bathatha me deu no meu ultimo aniversario, sainha preta, meia de listras coloridas areh o joelho e sapatilha. Maria-chiquinha e maquiagem de boneca tambem. Fiquei tao boneca que se me deitassem eu fechava os olhos automaticamente.
Broo foi de baiana. Ela custou a reconhecer, mas a verdade eh que ela quis ir de baiana porque sempre quis usar turbante e nunca achou um bom pretexto. Ai foram chegando as pessoas e percebemos que pouquissimas entenderam que realmente falamos a serio quando falamos da festa do B. Mas valeu anyway. A zona foi ateh 4.30am, com direito a convidado overnight inclusiveam...
E domingo, apos generosas quatro horas de sono, fui ao Thorpe Park, uma especie de Playcenter aa inglesa. Foi bem legal. A Joo e a Re tinham um convite extra cada para o "fun day out" da empresa delas, e eu e Broo tivemos a felicidade de sermos as escolhidas (valeu, meninas fofas!). Fomos em montanha russa de tudo quanto eh tipo - ateh uma no escuro e toda de costas que era mais engracada que assustadora, nao sei por que. Talvez fosse o sono.
Chegamos em casa como criancas que passaram o dia correndo atras de patos. Nem consegui assistir ao jogo de Portugal e Holanda ateh o fim. Dormi, dormi, dormi, e acordei meio sem entender que quase dez horas haviam se passado desde que pisquei pela ultima vez.
Monday, June 26, 2006
Friday, June 23, 2006
saia rodando da minha vida
Eu sempre fui assim, de entrar em sintonia com minhas amigas. Sempre. No caos, principalmente.
Primeiro a avoh de minha Bathathinha falece.
O mundo de Bobby cai.
Broo vai para longe de mim.
Fru nao vem mais esse ano.
Milao deve estar quase vomitando para o grande dia: amanha ela vira mulher casada.
Ha muitos outros, mas eu nao sei. Estou longe, entao nao interesso mais.
Tudo rodando bem mais rapido que o conveniente. Eu, daqui, passo por muitas e boas, e tento fingir que saio ilesa. Sempre esse risinho ironico no canto direito, que eh para nao esquecer que a vida eh uma piada mesmo em seus desfechos mais tragicos. Eu no meu barco de papel que ameaca virar a qualquer momento, e por isso nao pode ser levado a serio. Eu e um pequeno mundo que anda toda vez que eu ando, porque sou profunda, quero crer, e todo mundo que eh profundo leva consigo um mundo ao redor.
Entao vou rodando saia, tropecando sem estar bebada, mas fingindo estar para fazer mais sentido. Vou virando tequilas imaginarias e dancando tangos que desconheco. E quando se encherem de dancar tango comigo, eu sambo sozinha, eu grito ateh as jugulares nao aguentarem. Eu deixo que toda a minha garganta sangre, para eu secar com exaustao uma ansiedade insaciavel.
Quanto mais eu bebo, mais seca e sobria fico. Estou me lavando. Todas as canetas que me riscaram por dentro agora vao sair por meus cabelos. Toda a tinta me vai pingar dos olhos. No final soh fico eu, no cantinho de um quarto claro - que eh pra eu ver minha miseria – enrolada em mim mesma, tentando guardar o que restou do meu mundo. Um ponto-final. A lapis para poder apagar amanha.
Primeiro a avoh de minha Bathathinha falece.
O mundo de Bobby cai.
Broo vai para longe de mim.
Fru nao vem mais esse ano.
Milao deve estar quase vomitando para o grande dia: amanha ela vira mulher casada.
Ha muitos outros, mas eu nao sei. Estou longe, entao nao interesso mais.
Tudo rodando bem mais rapido que o conveniente. Eu, daqui, passo por muitas e boas, e tento fingir que saio ilesa. Sempre esse risinho ironico no canto direito, que eh para nao esquecer que a vida eh uma piada mesmo em seus desfechos mais tragicos. Eu no meu barco de papel que ameaca virar a qualquer momento, e por isso nao pode ser levado a serio. Eu e um pequeno mundo que anda toda vez que eu ando, porque sou profunda, quero crer, e todo mundo que eh profundo leva consigo um mundo ao redor.
Entao vou rodando saia, tropecando sem estar bebada, mas fingindo estar para fazer mais sentido. Vou virando tequilas imaginarias e dancando tangos que desconheco. E quando se encherem de dancar tango comigo, eu sambo sozinha, eu grito ateh as jugulares nao aguentarem. Eu deixo que toda a minha garganta sangre, para eu secar com exaustao uma ansiedade insaciavel.
Quanto mais eu bebo, mais seca e sobria fico. Estou me lavando. Todas as canetas que me riscaram por dentro agora vao sair por meus cabelos. Toda a tinta me vai pingar dos olhos. No final soh fico eu, no cantinho de um quarto claro - que eh pra eu ver minha miseria – enrolada em mim mesma, tentando guardar o que restou do meu mundo. Um ponto-final. A lapis para poder apagar amanha.
Thursday, June 22, 2006
voo baixo
Nao sei de quem estou com mais pena, se do Ronaldo ou da Varig. Ambos devem ter seus voos cancelados hoje. Ambos devem sofrer dura queda.
Alias, deixo registrado aqui o meu completo horror perante a situacao da Varig. Como uma filha da decada perdida, preciso confessor que Varig para mim era sinonimo de alegria. Viajar pra fora, e ainda por cima de Varig, era ser feliz sabendo. Eu e minha irma faziamos muito mais planos para as horas que passariamos no aviao, do que para o proprio local de destino. Guardavamos guardanapos, roubavamos cobertores (se eu fosse um pouquinho mais obsessiva acharia que contribui para a ruina da companhia), ficavamos extremamente empolgadas com as refeicoes e admiravamos as aeoromocas.
Varig era sinonimo de felicidade. Era uma marca solida em minha pequena vida. Ateh commercial da Varig eu parava para ver quando era menor. Ai, quando a grana ficou mais curta, nao deixamos de viajar, mas escolhiamos linhas aereas mais “dodgy”, como Aerolineas Argentinas (gulp). Odiavamos a viagem. As aeromocas eram velhas e a comida insuportavel. Nao que a da Varig fosse otima, mas era pelo menos mastigavel. E sempre que voamos, pensavamos que poderia estar bem melhor se fosse com a Varig.
Meu primeiro choque veio recentemente, quando voei pela Swiss Air de Sao Paulo a Zurique. Um ano e meio depois, voei TAM de Paris ao Brasil. Em ambas as ocasioes fiquei estupefata com a alta qualidade dos servicos e das aeronaves. Enquanto isso, ouvia que a Varig, tadinha, soh piorava. Servico pessimo, comida pessima, tudo, tudo pessimo. E me deu um apertaozinho. Como aquele que da quando o nosso brinquedo favorito de infancia perde a graca.
E a punhalada final veio hoje, quando na primeira pagina da Folha Online, leio que mais da metade dos voos programados para hoje, uns 180, foram cancelados. Pobrezinha. E que ha apenas sete aeronaves fazendo voos internacionais. Sete. Nada restou da Varig da minha infancia.
Alias, deixo registrado aqui o meu completo horror perante a situacao da Varig. Como uma filha da decada perdida, preciso confessor que Varig para mim era sinonimo de alegria. Viajar pra fora, e ainda por cima de Varig, era ser feliz sabendo. Eu e minha irma faziamos muito mais planos para as horas que passariamos no aviao, do que para o proprio local de destino. Guardavamos guardanapos, roubavamos cobertores (se eu fosse um pouquinho mais obsessiva acharia que contribui para a ruina da companhia), ficavamos extremamente empolgadas com as refeicoes e admiravamos as aeoromocas.
Varig era sinonimo de felicidade. Era uma marca solida em minha pequena vida. Ateh commercial da Varig eu parava para ver quando era menor. Ai, quando a grana ficou mais curta, nao deixamos de viajar, mas escolhiamos linhas aereas mais “dodgy”, como Aerolineas Argentinas (gulp). Odiavamos a viagem. As aeromocas eram velhas e a comida insuportavel. Nao que a da Varig fosse otima, mas era pelo menos mastigavel. E sempre que voamos, pensavamos que poderia estar bem melhor se fosse com a Varig.
Meu primeiro choque veio recentemente, quando voei pela Swiss Air de Sao Paulo a Zurique. Um ano e meio depois, voei TAM de Paris ao Brasil. Em ambas as ocasioes fiquei estupefata com a alta qualidade dos servicos e das aeronaves. Enquanto isso, ouvia que a Varig, tadinha, soh piorava. Servico pessimo, comida pessima, tudo, tudo pessimo. E me deu um apertaozinho. Como aquele que da quando o nosso brinquedo favorito de infancia perde a graca.
E a punhalada final veio hoje, quando na primeira pagina da Folha Online, leio que mais da metade dos voos programados para hoje, uns 180, foram cancelados. Pobrezinha. E que ha apenas sete aeronaves fazendo voos internacionais. Sete. Nada restou da Varig da minha infancia.
Tuesday, June 20, 2006
acordes em desacordo
Estou querendo ver o jogo da Inglaterra em algum pub. Mas ainda nao decidi se quero ser pisoteada/amassada hoje.
Com esse calor, perdi a fome.
Mas ganhei em ansiedade. Estou pilhada. Perigo, periguissimo.
Eu e Broo vamos dar festa la em casa. Eh a festa do "B". Eh nesse sabado. E no domingo vou no parque de diversao com a Re e a Joo. Eu vou morrer de tao pouco tempo para tanta coisa.
Ontem fui no show da BBC com a Broo. Amamos! Mesmo so entendendo metade!
Em alguns dias meus queridos Rodrigo e Camila, casal dos mais tops da minha vida, estao finalmente trocando aliancas. Aiai. Como eu odeio a distancia e os custos para transpassa-la.
Outro dia eu ouvi na natacao que eh muito bom ver meu lindo sorriso. Aih eu devo ter escancarado os labios de tal maneira que minha boca quase rasgou para sempre. Foi um elogio bem vindo, vindo da pessoa certa.
Estou comendo uma salada de fruta curiosa. A manga tem gosto de limao e o melao tem gosto de nada. E eh essa a salada de fruta. Salada de duas frutas.
Existe um jeito de ficar calma sem ter que tomar Rivotril e morrer de sono? Alo, industria farmaceutica?
Achei UM blueberry na salada de fruta. Piada, nao?
Com esse calor, perdi a fome.
Mas ganhei em ansiedade. Estou pilhada. Perigo, periguissimo.
Eu e Broo vamos dar festa la em casa. Eh a festa do "B". Eh nesse sabado. E no domingo vou no parque de diversao com a Re e a Joo. Eu vou morrer de tao pouco tempo para tanta coisa.
Ontem fui no show da BBC com a Broo. Amamos! Mesmo so entendendo metade!
Em alguns dias meus queridos Rodrigo e Camila, casal dos mais tops da minha vida, estao finalmente trocando aliancas. Aiai. Como eu odeio a distancia e os custos para transpassa-la.
Outro dia eu ouvi na natacao que eh muito bom ver meu lindo sorriso. Aih eu devo ter escancarado os labios de tal maneira que minha boca quase rasgou para sempre. Foi um elogio bem vindo, vindo da pessoa certa.
Estou comendo uma salada de fruta curiosa. A manga tem gosto de limao e o melao tem gosto de nada. E eh essa a salada de fruta. Salada de duas frutas.
Existe um jeito de ficar calma sem ter que tomar Rivotril e morrer de sono? Alo, industria farmaceutica?
Achei UM blueberry na salada de fruta. Piada, nao?
Monday, June 19, 2006
se tudo pode acontecer
Mais uma segunda-feira de muito, muito sono. Mais um fim de semana muito, muito bom se passou.
Apesar de que me rendi aos encantos do Rivotril.
Mas eh que nao deu. Eu estava extremamente ansiosa e, depois de ter ido dormir as 3 da manha na sexta, acordo no sabado as 8. Isso porque estava arrebentada depois de uma semana de pouco sono. Ai acordei, o corpo atropelado mas a cabeca a mil. Nao conseguia dormir. E foi entao que ele, o meu anjo salvador e entorpecente, meu santo padroeiro Rivotril, foi entao que ele mais uma vez me salvou. Dormi, letargica, ateh uma e meia da tarde, quando Bobby ligou para nos encontrarmos. Fui flutuando tomar banho. Flutuando almocei, e flutuando fui ateh o metro para encontra-la. Rumo a Angel.
Andamos, rimos, andamos, tomamos café, rimos, engasgamos e rimos mais. Fomos para sua casa, onde falamos ateh nao aguentarmos mais o som de nossas proprias vozes. Falamos de homens, de casa e filhos, de trabalho, do futuro, de desgracas, de livros, de programas de TV, dos outros. E mais uma vez lembrei que Bobby eh uma das minhas pessoas favoritas. Nao canso de estar com ela.
Fomos dormir la pela meia-noite, porque meu camarada Rivotril ainda estendia seus tentaculos sobre meus olhos que lutavam para permanecer abertos. Mas fui embora e soh acordei na manha seguinte, com Bobbynha ao peh da cama, fazendo de tudo para chamar minha atencao.
Primeiro ela me chamou. Nao funcionou.
Ai ela comecou a cantar musiquinhas. Nao funcionou.
Ai acho que ela perdeu a paciencia e, meio indignada com meu estado letargico, declamou: “Bi, o Bussunda morreu, po!”.
Entao ta, acordei.
Fui para casa depois de mais tagarelice. Um banho, comida, eu ainda flutuava, embora menos. Fui ao jogo entao. O lugar era maior, mas as telas menores. A farra nao foi tanta quanto do outro jogo, mas o jogo foi melhor. Tinha menos brasileiros, mas mais amigos meus que da outra vez. Sempre assim, para equilibrar os sorrisos.
O jogo. Olha, o Brasil foi mais Brasil no segundo tempo, mas ainda deixou a desejar. Eu queria ver uma goleada melhor que a que a Argentina deu na Servia e Montenegro. Nao chegou nem perto. Mas ganhou. Unico time do grupo que ganhou todas as partidas ateh agora. Calma que vai esquentar. Tenho fe!
**
E quando eu digo que perdoo, eu perdoo meeeeesmo. Eu ateh queria ser uma pessoa mais dura em geral, mas o argumento de que soh se vive uma vez sempre vence. Eu fico eterea e maleavel. No bom sentido, claro. Fico leve, leve. E eh assim que estou me sentindo.
Aconteceu. De novo.
E apesar de passar o fim de semana todo flutuando, sai da casa dele com os pes devidamente fincados no chao.
Apesar de que me rendi aos encantos do Rivotril.
Mas eh que nao deu. Eu estava extremamente ansiosa e, depois de ter ido dormir as 3 da manha na sexta, acordo no sabado as 8. Isso porque estava arrebentada depois de uma semana de pouco sono. Ai acordei, o corpo atropelado mas a cabeca a mil. Nao conseguia dormir. E foi entao que ele, o meu anjo salvador e entorpecente, meu santo padroeiro Rivotril, foi entao que ele mais uma vez me salvou. Dormi, letargica, ateh uma e meia da tarde, quando Bobby ligou para nos encontrarmos. Fui flutuando tomar banho. Flutuando almocei, e flutuando fui ateh o metro para encontra-la. Rumo a Angel.
Andamos, rimos, andamos, tomamos café, rimos, engasgamos e rimos mais. Fomos para sua casa, onde falamos ateh nao aguentarmos mais o som de nossas proprias vozes. Falamos de homens, de casa e filhos, de trabalho, do futuro, de desgracas, de livros, de programas de TV, dos outros. E mais uma vez lembrei que Bobby eh uma das minhas pessoas favoritas. Nao canso de estar com ela.
Fomos dormir la pela meia-noite, porque meu camarada Rivotril ainda estendia seus tentaculos sobre meus olhos que lutavam para permanecer abertos. Mas fui embora e soh acordei na manha seguinte, com Bobbynha ao peh da cama, fazendo de tudo para chamar minha atencao.
Primeiro ela me chamou. Nao funcionou.
Ai ela comecou a cantar musiquinhas. Nao funcionou.
Ai acho que ela perdeu a paciencia e, meio indignada com meu estado letargico, declamou: “Bi, o Bussunda morreu, po!”.
Entao ta, acordei.
Fui para casa depois de mais tagarelice. Um banho, comida, eu ainda flutuava, embora menos. Fui ao jogo entao. O lugar era maior, mas as telas menores. A farra nao foi tanta quanto do outro jogo, mas o jogo foi melhor. Tinha menos brasileiros, mas mais amigos meus que da outra vez. Sempre assim, para equilibrar os sorrisos.
O jogo. Olha, o Brasil foi mais Brasil no segundo tempo, mas ainda deixou a desejar. Eu queria ver uma goleada melhor que a que a Argentina deu na Servia e Montenegro. Nao chegou nem perto. Mas ganhou. Unico time do grupo que ganhou todas as partidas ateh agora. Calma que vai esquentar. Tenho fe!
**
E quando eu digo que perdoo, eu perdoo meeeeesmo. Eu ateh queria ser uma pessoa mais dura em geral, mas o argumento de que soh se vive uma vez sempre vence. Eu fico eterea e maleavel. No bom sentido, claro. Fico leve, leve. E eh assim que estou me sentindo.
Aconteceu. De novo.
E apesar de passar o fim de semana todo flutuando, sai da casa dele com os pes devidamente fincados no chao.
Friday, June 16, 2006
i'm going to Jackson
Ontem eu me dei duas bermudas.
Ontem eu ia encontrar com a Randa em Earlsfield e nao rolou. Acabei indo lavar roupa suja. Sentido figurado.
Ainda nao sei o que vai acontecer. Mal sei o que aconteceu. Ainda preciso de mais alguns dias para digerir e fazer meu veredicto. Foi tudo muito rapido, e tudo o que eh muito rapido fica surreal. Que nem a morte. Que nem o nascimento. Fins e comecos sao sempre surreais. E rapidos.
**
Ja estou novamente empolgada para o jogo do Brasil. Nao sei se eh a Copa que tem me deixado ansiosa, mas deus bem sabe que eu dei umas olhadas de soslaio para o meu vidrinho de Rivotril.
E a Argentina ganhando de 6 x 0 da Serbia e Montenegro so nao estragou meu dia porque hoje eh sexta-feira.
Aiai.
Hoje vou nadar. Hoje vou nadar. Hoje vou nadar.
Mas estou tao cansada... mas vou.
**
Fim de semana bem Bobbuxo este promete. Te vejo amanha, esposinha! Ai poderemos freak out together, como nos velhos tempos.
Ontem eu ia encontrar com a Randa em Earlsfield e nao rolou. Acabei indo lavar roupa suja. Sentido figurado.
Ainda nao sei o que vai acontecer. Mal sei o que aconteceu. Ainda preciso de mais alguns dias para digerir e fazer meu veredicto. Foi tudo muito rapido, e tudo o que eh muito rapido fica surreal. Que nem a morte. Que nem o nascimento. Fins e comecos sao sempre surreais. E rapidos.
**
Ja estou novamente empolgada para o jogo do Brasil. Nao sei se eh a Copa que tem me deixado ansiosa, mas deus bem sabe que eu dei umas olhadas de soslaio para o meu vidrinho de Rivotril.
E a Argentina ganhando de 6 x 0 da Serbia e Montenegro so nao estragou meu dia porque hoje eh sexta-feira.
Aiai.
Hoje vou nadar. Hoje vou nadar. Hoje vou nadar.
Mas estou tao cansada... mas vou.
**
Fim de semana bem Bobbuxo este promete. Te vejo amanha, esposinha! Ai poderemos freak out together, como nos velhos tempos.
Thursday, June 15, 2006
Wednesday, June 14, 2006
dois anos
Isso mesmo. Ha dois anos larguei-me num mundo desconhecido. Deixei familia, amigos, namorado, emprego e esporte por uma tela em branco. Uma nuvem de potenciais trovoes ou de mera dissipacao. Troquei 8 por 80, como de costume. Quase esmoreci, eh verdade, mas acho que fui fraca demais para aceitar o fracasso. Nao voltaria ao Brasil fugida. Quando acontecer, vai ser bonito. Vai ser novamente um 80 por 800.
Sempre em frente. Faz dois anos que tento nao olhar com muito apego para tras. Faz dois anos que chorei compulsivamente e pensei que o mundo nao pudesse ser mais insuportavelmente doloroso. Faz dois anos que acreditei que apenas um milagre me faria ficar nessa terra. Pois ca estou, dois anos inteiros, muita coisa boa e muita, muita coisa ruim tambem. Um milagre.
Eu vi serenidade crescer em mim, mas tambem vi rugas e cabelos brancos. Eu vi a independencia, finalmente, mas vi tambem o medo paralisante do depender apenas de si mesmo.
**
Dias meio estressantes. Nada ruim. Estresse bom, do tipo que prova que na veia ha sangue correndo e rapido. Fiquei extremamente ansiosa com o jogo ontem. Extremamente. Ta, digamos que ao jogo somou-se uma irritacao daquelas bem mundanas, que eu odeio confessar que mora em mim. Mora, sim.
A verdade eh que nao me irritei com o fato dele, que nao eh nada meu, agarrar a menina na minha frente. Irritei-me foi com a falta de respeito desde o dia zero. Sim, pela mesma porta em que na manha de sabado deixei sua casa, na mesma tarde entrou outra.
Isso nao teria problema algum, mesmo mesmo, se eu mal o conhecesse. O negocio eh que ele eh meu amigo. Ele faz parte do meu grupo de amigos, convivemos muito juntos. E achei muito descaso. Me senti descartavel, e o problema eh que me levo a serio demais para ser banalizada pelos outros.
Ateh pensei em mandar um email, ou ligar, ou chamar para um papo tete-a-tete mesmo. Mas ai me veio um desanimo. Filminhos repetidos na minha cabeca. Quantas vezes nao tentei desentortar homens? Nao adianta, nao adianta. E, mesmo sendo um cara cuja amizade eu quero preserver acima de qualquer one-night-stands, ainda assim nao sei se vale o esforco de ter de me comunicar, de ter de explicar que isso nao se faz, que eh feio, que eh errado, que doi. Soh de pensar me da preguica. Porque ninguem estah aberto a ser rotulado de filho da puta, mesmo quando mais claramente o eh. Entao eu ja consigo antever horas de DR que nao vao levar a lugar nenhum e soh vao doer mais ainda.
Ontem, durante o jogo do Brasil, ainda tentei quebrar um pouco o gelo que vinha sendo disfarcado com risinhos e piadinhas nervosas de ambas as partes. Mas ele nao aceitou bem. Um a zero para o silencio. Sigamos, entao. Eu eh que nao vim ao mundo para ensinar habilidades sociais.
**
Ai, gente, tadinho do Ronaldo.
Com a palavra, Soninha: “Deve ser difícil ser Ronaldo e admitir: “Cansei. Não quero mais”. O mundo inteiro no seu pé, recordes a cair (partidas jogadas, gols marcados), talvez o próprio ego estrilando porque, se não deixou a careira no auge, não pode deixar agora sem provar outra vez que é capaz de se superar e surpreender etc. etc. etc. E aí não dá pra voltar atrás, e é como a tentativa de corrigir uma gafe: a gente vai deixando as coisas cada vez piores.”
**
E ai, neam, que minha nova camera digital chegou! Eh uma Nikon fofa fofa, daquelas Nikon-para-amadores mesmo. Estou carregando a bateria, e fico de meia em meia hora conferindo se a luzinha de recharging ja parou de piscar. Enquanto nao rola, entrem no meu flickr clicando na foto do post abaixo! Entrando la tem muitas outras.
