Monday, June 21, 2004

com acento

Esse post era para ter sido postado na sexta-feira, mas nao rolou pq o computador tava podre. Ei-lo:

Estou fazendo minha primeira tentativa via notebook. Neste exato momento, está tudo quase exatamente como em Sampa. Estou de moletom, escrevendo e escrevendo, com um saquinho de chocolates ao lado. Hershey’s, que minha irmã pôs de surpresa na mala. O celular ao lado, já quase completamente desvendado. Um sorriso de orelha a orelha por ter falado com tantas pessoas importantes na minha vida. Primeiro foi o Ti, no MSN. Depois, babãe. Aí, minha Piu amada ligou e, uns cinco minutos depois, tive a agradabilíssima surpresa de falar, pela primeira vez d’além-mar, com babái.

Ainda hoje falei ao telefone com o tio Hans. Ele é meu tio avô, tem 95 anos, e eu vou conhecê-lo em breve. Infelizmente cometi a cagada de marcar minha ida a Brighton, que é onde ele mora, para a quinta-feira da semana que vem. Esqueci que já estarei trabalhando no Times. Oh well, haverá outras oportunidades. De qualquer maneira, foi realmente emocionante falar com ele por telefone e descobrir que sua voz é idêntica a de meu avô. Se for tão fofo quanto, estarei perdida. O velhinho ficará sem bochechas. Sério mesmo. Também falei com Odile, cujo parentesco com meu tio avô minha mãe já me explicou trocentas vezes, mas eu teimo em esquecer. Enfim, ela é minha parente em algum ponto da árvore genealógica e estava do lado do tio Hans quando liguei. Só que ela falou muito enrolado e foi foda, a ligação estava péssima porque não era local, mas no final deu tudo certo. Como podem ver, muitas conversas importantes hoje. Foi um dia produtivíssimo para ser um dia bunda.

À noite encontrei com dois amigos brasileiros. Os dois não se conheciam e foi ótimo porque é mais um contato para cada um deles também. Andamos feito uns camelos aqui por Willesden Green e não achamos o maldito pub que deveria existir por ali. Voltamos tudo e fomos num desses fried chickens da vida, já que os pubs de fato não servem comida na hora do jantar, um grande paradoxo em minha concepção de pub, mas enfim. Eles insistiram na pint, então fomos a um pub depois do frango. Quase me empurraram goela abaixo metade de um copo de cerveja. Não foi tão ruim, mas nada tão bom que me faça querer repetir. De qualquer maneira, foi reconfortante passar umas horinhas só falando em português, bem rápido e entendendo tudo.

Acabei de chegar em casa. Voltei o caminho todo apagando as mensagens de texto antigas no celular do Owen que agora é meu. Cheguei e conversei um pouco com a Jane, a mulher do meu tio John, lembram? Ela é professora de inglês, mais especificamente literatura inglesa, em colégios.

Talvez amanhã role um teatro com Roland e Paige à noite. Mas não sei. Acho realmente chato o John não me deixar pagar nada. De qualquer forma, vejo que ele *quer mesmo* dar esse presente. Aliás, um presente caro: 25 libras por pessoa, o equivalente a uns 140 reais.

Chega. Estou cansada e vou deitar. Estou lendo Alain de Botton, A Arte de Viajar, que Piuzinha me emprestou. Está sendo absurdamente importante. Não imaginei que fosse tanto. Aliás, todo mundo que quer, vai ou já passou por essa experiência de morar fora e viajar pelo mundo deveria ler. Um verdadeiro tratado sobre os vazios que sempre vivenciamos, muitas vezes omitidos em nossa expectativa.

Agora chega mesmo. Como podem ver, estou por mais um motivo feliz: consegui escrever como uma verdadeira rapariga, com acentos. Aos que mandarem e-mails (alguns me perguntaram isso), podem manter os acentos.

Thursday, June 17, 2004

hooray!

Cah estou, resistindo bravamente aa tristeza de escrever sem meus amados acentos. Aqui nao rola, pelo menos nao neste computador.

Estou em Londres!

