Tuesday, January 27, 2009

os melhores dias

24/1

Acordamos sem pressa, fizemos tudo devagar e deus sabe quao sabios estavamos sendo. Pegamos o trem das 2pm para Nagarkot, uma cidade nas montanhas ao nordeste de Kathmandu. Pegamos uma pousadinha um pouco mais cara que o nosso budget de US$10 (US$15 pelo quarto) e ficamos num quarto bem bacana. Na verdade os primeiros momentoss em Nagarkot foram meio frustrantes. Chegamos pensando na possibilidade de uma vista frontal dos himalaias e nao vimos absolutamente nada. Uma nevoa impedia que vissemos alem de uns 500 metros. Alem disso, estava muito frio e, embora tivessemos trazido agasalho quente e calca termal, cometemos o abuso de pedir quatro edredons.

Nagarkot eh uma vilazinha pequena cheia de casinhas espalhadas, vendinhas bem simples e pousadas e hoteis vendendo a melhor vista dos himalaias. Nao ha muito o que fazer, really, a nao ser relaxar e torcer para a nevoa sair e podermos admirar as montanhas.

25/1

Levantamos antes do amanhecer para ver o sol nascendo por traz das montanhas do himalaia. Novamente nos frustramos. Vimos uma sombra de biquinho da montanha que nao durou 5 minutos e logo estava tudo encoberto por nuvens.

Demos entao Nagarkot por visto e comecamos a longa caminhada que se encerraria em Dulikhel. Arrumamos tudo devagar e saimos do hotel 11 da manha com as malas nas costas e um sorriso no rosto por comecarmos nossa primeira verdadeira aventura: uma caminhada de 3,5 horas ateh a cidade vizinha. Ou assim dizia a bosta do Lonely Planet.

Para comecar, caminhamos por 1 hora e meia, subida constante, ateh a Lookout Tower. A caminhada valeu a pena. Conseguimos ver as pontinhas dos Himalaias de la e tambem conhecemos uma familia de nepaleses Sherpa muito simpaticos que fizeram parte da subida conosco. Fizemos nosso pic-nic e seguimos por uma trilha que, segundo a bosta do Lonely Planet, nos levaria em 1,5 hora ateh Nala, a cidade vizinha a que pretendiamos chegar e de onde sai o onibus para Dhulikel – ou assim dizia a bosta do Lonely Planet.

Resumindo, a caminhada levou um total de 6 horas. Ridiculamente exustiva mas, confesso, a melhor parte da viagem inteira ateh agora. A trilha passava por varios vilarejos rurais em que todo mundo te cumprimenta, quer saber de onde voce eh, para onde vai e como se chama. Devemos ter dito mais de mil Namastes. As criancas me mataram de fofura. Pondo as palminhas nas maos juntas e falando, sempre sorrindo “na-m-teeee”. O Alexandre teve que ficar me puxando o tempo todo porque eu parava para falar com cada pequeno. Foi uma delicia.

Chegamos em Nala com o sol ja caindo e ja sem achar la tanta graca em tudo. Estavamos sujos, exaustos, com fome e ja com dores nas costas (o que se gravaria no dia seguinte, claro). Foi um alivio pelo menos ver que havia carros passando. Nos aproximamos de uma rodinha de 3 homens mais ou menos bem vestidos e que, julgamos, falavam ingles. Um deles conseguia se comunicar e nos informou: nao havia onibus para Banepa ou Dulikhel, nao havia taxi, nao havia hotel. Basicamente, estavamos fodidos. Iamos ter que ficar hospedados na casa de alguma boa alma em trocas de algumas rupias, ou teriamos que pegar carona. O cara que se comunicava, turnos out, conhecia a vila inteira e mobilizou duas motocicletas para nos levar.

Antes das motocicletas, uma meia hora se passou - tempo suficiente para que todo mundo da vila se reunisse em volta dos banquinhos onde estavamos sentados e ficassem nos olhando. Um pegou no cabelo do Alexandre, a outra ficou comparando a grossura da coxa dela com a minha (tadinha), a outra ficou abismada com meus brincos (comprados na India por sinal) enquanto eu fiquei abismada com a simplicidade dos brincos dela: uma argolinha de linha de carretel preta apenas, que com certeza foi colocada no furo com uma agulha de costura, e as extremidades da linha amarradas num nozinho para formar a argola. Encantador! Mostrei as fotos que havia tirado com minha camera digital e todas as criancas se juntaram em volta de mim para ver. Estava quase sufocando de tanta gente quando comecou uma verdadeira guerra civil entre as criancas. Vi chutes, puxadas de cabelo, pescotapas, socos etc. Todo mundo na faicxa etaria de 5 a 10 anos se matando para pegar uma posicao melhor para ver as fotografias. Bom, tive que dar um basta. “That's it, finished now!” eu disse, e a criancada obedeceu, meio com medo da loira louca que dava bronca sorrindo.

Subimos nas motos depois de concordar com o roubo de 500 rupias por cabeca e fomos para o hotel em Dulikhel.

Nao gostamos. O quarto era ok, mas o banheiro fedia pacas e nao tinha agua quente e a torneira nao funcionava direito, nem a descarga. Reclamamos com o faz-tudo do hotel, que conseguiu trabalho mesmo sendo fanho e tendo um ingles muito basico. Foi complicado. Ele se irritando que a gente nao entendia, nos nos irritando que ele nao saabia falar e ele se irritando que a getne se irritava que ele nao conseguia falar, e assim ia. No final, ficamos com esse quarto mesmo, mas pegamos a chave de mais outro para tomar banho e usar o banheiro.

Depois do jantar (minha primeira refeicao nao vegetariana desde que cheguei na Asia, sweet and sour chicken) fomos tomar banho no quarto numero 2 e, tchum, a luz acabou bem no meio. Desespero, breu total. Eu tava bem de saco cheio de estar tao cansada de tanta caminhada, sol na cabeca, hotel ruim, moto cara etx, e ainda ter que passar por mais perrengue. Deu vontade de sentar no chao e chorar, mas o chao era tao sujo... Fomos dormir bem cedo depois de contemplar um dos ceus mais espetaculares que ja vimos, com mais estrelas do que sou capaz de contar.

E apesar dos pesares, esse foi o melhor dia da viagem so far. A caminhada por entre os vilarejos com vista para as montanhas foi inesquecivel. E o melhor: fizemos tudo sozinhos, so nos dois. Nao podia ter sido melhor.

26/1

Acordamos sem relogio, mas mesmo assim antes das 8. Tudo doia. Costas principalmente. O Alexandre sentindo a panturrilha e as coxas. Dois idosos de 28, 29 anos. Abrimos a janela do quarto e uma surpresa: os Himalaias! Finalmente eles sorriam para nos. A cordilheira todinha foi ssaindo conforme o sol subia. Tomamos cafeh na frente da montanha e depois ficamos na sacada em frente ao quarto, fazendo alongamento e kenkodo (massagem do aikido que o Alexandre aprendeu, lucky me!) com vista para os picos nevados. Saimos do hotel meio-dia e quase chorei de ter que por de novo o backpack nas costas, mas fazer o que? Nao tinha muita escolha. Mais caminhada morro acima, uma meia horinha apenas.

Chegamos em Dulikhel downtown e decidimos que nao tinha muito o que ver na cidade, a nao ser alguns templos hindus, e ja estavamos meio de saco cheio de templos hindus porque vimos muitos, e sao todos meio parecidos. Resolvemos entao almocar na cidade e depois pegar um onibus local de volta a Kathmandu.

O onibus foi uma experiencia a parte. Para se ter uma ideia, a distancia de Dulikhel para Kathmandu eh de uns 30km. O busao teve o dom de levar 2 horas! Sim, uma media de 15km/h. Mas o que nao fazemos pela bagatela de 5 rupias, nao eh mesmo, minha gente? 35 rupias sao tipo R$1, para viajar de uma cidade a outra. Ta bem ok. Viajamos sentados, que eh o que importa. Aspiramos bastante a poluicao e, apesar da zona, estamos meio felizes de estarmos em Kathmandu (bem incongruentes, uma vez que dois dias antes nao viamos a hora de sair, mas que loucuras nao fazem os sentimentos de familiaridade, nao eh mesmo?). Voltamos para a mesma pousadinha, nos deram um quarto parecido mas melhor que o anterior, ficamos felizes e saimos para tirar dinheiro (eba! ATM! Fazia 2 dias que nao haviamos cruzado com um e comecamos a ficar preocupados) e comprar mantimentos.

Na volta, paramos para jantar num lugar descaradamente ocidental. Comemos pizza quatro queijos (mussarela, parmesao, queijo de cabra, queijo de yak – qual a traducao para yak?) e tomei um very longed for espresso.

Amanha eh dia de cair na estrada de novo. Vamos pegar um busao aas 7 da manha para Pokhara – 6 a 7 horas de viagem. Ponham Pokhara no Google Images para terem uma ideia. Nao sabemos quanto tempo ficaremos por la, nem quao facil eh o acesso, mas nao vos decepcionarei, prometo! Atualizo assim que puder.

De forma geral, estamos mais magros, corados e com casca mais grossa. Que venham os proximos 2 meses de viagem!

27/1

Acordamos 6am para pegar o onibus para Pokhara. Foi um pouco chato levantar, ir no banheiro e me deparar com um rato morto boiando na privada. Mas a gente vai relevando coisas cada vez mais irrelevaveis. Saimos mais uma vez do Khangsar Guest House e chegamos no ponto de onibus. Tinhams uns 50 onibus estacionados, o nosso era o ultimo. Uma bosta. Parecia onibus de cidade, o cara inventada acentos marcados e nos colocou no fundo do onibus. Tentei discutir mas o negocio ia engrossar, entao calei a boca e me resignei a vingancinhas do tipo jogar papel no chao, limpar a mao no acento do onibus etc. Muito adulta, eu sei.

Ao nosso lado viajou um coreano e um cara de Singapura (singapureano? Singapureo? Singapureiro?). Depois de mais de 6 horas de viagem, muitas paisagens lindas, muitas curvas e muitos vomitos (nao meus, claro, nem do Ale), chegamos em Pokhara.

Preciso dizer que foi amor a primeira vista. Ficamos no Dharma Guest House por US$6 a noite e saimos para passear antes mesmo do check-in. Nem cinco minutos do hotel vimos outro, Lakeside Guest House, que custa US$8 e eh bem melhor que o nosso. Amanha mudaremos. Almocamos la e seguimos contornando o lago Fewa. Consideramos um passeio de barco, mas vamos deixar para amanha. Demos uma sondada na cidade e a decisao foi unanime. Vamos ficar aqui ateh o dia 3/2, quando voltaremos a Kathmandu para partir para a Tailandia no dia seguinte.

