Saturday, August 27, 2005

worried eyes

Ainda sem internet em casa - desgraca. Estou tao cheia de palavras, mas nao tenho como da-las a voces agora. Estou escrevendo, sempre. Mas para mim. Ou para voces no futuro. Meus livrinhos. Em breve um terceiro comecarah a tomar forma. O esboco ja estah feito. A historia eh otima e besta ao mesmo tempo. Mas como sempre, boa literatura nao eh uma boa historia. Eh uma historia qualquer escrita com maestria. Os melhores livros que li nao tinham enredos inesqueciveis, mas estilos inesqueciveis.

Bom, nao vou comecar a filosofar porque soh tenho mais meia hora nesse cybercafe meio pulguento no Soho (pelo menos eh £1 a hora). Aas news:

* Finalmente fui a uma fisioterapia. Levei bronca por ter demorado tanto. Meu pescoco estah crunchy e meu tornozelo inchado. Sou toda elastica, tenho as malditas double joints que, por um lado, me permitem acrobacias e manobras deveras apreciaveis, mas, por outro, me causam dores porque tendo a compensar o peso nas pobres juntas. Terca-feira volto la, vou comecar a fazer uns exercicios de Pilates.

* Entrevista na Reader's Digest foi muito bem. Fui chamada para a segunda etapa, em que terei de fazer uma apresentacao (!) para o diretor de marketing (!!) e uma prova de matematica (!!!). Bom, todos sabemos que ainda tenho meu empreguinho humirde de lifeguard. Oh well, nao sei quanto tempo mais aguento.

* Application mandada para a Goldsmiths College. Agora eh esperar, esperar, esperar. Odeio esperar quando nao ha mais nada a fazer a nao ser esperar.

* Descobri que o amor da minha vida da semana passada eh casado e tem tres filhos. To fora. Perdeu a graca.

* Amanha vou sair com o Malandro. Resolvi reavivar a situacao depois que descobri a vida dupla (hahaha) do Manager, que por sinal ainda nao voltou de Cyprus e tenho certeza de que quando voltar vai gavianar minha vida bem agora que resolvi abandonar o jogo.

* Carnaval em Notting Hill - to fora tambem. Nada mais deprimente.

* Estou apaixonada pelo livro que comecei a ler esta semana. I am Charlotte Simmons, do Tom Wolfe. Santo Tom Wolfe, merece minha adoracao. Ele, que eh o pai do New Journalism. Leiam, leiam, leiam. Eh novo, mas ja deve estar no Brasil.

* A casa nova vai comecando a ficar confortavel. Ainda nao eh a *minha* casa, com *minhas* amadas Fru & Bobby Co Ltd. Mas eh interessante. Aos poucos estou conhecendo melhor a sul-africana, que eh gente boa, apesar de muito fechada. E estou conhecendo mais e mais Mr Australia. Hum.

Bom, nao consigo pensar em mais nada. 15 minutos para estourar meu tempo e uma tonelada de emails para responder, de voces, amados conhecidos e desconhecidos! Voces que me mantem menos saudosa quando as saudades me parecem insuportaveis. Ta ficando cada vez mais dificil pensar a vida longe de todos voces.

Wednesday, August 17, 2005

manha de sol

Estou num cybercafeh meio fedidim em Shadwell mesmo, perto de onde trabalho. Sem internet em casa fica faltando um pedaco. Once nerd always nerd.

De qualquer maneira, amigos, estou amando meu quarto. Ontem finalmente meus outros tres flatmates se mudaram. Mal os vi, jah que antes das 23h capotei. E a verdade eh que a menina que mudou eh ligeiramente chatonilda. Os dois caras sao bem legais, como havia dito. A menina eh uma sul-africana com um sotaque desgracaderrimo, nao sei, nao sei, sou chata pra burro, mas vou fazer o esforco para ir com a cara dela, afinal, agora moramos juntas. Pelo que entendi, ela nao era a primeira opcao dos meninos. Ela foi ver a casa algumas semanas atras e eles preferiram outras flatmates, euzinha por exemplo. Ai o tempo foi passando e nao achavamos ninguem para por no quarto quarto. Entao foi ela mesmo. Ainda teve o acinte de "reclamar de brincadeira" que eu peguei o quarto de cima, com espelhos na parede. Te foder, neh, fia?

No mais, tenho entrevista na Reader's Digest depois de amanha. E outra na quarta. Varias coisas.

E a application para meu mestrado, se deus for pai, chegara a tempo nas maos dos todo-poderosos assessores do curso.

No final, pelo menos, aqui faz sol. Ja eh motivo para comemorar.

Thursday, August 11, 2005

um ano em um dia

Hoje cresci um ano. Acordei às 5:45h, sabendo que a vida já não me deixa em paz e cisma em me tirar de minha voluntária meia-morte. Mas não reclamei de ir trabalhar. Um cara muito especial, novíssimo na parada, estaria no trabalho hoje. Ele não é salva-vidas. Ele é apenas lindo. Com sua lovely evil face. Cara de mau, mas não tão mau. Um sorriso que em alguns anos lhe renderá belíssimas proto-rugas. Um cabelo cuidadosamente descabelado, um corpo de endoidecer amantes de corpos.

Só o sotaque que é meio foda. Ele nasceu em East London e morou por três anos na Escócia. Praticamente um estrangeiro para mim, tanto quanto eu. Ele fala e eu não entendo. mas ele sempre repete sorrindo, olhando através dos meus olhos, como se um varal de roupas nos ligasse e dependesse exclusivamente dele. Se ele deixar a corda cair, eu caio junto. Mas ele não deixa. Ele segura, e eu vou desmanchando, só meus olhos continuam inteiros, em pé, teimosos, nos dele.

Ele me chama de Bee. Bom, todo mundo no trabalho me chama de Bee. Mas com ele é mais especial. Apenas recentemente ele começou a me chamar de Bee. E eu adoro. E, olha, sinceramente, acho que há recíproca. É bom que eu esteja muito certa disso, porque ele, bom, ele é meu chefe. Não é legal excangalhar com o emprego, néam? Mas estou quase, quase certa. Ele me ama e eu o amo loucamente.

Aí estava saindo do trabalho e topo com L., o Malandro. Ele foi visitar o pessoal. De quebra, um eu-te-ligo-sabadanoite. Eu até queria que ele ligasse. Mas nosso amigo malandro sambou no lugar. Perdeu pontos na comissão de frente mesmo. O novo amor da minha vida dessa semana - dessa vez é sério - promete ser destaque da escola.

Desnecessário dizer que saí do trabalho carregada por borboletas. Tentei disfarçar para a Anna, a polonesa que trabalha comigo, mas achon que não consegui. Ela não comentou nada, mas sou um bebezão transparente e imagino que ela seja minimamente perspicaz. Oh well, foda-se. Tô nem aí.