Tive sorte nesses primeiros dias. Os dias estao lindos e eu cheguei a me queimar ontem, depois e um dia inteiro batendo perna. A viagem foi chata, estranha, ruim, quase desesperadora. Nao vou mentir. Soh consegui relaxar apos tres gotinhas de Rivotril. E apos um papo cabeca com um xama siberiano que sentou do meu lado e falou varias coisas legais sobre o meu futuro que me deixaram felizes da vida, mesmo eu nao acreditando muito nessas coisas.

Bom, jah conheci uma parte daqueles lugares must-go de Londres. Fiz algumas das must-do. Claro que ainda falta um monte, mas mesmo assim tirei o dia de hoje para bundar. Acordei meio-dia, fui com meu primo, Roland, atras de um chip de celular. Jah estou diretamente comunicavel! Resolvi o perrengue dos adaptadores. Na verdade, resolveram para mim. Owen tinha um sobrendo e Roland tinha um cabo que posso plugar no meu notebook. Estou quase serelepe.

Ontem fui pela primeira vez a um pub, com dois amigos, um brasileiro e um mexicano maluquissimo que soh conheci mesmo ontem. Antes disso, me perdi sozinha pela cidade. Deliciosamente. Nada como se perder e descobrir que depois voce se acha. Marquei com meu amigo em frente aa estatua de Sherlock Holmes, em Baker Street. E nada de achar a estatua maldita. Depois de zanzar e perguntar, achei. Fui primeiro a um pub onde havia concentracao de portugueses para ver o jogo de Portugal e Russia na Eurocopa. Mas nao ficamos ateh o fim pq jah tinham fechado a cozinha (isso era tipo 20h). Ok.

Fomos entao a um pub americano (???) chamado Henry P. Beans (???) e estava delicioso. E aih cheguei em casa aas 23h, destruida.

Daqui a pouco vou com dois amigos brasileiros a outro pub, provavelmente. Mas o ponto alto do dia foi, sem duvida, meu celular. Estou toda feliz. Aos poucos estou conseguindo fazer coisas que me deixem mais confortavel. Fundamental. Nao dah para escrever mais agora. E desculpem a falta de poesia. Isso foi quase um relato jornalistico.

Monday, June 14, 2004

as últimas vezes

Vou dizer que não foi fácil, mas também não foi tão difícil como eu pensei. Porque, vocês sabem, eu sempre fico ali, arando um monstro na minha cabeça, e no final das contas não aparece nada além de um gremlin. Um monstrinho feio, mas pequeno.

As últimas vezes de tudo foram menos dramáticas porque de alguma forma não parecem últimas e, na verdade, parece que não, mas isso tudo é um filme e a hora de eu entrar no avião está a anos-luz de distância. A verdade é que algumas horas ficam a anos-luz. Dentro de, sei lá, oito horas, já estarei voando. E todos os sentimentos do mundo se misturam num sopão. E meu estômago é o caldeirão. E o meu cérebro é a grande pá que põe tudo em movimento e mantém a mistura homogênea. E o futuro é quem manipula e mantém ativa essa pá.

A família, pequena porém unida, vai fazer uma falta cã. Babãe, babái, principalmente a minha Piu, que é tão próxima e tão amada e tão amiga. Muito mais que uma irmã. Sei, por exemplo, que se não fôssemos irmãs seríamos amigas daquele tipo de ter lamentado não ter nascido irmã. De qualquer forma, as alegrias vão continuar. As festas, as besteiras, os arrotos ao pé do ouvido, tudo isso continua. E a alegria ofegante e canina quando eu chegava da natação, a ternurinha que eu provocava quando acordava e a chamava bem baixinho, as discussões pelas calcinhas e, principalmente, pelas meias, as trocas de olhares que dispensam palavras, isso e muito mais - eu ficaria até amanhã - continua vivo aqui dentro.