Ainda nao sabemos bem como vamos usar nossos dias. Tem barco, tem caiaque, tem caminhadas de alguns dias pelas montanhas, tem caminhadas de um dia soh, como a do World Peace Pagoda, tem para-gliding, tem absolutamente tudo o que pode querer alguem vidrado em esportes de aventura. Tudo pode acontecer quando se tem 7 dias em um lugar.

Depois de longo passeio na beira da lagoa, com paradas para cafeh, para acariciar vacas e perguntar preco de algumas atividades, comecamos a voltar para o hotel. O por-do-sol estava lindo sobre o lago e ficamos sentados numa mini-pagoda admirando o silencio e nossa sorte de ter vindo parar aqui.

Chegamos finalmente no hotel quando ja estava escuro. A luz ainda nao tinha voltado, mas nada me deixaria de mal humor. O plano eh mais tarde irmos ao Cafeh Amsterdam, lugarzinho cool que parece ter rock e blues ao vivo.

Agora estou aqui, escrevendo, esperando a luz voltar para achar alguma conecao aberta e mandar noticias. Estou com muita saudade de todos, especialmente da minha amada hermeneuta, com quem sonhei essas noites!

Saturday, January 24, 2009

duas semanas sem chuva

A parte da India estava praticamente acabada. Estavamos saindo para jantar quando, no lobby do hotel, nos deparamos com Henrique e Carol, casal querido que soh achavamos que encontrariamos em Bangkok, com sorte no ultimo dia de Nepal.

Pegamos um tuk-tuk a quatro (experiencia que nao recomendo visto que um tuk-tuk eh feito para levar dois passageiros) e fomos para Connaught Place, o lugar mais touristy de Delhi, mas muito legal tambem. Entramos num restaurante que foi recomendado pelo nosso motorista, mas ficamos com nojinho e soh comemos um cheese naan. De la fomos para um outro restaurante, bm mais caro mas com ambiente bem bom e comida idem. Conversamos muito, pusemos fofocas em dia, eles contaram como haviam sido os primeiros dois dias de viagem deles, nos contamos como fora nossa primeira semana. Uma delicia fechar India entre amigos.

Dia seguinte acordamos cedo e, apos um parto para fazer o check-out e conseguir nosso transfer para o aeroporto, chegamos sem correria. O aeroporto de Delhi, por causa dos ataques terroristas em Mumbai, estah um porre. Carimbam tudo, checam tudo, inclusive a policia nao deixa ninguem que nao tenha passagem na mao e passaporte entrar no saguao do aeroporto. Enfim, um mal necessario, maybe.

O voo ao Nepal durou 1h40min e de la de cima vimos o Himalaya. Chegamos em Kathmandu, pegamos o visto, as malas, e a paciencia que quase nao havia sobrado da India, para enfrentar a multidao de taxistas querendo nos levar para o hotel x ou y ou z, em que, naturalmente, eles ganhariam comissao caso “convertessem” um turista. Escolhemos pagar por um taxi que nao ganharia comissao. Primeira impressao foi ruim, confesso. Kathmandu eh uma zona, suja, poluida. Chegamos no Tibet Guest House, nossa primeira opcao, mas nao curtimos a relacao custo/beneficio.

Acabamos escolhendo o Khangsar Guest House, por cujo quarto de casal estamos pagando 6 dolares a diaria. Nao eh la um Hilton, claro. O banheiro, como bem descreveu o Lonely Planet, eh anorexico. Mas o chao eh de madeira, o quarto superiluminado e mais ou menos limpo. Tirei fotos e quando der para subi-las o farei.

Nos acomodamos e fomos jantar no Yak Cafe, o que seria nosso recanto todas as noites em Kathmandu. Comemos vegetable momos kottha, uma especie de dumpling frito tipico da culinaria nepalesa/tibetana. Alexandre comeu um ensopado de bufalo tambem. Demos o dia por acabado e fomos dormir sem nem saber que horas eram no horario local.

Dia seguinte, 22/1, dedicamos para ver tudo o que ha para ser visto em Kathmandu City.

Resumindo, muita gente, muito lixo (os coletores estao em greve, parece, entao fica um amontoado de lixo a ceu aberto no meio da rua, sem saco nem nada), muita poluicao (Kathmandu fica num vale entre montanhas altas, entao a poluicao produzida fica toda retida aqui). Depois de resolver pendencias burocraticas do tipo tirar dinheiro, comecamos uma caminhada do nosso bairro, Thamel, ateh Durbar Square, o principal ponto turistico. Chegando la tem um sem numero de altares e templos hindus, estatuas budistas, muita pomba, muito pedinte e muito picareta insistindo em ser nosso “guia”. Nao ficamos muito impressionados com Durbar Square, especialmente porque para circular precisamos pagar 200 rupias nepalesas (cerca de £2; pouco, eu sei, mas pagar pra andar na rua eh dose).

Depois de um almoco delicioso nepales num lugarzinho em Freak Street (!), pegamos um taxi para Patan, a cidade vizinha. Fomos direto ao Durbar Square de Patan que, dizem, eh bem melhor que o de Kathmandu. Concordamos. Eh bem mais legal sim, mas ainda assim cheio de vendedores ambulantes, pedintes, guias picaretas etc etc etc. Resolvemos voltar de Safa Tempo, uma especie de mini-lotacao eletrica em que se paga 10 rupias (tipo 10 pence) e as pessoas vao subindo e entupindo ateh ficar neguinho pendurado para fora. Valeu a experiencia, principalmente porque tinhamos acento bonitinho, do lado da janela. Otherwise eu estaria fora easily.

Os dias aqui tem que acabar cedo. Nao eh porque temos que acordar cedo, eh porque nao ha o que fazer. Explico: o Nepal inteiro esta passando por uma crise de energia absurda. Segundo um carinha com quem conversamos no Safa Tempo, a principal fonte de energia eh hidreletrica e simplesmente nao chove. Resultado eh o que vamos viver por 15 dias e que o povo daqui ja vive ha meses e sem data para terminar: apagao de 16 horas por dia. Repito, 16 HORAS POR DIA SEM LUZ OU ELETRICIDADE. Apenas 8 horas aleatorias (muda todo dia) de energia sao distribuidas em cada cidade. Fora das 8 horas, neguinho se vira com gerador e, se for de noite, todo mundo com lanterna em punhos porque nao ha nada iluminando o caminho a nao ser ocasionais carros.

Sendo assim, dormimos cedo e acordamos mais tarde do que gostariamos, mas ainda assim cedo. Estavamos de cafeh tomado e tudo pronto para maiss um dia aas 9h. Fomos a peh ateh o Swayambhunath, ou o templo dos macacos. Foi maravilhoso. A caminhada eh nojenta mas o destino final compensou. Chegamos la e fomos recebidos por dezenas de macacos assustadoramente humanos. Subimos o morro aos poucos, parando de vez em quando para rodar as praying wheels dos budistas e tirar fotos de bandeiras, macacos etc. Chegamos la em cima e nos maravilhamos com a stupa budista e as dezenas de templos e monasterios ao redor. Sentamos para um chai com um budista fofo que soh falava Ronaldo Calo ao se referir ao jogador de futebol Roberto Carlos.

Depois de algumas horas rodando o templo e alguma praying wheels, voltamos para o hotel, tomamos um banho (foi a vez do Alexandre ser cagado por pombas na rua) e fomos almocar. Conhecemos um frances gente boa que viaja 3 meses por ano por locais, digamos, diferentes. O cara eh meio louco. Veio pro Nepal tentar atravessar a fronteira e chegar no Tibet, o que eh arriscado (para a saude por causa da altitude e para sua integridade fisica por questoes sociopoliticas). Enfim, good luck for him.

Demos um tempo no hotel e pegamos um taxi para Bodnath, outra cidade vizinha que possui forte influencia e presenca tibetana e budista. Fomos direto a Bodhnath stupa, a maior do mundo! E chegamos la ao entardecer justamente para pegar os budistas fazendo seus mantras e prostacoes em sentido horario ao redor da stupa. Foi uma das experiencias mais misticas que tivemos ateh agora. Um lugar definitivamente especial e forte candidato a preferido so far.

By the way, stupas sao construcoes que abarcavam reliquias sagradas. Esta stupa em especial, dizem as mas (boas?) linguas, foi construida sobre um osso do proprio Buda.

Voltamos para o hotel de otimo humor apos um dia tao bom e tao especial, cheio de bons fluidos budistas. Aproveitamos o apagao para sair para jantar num lugar que sabiamos que teria gerador (Yak Cafe, claro). O Alexandre viciou em Thungba (uma cerveja quente que parece um chimarrao de millet) e o frances do almoco, que encontramos no hotel quando saimos para jantar, foi com a gente tambem. Agora, queridos, aproveito que a luz voltou para postar isto aqui e mante-los informados.

Estamos otimos, sem tropecos e sem problemas. Estamos nos virando muito bem e barganhando como nunca. Estamos quase afiados para a volta ao Brasil. ;-)

Eh isso. Amanha devemos pegar um busao para Nagarkot, de onde faremos um trekking de umas 3 horas para outra cidadezinha, de onde pegaremos um onibus para Dulikhel. Tudo serah devidamente documentado uma vez que os fatos de fato acontecam. Por aqui a gente nunca sabe!

**

Ah sim, e o titulo do post, nada a ver com o conteudo, eh verdade. Duas semanas sem chuva, para quem vem de Londres, eh quase inconcebivel!

duas semanas sem chuva

A parte da India estava praticamente acabada. Estavamos saindo para jantar quando, no lobby do hotel, nos deparamos com Henrique e Carol, casal querido que soh achavamos que encontrariamos em Bangkok, com sorte no ultimo dia de Nepal.

Pegamos um tuk-tuk a quatro (experiencia que nao recomendo visto que um tuk-tuk eh feito para levar dois passageiros) e fomos para Connaught Place, o lugar mais touristy de Delhi, mas muito legal tambem. Entramos num restaurante que foi recomendado pelo nosso motorista, mas ficamos com nojinho e soh comemos um cheese naan. De la fomos para um outro restaurante, bm mais caro mas com ambiente bem bom e comida idem. Conversamos muito, pusemos fofocas em dia, eles contaram como haviam sido os primeiros dois dias de viagem deles, nos contamos como fora nossa primeira semana. Uma delicia fechar India entre amigos.