E começou a grande mudança para a casa nova. Antes de sair de casa, claro, tinha que ser, um quebra-pau em terra amiga. Brigar tem sido tão fácil ultimamente... Acho que os ânimos estão em progressivo caos. Pela primeira vez em Londres, vou me separar das meninas. O dia está chegando. Já fechei contrato com o Mr Australia e Mr Suécia-Equador. A partir de domingo meu endereço oficial é em Mudchute, em Isle of Dogs, uma região nas docklands, zona leste, céito? Mas zona leste do bem. Muito verde, muita casa bonita, meu lar a 50m do Thames. Estou feliz demais com minha escolha. Meu quarto é um bibelô. Todo azul, mas não azul-calcinha. Um anil apastelado. Lindo. E armário com portas de espelho deveras interessante. E, porra, meu quarto, meu meu meu. No terceiro andar. Lindo, cheiroso, superficialmente bagunçado, como eu gosto.

Apesar das brigas por aqui, estou feliz. Um sentimento bom e adormecido voltou a cutucar meu coração, esse bolostrô preguiçoso e idoso, cansado de guerra. Uma casa nova. Bastante trabalho e, a última ótima notícia: fui chamada para uma entrevista na Reader's Digest. Sexta-feira que vem. Fingers crossed once again!

Em um dia, tanta coisa. Eu querendo meio-morrer porque não agüento mais correr tanto assim, e minha meia-vida querendo ser inteira, chacoalhando meu corpo fodido de tanto tentar escalar. Unhas sangrando de tanto tentar agarrar. Olhos ardendo de tanto querer enxergar. Braços doendo de tanto arrastar - coisas, pessoas, principalmente pessoas - e de ser arrastada - por coisas, pessoas, lugares também, mas principalmente pessoas.

Foi um dia e tanto. Meio-ressucitei com a força de um ano. Um ano para entender que cresci e que minha força é mais que nunca absurda. Absurda.

Friday, August 05, 2005

I don't believe in hell

Porque estou dançando entre as chamas que queimam minha alma. Dançando e rindo e cantando. Então não pode ser inferno. Inferno não existe. Liberte-se desse consolo chamado inferno. Liberte-se também do paraíso. Hoje conheci outro australiano com um quarto para alugar. O apê dele é de frente para o rio, todo decorado, muderno, a dois passos de London Bridge, a um do Borough Market. Ele queria me alugar um quarto de solteiro por £140 por semana. Escapou-me uma gargalhadinha. Falô então.

Mas ele estava infeliz. Tinha tido um péssimo dia no seu emprego nine-to-five. Uma reunião não saía bem. Ele tem um daqueles sorrisos bem largos de dentes amarelos, como todos eles.

Eu não quis ser ele, mesmo querendo ter sua casa.

E atinei então que não existe também paraíso. Foi então que percebi que estava livre para rir, dançar, me sujar nas cinzas do inferno. O inferno que é pura ilusão. O mundo está aí e não é inferno nem paraíso. É um eterno purgatório, te lança para cima para baixo, mas no final você morre sem saber realmente se usou a vida para provar alguma coisa. Para que provar, então?

Esquece isso. Preciso parar de ter vergonha do que sou hoje. Sempre me orgulho do passado. Preciso me preocupar mais com o presente. E esquecer um pouco essa história de futuro. Futuro, inferno, paraíso. Tudo a mesma merda, tudo a mesma ilusão. Não quero viver para morrer feliz. Quero viver feliz e depois morrer. Apenas morrer. Não quero morrer feliz. Morta, nem devo saber o que é felicidade. Não que eu saiba hoje. mas pelo menos ela, a puta da felicidade, hoje tem o dom de me deixar encafifada.

Be good to yourself 'cause nobody else has the power to make you happy.

Thursday, August 04, 2005

O encontro com o Mr Austrália

Foi quase todo smoothly. Pelo detalhe de que esqueci meu celular em casa e não sabia como o cara era e ele não sabia como eu era. Havíamos marcado de se encontrar nas escadas saindo da estação de Canary Wharf pela Docklands Light Railway. Combinamos meio nas coxas já imaginando que por celular nos acharíamos. E eu levo tudo, menos o celular.

Óquei. Encosto numa pilastra e sei que se a cagada foi minha, sou eu quem tenho que descobrir quem é o cara. Para facilitar um pouco, fiz minha mais genuína cara de perdida, olhando em volta, encarando os homens que estavam parados por ali. Olho à minha direita, um cara bonitinho parado na frente da escada. Olho para frente, um executivo cabeçudo mandando SMS freneticamente. À minha esquerda, um japonês parado com cara de nada. Alguns subindo escadas, andam, olham em volta e seguem. Fodeu, pensei. O cara é que vai ter que me achar. Só tem homem nesse lugar. Não vou sair feito uma louca perguntando quem é o Mr Austrália.

Mudei de idéia subitamente quando um colega de GANA resolveu puxar conversa. Ele vinha com um relógio na mão, para consertar ali do lado. Arrastava suas chinelas num ambiente bem pouco chinelento. Camisa pólo verde musgo, toda encardida. Uns fiapos brancos no pescoço e na cabeça que me deixou sem entender mesmo. Começou perguntando se eu era americana. Nope. Australiana? Nope. De onde então? Brasil. Ah, Brasil, era do Brasil o cara que foi assassinado no metrô, né? É. Triste, não? Muito.

Eu já estava perdendo a paciência porque queria ser vista pelo Mr. Australia sozinha. Com o Mr GANA do meu lado meu possível futuro housemate jamais viria conferir se eu sou eu.

Abri as ventas em desaprovação. Olha, moço, eu preciso ir porque tenho que encontrar alguém. Onde você vai encontrar esse alguém? Aqui mesmo. Então aonde você está indo? Olha, moço, prestenção: não conheço a pessoa que veio me encontrar e ela nunca vai me achar se me vir aqui conversando com você. Ponto de interrogação do tamanho do prédio do Citigroup. Me dá seu telefone então? Não. Por que não? Porque não lembro o número e esqueci o celular em casa. Ahn... peraí então, deixa eu pegar um papel, segura aqui meu relógio e...

Eu já estava freaking out. Olha, Mr. Gana, preciso ir, really. Olha, tá vendo aquele cara ali sentado? (Apontei para o bonitinho à direita) Então, tenho quase certeza de que é ele. Entreguei o relógio na mão dele e andei até o carinha. Oi. Qual é o seu nome? Ele disse. E era ele. O Mr. Austrália era o bonitinho. Uau. Uau. UAU. Nem parece a minha vida. Não dou essas sortes. O Mr. Austrália não só é gato como é bem legal. Dei um aceno para o Mr Gana sem olhar para ele. Não queria ver sua reação ao me ver walking away com outro cara. O cara que eu estava esperando.

Ele perguntou se eu conhecia aquele cara, referindo-se a Mr Gana. Não! (Aturdida demais) Quer dizer, não...(Mais mansa) Ele veio puxar papo, sei lá, gente estranha, daquelas bem Londres. Ele riu. Eu ri. E ele riu da minha risada. Estávamos entrando em sintonia.

Gostei. Vou conhecer o outro cara que morará nessa casa no sábado. Mr Suécia. Acho que não tiro dois 6 nos dados, mas vai que a sorte está virando?