**
Menos de tres semanas para babai amado vir. Um mes exato para a vinda de minha amada Piu. Pouco mais de dois meses para chegar binha bae. Eh verao e estou sorrindo mais, apesar dos oopsy-daisy da vida. Nao vejo a hora de me sentir em casa.
Sempre em frente. Faz dois anos que tento nao olhar com muito apego para tras. Faz dois anos que chorei compulsivamente e pensei que o mundo nao pudesse ser mais insuportavelmente doloroso. Faz dois anos que acreditei que apenas um milagre me faria ficar nessa terra. Pois ca estou, dois anos inteiros, muita coisa boa e muita, muita coisa ruim tambem. Um milagre.
Eu vi serenidade crescer em mim, mas tambem vi rugas e cabelos brancos. Eu vi a independencia, finalmente, mas vi tambem o medo paralisante do depender apenas de si mesmo.
**
Dias meio estressantes. Nada ruim. Estresse bom, do tipo que prova que na veia ha sangue correndo e rapido. Fiquei extremamente ansiosa com o jogo ontem. Extremamente. Ta, digamos que ao jogo somou-se uma irritacao daquelas bem mundanas, que eu odeio confessar que mora em mim. Mora, sim.
A verdade eh que nao me irritei com o fato dele, que nao eh nada meu, agarrar a menina na minha frente. Irritei-me foi com a falta de respeito desde o dia zero. Sim, pela mesma porta em que na manha de sabado deixei sua casa, na mesma tarde entrou outra.
Isso nao teria problema algum, mesmo mesmo, se eu mal o conhecesse. O negocio eh que ele eh meu amigo. Ele faz parte do meu grupo de amigos, convivemos muito juntos. E achei muito descaso. Me senti descartavel, e o problema eh que me levo a serio demais para ser banalizada pelos outros.
Ateh pensei em mandar um email, ou ligar, ou chamar para um papo tete-a-tete mesmo. Mas ai me veio um desanimo. Filminhos repetidos na minha cabeca. Quantas vezes nao tentei desentortar homens? Nao adianta, nao adianta. E, mesmo sendo um cara cuja amizade eu quero preserver acima de qualquer one-night-stands, ainda assim nao sei se vale o esforco de ter de me comunicar, de ter de explicar que isso nao se faz, que eh feio, que eh errado, que doi. Soh de pensar me da preguica. Porque ninguem estah aberto a ser rotulado de filho da puta, mesmo quando mais claramente o eh. Entao eu ja consigo antever horas de DR que nao vao levar a lugar nenhum e soh vao doer mais ainda.
Ontem, durante o jogo do Brasil, ainda tentei quebrar um pouco o gelo que vinha sendo disfarcado com risinhos e piadinhas nervosas de ambas as partes. Mas ele nao aceitou bem. Um a zero para o silencio. Sigamos, entao. Eu eh que nao vim ao mundo para ensinar habilidades sociais.
**
Ai, gente, tadinho do Ronaldo.
Com a palavra, Soninha: “Deve ser difícil ser Ronaldo e admitir: “Cansei. Não quero mais”. O mundo inteiro no seu pé, recordes a cair (partidas jogadas, gols marcados), talvez o próprio ego estrilando porque, se não deixou a careira no auge, não pode deixar agora sem provar outra vez que é capaz de se superar e surpreender etc. etc. etc. E aí não dá pra voltar atrás, e é como a tentativa de corrigir uma gafe: a gente vai deixando as coisas cada vez piores.”
**
E ai, neam, que minha nova camera digital chegou! Eh uma Nikon fofa fofa, daquelas Nikon-para-amadores mesmo. Estou carregando a bateria, e fico de meia em meia hora conferindo se a luzinha de recharging ja parou de piscar. Enquanto nao rola, entrem no meu flickr clicando na foto do post abaixo! Entrando la tem muitas outras.
**
Menos de tres semanas para babai amado vir. Um mes exato para a vinda de minha amada Piu. Pouco mais de dois meses para chegar binha bae. Eh verao e estou sorrindo mais, apesar dos oopsy-daisy da vida. Nao vejo a hora de me sentir em casa.
Monday, June 12, 2006
Sunday, June 11, 2006
these are the thoughts
Meu sonho me vem em pedaços desconexos. Em pedaços desconexos, fidedigna que sou, hei de relatá-los.
Fragmento 1: Estava num lugar desconhecido. Precisava escapar sozinha. Eu era a única de todo mundo que conseguia usar um equipamento que me permitia respirar debaixo d’água. Eu era a única, portanto, capaz de mergulhar no escuro de um tanque gigantesco. E havia a possibilidade de um monstro em algum lugar do prédio. E eu ali sozinha, pronta para morrer lutando, a qualquer momento. Quando volto à tona, todo mundo já havia debandado. Ando de maiô na noite fria, sem tempo para ma vestir, já que o monstro ainda estava ali de alguma maneira, e nada o impedia de vir atrás de mim. Até que chegava numa avenida onde carros passavam mas eu não sabia onde iam. Não sabia onde estavam todos daquele grupo que, juntos, deveriam eliminar o monstro. Eu havia sido deixada para trás.
E no aperto mais agudo do desespero, um carro pára. Era minha mãe. Minha mãe veio me buscar. Eu não sabia mais dizer se o desespero era meu ou dela. Eu estava indo embora.
Fragmento 2: O país todo estava obcecado com a Copa e só se pensava em jogo. Não havia mais lugar para assistir. Eu não conhecia aquela cidade, então não sabia onde podia entrar, onde mostrariam o jogo, onde seria *divertido*. O jogo já havia começado quando, aos prantos, consegui achar um lugar. Mas não consigo me lembrar qual.
Fragmento 3: Eu era alvo de piedade. Meu pai morrera. Fazia dois dias. Todos distantemente condescendentes. Eu precisava que alguém tirasse de mim um pouco da tristeza desesperada, da agonia mais afiada da minha vida. Mas quanto mais eu tentava fazer as pessoas entenderem o que acontecera, mais eu me distanciava de todas elas. Todas elas tinham pai. Todas emanavam um afeto que não durava nem um segundo, e a dor, céus, a dor. Como era forte. Como era desamparadora. Eu estava sozinha. Porque todas as outras pessoas, cada uma estava sem tempo para sentir minha dor por mim e me aliviar um pouco. Todos estavam preocupados em sanar suas grandes e pequenas dores. Eu me sentia jogada na sarjeta, pronta para morrer.
Fragmento 1: Estava num lugar desconhecido. Precisava escapar sozinha. Eu era a única de todo mundo que conseguia usar um equipamento que me permitia respirar debaixo d’água. Eu era a única, portanto, capaz de mergulhar no escuro de um tanque gigantesco. E havia a possibilidade de um monstro em algum lugar do prédio. E eu ali sozinha, pronta para morrer lutando, a qualquer momento. Quando volto à tona, todo mundo já havia debandado. Ando de maiô na noite fria, sem tempo para ma vestir, já que o monstro ainda estava ali de alguma maneira, e nada o impedia de vir atrás de mim. Até que chegava numa avenida onde carros passavam mas eu não sabia onde iam. Não sabia onde estavam todos daquele grupo que, juntos, deveriam eliminar o monstro. Eu havia sido deixada para trás.
E no aperto mais agudo do desespero, um carro pára. Era minha mãe. Minha mãe veio me buscar. Eu não sabia mais dizer se o desespero era meu ou dela. Eu estava indo embora.
Fragmento 2: O país todo estava obcecado com a Copa e só se pensava em jogo. Não havia mais lugar para assistir. Eu não conhecia aquela cidade, então não sabia onde podia entrar, onde mostrariam o jogo, onde seria *divertido*. O jogo já havia começado quando, aos prantos, consegui achar um lugar. Mas não consigo me lembrar qual.
Fragmento 3: Eu era alvo de piedade. Meu pai morrera. Fazia dois dias. Todos distantemente condescendentes. Eu precisava que alguém tirasse de mim um pouco da tristeza desesperada, da agonia mais afiada da minha vida. Mas quanto mais eu tentava fazer as pessoas entenderem o que acontecera, mais eu me distanciava de todas elas. Todas elas tinham pai. Todas emanavam um afeto que não durava nem um segundo, e a dor, céus, a dor. Como era forte. Como era desamparadora. Eu estava sozinha. Porque todas as outras pessoas, cada uma estava sem tempo para sentir minha dor por mim e me aliviar um pouco. Todos estavam preocupados em sanar suas grandes e pequenas dores. Eu me sentia jogada na sarjeta, pronta para morrer.
Friday, June 09, 2006
agua que canarinho bebe
Esse negocio de Copa estah realmente me pegando. Acho que por estar longe do Brasil fico ainda mais nacionalista. Eu e os bebados. Ja perceberam como todo bebado eh nacionalista?
Hoje vou assistir ao kick-off da Copa num pub aa beira do Tamisa, com amigos, aproveitando o sol que soh vai cair depois das 22h. Todos merecemos, apos um inverno escuro e frio.
Amanha devo arranjar alguem para curtir o jogo da Inglaterra junto. Porque essa historia de ver jogo sozinha eh que nem ganhar na loto quando o mundo acabar.
**
Querem saber como foi a competicao, neam?
Com a palavra Derek, um de meus coleguinhas de bracadas:
On 7th June the South London Swimming Club celebrated the centenary of their home, the Tooting Lido, with an invitation fun relay event to which Wandsworth SC sent two Master's teams. The Lido, at 100 yards long, the largest fresh water pool in England proved a daunting and extremely chilly task for all the participants.
The Wandsworth 'A' team of Karen Mitchell, Beatriz Singer, Will Reader and Derek Sansom, comfortably beat their team mates in the first event, the 4x100 yards medley relay. This first dip into the water brought it home to the swimmers just how cold and unheated outdoor pool in the middle on Tooting Bec Common could be. Not to be put off, however, the teams lined up again 15 minutes later for the 16x1 length freestyle relay.
The most difficult task facing the teams on this occasion was that of swimming in a straight line - no mean feat in a pool with around 30 other teams and no markings to help guide them. The Wandsworth 'B' team of Dion Harrison, Liz Stoyel, Vicki Booth and Mark McNerney were looking for revenge and all appeared to be going well with both teams neck and neck until the 9 th leg when 'B' team swimmer Vicki Booth went AWOL. Enjoying the sunshine and the conversation of a young man at the side of the pool meant her team lost the advantage and despite her Herculean efforts to pull back the gap this gave the 'A' team an unassailable advantage, brought home by Beatriz, with the comment "Oh, so are we all finished, then?"
Foi isso mesmo. A competicao terminou e eu nao percebi. Achei que ainda tinha gente para nadar o revezamento. Fiquei toda confusa. Haha.
Derek esqueceu de mencionar, felizmente, o triste evento de eu perdendo meus oculos. Ele foi parar no queixo. Tive que parar *no meio* da competicao para ajeitar a barbeiragem. Um colega que me esperava do outro lado da piscina achou que eu tivesse batido a cabeca no fundo. Essa *ainda* nao aconteceu comigo. Que mais? Fiquei com uma falta de ar do cao porque a agua estava muito fria e nao deu tempo de aquecer. Tem fotos? Teeeem. Tem video? Teeeeem. Eu mostro assim que a Broo baixar no computador.
Alias, Broo se revela cada dia mais minha roadie. Uma fofa, isso sim. Fofa com F maiusculo.
Hoje vou assistir ao kick-off da Copa num pub aa beira do Tamisa, com amigos, aproveitando o sol que soh vai cair depois das 22h. Todos merecemos, apos um inverno escuro e frio.
Amanha devo arranjar alguem para curtir o jogo da Inglaterra junto. Porque essa historia de ver jogo sozinha eh que nem ganhar na loto quando o mundo acabar.
**
Querem saber como foi a competicao, neam?
Com a palavra Derek, um de meus coleguinhas de bracadas:
On 7th June the South London Swimming Club celebrated the centenary of their home, the Tooting Lido, with an invitation fun relay event to which Wandsworth SC sent two Master's teams. The Lido, at 100 yards long, the largest fresh water pool in England proved a daunting and extremely chilly task for all the participants.
The Wandsworth 'A' team of Karen Mitchell, Beatriz Singer, Will Reader and Derek Sansom, comfortably beat their team mates in the first event, the 4x100 yards medley relay. This first dip into the water brought it home to the swimmers just how cold and unheated outdoor pool in the middle on Tooting Bec Common could be. Not to be put off, however, the teams lined up again 15 minutes later for the 16x1 length freestyle relay.
The most difficult task facing the teams on this occasion was that of swimming in a straight line - no mean feat in a pool with around 30 other teams and no markings to help guide them. The Wandsworth 'B' team of Dion Harrison, Liz Stoyel, Vicki Booth and Mark McNerney were looking for revenge and all appeared to be going well with both teams neck and neck until the 9 th leg when 'B' team swimmer Vicki Booth went AWOL. Enjoying the sunshine and the conversation of a young man at the side of the pool meant her team lost the advantage and despite her Herculean efforts to pull back the gap this gave the 'A' team an unassailable advantage, brought home by Beatriz, with the comment "Oh, so are we all finished, then?"
Foi isso mesmo. A competicao terminou e eu nao percebi. Achei que ainda tinha gente para nadar o revezamento. Fiquei toda confusa. Haha.
Derek esqueceu de mencionar, felizmente, o triste evento de eu perdendo meus oculos. Ele foi parar no queixo. Tive que parar *no meio* da competicao para ajeitar a barbeiragem. Um colega que me esperava do outro lado da piscina achou que eu tivesse batido a cabeca no fundo. Essa *ainda* nao aconteceu comigo. Que mais? Fiquei com uma falta de ar do cao porque a agua estava muito fria e nao deu tempo de aquecer. Tem fotos? Teeeem. Tem video? Teeeeem. Eu mostro assim que a Broo baixar no computador.
Alias, Broo se revela cada dia mais minha roadie. Uma fofa, isso sim. Fofa com F maiusculo.
Wednesday, June 07, 2006
If you don’t have a date – celebrate
Desculpem-me todos os que voltam religiosamente todo santo dia ao meu blog em busca de minhas palavras divertidas. Esses dias rolou muito, muito trabalho e nenhuma, nenhuma inspiracao em consequencia. Agora melhorou um pouco.
Eh que a Randa, que trabalhava aqui do meu lado, saiu. Foi trabalhar no Evening Standard. Bem legal, coisa e tal. Soh que o trabalho que ela deixou pela metade caiu para cima de quem? Sim, sim. Por que? Porque sim.
E, sejamos francos e diretos, a menina fez tudo errado. Tudo nas coxas, tudo esquisito. Mas agora ja foi e ja ganhei controle da situacao. E, claro, novamente nao reclamo. Ficar sem trabalho eh bem mais chato que ficar atolada. Eu acho.
**
Fim de semana foi um dos tops do ano. Sexta fui nadar depois de 10 dias parada por causa da gripe. Me surpreendi com o fato de ter nadado bem, ter feito bons tempos, apesar de ter quase vomitado.
Broo foi para Bristol para o fim de semana, entao fiquei home alone. Sabado eu tambem me mandei cediho: fui para Cambrisge, conhecer a cidade de que todos falam tao bem e ver a Karlinha, uma amiga da minha irma muito, muito fofa. Fizemos tudo o que tinha que ser feito por la: punting, catedrais, mirantes, visitas a campi de faculdade, passeios a esmo, ateh que acabamos num festival meio hype meio hippie. Me senti num Woodstock da era eletronica. Montes de gente estranha. Divertidissimo. Eu era tao normal ali que fiquei estranhissima.
Voltei para casa feliz e queimada de sol. Muito calor.
Domingo fiz uma faxina geral na casa. Estava precisando. Depois encontrei o pessoal de sempre do frisbee no Hyde Park. De la fomos para o quase-de-sempre Wagamama. Soh fui chegar em casa as 23h. Tarde para um domingo. Estava ansiosa para dormir logo, mas feliz.
**
Hoje tenho competicao. Numa Lido em Tooting Bec. Inclusive eh a maior piscina da Europa. 90m x 33m.

Estranho, neh? Pois vamos ver. A piscina nao eh aquecida. Vai ser lindo. Caimbras e tal. Lindo lindo. Looking forward to.
Mas, falando serio, se nao tivesse revezamento, nao sei se iria, porque os dez dias afastada das aguas fez diferenca no meu pulmaozinho escarrento.
**
Ganhei mais tickets da BBC para ser plateia das gravacoes. Desta vez eh para o programa de Sir David Frost, na BBC Radio 4. Ele discute politica e atualidades com convidados. Se ele fizer a parte dele, prometo fazer a minha – nao dormir.
**
Hoje ateh canga eu trouxe para o trabalho para deitar no parque na hora do almoco. Os dias estao liiiiindos.
Vou agora, ja, comprar uma saladinha e deitar e ler e talvez ateh dormir, porque nao posso com tanto sono. E o sol brilha. Muito, muito a se comemorar.
**
Lendo, no momento, Bricklane e Abismos do Coracao. Lindos. Ambos. O primeiro nao da para parar de ler. O segundo eh inspirador, quase tanto quanto Clarice. Leiamos todos. Esbaldemo-nos. Eu queria muito que todas as pessoas conseguissem sentir o prazer que sinto quando estou diante de um livro. Porque ai eu ficaria ainda mais motivada a terminar de escrever os meus.
Falando nisso, sim, estah em andamento. Muito andamento. Tres deles. Tomara que eu pegue no tranco.
Eh que a Randa, que trabalhava aqui do meu lado, saiu. Foi trabalhar no Evening Standard. Bem legal, coisa e tal. Soh que o trabalho que ela deixou pela metade caiu para cima de quem? Sim, sim. Por que? Porque sim.
E, sejamos francos e diretos, a menina fez tudo errado. Tudo nas coxas, tudo esquisito. Mas agora ja foi e ja ganhei controle da situacao. E, claro, novamente nao reclamo. Ficar sem trabalho eh bem mais chato que ficar atolada. Eu acho.
**
Fim de semana foi um dos tops do ano. Sexta fui nadar depois de 10 dias parada por causa da gripe. Me surpreendi com o fato de ter nadado bem, ter feito bons tempos, apesar de ter quase vomitado.
Broo foi para Bristol para o fim de semana, entao fiquei home alone. Sabado eu tambem me mandei cediho: fui para Cambrisge, conhecer a cidade de que todos falam tao bem e ver a Karlinha, uma amiga da minha irma muito, muito fofa. Fizemos tudo o que tinha que ser feito por la: punting, catedrais, mirantes, visitas a campi de faculdade, passeios a esmo, ateh que acabamos num festival meio hype meio hippie. Me senti num Woodstock da era eletronica. Montes de gente estranha. Divertidissimo. Eu era tao normal ali que fiquei estranhissima.
Voltei para casa feliz e queimada de sol. Muito calor.
Domingo fiz uma faxina geral na casa. Estava precisando. Depois encontrei o pessoal de sempre do frisbee no Hyde Park. De la fomos para o quase-de-sempre Wagamama. Soh fui chegar em casa as 23h. Tarde para um domingo. Estava ansiosa para dormir logo, mas feliz.
**
Hoje tenho competicao. Numa Lido em Tooting Bec. Inclusive eh a maior piscina da Europa. 90m x 33m.
Estranho, neh? Pois vamos ver. A piscina nao eh aquecida. Vai ser lindo. Caimbras e tal. Lindo lindo. Looking forward to.
Mas, falando serio, se nao tivesse revezamento, nao sei se iria, porque os dez dias afastada das aguas fez diferenca no meu pulmaozinho escarrento.
**
Ganhei mais tickets da BBC para ser plateia das gravacoes. Desta vez eh para o programa de Sir David Frost, na BBC Radio 4. Ele discute politica e atualidades com convidados. Se ele fizer a parte dele, prometo fazer a minha – nao dormir.
**
Hoje ateh canga eu trouxe para o trabalho para deitar no parque na hora do almoco. Os dias estao liiiiindos.
Vou agora, ja, comprar uma saladinha e deitar e ler e talvez ateh dormir, porque nao posso com tanto sono. E o sol brilha. Muito, muito a se comemorar.
**
Lendo, no momento, Bricklane e Abismos do Coracao. Lindos. Ambos. O primeiro nao da para parar de ler. O segundo eh inspirador, quase tanto quanto Clarice. Leiamos todos. Esbaldemo-nos. Eu queria muito que todas as pessoas conseguissem sentir o prazer que sinto quando estou diante de um livro. Porque ai eu ficaria ainda mais motivada a terminar de escrever os meus.
Falando nisso, sim, estah em andamento. Muito andamento. Tres deles. Tomara que eu pegue no tranco.
Monday, May 29, 2006
one way or another
Aqui é feriado. Não que seja uma data especial. Aqui não tem muito disso. Temos o natal, reveillon, páscoa e dia do trabalho. O resto é só feriado bancáriom, simetricamente disposto para coincidir com sei lá o que do ano financeiro. Tudo matematicamente calculado para o ócio coincidir com o fechar-para-balanço.
Londres em si continua igual. Estamos na porta de junho, batendo e pedindo sol, um tequinho, e ele até aparece, mas só um tequinho mesmo. Birrento. Hoje foi assim o dia todo. Chuva, sol, chuva, sol e, claro, chuva. Para fechar com chave de ouro – o dia e a minha garganta, que, naturalmente, piorou.
Meio melancólico, esse foi o dia. Acordei tarde demais, levantei cedo demais. Gastei horas que não voltam em programas que não ficam. Vi TV, li meu livro. Vi mais TV e li mais meu livro. Não me agüentei mais e saí. Fui a Putney Heath, um parque meio bosque delicioso perto de casa. Andamos, Broo e eu, sambando em barro e tirando e pondo capuz. Tá, foi divertido. Não quero enrabujar. Mas minha garganta começou a piorar, claro, com vento chuva sol chuva vento sol chuva chuva chuva. Vento. Fomos ao Asda e compramos tudo o que não precisávamos. Voltamos. Assistimos a Elizabethtown, com minha sósia (alias não estou lá tão convencida de que sermos parecidas é bom; os dentes dela – falo da Kirsten Dunst – são péssimos) e cá estou, past ten, escrevendo e ouvindo One Way or Another, uma das mais ouvidas ultimamente PORQUE ESTÁ FAZENDO SENTIDO. Sim, está.
**
O fim de semana foi bom apesar do resfriado estranho; chamá-lo-ei pomposamente de “gripe do amante perfeito”: vem e vai, vem e vai, e ataca as mais inesperadas partes do meu corpo.
Mas sou incapaz de lembrar tudo.
Teve festa sábado, teve cinema no domingo, e depois mais festa no domingo. E muitas e merecidas horas de sono. E almocinho fora e passeio à beira-rio. Foi todo bom, apesar de eu não ter estado toda boa. Não sei o que tenho. Faz uma semana que não vou nadar por causa do maldito resfriado. Mas resolvi comigo mesma que amanhã vou, doente ou não. Era assim que eu fazia no Brasil e, se bem lembro, funcionava. Ignorava a gripe e ia nadar, mesmo que toscamente, como se nada houvesse de errado. Comigo gripe é assim: eu dou atenção e ela fica mimada. Não pode.
**
Agora é oficial: me deu vontade de mudar o mundo. Alguém tem algum conselho para me dar? Não quero saber daqueles conselhos de livro de auto-ajuda, do tipo mude-você-primeiro, ou que deus é quem muda e eu tenho que ficar na minha.