Dia seguinte acordamos cedo e, apos um parto para fazer o check-out e conseguir nosso transfer para o aeroporto, chegamos sem correria. O aeroporto de Delhi, por causa dos ataques terroristas em Mumbai, estah um porre. Carimbam tudo, checam tudo, inclusive a policia nao deixa ninguem que nao tenha passagem na mao e passaporte entrar no saguao do aeroporto. Enfim, um mal necessario, maybe.

O voo ao Nepal durou 1h40min e de la de cima vimos o Himalaya. Chegamos em Kathmandu, pegamos o visto, as malas, e a paciencia que quase nao havia sobrado da India, para enfrentar a multidao de taxistas querendo nos levar para o hotel x ou y ou z, em que, naturalmente, eles ganhariam comissao caso “convertessem” um turista. Escolhemos pagar por um taxi que nao ganharia comissao. Primeira impressao foi ruim, confesso. Kathmandu eh uma zona, suja, poluida. Chegamos no Tibet Guest House, nossa primeira opcao, mas nao curtimos a relacao custo/beneficio.

Acabamos escolhendo o Khangsar Guest House, por cujo quarto de casal estamos pagando 6 dolares a diaria. Nao eh la um Hilton, claro. O banheiro, como bem descreveu o Lonely Planet, eh anorexico. Mas o chao eh de madeira, o quarto superiluminado e mais ou menos limpo. Tirei fotos e quando der para subi-las o farei.

Nos acomodamos e fomos jantar no Yak Cafe, o que seria nosso recanto todas as noites em Kathmandu. Comemos vegetable momos kottha, uma especie de dumpling frito tipico da culinaria nepalesa/tibetana. Alexandre comeu um ensopado de bufalo tambem. Demos o dia por acabado e fomos dormir sem nem saber que horas eram no horario local.

Dia seguinte, 22/1, dedicamos para ver tudo o que ha para ser visto em Kathmandu City.

Resumindo, muita gente, muito lixo (os coletores estao em greve, parece, entao fica um amontoado de lixo a ceu aberto no meio da rua, sem saco nem nada), muita poluicao (Kathmandu fica num vale entre montanhas altas, entao a poluicao produzida fica toda retida aqui). Depois de resolver pendencias burocraticas do tipo tirar dinheiro, comecamos uma caminhada do nosso bairro, Thamel, ateh Durbar Square, o principal ponto turistico. Chegando la tem um sem numero de altares e templos hindus, estatuas budistas, muita pomba, muito pedinte e muito picareta insistindo em ser nosso “guia”. Nao ficamos muito impressionados com Durbar Square, especialmente porque para circular precisamos pagar 200 rupias nepalesas (cerca de £2; pouco, eu sei, mas pagar pra andar na rua eh dose).

Depois de um almoco delicioso nepales num lugarzinho em Freak Street (!), pegamos um taxi para Patan, a cidade vizinha. Fomos direto ao Durbar Square de Patan que, dizem, eh bem melhor que o de Kathmandu. Concordamos. Eh bem mais legal sim, mas ainda assim cheio de vendedores ambulantes, pedintes, guias picaretas etc etc etc. Resolvemos voltar de Safa Tempo, uma especie de mini-lotacao eletrica em que se paga 10 rupias (tipo 10 pence) e as pessoas vao subindo e entupindo ateh ficar neguinho pendurado para fora. Valeu a experiencia, principalmente porque tinhamos acento bonitinho, do lado da janela. Otherwise eu estaria fora easily.

Os dias aqui tem que acabar cedo. Nao eh porque temos que acordar cedo, eh porque nao ha o que fazer. Explico: o Nepal inteiro esta passando por uma crise de energia absurda. Segundo um carinha com quem conversamos no Safa Tempo, a principal fonte de energia eh hidreletrica e simplesmente nao chove. Resultado eh o que vamos viver por 15 dias e que o povo daqui ja vive ha meses e sem data para terminar: apagao de 16 horas por dia. Repito, 16 HORAS POR DIA SEM LUZ OU ELETRICIDADE. Apenas 8 horas aleatorias (muda todo dia) de energia sao distribuidas em cada cidade. Fora das 8 horas, neguinho se vira com gerador e, se for de noite, todo mundo com lanterna em punhos porque nao ha nada iluminando o caminho a nao ser ocasionais carros.

Sendo assim, dormimos cedo e acordamos mais tarde do que gostariamos, mas ainda assim cedo. Estavamos de cafeh tomado e tudo pronto para maiss um dia aas 9h. Fomos a peh ateh o Swayambhunath, ou o templo dos macacos. Foi maravilhoso. A caminhada eh nojenta mas o destino final compensou. Chegamos la e fomos recebidos por dezenas de macacos assustadoramente humanos. Subimos o morro aos poucos, parando de vez em quando para rodar as praying wheels dos budistas e tirar fotos de bandeiras, macacos etc. Chegamos la em cima e nos maravilhamos com a stupa budista e as dezenas de templos e monasterios ao redor. Sentamos para um chai com um budista fofo que soh falava Ronaldo Calo ao se referir ao jogador de futebol Roberto Carlos.

Depois de algumas horas rodando o templo e alguma praying wheels, voltamos para o hotel, tomamos um banho (foi a vez do Alexandre ser cagado por pombas na rua) e fomos almocar. Conhecemos um frances gente boa que viaja 3 meses por ano por locais, digamos, diferentes. O cara eh meio louco. Veio pro Nepal tentar atravessar a fronteira e chegar no Tibet, o que eh arriscado (para a saude por causa da altitude e para sua integridade fisica por questoes sociopoliticas). Enfim, good luck for him.

Demos um tempo no hotel e pegamos um taxi para Bodnath, outra cidade vizinha que possui forte influencia e presenca tibetana e budista. Fomos direto a Bodhnath stupa, a maior do mundo! E chegamos la ao entardecer justamente para pegar os budistas fazendo seus mantras e prostacoes em sentido horario ao redor da stupa. Foi uma das experiencias mais misticas que tivemos ateh agora. Um lugar definitivamente especial e forte candidato a preferido so far.

By the way, stupas sao construcoes que abarcavam reliquias sagradas. Esta stupa em especial, dizem as mas (boas?) linguas, foi construida sobre um osso do proprio Buda.

Voltamos para o hotel de otimo humor apos um dia tao bom e tao especial, cheio de bons fluidos budistas. Aproveitamos o apagao para sair para jantar num lugar que sabiamos que teria gerador (Yak Cafe, claro). O Alexandre viciou em Thungba (uma cerveja quente que parece um chimarrao de millet) e o frances do almoco, que encontramos no hotel quando saimos para jantar, foi com a gente tambem. Agora, queridos, aproveito que a luz voltou para postar isto aqui e mante-los informados.

Estamos otimos, sem tropecos e sem problemas. Estamos nos virando muito bem e barganhando como nunca. Estamos quase afiados para a volta ao Brasil. ;-)

Eh isso. Amanha devemos pegar um busao para Nagarkot, de onde faremos um trekking de umas 3 horas para outra cidadezinha, de onde pegaremos um onibus para Dulikhel. Tudo serah devidamente documentado uma vez que os fatos de fato acontecam. Por aqui a gente nunca sabe!

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Ah sim, e o titulo do post, nada a ver com o conteudo, eh verdade. Duas semanas sem chuva, para quem vem de Londres, eh quase inconcebivel!

Tuesday, January 20, 2009

os ultimos dias

Bom, nem preciso dizer que estah uma correria e que os ultimos lugares em que ficamos nao tinham acesso facil a internet, ne? Por isso o sumico.

Vou ter que resumir, infelizmente, e empurrar com a barriga meus dotes linguisticos, para manter a tradicao.

Ultima noite em Udaipur resolvi ter um ataque de panico, daqueles com comeco, meio e fim. Quem me conhece sabe que este eh um mal que me persegue ha muitos anos e que eu ja quase nem lembrava, uma vez que a ultima vez que tive um ataque completo faz muitos anos e achei que, devidamente medicada, o monstro dormia um sono profundo. Engano, claro. Tive aquilo tudo que pedi a deus nunca mais ter. A sorte eh que eu tinha um anjo loiro ao meu lado que soube lidar com a situacao da melhor forma possivel. Foi supercalmo e me abracou quietinho. Acordei bem triste, meio que derrotada. Essa sensacao eh inevitavel. Mas ao longo do dia fui melhorando. Tinhamos uma longa viagem pela frente ateh Joghpur, com uma parada em Rhanakpur para visitar um dos maiores templos Jainistas (nao sei se eh assim que escreve em portugues) da India e talvez do mundo. Sao cerca de 1,500 pilastras em marmore, entao ja imaginam... Continuo devendo as fotos, assim que tiver acesso wifi o farei.

Chegamos em Jodhpur no final da tarde, de noitinha. Resolvemos pegar um tuk-tuk e achar um restaurante recomendado pelo Lonely Planet. Acontece que o tuk-tuk largou a gente no lugar errado e andamos feito uns loucos em ruas sem nome (ou com nomes em hindu, pra gente nao faz diferenca). E para quem tinha acabado de ter um ataque de panico, estar num emaranhado de ruas muito sujas, muito barulhentas, muito ameacadoras (era assim que parecia, com pedintes e vendedores disputando a atencao dos unicos loiros da area), um system overload desses nao tava caindo bem. Finalmente achamos o lugar e foi um alivio entrarmos num restaurante silencioso, com uma comida espetacular e com 100% de ocupacao ocidental. E viva o monopolio do Lonely Planet. Voltamos ao hotel de tuk-tuk e dei gracas a deus por ter tido o ataque de panico em Udaipur: o hotel em Jodhpur eh o perrengue definido. Sem agua quente, energia caindo o tempo todo, sujinho e com um cafeh da manha bastante vomitavel. Well, this is India, innit?

Dia seguinte rodamos Jodhpur. Fomos ao forte primeiro, o ponto alto da cidade. Foi construido por um Maharaja e yadda yadda, a mesma historia. Vistas lindas da cidade. Vale dizer que subi a rampa ateh o forte de elefante. O Alexandre preferiu ir a peh porque o estomago nao estava 100%. Do forte fomos a um palacio ali do lado, que o Maharaja construiu para sua Maharani (princesa). Maravilhoso tambem. Sol a pino, fomos a uma loja de tecidos e fabricas em que o Alexandre se vestiu de homem do rajastao e me meteram num sari indiano tipico de Jodhpur. Me senti mais palhaca que uma palhaca mas o Alexandre garantiu que eu estava linda (ah, o amor).