Pelo menos defini que o Tony, um amigo da BMI, mudará comigo. Decidimos que vamos morar juntos. Ele é um amor, o mesmo que me arranjou onde ficar em Southampton. Em alguns meses estarei falando inglês com sotaque de Bristol.

E encerro esse post agora, já, porque vou encontrar Tony e ver uma casa em Maida Vale. Estamos considerando casas vazias para depois escolhermos, você sim, você não, pessoas para morar conosco.

Vai funcionar. Porque tem que funcionar. Na metade da semana que vem temos que mudar.

Wednesday, August 03, 2005

on my own - and I don't really care

Então aconteceu. Aquilo de it can't get any worse é puro bullshit. Estamos nos separando. As três. A Fru vai para oeste. De lá, um par de meses depois, voltará ao Brasil. A Bobby também vai embora. Ainda não sabe para onde, mas vai. Ainda não sabe para quê, mas vai. Ainda não sabe. Mas eu, que sou péssima nisso de não saber, preciso definir minha vida agora. E estou procurando um quarto, não importa o tamanho, não importa a região, não importa o número de pessoas que vai morar comigo. Só importa que eu possa, novamente, criar meu universo e pagar minhas contas. Meu quarto e apenas o suficiente no bolso, for now. Porque, ladies, gents, eu não paro de escrever, não. Um dos meus livros está gigante. O outro, começando a fermentar. Eu preciso acreditar que alguma coisa boa de toda a tragédia dos últimos meses vai germinar.

Sim, sim.

Vai.

Ontem visitei uma casa em Bethnal Green. Amo a região, mas a casa é lamentável. Hoje vou encontrar um Mr Australia em Canary Wharf. Um pouco mais promissor, I'd say. Um monte de coisas ameaçando encaixar. Não quero me iludir, for I've already eaten the bread the devil smashed (ok, foi fraca) por aqui.

Friday, July 29, 2005

the world spinning in front of my astonished eyes

Férias dos sonhos. Fechei os olhos e entrei nelas, nas férias. E só agora saí delas e abri os olhos para o mundo novamente. E os dias que passei de olhos fechados foram dos mais especiais este ano, junto com os dias movidos a tapas e paella com babãe. A Ilha da Madeira é um pequeno mundo de sonhos, um daqueles carrossel em que toda criança quer subir e nenhuma quer descer. O mar a cada canto dos olhos, peixes em cada canto dos mares, sol demais, sempre a brisa. Mordomia. Uma parte da minha família, como já devo ter citado no ano passado, quando também fui à Madeira, é dona de uma cacetada de coisas, entre elas quatro hotéis, um deles daqueles que já são o sonho em si. Um sonho dentro do sonho. Fiquei hospedada na casa de um de meus tios-primos preferidos, o Michael. Fora que ficar de papo pro ar, vendo as paisagens mais bonitas que meus olhos podem absorver, ao lado de alguém tão querido quanto minha Piu, chega a ser sacanagem de tão bom. Chega a doer, chega a congelar, apesar de o tempo voar. Chega a fazer me sentir uma idiota de passar por pequenas coisas ruins e me deixar abalar, se tenho a pessoa mais preciosa do mundo ao meu lado num dos lugares mais preciosos aqui já fui.

E ainda para ser arrebatada com um proto-convite para ir morar na Ilha da Madeira. Digo proto porque quem me convidou foi a esposa do Michael, que não manda muito no circo. Mas o Michael estava presente, assentindo. Mas calado. Calado não é bom. E também não sei se quero morar na Madeira. Acho que em alguns meses eu estaria correndo atrás do próprio rabo, com medo de pôr chinelas e ir à padaria do Joaquim porque obviamente em alguns meses já estaria "falada" num lugar tão provinciano.

Meninas traquinas como eu devem se conformar com a condição de encurraladas nas megalópoles. Ou livres para aprontar sem ser identificadas. Escolham a versão que parece menos ruim. Ambas estão corretas.

Voltando à família, uma das melhores sensações que tive foi a de ver meu pai, que chegou na Madeira três dias após eu e minha irmã, resgatando uma parte importante do passado dele. Primos que ele não via há 35 anos. Outros que ele nem conhecia. Os filhos, os netos, as casas e as vidas. As dores, as viúvas, tudo o que há numa família. A família do meu pai, a família No.2, depois de minha irmã e eu. Finalmente, a família de cujo reencontro ouso me sentir pivô. Babái não tinha contato com esse lado dele até que eu resolvi cutucar o vespeiro. Primeiro morando com meu tio-primo aqui em Londres nos primeiros meses. Depois, indo para a Madeira e desenterrando, inclusive para muitos que nem sabiam da minha existência, o lado Blandy que vem do Brasil. Um lado Blandy que é branquelo de olhos claros, mas que samba, joga futebol, ri pra cacete e abraça. Uma louca brasileira que ninguém lembrava que poderia um dia aparecer. Mas apareci e este ano voltei, com minha irmã a tiracolo e babái, uma mão dada a mim, outra a sua namorada, para rever o passado. Entender como tudo foi parar onde parou.

Foi precioso ver onde meu pai aprendeu a andar de bicicleta. Onde passava horas olhando os astros por um telescópio. Onde morou os primeiros anos de infância. Onde aprendeu a nadar, puta merda, onde APRENDEU a NADAR.

Foi delicioso revisitar o passado com babái. Não foi fácil dizer tchau. Mas nunca é. Acho que tô ficando profissional nesse negócio de despedida. Tô me acostumando à saudade. Tô me acostumando em deixar pedaços de mim com pessoas que deixam pedaços delas comigo também. Fui eu que escolhi.

Monday, July 18, 2005

Cardiff

Conheci uma das minhas cidades preferidas. Eu sabia que adoraria, tinha um good feeling sobre a capital do País de Gales. Estava certa. Eu e minha Piu aproveitamos cada segundo dessa viagem deliciosa. Mal chegamos no hotel - delicios, diga-se - fomos para o Cardiff Castle. Fizemos o tour completo. Maravilhoso. Ainda passeamos pelo centro da cidade e terminamos o dia em Cardiff Bay, o ponto de encontro de final da tarde, cerveja pros que são de cerveja, suco pros que são de suco. O sol se pondo às 10pm.

Dia seguinte acordamos cedo, nos esbaldamos no café-da-manhã do hotel e pegamos o busão para Barry Island, que fica a uns 50 minutos de Cardiff. Praia de areia (um adendo necessário nessa ilha chamada Grã-Bretanha), mar quentinho, crianças, muitas crianças, praia limpa e sol, sol, sol. Banho de sal para me livrar de qualquer coisa ruim que esteja me impregnando. Porque acredito muito que esteja.

Na praia fizemos um amigo, o Ethan. Ethan tem dois anos e a língua presa. Sorvete seco espalhado pela cara e areia por todos os lados. Sempre que saía para pegar um brinquedo, anunciava depois sua volta: "I come back". E cismava que tinha um barco, mas que não estava achando. Pegava pedrinhas na areia e dizia: "tiny!" e eu me controlava, ô se me controlava, porque aqui é meio estranho essa história de sacudir bochecha de bebês alheios.