E junto a essa família maravilhosa, há um novo agregado, o Tiago. Novo, mas muito especial. Por causa dele, perdi um pouco do meu ar mau humorado, rabugento e irônico que fazia a festa de muitos de meus leitores. Reclamem com ele. Porque realmente ao lado do Ti eu não preciso disso. Não preciso ser *cool* o tempo todo. Não preciso tanto assim de feedback -- ele já me dá o suficiente. Não preciso sofrer até a veia. Não preciso de sangue. E nossa despedida só não me tirou o ar por completo porque sei que nos veremos em breve. Enquanto estou lá, ele está arrumando as malas por aqui.

E meus amigos, é claro. Todos tão amados. Nunca recebi tanto carinho. Nunca me senti tão querida. Nunca ganhei tantos dias com pequenos gestos que fazem qualquer um ganhar o dia. Nunca pensei que pudesse, realmente, fazer tanta falta. Acima de tudo, essa viagem é exatamente para isso: para recuperar a minha visão de mim mesma, já tão agredida que virou uma massa amorfa. Me despeço de todos aqui para ir ali me reencontrar.

Saturday, June 12, 2004

almost leaving on a jetplane

Este post foi escrito anteontem, mas só hoje o UOL abriu a porta da esperança e havia alguém do outro lado da linha. Segue, pois:

Faltam quatro dias. Malas prontas. Graças à fofa da Cá, que veio aqui me ajudar, consegui empacotar quase tudo hoje. Mais uma despedida doída, com receio de chorar dos dois lados. "Vou logo para não abrir o berreiro". Eu deixei, claro. Amo muito essa garota. Quem duvidar vem aqui em casa e dá uma olhada no meu mural. Vivi absurdos com ela.

Daqui a pouco estou saindo para a despedida da despedida do pessoal das maratonas. Ontem foi a despedida da piscina. Meut reinador me deixou criar a série principal. Mais um abraço apertado em pessoas queridas, mais uma garganta travada. Dessa vez mal segurei.

Almocei na casa de babái, onde me despedi da Soninha e enxuguei as primeiras lagriminhas de Piu.

Ontem, foi a vez do Julinho. Fomos almoçar no América e eu me diverti ouvindo suas histórias e o vendo babar todo o sanduíche, ele sempre faz isso. E garante que é sexy. Vou sentir falta, muita falta. Foi difícil dizer tchau e, como ele, fiquei com a garganta embolada. Estarei em Londres esperando o CD, pequeno.

Mais tarde, ou amanhã, vou passar na cada da Bathatha. A mãe fofésima dela, dona Mimi, fez um cachecol lindo e quente e afofável para mim. Vai ser mais um tchau.

Ainda falta fechar a conta no Banco Real amanhã. Ainda falta mudar o plano no UOL. Ainda falta ligar pro dê-vogado e ver se está tudo bem meeeeesmo. Ainda falta me despedir de mutia gente. Às vezes desconfio de que não conseguirei. Mas às vezes desconfio errado.

Wednesday, June 09, 2004

a maldição dos traveller cheques

E as cagadas, naturalmente, continuam. Assinei os traveller cheques no lugar errado, naturalmente.

Liguei para o American Express e pedi para falar em português. Eles colocaram um intérprete na linha. Foi tipo uma extensão. Eu falava, o intérprete passava para o atendente, o atendente respondia em inglês e o intérprete me repassava a resposta. Tudo como antigamente, eu ligo para fulano e sicrano pega na extensão. Virou uma zona. Isso porque eu entendia melhor o americano texano que estava me atendendo do que o intérprete maldito que falava um português de Portugal. A certa altura, eu já estava corrigindo o intérprete em inglês mesmo, e passei a ignorá-lo e a dialogar direto com o texano. Como o intérprete insistisse em participar da conversa, resolvi desligar o telefone na cara dos dois e começar tudo de novo. Com novo atendente e sem intérprete, desta vez deu certo. Peguei um com sotaque mais decente que o sulista e tudo se resolveu.