Sério, I’m talking about a revolution. Talvez tenha sido - oh, como sou infantil - V de Vendetta que me inspirou – filmaço, não percam. Mas a vontade surgiu antes disso na verdade. Tenho deixado em banho-maria faz algumas semanas. Mas é um tsunami em formação. The tables starting to turn. Será? Ah, já aconteceu antes. E foi mero fogo de palha. Mas pode ser que dessa vez o fogo suba mais. Quem é que vai julgar? Nem eu, nem você. Mas eu vou tentar. Porque eu mereço a mera tentativa. E eu mereço também considerar o fracasso como uma doce e pequena vitória interna. uma vitoriazinha que talvez so eu veja, mas que me tira da cama toda manhã. E ela nem é tão grande, nem tão forte, mas mantém longe de mim um dos meus maiores fantasmas: a resignação.
Londres em si continua igual. Estamos na porta de junho, batendo e pedindo sol, um tequinho, e ele até aparece, mas só um tequinho mesmo. Birrento. Hoje foi assim o dia todo. Chuva, sol, chuva, sol e, claro, chuva. Para fechar com chave de ouro – o dia e a minha garganta, que, naturalmente, piorou.
Meio melancólico, esse foi o dia. Acordei tarde demais, levantei cedo demais. Gastei horas que não voltam em programas que não ficam. Vi TV, li meu livro. Vi mais TV e li mais meu livro. Não me agüentei mais e saí. Fui a Putney Heath, um parque meio bosque delicioso perto de casa. Andamos, Broo e eu, sambando em barro e tirando e pondo capuz. Tá, foi divertido. Não quero enrabujar. Mas minha garganta começou a piorar, claro, com vento chuva sol chuva vento sol chuva chuva chuva. Vento. Fomos ao Asda e compramos tudo o que não precisávamos. Voltamos. Assistimos a Elizabethtown, com minha sósia (alias não estou lá tão convencida de que sermos parecidas é bom; os dentes dela – falo da Kirsten Dunst – são péssimos) e cá estou, past ten, escrevendo e ouvindo One Way or Another, uma das mais ouvidas ultimamente PORQUE ESTÁ FAZENDO SENTIDO. Sim, está.
**
O fim de semana foi bom apesar do resfriado estranho; chamá-lo-ei pomposamente de “gripe do amante perfeito”: vem e vai, vem e vai, e ataca as mais inesperadas partes do meu corpo.
Mas sou incapaz de lembrar tudo.
Teve festa sábado, teve cinema no domingo, e depois mais festa no domingo. E muitas e merecidas horas de sono. E almocinho fora e passeio à beira-rio. Foi todo bom, apesar de eu não ter estado toda boa. Não sei o que tenho. Faz uma semana que não vou nadar por causa do maldito resfriado. Mas resolvi comigo mesma que amanhã vou, doente ou não. Era assim que eu fazia no Brasil e, se bem lembro, funcionava. Ignorava a gripe e ia nadar, mesmo que toscamente, como se nada houvesse de errado. Comigo gripe é assim: eu dou atenção e ela fica mimada. Não pode.
**
Agora é oficial: me deu vontade de mudar o mundo. Alguém tem algum conselho para me dar? Não quero saber daqueles conselhos de livro de auto-ajuda, do tipo mude-você-primeiro, ou que deus é quem muda e eu tenho que ficar na minha.
Sério, I’m talking about a revolution. Talvez tenha sido - oh, como sou infantil - V de Vendetta que me inspirou – filmaço, não percam. Mas a vontade surgiu antes disso na verdade. Tenho deixado em banho-maria faz algumas semanas. Mas é um tsunami em formação. The tables starting to turn. Será? Ah, já aconteceu antes. E foi mero fogo de palha. Mas pode ser que dessa vez o fogo suba mais. Quem é que vai julgar? Nem eu, nem você. Mas eu vou tentar. Porque eu mereço a mera tentativa. E eu mereço também considerar o fracasso como uma doce e pequena vitória interna. uma vitoriazinha que talvez so eu veja, mas que me tira da cama toda manhã. E ela nem é tão grande, nem tão forte, mas mantém longe de mim um dos meus maiores fantasmas: a resignação.
Friday, May 26, 2006
vamos ver se da certo...
Inspirada num desses comentarios ultraingleses que me soltaram hoje no trabalho, eis que crio um novo blog, sem a menor pretensao, meus queridos. Leiam hoje porque amanha pode ser que eu apague.
cuddly mood
Marina Lima ou Adriana Calcanhotto voces ja sabem: eh confusao. Elas nao saem da minha cabeca. Eh um tal de solidao com vista pro mar e o leao que sempre cavalguei. Estou de novo no meio do caminho entre flutuar e ficar no chao. Na eternal iminencia. E ando desesperadamente para algum lugar que ainda nao descobri, e soh vou descobrir se realmente existe quando acha-lo.
Tive um sonho lindo essa noite. Lindo e triste. Eu estava feliz no sonho, mas devo ter chorado no travesseiro. Era todo despedida e descoberta. Descoberta de sentimento, despedida de pessoas, e essa combinacao sendo lindamente insuportavel. Descobrindo-me encantada por quem eu iria deixar e ja sabia.
So um sonho, so um sonho afinal.
**
Ainda estou um pouco doente (ou muito doente, para quem nao me deu a atencao devida!), mas vim trabalhar. Estou melhor, claro. Gracas aa minha forca de vontade ja que NINGUEM ME MIMA NESSE PAIS.
Mas foda-se. Quem precisa de mimo? Eu que nao. Minhas vitaminas Boots® sao mais que suficientes para uma recuperacao rapida. Estao ouvindo?
**
Afora minha tentativa de emanar e absorver AMOR, todo o tempo, toda a hora, para com todos, estou tranquila. Vida nos eixos. Ainda sentindo falta de, sei la, pelo menos uns tres abracos diarios. Sou uma abracadora compulsiva e tinha essa compulsao mais que satisfeita quando morava no Brasil. Agora nao, ne? As vezes vou ateh o banheiro e me abraco, mas nao eh a mesma coisa. Ta, mentira, claro que nao me abraco. Mas eh que estou com medo de virar aquela ostra que ja fui um dia.
Eh isso. Pessoas que leem meu blog e que sao daqui, entendam: eu nao vos conheco bem, mas vou abraca-las. Voces vao achar estranho, eu vou perceber, mas vou ignorar. Abracem de volta.
Tive um sonho lindo essa noite. Lindo e triste. Eu estava feliz no sonho, mas devo ter chorado no travesseiro. Era todo despedida e descoberta. Descoberta de sentimento, despedida de pessoas, e essa combinacao sendo lindamente insuportavel. Descobrindo-me encantada por quem eu iria deixar e ja sabia.
So um sonho, so um sonho afinal.
**
Ainda estou um pouco doente (ou muito doente, para quem nao me deu a atencao devida!), mas vim trabalhar. Estou melhor, claro. Gracas aa minha forca de vontade ja que NINGUEM ME MIMA NESSE PAIS.
Mas foda-se. Quem precisa de mimo? Eu que nao. Minhas vitaminas Boots® sao mais que suficientes para uma recuperacao rapida. Estao ouvindo?
**
Afora minha tentativa de emanar e absorver AMOR, todo o tempo, toda a hora, para com todos, estou tranquila. Vida nos eixos. Ainda sentindo falta de, sei la, pelo menos uns tres abracos diarios. Sou uma abracadora compulsiva e tinha essa compulsao mais que satisfeita quando morava no Brasil. Agora nao, ne? As vezes vou ateh o banheiro e me abraco, mas nao eh a mesma coisa. Ta, mentira, claro que nao me abraco. Mas eh que estou com medo de virar aquela ostra que ja fui um dia.
Eh isso. Pessoas que leem meu blog e que sao daqui, entendam: eu nao vos conheco bem, mas vou abraca-las. Voces vao achar estranho, eu vou perceber, mas vou ignorar. Abracem de volta.
Tuesday, May 23, 2006
silencio em movimento
Preciso me acostumar com a ideia do tempo passando rapido. Ou simplesmente do tempo passando. Ate pouco tempo atras eu achava que a passagem do tempo nao existia. Que os acontecimentos eram quadros estaticos sucessivos, algo assim meio cinema antes da era digital.
Ai, recentemente, comecei a sentir as coisas todas se mexendo continuamente, nao ha estaticidade, tudo mexendo ao mesmo tempo e, com isso, a sensacao aguda do tempo passando mais rapido que antes. Virei digital, acho.
Enfim, tive um otimo fim de semana que, naturalmente, passou rapido demais. Na sexta-feira fui nadar e assegurei ao meu tecnico, contra minha vontade, que competiria no domingo. Sabado Broo e eu fomos no cabeleireiro aparar as madeixas. Gostei. Dai fui ver hoteis em South Kensington pro babai. Mais tarde, depois de uma tarde preguicosa, fomos para a festa do Lalo. Uma delicia. Pessoas legais, comida boa, clima otimo, sensacional. Estou cada vez mais surpresa com minha capacidade de me divertir (serah por causa do tempo em movimento?).
E eu e Broo fizemos as contas e ficamos oito horas na casa do Lalo. Oito horas! Pareceu menos. O tempo, o tempo.
Ai domingo nao teve jeito. Acordei com dor de cabeca, mas acordei. Fui competir, ne? Nao teve jeito. A primeira prova foi linda. Revezamento 4x50m medley. Eu fechei a prova nadando 50m livre. Estavamos em Segundo quando larguei e chegamos em primeiro! Fiquei toda bochechas risonhas, claro. Mas dai para frente foi bem mediocre. Nadei 50m costas soh para dar quorum. Nadei 50m livre como o meu nariz. Fechei com o 4x50m livre parecendo uma alga marinha. A cabeca explodindo, mas acabou, acabou, e nem foi tao ruim assim. Muito pelo contrario.
Depois teve churrasco com todos os competidores. Churrasco de ingles, que se resume a hamburguer e linguica. Mas nao era a comida que importava afinal, e sim os comentes.
Aiai.
E ai o domingo, como qualquer domingo, voou. Henrique e Daniel vieram em casa ver um filme que nao conseguiu se sobrepor ao meu sono. Foi o fim de um fim de semana bom.
**
Tive uma experiencia. Nao eh uma experiencia qualquer. Uma experiencia realmente especial. Um velhinho que quase caiu na guia perto de casa. Socorri. Levei-o para casa e percebi nos olhos dele o brilho do meu avo. Depois chorei.
Ai, recentemente, comecei a sentir as coisas todas se mexendo continuamente, nao ha estaticidade, tudo mexendo ao mesmo tempo e, com isso, a sensacao aguda do tempo passando mais rapido que antes. Virei digital, acho.
Enfim, tive um otimo fim de semana que, naturalmente, passou rapido demais. Na sexta-feira fui nadar e assegurei ao meu tecnico, contra minha vontade, que competiria no domingo. Sabado Broo e eu fomos no cabeleireiro aparar as madeixas. Gostei. Dai fui ver hoteis em South Kensington pro babai. Mais tarde, depois de uma tarde preguicosa, fomos para a festa do Lalo. Uma delicia. Pessoas legais, comida boa, clima otimo, sensacional. Estou cada vez mais surpresa com minha capacidade de me divertir (serah por causa do tempo em movimento?).
E eu e Broo fizemos as contas e ficamos oito horas na casa do Lalo. Oito horas! Pareceu menos. O tempo, o tempo.
Ai domingo nao teve jeito. Acordei com dor de cabeca, mas acordei. Fui competir, ne? Nao teve jeito. A primeira prova foi linda. Revezamento 4x50m medley. Eu fechei a prova nadando 50m livre. Estavamos em Segundo quando larguei e chegamos em primeiro! Fiquei toda bochechas risonhas, claro. Mas dai para frente foi bem mediocre. Nadei 50m costas soh para dar quorum. Nadei 50m livre como o meu nariz. Fechei com o 4x50m livre parecendo uma alga marinha. A cabeca explodindo, mas acabou, acabou, e nem foi tao ruim assim. Muito pelo contrario.
Depois teve churrasco com todos os competidores. Churrasco de ingles, que se resume a hamburguer e linguica. Mas nao era a comida que importava afinal, e sim os comentes.
Aiai.
E ai o domingo, como qualquer domingo, voou. Henrique e Daniel vieram em casa ver um filme que nao conseguiu se sobrepor ao meu sono. Foi o fim de um fim de semana bom.
**
Tive uma experiencia. Nao eh uma experiencia qualquer. Uma experiencia realmente especial. Um velhinho que quase caiu na guia perto de casa. Socorri. Levei-o para casa e percebi nos olhos dele o brilho do meu avo. Depois chorei.
Thursday, May 18, 2006
I need to burn to be alive
Estou emocionada. Participei do primeiro fire drill da minha vida. Um daqueles em que o alarme de incendio soa e todo mundo sai correndo. Estou emocionada.
Claro que nada aconteceu, sei la porque ingles tem tanta mania de fogo, mas enfim. Toca nao sei quantas centenas de funcionarios descer e se dirigir ao Assembly Point que se revelou apenas um espaco indefinido na calcada. Meu chefe estah convencido de que tudo isso foi porque na reuniao sobre o fim do meu probation period, comentamos que eu nao tinha tido uma health & safety induction, e ele mencionou que eu precisaria disso no relatorio ao RH.
Mas meu chefe eh meio fora da casinha, entao eu concordei e nao falei mais nada. Meu chefe dorme toda segunda-feira a tarde, fingindo que olha a tela do computador que, ha muito, ja estah desligada de tanto tempo que ficou sem ser mexida.
**
Nao creio que ja estah no fim de uma quinta-feira. O fim de semana deve ser animado novamente. Acho que o sol estah me fazendo bem. Amanha a noite devo ir ao cinema com meu ex-flatmate, bom e velho conhecido dos meus leitores, Mr Australia. Nao, nao. Nao eh o que voces estao pensando. Passado eh passado. Morto e enterrado.
Sabado vou cortar o cabelo de manha, depois vou rodar South Kensington atras de hotel para babai, e depois tenho churrasco/festa na casa do Lalo. Domingo nado e depois tem churrasco com meus colegas deveras gostosos da equipe de natacao. Perdoem meu frances, mas o que sao aquelas coxas? Cada homem, cada homem. Um desperdicio todos de sunguinha nadando ao meu lado. Um verdadeiro desperdicio, minha gente! Quem me conhece sabe do que estou falando. Ah, sabe! Odeio jogar comida fora (hahahahaha).
Voltando: domingo. Vou nesse churrasco e, se nao estiver bom como deveria, vou encontrar o pessoal de sempre, no lugar de sempre. Mas gosto do domingo assim: aberto. Thousands of roads diverging. Sou uma diverter classica de qualquer maneira. Vou voltar aqui dizendo que nada do que tava programado aconteceu. Ou, se aconteceu, com certeza foi diferente do que eu esperava.
Tomara.
**
Olha, eu to fazendo forca. Estou mesmo. Dentro de mim, eu digo. Porque soh dentro de mim eh possivel fazer esse tipo de forca. Mas eu vou continuar tentando. Uma hora acontece – uma hora eu me apaixono.
Claro que nada aconteceu, sei la porque ingles tem tanta mania de fogo, mas enfim. Toca nao sei quantas centenas de funcionarios descer e se dirigir ao Assembly Point que se revelou apenas um espaco indefinido na calcada. Meu chefe estah convencido de que tudo isso foi porque na reuniao sobre o fim do meu probation period, comentamos que eu nao tinha tido uma health & safety induction, e ele mencionou que eu precisaria disso no relatorio ao RH.
Mas meu chefe eh meio fora da casinha, entao eu concordei e nao falei mais nada. Meu chefe dorme toda segunda-feira a tarde, fingindo que olha a tela do computador que, ha muito, ja estah desligada de tanto tempo que ficou sem ser mexida.
**
Nao creio que ja estah no fim de uma quinta-feira. O fim de semana deve ser animado novamente. Acho que o sol estah me fazendo bem. Amanha a noite devo ir ao cinema com meu ex-flatmate, bom e velho conhecido dos meus leitores, Mr Australia. Nao, nao. Nao eh o que voces estao pensando. Passado eh passado. Morto e enterrado.
Sabado vou cortar o cabelo de manha, depois vou rodar South Kensington atras de hotel para babai, e depois tenho churrasco/festa na casa do Lalo. Domingo nado e depois tem churrasco com meus colegas deveras gostosos da equipe de natacao. Perdoem meu frances, mas o que sao aquelas coxas? Cada homem, cada homem. Um desperdicio todos de sunguinha nadando ao meu lado. Um verdadeiro desperdicio, minha gente! Quem me conhece sabe do que estou falando. Ah, sabe! Odeio jogar comida fora (hahahahaha).
Voltando: domingo. Vou nesse churrasco e, se nao estiver bom como deveria, vou encontrar o pessoal de sempre, no lugar de sempre. Mas gosto do domingo assim: aberto. Thousands of roads diverging. Sou uma diverter classica de qualquer maneira. Vou voltar aqui dizendo que nada do que tava programado aconteceu. Ou, se aconteceu, com certeza foi diferente do que eu esperava.
Tomara.
**
Olha, eu to fazendo forca. Estou mesmo. Dentro de mim, eu digo. Porque soh dentro de mim eh possivel fazer esse tipo de forca. Mas eu vou continuar tentando. Uma hora acontece – uma hora eu me apaixono.
Tuesday, May 16, 2006
steady, steady - steady going nowhere
Nao da para dizer que ta tudo bem. Nada mudou aqui. Acordo, vou trabalhar, volto, vou nadar, durmo. Mas a angustia de saber que minha cidade estah completamente vulneravel e indefesa, aquele monstro que eh Sao Paulo, que se revelou um ratinho com sombra de dragao, essa angustia nao me deixa enquanto sigo minha rotina.
Gente, o que ta acontecendo? Minha irma levou horas e horas para ir de Perdizes ao Itaim Bibi. Nem sei quantas horas, ja que pedi para ela ligar quando chegasse em casa e quando ela ligou eu ja estava bebada de sono. Fico feliz de saber que todos estao bem, mas triste de nao poder tira-los dessa cidade. A vontade que eu tenho eh de mete-los num aviao com passagem soh de ida. Fodam-se se nao querem – vao vir aa forca. Eh a vontade. Mas nao eh tao simples.
Alias, nada simples.
Mas nao vou comecar. O dia ja entrou meio errado. O onibus demorou uma eternidade. Tive vontade de recitar Frost ao motorista: “Two roads diverged in a wood and I – I took the one less travelled by, and that has made all the difference”. For fuck sake, levei mais de uma hora hoje para chegar no trabalho porque o onibus imbecil me resolve acabar antes do ponto final.
Mas vai parar por aqui. Hoje eh niver da Broo e ela merece um dia otimo do comeco ao fim. Nao eh facil, mas vai ter que ser, ja diria meu superego.
**
Olha, a natacao soh tem melhorado. Ateh treinos de explosao eu tenho curtido. Proximo domingo tem uma mini-competicao entre Nos (Wandsworth Swimming Club), Otter Swimming Club e St Paul’s School Swimming Team. Claro que ja avisei que estarei na arquibancada. Nao quero competir. Ainda nao estou em forma para isso. Alem do mais, eh soh prova curta, maximo de 100m. Nao, ne? Um acinte para quem, como eu, quer nadar pelo menos 1,000m.
Mas vou e depois vai ter um churrasco do pessoal e eu vou, porque se enturmar eh preciso, ja dizia meu alter-ego.
O fim de semana tambem promete outras espuletagens ja que eh aniversario de metade da comunidade brasileira em Londres. Acho que no sabado, no churrasco na casa do Lalo, vao ser comemorados uns quarto aniversarios ao mesmo tempo. Inclusive o da Broo.
E sabado, tambem, Broo e eu vamos cortar as madeixas. Sim, as madeixas. Ja era tempo.
**
Mandem noticias? Mas boas, ta? Por favor.
Gente, o que ta acontecendo? Minha irma levou horas e horas para ir de Perdizes ao Itaim Bibi. Nem sei quantas horas, ja que pedi para ela ligar quando chegasse em casa e quando ela ligou eu ja estava bebada de sono. Fico feliz de saber que todos estao bem, mas triste de nao poder tira-los dessa cidade. A vontade que eu tenho eh de mete-los num aviao com passagem soh de ida. Fodam-se se nao querem – vao vir aa forca. Eh a vontade. Mas nao eh tao simples.
Alias, nada simples.
Mas nao vou comecar. O dia ja entrou meio errado. O onibus demorou uma eternidade. Tive vontade de recitar Frost ao motorista: “Two roads diverged in a wood and I – I took the one less travelled by, and that has made all the difference”. For fuck sake, levei mais de uma hora hoje para chegar no trabalho porque o onibus imbecil me resolve acabar antes do ponto final.
Mas vai parar por aqui. Hoje eh niver da Broo e ela merece um dia otimo do comeco ao fim. Nao eh facil, mas vai ter que ser, ja diria meu superego.
**
Olha, a natacao soh tem melhorado. Ateh treinos de explosao eu tenho curtido. Proximo domingo tem uma mini-competicao entre Nos (Wandsworth Swimming Club), Otter Swimming Club e St Paul’s School Swimming Team. Claro que ja avisei que estarei na arquibancada. Nao quero competir. Ainda nao estou em forma para isso. Alem do mais, eh soh prova curta, maximo de 100m. Nao, ne? Um acinte para quem, como eu, quer nadar pelo menos 1,000m.
Mas vou e depois vai ter um churrasco do pessoal e eu vou, porque se enturmar eh preciso, ja dizia meu alter-ego.
O fim de semana tambem promete outras espuletagens ja que eh aniversario de metade da comunidade brasileira em Londres. Acho que no sabado, no churrasco na casa do Lalo, vao ser comemorados uns quarto aniversarios ao mesmo tempo. Inclusive o da Broo.
E sabado, tambem, Broo e eu vamos cortar as madeixas. Sim, as madeixas. Ja era tempo.
**
Mandem noticias? Mas boas, ta? Por favor.
Thursday, May 11, 2006
Wednesday, May 10, 2006
armisticio
Esse negocio de YouTube.com eh demais. Demais.
Como Linux, como Skype, como blogger, mais uma mostra de que, apesar de ter sido criado pelo capitalismo, ha coisas maravilhosas sem fins lucrativos. Uma prova de que ha caminhos alternatives partindo do capitalismo, e que ha boas intencoes, simples como boas intencoes. Intencoes genuinas de fazer tudo mais acessivel e facil num mundo que depende de tecnologia.
Pronto. Passou meu momento filosofico. Logo volta, adoro falar disso.
**
Hoje estah calor. Passei meu lunch break no parquet, comendo uma saladinha de frango e lendo o livro do Jabor, Amor eh Prosa, Sexo eh Poesia. Eu nao gosto do Jabor. Lendo o livro dele, gosto menos ainda. Os grandes textos do Jabor foram aqueles que rodaram a internet assinados por ele, mas que ele veio a publico dizer que nao escreveu. Ele eh repetitivo. Tem meia duzia de ideias ha 40 anos, e continua falando a mesma coisa, de formas diferentes, e as vezes nem tao diferentes assim. O livro que leio eh de cronicas, e fica claro como ele eh limitado de criatividade. Sempre repetindo frasezinhas de efeito como “namoro de celebridade dura duas edicoes de Caras”. Vira e mexe ele solta essa. Ele deve ter gostado mesmo.