De la fomos a um palacio do outro lado da cidade, que hoje tambem eh um hotel. Nao quisemos entrar dessa vez. Ficamos do lado de fora na sombra e a cada 5 minutos vinha alguem pedir para tirar foto com a gente. Eu falei serio quando disse que somos verdadeiras atracoes aqui! Quem nao pedia pra tirar foto dava tchau, sorria, quebrava o pescoco para olhar mais um pouco... Nos divertimos a beca.

De la, almocamos num lugar bem gostosinho, as deveras apimentado. Voltamos cedo para o hotel e achei otimo. O motivo? Diarreia. Fui pega, gente. Nao foi nada do outro mundo, umas tres idas ao banheiro apenas. Dormi um pouco e no dia seguinte acordei morrendo de fome. Bom.

Pegamos estrada de novo sentido Pushkar. Soh 4 horinhas de estrada.

Chegamos em Pushkar na hora do almoco. O hotel eh divino, no meio das montanhas e do mato. Caminhamos ateh o restaurante (bom, bom) e de la caminhamos pelas ruelas ateh achar uma entrada pro lago sagrado Brahman. Jogamos florzinha no lago e fizemos um pedido forte de que Brahman protegesse a nossa familia. Foi bem legal, mas nao podiamos tirar fotos porque ha pessoas se banhando no lago e eh um lago sagrado yadda yadda.

De la continuamos pleas ruas. Visitei o Brahman temple, um dos unicos do mundo. Nao achei nada demais, mas ateh fiquei com medo de pensar, tamanha era a quantidade de gente prestando homenagens e fazendo promessas. Muitos mendigos tambem.

Seguimos ao redor do ladgo e encontramos com uma russa, Margarita, e um suico, David. Nos juntamos a eles para subir ateh o Savitri Temple, no alto da montanha. De la vimos o por-do-sol e uma vista maravilhosa da cidade. Eh um absurdo (voces vao ver nas fotos, prometo!). Terminamos os 4 comendo alguma coisa num restaurante com vista para o lago.

Ah, Pushkar. Acho que o melhor lugar a que fomos. Queriamos ter ficado uma semana la. Gostei mesmo e recomendo.

Hoje de manha pegamos estrada bem cedo e paramos em Ajmer, cidade vizinha de Pushkar, para visitar uma das maiores mesquitas da India. Um monte de gente rezando e na verdade nos sentimos meio mal. Mesmo com as cabecas cobertas e seguindo o protocolo, recebemos muitos olhares de desaprovacao por estar ali, e muitas tentativas de extorsao tambem. Nao gostei da atmosfera, mas valeu a experiencia.

O resto foi soh muita estrada com olhar de despedida. Chegamos em Delhi ja de noite e nem nos despedimos do Sharma, nosso motorista. Ele nao gostou da nossa gorjeta de 500 rupias. E nao podiamos fazer nada, estouramos o budget big time na India e temos ainda mais de 2 meses pra correr atras do prejuizo.

Amanh voamos para Kathmandu!

To com muita saudade de todos e, surprise surprise, meu celular londrino funciona, mas nao me liguem porque nao tenho credito, a nao ser que seja uma emergencia. Rather, mandei mensagens de texto que recebo sem pagar nada. :)

Beijos e saudades de todos!

Friday, January 16, 2009

Octopussy town

Estamos em Udaipur, a cidade que possui um palacio boiante em que foi filmado o James Bond Octopussy. Cidade linda, bem menos pobre que as outras que visitamos. Passeamos por ai, algumas (muito poucas) compras e um calor absurdo para inverno. Eu e Ale continuamos no 0 a 0 da diarreia e do vomito. Ja entrando em nosso setimo dia de comida indiana (e vegetariana), estou orgulhosa!

Pronto, foi soh mesmo uma notinha para dizer que estamos muito bem e amanha de manha partimos para Jodhpur, a cidade azul. Nao deu para subir mais fotos, vamos ver se o proximo hotel tem wi-fi - este aqui nao tem e estou usando o unico computador disponivel, dai a nota curta.

Estamos tambem aprendendo algumas palabrinhas em hindi mas nao sei escreve-las... Na proxima postada eu exibo meus dotes linguisticos.

Por fim, acabo de ser cagada por um passarinho e, pasmem!, nao perdi o bom humor. Nao eh o maximo? Acho que realmente esta estah sendo uma viagem acima de tudo espiritual. ;-)

Wednesday, January 14, 2009

fotas

ah, sim, primeiras fotinhas ai no slideshow. Queria ter feito tudo bonitinho junto com o post anterior mas nao deu. Cliquem no slideshow ao lado para ver algumas fotos de Delhi.

Os primeiros tres dias na India

10/1/09

Não sei de onde tirei a idéia de que a India é de outro mundo. Sei que eu estava certa. Surpreendentemente o dia correu sem grandes surpresas. Saimos na hora marcada, chegamos no aeroporto tranquilos, o embarque foi sossegado e, apesar do tumulto no avião, conseguimos embarcar com apenas uma hora de atraso. Nao entendi bem qual foi o problema, mas foi resolvido e embarcamos. Assim que apagaram a luz do cinto de seguranca pedi encarecida e descaradamente para o cara bafudo do meu lado mudar para a fileira da frente, em que havia espaço livre. Foi a glória.

Chegamos em Delhi às 2 da manhã mas ja deu para ter uma ideia. Mesmo de madrugada todo mundo tasca a mao na buzina. Nosso motorista queria mostrar servico para garantir a gorjeta e foi o caminho inteiro do aeroporto ao hotel mostrando todas as estacoes de metro (???) e comentando: This very richmen people. This very richmen area. But I'm no richman – I'm very poor man.” Ele repetiu isso umas tres vezes no minimo. Para garantir que a mensagem fosse processada e a carteira, claro, aberta.

O mais legal foram as vacas no meio da rua, em plea madrugada. Nao qualquer rua, rua principal mesmo. Mas isso o motorista nao comentou. Deve ser muito trivial pra ele.

Finalmente chegamos no hotel, fizemos um check-in, pedimos um omelete (Alexandre) e queijo quente (eu) e enquanto nao chega escrevo. Aqui ja sao mais de 5 da manha, mas por causa do fuso horoario de 5:30h em relacao a Londres, estamos meio perdidos. Sabemos que deviamos estar dormindo, mas, well, antes de comer nao conseguiremos nem dormir.

Eh isso. Chegamos na India! Estamos mortos e felizes.

11/01

Para ser bem sincera, os primeiros minutos do dia foram insuportaveis. Tanto eu quanto o Alexandre estavamos podres ainda, apos uma noite de apenas 5 horas de sono entrecortadas por muito berro e coisas sendo jogadas com forca contra o chao (ou pelo menos foi assim que pareceu). Fazia tempo que nao via olheiras tao fundas em mim. Fomos tomar cafeh e aconteceu o que eu temia: Nojinho de tudo, medo de vomitar, estomago embrulhado e intestino completamente preso. Resultado: uma banana e cafeh preto de cafeh-da-manha. Resolvi que precisava mudar minha sorte, afinal das contas eh meu aniversario!

Tomei um banho, fui no banheiro (nada de diarreia) e ja me sentia outra pessoa. Tambem recebi parabens (atrasados e cobrados) do Alexandre. Soh fomos sair do hotel depois do meio-dia, ja que acordamos tarde.

Foi um susto do cao. Delhi eh um espetaculo de barulho e cheiros. Buzina aqui tem outro sentido (de verdade, nao to tentando ser engracadinha. Na boleia de todo caminhao ta escrito “Blow Horn” ou “Horn please”. Buzina aqui eh para ser notado, esqueçam retrovisores. Para que?) Nao preciso descrever alem, ne? Comentei que Delhi com certeza seria o lugar que meu pai mais odiairia no mundo mas que ao final de um dia inteiro rodando a cidade ele estaria gargalhando de incredulidade. Nao entendo direito como as coisas fundionam aqui, mas elas funcionam. O transito eh caos completo (carros na contra-mao, tuk tuks, motos, onibus, charretes de burrico, pedestres e ateh elefantes disputam espaco. Nao eh exagero. Estavamos numa via principal e vimos um elefante carregando troncos de arvore e respeitando o sinal fechado (ao contrario dos tuk tuks da vida).

Nossa primeira parada foi o Burli Temple, um templo hindu despretencioso e maravilhoso. Nao ha turistas la, e foi la que tive meu primeiro alumbramento espiritual. Pus os pes descansos naquele chao de marmore (ou algo semelhante) e fui acometida por um bem estar indescritivel. O cheiro, o ar, e elementos extrasensoriais me elevaram, really. Talvez eu ja estivesse predisposta a me sentir assim. De qualquer forma, foi um momento importante que vou carregar comigo na viagem e alem.

De la fomos para o Humayun's Tomb, outro espetaculo. O tempo comecou a ficar curto e corremos de la para o Red Fort. A muralha do forte tem mais de 2km, a maior do mundo depois da Muralha da China, segundo o nosso motorista.

Depois disso ja era de noite e estavamos cansados. Fomos levados a um lugar de chas e pashminas e compramos uns masala teas para preparar chai (cha indiano delicioso, tem pra vender no Brasil?). Mesmo porque aqui esquece o cafeh. Eh um pozinho que tem o dom de ser inferior a cafeh instantaneo e ateh para mim, cafeinaholic inveterada, nao desce. Supro minha dose de cafeina ccom cha preto mesmo.

Ja de noite passamos por India Gate, uma especie de Arco do Triunfo do oriente. Legal mas ja estavamos cansados e nao aguentavamos mais ser abordados por vendedores ambulantes MUITO insistentes. Sem falar com o jeito com que os indianos olham para mim, um misto de curiosidade (tal qual nos temos por elefantes e camelos andando pela rua) com tesao porque acham que mulher ocidental eh tudo puta. Mas isso vale um post a parte.

12/1 – Acordamos 5:30am para pegar a estrada. Muito, muito sono. Pela segunda noite seguida dormimos menos de 5 horas e, quem me conhece sabe, isso eh quase inconcebivel na realidade que tento me impor. Dei umas piscadas no carro mas nao conseguia dormir sabendo que tanta coisa nova e diferente se passava do lado de fora de meus olhos fechados. Chegamos e Agra ainda pela manha e, apos algumas paradas em templos e tumbas sem grande relevancia, fomos finalmente ao glorioso Taj Mahal (aqui pronunciado Taj Mal). Passeamos por la completamente estupefatos. Um dos lugares mais lindos a que ja fui na vida. Li muito a respeito de pessoas que visitaram e se decepcionaram, esperaavam mais. Sinceramente, nao consigo entender como. O Taj eh tudo o que dizem e mais. Queriamos ficar horas sentados pelo chao admirando a beleza do lugar, mas nosso tempo era curto e ainda tinhamos viagem pela frente.