It really runs in the family. Já passei sufoco com minha irmã em 1999, no Chile, quando ela fez o mesmo cocô. Só que era o Chile, e nós éramos pirralhas, e estávamos sozinhas, e a mulher que trocava o câmbio (era dentro de uma farmácia, diga-se) fez terrorismo, dizendo repetida e pausadamente que ela minha irmã tinha se fodido porque não tinha como reaver os travellers. E Piu abanava os bracinhos desesperada e tentava discutir com a mulher em espanhol, resultando num patético português com sotaque de húngaro. Eu queria muito ajudar, mas mal pude conter o riso. No final, deu tudo certo. Sempre dá.

Friday, June 04, 2004

o futuro é na esquina

Como sempre, enrolei. Mas agora resolvi contar (algumas) novidades.

Uma semana após minha chegada em Londres, começarei o que chamam carinhosamente de "work experience" - um equivalente ao estágio não-remunerado no Brasil; nem tudo é perfeito - num dos maiores jornais ingleses, The Times. Serão apenas duas semanas, de 21/6 a 4/7, ajudando, de Londres, na cobertura da Eurocopa 2004, que acontece em Portugal. Claro que achei um tesão. Acho que isso pode me abrir portas. Lá pelo meio de julho, passarei uma temporada, provavelmente 10 dias, na Ilha da Madeira. E só quando voltar é que entrarei no esquemão novamente, arranjando, espero, um emprego decente.

Assim está bom. Precisava mesmo ter alguma perspectiva lá, antes de sair do Brasil. O vazio que eu via no futuro estava me sufocando -- quem me conhece imagina.

De qualquer forma, as sábias palavras de minha irmã estão sendo fundamentais para manter a sanidade até onde é possível. Não tem como escapar à ansiedade. Inclusive, a dotôra autorizou: se o circo começar a se armar, duas gotas de Rivotril, sim, senhorita.
check list reatualizada

* Transferir conta do UOL para o cartão de babãe;

* Deixar de besteira e resolver logo a situação com o banco;

* Comprar a camiseta do Ronaldo para o Owen;

* Comprar as Havaianas da Hilary;

* Comprar um *regalito* para Jane;

* Comprar um *regalito* para Roland;

* Comprar minha bota de neve;

* Resolver o perrengue do bota-fora;

* Cobrar meus CDs que estão com o Cadu há muuuuito tempo e sem os quais não vivo;

* Devolver as coisas dos outros há muuuuito tempo comigo; [Se eu preciso te devolver alguma coisa, fale agora ou cale-se para sempre]

* Limpar o computador;

* Tirar xerox do passaporte;

* Cancelar assinatura do Speedy e da linha telefônica.

Estou quase lá... FALTAM 10 DIAS.

Tuesday, June 01, 2004

sua presença é sagrada

Eis o convite para meu bota-fora. Acabei esquecendo de postar ontem.

Enrolei, enrolei, planejei, desplanejei e replanejei. Finalmente decidi: Meu bota-fora oficial será no dia 5/6, sábado, no bar Sagrado. Digo oficial porque, caso você não possa ir, terá a obrigação de criar um bota-fora extra-oficial.

O quê? Ninguém te contou? Você achou que fossem boatos? Não, não. É tudo verdade. Dia 14/6 parto para a Old England sem data para voltar. Então, please, faça uma esforço e venha me ver nessa despedida que vai ser tão importante pra mim.

Será dia 5/6. Estarei no Sagrado a partir das 20:30h, basicamente a hora em que começam a colocar as cadeiras no chão. E ficarei até, bom, até começarem a pôr as cadeiras em cima da mesa. Portanto, sem desculpas. Meu bota-fora pode virar sua pré-balada, sua pós-balada ou, melhor que tudo, sua balada nesse sabadão.

Se quiserem saber mais do bar, entrem em www.sagradobar.com.br. Se estiverem com preguiça, eu informo o principal:

A partir das 22h será cobrado um couvert artístico de R$ 8. A banda de pop rock Moai estará tocando. A partir das 23h, mulher paga R$ 4 de consumação mínima e homem, R$ 12. Tranqüilíssimo.

Logicamente estão convidados namorados(as) e afins. Se animem, falem uns com os outros para combinarem de se encontrar lá, chamem alguém que não chamei porque não tinha o e-mail ou o telefone, ou porque esqueci mesmo, ando bem atarantada. Dêem um jeito porque quero ver todo mundo. Vai ser supergostoso.