Acho-o chucro, preso ao passado, descontente com o presente. Um daqueles odiaveis saudosistas do Rio dos anos 40, 50, 60. Quaisquer anos desde que nao sejam os de hoje. Nao suporto. Acho que falta vida numa pessoa que vive de vangloriar o passado. Falta entender que o tempo passa, e que nos anos 60 se reclamava porque as coisas nao eram mais como nos anos 20, e assim por diante. Claro que nao sao os mesmos anos. Gracas a Deus! Nao deve haver pior sensacao que a de estar preso no tempo, sem evoluir, sem descobrir, sem conhecer, sem acrescentar.
Desculpa, Jabor, mas eu ja ate achava chato. Agora, alem de chato, eh limitado.
**
E como podem ver, continuo nos meus momentos. Acho que nao eh um bom dia para falar do quanto estou com saudade de todos, principalmente da minha familia, que nao passa um dia sequer sem mandar um email, um telefonema ou aparecer no chat. Voces sabem que tenho andado cabisbaixa e que preciso de carinho neste momento. Voces sabem mais que ninguem. E voces nao me decepcionaram. Me senti incrivelmente acolhida e amada mesmo a milhares de milhas de todos. Logo mais estaremos juntos. Eu e todos voces. Logo mais.
**
Conversa no telefone com a minha irma anteontem:
- Ah, Bi, fica bem… Lembra sempre que eu te amo!
- Eu sei, minha linda, *hip!* eu tambem.
- Ai, voce ta chorandinho, eh?
- Nao, nao, to arrotandinho.
**
Sexta-feira vou ter a famigerada reuniao com meu chefe, onde vamos discutir minha performance na empresa e decidir se viro funcionaria permanente. Ateh hoje, estava no que aqui se chama “probationary period”, em que tanto a empresa quanto voce podem demitir/se demitir com apenas duas semanas de aviso previo. Virando permanente, o aviso previo sobe para dois meses. Voce ganha uma serie de regalias, como bonus ao final do ano, entre outras cositas mas. Vamos ver, vamos ver.
Como Linux, como Skype, como blogger, mais uma mostra de que, apesar de ter sido criado pelo capitalismo, ha coisas maravilhosas sem fins lucrativos. Uma prova de que ha caminhos alternatives partindo do capitalismo, e que ha boas intencoes, simples como boas intencoes. Intencoes genuinas de fazer tudo mais acessivel e facil num mundo que depende de tecnologia.
Pronto. Passou meu momento filosofico. Logo volta, adoro falar disso.
**
Hoje estah calor. Passei meu lunch break no parquet, comendo uma saladinha de frango e lendo o livro do Jabor, Amor eh Prosa, Sexo eh Poesia. Eu nao gosto do Jabor. Lendo o livro dele, gosto menos ainda. Os grandes textos do Jabor foram aqueles que rodaram a internet assinados por ele, mas que ele veio a publico dizer que nao escreveu. Ele eh repetitivo. Tem meia duzia de ideias ha 40 anos, e continua falando a mesma coisa, de formas diferentes, e as vezes nem tao diferentes assim. O livro que leio eh de cronicas, e fica claro como ele eh limitado de criatividade. Sempre repetindo frasezinhas de efeito como “namoro de celebridade dura duas edicoes de Caras”. Vira e mexe ele solta essa. Ele deve ter gostado mesmo.
Acho-o chucro, preso ao passado, descontente com o presente. Um daqueles odiaveis saudosistas do Rio dos anos 40, 50, 60. Quaisquer anos desde que nao sejam os de hoje. Nao suporto. Acho que falta vida numa pessoa que vive de vangloriar o passado. Falta entender que o tempo passa, e que nos anos 60 se reclamava porque as coisas nao eram mais como nos anos 20, e assim por diante. Claro que nao sao os mesmos anos. Gracas a Deus! Nao deve haver pior sensacao que a de estar preso no tempo, sem evoluir, sem descobrir, sem conhecer, sem acrescentar.
Desculpa, Jabor, mas eu ja ate achava chato. Agora, alem de chato, eh limitado.
**
E como podem ver, continuo nos meus momentos. Acho que nao eh um bom dia para falar do quanto estou com saudade de todos, principalmente da minha familia, que nao passa um dia sequer sem mandar um email, um telefonema ou aparecer no chat. Voces sabem que tenho andado cabisbaixa e que preciso de carinho neste momento. Voces sabem mais que ninguem. E voces nao me decepcionaram. Me senti incrivelmente acolhida e amada mesmo a milhares de milhas de todos. Logo mais estaremos juntos. Eu e todos voces. Logo mais.
**
Conversa no telefone com a minha irma anteontem:
- Ah, Bi, fica bem… Lembra sempre que eu te amo!
- Eu sei, minha linda, *hip!* eu tambem.
- Ai, voce ta chorandinho, eh?
- Nao, nao, to arrotandinho.
**
Sexta-feira vou ter a famigerada reuniao com meu chefe, onde vamos discutir minha performance na empresa e decidir se viro funcionaria permanente. Ateh hoje, estava no que aqui se chama “probationary period”, em que tanto a empresa quanto voce podem demitir/se demitir com apenas duas semanas de aviso previo. Virando permanente, o aviso previo sobe para dois meses. Voce ganha uma serie de regalias, como bonus ao final do ano, entre outras cositas mas. Vamos ver, vamos ver.
Tuesday, May 09, 2006
I bet you look good on the dancefloor
Na casa nova, jantar com Mr Australia, Mr Suecia e o amigo mala (o Pirulao).
Eu sei que nao da pra ver muito, mas eh o que eh. Eu sou essa em cima do sofa, chamando a amiguinha de "vaca" as usual.
Eu sei que nao da pra ver muito, mas eh o que eh. Eu sou essa em cima do sofa, chamando a amiguinha de "vaca" as usual.
Monday, May 08, 2006
xaprala
Hormonios mais no lugar, mas ainda assim tudo gira mais rapido que a Terra. Fica dificil manter o equilibrio. Sexta faltei no trabalho por causa de uma enxaqueca daquelas. Me senti meio culpada, mas nao conseguia pensar em por o nariz fora de casa, mesmo depois que o remedio comecou a fazer efeito. A noite eu estava bem melhor e resolve nadar. Foi uma delicia. Estava nadando bem, com energia e tal. Mas ai domingo foi o contrario, talvez porque sabado comi muito mal (ou melhor, nao comi). Muitos tiros de borboleta e meu ombro se pronunciou. Fazer o que? Hoje vou nadar de novo.
E agora fiquei irritada porque tinha escrito muito mais e tudo o que essa merda de Word salvou quando meu computador RESOLVEU DESLIGAR foi o paragrafo acima. Como nao sou otaria, fica aqui minha revolta. Tinha escrito um monte de coisas. Agora ja foi. Amanha talvez.
E agora fiquei irritada porque tinha escrito muito mais e tudo o que essa merda de Word salvou quando meu computador RESOLVEU DESLIGAR foi o paragrafo acima. Como nao sou otaria, fica aqui minha revolta. Tinha escrito um monte de coisas. Agora ja foi. Amanha talvez.
Wednesday, May 03, 2006
Sim, eu sei
Mas tambem o que voces queriam? Estou trabalhando mooooito e quando chego em casa nao tenho saco para ficar na frente do computador, mesmo agora sendo quem sou: uma menina com broadband wi-fi em casa.
A verdade eh que tenho sono. Muito sono. Nao eh a natacao, antes que me falem que meu hobby atrapalha minha vida. Porque todo hobby parece atrapalhar para quem ve de fora. Acho que eh hormonal mesmo. Emendei uma cartela de pilula na outra quando fui pra Sardenha, e agora vem o resultado. Nao vou dizer que eh uma soma perfeita, mas que acumulou, acumulou. Anyhow, to tentando ignorar. Ontem fui nadar. Getting better and better. Meu desafio agora eh baixar dos 3min nos 200m livre. Lastima! Que meu ex-tecnico nao esteja lendo. Mas preciso recomecar de algum lugar.
*
Estou ouvindo Fiona Apple obsessivamente. De novo. Nao paro de ouvir o novo CD, que acaba de chegar da Indonesia pelo correio. Ebay rules.
*
O date de quinta-feira foi com o nosso amigo filhodaputa numero 347. Aquele cuja namorada estah gravida. Pus meu plano em acao: instiguei, instiguei, e agora pulei fora. Ele que resolva a vida dele. Eu nao quero mais homem comprometido, casado, quase-casado. Nunca quis. Eles eh que apareciam na minha frente que nem semaforo vermelho.
*
Que mais? Ah, varias coisas. Andei triste. Mas andei. Nunca mais parei pore star triste.
Mas aqui estou, mesmo que soh para drop a line para espiritos mais inquietos. Estou bem e com saude. Talvez poderia estar melhor. Mas deve ser hormonal, eh, deve ser hormonal.
Mas tambem ha razoes concretas, que eu sei. Merda de sensibilidade.
A verdade eh que tenho sono. Muito sono. Nao eh a natacao, antes que me falem que meu hobby atrapalha minha vida. Porque todo hobby parece atrapalhar para quem ve de fora. Acho que eh hormonal mesmo. Emendei uma cartela de pilula na outra quando fui pra Sardenha, e agora vem o resultado. Nao vou dizer que eh uma soma perfeita, mas que acumulou, acumulou. Anyhow, to tentando ignorar. Ontem fui nadar. Getting better and better. Meu desafio agora eh baixar dos 3min nos 200m livre. Lastima! Que meu ex-tecnico nao esteja lendo. Mas preciso recomecar de algum lugar.
*
Estou ouvindo Fiona Apple obsessivamente. De novo. Nao paro de ouvir o novo CD, que acaba de chegar da Indonesia pelo correio. Ebay rules.
*
O date de quinta-feira foi com o nosso amigo filhodaputa numero 347. Aquele cuja namorada estah gravida. Pus meu plano em acao: instiguei, instiguei, e agora pulei fora. Ele que resolva a vida dele. Eu nao quero mais homem comprometido, casado, quase-casado. Nunca quis. Eles eh que apareciam na minha frente que nem semaforo vermelho.
*
Que mais? Ah, varias coisas. Andei triste. Mas andei. Nunca mais parei pore star triste.
Mas aqui estou, mesmo que soh para drop a line para espiritos mais inquietos. Estou bem e com saude. Talvez poderia estar melhor. Mas deve ser hormonal, eh, deve ser hormonal.
Mas tambem ha razoes concretas, que eu sei. Merda de sensibilidade.
Tuesday, April 25, 2006
tudo azul
Dias melhores estao vindo. Ja eh quase desnecessario carregar um casaco, a nao ser pelos extremos do dia. Londres estah virando a cidade que eu amo e que nasce em fim de abril e morre em fim de outubro.
**
A natacao estah aos poucos ficando importante. Meus tempos nos 400m livre baixam a cada treino e ontem ousei exibir meus ainda tortos 400m medley. Esse vai ter que esperar mais um pouco. Vexaminho. Mas estou bem feliz. Meu tecnico eh um fofo. Vive me dando “well dones” e dizendo que estou no lugar certo, na hora certa. Eu acredito, ateh.
**
Esse fim de semana foi todo bom, em sua calma e promessa. Aniversario de uma amiguinha nova em Wimbledon, trabalho na academia no sabado, encontro com o Chris que me fez mais uma vez entender o porque de ele ser ex e nao atual, natacao no domingo, cinema frances e amigos no Tinto Coffee, pertinho de casa.
Fim de semana que vem eh feriado de novo. Estamos tramando Inverness. Estah meio em cima. Vamos ver se rola.
**
Eu reclamei e agora estou tomando. Estou com tres projetos sobre os ombros, os tres precisando de uma acao relativamente urgente. Estou feito uma barata tonta para la e para ca. Nem reclamo. Ontem achei que fossem 3pm. Fui conferir e eram 4.30pm.
**
Estou toda tecnologicada em casa ja. Telefone unlimited, broadband wi-fi e TV digital com uns 30 canais. Viu, me adicionem no Skype. Nao lembro meu username mas procurem la que deve ser facil me achar.
**
Os dois encontros de sexta foram bons. No primeiro, em que servi de interprete, foi bem tranquilo. Na verdade nao precisei fazer muito. Acho que era mais para dar seguranca aos presidentes da associacao, que ateh falavam um pouco de ingles. Alem disso, eles sao uns amores, e me pagaram bem.
O segundo encontro foi mais de gente grande mesmo. A mulher com quem tinhamos que nos reunir era meio bruxa travestida de princesa, sabe? Sei la. Nao gostei do olhar dela. E morri de vergonha porque ela me perguntou algo e eu nem me liguei que ela falava comigo porque estava prestando atencao na mocinha que servia café. E tambem morri de vergonha quando eu disse que “I don’t have a car” quando na verdade ela perguntou “do you have a card?”
Coisas de Bibinha.
Mas foi bom. No final, fiz minha apresentacao exatamente como queria fazer, fui muito bem entendida e tive minhas perguntas todas respondidas. Bom.
**
Last but not least, tenho um date na quinta-feira. Nao perguntem ateh que aconteca. Please.
**
A natacao estah aos poucos ficando importante. Meus tempos nos 400m livre baixam a cada treino e ontem ousei exibir meus ainda tortos 400m medley. Esse vai ter que esperar mais um pouco. Vexaminho. Mas estou bem feliz. Meu tecnico eh um fofo. Vive me dando “well dones” e dizendo que estou no lugar certo, na hora certa. Eu acredito, ateh.
**
Esse fim de semana foi todo bom, em sua calma e promessa. Aniversario de uma amiguinha nova em Wimbledon, trabalho na academia no sabado, encontro com o Chris que me fez mais uma vez entender o porque de ele ser ex e nao atual, natacao no domingo, cinema frances e amigos no Tinto Coffee, pertinho de casa.
Fim de semana que vem eh feriado de novo. Estamos tramando Inverness. Estah meio em cima. Vamos ver se rola.
**
Eu reclamei e agora estou tomando. Estou com tres projetos sobre os ombros, os tres precisando de uma acao relativamente urgente. Estou feito uma barata tonta para la e para ca. Nem reclamo. Ontem achei que fossem 3pm. Fui conferir e eram 4.30pm.
**
Estou toda tecnologicada em casa ja. Telefone unlimited, broadband wi-fi e TV digital com uns 30 canais. Viu, me adicionem no Skype. Nao lembro meu username mas procurem la que deve ser facil me achar.
**
Os dois encontros de sexta foram bons. No primeiro, em que servi de interprete, foi bem tranquilo. Na verdade nao precisei fazer muito. Acho que era mais para dar seguranca aos presidentes da associacao, que ateh falavam um pouco de ingles. Alem disso, eles sao uns amores, e me pagaram bem.
O segundo encontro foi mais de gente grande mesmo. A mulher com quem tinhamos que nos reunir era meio bruxa travestida de princesa, sabe? Sei la. Nao gostei do olhar dela. E morri de vergonha porque ela me perguntou algo e eu nem me liguei que ela falava comigo porque estava prestando atencao na mocinha que servia café. E tambem morri de vergonha quando eu disse que “I don’t have a car” quando na verdade ela perguntou “do you have a card?”
Coisas de Bibinha.
Mas foi bom. No final, fiz minha apresentacao exatamente como queria fazer, fui muito bem entendida e tive minhas perguntas todas respondidas. Bom.
**
Last but not least, tenho um date na quinta-feira. Nao perguntem ateh que aconteca. Please.
Thursday, April 20, 2006
post-Easter blues
Voltei. Muito, muito, MUITO trabalho. Reclamei, tomei. Muito mesmo. E muita tensao tambem, ja que a amanha tenho uma reuniao, dessas de gente grande, nos headquarters da Grant Thornton UK. Meda, panica, horrora, desespera, socorra, salve salve. Vai ser lindo. Ontem tive uma reuniao com meu chefe sobre o que vai ser discutido na reuniao. Fiz anotacoes e tal. Ainda assim nao sei, nao. Acho que vou boiar. E vai ter um monte de gente na reuniao. E eu vou ter que falar para esse monte de gente sobre algo que eu nao entendo e eles entendem e muito. Vai ser bonito. Vai ser legal. Vai ser quase magico.
**
Sobre a Sardenha, que eh onde busco refugio nos meus pensamentos para nao panicar com a reuniao, soh tenho boas lembrancas. Recomendo a viagem a qualquer um que aprecie belezas naturais. Praias lindas, montanhas lindas, cavernas, canyons, rios. Tudo em uma soh ilha.
O apartamento ajudou. De frente para o mar, vimos o entardecer mais lindo da historia, e vimos golfinhos tambem, que paravam o tempo para saltar.
Nao tenho muito como contar e descrever. Tem que ir la ver. Mas ainda assim, bem resumidamente, vou tentar contar:
DAY 1
Chegamos no aeroporto, dia de sol mas nao muito calor. Alugamos um carro e fomos direto para a costa. Conhecemos San Teodoro, parte da Costa Smeralda. O nome entrega. Eu tambem me entreguei. Fiz forca com os olhos, forca mesmo, para marcar aquela cor de mar para sempre na minha retina. Almocamos frutos do mar e seguimos para Cala Gonone, nosso cantinho no paraiso. Chegamos, demoramos um tempo para achar a casa mas achamos. De frente para o mar. Eu nao acreditava. Fui passear com Broo no porto, reconhecimento de area mesmo. Descobrimos que as pessoas que levam aquela vida nao poderiam levar nenhuma outra porque morreriam de desgosto.
DAY 2
Dia de acordar cedo e alugar um barco. Acordamos as 8h para estarmos as 9h no porto. O barco era bem pequeno, mas demos aquela cafofada. Fizemos toda a Costa Orosei e nadamos em piscinas travestidas de mares, tao clara a agua. E fria. Muito fria. Fria de dar falta de ar e deixar o musculo bobo. Fria de dar medo de ir e nao voltar, porque tudo endurece. Morri de frio na praia mais bonita do mediterraneo, uma das mais bonitas do mundo: Cala Gonoritze, acho. Ou algo assim. Foi o dia inteiro assim. De praia em praia, uma mais linda e virgem que a outra. Visitamos uma caverna, Bue Marino, e eu me perguntei como alguem pode nao achar cavernas e estalactites e estalagnites dos lugares mais sensuais. Tudo eh falico e ao mesmo tempo confortavel. Cheia de ecos e misterios e minigrutas e nomes estranhos como “couve-flor” dadas aas formacoes. Vimos tambem um casal praticando nudismo descarado numa praia que nem era de nudismo e me deu ateh uma certa invejinha de nao pertencer a esse mundo mais puro e desencanado. De noite fomos ao unico barzinho “cool” da vila, onde nosso amigo Mr Suecia ficou bebado como sempre e, como sempre, arranjou confusao. Nem foi culpa dele, mas como bebado ele fica insuportavel, acabou pagando um preco por algo que nem comprou: insistiu em ficar mais no bar, sozinho,e as 4 da manha chega em casa gritando, chorando e sangrando. Foi espancado por uns capangas do dono do bar, que jurava que Mr Suecia tinha dado um calote de, sei la;, 5 cervejas. Acordei com os gritos, fiquei ansiosa, nao sei direito, me descontrolei. Ataque de panico. Mas bobagem. Bobagem. Nem precisam se preocupar. Passou. Eu nem chorei.
DAY 3
Contrariando todas as preces, o dia amanheceu nublado. Nao um numblado ruim. Tinha um mormacinho la e ca. Tentamos. Fomos para Cala Osala e Cala Canoe, tentar pegar um solzinho. Eu acabei com meu agasalho de nailon, de capuz e tudo. Achamos que nao seria mais uma boa. Voltamos para casa, meio sem saber o que seria daquele dia. No final das contas, resolvemos sair. Tinhamos combinado que nao iriamos mais numa festa em Olbia, que fica a desnecessarios 150km de onde estavamos e eh a capital local. Mas sairiamos para jantar for sure. Qual nao foi nossa (minha, da Broo e do Ma) surpresa quando percebemos que os meninos (Mr Australia, Mr Suecia e kangaroo) estavam na verdade dirigindo ateh a maldita festa! Nos fazendo de trouxa, no minimo. Nos nao queriamos ir na festa e estavamos sendo arrastados. A partir dai rolou uma cisao no grupo que jamais voltaria a unir. Brigamos. Nos viramos os sharks; eles, os tigers. Eramos um perfeito No Limite aa italiana. E, na boa, os sharks ganharam disparado. Mas calma. Deixamos os meninos na maldita festa e toca dirigir mais duas horas de volta para Cala Gonone. O indio em seu melhor programa.
DAY 4
Acordamos cedo, nos tres. Os tigers, claro, ainda estavam sabe deus onde. Pegamos o carro, tomamos café num boteco qualquer, so nao digo que tomei um pingado porque estavamos na Italia. Tomei um macchiato. Dois, na verdade. Fomos direto para o rio, destino: caiaque. Nao rolou. Todos os caiaques estavam alugados e meu sonho de remar pelas calmas aguas do rio que ziguezagueia montanhas, afundou. Mas nao deixamos por isso, nao. Caminhamos ateh o rio e mergulhamos. E nadamos. E foi bom. A agua estava bem mais quente que a do mar. Eu achei que estaria mais fria, por causa da sombra das montanhas. Me enganei. Nadamos e tomamos sol no pier, e o Ma quebrou a haste do meu oculos escuro quando tentava agarrar um calanguinho. De la fomos para a praia, porque merecemos. E da praia para outra gruta, Ispigninola (ou algo do genero), que tem a maior estalactite da Europa, segunda do mundo. Cinquenta metros para baixo, fomos. Gente morreu la em excavacoes. Eu achei lindo e descobri que italiano eh uma lingua muito facil, muito mais facil que frances. Depois passeamos por uns Canyons perto de Tiscali, fomos parando aqui e ali. Onde um dos tres gritasse para, paravamos os tres. Uma delicia. Passeamos no centro de Dorgali, uma coisa fofa de cidade, dessas que soh existem pintadas em quadros. O dia perfeito. Chegamos em casa soh depois do jantar. E nada dos tigers. Comecei a ficar preocupada. Mas ainda assim fui para cama e dormi na hora
DAY 5
Tigers voltaram para casa. Parece que chegaram depois das 11 da noite apos 18km de caminhada e um dia inteiro tentando achar onibus para voltar para Cala Gonone em domingo de pascoa. Mas hoje seria o ultimo dia que teriamos para passear. Eles estavam acabados, perderam entao mais um dia. Eu e os outros sharks estavamos com a macaca. Pegamos o carro e saimos para aproveitar o ultimo dia. Fomos a um sitio que tem uma tumba milenar. Fomos para cima e para baixo em cidadezinhas. Fomos para uma vila nuralgica que acabamos nao entrando. Fomos almocar num restaurante de comida tipica sarda. O dia estava cinza, feio, mas estava lindo. Era nosso ultimo dia, afinal. Chegamos em casa e os meninos ainda nao tinham saido de casa. Eram 7 da noite. Mr Suecia mancava. Andou 18km com sapatinho de balada. Segurei o riso, porque deve ter sido foda. Merecido, mas foda. Passei a noite fazendo Sudoku e outros quebra-cabecas japoneses legais com Broo. Os tigers estao tentando se aproximar, mas nao estah Rolando. Principalmente porque o Ma nao consegue nem ouvir a voz deles, em especial do kangoroo, que se revelou uma mala sem alca e sem rodinha, daqueles casos perdidos mesmo. O cara eh daqueles chatos que fica repetindo ad nauseam dialogos de filme sem importancia alguma. Inconveniente. Chato. Sem limites. E fedidim. Juro.