Fomos escoltados ateh uma loja de mosaicos em marmore tais como os que existem dentro do Taj Mahal, e nao resistimos: compramos e despachamos pro Brasil dois enfeites para pormos em nossa casa nova. Um elefantinho (presente que o Alexandre me deu de aniversario) e um candelabro – que devem chegar em uns 20 dias, viu, mae?

Acabamos Agra e seguimos para Rathambore. Mais umas 7 horas de estrada. Cheguei meio mal de resfriado. Pedi um cobertor extra e fomos dormir apos um jantar espetacular no jardim com fogueiras.

Vale lembrar que eu e o Alexandre viramos vegetarianos aqui na India (claro que depois da India voltamos aa dieta normal, eh soh para nao comer macaco pensando que eh frango mesmo). Mas eu entendo o sentido de ser vegetariano aqui. Nao apenas religiosa mas gastronomicamente. Voce nao precisa comer carne alguma para ter refeicoes espetaculares. Tudo com arroz, naan bread, vegetais e molhos incriveis. Nesse dia de Agra o Alexandre passou um pouco mal. Nada demais, soh um mal estar geral. Haviamos comido muito pouco nesse dia e depois de uma refeicao completa ele ja estava melhor.

13/1 – Acordei pior do resfriado mas adotei a tecnica de sempre, que nao resolve mas para mim eh a solucao em situacoes assim: ignorei. Acordamos 5.30am de novo e as 6.30am estavamos prontos para sair para o safari. Pegamos o Kenta (especie de caminhao-jipe) e nos enfiamos no mato do Rajastao. O parque nacional do Rathambore eh famoso pelos tigres mas, curioso e tipico, nao vimos nenhum. Instead, vimos crocodilos, antilopes, passaros exoticos, macacos, veados, porcos selvagens, enfim, toda a arca. Mas nada de tigre. Ta bom. Fomos embora depois de mais um almoco espetacular e pegamos a estrada de novo, rumo a Jaipur. Apenas 4 horas de carro. Perto das distancias que temos percorrido, isso foi fichinha.

Chegamos em Jaipur 7 e pouco. A primeira impressao foi otima. A cidade parece mais civilizada que Delhi, menos barulhenta e mais cosmopolita. Como veremos mais tarde, a primeira impressao nao eh a que fica.

Chegamos no hotel, que ha apenas 2 anos ainda era um palacio. Ficamos otimamente hospedados e fomos muito bem recebidos. Hotel que super recomendo, este.

Mais uma vez o Alexandre passou meio mal. Resolveu misturar cerveja com lassi. Nao eh la a mistura ideal, mas enfim. Nada alem de mal estar. Ainda nao fomos batizados com diarreia e nem vomitos. E olha que ja estamos em nosso terceiro dia. Way to go!

14/1 – Um dia cheio pela frente. Acordamos 6.30am e descemos para o cafeh que, haviam nos dito, comecava aas 7h. Chegamos em baixo, tudo escuro e o recepcionista tinha montado uma cama e dormia atras do balcao. Ficamos meio sem saber o que fazer e voltamos pro quarto e ligamos para a recepcao (sacanagem, ne, mas o que podiamos fazer? Tinhamos encontro marcado com os elefantinhos). Eles levaram o cafeh da manha no quarto e saimos cedo para Amber Fort, outro lugar espetacular com palacios, portoes imensos, jardins, enfim, tal como no Brasil, quando se eh rico mesmo nao ha limite para as riquezas. Ficamos horas no palacio, a que cheguei nas costas de um elefante muito fofinho – o Alexandre nao quis ir de elefante por causa do estomago – e de Amber fomos para Jantar Mantar, casa de um Maharaja viciado em astronomia e cheio dos relogios solares e mapas estelares. Alexandre ficou doidinho e eu tambem adorei. Visitamos ainda o City Palace, paramos para almocar num lugar que nao curti, e depois fomos ao Surya Temple, ou templo do sol, tambem conhecido como templo dos macacos – preciso explicar?

Fomos novamente perseguidos por curiosos e ambulantes ao ponto da irritacao. Todo mundo vem falar conosco mas eh dificil discernir se sph querem falar oi (muitos soh querem isso mesmo) ou se estao querendo “donations”. Alem disso, quando passa um bando de homens sigo olhando para o chao, grudada no Alexandre, como se fossem me abduzir se olhasse na direcao deles. Na volta tomamos um chai que custou 3 rupias cada, ou seja, o equivalente a pouco mais de 1 centavo de real mais ou menos, e voltamos para o hotel. Meu resfriado estava comecando a pegar de novo e precisava descansar. Dormimos por um par de horas e ca estou, recem-acordada, escrevendo do jardim do hotel. Logo mais vamos jantar e preparar para pegar estrada amanha de manha, mais uma vez. Sentido Udaipur. Octopussy significa algo para voces? O filme do 007 foi filmado no palacio de la.

Sunday, January 11, 2009

Delhi

Gente, estou aqui. Nem acredito.

A viagem foi tranquila e ja escrevi um quilo de coisas no meu laptop mas nao tem wi-fi aqui (e eu pensei que estava aonde?) para eu poder publicar direto, entao vim soh dizer que estou bem, que teve bolo hoje pro meu aniversario no roof top to hotel, que nao ganhei nenhum presente de aniversario e isso nao fez a MENOR diferenca, e que nao aguento mais ouvir buzinas. Que tive meu primeiro alumbramento espiritual em um templo nao-turisico, que vi um elefante pela rua disputando espaco com carros e tuk-tuks, que aqui sou celebridade e nao tem UMA pessoa que nao vire o pescoco para me olhar por mais tempo. Que por isso estou grudada no Alexandre com medo, mas adorando cada olhar porque olhar curioso eh tudo e nunca imaginei que eu pudesse ser uma curiosidade. Que estou amando tudo, estou podre de sono, ainda nao vomitei e nem tive diarreia, que amanha ja partiremos para Agra para ver o Taj Mahal, e de la iremos para um parque nacional fazer um safari em meio a tigres etc. Nao poderia estar melhor. Os indianos enchem o saco pra caralho e eu os amo desde hoje.

Estamos felizes demais! Agora eh cama porque amanha levantamos as 6am. Se der em breve posto o resto com mais detalhes de algum outro lugar.

Friday, January 09, 2009

and we're off

Pronto. Encarei a boca vazia do meu mochilão e arrumei tudo. Falta muito pouco na verdade. Daqui a pouco saimos para a despedida num pub e aí é só dormir. Não que isso seja fácil, não se enganem. Mas o tempo há de passar e tudo há de dar certo. Há que haver alguma vantagem em ser ansiosa, e fazer tudo certo porque checo tudo 3 vezes é uma delas.

Gente, não estou indo pra guerra. Passarei bem longe de Gaza. Estou levando mais remédios do que minha mãe recomendaria. Isso é BASTANTE. Tenho seguro, tenho conmputador, vou tentar mandar notícias mas não estranhem se demorar. É isso. Chega. Estou fechando as malas porque amanhã saímos cedo. Próximo post vai ser lá do Oriente.

Namaste, meus amores!

Wednesday, January 07, 2009

passapatos



Foto de passaporte em que um sai bem é raro. Em que os dois saem bem é loteria. Eu precisava de um pretexto para pôr essas fotos aqui. Aí não achei o pretexto mas a fotos vou publicar assim mesmo.

haja saco para mim

Faltam 3 dias para a viagem. E hoje é meu último dia de trabalho. Estou flutuando pelo escritório. Praticamente terminei tudo o que tenho que fazer. Agora é só hand it all over e pronto, limpar as mãos e sair sem olhar para trás. Tá difícil de cair a ficha. Faz quase 5 anos que fiquei assim ao léu por tanto tempo, em 2004, quando vim para cá. Cheguei aqui e só fui arranjar emprego depois de 3 meses.

Quem tiver saco pode acompanhar cada passo nos arquivos do blog. Confesso que achava esse blog bem mais interessante no começo. E vou tentar não incorrer no erro de torná-lo didático, porque não tô sendo paga pra ensinar ninguém. Aliás, não tô sendo paga at all.

Mas voltando. Só mais três dias.

O que falta resolver:

cortar o cabelo
fazer exame de sangue (o médico pediu)
pegar o resultado da biópsia da pinta na minha bochecha, na sexta, fingers crossed
me despedir dos amados sexta à noite
arrumar todas as malas e colocá-las no sótão da casa do Ernesto (essa tarefa promete ser divertida se não perigosa visto que há apenas uma escada de alumínio bem mequetrefe, uma pessoa que sabe fazer essas coisas e uma pessoa (eu) com duas mãos esquerdas.)
almoçar com o pessoal do meu antigo trabalho amanhã
comprar remédios de emergência (anti-vômito, anti-vômito, anti-vômito!) e tabletes de malária – resolvi tomar o Doxy, cheap and cheerful.

Aí me bate um desesperinho também porque está quase tudo resolvido. E agora, como vou ocupar minha cabeça sem nada pendente? Não consigo! Estou ansiosa e quando fico assim preciso RESOLVER problemas e pendências. O que fazer quando eles não existem? Claro que ainda tenho tudo o que tá aí em cima para resolver, mas no ritmo em que estou, consigo fazer tudo isso em meio dia.

E sobra tempo para quê? Pensar besteira. Penso que serão 3 meses maravilhosos, mas sem meu café coado brasileiro todo dia. 3 meses espetaculares, mas sem dinheiro entrando na conta. 3 meses deliciosos, mas sem amigos ou família por perto a não ser meu amado.

Em algum momento (acho que em Bangkok), encontraremos com o Henrique e a Carol, amigos aqui de Londres que vão fazer um roteiro pareciso. Vai ser bom para dar uma quebrada na relação umbilical que eu e o Alexandre vamos ter construído, for sure. Por mais que moremos juntos, passo o dia fora de casa trabalhando e ambos temos amigos e compromissos que não dependem do outro. Agora vamos prum lugar desconhecido, sem amigos e sem compromissos. Pode ser ideal para quem está de fora. Mas também poderia ser um desastre para os pessimistas como eu. Enfim, conversamos a respeito disso e entenderemos se rolar um saco cheio. Não quer dizer absolutamente nada.