Endereço: Rua Dr. Renato Paes de Barros, 994. Fica na primeira esquina depois da Av. Juscelino Kubitschek. Para os perdidos, no site do Sagrado tem um mapa.

É isso aí, gente. Quero ver todo mundo lá para a minha despedida. Quem sabe vocês não terão o privilégio de testemunhar o primeiro porre da minha vida, dançando Fiona Apple com o batom borrado sobre a bancada do bar? Estou apenas confabulando, não se animem tanto. Mas devo confessar que, quanto maior o número de pessoas presentes, maior a chance de eu me empolgar.

Qualquer dúvida, liguem (sorry, não vou pôr meu telefone no blog, néam?) ou escrevam. Se puderem, confirmem até sexta pra eu avisar a moça do bar.

Monday, May 31, 2004

penúltima semana

Estou sendo altamente mimada pela minha família. Minha irmã comprou dois CDs para eu lembrar dela enquanto estiver lá. Ou enquanto eu não voltar, como ela preferiria dizer. Um da Adriana Calcanhotto e outro da Desiree. Minha mãe falou que vai me dar a famigerada bota de neve, que devo comprar ainda essa semana com com Fruca, né não, Fruquinha?

Aliás, essa semana é bom que eu pare de fazer corpo mole e resolva logo pelo menos a questão dos presentes. Só três, só três! Aí, semana que vem fica livre para desfazer tudo: conta no banco, linha telefônica e Speedy. O celular vou dar para a Lígia, minha empregada. Aliás [PAUSA PARA O MERCHANDISING], já avisando, ela é representante da Natura, então se quiserem produtos gostosos em domicílio é só ligar pro meu celular a partir de 15 de junho e falarão com uma simpática carioca ligeiramente mercenária mas sempre honesta [DESPAUSA].

Daqui a pouco escrevo sobre o bota-fora. Muitos engraçadinhos já vieram me perguntar quando será o bota-dentro. Assim, estou saindo essa semana para adquirir a bota, aí só fica faltando vocês de quatro.;-)
check list atualizada

* Transferir conta do UOL para o cartão de babãe;

* Deixar de besteira e resolver logo a situação com o banco;

* Comprar a camiseta do Ronaldo para o Owen;

* Comprar as Havaianas da Hilary;

* Comprar um *regalito* para Jane;

* Comprar um *regalito* para Roland;

* Comprar minha bota de neve;

* Resolver o perrengue do bota-fora;

* Cobrar meus CDs que estão com o Cadu há muuuuito tempo e sem os quais não vivo;

* Devolver as coisas dos outros há muuuuito tempo comigo; [Se eu preciso te devolver alguma coisa, fale agora ou cale-se para sempre]

* Limpar o computador;

* Tirar xerox do passaporte;

* Cancelar assinatura do Speedy e da linha telefônica.

Saturday, May 22, 2004

there's a party in my head

É claro que há muito mais acontecendo. Apareceu viagem, apareceu trabalho, apareceu um monte de coisas, mas não quero falar de nada antes de acontecer de fato.

De qualquer forma, estou muito feliz. É óbvio que aconteceram coisas nos últimos tempos que me deixaram meio hesitante, mas em momento algum pensei em deixar de ir. Apenas, como disse antes, lamentei que essas coisas boas só acontecessem agora.

E, de repente, essas mesmas coisas só aconteceram porque estou indo embora. Porque do jeito que sou, é capaz que, se não houvesse o desafio da minha partida, eu não me deixasse envolver.