DAY 6
A volta. A viagem para Olbia, onde fica o aeroporto, foi tranquila. Eu e Broo na frente, os tigers atras. Quase nao conversamos. Voamos juntos e tudo. Chegamos em Gatwick e as malas minha e da Broo chegaram primeiro. Nos despedimos, abraco, promessa de troca de fotos e tal. Fiquei triste. Eu gosto do Mr Australia, voces devem saber. Nao queria que as companhias malas que ele carrega pela vida me afastassem dele. Por outro lado, se ele escolheu esses amigos eh porque ha um que de veneracao aos malas que em nada me atraia. Como diz Bobbynha, citando sua amiga “Ju”, se dizem que a vaca eh pintada, eh porque alguma mancha ela tem.
**
Sobre a Sardenha, que eh onde busco refugio nos meus pensamentos para nao panicar com a reuniao, soh tenho boas lembrancas. Recomendo a viagem a qualquer um que aprecie belezas naturais. Praias lindas, montanhas lindas, cavernas, canyons, rios. Tudo em uma soh ilha.
O apartamento ajudou. De frente para o mar, vimos o entardecer mais lindo da historia, e vimos golfinhos tambem, que paravam o tempo para saltar.
Nao tenho muito como contar e descrever. Tem que ir la ver. Mas ainda assim, bem resumidamente, vou tentar contar:
DAY 1
Chegamos no aeroporto, dia de sol mas nao muito calor. Alugamos um carro e fomos direto para a costa. Conhecemos San Teodoro, parte da Costa Smeralda. O nome entrega. Eu tambem me entreguei. Fiz forca com os olhos, forca mesmo, para marcar aquela cor de mar para sempre na minha retina. Almocamos frutos do mar e seguimos para Cala Gonone, nosso cantinho no paraiso. Chegamos, demoramos um tempo para achar a casa mas achamos. De frente para o mar. Eu nao acreditava. Fui passear com Broo no porto, reconhecimento de area mesmo. Descobrimos que as pessoas que levam aquela vida nao poderiam levar nenhuma outra porque morreriam de desgosto.
DAY 2
Dia de acordar cedo e alugar um barco. Acordamos as 8h para estarmos as 9h no porto. O barco era bem pequeno, mas demos aquela cafofada. Fizemos toda a Costa Orosei e nadamos em piscinas travestidas de mares, tao clara a agua. E fria. Muito fria. Fria de dar falta de ar e deixar o musculo bobo. Fria de dar medo de ir e nao voltar, porque tudo endurece. Morri de frio na praia mais bonita do mediterraneo, uma das mais bonitas do mundo: Cala Gonoritze, acho. Ou algo assim. Foi o dia inteiro assim. De praia em praia, uma mais linda e virgem que a outra. Visitamos uma caverna, Bue Marino, e eu me perguntei como alguem pode nao achar cavernas e estalactites e estalagnites dos lugares mais sensuais. Tudo eh falico e ao mesmo tempo confortavel. Cheia de ecos e misterios e minigrutas e nomes estranhos como “couve-flor” dadas aas formacoes. Vimos tambem um casal praticando nudismo descarado numa praia que nem era de nudismo e me deu ateh uma certa invejinha de nao pertencer a esse mundo mais puro e desencanado. De noite fomos ao unico barzinho “cool” da vila, onde nosso amigo Mr Suecia ficou bebado como sempre e, como sempre, arranjou confusao. Nem foi culpa dele, mas como bebado ele fica insuportavel, acabou pagando um preco por algo que nem comprou: insistiu em ficar mais no bar, sozinho,e as 4 da manha chega em casa gritando, chorando e sangrando. Foi espancado por uns capangas do dono do bar, que jurava que Mr Suecia tinha dado um calote de, sei la;, 5 cervejas. Acordei com os gritos, fiquei ansiosa, nao sei direito, me descontrolei. Ataque de panico. Mas bobagem. Bobagem. Nem precisam se preocupar. Passou. Eu nem chorei.
DAY 3
Contrariando todas as preces, o dia amanheceu nublado. Nao um numblado ruim. Tinha um mormacinho la e ca. Tentamos. Fomos para Cala Osala e Cala Canoe, tentar pegar um solzinho. Eu acabei com meu agasalho de nailon, de capuz e tudo. Achamos que nao seria mais uma boa. Voltamos para casa, meio sem saber o que seria daquele dia. No final das contas, resolvemos sair. Tinhamos combinado que nao iriamos mais numa festa em Olbia, que fica a desnecessarios 150km de onde estavamos e eh a capital local. Mas sairiamos para jantar for sure. Qual nao foi nossa (minha, da Broo e do Ma) surpresa quando percebemos que os meninos (Mr Australia, Mr Suecia e kangaroo) estavam na verdade dirigindo ateh a maldita festa! Nos fazendo de trouxa, no minimo. Nos nao queriamos ir na festa e estavamos sendo arrastados. A partir dai rolou uma cisao no grupo que jamais voltaria a unir. Brigamos. Nos viramos os sharks; eles, os tigers. Eramos um perfeito No Limite aa italiana. E, na boa, os sharks ganharam disparado. Mas calma. Deixamos os meninos na maldita festa e toca dirigir mais duas horas de volta para Cala Gonone. O indio em seu melhor programa.
DAY 4
Acordamos cedo, nos tres. Os tigers, claro, ainda estavam sabe deus onde. Pegamos o carro, tomamos café num boteco qualquer, so nao digo que tomei um pingado porque estavamos na Italia. Tomei um macchiato. Dois, na verdade. Fomos direto para o rio, destino: caiaque. Nao rolou. Todos os caiaques estavam alugados e meu sonho de remar pelas calmas aguas do rio que ziguezagueia montanhas, afundou. Mas nao deixamos por isso, nao. Caminhamos ateh o rio e mergulhamos. E nadamos. E foi bom. A agua estava bem mais quente que a do mar. Eu achei que estaria mais fria, por causa da sombra das montanhas. Me enganei. Nadamos e tomamos sol no pier, e o Ma quebrou a haste do meu oculos escuro quando tentava agarrar um calanguinho. De la fomos para a praia, porque merecemos. E da praia para outra gruta, Ispigninola (ou algo do genero), que tem a maior estalactite da Europa, segunda do mundo. Cinquenta metros para baixo, fomos. Gente morreu la em excavacoes. Eu achei lindo e descobri que italiano eh uma lingua muito facil, muito mais facil que frances. Depois passeamos por uns Canyons perto de Tiscali, fomos parando aqui e ali. Onde um dos tres gritasse para, paravamos os tres. Uma delicia. Passeamos no centro de Dorgali, uma coisa fofa de cidade, dessas que soh existem pintadas em quadros. O dia perfeito. Chegamos em casa soh depois do jantar. E nada dos tigers. Comecei a ficar preocupada. Mas ainda assim fui para cama e dormi na hora
DAY 5
Tigers voltaram para casa. Parece que chegaram depois das 11 da noite apos 18km de caminhada e um dia inteiro tentando achar onibus para voltar para Cala Gonone em domingo de pascoa. Mas hoje seria o ultimo dia que teriamos para passear. Eles estavam acabados, perderam entao mais um dia. Eu e os outros sharks estavamos com a macaca. Pegamos o carro e saimos para aproveitar o ultimo dia. Fomos a um sitio que tem uma tumba milenar. Fomos para cima e para baixo em cidadezinhas. Fomos para uma vila nuralgica que acabamos nao entrando. Fomos almocar num restaurante de comida tipica sarda. O dia estava cinza, feio, mas estava lindo. Era nosso ultimo dia, afinal. Chegamos em casa e os meninos ainda nao tinham saido de casa. Eram 7 da noite. Mr Suecia mancava. Andou 18km com sapatinho de balada. Segurei o riso, porque deve ter sido foda. Merecido, mas foda. Passei a noite fazendo Sudoku e outros quebra-cabecas japoneses legais com Broo. Os tigers estao tentando se aproximar, mas nao estah Rolando. Principalmente porque o Ma nao consegue nem ouvir a voz deles, em especial do kangoroo, que se revelou uma mala sem alca e sem rodinha, daqueles casos perdidos mesmo. O cara eh daqueles chatos que fica repetindo ad nauseam dialogos de filme sem importancia alguma. Inconveniente. Chato. Sem limites. E fedidim. Juro.
DAY 6
A volta. A viagem para Olbia, onde fica o aeroporto, foi tranquila. Eu e Broo na frente, os tigers atras. Quase nao conversamos. Voamos juntos e tudo. Chegamos em Gatwick e as malas minha e da Broo chegaram primeiro. Nos despedimos, abraco, promessa de troca de fotos e tal. Fiquei triste. Eu gosto do Mr Australia, voces devem saber. Nao queria que as companhias malas que ele carrega pela vida me afastassem dele. Por outro lado, se ele escolheu esses amigos eh porque ha um que de veneracao aos malas que em nada me atraia. Como diz Bobbynha, citando sua amiga “Ju”, se dizem que a vaca eh pintada, eh porque alguma mancha ela tem.
Wednesday, April 12, 2006
sardinha
Ultimas palavras antes de ir m’embora pra Sardenha. Eu mereco muito essa viagem. Muito mesmo. Eu mereco que faca sol todos os dias. Que de para dar umas bracadas no mar (nao mais que uma duzia de bracadas, soh para purificar mesmo). Nao importa que a agua esteja fria. Eu quero coisa fria. Eu quero me contrair inteira. Me arrepiar inteira. Encolher em minha imensidao. Eu me transbordo todo dia. Preciso de um mar congelando para me manter no ponto.
Pensei ateh na loucura de lever meu notebook, mas nao. Eh loucura. Para que? Para escrever, claro. Mas acho que vou ter que ficar sem. Vai ser bom, ateh. Nada de computador, nada de telefone. Nada de pessoas brincando quando nao quero brincar. Toda a ilha tentando me agradar, eh o que quero.
Sardenha, o lugar que eu meti na cabeca que conheceria no ano passado. Tentei ir com Bobbynha, nao deu certo (porque poucas coisas deram certo entre as zilhoes que nossas imaginacoes ferteis bolaram). Mando noticias quando voltar, na quarta-feira que vem.
**
A natacao vai bem, obrigada. Ja estou sentindo que a puxada ta mais ponderosa, sabe? Aquela sensacao maravilhosa de se sentir deslizando, quase sem fazer forca. Em junho, parece, ja temos campeonato. Mas calma. Muita calma. Senao me bate aquela meda-panica-horrora-desespera-socorra que voces ja conhecem bem.
De qualquer maneira, ja sou membro da Amateur Swimming Association. E ja adoro meu tecnico – que parece adorer pronunciar meu nome, o tempo todo ele tenta enfia-lo nas frases que dirige a mim. Por ora eh o suficiente.
Pensei ateh na loucura de lever meu notebook, mas nao. Eh loucura. Para que? Para escrever, claro. Mas acho que vou ter que ficar sem. Vai ser bom, ateh. Nada de computador, nada de telefone. Nada de pessoas brincando quando nao quero brincar. Toda a ilha tentando me agradar, eh o que quero.
Sardenha, o lugar que eu meti na cabeca que conheceria no ano passado. Tentei ir com Bobbynha, nao deu certo (porque poucas coisas deram certo entre as zilhoes que nossas imaginacoes ferteis bolaram). Mando noticias quando voltar, na quarta-feira que vem.
**
A natacao vai bem, obrigada. Ja estou sentindo que a puxada ta mais ponderosa, sabe? Aquela sensacao maravilhosa de se sentir deslizando, quase sem fazer forca. Em junho, parece, ja temos campeonato. Mas calma. Muita calma. Senao me bate aquela meda-panica-horrora-desespera-socorra que voces ja conhecem bem.
De qualquer maneira, ja sou membro da Amateur Swimming Association. E ja adoro meu tecnico – que parece adorer pronunciar meu nome, o tempo todo ele tenta enfia-lo nas frases que dirige a mim. Por ora eh o suficiente.
Monday, April 10, 2006
I've got to admit it's getting better
Mais um fim de semana todo bom.
Bom porque sexta fiquei bundando em casa, vendo O Homem do Ano.
Bom porque no sabado trabalhei e assim nao me sinto tao mal em ir viajar.
Bom porque finalmente estou com telefone em casa.
Bom porque meus ex-flatmates vieram jantar em casa e foi muito, muito legal.
Bom porque estamos todos muito empolgados com Sardenha.
Bom porque fui fazer meu teste no clube de natacao e, apesar de ter morrido apos 4km, passei!
Bom porque descansei ao lado de pessoas muito queridas.
Can it get any better? Claro que sim. Quinta cedinho voamos.
Bom porque sexta fiquei bundando em casa, vendo O Homem do Ano.
Bom porque no sabado trabalhei e assim nao me sinto tao mal em ir viajar.
Bom porque finalmente estou com telefone em casa.
Bom porque meus ex-flatmates vieram jantar em casa e foi muito, muito legal.
Bom porque estamos todos muito empolgados com Sardenha.
Bom porque fui fazer meu teste no clube de natacao e, apesar de ter morrido apos 4km, passei!
Bom porque descansei ao lado de pessoas muito queridas.
Can it get any better? Claro que sim. Quinta cedinho voamos.
Friday, April 07, 2006
quase 28 aninhos
Senhoras e senhores, minha irma, hoje de manha:
Agora que me toquei que a Eurodisney fica em Paris!! é isso mesmo?!?!?!?!?! será que a gente pode, pelo amor de deus, passar um dia lá? foda-se torre eiffel!
Eu ainda te estrago de tanto apertar, menina!
Agora que me toquei que a Eurodisney fica em Paris!! é isso mesmo?!?!?!?!?! será que a gente pode, pelo amor de deus, passar um dia lá? foda-se torre eiffel!
Eu ainda te estrago de tanto apertar, menina!
Thursday, April 06, 2006
La vie en rose
Ontem conhecemos Bishop’s Park. Esse eh nosso parque local, a dois minutos a peh de casa. Fomos Broo e eu apos o trabalho desbravar a selva. Nao tivemos grandes problemas. Talvez o momento mais radical foi quando resolvemos brincar de gangorra.
Tem gente correndo, tem plantas de varios tipos, tem um jardim exotico que nao eh exotico, tem patos, tem o rio logo na beirada, tem cachorros e poucos cocos de cachorro. Tem muita grama e ateh laguinho. Esse eh nosso parquet local.
E decidimos que agora torcemos para o Fulham FC, seja la qual for a divisao em que se encontre nosso timinho do coracao.
Chegamos em casa e jantamos e assistimos The Apprentice e ela insistiu para eu me inscrever no proximo programa e eu falei para ela nao viajar. Se Sir Alan Sugar me aponta o dedo eu tenho um ataque de panico ali na hora, pah! E ai me deu um quentinho de estar na minha casa, com minha amiga, numa cidade que amo, vivendo, simplesmente deixando o sol do fim da tarde entrar.
Tudo vai manso. Tudo vai passar. E eu vou ficar. Ateh quando for de novo.
Tem gente correndo, tem plantas de varios tipos, tem um jardim exotico que nao eh exotico, tem patos, tem o rio logo na beirada, tem cachorros e poucos cocos de cachorro. Tem muita grama e ateh laguinho. Esse eh nosso parquet local.
E decidimos que agora torcemos para o Fulham FC, seja la qual for a divisao em que se encontre nosso timinho do coracao.
Chegamos em casa e jantamos e assistimos The Apprentice e ela insistiu para eu me inscrever no proximo programa e eu falei para ela nao viajar. Se Sir Alan Sugar me aponta o dedo eu tenho um ataque de panico ali na hora, pah! E ai me deu um quentinho de estar na minha casa, com minha amiga, numa cidade que amo, vivendo, simplesmente deixando o sol do fim da tarde entrar.
Tudo vai manso. Tudo vai passar. E eu vou ficar. Ateh quando for de novo.
Wednesday, April 05, 2006
onde canta o sabia
Chega. Nao achei que isso tudo fosse me fazer tao mal.
Respirar.
E pensar em outras pessoas que sacaneiam tanto no mundo e jamais olham para tras para conferir o estrago. Mas sao pessoas mais felizes, sem culpa. Podem sofrer as consequencias, mas jamais vao enxergar que sao consequencias.
Nem sei do que estou falando.
Estou caindo de sono, hoje.
Comecei a ler O Processo, de Kafka. Fiz mal?
Em uma semana estarei de malas semi-prontas. Preciso de um guia da Sardenha. Alguem tem dica?
A Broo inventou de fazer um curso de fabricacao e escultura em vidro. Eu adoro a ideia. Eu odeio o preco. £125 por um dia. Complica, neam?
Amanha vou ver Bobbynha custe o que custar. Ja combinamos: eu a pego em Putney Bridge, onde ela estarah me esperando paradinha, sem balancer a lancheira para nao voar suco de uva. Aih eu vou pega-la e abraca-la tanto que vai sair amor pelos olhos.
E hoje eu decidi que merecia comer bem e ganhar um presente. Comi um Irish stew (como se traduz isso? Ensopado irlandes?) e depois me dei um creme para maos da Body Shop. E comprei menos pelo cheiro (nao muito bom) que pela origem: a material-prima vem do Brasil. A Body Shop eh uma das pioneiras em Community Fair Trade, que apoia pequenos produtores em paises em desenvolvimento. E esse creme que comprei, em especial, vem da soja de pequenos agricultures brasileiros, aqueles fofos.
**
Preciso de mais noticias do Brasil. Tenho me sentido muito desconectada de meus amados ultimamente. Nao sei das ultimas, nem das penultimas. Nao sei se tudo caminha bem. Imagino que sim. Imagino.
Preciso de mais. Sou pidona mesmo. Mas o dia em que eu parar de pedir eh porque tem algo errado. E nao ha nada de errado agora. Soh nao ha nada definitivamente certo.
Respirar.
E pensar em outras pessoas que sacaneiam tanto no mundo e jamais olham para tras para conferir o estrago. Mas sao pessoas mais felizes, sem culpa. Podem sofrer as consequencias, mas jamais vao enxergar que sao consequencias.
Nem sei do que estou falando.
Estou caindo de sono, hoje.
Comecei a ler O Processo, de Kafka. Fiz mal?
Em uma semana estarei de malas semi-prontas. Preciso de um guia da Sardenha. Alguem tem dica?
A Broo inventou de fazer um curso de fabricacao e escultura em vidro. Eu adoro a ideia. Eu odeio o preco. £125 por um dia. Complica, neam?
Amanha vou ver Bobbynha custe o que custar. Ja combinamos: eu a pego em Putney Bridge, onde ela estarah me esperando paradinha, sem balancer a lancheira para nao voar suco de uva. Aih eu vou pega-la e abraca-la tanto que vai sair amor pelos olhos.
E hoje eu decidi que merecia comer bem e ganhar um presente. Comi um Irish stew (como se traduz isso? Ensopado irlandes?) e depois me dei um creme para maos da Body Shop. E comprei menos pelo cheiro (nao muito bom) que pela origem: a material-prima vem do Brasil. A Body Shop eh uma das pioneiras em Community Fair Trade, que apoia pequenos produtores em paises em desenvolvimento. E esse creme que comprei, em especial, vem da soja de pequenos agricultures brasileiros, aqueles fofos.
**
Preciso de mais noticias do Brasil. Tenho me sentido muito desconectada de meus amados ultimamente. Nao sei das ultimas, nem das penultimas. Nao sei se tudo caminha bem. Imagino que sim. Imagino.
Preciso de mais. Sou pidona mesmo. Mas o dia em que eu parar de pedir eh porque tem algo errado. E nao ha nada de errado agora. Soh nao ha nada definitivamente certo.
Tuesday, April 04, 2006
move on (I did)
Os treinos estao ficando cada vez mais gratificantes. Finalmente estou voltando a ser ao menos a sombra do que um dia fui. Antes, nem isso. E ja marquei a data do teste no Wandsworth Swimming Club: domingo de manha.
**
Os dias estao ficando cada vez mais agradaveis. Essa semana vou deixar o sobretudo em casa, ja estah decidido.
**
Falando em dias mais agradaveis, contagem regressivissima para minha viagem de Pascoa. Eu, Broo, Mr Australia, Mr Suecia e o outro kangaroo. Num bangalo em Sardenha. Quase nada a vida que eu quero para mim.

Quinta-feira da semana que vem, entao, voamos para Olbia. Ateh la, devo encontrar Mr Australia no fim de semana. Eu e Broo vamos fazer um jantar para ele e o amigo. Saudadinha ja.
**
E tem ainda a Bobbynha, que chegou tumultuando e inacessivel. Cade voce, esposinha? Eu quero!
**
E finalmente, a derradeira mensagem para nossa amiga do queixo indecente (porque nao tenho tempo a perder com tolices, see, I myself have a life):

Mas, sabe, eu entendo. Ta ficando tarde, ne? Os anos passam... E a gente tem que aceitar o que aparece, mesmo que o que apareca esteja mais voando que na sua mao.
E chega dessa obsessao pelo meu blog e pela minha vida. Pega mal.
**
Os dias estao ficando cada vez mais agradaveis. Essa semana vou deixar o sobretudo em casa, ja estah decidido.
**
Falando em dias mais agradaveis, contagem regressivissima para minha viagem de Pascoa. Eu, Broo, Mr Australia, Mr Suecia e o outro kangaroo. Num bangalo em Sardenha. Quase nada a vida que eu quero para mim.
Quinta-feira da semana que vem, entao, voamos para Olbia. Ateh la, devo encontrar Mr Australia no fim de semana. Eu e Broo vamos fazer um jantar para ele e o amigo. Saudadinha ja.
**
E tem ainda a Bobbynha, que chegou tumultuando e inacessivel. Cade voce, esposinha? Eu quero!
**
E finalmente, a derradeira mensagem para nossa amiga do queixo indecente (porque nao tenho tempo a perder com tolices, see, I myself have a life):
Mas, sabe, eu entendo. Ta ficando tarde, ne? Os anos passam... E a gente tem que aceitar o que aparece, mesmo que o que apareca esteja mais voando que na sua mao.
E chega dessa obsessao pelo meu blog e pela minha vida. Pega mal.
Monday, April 03, 2006
chega de poupar quem nao me poupou
Alo alo, anuncio oficial: nao vou mais me censurar! Neste espaco, aguardem.
Se eu pudesse, ah, se eu pudesse, eu juro que punha o link do meu outro blog aqui. Mas nao. Meu bom senso e a certeza de que cada um tem o que merece independentemente dos meus atos, me impedem.
Pode voar, mas nao perca o caminho de casa: voce vai precisar dele para voltar.
Um sorriso de pena rasgado nos labios. Seja feliz agora. Ria agora, hiena sem causa. Porque eh soh o agora que voce tem mesmo.
Lembram que eu estou aprendendo alemao? Eis a prova mais cabal: Ich bin der heraus loud lachend. Sie sind das, wer an betrogen wurde. schande, schande, schande.
Se eu pudesse, ah, se eu pudesse, eu juro que punha o link do meu outro blog aqui. Mas nao. Meu bom senso e a certeza de que cada um tem o que merece independentemente dos meus atos, me impedem.
Pode voar, mas nao perca o caminho de casa: voce vai precisar dele para voltar.
Um sorriso de pena rasgado nos labios. Seja feliz agora. Ria agora, hiena sem causa. Porque eh soh o agora que voce tem mesmo.