Que mais que eu fico pensando e me torturando... Ah, claro, penso na possibilidade de vômito tipo de hora em hora. Mesmo com o médico receitando remédio anti-náusea e anti-vômito. Não importa, a imagem de eu jogada num chão não lá muito limpo de banheiro, debruçada sobre uma privada não muito limpa no meio do Rajastão, é forte o suficiente para me dar calafrios só de pensar. É sério, gente. Fobia não pe frescura.

Por fim, penso que vai ser animal. Tudo vai ser animal. Não tem vômito que me tire isso da cabeça. Nem a chance de uma crise conjugal me perturba, na verdade. Estou indo pra Ásia! Índia! Nepal! Tailândia! Laos! Camboja! Vietnã! Malásia! Indonésia, se der tempo! E Singapura!

Porra!

Tuesday, January 06, 2009

sobre miudezas

Quando se vai fazer uma viagem longa com pouca bagagem, como a nossa, o fundamental é o aparentemente supérfluo. Por exemplo, vou levar apenas uma calça jeans e deus me ajude. Vou levar só 4 calcinhas. Uns 3 pares de meia, umas 4 camisetas entre manga curta e comprida. Só um agasalho (fleece). Uma toalha de microfibra.

E para viajar assim, preciso levar o que aqui chamam de Universal Sink-Stopper. Ou seja, um tapa-ralo que serve em qualquer pia do mundo. Eu nem sabia que isso existia, mas li a respeito num outro blog de viagem de um casal sem noção que viajou por mais de ano só com mochila nas costas, e de cara percebi que é um item fundamental para levar a menor quantidade possível de roupa.

Outros detalhes que me alegro de ter pensado/lembrado:

* Tapa-ouvidos – quando se é grumpy como eu, nada como trancar o mundo para fora. Além disso, dizem que a Ásia grita.
* Toalha de micro-fibras – idéia do Alexandre. Ocupa menos espaço e seca mais rápido que toalha normal. Comprei no eBay por 3 contos esterlinos.
* Camisetas bem podres da Primark. Assim, quando chegar lá e quiser comprar blusinhas bonitinhas e diferentes, posso jogar as minhas fora sem remorso.
* Líquido anti-bactéria de bolsa com pelo menos 60% de álcool. Chamem-me de neurótica, mas não adianta porra alguma lavar a mão após ir no banheiro se na água há mais giardias (aquela maldita bactéria da diarréia) por metro cúbico do que água em si.
* Travel money card – é tipo um Visa pré-pago que você carrega antes de ir e durante a viagem vai usando em qualquer ATM ou estabelecimento que aceite Visa. Bem mais prático e hassle-free que traveller cheque e cumpre a mesma função.

Ainda estou na dúvida quanto aos tabletes de malária. O problema é que eles são caros, muitas vezes têm efeitos colaterais e, acima de tudo, *não garantem* que você não pegará malária. Achei meio tosco você correr o risco de ficar doente com os efeitos colaterais e ao mesmo tempo continuar desprotegido. Still, você está mais protegido do que se não tomasse nada.

Ouço de tudo. Gente que diz que tomar é besteira, gente que diz que não tomar é suicídio, gente que não diz nada para não se comprometer. Como se não bastasse, há 3 tipos diferentes de droga para você escolher, de mais cara a mais barata e, respectivamente, de menos e mais efeitos colaterais. Hoje vou no médico fazer um check-up, pegar umas prescrições e, se tudo der certo, resolver o que quero fazer em relação a esses tabletes.

Saturday, January 03, 2009

livros 2008

Minha mãe cobrou e tenho certeza de que muitos esperam ansiosamente a minha humilde lista de livros lidos e comentados de 2008. Ei-la!

Em bold as leituras recomendadas. Em vermelho as decepcionantes.

1. A Suitable Boy – Vikram Seth - Uma das melhores leituras do ano, e mais longas também. São 1,500 páginas que me custaram 9 meses de leitura de cabeceira mas valeu a pena. A história envolve várias famílias, ao estilo Cem Anos de Solidão, e retrata a elite indiana dos anos 50. Recomendo muito e fiquei meio vazia quando terminei a leitura.

2. Fun HomeAlison Bechdel - minha incursão bem-sucedida no mundo dos quadrinhos adultos. História autobiográfica de menina gay que tem que aturar a resistencia da família.

3. Politics – Adam Thirwell - legal, mas tenta ser cool demais e perde um pouco. Romance juvenil ingles em triangulo amoroso quevira threesome. batidinho.

4. Meninas Inseparáveis – Lori Lansens - Demorou para eu lembrar que livro era esse, então não pode ser extraordinário. Escrita juvenil demais. História de irmãs siamesas e suas aventuras no mundo cruel.

5. Ghostwritten – David Mitchell - Outra boa leitura do ano. Muito bem escrito e pesquisado. São várias histórias que se interligam e criam um livro no que poderiam ser contos. Uma delícia.

6. The Game – Neil Strauss - Eu achei que iria odiar, mas meu cunhado recomendou tanto que resolvi ler. Adorei! Um mergulho no mundo dos Pick-Up Artists escrita de forma cativante e sem rodeios. O autor, jornalista do New York Times, começa desconfiado e depois se joga no "jogo", a arte de pegar mulher.

7. The Interpretation of Murder – Jed Rubenfeld - achei ruim. Psicanálise meets historinha policial. Bocejei pacas. Não entendi ainda porque ganhou tantos premios.

8. Candide – Voltaire - sátira do século 17 (acho) incrivelmente atual para a época em que foi escrito. Legal.

9. The Economic Naturalist – Robert H Frank - fraquinho. Perguntas e respostas sobre tudo para provar que economia está em tudo. Achei o livro bem óbvio.

10. A Long Way Down – Nick Hornby - Esse foi o primeiro livro que li do Hornby e adorei. Ultrasarcástico e bem escrito. O cara é muito bom. A história tem 4 protagonistas que resolveram, no último dia do ano, cometer suicídio. Sem sucesso, a história começa, sempre contada do ponto-de-vista de um dos 4. Fabuloso.

11. O último Amigo – Tahar Ben Jelloun - Não me fez erguer muito as sobrancelhas. Leitura leve e rápida, em uma semana depois de ler voce já esqueceu a metade. O problema desse livro para mim foi que a propaganda foi grande demais. Não entendi, sinceramente.

12. The Rum Diary – Hunter Thompson - Now we're talking. Esse livro é superior a Fear and Loathing in Las Vegas in so many levels que me arrepia saber que poderia ter perdido essa leitura por causa da primeira impressão que tive de Hunter Thompson. História semi-autobiográfica de um jornalista que vai trabalhar em Porto Rico e se mete em várias aventuras adultas e bebadas. Para eu ter curtido um plot desses o cara tem que ser muito bom, concordam?

13. Super-Cannes – J.G. Ballard - Gostei do meio pra frente. Policial que se passa na riviera francesa e consiste em muito dinheiro, prostitutas, medicina, anger management e assassinatos. Vale a leitura.

14. Disobedience - Naomi Alderman - Judias que se amam e precisam enfrentar a ortodoxia de Hendon. Cativante mas nada que fez meu coração pular de empolgação. Mas se o tema interessa, leiam sim.

15. Attack of the Unsinkable Rubber Ducks - Christopher Brookmyre - Bem interessante, sobre picaretagem dos que se julgam paranormais. Começa didático e depois vira um tanto quanto policial. Bem pesquisado e escrito. Uma surpresa para quem deu para o namorado um livro baseando-se puramente no título.

16. Em Busca do Borogodó Perdido - Joaquim Ferrera dos Santos - Ele me desapontou big time. Eu adorava as colunas do Joaquim no No Mínimo. Sempre mandava e-mail com meus comentários e vez ou outra recebia respostas divertidas. Fui com fé de que me divertiria. Mas achei Joaquim extremamente arrogante dentro de sua pretensa humildade. Muita palavra difícil e pouca história. Para mim, a pior combinação possível. Odeio me desapontar.

17. The Dice Man - Luke Rhinehart - Um achado. Esse livro é fantástico. Conta a história de um psiquiatra que entrega sua vida suicidável e entediante ao acaso do dado. Todas as suas decisões passam a ser ditadas pelo dado e as consequencias são hilárias e impertinentes, como há de ser numa vida aleatória. Desconfio, inclusive, que o autor tenha escrito o livro com um dado na mão para decidir para que lado ir com o personagem. Daí faria sentido o fato de a primeira pessoa ter o nome do próprio autor.

18. Choke – Chuck Palyanuk - Outra ótima surpresa. Do autor de Clube da Luta, o protagonista é um sex-addict que engasga de propósito para ganhar pena e dinheiro das pessoas que salvaram sua vida e por isso passaram a se sentir heroinas responsáveis pelo pobrecito. Escrito com o estomago, como tem de ser. O primeiro de todos os livros desse autor que lerei, for sure.

19. Maus – Art Spielberger - Minha segunda leitura de quadrinhos adultos foi ainda mais extraordinária. Esse livro estava dando sopa na casa do Ernesto e o tema, holocausto, me interessa. Então peguei e por 4 dias não soltei. O autor retrata a história real de seu pai, um judeu polones que naturalmente sobreviveu, com muita sorte e sagacidade, a Auschwitz. Do caralho. Imagens fortes e história muito bem contada. Arrancou lagriminhas. Não percam. Mesmo, mesmo.

É isso, pessoinhas. Espero que a lista inspire alguns a uma boa leitura. 2008 foi um ano ótimo para mim, em termos literários. Ah, em outros também. 2008 foi do caralho. 2009 terá um hard act to follow...

Friday, January 02, 2009

ano novo, blog novo

O endereço continua o mesmo, mas o blog está de cara nova, com novos gadgets etc. Eu resisti, mas ei-lo. Infelizmente perdi todos os comentários. Uma grande perda, mas acho que o novo look vale o sacrifício.

Singer in the World

Correndo, morrendo, vivendo.

Estamos com quase tudo pronto. Visto da Índia resolvido, do Vietnã também. Ainda preciso ir no banco tentar resolver minha conta - bancos ingleses bloqueiam cartões quando são usados em países de reputação questionável como Índia por exemplo. E ficar por lá sem cartão não vai ser uma opção. Então ou o cartão funciona ou vou ter que apelar pros jurássicos traeller cheques, que não são muito mais usados.

