Monday, June 21, 2004

com acento

Esse post era para ter sido postado na sexta-feira, mas nao rolou pq o computador tava podre. Ei-lo:

Estou fazendo minha primeira tentativa via notebook. Neste exato momento, está tudo quase exatamente como em Sampa. Estou de moletom, escrevendo e escrevendo, com um saquinho de chocolates ao lado. Hershey’s, que minha irmã pôs de surpresa na mala. O celular ao lado, já quase completamente desvendado. Um sorriso de orelha a orelha por ter falado com tantas pessoas importantes na minha vida. Primeiro foi o Ti, no MSN. Depois, babãe. Aí, minha Piu amada ligou e, uns cinco minutos depois, tive a agradabilíssima surpresa de falar, pela primeira vez d’além-mar, com babái.

Ainda hoje falei ao telefone com o tio Hans. Ele é meu tio avô, tem 95 anos, e eu vou conhecê-lo em breve. Infelizmente cometi a cagada de marcar minha ida a Brighton, que é onde ele mora, para a quinta-feira da semana que vem. Esqueci que já estarei trabalhando no Times. Oh well, haverá outras oportunidades. De qualquer maneira, foi realmente emocionante falar com ele por telefone e descobrir que sua voz é idêntica a de meu avô. Se for tão fofo quanto, estarei perdida. O velhinho ficará sem bochechas. Sério mesmo. Também falei com Odile, cujo parentesco com meu tio avô minha mãe já me explicou trocentas vezes, mas eu teimo em esquecer. Enfim, ela é minha parente em algum ponto da árvore genealógica e estava do lado do tio Hans quando liguei. Só que ela falou muito enrolado e foi foda, a ligação estava péssima porque não era local, mas no final deu tudo certo. Como podem ver, muitas conversas importantes hoje. Foi um dia produtivíssimo para ser um dia bunda.

À noite encontrei com dois amigos brasileiros. Os dois não se conheciam e foi ótimo porque é mais um contato para cada um deles também. Andamos feito uns camelos aqui por Willesden Green e não achamos o maldito pub que deveria existir por ali. Voltamos tudo e fomos num desses fried chickens da vida, já que os pubs de fato não servem comida na hora do jantar, um grande paradoxo em minha concepção de pub, mas enfim. Eles insistiram na pint, então fomos a um pub depois do frango. Quase me empurraram goela abaixo metade de um copo de cerveja. Não foi tão ruim, mas nada tão bom que me faça querer repetir. De qualquer maneira, foi reconfortante passar umas horinhas só falando em português, bem rápido e entendendo tudo.

Acabei de chegar em casa. Voltei o caminho todo apagando as mensagens de texto antigas no celular do Owen que agora é meu. Cheguei e conversei um pouco com a Jane, a mulher do meu tio John, lembram? Ela é professora de inglês, mais especificamente literatura inglesa, em colégios.

Talvez amanhã role um teatro com Roland e Paige à noite. Mas não sei. Acho realmente chato o John não me deixar pagar nada. De qualquer forma, vejo que ele *quer mesmo* dar esse presente. Aliás, um presente caro: 25 libras por pessoa, o equivalente a uns 140 reais.

Chega. Estou cansada e vou deitar. Estou lendo Alain de Botton, A Arte de Viajar, que Piuzinha me emprestou. Está sendo absurdamente importante. Não imaginei que fosse tanto. Aliás, todo mundo que quer, vai ou já passou por essa experiência de morar fora e viajar pelo mundo deveria ler. Um verdadeiro tratado sobre os vazios que sempre vivenciamos, muitas vezes omitidos em nossa expectativa.

Agora chega mesmo. Como podem ver, estou por mais um motivo feliz: consegui escrever como uma verdadeira rapariga, com acentos. Aos que mandarem e-mails (alguns me perguntaram isso), podem manter os acentos.

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