Lembram que eu estou aprendendo alemao? Eis a prova mais cabal: Ich bin der heraus loud lachend. Sie sind das, wer an betrogen wurde. schande, schande, schande.
Friday, March 31, 2006
eu ri por ultimo, meu bem
Nao eh engracado ser chifrada por uma menina que depois seria por mim chifrada? Eh engracado, sim, e o cara soh pode ser um palhaco.
Oh, well, a batata quente nao eh mais minha anyway.
(ALIVIO)
Oh, well, a batata quente nao eh mais minha anyway.
(ALIVIO)
Thursday, March 30, 2006
2006 e um quarto
Sensacao estranha: hoje acordei como se acordasse de um sono de anos, mas ao mesmo tempo como se ainda faltassem anos para eu realmente me sentir descansada. Eh normal? Devo estar ficando velha.
Ou soh cansada mesmo.
**
Pintou a oportunidade de fazer um frila bem legal aqui. O problema vai ser fazer meu chefe entender que quando eu quero, vou e faco. Comentei com ele ontem sobre o frila, e que provavelmente o evento comeria parte de uma sexta e parte de uma segunda em algum ponto em abril. Ele anda meio de mau humor. Sei la. Me disse que realmente eh uma oportunidade legal, mas que meu trabalho aqui deve vir em primeiro lugar.
Ele esta certo. Mas como eu disse, eu quero. E se eu quero, fodeu.
Meu chefe de mau humor ou “apressadinho” eh o que ha. A real pain in the arse.
**
Pois eu resolve me vingar do meu ex-futuro gatinho. Ele me mandou uma mensagem de texto me chamando para jantar e para ir no cinema assim que melhorar do joelho, que passou por uma segunda intervencao ontem. Ainda nao respondi. Mas vou. E aos 45 do segundo tempo vou perguntar quando nasce o pimpolho.
**
Comecei meu treino para fazer o teste no Wandsworth SC. Fiz o Day 1 passado pelo Edu, meu tecnico no Brasil. O treino tinha 3,000m e, rapaz, confesso que cansei. E estou consciente de que se pretendo realmente entrar na equipe, devo comecar a me acostumar com a ideia de nadar o dobro disso seis vezes por semana.
Hoje vou fazer o Day 2 depois do trabalho. Estou meio dura, ainda. Como eh facil perder a forma…
**
Quero aprender uma nova lingua. Ja falei isso mil vezes aqui, e talvez essa seja mais uma que vai morrer com as outras vontades. Dessa vez encafifei com o alemao. Talvez porque ultimamente tenha lido muitos autores alemaes. Frances continua na lista das must-learn languages. E espanhol, da must-not-embromate.
Ou soh cansada mesmo.
**
Pintou a oportunidade de fazer um frila bem legal aqui. O problema vai ser fazer meu chefe entender que quando eu quero, vou e faco. Comentei com ele ontem sobre o frila, e que provavelmente o evento comeria parte de uma sexta e parte de uma segunda em algum ponto em abril. Ele anda meio de mau humor. Sei la. Me disse que realmente eh uma oportunidade legal, mas que meu trabalho aqui deve vir em primeiro lugar.
Ele esta certo. Mas como eu disse, eu quero. E se eu quero, fodeu.
Meu chefe de mau humor ou “apressadinho” eh o que ha. A real pain in the arse.
**
Pois eu resolve me vingar do meu ex-futuro gatinho. Ele me mandou uma mensagem de texto me chamando para jantar e para ir no cinema assim que melhorar do joelho, que passou por uma segunda intervencao ontem. Ainda nao respondi. Mas vou. E aos 45 do segundo tempo vou perguntar quando nasce o pimpolho.
**
Comecei meu treino para fazer o teste no Wandsworth SC. Fiz o Day 1 passado pelo Edu, meu tecnico no Brasil. O treino tinha 3,000m e, rapaz, confesso que cansei. E estou consciente de que se pretendo realmente entrar na equipe, devo comecar a me acostumar com a ideia de nadar o dobro disso seis vezes por semana.
Hoje vou fazer o Day 2 depois do trabalho. Estou meio dura, ainda. Como eh facil perder a forma…
**
Quero aprender uma nova lingua. Ja falei isso mil vezes aqui, e talvez essa seja mais uma que vai morrer com as outras vontades. Dessa vez encafifei com o alemao. Talvez porque ultimamente tenha lido muitos autores alemaes. Frances continua na lista das must-learn languages. E espanhol, da must-not-embromate.
Tuesday, March 28, 2006
midland blues
E o que eh uma bosta para os padroes ingleses, descobri, eh uma bosta para meus padroes tambem. Nao sei se estou virando inglesa demais, mas realmente Birmingham eh a escoria da Inglaterra. Nunca vi lugar tao feio aqui. Inclusive deprimente. Fabricas por todos os lados, cinza, ateh o centro que tenta ser simpatico com uma roda gigante imensa e desconexa conseguiu me causar asco. Bad Karma eh nascer num pais como a Inglaterra mas vir da menos inglesa das cidades, Birmingham.
Oxford eu conhecia por cima, conheci mais a fundo, mas ainda nao conheci inteira. Faltou estar la num dia de sol para andar sem pressa e praticar o famoso punting, uma especie de barco que rola down the Magdalen bridge.
Fica pra proxima.
Fomos tambem para Stratford-Upon-Avon, cidade onde Shakespeare nasceu e morreu. Eu gostei. Pequena, toda historica e fofa. Claro que eles espremem o fato de Shakespeare ser de la ateh a ultima gota para atrair turistas. Nem eh tudo isso. Mas eu ja sabia que nao era mesmo. Fui descrente para me surpreender com a fofura da vila.
Passamos tambem em Warwick, onde tem um castelo cujos arredores exploramos bem, mas nos negamos a pagar £14 para entrar.
E, claro, a experiencia mais traumatizante, o albergue em Oxford. Ficamos num Backpackers da vida, £14 a noite sem café da manha. Uma piada para o que oferecia. Minha cama estava suja com farelo de pao. O quarto em que fiquei era carinhosamente chamado de China, talvez pelo infeliz fato de haver dezoito, ALO, DEZOITO, neguinhos dormindo. Imagina o cheiro. Imagina pessoas entrando e saindo a toda hora do dia e da noite. Mexendo em sacolas daquelas barulhentas. Atendendo celular. Rindo. Peidando. O apice veio quando uma vaca bebada sentou em cima de mim. Sim, sentou em cima de mim. Garrafa de cerveja em punho, ela perguntou com a voz arrastada “Are you jsfkawhr?” Minha resposta foi surpreendentemente sobria: “Do I look like fucking jsfkawhr?”
Dai para uma hora de insonia travestida de mau humor foi um pulo.
No banheiro havia uma calcinha roxa no chao. Meninas mijando (acho) de porta aberta. Meda, panica, horrora, desespera, socorra, muita socorra.
Esta no top 3 piores lugares onde ja fiquei.
Mas como um todo, valeu muito. Cansamos mas passeamos e pegamos a TV. Ja temos planos para o final de semana: nao fazer absolutamente nada.
**
Havia um gatinho no meu caminho, para os desavisados. Uma bela pantera, eu diria. Mas ja foi embora. Sailed away in a grey sky morning. Ele ainda nao sabe, claro, mas ja dancou. Ele nao sabe que eu sei que ele tem namorada e ela estah gravida. Puta brincadeira de mau gosto, amigao.
Desencantei. Nao vale o trampo.
Oxford eu conhecia por cima, conheci mais a fundo, mas ainda nao conheci inteira. Faltou estar la num dia de sol para andar sem pressa e praticar o famoso punting, uma especie de barco que rola down the Magdalen bridge.
Fica pra proxima.
Fomos tambem para Stratford-Upon-Avon, cidade onde Shakespeare nasceu e morreu. Eu gostei. Pequena, toda historica e fofa. Claro que eles espremem o fato de Shakespeare ser de la ateh a ultima gota para atrair turistas. Nem eh tudo isso. Mas eu ja sabia que nao era mesmo. Fui descrente para me surpreender com a fofura da vila.
Passamos tambem em Warwick, onde tem um castelo cujos arredores exploramos bem, mas nos negamos a pagar £14 para entrar.
E, claro, a experiencia mais traumatizante, o albergue em Oxford. Ficamos num Backpackers da vida, £14 a noite sem café da manha. Uma piada para o que oferecia. Minha cama estava suja com farelo de pao. O quarto em que fiquei era carinhosamente chamado de China, talvez pelo infeliz fato de haver dezoito, ALO, DEZOITO, neguinhos dormindo. Imagina o cheiro. Imagina pessoas entrando e saindo a toda hora do dia e da noite. Mexendo em sacolas daquelas barulhentas. Atendendo celular. Rindo. Peidando. O apice veio quando uma vaca bebada sentou em cima de mim. Sim, sentou em cima de mim. Garrafa de cerveja em punho, ela perguntou com a voz arrastada “Are you jsfkawhr?” Minha resposta foi surpreendentemente sobria: “Do I look like fucking jsfkawhr?”
Dai para uma hora de insonia travestida de mau humor foi um pulo.
No banheiro havia uma calcinha roxa no chao. Meninas mijando (acho) de porta aberta. Meda, panica, horrora, desespera, socorra, muita socorra.
Esta no top 3 piores lugares onde ja fiquei.
Mas como um todo, valeu muito. Cansamos mas passeamos e pegamos a TV. Ja temos planos para o final de semana: nao fazer absolutamente nada.
**
Havia um gatinho no meu caminho, para os desavisados. Uma bela pantera, eu diria. Mas ja foi embora. Sailed away in a grey sky morning. Ele ainda nao sabe, claro, mas ja dancou. Ele nao sabe que eu sei que ele tem namorada e ela estah gravida. Puta brincadeira de mau gosto, amigao.
Desencantei. Nao vale o trampo.
Friday, March 24, 2006
hungry for a little more
Estou correndo mais que minhas pernas. Mas ja nem sinto.
No Brasil as coisas tambem tem estado estranhas. Muita coisa ruim, gente morrendo e muita incerteza. Eu tento ficar na superficie. Afinal, aqui as coisas vao bem, apesar do cinza nosso de todo dia.
Hoje vamos no Ikea, eu, Broo e o Ma. Aproveitar que estamos de carro. Alugamos um carro para o fim de semana para aproveitar que temos que buscar a TV em Cannock e passear por Oxford e pelas Midlands. Nao que seja assim indispensavel ir para as Midlands do ponto de vista turistico. Parece que eh uma bosta. Mas eu quero muito ver o que eh uma bosta para os padroes ingleses. Eles, que nao sabem direito o que eh realmente bosta.
E passei uma tarde profundamente entediada numa conferencia da empresa. Estrategicamente, sentei na janela para olhar a vista de Sandown Park. Linda, linda. E nao absorvi lhufas, ou muito pouco, do que foi dito. Porque o assunto era chato e porque ainda nao entendo nada dos planos da empresa ainda.
Mas OK. Tres horas de falacao e eu louca para ir embora, ja sem achar posicao confortavel na cadeira. Oh well, sobrevivi.
No Brasil as coisas tambem tem estado estranhas. Muita coisa ruim, gente morrendo e muita incerteza. Eu tento ficar na superficie. Afinal, aqui as coisas vao bem, apesar do cinza nosso de todo dia.
Hoje vamos no Ikea, eu, Broo e o Ma. Aproveitar que estamos de carro. Alugamos um carro para o fim de semana para aproveitar que temos que buscar a TV em Cannock e passear por Oxford e pelas Midlands. Nao que seja assim indispensavel ir para as Midlands do ponto de vista turistico. Parece que eh uma bosta. Mas eu quero muito ver o que eh uma bosta para os padroes ingleses. Eles, que nao sabem direito o que eh realmente bosta.
E passei uma tarde profundamente entediada numa conferencia da empresa. Estrategicamente, sentei na janela para olhar a vista de Sandown Park. Linda, linda. E nao absorvi lhufas, ou muito pouco, do que foi dito. Porque o assunto era chato e porque ainda nao entendo nada dos planos da empresa ainda.
Mas OK. Tres horas de falacao e eu louca para ir embora, ja sem achar posicao confortavel na cadeira. Oh well, sobrevivi.
Tuesday, March 21, 2006
along came Bobby
Mudei. Eu e Broo. Nova casa, novos horarios, novas vizinhancas, novo landlord, novas idiossincrasias na casa, novos mercadinhos de esquina. Ontem, voltando do trabalho, sai do metro e virei para o lado errado. Ainda me acostumando. Se bem que eu sempre ia no sebo da Clodomiro Amazonas e, ao sair, nunca sabia para que lado virar para voltar para casa. E morei no Itaim Bibi por mais de 20 anos.
Economizo uma hora por dia em viagem. Muita gente nao sabe a real diferenca que isso faz. Por outro lado, meu quarto eh bem, bem pequeno. Ainda estou tentando entender como vou por todas as minhas coisas la e ainda ser capaz de andar la dentro. Mas por outro lado estou mais perto de tudo. Mas pago mais aluguel. Mas pago menos em transporte. Mas mais em Council Tax. Mas agora moro com a Broo e morar com uma amiga eh bem melhor que morar com um bando que foi juntado por um site de flatshare na internet. E moro com uma pessoa, alem de mim, e nao tres. Tem pros e contras, como qualquer escolha que se faz desde os dois anos de idade. Ateh antes. Mas nesse caso ha mais pros. Estou feliz. Muito feliz. Eu no meu quarto pequeno. Estou realmente feliz.
**
A unica coisa que ja estah me tirando do serio em menos de 100 horas vivendo naquela casa eh a vaca da landlady. Que ja se revelou uma vaca desde o primeiro instante. Mas deixe estar. Deixe estar e aquela anta vai sentir o gosto azedo da minha ira.
**
Domingo fui ver Tsotsi, o filme sul-africano que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Muito, muito bom. Cenas fortissimas, apesar do enredo se revelar ligeiramente americanizado. Vale a pena. Poderia ateh ser um filme brasileiro. Vao ver, vao ver.
**
Terminei Of Mice and Men, do Steinbeck. Escuta, como eh que um livro pode ser tao completo e bom com tao poucas paginas?
**
Ontem foi o penultimo dia do meu curso na Birkbeck College. Vou sentir saudades... E ja vou pensando aqui em algum outro curso para fazer mais para frente. Se bem que vai ter o swimming club e...
**
Quem? Quem? Quem eh que chegou do Brasil? Londres voltou a ficar mais colorida, pelo menos a meus olhos: Bobbynha estah na area! Nada como aqueles "ta-tchaus" amados, os croc crocs que nao canso de ouvir, tanta, tanta historia para contar e lembrar. Faz meses, mas parece decadas, que estivemos juntas. Todo dia, todo dia, vivendo sob o mesmo teto, dormindo, acordando, indo andar de manha ateh o trabalho. Tudo, tudo junto. Eh claro que a falta que ela fez ficou muito maior que qualquer outra falta. Eramos praticamente casadas.
Saudade de voce, esposinha.
Economizo uma hora por dia em viagem. Muita gente nao sabe a real diferenca que isso faz. Por outro lado, meu quarto eh bem, bem pequeno. Ainda estou tentando entender como vou por todas as minhas coisas la e ainda ser capaz de andar la dentro. Mas por outro lado estou mais perto de tudo. Mas pago mais aluguel. Mas pago menos em transporte. Mas mais em Council Tax. Mas agora moro com a Broo e morar com uma amiga eh bem melhor que morar com um bando que foi juntado por um site de flatshare na internet. E moro com uma pessoa, alem de mim, e nao tres. Tem pros e contras, como qualquer escolha que se faz desde os dois anos de idade. Ateh antes. Mas nesse caso ha mais pros. Estou feliz. Muito feliz. Eu no meu quarto pequeno. Estou realmente feliz.
**
A unica coisa que ja estah me tirando do serio em menos de 100 horas vivendo naquela casa eh a vaca da landlady. Que ja se revelou uma vaca desde o primeiro instante. Mas deixe estar. Deixe estar e aquela anta vai sentir o gosto azedo da minha ira.
**
Domingo fui ver Tsotsi, o filme sul-africano que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Muito, muito bom. Cenas fortissimas, apesar do enredo se revelar ligeiramente americanizado. Vale a pena. Poderia ateh ser um filme brasileiro. Vao ver, vao ver.
**
Terminei Of Mice and Men, do Steinbeck. Escuta, como eh que um livro pode ser tao completo e bom com tao poucas paginas?
**
Ontem foi o penultimo dia do meu curso na Birkbeck College. Vou sentir saudades... E ja vou pensando aqui em algum outro curso para fazer mais para frente. Se bem que vai ter o swimming club e...
**
Quem? Quem? Quem eh que chegou do Brasil? Londres voltou a ficar mais colorida, pelo menos a meus olhos: Bobbynha estah na area! Nada como aqueles "ta-tchaus" amados, os croc crocs que nao canso de ouvir, tanta, tanta historia para contar e lembrar. Faz meses, mas parece decadas, que estivemos juntas. Todo dia, todo dia, vivendo sob o mesmo teto, dormindo, acordando, indo andar de manha ateh o trabalho. Tudo, tudo junto. Eh claro que a falta que ela fez ficou muito maior que qualquer outra falta. Eramos praticamente casadas.
Saudade de voce, esposinha.
Friday, March 17, 2006
Para alguem que amo – com muito, muito amor
Hoje meus pensamentos estavam todos com uma das pessoas que mais amo. Hoje meus pensamentos todos estavam no coracaozao dessa pessoinha que conheco ha 20 anos e cuja presence eh tao forte que ha 20 anos passo sequer um dia sem pensar nela.
Ela, minha Bathathinha, toda especial, toda e sempre. Hoje toda minha energia eh sua. E toda a forca que te faltar eh minha. Hoje, e sempre que for preciso.
Fica com Deus, Thatha. Porque Ele, eu sei, eu vi, Ele estah com voce.
Ela, minha Bathathinha, toda especial, toda e sempre. Hoje toda minha energia eh sua. E toda a forca que te faltar eh minha. Hoje, e sempre que for preciso.
Fica com Deus, Thatha. Porque Ele, eu sei, eu vi, Ele estah com voce.
Wednesday, March 15, 2006
stay with me
Sei que faz tempo. Estive doente. Ainda estou, para ser sincera. Não fui trabalhar. É uma gripe que dura cinco dias, me disse o cara da farmácia. Acho que ele só queria mesmo era vender mais. “Eu saro rápido”. Comprei a caixa menor. Aí “realizei” que aqui não tem esse tipo de malandragem. E toca voltar à farmácia e comprar mais uma caixa, o que tornou tudo mais caro. E para completar, aquela cara do farmacêutico de eu-já-sabia que eu, do alto do meu nariz entupido, tive que engolir.
Junto com a gripe, os preparativos para a mudança. Tudo o que é livro, DVD e utensílios de cozinha já foram devidamente encaixotados. Ainda falta o mundo de roupas. Não sei como vou conseguir empacotar tudo. Já pedi para o Chris me emprestar uma mala, e estou contando fielmente com isso.
Broo também está toda ansiosa. Na verdade não vejo a hora de me mudar para estabelecer paz de novo aqui dentro. Morar mais perto do trabalho, economizar tempo e dinheiro, viver numa casa menos povoada. Quer dizer, esse começo vai ser esquema asilo. O Má, alguma-coisa da Broo, vai ficar lá, e trará junto mais dois amigos para passar o fim de semana. Vai ser uma bela experiência antropológica já que o apê é, apesar de lindo, deveras pequeno. Tudo é festa. E mais dois, numa altura dessa, significa maior força-tarefa na mudança. Estou feliz com a possibilidade de apenas dizer isso-vai-aqui, isso-vai-ali. Sem riscos para minha frágil coluna de nadadora.
Obviamente quando tudo passar e eu voltar a navegar em águas mansas, todosm os planos que estavam on hold voltam a funcionar, ao menos na minha cabeça perturbada. O Edu, meu técnico no Brasil, me passou um treino intensivo de cinco dias para antes do teste no clube de natação. Olha, vou dizer, não vejo a hora de entrar em forma novamente. Tá foda.
**
Sábado foi o housewarming da Joo. A Joo chegou aqui faz menos de dois meses. Ela é amiga da Rê e chegou como se chega: desamparada, ansiosa, estranha, desconfortável. Mas aprendeu rapidinho a sobreviver nisso aqui que se chama primeiro mundo. A festa foi um sucesso e eu, apesar da gripe (que obviamente piorou), me diverti como se estivesse bêbada. Quase agi como se estivesse bêbada também, mas aí é que agradeço à Nossa Senhora da Sobriedade, essa que abençoa pobres almas segundos antes de cometer a Cagada do Ano.
A verdade é que, novamente, voltei a aproveitar festas. Tenho minhas fases ostra. Não saio nem arrastada, não tenho o menor saco de me deslocar para a puta que o pariu para falar frivolidades e arranjar desculpas para não beber e perguntar coisas fúteis a pessoas que não conheço e nem quero conhecer e que não me conhecem e nem querem me conhecer. Ganho mais em casa, sem passar frio, vendo TV, lendo um livro, resolvendo algo que tem que ser resolvido, escrevendo, até cansar e dormir. Com festas e baladas não é assim. Ainda não entendo porque tem fases em que vou. Como esta. Não entendo direito por quê estou me divertindo, mas estou. Não entendo o propósito, mas vou. Sei lá, deve ser bom, uma coisa assim mais humana. Um dia vou entender melhor.
E falando em farra, Broo e eu já começamos a planejar o nosso housewarming. Engraçado é que antes de pensarmos na festa, pensamos nas regras dela. Tipo, proibido fumar dentro da casa, sujou-limpou, utensílios descartáveis. Enfim, mudar já dá trabalho demais para vir baderneiro e dar ainda mais trabalho. Percebam que posso estar em festa mode-on mas jamais deixo a rabugem. E ela jamais me deixa.
Junto com a gripe, os preparativos para a mudança. Tudo o que é livro, DVD e utensílios de cozinha já foram devidamente encaixotados. Ainda falta o mundo de roupas. Não sei como vou conseguir empacotar tudo. Já pedi para o Chris me emprestar uma mala, e estou contando fielmente com isso.
Broo também está toda ansiosa. Na verdade não vejo a hora de me mudar para estabelecer paz de novo aqui dentro. Morar mais perto do trabalho, economizar tempo e dinheiro, viver numa casa menos povoada. Quer dizer, esse começo vai ser esquema asilo. O Má, alguma-coisa da Broo, vai ficar lá, e trará junto mais dois amigos para passar o fim de semana. Vai ser uma bela experiência antropológica já que o apê é, apesar de lindo, deveras pequeno. Tudo é festa. E mais dois, numa altura dessa, significa maior força-tarefa na mudança. Estou feliz com a possibilidade de apenas dizer isso-vai-aqui, isso-vai-ali. Sem riscos para minha frágil coluna de nadadora.
Obviamente quando tudo passar e eu voltar a navegar em águas mansas, todosm os planos que estavam on hold voltam a funcionar, ao menos na minha cabeça perturbada. O Edu, meu técnico no Brasil, me passou um treino intensivo de cinco dias para antes do teste no clube de natação. Olha, vou dizer, não vejo a hora de entrar em forma novamente. Tá foda.
**
Sábado foi o housewarming da Joo. A Joo chegou aqui faz menos de dois meses. Ela é amiga da Rê e chegou como se chega: desamparada, ansiosa, estranha, desconfortável. Mas aprendeu rapidinho a sobreviver nisso aqui que se chama primeiro mundo. A festa foi um sucesso e eu, apesar da gripe (que obviamente piorou), me diverti como se estivesse bêbada. Quase agi como se estivesse bêbada também, mas aí é que agradeço à Nossa Senhora da Sobriedade, essa que abençoa pobres almas segundos antes de cometer a Cagada do Ano.