Outra pendência são os remédios. Li tanto, mas taaaanto sobre prevenção de bactérias e vírus que se eu ficar doente vai ser burrice pura. E quando se é emetofóbica (descobri que meu mal, medo de vomitar, tem nome!) não dá para ser burra. O pior, dizem, é a Índia. A água é insalubre e cheia de bactérias e vírus que não afetam mais o sistema digestivo dos indianos, mas pode causar projectile-vomiting e diarréia em nós, ocidentais. Aí resolvi o seguinte: banho de boca fechada, escovar os dentes com água filtrada, nada de gelo, nada de sucos, nada que venha em garrafas abertas, nada de chutney, nada de comida crua (salada etc - a não ser que seja algo descascável e que você mesmo descasque) e nada de carne. Ouvi dizer que muitas vezes você pede frango e eles servem macaco. Não achei legal. E, claro, carne vermelha nem a pau. Eles não comem carne vermelha at all e sendo a vaca um ser sagrado, sabe lá o que eles vão colocar na mesa de quem comete a profanidade de pedir uma xuleta mal passada.

Ainda assim, vou levar remédios anti-náusea e anti-diarréia. Teremos viagens longas de trem e estou quase considerando comprar uma fralda geriátrica para não precisar ir no que me descreveram como o banheiro de um trem na Índia.

Afora essas pequenas medidas de precaução, vou ter que relaxar para aproveitar ao máximo. Como disse a nossa agente de viagem, brasileira claro: "Gente, a Ásia é MUITO suja, é MUITO legal, É TUDO."

Vai ter que ser.

Friday, December 19, 2008

living on the edge

Só para vocês terem uma idéia:

Comprei um Jornada 720 para levar para a viagem. Jornada é um handheld. Pra escrever minhas coisas e, onde der, acessar a internet via wi-fi.
Aí olhei pra ele e torci o nariz. Principalmente quando meu namorado disse que eu paguei caro por uma máquinha de 2001.
E eu concordei e na hora resolvi devolver.
E tudo isso não teria acontecido fosse eu menos ansiosa.
Aliás, eu seria muito mais rica fosse eu menos ansiosa. Porque não sei quantas coisas comprei porque estava ansiosa para me livrar do errand.
Então, em tempos em que temos poucas semanas para resolvermos tantas coisas, das pequenas às grandes, esse tipo de cagada acontece numa freqüência irritantemente diária.

Vou tentar me ajudar esse fim de semana. Vou fazer um curso de meditação. Parem de rir.
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E saindo do curso vou acompanhada do meu namorado, meu breque humano, até Tottenham Court Road para comprar meu handheld. Vou tentar ir com calma e não deixar que meus olhos brilhem diante do que julgo, do alto da minha ânsia, uma barganha.

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Acabou. Mais de quatro anos de dedicação e ma’boy terminou o doutorado. Sem precisar de NENHUMA correção. Algo extremamente raro em doutorados. Meu homem, meu orgulho.

Ontem levei-o para comemorar num restaurante ultra descolado, Sugar Hut. Hoje é o dia da comemoração geral, num pub de rock a que fomos recentemente e adoramos, o Big Red, em Holloway Road.

Wednesday, December 10, 2008

dias finais

A vontade de escrever anda sendo completamente suprimida pelos zilhões de compromissos e deadlines. Quando partirmos para a Ásia, eu ma’boy provavelmente ficaremos desorientado, meio que sem acreditar que tudo deu certo e que estamos no começo de quase 3 meses de aventura. Falta exatamente 1 mês.

Pensamos em começar um blog a dois sobre a viagem mas desistimos já. Primeiro porque sugeri uns 30 nomes e o Alê não gostou de nenhum. Depois, e principalmente, se resolvermos criar um blog da viagem nos sentiremos na obrigação de escrever o tempo todo, e ficar caçando computador em plena puta que o pariu não é bem a idéia. Portanto, quando der, onde der, acima de tudo, SE der, postarei aqui mesmo.

Que mais.... Vacinas tomadas, livros comprados.

Faltando:

- Visto da Índia
- Visto do Vietnã (que devemos tirar em Bangkok)
- Comprar um kit joinha de primeiros-socorros
- Reservar hotel em Delhi para as primeiras noites (hotel escolhido, só falta confirmarmos as datas, o que só será possível com o visto da Índia em full-colour nas minhas mãos)


Ah sim, claro, falta definir o roteiro. A gente tá indo bem de oba-oba e esse é um dos objetivos, mas não podemos ficar largados demais. A Ásia é imensa e se não traçarmos o roteiro certinho, cortando coisas, vamos perder o quente mais pra frente. Seria típico demais. Preciso fugirda minha previsibilidade for once.

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Fizeram um buraco na minha bochecha e dói e tem ponto.

Agora deixando de manha um pouco: o médico resolveu fazer biópsia naquela pintinha na minha bochecha. Anestesia local que dói pra porra, deu vontade de chutar o saco do doutor. Não que fosse aliviar a minha dor. Só para ficarmos em pé de igualdade mesmo. Meu negócio sempre foi justiça, nem que para ser feita com os próprios pés.

Resultado em uma, duas semanas.

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Amigos bacaninhas para jantar hoje. Farei um macarrão com molho branco, presunto e ervilhas. Delicinha.

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Sábado mudamos de casa de novo. Rumo Fulham, onde ficaremos até o derradeiro adeus.

C’est tout for now.

Thursday, November 27, 2008

cagada, prazer

E então compramos nossas passagens. Entre outros lugares, Índia.

E dois dias depois tem ataque terrorista a *pontos turísticos* em Mumbai.

E então compramos nossas passagens. Entre outros lugares, Tailândia.

E um dia depois o *aeroporto internacional* foi tomado e fechado por manifestantes que ameaçam causar um conflito civil no país.

Olá, essa é a minha vida, prazer.
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Aí recebo um email da minha irmã ontem ENUMERANDO a quantidade de prêmios e sorteios que ela ganhou este ano, inclusive uma viagem com acompanhante e tudo pago para a Austrália.

Eu pergunto, é justo, minha gente?

Vai ser cagada na puta que o pariu. Pobre do meu homem que tem de partilhar do meu azar.

Wednesday, November 26, 2008

Bobby mae

No GTalk: "oh vida... quanto um ser de 54cm pode ainda cagar???"

Wednesday, November 19, 2008

don't loose your faith in me

If you ever had any.

Estou ateh me levando mais a serio. E ja me levo a serio bagarai.

Amei Bruges, Bathatha foi embora, mudei de casae ando muito, muito ocupada com muita coisa, a maioria relacionada a minha volta ao Brasil e ida a Asia.

Ah sim, tem o trabalho tambem. Continua na mesma. Uma bosta.

Fora isso fui no medico ontem e ele me encaminhou para uma clinica de cancer de pele. Jooooia! Mas nao estremecei - soh checar uma pinta na bochecha que nao parece das mais inocentes sardas...

Ah sim, meus sogros chegam na segunda-feira e no final de semana que vem vamos todos pra Madeira, lembrar como eh ser feliz e nao odiar o planeta! Bom!

sumi

Deixo-os com um filminho, por ora:

http://uk.youtube.com/watch?v=7_Eod8g1VEc

Friday, October 31, 2008

brussels, my cheap love

Em Bruxelas, sem dinheiro. Tudo o que eu tinha eram 30 euros guardados de outras viagens. Chego aqui pra tirar dinheiro e, caralho, nao aceitam meu cartao. Gasto meus ultimos 2 euros num cybercafé MUITO fedido, que também é um off licence, e demoro horas pra digitar porque o teclado é todo trocado. O que fiz com os outros 28 euros, voces perguntam. 7 de viagens de metro, 7 de qlmoco podreira, 5 num gorro que consegui perder no tempo recorde de 2 horas (mentira, esse NAO é o recorde) e mais 7 em um chocolate quente com waffle de Bruxelas (o quadrado com açucar).

O que fiz com meu dia? Andei muito, pela Gran Place, pelos parques que beiram o palacio real, pelas ruelas cheias de waffles e mendigos, pelo overrated Maneken Pis, por uma estatua em que todos passavam a mao e eu passei tb sem saber o que era. Quando cheguei no hotel, logo depois do almoco, dormi. Nao soh para o tempo passar aos que nao tem dinheiro, mas tb porque tive de acordar às 4:50 da matina para pegar o trem. Tive pesadelos nessa soneca da tarde mas ja passou. Pensando agora foi ateh engracado, mas fica para uma ocasiao com teclado decente que esse aqui ja me irritou a alma.

E apesar disso, e apesar de todas as pessoas dizendo pra fazer diferente, gostei de Bruxelas. é meio feia, no sentido de nao fazer muita questao de impressionar, mas ao mesmo tempo tem predios fantasticos espalhados. Tenho certeza de que ha muitas Bruxelas aqui. Meu palpite eh que quem vive aqui nao troca por nada.

E chega que a alma esta explodindo de irritacao com os dedos lentinhos nesse teclado torto.

Beijotchau.

Wednesday, October 29, 2008

singer in the snow

Sim, neve em outubro. Primeira vez que isso acontece em meus 4 anos e meio de Londres. Começou com chuva de granizo, dessas que machucam mesmo (eu sei porque estava na rua, eu e mais alguns desafortunados que andavam por Russell Square num trecho sem toldos ou lojinhas para entrar). Aí virou chuva. Quando saímos eu e ma'boy da casa do Henrique e da Carol para a despedida dela, ainda chovia. Quando jantávamos no Carluccio's para comemorar 2 anos de namoro, nevava. Neve mesmo. Flocos grandes que caem leves. Não foi fácil entender. Achei que não estaria mais em Londres quando caísse a próxima neve. Voltamos para casa; eu, encharcada e feliz.

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Os dias com Bathatha e Léo estão voando. No momento eles estão em Paris e eu trabalhando e resolvendo pendencinhas. Enquanto estavam aqui, fizemos o tradicional rolê turístico. Ficou faltando algumas coisas, tipo British Museum, Science Museum, Natural History Museum, Tate Britain, Hyde Park (pena que perdemos a Speaker's Corner).

Depois de amanhã parto pra Bruxelas de Eurostar e passearemos por lá e por Bruges até segunda.

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Resolvemos ma'boy e eu ir com os meus sogros para a Madeira no final do mês. Passagens compradas, Cliff Bay reservado. Não vejo a hora de voltar ao paraíso. Pela quarta vez em pouco mais de 4 anos. Uma ótima média.

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Quase fechando os tickets da Ásia. Detalhes seguem quando estiver tudo certo! De qualquer forma, agora sinto que é real. Entreguei ontem minha carta de demissão no trabalho. Meu último dia será 4 de janeiro. Agora sim, um proper countdown: 67 days and counting!