Mas não adianta pensar nisso agora. Estou feliz com todo o turbilhão, apesar da vertigem que ele causa. E quero que continue assim, para fazer passar mais rápido esses últimos dias. Quando fico quieta, sem alguém para me entreter, logo começo a pensar e repensar no que vai e no que fica, e isso pode fazer muito bem para muita gente, mas para mim, tendo a cabeça que tenho, não.
check list

* Transferir conta do UOL para o cartão de babãe;

* Deixar de besteira e resolver logo a situação com o banco;

* Comprar a camiseta do Ronaldo para o Owen;

* Comprar as Havaianas da Hilary;

* Comprar um *regalito* para Jane;

* Comprar um *regalito* para Roland;

* Comprar minha bota de neve;

* Resolver o perrengue do bota-fora;

* Cobrar meus CDs que estão com o Cadu há muuuuito tempo e sem os quais não vivo;

* Devolver as coisas dos outros há muuuuito tempo comigo;

* Limpar o computador;

* Tirar xerox do passaporte;

* Cancelar assinatura do Speedy e da linha telefônica.

... Devo estar esquecendo um batalhão de coisas.

Monday, May 17, 2004

desabafo

Algumas coisas já estão ficando com gosto de últimas. Outras, incrivelmente a menos de um mês da viagem, parecem estar começando - e terão, inevitavelmente, creio eu, uma morte prematura.

Engraçado -- me dêem licença para filosofar -- que realmente o carrossel não pára. Eu achava que daqui até o final, até a partida, até o recomeço, eu achava que até lá as coisas só iriam acabar. Tudo seria derradeiro. Todos os espetáculos seriam os últimos, todas as pessoas só seriam despedidas, e não encontros. Incrível como a vida acontece sem que se tenha pleno poder sobre ela (ou vai ver se tem, mas num plano sobre o qual nem temos controle). As pessoas não param de aparecer e desaparecer do seu mundo. E parece que isso tudo às vezes quer deixar uma única mensagem: aonde quer que você vá ou fique, as coisas vão acontecer de qualquer forma. E isso é doce, apesar de que a vontade é de que as coisas só aconteçam mesmo no lugar que você escolheu para elas acontecerem. Será que vocês estão me acompanhando?

Se a vida fosse sempre uma grande despedida, eu poderia até viver com um coração meio machucado, mas poderia encher a boca para dizer que sou, finalmente e plenamente, uma pessoa feliz.

Monday, May 10, 2004

preview

Dêem uma olhada nisso.

Aiai.
regalitos

Agora vou atrás de uma camisa do Ronaldo para o caçula, Owen. Onde vende mais barato, hein?! Alguém sabe?

Minha irmã sugeriu uma falsificada, porque seria bem mais a cara do Brasil. Nem respondi.
desastre

Que legal. Tive o dom de deletar a lista das pessoas para o bota-fora. Vamos começar tuuuudo de novo.

Sunday, May 09, 2004

say goodbye

O lugar do bota-fora está quase decidido. Provavelmente será numa casa na Vila Madalena, muito legal, diferente e, creio, a minha cara. Chama Vintage. Fui lá ontem com a Fê, para conhecer, e curti. Acho que todos vão adorar. E deverá sair em torno de $20 de consumação. Não é muito, né?

Então façavor de me dizer se vai porque estou montando a lista. E pode levar quem quiser, desde que me avise para eu pôr o nome. Reservem o dia 5 de junho, então, hein?!

***

Vou copiar a idéia da irmã da Cá, que, quando foi para a Nova Zelândia, levou uma bandeira do Brasil com recado de todos os amigos. Então, quem for na festa vai me deixar um bilhetinho para eu ler e rir e chorar e rir e chorar e reler láááá longe.

Friday, May 07, 2004

way to go!

Quarta-feira passada falei com meu primo pelo telefone pela primeira vez. Foi estranho mas muito legal. Estranho porque a ligação tava meio lenta, tinha aqueles delays lamentáveis que provocam gaps de silêncio para em seguida falar-se tudo ao mesmo tempo. Mas eu sabia que seria assim. Foi muito fofucho da parte dele querer me ligar, nem que seja para não falar nada demais.

Quer dizer, nada demais, não.

Ele disse que tentaria arranjar um summer job para mim no London Times.

*Só* isso.

Claro, disse para eu não criar esperanças, que não seria fácil e tal. É *óbvio* que eu criei esperanças, néam? Mas não precisam se preocupar. Não tenho o menor pudor ou temor de arremessar meu currículo ao mundo. O máximo que pode acontecer é ele voltar como um bumerangue. E nem vai me machucar: meu CV não é tão pesado assim.