A verdade é que, novamente, voltei a aproveitar festas. Tenho minhas fases ostra. Não saio nem arrastada, não tenho o menor saco de me deslocar para a puta que o pariu para falar frivolidades e arranjar desculpas para não beber e perguntar coisas fúteis a pessoas que não conheço e nem quero conhecer e que não me conhecem e nem querem me conhecer. Ganho mais em casa, sem passar frio, vendo TV, lendo um livro, resolvendo algo que tem que ser resolvido, escrevendo, até cansar e dormir. Com festas e baladas não é assim. Ainda não entendo porque tem fases em que vou. Como esta. Não entendo direito por quê estou me divertindo, mas estou. Não entendo o propósito, mas vou. Sei lá, deve ser bom, uma coisa assim mais humana. Um dia vou entender melhor.
E falando em farra, Broo e eu já começamos a planejar o nosso housewarming. Engraçado é que antes de pensarmos na festa, pensamos nas regras dela. Tipo, proibido fumar dentro da casa, sujou-limpou, utensílios descartáveis. Enfim, mudar já dá trabalho demais para vir baderneiro e dar ainda mais trabalho. Percebam que posso estar em festa mode-on mas jamais deixo a rabugem. E ela jamais me deixa.
Monday, March 06, 2006
who wants to live forever?
Estah dificil de me concentrar. Ontem acordei e fiquei olhando para o ceu. As nuvens, impassiveis, passavam. Eu nao sabendo como fazer a cabeca parar. Eu e Broo achamos nossa casa, nossa casinha, pequena porem fofa, na Fulham High Street. Uma grana violenta. Tive que badernar minha conta reserva. Ah, mas foda-se. Preciso de qualquer jeito, nao preciso? Entao pronto.
A casa estah a passos de ser nossa. Ja preenchemos a papelada, ja demos referencia, ja pagamos um deposito para nos garantir. Agora comeca toda a outra parte. Tenho que pensar em etapas senao fica tudo acavalado, e esse blog, entre outras coisas, me serve de organizador de ideias selvagens e arredias.
**
Depois de amanha serah o enterro do meu tio-avo. Faltarei no trabalho para ir ao funeral, em Brighton. Ele vai ser enterrado e sobre seu tumulo sera plantada uma arvore. Coisa mais linda. Uma arvore que vai se alimentar de meu tio-avo para crescer forte. Um ciclo perfeito, da terra aa terra, do poh ao poh.
Ele vai ser enterrado no mesmo dia em que meu avo morreu no ano passado.
Mesmo nao querendo romantizar tanto para sofrer menos, nao consigo deixar de ficar assombrada e maravilhada com a estranha coincidencia.
A partir do dia 8, o mel das abelhas de Brighton serah mais doce.
**
Fim de semana bem legal. Sexta fui ao show de uma banda chamada “The Go! Team” com um amigo. Legal. Legalzinha. Para ser sincera, gostei mais da banda que abriu o show, um trio chamado “The Grates”. Mas sempre sou do contra.
Sabado foi dia de trabalhar um pouco, nadar mais um pouco, e depois ir para a casa da Broo. Assistimos a Hitchiker. Que grandecissima bosta. Nunca mais confio de olhos fechados no gosto da Broo.
Iamos numa boate (!) dancar salsa (?) mas acabei puxando o cordao do desanimo e ninguem foi no final. Pior: ficamos em casa, pusemos salsa no som e comecamos a dancar. Nada como dancar sem querer seduzir. Adorei.
E dormi por la mesmo. Acordei com o ceu azul gritando para mim. Ficamos todos preguicosos ateh meu querido australiano nos chamar para um churrasco em casa. Bem legal, bem legal. Adormeci comendo meu ultimo pecado, bolo de chocolate com sorvete de creme, antes de voltar para minha dieta emergencial, tambem chamada de cala a boca.
Chega. Preciso voltar a me concentrar. Preciso me organizar. Preciso talvez fazer listas, e listas de listas. Preciso quem sabe de ajuda, mas nao muito. O suficiente para eu entender que posso ser ajudada. Preciso de um ou outro olhar preocupado, seguido do olhar doce e sereno do eu-ja-sabia. Preciso que alguem me puxe pela mao, mesmo sem saber direito onde estah me levando. Eu, preguicosa, confortavel e alienada, prometo que nao pergunto.
A casa estah a passos de ser nossa. Ja preenchemos a papelada, ja demos referencia, ja pagamos um deposito para nos garantir. Agora comeca toda a outra parte. Tenho que pensar em etapas senao fica tudo acavalado, e esse blog, entre outras coisas, me serve de organizador de ideias selvagens e arredias.
**
Depois de amanha serah o enterro do meu tio-avo. Faltarei no trabalho para ir ao funeral, em Brighton. Ele vai ser enterrado e sobre seu tumulo sera plantada uma arvore. Coisa mais linda. Uma arvore que vai se alimentar de meu tio-avo para crescer forte. Um ciclo perfeito, da terra aa terra, do poh ao poh.
Ele vai ser enterrado no mesmo dia em que meu avo morreu no ano passado.
Mesmo nao querendo romantizar tanto para sofrer menos, nao consigo deixar de ficar assombrada e maravilhada com a estranha coincidencia.
A partir do dia 8, o mel das abelhas de Brighton serah mais doce.
**
Fim de semana bem legal. Sexta fui ao show de uma banda chamada “The Go! Team” com um amigo. Legal. Legalzinha. Para ser sincera, gostei mais da banda que abriu o show, um trio chamado “The Grates”. Mas sempre sou do contra.
Sabado foi dia de trabalhar um pouco, nadar mais um pouco, e depois ir para a casa da Broo. Assistimos a Hitchiker. Que grandecissima bosta. Nunca mais confio de olhos fechados no gosto da Broo.
Iamos numa boate (!) dancar salsa (?) mas acabei puxando o cordao do desanimo e ninguem foi no final. Pior: ficamos em casa, pusemos salsa no som e comecamos a dancar. Nada como dancar sem querer seduzir. Adorei.
E dormi por la mesmo. Acordei com o ceu azul gritando para mim. Ficamos todos preguicosos ateh meu querido australiano nos chamar para um churrasco em casa. Bem legal, bem legal. Adormeci comendo meu ultimo pecado, bolo de chocolate com sorvete de creme, antes de voltar para minha dieta emergencial, tambem chamada de cala a boca.
Chega. Preciso voltar a me concentrar. Preciso me organizar. Preciso talvez fazer listas, e listas de listas. Preciso quem sabe de ajuda, mas nao muito. O suficiente para eu entender que posso ser ajudada. Preciso de um ou outro olhar preocupado, seguido do olhar doce e sereno do eu-ja-sabia. Preciso que alguem me puxe pela mao, mesmo sem saber direito onde estah me levando. Eu, preguicosa, confortavel e alienada, prometo que nao pergunto.
Tuesday, February 28, 2006
flocos de neve II
Ha pouco menos de um ano, postei um texto intitulado “floco de neve”. Ele comecava assim: “Lendo John Fante, outro dia, me emocionei. O avo do personagem de 1933 Was a Bad Year tinha morrido e ele tinha lido em algum lugar que quando uma pessoa morre, elas se transformam em flocos de neve. Uma imagem infantil, mas bonita. Uma imagem daquelas que mae conta para filho novo quando tem que se deparar com a morte pela primeira vez e precisa entender que a pessoa foi, mas continua no ar. Uma imagem daquelas para refletir as dores e tentar sentir menos dor. Principalmente porque nesse mesmo dia estava nevando aqui em Londres. E porque meu avo ja estava dormindo um dos seus ultimos sonos vivos.”
Aqui, hoje, novamente, neva. Hoje, em especial, houve sol e neve. Um frio e uma beleza que, juntos, fazem doer tudo.
E mais uma vez tive que me emocionar ao sentir os flocos caindo e derretendo sobre meu sobretudo quente. Nao era apenas neve. Era a despedida novamente. Dessa vez, meu tio avo se despedia. Quase um ano apos seu irmao. Enrugadinho, pequeno, sabio, muito mais sabio que eu e voce e todos nos juntos. Recebeu uma visita do medico no sabado. O medico desconfiou de infeccao urinaria e quis leva-lo para o hospital para fazer uns exames. Ele disse que nao. Nao queria. Se despediu do medico e foi dormir. Nao acordou mais.
Recebi o telefonema da Elaine, uma especie de governanta que viveu decadas cuidando da familia, quando saia do cinema. Ela deixou recado e liguei de volta. Meu coracao ja acelerado. Sentei para falar com ela porque sabia da potencial queda. Mais flocos de neve sobre meus ombros cansados. Uma das maiores dores do mundo sao de saudade. Mas dessa saudade. Uma saudade que ainda nem comecou. Uma saudade previa do que sera a vida sem quem partiu. E parece que cresce. A saudade que sinto de meu avo se acumula para quase dois anos. A ultima vez que o vi, ainda morava no Brasil. Mas era saudade boa de saber que ele ainda estava la, e que havia vida para viver e historia para contar e historia para ouvir.
Alem da saudade, ficou a dor de saber que minha irma nao pode conhecer uma das pessoas mais notaveis da nossa familia. Uma pessoa que em muito lembra nosso querido avo.
Mas ja quase nao consigo mais chorar se penso que eles estao juntos agora. Os dois irmaos, com historias tao diferentes. Historias que comecaram quase juntas e agora acabaram quase juntas. Eles foram para diferentes cantos, separados por uma Guerra nojenta, mas fizeram e viveram suas vidas, tiveram a delicadeza de trocar cartoes de aniversario ano apos ano.
Eles nao sabiam o quanto sao parecidos. Agora talvez saibam. E isso estranhamente me faz torcer para que quando eu va, tambem seja assim. Enquanto choramos aqui pelo desencontro, eles comemoram, la, o reencontro.
Aqui, hoje, novamente, neva. Hoje, em especial, houve sol e neve. Um frio e uma beleza que, juntos, fazem doer tudo.
E mais uma vez tive que me emocionar ao sentir os flocos caindo e derretendo sobre meu sobretudo quente. Nao era apenas neve. Era a despedida novamente. Dessa vez, meu tio avo se despedia. Quase um ano apos seu irmao. Enrugadinho, pequeno, sabio, muito mais sabio que eu e voce e todos nos juntos. Recebeu uma visita do medico no sabado. O medico desconfiou de infeccao urinaria e quis leva-lo para o hospital para fazer uns exames. Ele disse que nao. Nao queria. Se despediu do medico e foi dormir. Nao acordou mais.
Recebi o telefonema da Elaine, uma especie de governanta que viveu decadas cuidando da familia, quando saia do cinema. Ela deixou recado e liguei de volta. Meu coracao ja acelerado. Sentei para falar com ela porque sabia da potencial queda. Mais flocos de neve sobre meus ombros cansados. Uma das maiores dores do mundo sao de saudade. Mas dessa saudade. Uma saudade que ainda nem comecou. Uma saudade previa do que sera a vida sem quem partiu. E parece que cresce. A saudade que sinto de meu avo se acumula para quase dois anos. A ultima vez que o vi, ainda morava no Brasil. Mas era saudade boa de saber que ele ainda estava la, e que havia vida para viver e historia para contar e historia para ouvir.
Alem da saudade, ficou a dor de saber que minha irma nao pode conhecer uma das pessoas mais notaveis da nossa familia. Uma pessoa que em muito lembra nosso querido avo.
Mas ja quase nao consigo mais chorar se penso que eles estao juntos agora. Os dois irmaos, com historias tao diferentes. Historias que comecaram quase juntas e agora acabaram quase juntas. Eles foram para diferentes cantos, separados por uma Guerra nojenta, mas fizeram e viveram suas vidas, tiveram a delicadeza de trocar cartoes de aniversario ano apos ano.
Eles nao sabiam o quanto sao parecidos. Agora talvez saibam. E isso estranhamente me faz torcer para que quando eu va, tambem seja assim. Enquanto choramos aqui pelo desencontro, eles comemoram, la, o reencontro.
Thursday, February 23, 2006
cai a tarde
Enquanto todos ao sul do Equador derretem em pre-carnaval, aqui neva. Nevou o dia todo. Vai nevar de noite. Ha algo de errado com o aquecedor la de casa e eu nao sei como consertar.
Aqui neva, no Brasil frita. Porque esse contraste, depois de um ano e sete meses, ainda me deixa tonta?
Estao todos ai em ritmo de Carnaval, eu sei. Os jornais ja dao as noticias do transito e do quao estupido eh deixar para “descer” na hora que todo mundo “desce”.
Na Folha de hoje, um Cony bastante bairrista me mata de inveja: “o carioca está vivendo sua ‘finest hour’, meio avacalhada, mas gostosamente sua, intransferível”. A deliciosa avacalhacao carioca. Por que tudo o que eh avacalhado seduz? Talvez porque nada eh levado a serio. Nem quem eh seduzido.
Mas eu nao vou morrer de inveja porque nunca fui de Carnaval. Amanha, por sinal, irei a uma festa anti-carnaval na Toca dos Mongos, carinhosa alcunha para a casa do Ernesto & Cia Ltda. Se estivesse no Brasil, provavelmente me enfiaria num cinema com ar-condicionado por quarto dias.
Alem disso, a Pascoa ja estah chegando. Ou nao. Mas como eh meu proximo breque na vida, ja tenho que ir me envolvendo. Vamos eu, Broo, Mr Australia, Mr Suecia e um amigo de Mr Australia que chamaremos de Kangoroo. E talvez mais uma pessoinha linda, neam, pessoinha linda? Para onde? Para ca.
Aqui neva, no Brasil frita. Porque esse contraste, depois de um ano e sete meses, ainda me deixa tonta?
Estao todos ai em ritmo de Carnaval, eu sei. Os jornais ja dao as noticias do transito e do quao estupido eh deixar para “descer” na hora que todo mundo “desce”.
Na Folha de hoje, um Cony bastante bairrista me mata de inveja: “o carioca está vivendo sua ‘finest hour’, meio avacalhada, mas gostosamente sua, intransferível”. A deliciosa avacalhacao carioca. Por que tudo o que eh avacalhado seduz? Talvez porque nada eh levado a serio. Nem quem eh seduzido.
Mas eu nao vou morrer de inveja porque nunca fui de Carnaval. Amanha, por sinal, irei a uma festa anti-carnaval na Toca dos Mongos, carinhosa alcunha para a casa do Ernesto & Cia Ltda. Se estivesse no Brasil, provavelmente me enfiaria num cinema com ar-condicionado por quarto dias.
Alem disso, a Pascoa ja estah chegando. Ou nao. Mas como eh meu proximo breque na vida, ja tenho que ir me envolvendo. Vamos eu, Broo, Mr Australia, Mr Suecia e um amigo de Mr Australia que chamaremos de Kangoroo. E talvez mais uma pessoinha linda, neam, pessoinha linda? Para onde? Para ca.
Wednesday, February 22, 2006
Wandsworth Swimming Club
Acabo de conversar com meu talvez futuro tecnico de natacao, Tony. Ele ja foi pro Brasil nadar, amou, disse que ha um ponto exato no meio do oceano em Copacabana que pode-se tranquilamente chamar de o lugar mais lindo do mundo. Tony precisa conhecer mais praias brasileiras.
Ele perguntou meu tempo nos 400m. Eu disse qual foi me recorde, disse que nao estou nadando como nadava, nem perto disso. Mas ele disse “not bad”. Disse que nao eh facil entrar no clube. Que preciso provar que sou realmente boa. Que ha outros maratonistas. Que ha campeoes de titulos internacionais e europeus. Que alguns ja atravessaram o Canal da Mancha. Que a primeira mulher a atravessar o canal e voltar foi treinada por ele. Mas que acha que vou me enquadrar. Sera que nao vai ser patetico? Serah que nao vou la bater perninha de crianca em meio aos tubaroes? Vou treinar, treinar, treinar essa semana, ateh chegar a semana que vem, quando vou la na St Paul’s School, perto de Hammersmith, para ser testada.
Ele disse que o grupo treina seis vezes por semana, mais ou menos uma hora e meia. Para mim, nada de novo.
Mas estou nervosa como crianca em primeiro dia de nova escola. Sera que vao gostar de mim? Sera que sou boa o bastante? Sera que minha vida vai mudar completamente? Sera que nao?
Voces que ja me viram nadando e/ou competindo, da para me mandar um email reforcando o quao boa e capaz sou? Estou esperando. Obrigada.
Ai, que medo. Medo bom.
Ele perguntou meu tempo nos 400m. Eu disse qual foi me recorde, disse que nao estou nadando como nadava, nem perto disso. Mas ele disse “not bad”. Disse que nao eh facil entrar no clube. Que preciso provar que sou realmente boa. Que ha outros maratonistas. Que ha campeoes de titulos internacionais e europeus. Que alguns ja atravessaram o Canal da Mancha. Que a primeira mulher a atravessar o canal e voltar foi treinada por ele. Mas que acha que vou me enquadrar. Sera que nao vai ser patetico? Serah que nao vou la bater perninha de crianca em meio aos tubaroes? Vou treinar, treinar, treinar essa semana, ateh chegar a semana que vem, quando vou la na St Paul’s School, perto de Hammersmith, para ser testada.
Ele disse que o grupo treina seis vezes por semana, mais ou menos uma hora e meia. Para mim, nada de novo.
Mas estou nervosa como crianca em primeiro dia de nova escola. Sera que vao gostar de mim? Sera que sou boa o bastante? Sera que minha vida vai mudar completamente? Sera que nao?
Voces que ja me viram nadando e/ou competindo, da para me mandar um email reforcando o quao boa e capaz sou? Estou esperando. Obrigada.
Ai, que medo. Medo bom.
Monday, February 20, 2006
boys in the hood
E mais frio e mais cinza, mas ontem nao foi um dia tao ruim. Ontem foi legal, ouso dizer. Ontem foi dia de trabalho. Mas trabalho misturado a flerte nunca eh a mesma coisa que soh trabalho. Deixa de ser trabalho e vira algo entre ele e diversao.
Ontem foi dia de ficar na piscina e depois fazer massagem e depois voltar para a piscina, e depois jogar futebol com aquelas bolonas de fitness e depois ficar na piscina e depois ficar perto, fazendo alguma coisa, qualquer coisa, desde que fosse perto.
Eu quase, quaaaase o chamei para ir ao cinema comigo e Broo. Mas, sei la o que me deu, nao falei nada. Ele disse “vou para casa, nao sei”. O “nao sei” obviamente era minha deixa. Ele tava quase implorando. O “nao sei” era algo como “me tira do marasmo, filha”. Mas eu nao tirei. “ok, then, have a good one”. E fui. E burra, burra, burra. Porque nao o chamei para ir junto? Nao me entendo. Mas vai ver eh bom. Ainda vou encontra-lo pela academia. Trabalhando ou nadando.
Nao eh nada especial. Eh apenas aquela temperada que faz o peixe virar peixada. Apenas as curves que preciso num domingo reto de trabalho.
**
E agora, agorinha, recebo um email do Manager (lembram?) que fez meu coracao pular como um passaro selvagem enjaulado (ou eh apenas desejo de que as coisas tenham de fato mais emocao?):
Good to hear from you. I take it that Brazil was the same old hot weather and naked women???? Now you work and are looking to move away I do not expect to see you in my building ever again!! Take care babes. xx
E eu quis responder na hora mas me segurei. De novo. Eu quis responder que claro que ele vai me ver e claro que eu me cuido, e claro que tudo o que ele quiser. Foi lindo pensar nele falando essas palavras. Ele que mexeu um pouco no lado bom raquitico que houve em 2005. Faz uns tres meses que nao o vejo. Soh agora, com esse email, percebi que sinto saudades.
Ontem foi dia de ficar na piscina e depois fazer massagem e depois voltar para a piscina, e depois jogar futebol com aquelas bolonas de fitness e depois ficar na piscina e depois ficar perto, fazendo alguma coisa, qualquer coisa, desde que fosse perto.
Eu quase, quaaaase o chamei para ir ao cinema comigo e Broo. Mas, sei la o que me deu, nao falei nada. Ele disse “vou para casa, nao sei”. O “nao sei” obviamente era minha deixa. Ele tava quase implorando. O “nao sei” era algo como “me tira do marasmo, filha”. Mas eu nao tirei. “ok, then, have a good one”. E fui. E burra, burra, burra. Porque nao o chamei para ir junto? Nao me entendo. Mas vai ver eh bom. Ainda vou encontra-lo pela academia. Trabalhando ou nadando.
Nao eh nada especial. Eh apenas aquela temperada que faz o peixe virar peixada. Apenas as curves que preciso num domingo reto de trabalho.
**
E agora, agorinha, recebo um email do Manager (lembram?) que fez meu coracao pular como um passaro selvagem enjaulado (ou eh apenas desejo de que as coisas tenham de fato mais emocao?):
Good to hear from you. I take it that Brazil was the same old hot weather and naked women???? Now you work and are looking to move away I do not expect to see you in my building ever again!! Take care babes. xx
E eu quis responder na hora mas me segurei. De novo. Eu quis responder que claro que ele vai me ver e claro que eu me cuido, e claro que tudo o que ele quiser. Foi lindo pensar nele falando essas palavras. Ele que mexeu um pouco no lado bom raquitico que houve em 2005. Faz uns tres meses que nao o vejo. Soh agora, com esse email, percebi que sinto saudades.
Sunday, February 19, 2006
companhia
Tudo cinza, tudo frio. Ontem só saí de casa para fazer supermercado. Qualquer um concordaria comigo que era dia de ficar em casa e chorar. Não chorei pela minha vida, mas pela de outros. Assisti a dois filmes absurdos. Um, uma ótima surpresa, “In Ameerica”, sobre uma família de irlandeses que resolve morar nos EUA e viver o “sonho”. O outro, eu já sabia o que me esperava, mas não imaginava que me emocionaria tanto assim ainda, já que é a quarta vez que assisto a “Ponette”. Eu economizei, até dei preferência a assistir com companhia, mas não tinha ninguém para ver comigo e eu não sabia quando novamente teria a TV para mim o fim de semana todo, já que Mr Australia está na França e Mr Suécia na Suécia e Miss Alemanha não parou em casa.
Eu adorei, para ser sincera. É sempre uma batalha conseguir a TV para mim por duas horas para ver um filme.
Eu chorei até esgotar o estoque. “Ponette” tem o dom de me tirar de órbita. É que a menina trabalha tão, mas tão bem, que não tem como não achar que ela realmente sentiu tudo o que parecia sentir seu personagem. E eu entrei de cabeça no filme como nas três vezes anteriores. E chorei e chorei e o filme acabou e continuei chorando e precisei tomar banho à meia-noite senão não parava de chorar.
Recomendo muito, sempre, mas sempre acompanhado. De preferência por alguém aconchegante ou, ao menos, por um dia de verão.
**
A casa veio e foi. As coisas são assim aqui. Broo e eu achamos a casa que estávamos procurando, mas a nossa ex-futura landlady não aceitou baixar o preço do aluguel um tequinho, para aparar as pontas. A vaca não arredou o pé.
Era a casa que queríamos, em Fulham, uma das regiões top top top, dois quartos de bom tamanho, tudo legal, tudo certo. A vaca não arredou o pé.