Ainda tentei negociar com o pai, já que uma hora em que estava indo dar uma nadada no mar o Ethan quis vir junto. Disse ao pai que sou salva-vidas e que não teria problema levá-lo para um mergulho. Ainda assim não quis. Entendo.

Piu e eu ainda tentamos, nesse mesmo dia, visitar St Fagan's, uma vilazinha ao lado de Cardiff que possui o maior museu aberto da ilha, o Welsh Folk Museum. Mas o último ônibus partia às 18h (!). Nada feito.

Passeamos mais por Cardiff, exploramos o Bute Park (acho que é esse o nome, not sure, not sure) e voltamos cedo para o hotel. No dia seguinte, hoje, era o dia de empacotar tudo e voltar. Ainda deu tempo de passear pelo parque, mas fomos pega por uma chuva pentelha - já era esperado, ninguém tem a sorte de só pegar sol na Inglaterra; com minha Piu não seria diferente.

Na hora do almoço arribamos no trem. Para nossa surpresa, nos puseram na primeira classe. Não reclamamos. Eu até consegui dormir, já que, em troca de um gole da minha coca-light, minha irmã prometeu não cantar as músicas que ia ouvindo no discman.

Agora estou resolvendo todos os pepinos a serem resolvidos antes da esperada viagem para a Ilha da Madeira. Novo telefonema para a polícia, nova constatação de que polícia é incompetente em qualquer lugar.

Minha pequena ruiva deve estar perdida em Oxford Street, comprando lembrancinhas inglesas para seus brasileirinhos. Estou sozinha em casa. Faz tempo que não fico sozinha. Um vento delicioso entrando pela janela. Um sol brilhando apesar de estar meio nublado. Um sossego de que tudo dará certo, sempre, mesmo que certo não signifique perfeito.

retrolavagem e purificação

Começo a desconfiar que este blog está amaldiçoado. Gente demais lendo, nem todas de boa energia. Infelizmente ainda não inventaram um recurso para banir de acesso a esta página essa gente pequena, cujas grandes alegrias são encher o saco da vida alheia. Um recado: eu sei que esse blog é legal, que vocês não conseguem não vir aqui ler, que minha vida é mesmo muito interessante. Mesmo não concordando com vocês entendo que, em tendo uma vidinha bem mais ou menos, vocês achem a minha excitante. Óquei, sem problemas. Mas leia e vá embora. Não deixe aqui seu fedor

Friday, July 15, 2005

aftermaths ou two steps away from losing it

Estou ao lado da pessoa que mais amo no mundo exatamente agora que o mundo resolveu desabar e eu não sei no que me seguro, na raiz ou na nuvem. Nenhum apetitoso. Só consigo agarrar minha irmã, e morro de medo de levá-la comigo para o caminho errado.

Antes dos ataques terroristas, antes de babái me dar o deleite de sua visita, muita merda fedeu. Duas noites após terminar o namoro, encontrei aquele gatinho, o Certinho, que a partir de agora, se é que há algum partir que não seja partida em minha vida, chamarei de D. Fui assistir Bonbón com ele, um filme argentino que julgo eu deve estar fazendo sucesso pela terrinha. Resolvemos esticar depois para um pub. Coisa rápida já que ambos acordavam cedo no dia seguinte, mesmo sendo domingo. Levantei para ir embora, virei para alcançar minha bolsa e não havia mais bolsa. Fui roubada pelo mais malandro dos trombadinhas. Não percebi nada, e não deixei a cadeira nem para ir ao banheiro - vantagens de não beber.

Eu não acreditava. Na hora me veio um gelado na espinha, daqueles que todo mundo tem, de desespero. Mas comigo sempre é mais dramático. Associei as sensações a um ataque de pânico e quase o tive ali, em frente ao D., que me olhava com cara de "fuck!", e em frente às garçonetes do pub, que estavam tentando partilhar da minha dor, mas que na hora, aos meus olhos ranzinzas, apenas regozijavam internamente por não ter acontecido com elas.

Sem carteira, sem cartões, sem dinheiro, sem iPod, sem telefone celular, sem chave de casa, o desespero foi crescendo porque o quebra-cabeça foi fechando e parecia que as peças não iam mais se encaixar. Foi nessa hora que me deu um clique, naquela hora em que a vista começa a escurecer. Essa é minha hora preferida de ter cliques. Nunca antes de tudo parecer perdido. Sempre segundos antes de eu apagar.

O único celular que eu sabia de cor era o do Ernesto. Liguei para ele depois de cancelar celular e cartões de banco e pedi o número do telefone da Bobby. Mais uma longa jornada até encontrá-la. Cheguei em casa detonada, chorando, mal mesmo, achando que não conseguiria levantar no dia seguinte para trabalhar. Eu estava certa. Eu não conseguiria levantar, mas alguma força maior que eu andou por mim, comeu por mim e me levou ao trabalho.

Daí para frente vocês já conhecem. Fui me reerguendo, resolvendo todas as dores de cabeça que uma perda desse gênero gera, yadda yadda yadda. A verdade é que cansei do meu próprio discurso de eu-me-fodo-mas-levanto-pois-sou-foda. Cansei do gesto de bumbar no peito estufado. Cansei de ficar serena, esperando a hora certa para levantar e levar outro bofetão, mesmo depois de juiz ter decretado nocaute. É isso. Alô deus, rolou um nocaute aqui, já. Fim de jogo. Esquece os próximos rounds porque, really, I can't cope.

E babái aqui e minha Piu aqui, e todos os elementos que deveriam me deixar explodindo de alegria, ainda não estão conseguindo. Não quero saber de D. ou de L. (L. agora é o Malandro). Não quero saber. Preciso mudar de casa com a Bobby e ao mesmo tempo I don't give a shit. Moro em qualquer canto, jogada, durmo em qualquer esquina, em posição fetal, economizo no arroz. Tudo o que eu nunca quis para mim.

Estar com a minha irmã aqui faz com que tudo seja menos insuportável. Só não quero levá-la comigo para a merda. Eu jamais me perdoaria. Jamais.

**

Em tempo, amanhã começam minhas férias. Vou para o País de Gales, volto na segunda e na quata vou para a Ilha da Madeira novamente. Eu pretendo muito acordar outra. Férias merecidas. Férias de mim mesma.

Thursday, July 07, 2005

estou bem

Aparentemente. Nada aconteceu comigo ou com alguém que eu conheça. Até agora, que eu saiba, apenas uma amiga estava num metrô que foi evacuado. Parece pouco, mas é traumático demais. Por aqui, no Eastend, o barulho das ambulâncias está começando a ser uma extensão de meu ouvido. Melhor assim, porque passo a não ouvir de tanto ouvir. Não a ser humano que agüente a certeza a todo segundo de que tem alguém morrendo ou sofrendo aqui do lado.

Londres está quieta. Depois de um dia de chuva intermitente, finalmente o sol saiu. Mas não tem ninguém lá fora para aproveitar. Os que estão na rua, estão tentando ter uma idéia de como vão voltar para casa.

Meu peito está apertado, medo fodido de passar pelo que passei no 11 de setembro. Meu pai na cidade, depois de mais de ano sem vê-lo, e não posso encontrá-lo porque simplesmente não há como. Não há meio.