***

Afora o lance do Times, ele disse que há alternativas, como o clube de tênis em que um de seus filhos, o Roland, trabalhou, e o chiquetérrimo Selfridge's, onde eu poderia trabalhar na alta estação, julho/agosto.

Tudo a ser estudado. E muito, muito agradecido.

***

Frubinha e eu estamos uma pilha. Ela também mal se contém, e olha que só deve ir para Old England em setembro/outubro. De qualquer forma, até lá quero ver se já vou estar no meu cantinho, que mais adiante será dividido com Frubinha. A gente sempre quis morar junto. Já fizemos milhares de planos e tudo mais, que foram só planos mesmo. Nunca imaginaríamos que quando finalmente fôssemos viver juntas, seria em outro país.

***

Tarefas cumpridas hoje: versão do meu CV para o inglês e compra do presente do John - um livro de fotografias de São Paulo.

Monday, May 03, 2004

demorou

Ah, sim, claro, aquele post insignificante cujo conteúdo era simplesmente "alô" era, de fato, insignificante, ao contrário dos comentários. Às 10 pessoas que comentaram: DESCULPA! Fiz merda! Não sei como, mas consegui fazer o post sumir. Bom, agora já foi. Nem vou reclamar. Eu, que já estou acostumada a perder posts quilométricos.

Mas li todas as mensagens. Vocês são foda. Valeu. Mesmo.
personagens

Acabo de descobrir que junto comigo estarão hospedados na casa de meu primo mais uma penca de gente. Paige, namorada do Roland. Um casal de Blandys australianos. Hugh, sobrinho de Jane. Fora o usual. John, Jane, Roland, Owen. E Biggles.

Vão se acostumando: John é meu primo. Na verdade, primo do meu pai. Jane é sua mulher. Eles têm três filhos, Hilary, Roland e Owen. Hilary mora em Cambridge, onde se formou. E Biggles, a cadela. Familiarizem-se. São novos personagens que farão parte do dia-a-dia deste blog. Spoooooooky.

Chegar a Londres estabanada, fóbica social que sou, e enfrentar uma full house não é das situações que mais me encantam, mas sem dúvida vai ser essencial, inclusive para sair daquele buraquinho, muitas vezes escuro, muitas vezes frio, que atende pelo nome de eu mesma.

Abaixo trechos do e-mail do John.

"Anyway, I hope you will keep a diary of your visit. I intend that we shall both make our fortunes and our reputations. You will write a weekly column for some publication back in S. Paulo. Perhaps it will be in "Martian" style. You know, a Martian arrives on Earth and tries to explain his experiences to the follks back home. Or perhaps just a satirical view of the English, making funny caricatures of the Blandys for instance. Anyway it will be immensely good and successful and Brazilian publishers will be queuing up to turn it into a book. I shall also be keeping a diary - based perhaps on your initial perceptions as we travel through the various levels of society from the gutters to the extremely beau monde. I shall offer these little accounts to a publication like the London Spectator. Then serialisation, books, TV, movie rights etc

Well, we are also anxious about your visit. Perhaps you will find it all a bit flat. A bit small. A bit unexciting. Perhaps we are just too cold and we promise more than we deliver.

But we are making a big effort to prepare ourselves. Owen is studying the video of Cidade de Deus as part of his studies of South American development and will shortly be looking at Carandiru the film for an understanding of S Paulo. He also wonders if it is still cool to worship Ronaldo. Jane is thinking of taking up capoeira and wants to spend a weekend in Daslu. Roland wants to know the difference between a Rio and S Paul funkeiro. I was going to see the film As Tres Marias but it closed after a day when no one turned up at the cinema, so I have decided to tackle Machado de Asis. Biggles wants to meet a Fox Paulistinha for friendship and walks in the park. Hilary wants to know if the Banco Central de Brasil wants to borrow money at a good rate.

Buy that diary now! And don't bother to answer this. I'm sure you have better things to do"


Para vocês verem que realmente tirei a sorte grande.