Foda-se. Desejo à senhora vaca um futuro de inquilinos fumantes, festeiros, bebedores e dotados de veias artísticas.
**
Estou indo na Cannons logo mais, fazer meu shift de 6 horas para poder continuar usando a academia. Se eu for aceita no clube de natação, acabar-se-ão, se deus for pai, esses shifts de fim de semana.
Eu adorei, para ser sincera. É sempre uma batalha conseguir a TV para mim por duas horas para ver um filme.
Eu chorei até esgotar o estoque. “Ponette” tem o dom de me tirar de órbita. É que a menina trabalha tão, mas tão bem, que não tem como não achar que ela realmente sentiu tudo o que parecia sentir seu personagem. E eu entrei de cabeça no filme como nas três vezes anteriores. E chorei e chorei e o filme acabou e continuei chorando e precisei tomar banho à meia-noite senão não parava de chorar.
Recomendo muito, sempre, mas sempre acompanhado. De preferência por alguém aconchegante ou, ao menos, por um dia de verão.
**
A casa veio e foi. As coisas são assim aqui. Broo e eu achamos a casa que estávamos procurando, mas a nossa ex-futura landlady não aceitou baixar o preço do aluguel um tequinho, para aparar as pontas. A vaca não arredou o pé.
Era a casa que queríamos, em Fulham, uma das regiões top top top, dois quartos de bom tamanho, tudo legal, tudo certo. A vaca não arredou o pé.
Foda-se. Desejo à senhora vaca um futuro de inquilinos fumantes, festeiros, bebedores e dotados de veias artísticas.
**
Estou indo na Cannons logo mais, fazer meu shift de 6 horas para poder continuar usando a academia. Se eu for aceita no clube de natação, acabar-se-ão, se deus for pai, esses shifts de fim de semana.
Thursday, February 16, 2006
verao aqui dentro
Estou febril. Nao sei se eh febre ou outra coisa, mas estou febril. Olhos pesados, corpo cansado. Uma enxaqueca vinha no caminho quando a brequei com uma dose letal de Goody’s, que nem sempre eh letal. Mas nesse caso ajudou.
Mas febre nao eh. Talvez um pouco de tontura: computador demais. Ontem fomos ver tres casas em Wimbledon, uma delas um escandalo de linda. Ta, ok, um escandalo de linda perto do que a gente ja viu.
Mas eu pegava facil.
Hoje vamos ver mais uma, agora em Fulham, outra regiao favorita. Mais tarde duas garotas vem ver a minha casa e o meu quarto e os meus flatmates. Tenho a desconfianca leve de que ficarei com ciumes.
Mas estou febril e aqui ja sao cinco e tenho que ir para chegar na imobiliaria a tempo. E estou esperando terminar no eBay o leilao para o DVD de “Ponette”, que nao existe na verdade, nao com legendas em ingles pelo menos. Em uma hora acaba o leilao. Em uma hora serei mais feliz.
Mas febre nao eh. Talvez um pouco de tontura: computador demais. Ontem fomos ver tres casas em Wimbledon, uma delas um escandalo de linda. Ta, ok, um escandalo de linda perto do que a gente ja viu.
Mas eu pegava facil.
Hoje vamos ver mais uma, agora em Fulham, outra regiao favorita. Mais tarde duas garotas vem ver a minha casa e o meu quarto e os meus flatmates. Tenho a desconfianca leve de que ficarei com ciumes.
Mas estou febril e aqui ja sao cinco e tenho que ir para chegar na imobiliaria a tempo. E estou esperando terminar no eBay o leilao para o DVD de “Ponette”, que nao existe na verdade, nao com legendas em ingles pelo menos. Em uma hora acaba o leilao. Em uma hora serei mais feliz.
Wednesday, February 15, 2006
run if you wanna go faster
Nao estou mais aguentando de tediooooooo. Nao eh possivel que as pessoas levem dias fazendo o que faco em horas! Preciso de mais trabalho. Preciso de mais. Acabei de mandar um email pro meu chefe dizendo que estava bundando. Sim, bundando. Navegando a esmo pela web. Montando bonequinhas num site que minha irma me indicou, bonequinha que eh. Pensando na Pascoa e na casa nova e na minha ida ao Brasil no final do ano – sim, ja penso nisso. Pensando que minha amiga do trabalho anda um peh no saco, ou melhor, um chiclete no meu sapato.
Pensando em tudo menos no trabalho, porque realmente NAO TEM EM QUE PENSAR. Tudo o que eu podia fazer, ja fiz. Todo mundo de que eu tinha que cobrar ja cobrei. Tudo mesmo. Nao sobrou nada. Nem aquilo que tendo a varrer para baixo do tapete e fingir que nao existe. Ateh isso eu resolvi realmente varrer.
Mas enfim. Estou ganhando dinheiro e eles parecem felizes comigo. Mas nao entendo, nao entendo.
Acabo de receber um “fair enough” de resposta do meu chefe. Como se, ao pedir para ele me passer tarefas, eu estivesse pedindo um favor e ele concordando que eh um favor contundente. Entendo menos ainda.
**
Acabo de mandar um email para um clube de natacao que estah aceitando Masters (deus do ceu, ja sou Master!). Fica na regiao proxima de onde em breve morarei. Vamos ver se eles me aceitam. O esquema eh parecido com o que eu tinha quando treinava no Brasil. Mais ou menos 90 minutos de treino todos os dias da semana + domingao. Vou reclamar o tempo todo, vou reclamar adorando.
**
Quero parabenizar uma pessoa muito especial, muito mesmo. Nao apenas porque eh minha irma, mas porque ela teve o dom de infectar seu computador com virus meros tres dias apos adquiri-lo. Nao fosse assim, nao seria minha Piu.
Tambem quero parabenizar essa mesma pessoa especial que confundiu Sardenha com Bolonha. Pessoa especial, assim eu acabo dissolvendo de fofura!
Pensando em tudo menos no trabalho, porque realmente NAO TEM EM QUE PENSAR. Tudo o que eu podia fazer, ja fiz. Todo mundo de que eu tinha que cobrar ja cobrei. Tudo mesmo. Nao sobrou nada. Nem aquilo que tendo a varrer para baixo do tapete e fingir que nao existe. Ateh isso eu resolvi realmente varrer.
Mas enfim. Estou ganhando dinheiro e eles parecem felizes comigo. Mas nao entendo, nao entendo.
Acabo de receber um “fair enough” de resposta do meu chefe. Como se, ao pedir para ele me passer tarefas, eu estivesse pedindo um favor e ele concordando que eh um favor contundente. Entendo menos ainda.
**
Acabo de mandar um email para um clube de natacao que estah aceitando Masters (deus do ceu, ja sou Master!). Fica na regiao proxima de onde em breve morarei. Vamos ver se eles me aceitam. O esquema eh parecido com o que eu tinha quando treinava no Brasil. Mais ou menos 90 minutos de treino todos os dias da semana + domingao. Vou reclamar o tempo todo, vou reclamar adorando.
**
Quero parabenizar uma pessoa muito especial, muito mesmo. Nao apenas porque eh minha irma, mas porque ela teve o dom de infectar seu computador com virus meros tres dias apos adquiri-lo. Nao fosse assim, nao seria minha Piu.
Tambem quero parabenizar essa mesma pessoa especial que confundiu Sardenha com Bolonha. Pessoa especial, assim eu acabo dissolvendo de fofura!
Tuesday, February 14, 2006
engulamos Clarice
Mergulhei novamente no mundo de Clarice, uma viagem sem volta. Cada vez mais profunda, cada vez mais longe. Ela sou eu, eu sou ela, ela eh todos nos, neh? Ela eh a dona do mundo. Ela mesma disse isso e ela mesma estah certa.
**
Pascoa bookada. Vamos em oito para nada menos que Sardenha. Saimos na quinta e voltamos na terca. Alugamos uma casa de frente para o mar. Para me ajudar a morrer um pouco e ressuscitar a cada respirada. Possivelmente alugamos um carro tambem. Possivelmente faremos um mergulho em algum ponto remoto e eu vou chorar mas com mascara tudo bem, ninguem ve, mas sei que vou chorar de emocao e de vontade de nao voltar aa tona.
Sempre acontece isso comigo no mar.
Depois passa, e fico ateh feliz de ter voltado ao mundo.
**
A busca por uma casa continua. Renata pulou fora, entao somos eu e Broo novamente, casa de dois quartos, mais caro, mais contas. Estamos considerando Wimbledon. Sou suspeita. Amo.
**
Hoje eh Valentine’s Day aqui e eh aquele alvoroco igual ao 12 de junho do Brasil. Eh muito engracado e mundano. E eu sou muito engracada e mundana tambem.
**
Fomos assistir a Brokeback Mountain no sabado (nao sei qual o titulo em portuga). Lindo, lindo. Lindo demais. Ainda mais com o Jake. Aiai. De volta aos meus 13 anos. Amo-o como amava os “meninos do volei”. Amo-o como amava Patrick Swayze em Dirty Dancing. Assistiria a seu pior filme e ainda assim amaria. Brokeback Mountain tem a vantagem de, alem dele, ser um otimo filme. Gastem uns tostoes a mais e assistam em tela grande.
**
Estou tendo rompantes de brilhantismo. Tudo culpa da Clarice. E da binha bae, que me deu a Clarice. Se meu livro sair antes do prazo, culpem-nas.
**
Pascoa bookada. Vamos em oito para nada menos que Sardenha. Saimos na quinta e voltamos na terca. Alugamos uma casa de frente para o mar. Para me ajudar a morrer um pouco e ressuscitar a cada respirada. Possivelmente alugamos um carro tambem. Possivelmente faremos um mergulho em algum ponto remoto e eu vou chorar mas com mascara tudo bem, ninguem ve, mas sei que vou chorar de emocao e de vontade de nao voltar aa tona.
Sempre acontece isso comigo no mar.
Depois passa, e fico ateh feliz de ter voltado ao mundo.
**
A busca por uma casa continua. Renata pulou fora, entao somos eu e Broo novamente, casa de dois quartos, mais caro, mais contas. Estamos considerando Wimbledon. Sou suspeita. Amo.
**
Hoje eh Valentine’s Day aqui e eh aquele alvoroco igual ao 12 de junho do Brasil. Eh muito engracado e mundano. E eu sou muito engracada e mundana tambem.
**
Fomos assistir a Brokeback Mountain no sabado (nao sei qual o titulo em portuga). Lindo, lindo. Lindo demais. Ainda mais com o Jake. Aiai. De volta aos meus 13 anos. Amo-o como amava os “meninos do volei”. Amo-o como amava Patrick Swayze em Dirty Dancing. Assistiria a seu pior filme e ainda assim amaria. Brokeback Mountain tem a vantagem de, alem dele, ser um otimo filme. Gastem uns tostoes a mais e assistam em tela grande.
**
Estou tendo rompantes de brilhantismo. Tudo culpa da Clarice. E da binha bae, que me deu a Clarice. Se meu livro sair antes do prazo, culpem-nas.
Wednesday, February 08, 2006
refazenda
Aproveitando os ultimos minutos do meu lunch break para atualizacoes.
* Talvez, mas soh talvez, aconteca algo muito bom. E vou deixar assim. Soh falo quando acontecer.
* Ontem fui nadar na St George’s. Fiquei com saudade dos meus tempos de pindaiba. Mas estou tao melhor longe de la… Depois que deixamos um emprego somos capazes de medir muito melhor quao exploratorio ele foi.
* Falei. Finalmente falei. Desentalou. Falei para o pessoal que devo em breve sair da casa. Agora eh soh uma questao de avisar oficialmente. E, depois, comecar tudo de novo: procura casa, vai atras de corrector, procura alguem para ficar no meu lugar na outra casa, visita, nao gosta, visita, gosta mas nao pega. Ja tenho que entrar no clima.
* Fim de semana muito bom. Sabado trabalhei na Cannons, depois fui no cinema com Broo, Re, amigos e meus flatmates. Assistimos a Walk the Line, o filme de Johnny Cash. Olha, eu nem sabia quem era Johnny Cash. Juro. Mas sai do cinema ja pensando em que musicas baixar. A-do-rei. Nem sei se eh fidedigno ou nao. Eh uma biografia, tipo Ray, mas eu vi tudo como historinha porque nao conhecia o cara. E soh de ver o Joaquin Phoenix atuando ja valendo.
* Domingo fui pra Windsor com Broo. Uma vilazinha toda bonequinha, cheia de historia. Casas tortas, ruas de pedra e, claro, um castelo espetacular. Ficamos umas 3 horas la dentro e parecia que eu tinha voltado no tempo, que realmente estava vivendo dentro daquela realidade. Recomendo.
* Estou querendo muito mesmo que o que eu quero que de certo, de.
* Continuo uma pilha de ansiedade. Subi de novo o remedio. Em breve devo aquietar, senao sou capaz de explodir com um peido.
* Talvez, mas soh talvez, aconteca algo muito bom. E vou deixar assim. Soh falo quando acontecer.
* Ontem fui nadar na St George’s. Fiquei com saudade dos meus tempos de pindaiba. Mas estou tao melhor longe de la… Depois que deixamos um emprego somos capazes de medir muito melhor quao exploratorio ele foi.
* Falei. Finalmente falei. Desentalou. Falei para o pessoal que devo em breve sair da casa. Agora eh soh uma questao de avisar oficialmente. E, depois, comecar tudo de novo: procura casa, vai atras de corrector, procura alguem para ficar no meu lugar na outra casa, visita, nao gosta, visita, gosta mas nao pega. Ja tenho que entrar no clima.
* Fim de semana muito bom. Sabado trabalhei na Cannons, depois fui no cinema com Broo, Re, amigos e meus flatmates. Assistimos a Walk the Line, o filme de Johnny Cash. Olha, eu nem sabia quem era Johnny Cash. Juro. Mas sai do cinema ja pensando em que musicas baixar. A-do-rei. Nem sei se eh fidedigno ou nao. Eh uma biografia, tipo Ray, mas eu vi tudo como historinha porque nao conhecia o cara. E soh de ver o Joaquin Phoenix atuando ja valendo.
* Domingo fui pra Windsor com Broo. Uma vilazinha toda bonequinha, cheia de historia. Casas tortas, ruas de pedra e, claro, um castelo espetacular. Ficamos umas 3 horas la dentro e parecia que eu tinha voltado no tempo, que realmente estava vivendo dentro daquela realidade. Recomendo.
* Estou querendo muito mesmo que o que eu quero que de certo, de.
* Continuo uma pilha de ansiedade. Subi de novo o remedio. Em breve devo aquietar, senao sou capaz de explodir com um peido.
Friday, February 03, 2006
extremamente tudo
Eu sou idiota ou o que? Estava relendo emails que mandei desde que cheguei aqui em Londres. Sou idiota ou o que? Deus, como mudei. Como fui anta. Como engolia os mais gordos e nojentos dos sapos. Mas no comeco, no comeco foi quando fui mais feliz. Quem eh que inventa o que eh idiota e o que nao eh? Fui a mais idiota das idiotas nas mais felizes ocasioes. E talvez a propria idiotice tenha ajudado.
Por que teimamos em nao sermos idiotas? Qual o problema em nao ver se nao ver te faz mais feliz? Por que queremos ver tudo se uma hora vamos morrer e tudo o que vimos nao vai mais significar nada?
Meus momentos mais doces sao aqueles em que fui idiota. Hoje olho para traz quase com tristeza. Eh engracado isso. A gente sente tristeza quando pensa num tempo em que eramos felizes. Por que nao apenas ser feliz aqui e agora? Por que a lembranca de algo bom eh sempre triste? Serah porque esse algo soh existe em forma de lembranca? Serah porque eh um tempo irrecuperavel? Serah que eh porque perdemos a capacidade de ser feliz como antes? Ou serah que nos decepcionamos com nossa idiotice?
Eu me decepciono com minhas idiotices. Acho que eh por isso que ja comecei a escrever meia duzia de livros e nunca terminei. Sempre passa o tempo, um tempo suficiente para eu idiotizar o passado e tudo o que fui um dia, tudo o que vivi, tudo o que escrevi. Tudo que era profundo fica mais raso que um pires.
**
Essa madrugada aconteceu. De novo.
**
Ontem joguei na loteria. De novo.
**
Hoje vou encontrar o Michael. Michael eh o velhinho irlandes que conheci no onibus em Dublin. Michael me ligou exatamente quando eu estava deitada, de olhos fechados, pedindo que meu falecido avo me mandasse forcas para enfrentar mais uma noite, mais um dia, mais uma semana. Michael foi o mensageiro. Depois que ele ligou, eu consegui dormir. Eu entendi a mensagem.
Por que teimamos em nao sermos idiotas? Qual o problema em nao ver se nao ver te faz mais feliz? Por que queremos ver tudo se uma hora vamos morrer e tudo o que vimos nao vai mais significar nada?
Meus momentos mais doces sao aqueles em que fui idiota. Hoje olho para traz quase com tristeza. Eh engracado isso. A gente sente tristeza quando pensa num tempo em que eramos felizes. Por que nao apenas ser feliz aqui e agora? Por que a lembranca de algo bom eh sempre triste? Serah porque esse algo soh existe em forma de lembranca? Serah porque eh um tempo irrecuperavel? Serah que eh porque perdemos a capacidade de ser feliz como antes? Ou serah que nos decepcionamos com nossa idiotice?
Eu me decepciono com minhas idiotices. Acho que eh por isso que ja comecei a escrever meia duzia de livros e nunca terminei. Sempre passa o tempo, um tempo suficiente para eu idiotizar o passado e tudo o que fui um dia, tudo o que vivi, tudo o que escrevi. Tudo que era profundo fica mais raso que um pires.
**
Essa madrugada aconteceu. De novo.
**
Ontem joguei na loteria. De novo.
**
Hoje vou encontrar o Michael. Michael eh o velhinho irlandes que conheci no onibus em Dublin. Michael me ligou exatamente quando eu estava deitada, de olhos fechados, pedindo que meu falecido avo me mandasse forcas para enfrentar mais uma noite, mais um dia, mais uma semana. Michael foi o mensageiro. Depois que ele ligou, eu consegui dormir. Eu entendi a mensagem.
Thursday, February 02, 2006
mais uma vez, o horror
A gente acha que vai comecar a esquentar, mas ainda esfria, esfria, esfria. A gente acha que estah tudo bem, mas nao estah, nao estah, nao estah. Ontem tive um quase-ataque de panico no trem de volta do trabalho. Estava falando no cellular com a Broo. “Broo, nao to bem. Panico. Eh, agora. Como? Olha, nao to conseguindo falar. Preciso desligar. Sim, me cuido. Ta, podexa. Vou esperar. Beijos”. Fui o resto da viagem suando frio, coracao aceleradissimo, respiracao com o controle de um cavalo selvagem. A sensacao de que todos aqueles ingleses me olhavam espantados, o que obviamente nao aconteceu. A sensacao de que quando o trem chegasse em Waterloo eu nao iria conseguir levantar do meu assento e que teria de ir de volta ateh Kingston. A sensacao de que minhas pernas dobrariam se eu tentasse ficar em pe.
O trem chegou, eu sai. Comprei um cookie porque achei que poderia ser fraqueza. Tenho comido pouco. Ateh melhorei depois do cookie, mas o bolo na garganta nao estava tao saboroso. Cheguei em casa, comi um negocinho e fui dormir. Oito da noite fui dormir. Na verdade fui ler. Nao parei ateh terminar o livro, The Secret History, uma delicia de thriller. Isso era la pelas dez e meia jah. Com a ajuda do Nosso Senhor do Rivotril, dormi. Acordei mais leve, mais calma, mais serena mesmo. Fiquei menos irritada com as Pessoas Que Empurram, uma classe especialmente desprezivel de seres humanos. Nao corri sem precisar correr. Nao li o Metro News, mas meu novo livro, The Reader, do Bernhard Schlink, que meu tio John me deu de Natal.
Cheguei no trabalho e nao pirei nos deadlines, porque aqui ninguem pira. Deadline eh algo meramente hipotetico, quase inalcancavel. Tenho que parar com essa mania de fazer tudo direito. Se todo mundo fizesse tudo direito tambem, o mundo nao estaria uma zona.
**
Fui na cadimia essa semana. Resolvi dar as caras e bracadas. Logicamente, para tanto, terei que continuar trabalhando de salva-vidas la, now and then. Nesse sabado, por exemplo, vou trabalhar das 12.30 as 18.30. E soh. Pretendo voltar aos meus exercicios. Nao foi promessa de ano novo nem nada. Sempre pratiquei esportes e nesse caso nao preciso fazer promessas para depois dizer que eh impossivel cumpri-las.
**
Se tudo der certo, se nao estiver tao frio, tao cinza, tao fodido, domingo eu e Broo vamos a Windsor para conhecer o castelo. Sempre quis.
**
A busca pela casa perfeita ainda nao comecou. Semana que vem devo anunciar minha saida aos queridos flatmates. Liberdade = poder de escolha = perda de algo. Por que queremos ser tao livres eu sempre me perguntei.
**
Desencanei de catar os farelos de mim. Acho que o vento vai se encarregar de levar tudo para o lugar certo. Enquanto isso, pego um cinema, saio para jantar, vou trabalhar. Tudo que me tire de orbita sem me meter num zenite.
O trem chegou, eu sai. Comprei um cookie porque achei que poderia ser fraqueza. Tenho comido pouco. Ateh melhorei depois do cookie, mas o bolo na garganta nao estava tao saboroso. Cheguei em casa, comi um negocinho e fui dormir. Oito da noite fui dormir. Na verdade fui ler. Nao parei ateh terminar o livro, The Secret History, uma delicia de thriller. Isso era la pelas dez e meia jah. Com a ajuda do Nosso Senhor do Rivotril, dormi. Acordei mais leve, mais calma, mais serena mesmo. Fiquei menos irritada com as Pessoas Que Empurram, uma classe especialmente desprezivel de seres humanos. Nao corri sem precisar correr. Nao li o Metro News, mas meu novo livro, The Reader, do Bernhard Schlink, que meu tio John me deu de Natal.
Cheguei no trabalho e nao pirei nos deadlines, porque aqui ninguem pira. Deadline eh algo meramente hipotetico, quase inalcancavel. Tenho que parar com essa mania de fazer tudo direito. Se todo mundo fizesse tudo direito tambem, o mundo nao estaria uma zona.
**
Fui na cadimia essa semana. Resolvi dar as caras e bracadas. Logicamente, para tanto, terei que continuar trabalhando de salva-vidas la, now and then. Nesse sabado, por exemplo, vou trabalhar das 12.30 as 18.30. E soh. Pretendo voltar aos meus exercicios. Nao foi promessa de ano novo nem nada. Sempre pratiquei esportes e nesse caso nao preciso fazer promessas para depois dizer que eh impossivel cumpri-las.
**
Se tudo der certo, se nao estiver tao frio, tao cinza, tao fodido, domingo eu e Broo vamos a Windsor para conhecer o castelo. Sempre quis.
**
A busca pela casa perfeita ainda nao comecou. Semana que vem devo anunciar minha saida aos queridos flatmates. Liberdade = poder de escolha = perda de algo. Por que queremos ser tao livres eu sempre me perguntei.
**
Desencanei de catar os farelos de mim. Acho que o vento vai se encarregar de levar tudo para o lugar certo. Enquanto isso, pego um cinema, saio para jantar, vou trabalhar. Tudo que me tire de orbita sem me meter num zenite.
Subscribe to:
Posts (Atom)