Se deus quiser amanhã será um dia de reerguimento. Não dá para parar.

Quando achamos que chegamos no inferno, ainda estamos aptos a achar, então ainda não chegamos lá. Agora que tudo começa a perder as margens é que desconfio de que o verdadeiro inferno está próximo.

Nada não. Amanhã estou melhor. Por ora, eu e Schopenhauer dançamos o mais triste dos tangos.

Friday, July 01, 2005

o fim da primeira metade

Acabou a primeira metade de 2005 e, com o fim, minha esperança de que esse ano não será um fiasco completo, afinal ainda temos meio ano pela frente para fazê-lo um semi-fiasco: é só tudo dar certo a partir de HOJE. Já que até hoje, convenhamos, conto nos dedos de uma mão as coisas boas que me acontecerm. 2004 foi ridiculamente bom. vai ver é isso. Alguém reclamou lá em cima que era meio mancada me deixar tão feliz. Aí deu no que deu: fechei os seis primeiros meses do ano em grande classe: eu e o Chris terminamos.

Já era esperado, claro, vide post abaixo, vide antigos posts, vide minha vida. Mas o fim de um namoro é sempre um fim. O Chris esteve comigo durante a metade do tempo em que estou na Inglaterra. E eu o conheci apenas dois meses após ter aqui me ancorado. Ele é importante. É especial. Uma das três pessoas que me fazem ou fizeram não desistir de tudo e voltar.

Mas nosso tempo passou. Na verdade, passou do ponto do passou. Mais um pouco e a gente nem se olharia mais na cara. Foi um término civilizado. Mãos agarradas, olhos nos olhos, umas e outras lagriminhas saindo dos olhos nos olhos. Alívio. A certeza, para ele, de que é só um tempo e que provavelmente vamos voltar. A certeza, para mim, de que é o fim definitivo.

Mas ele não precisa saber.

Fechei o primeiro semestre com mais uma perda. Nesses seis meses perdi meu avô, perdi meu emprego, perdi meu namorado, perdi dinheiro e, finalmente, me perdi. Fiquei meio abirutada no meio de campo. Mas depois me achei um pouco. Sempre vão faltar alguns parafusos porque sou um quebra-cabeça infinito. Tive momentos de serenidade. A viagem com babãe para a Espanha foi, sem dúvida, o cume de minha felicidade nesses tempos difíceis.

E hoje é dia primeiro de julho e eu não quero sentar para ver o resto do ano me foder. Hoje dormi como há muitas semanas não conseguia. 10 horas de sono sem parar. Acordei depois de sonhos estranhos. Pesadelos, as usual. Mas o sono em si foi bom. Tenho um freela dos muito bem apessoados para fazer na sexta-feira que vem, de intérprete num evento bem dos chiques. Dei meu valor, £30 por hora. Acabo de pegar a resposta: valor aceito.

Também recebi telefonema do meu chefe na academia em que trabalho aos fins de semana e ele quer me pôr em mais shifts a partir dessa semana.

Amanhã devo ver pelo menos um dos gatinhos, o Certinho. Finalmente, se deus for mesmo pai, dessa vez rola.

E ainda há chances de ver o Malandro. Sob o pretexto dele deixar o CV dele na academia em que trabalho. Vai ser bom entrar nos olhos dele de novo.

Sem falar na vinda eminente de babái, que está me deixando bastante apreensiva. Não parei de voltar na sala do meu manager na St George's para lembrá-lo que farei small shifts nas próximas duas semanas, e no shift at all nas duas seguintes.

Foi-se o primeiro dia da melhor metade de ano que posso ter, já que foi-se a pior metade que já passei as well. Tenho que acreditar em algo nessa vida, nem que seja na matemática.

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Minha pessoa favorita criou uma comunidade no Orkut para moi! Se estiverem no embalo, vão lá.

Thursday, June 30, 2005

meus olhos se escondem onde explodem paixões

Mão fria, coração quente. O verão na Inglaterra é patético. Estou de agasalho e ainda assim com frio. Mas pelo menos aqui dentro as coisas estão bem. Na verdade, as coisas estão estranhas. Tenho ups muito upds e downs muito downs. Desacredito que vou ver meu pai em 4 dias e minha irmã, sim, ela, a toda poderosa, capaz de ser minha pessoa favorita, primeira entre as primeiras. Vai ser foda. Altas emoções nos dias vindouros.

E também tem os gatinhos. Nesse exato momento aguardo o Malandro me ligar. Ele ligou quando estava bufando, carregando sacolas do supermercado, pronta para subir dezenas de lances de escada. Não ia rolar ser simpática, ainda mais depois de ter pego uma chuva desnecessária nessa época do ano. Disse que ligaria de novo. Se for o canalha que eu estou pensando, vai demorar bastante para ligar. De repente só amanhã. Mas tá valendo, faz parte da malandragem, eu conheço o tipo. Conheço bem.

E tem o Certinho, o da despedida do trabalho. Combinamos de ir no cinema ontem. Marcamos às 6:20pm (ingleses, meus caros, ingleses…), o filme começava às 6:35pm (Inglaterra, meus caros, Inglaterra…). O negócio é que na hora marcada estávamos lá (mentira, ele atrasou MENOS DE DOIS MINUTOS e ligou para pedir desculpas porque estava atrasado. Depois me perguntam o que eu vejo nos ingleses. Eles são tudo de bom. O negócio é que a 15 minutos do início do filme, não sabíamos muito bem onde ficava o cinema. Acabamos desencanando e fomos a um pub, conversar e ver o jogo do Brasil e Argentina. Fiquei com vergonha dos berros que soltei, mas ele fazia cara de ternurinha, então, na pior das hipóteses, achou fofo. Fofo não é ótimo, mas tá legal.

Jogamos o cinema para sábado à noite. Todos nós sabemos o que significa saída de sabadanoite, então fico um pouco mais animadinha. O negócio é que o Certinho é muito tímido. Esse é nosso segundo date e até agora ele nem pegou na minha mão. A verdade é que estou gostando, curtindo o regresso à quarta-série, porque, como disse a Bobby, faz bastante tempo que isso aconteceu a última vez, desde a quarta-série!

E enquanto tudo isso de bom adoça meu coração, tem mais um monte de coisinhas beliscando. Não deixando que tudo sossegue por aqui. Preciso na verdade de mais um estômago para digerir tanta coisa.

Essa indefinição profissional está bem estranha. Nunca trabalhei tanto na minha vida – way beyond the amount allowed by law. Sério mesmo. Mas a causa é justíssima. De qualquer forma, me irrita um pouco estar trabalhando com algo que não contribui, pelo menos não diretamente, com o futuro profissional que quero pra mim. A verdade é que sempre fui tão abençoada profissionalmente, sempre tive facilidade para ser empregada, que quando me deparo com uma situação de rejeição, é extremamente difícil lidar. Estou passando agora pelo que muita gente passa no primeiro ou segundo ano no mercado de trabalho.

E, obviamente, toda essa situação faz com que eu repense minhas estratégias, perspectivas e planos futuros aqui em Londres. Não vou ficar aqui se não for para fazer o que mais feliz. Se é para ser infeliz, prefiro o ser do lado de pessoas que me fazem feliz no Brasil. Mas calma que ainda tem muita água por rolar.

Hoje, mais tarde, devo ver o Chris. Grand-finale, tudo indica.

Tuesday, June 28, 2005

give peace to my black and empty heart

I can’t believe life is so complex, when I just want to sit here and watch you undress.

Não tem como não se inspirar com PJ Harvey. Novamente tudo virado por aqui. Uma coisa assim meio mar do triângulo das Bermudas. Entenderam?

Domingo eu estava em luto. Anna, uma das duty managers da St George’s, piscina onde trabalho, ligou para falar, entre outras coisas, que meu gatinho salva-vidas pediu demissão e largou o shift, assim, no meio. Num desses acessos fuck-offs moleques em que eu tenho que me segurar bravamente para não achar lindo.

Se encheu e saiu. A chefona dessa piscina é um carrasco mesmo, não o culpo. Mas fiquei com aquele gosto de cinza na boca. E agora? Ele era um dos grandes estímulos para ir trabalhar todo dia. Perdeu boa parte da graça. Obviamente, it’s not about graça – I need the money. Mas que ficou mais penoso vigiar uma piscina, não importa o quanto eu goste do ambiente, isso ficou.

E o gosto de cinza ficou ainda mais empapucento quanto mais eu fosse pensando que nunca mais o veria. Nunca mais, a não ser que ele me procurasse por meio de alguém da St George’s, ou que aparecesse por lá. Enfim, queria manter minhas expectativas no nunca mais mesmo, para não me iludir. Um luto rápido, afinal tivemos pouco tempo juntos para nutrir qualquer coisa especial. Mas ainda assim um luto desconfortável. De um vazio que nunca deixou de ser vazio. Que nunca chegou a ser preenchido com nada. Uma tela vazia jogada no lixo antes do primeiro traço. Praticamente um aborto. Considero luto tudo o que era para ser e não foi por força maior. Nesse caso, eu e ele era para ser.

Ontem resolvo fazer o shift mais inumano do mundo. 7 às 11h, depois 15:30h às 22:30h. Ridículo, eu sei. Mas por uma boa causa: babái está chegando em menos de uma semana e, enquanto ele estiver por aqui, quero aproveitá-lo até a última gota. Isso significa trabalhar shifts de 4 horas, façavô, porque eu não nasci pra sofrer.

E aí é que aconteceu. Estava chegando no trabalho para o segundo turno da jornada inumana, a cara amassada do travesseiro ainda, meio correndo e mal humorada por ter esquecido os óculos escuros com tanta luz lá fora. Entro na St George’s e quem está lá, lindo, sacana, canalha? O gatinho. Meus olhos brilharam, os dele também. Parecia que ele só estava esperando eu chegar para poder ir embora.

Naturalmente, trocamos telefone. Naturalmente, trocamos mensagens naquele mesmo dia, algumas poucas horas depois. Obviamente ele disse que gostaria de me ver: Give me a call when you get a chance. It doesn’t have to be about work. It would be nice to here from you when you got some free time, maybe go out for a drink. E algumas células nervosas morreram dentro de mim nesse momento. Fiquei toda formigando, quentinha, babaca, não posso me envolver com MAIS UM CANALHA. Eu estava melhorando. No último ano só tive caras legais, de família, fiéis, companheiros, de sorriso de boca inteira. Não posso me deixar regredir para o mulher-das-cavernas mode-on. Não posso pensar em voltar a ser aquela mulher volúvel que, no mesmo dia em que quer morrer, quer também viver para sempre.

Não se assustem. O Chris continua presente. Meio como sombra, mas continua. Fazendo tudo errado, como sempre. Me provando o quanto mudei: se fosse alguns meses ou anos atrás, ele teria rodado em um mês. E lá se vão mais de seis. Céus. Isso tem que acabar.

E tem o que acabou virando a segunda opção. O gatinho da festa de despedida. Vamos no cinema amanhã. Ver Bonbón. Estou planejando dormir em seus braços se estiver muito cansada.

Mas quem tem ocupado mais espaço nas minhas viajadas ao longo do dia, quem tem evitado que eu me entupa de chocolate, é o canalha charmoso que me derrete em meio sorriso. Aqueles meios sorrisos que ficam irresistíveis nos verdadeiros cafas e patéticos nos que tentam agir como tal mas nunca serão.

Não sossego enquanto não conseguir o que quero. Sempre fui assim. You’re the only story that I never told, you’re my dirty little secret – wanna keep you so.

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Enquanto as novidades estão entre o inspirar e o expirar, um aviso aos navegantes intrometidos (vocês sabem quem são) dessa humilde página: não tente cuidar da minha vida, amigo. Você não me conhece. Não sabe dos meus sonhos, taras, vontades, idéias, convicções, condenações. Você, acredite, é um mero leitor cuja existência eu, do fundo do coração, ignoro. Então desencana de tentar me julgar porque suas palavras têm sobre mim o efeito que um tiro tem no corpo de um morto. Mesmo.

Wednesday, June 22, 2005

eu preciso dizer que não te amo, eventually

Como o trem da minha vida não pára por mais que eu apite – e muitas vezes o faço com força – cá estou, após alguns dias apenas, com novidades que cabem num livro. Na verdade, um dia cabe num livro se o escritor for bom. James Joyce é o primeiro e melhor exemplo.

Hoje completei uma semana trabalhando como salva-vidas. O saldo já está de bom tamanho: um sangramento de nariz intenso, duas cãimbras, uma vomitada no capricho no meio da piscina, várias apitadas para a molecada não correr, não se empurrar, enfim, não se afogar porque não tenho camisa reserva se tiver que pular para salvar algum mané. Hoje mesmo quase rolou uma operação First Aid Room: um gorduchinho começou a correr no deck da piscine, todas as banhinhas sacolejando, gritei “no running pleeeease”, o viado não parou de correr, dois segundos, catapoft, homem ao chão. I hate to say I told you so.

E aqui estou agora, assistindo a um programa da BBC sobre por quê os pingüins africanos evitam a presença humana. Eu, se fosse pingüim, evitariam também.

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Hoje o dia foi melhor que o esperado. Passei calor demais, resolvi mergulhar depois do meu shift. E, claro, o gatinho em que já estou de olho estava lá. Ele é salva-vidas também. Malandro, canalha, um daqueles Good Old Biba’s Day. Só para farra, claro. O Chris? Ai, na boa, vou começar a ignorar esse tipo de pergunta se nela vier embutido um tom acusatório.

Ontem, o outro gatinho, o da festa de despedida do meu ex-trabalho, ligou. Para combinar um cinema nesse fim de semana. Eu, claro, topei. Porque não quero passar minha vida pensando que alguém que não conseguiu me fazer feliz, como se não bastasse, teve o poder de evitar outras felicidades. Pequenas, grandes, de diferentes cheiros e formatos, travestidas de infelicidade, whichever. Qualquer uma serve. Desde que eu sinta sempre.

Thursday, June 16, 2005

happy and bleeding

Hoje eu caí no chão. Estava saindo do prédio onde moro com meu tênis novo, já que tenho que trabalhar de tênis branco, e, sabe deus como, virei o pe e caí mesmo, como há anos não acontecia. E foi daquelas clássicas, tipo cachorrinho, de ralar joelho e a palma da mão. Um cara de bicicleta passou e perguntou se eu estava bem. "Yeah, yeah." Eram 6.15h da manhã e meu saldo já era um tombo.

Mas a promessa não se fez profecia. O dia, afinal, foi bom. Desde ontem sou salva-vidas na St George's Pools. Todos já me conheciam, pois é lá que sempre nadei. Lá que sempre fui servida, e agora sirvo. Talvez alguns de vocês não entendam a poesia, quase beleza disso. Mas quero crer que se você é um leitor assíduo disso aqui, é porque vai entender minhas idiossincrasias.

Desde ontem faço turnos entre a piscina pequena e as duas posições da piscina grande. Desde ontem, também, preciso limpar a porra toda, com a ajuda de meus colegas salva-vidas. Eu. Limpeza. Coceira no nariz. Eca. Cabelo. Mais eca. Já estou me acostumando. Credo. Mas aqui no UK as coisas são assim. Aliás, aqui, nos EUA, na Europa toda, não tem essa história de faxineira. Todo mundo faz faxina e quem quer pagar para não fazer, paga caro. Então, entre as duties normais de uma salva-vidas, inclui-se a boa e velha faxina. Claro que não é a tarefa primordial. Das 8 horas que fico lá, no máximo duas são dedicadas a limpeza.

De qualquer forma, é annoying porque odeio limpar coisas.

Fora isso tem sido bem legal. Hoje pela primeira vez usei meu apito. Tinha um grupo de senhouras muçulmanas paradas no meio da raia dedicada para quem nada. Tive que fazê-las moverem as ancas, claro. Elas não gostaram. Fodam-se.

Também tive que gritar para uma pirralhada que estava correndo ao redor da piscina. A partir de hoje sou a tia do Mal e eles todos têm medo de mim. Não é bem o estigma que me cabe, but that will do.

E nem preciso dizer o ímpeto fofuro-genocídico que me assola quando tem aula dos babies e das molecadinhas de uns quatro anos. Hoje, por exemplo, tinha uma menininha idêntica à minha Piu quando era pequena. Bem, bem magrinha, toda branquinha, ruuuuuiva, e cheia de sim, em seu collant (não era maiô aquilo), touca e óculos, todos rosa e esses últimos fosforescentes. E toda metidinha. Adorable.

E tem os velhinhos, que se continuarem fofos do jeito que são eu ainda quebro costelas. Um deles, todo magrinho, cabelinho bem branco, em alguma coisa me lembra meu avô. Ele está lá todo dia. Senta no mesmo banquinho, tira os mesmos chinelinhos do pé, faz uma automassagem meia-boca na batata da perna, entra na piscina e faz suas chegadinhas, sempre com as mesmas caretas de esforço, nunca molhando as madeixas de neve. Vontade de pular na água e agarrar, pór no colo, fazer boiar, fazer feliz. Mas tento me conter e não demonstrar isso nem no olhar. Vai que sou mal interpretada.

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Amanhã tenho entrevista em uma editora. Fingers crossed. Enquanto isso, tem mais luz no horizonte. Tem dinheiro entrando, então posso procurar meus sonhos mais em paz.

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Em 18 dias estarei nos braços amados e aconchegantes de babái. A correria foi tanta nos últimos tempos que só agora está caindo a ficha. Tenho vontade de me desmanchar toda no seu abraço, papito. E sei que vou.Todo esse tempo e toda essa saudade só serviram para aguçar um sentimento forte e lindo que sempre esteve aqui, mas nunca foi tão óbvio. Amo minha família. Tenho certeza de que a escolhi, sim.

Tuesday, June 14, 2005

spin it

E se a vida em geral é um carrossel, a minha é um peão. E a culpa é toda minha, que puxo incessantemente a cordinha e o faço dançar desvairado sobre qualquer superfície, em qualquer contexto, dentro ou fora do ritmo. A culpa é toda minha.

Esse fim de semana foi surreal do começo ao fim. Começou já sábado de manhã. Fui no centro esportivo implorar emprego como salva-vidas. Fui muito bem, senti. Ontem passei lá para deixar meu NPLQ (certificado de salva-vidas) e meu National Insurance Number e a manager me puxou de lado. Disse que a vaga é minha. A partir de amanhã, 7 da matina, sou lifeguard na mesma piscina em que costumo treinar, a cinco minutos de casa. Trabalho feito alucinada até sexta, quando já terei ganho quase o suficiente para sanar os gastos que tive com o curso de salva-vidas.

Aí depois disso fui encontrar com a Rô, uma brasileira que fundou o site www.BrazilianArtists.net e que me chamou para uma conversa a respeito de possível trabalho. O legal: a causa, que é linda. O não-legal: é voluntário. Convenhamos que não estou podendo me dar ao luxo. De qualquer forma, fui na casa dela ontem e passei a tarde trabalhando em cima de um release que mandamus para toda a imprensa local anunciando a vinda do MV Bill para o lançamento do livro Cabeça de Porco. Mas não tô podendo, não tô podendo. Preciso cuidar de mim e dos meus sonhos primeiro, para depois cuidar dos outros e de seus sonhos. Porque sou estúpida o bastante para sonhar os sonhos alheios.

E então fui para Oxford, encontrar com minhas primas, Jo e Lucia. No dia seguinte, triathlon. Elas estavam nervosíssimas. Eu não porque a distância da natação, que era a minha perna na comeptição, não era longa. Muito pelo contrário: a distância é o que costumo fazer para aquecer normalmente. Rolou bem legal. Fui a segunda mulher no geral, e a 19a pessoa, entre homens e mulheres, entre 150 competidores. Not too bad para quem parou de treinar há tanto tempo e hoje só nada para chacoalhar a pança mesmo.

Aí, terminou a premiação e voltei pra minha Londres. Cheguei em casa e em 15 minutos tinha que estar pronta para, bom, foda falar mas, pro meu date. Aquele, lembram? O tal bonitinho que conversou comigo no meu drink de despedida do trabalho; aquele que ligou semana passada. Finalmente nos encontramos. Não rolou nada. Ele tava todo ansioso porque tinha que terminar um trabalho. Mas já temos novo programinha: cinema no final dessa semana ou começo da semana que vem.

Hoje faz um ano que deixei meu país.

Hoje faço seis meses de namoro com o Chris.

A verdade é que não estou me sentindo culpada. Nem um pouco, actually. Ele precisa se esforçar um pouco mais, como eu já disse.

Um peão desequilibrado, que ameaça quedar pro lado, mas não queda. Não pára. Até quando?

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Já assistiram Vera Drake? Se ainda não, não percam a oportunidade de ver o melhor diretor de cinema inglês em um de seus melhores momentos ever. Imperdivelíssimo, juro mesmo.

Monday, June 13, 2005

fotos do triathlon

Divirtam-se!

E eu escrevo logo, bem logo, com novidades!

Thursday, June 09, 2005

nada no bolso ou nas mãos

Estava comentando com a Bobby hoje que resolvi ficar desempregada na melhor época do ano. Dias lindos, solzão, temos nossa varanda que é grande o suficiente para três brasileirinhas banharem-se ao sol. Não consigo imaginar o que teria acontecido se tivesse ficado desempregada em dezembro. Dias amanhecendo às 8h e anoitecendo às 15:30h, e a casa em que eu morava antes era fria, mas friiiia, que nem conto o quanto sofri com ossos gelados porque vocês vão morrer de pena. Para terem uma idéia, nos últimos dias me dava desespero de pensar em entrar no Messenger para falar com meus amados porque minha mão doía muito se não estivesse debaixo de um edredon.

E hoje foi um dia de praia quase. Até o barulho da criançada aqui na escolinha do lado ajudou. era só fechar os olhos, imaginar uma maresia entrando pelas ventas e pôr uma voz virtual: "olha o bishcoito globo, bishcoito globo é um real. tem doce, tem salgado, é o bishcoito globo um real".

Tudo nas devidas proporções, claro.

Mas de qualquer maneira, dá prazer viver nessa cidade durante seus 05 dias de verão. Mesmo que não tenha nada no bolso ou nas mãos.

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Novidades, perspectivas várias, uma hora rola um emprego. Tô sentindo que não vai tardar. Estou com uma intuição positivíssima, principalmente em relação a sábado. Como sempre, só conto se rolar. Mas por enquanto, não saí do lugar. É assim que quero pensar, é assim que se deve pensar. Porque se eu achar que já fiz tudo para o emprego aparecer, ele vai me escorrer pelas mãos. Então, todo dia acordo mentalizando que estou no zero. Não posso dizer que me dá ânimo isso; me dá desespero, muitas vezes o motor dos meus melhores feitos. É que nem depilação: dói mas funciona.

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Daqui a cinco dias faz um ano que deixei terra brasilis. Dá para acreditar? Eu também não.

Tuesday, June 07, 2005

as coisas, assim, espremendo ombros

Uma semana em Southampton. Foi tudo muito estranho. Decidi que queria porque queria porque queria fazer o curso de salva-vidas. Quem me conhece sabe que querer por querer significa fazer nesta cabecinha dura. Nada é melhor justificativa para um feito que o querer por querer.

Então fui para lá, costa sudoeste da Inglaterra. Estava indo para um lugar desconhecido, fazer algo novo, com gente desconhecida e ia ficar hospedada na casa de gente que eu igualmente nunca havia visto mais gorda. Na cara-de-pau, fiz um amigo do meu ex-trabalho achar alguém que ele conhecesse morando por lá que pudesse me hospedar, na caruda, caruda mesmo. Sou bem mais cara-de-pau do que eu mesma acho. De qualquer forma, bateu aquela meda, pânica, horrora e desespera básica. No trem, saindo de Waterloo. Bateu aquele comecinho de pânico. O monstro do desconhecido comprimindo meu estômago e me gelando por baixo na pele. Mas consegui segurar o ataque com a respiração básica que minha terapeuta no Brasil me ensinou.

Em poucas horas me transformei de um bichinho assustado dentro do próprio casulo que construi invisivelmente para mim, em uma pessoa pronta para viver algo que tinha tudo para me engrandecer e me fazer mais feliz, mesmo que um pouquinho só. Logo no primeiro dia resolvi dar uma nadada de meia hora já que havia chegado mais cedo no The Quays, o complexo aquático em que eu faria o curso. O curso começou e foi tudo bem. Aí chegou a hora de encontrar com o Jon (short for Jonathan), cara que eu não conhecia mas em cuja casa ficaria pela próxima semana.

Sinceramente? Não podia ter sido melhor. Eles me adoraram e eu adorei eles. Até fui com o Jon jantar na casa do pai dele (os pais, presumivelmente, são separados). Fofo demais. Também conheci um amigo do Jon, chamado Chris (uh!) que fala português e ama o Brasil. E é gato. Deveras gato.

Mas não passou nada, não passou nada. A semana voou. O curso durava o dia inteiro. Nos almoços eu ia num cybercafé - quiçá o único da cidade - para checar novidades de emprego. Capotava às 21h, acordava às 7h, com luz, passarinhos, e despertador, tudo ao mesmo tempo. Precisava calcular o tempo do trem, já que o curso foi em Southampton e eu estava hospedada num bucólico sobrado em Eastleigh, cidade vizinha.

E também me engracei com o instrutor do curso de salva-vidas, e a engracice só não foi recíproca porque o gostosão é profissional demais. Foi tudo bom demais. Chegou sexta, day-off, fui passear em Winchester, a capital mais antiga da Inglaterra. Uma preciosidade. Cheia de construções medievais ainda, ruínas de castelos, uma catedral magavilhosa, uma vista inesquecível da St Gilles Hill. Perdi o fôlego e me perdi. Só pensei em me achar quando, claro, começou a chover. Peguei o trem, voltei pra Eastleigh e fiquei estudando para a prova do dia seguinte. Chegou o dia da prova, eu estava tranqüila. O pior já tinha passado - e só quem me conhece mesmo entendeu essa frase.

Passei no teste. Não foi fácil, porque aqui o que é mais elementar precisa ser tratado em todos os detalhes. Mas também não foi difícil. Fui para Southampton cabisbaixa e paniquenta, voltei para Londres salva-vidas e com mil perspectivas: a primeira, de um emprego, me ligaram na sexta chamando para uma entrevista a que, por sinal, fui hoje e que promete, mas não quero me precipitar.

Fora isso, lembram daquele gatinho da minha festa de despedida? Então. Ele ligou. Vamos sair. O Chris? Tá bem, obrigada. Mas sinceramente não está comendo arroz com feijão suficiente para garantir minha felicidade inner-conjugal (uh!). Assim sendo, não me avexarei se me aprouver aplicar um chifre por justa causa.

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Fim de semana que vem vou para Oxford (Wantage, na verdade, que fica do lado), encontrar com minhas primas. Chego sábado, fico por lá à noite, provavelmente vamos a um folky concert. Dia seguinte cedo é nosso Triathlon Debut. Finalmente as Singers se aventurarão nas piscinas e caminhos do Reino Unido. Tudo indica que este é o primeiro de vários triathlons. Caio n'água às 9:30h no domingo. Torçam. Delícia sentir de novo aquele nervosinho pré-competição. Tratarei de treinar nos próximos dias. Tratarei de cuidar bem de mim as well.

Esse foi um resumo resumidíssimo de tudo o que foi e que está para vir. Queria ter o tempo e a disposição para detalhar cada sopro desses dias deliciosamente loucos que foram em Southampton e que vivem na minha memória. Cresci demais como pessoa. Mergulhei na escuridão e descobri que as coisas cuidam de si mesmas mesmo quando não conseguimos olhá-las, cuidá-las, dirigi-las. Amo um pouco mais o mundo em que vivo, for a change.