Thursday, October 23, 2008

inuteu

Aí que ontem me chacoalharam e depois jogaram num puta evento de Smartphone em Earls Court. Eu, meio do mato, com meu sapatênis Nike e meu coletinho Marks & Spencer surrado e sem dois dos três botões, fui. E fiquei rodando aquela porra e recolhendo brindes quando ninguém olhava, porque eu que não queria que viessem falar comigo.

Um show de desenvolvedores de tecnologias para celulares, minha gente. Empresas de GPS, de câmera de celular, de novos sistemas operacionais, yadda yadda. Não fazia a mais puta idéia do que estava fazendo lá. A não ser, claro, recolher brindes. E só pelo esporte mesmo, porque a maioria dos brindes, depois de conquistados, perderam a graça e foram deixados pra trás nas esquinas escuras do evento.

Aí eu achei o Organiser’s Office e resolvi que eu precisava me fazer útil. Comecei a ajudar a organizar os displays etc. Saí de lá 6 e meia pensando que a hérnia futura da organizadora do evento provelmente será a minha hérnia. Cheguei em casa ainda meio sem entender por que me mandaram pra esse evento. Perda do meu tempo e do dinheiro da empresa, claro, que me paga para fazer essas idiotices. Eu não entendo mesmo o mundo corporativo e estou considerando cada vez mais veementemente tirar um tempo para escrever meu livro e (sobre)viver de frilas.

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Hoje chegam Bathatha e Leo. Logo mais pousam em Heathrow e estarei com o celular por perto caso dê merda na imigração e eu tenha que ir até o aeroporto resgatá-los. Mas não vai dar problema nenhum. Amanhã estou de férias e segunda também, pra passear com os queridos.

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E pirando na viagem pra Ásia. Decidimos mudar de novo o roteiro. Tiramos Austrália e Nova Zelândia para baratear, para aproceitar mais a Ásia e para poder voltar pra Londres antes de ir pro Brasil de vez, de forma que poderemos levar coisas que otherwise despacharíamos por mais uma nota preta.

Estamos pensando em fazer assim: Índia e Nepal por umas 3 semanas, e de um mês e meio a dois meses para o sudeste asiático, incluindo: Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Malásia e Indonésia (Bali e Lombok). Voamos de volta a Londres de Kuala Lumpur ou Singapura. Ficamos de três dias a uma semana em good ol’ England e partimos finalmente para o Brasil.

AAAAHHHH.

Está acontecendo.

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Para os de Londres, estamos vendendo um monte de coisas. Tem algo que queiram comprar? Um liquidificador? Bicicleta? Patins? Máquina fotográfica? Luminárias, abajour, escrivaninha, sofá-cama? AAAAHHHH de novo. Mudamos dia 13 de novembro pra casa do vizinho que vai nos alugar o apê por um mês. Velhinho fofo, recusou-se a nos mostrar o apartamento ontem porque concluiu, depois de confabular com sua senhora, que “8 da noite é muito tarde”. Tem como ser mais vovô amado que isso?

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Que mais... Papito fez aniversário. Ele disse que odeia aniversário mas adora o rebuliço que se faz para ele, tenho certeza. Ele, melhor que ninguém, sabe apreciar uma boa FESTINHA.

Nada de Noah nascer e enquanto isso Bobby vai ficando imensa e inquieta. Angústia! Quero ver a cara do bichinho!

Que mais. Tô de saco cheio do trabalho, mas isso não é mais, isso é velho. Uns dias off vão ajudar a restabelecer o equilíbrio zen (rarrarra) mas ainda assim já comecei a contagem regressiva. Faltam dois meses e bem pouco.

Friday, October 17, 2008

Das mimagens do meu homem

Gente, depois eu é que sou a mimada. Dêem uma séria analisada no diálogo que se sucedeu.

Contexto: eu lendo na cama antes de dormir, homem entra no quarto e...

- Tá frio, né? – ele diz
- Tá. – eu digo
- Ligo o aquecedor?
- Não.
- (pequena pausa para analisar minha resposta e) SE EU QUISER EU LIGO!!!

Posso?

Thursday, October 16, 2008

adjuntos

Dor nas costas do tipo MEDO. Meio que no pulmão. Só sei que não posso morrer antes da minha viagem pela Ásia, antes de voltar pro Brasil, e antes de ser mãe. E antes de escrever um livro. E antes de ser avó, tentando chutar alto. Eu, do alto dos meus 28 anos, já penso em ser avó. Isso é que é gastar neurônios pensando, minha gente.

Bobby está para parir. Todo dia entro no Gtalk e espero ansiosamente bater umas 11, 11 e pouco da manhã (7, 7 e pouco no Brasil) para ver se ela entra. Pra mim, não entrou está parindo. Pequeno Noah virá ao mundo de Bobby a qualquer momento. Como gira esse mundo. Ontem mesmo dividíamos cama e desgraças na desgraçada Shadwell. Éramos pobres e felizes, mesmo quando não éramos (felizes, porque pobres, sempre).

Que mais.

Vou para Ásia só em janeiro. Para compensar a longa espera, vamos viajar por mais tempo do que estipulamos a princípio. Provavelmente dois meses, talvez até um chorinho a mais. Vamos ver. Esse fim de semana vamos na agência ver se compramos o ticket ou pelo menos acertamos o itinerário.

Brasil então, minhas crianças, só em março.

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Faltam 56 pounds pra pagar meu tênis. Que belezura.

E falta uma semana para a vinda de Bathatha e Leo. Nem acredito que essa vaca amada vem!

O que mais falta... 12 dias para eu e meu menino completarmos 2 anos da mais feliz e doce união. Ele ainda não sabe, mas vai me levar para jantar nesse dia.

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Meu primo vai casar. O Rols. Aquele que foi um amado logo que cheguei no UK e me ciceroneou e me enturmou e me afofou.

Conheceu Danielle, 31, nos EUA no deserto de Nevada. Ele ajudou ela a montar sua barraca de acampamento e, voilá, 6 semanas depois eles anunciam o casório, que ocorrerá num cartório em baixo da Golden Gate, em São Francisco, no dia 30 deste mês. Nada de conhecer a família do outro. Só os dois tentando se bastar. Felizes são eles que têm um coração correndo e levando o corpo atrás.

Wednesday, October 15, 2008

aiai.

varias coisas.

varias.

Thursday, October 02, 2008

terceiras pessoas

Quase que não era eu escrevendo o email. Sempre fui assim: quando preciso fazer algo que exija um pouco de guts, resolvo o problema saindo de mim, olhando pra minha vida em terceira pessoa. Sempre funcionou para tirar peso de situações desnecessariamente carregadas. E sempre fiz uma puta tempestade em copo d’água, e sempre matei formiga a tiro de canhão. Se você é assim, dica: saia de você de vez em quando para agüentar as verdadeiras tempestades e as formigas gigantes (er...).

E foi o que fiz quando precisei de um pouco menos de mim e de minha ansiedade para mandar um email pro meu chefe. Coisa boba:

Hi Stuart,

Can we have a quick chat when you have 5 min?

Thanks

E o problema nem foi escrever, o problema foi mandar. Porque agora depende dele responder. E quando ele vier e falar, vamos ali conversar, terei de ir, e terei de falar. Que vou. Não sei quando, mas vou. Antes do final do ano, vou. Vou tentar não demonstrar que na verdade, verdade mesmo, não vejo a hora de sair deste prédio pela última vez. Vai ser estranho e lindo. Vou chorar com o peito apertado e livre, e vou rir do choro e chorar do riso. Sempre mais arregaçado, sempre mais agudo. Eu ainda não sei quanto agüento, mas sei que agüento muito.

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E estava outro dia nos segundos que antecedem o mergulhar no sono, pensando: acho que foi aos 20 anos que realmente parei de crescer e comecei a envelhecer. Eu lembro direitinho quando aconteceu. Foi aterrorizante mas ao mesm tempo libertador. Você descobre sem perceber que já não precisa sofrer tanto para que as coisas aconteçam. Elas agora dependem muito menos de você e muito mais do mundo. Ao mesmo tempo que o mundo não depende nada, nem um cuspe, de você. Duro e libertador.

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Essa noite sonhei com bebês, para variar. Eu tinha uma menina e estava num parque de topless, dando de mamar. E rodava e brincava com minha filha. Eu estava atrasada para alguma coisa, mas resolvi parar para brincar de levantá-la nos meus braços e ela sorria tão doce que eu percebia, com um quentinho doce no coração, que nenhum compromisso era mais importante do que aquele, de ver minha filha sorrir e gastar muito tempo com ela, deixando que todas as urgências, com o tempo, fiquem supérfluas. Foi um sonho indescritivelmente espiritual e encantador.

Depois sonhei com outro bebê, a Manu, filha da Cá. Sonhei que ela era seqüestrada e que nós duas ficávamos desesperadas atrás dela. Que sabíamos quem a tinha levado mas que o sujeito era perigoso e teríamos que sair da festa (rolava uma festa) de mansinho. Esse sonho não foi bom.

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Falando em sonho, ma’boy anda sonambulando novamente. Nada de jogar travesseiros desta vez. Ontem ele acendeu o abajur, ficou em pé em pose de Cristo Redentor. Claro que, com a luz, acordei. Diálogo:

EU: - Tá tudo bem?
ELE: Tudo bem!
EU: Por que você acendeu a luz?
ELE: Hã?
EU: Por que você acendeu a luz?
ELE: Hã?
EU: Por que você acendeu a luz?
ELE: Pra te mostrar!
EU: Mostrar o quê?
ELE: Não sei!
EU: Aiaiai, então deita e apaga a luz.

E ele obedeceu. E, claro, não lembrou de nada no dia seguinte.

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Meu astuto coleguinha Herrmann me mandou:

Blogging: Never before have so many people with so little to say said so much to so few.

Adorei.

Monday, September 29, 2008

tulipas

Ganhei tulipas do meu amor. Tulips laranja. Ontem fizemos 1 ano e 11 meses de namoro. Pessoas sempre acham sem graca ganhar flores ateh ganharem tambem. Eh uma delicia. Nao tirei o sorriso do rosto o dia inteiro e Ernesto e Samantha tiveram de aguentar meu bom humor.

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Faltam 70 pounds de caminhada para pagar meu tenis.

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Depois de aliviar o peito contando para todos (menos para meu chefe direto, que estah de ferias) que vou sair, segunda-feira nem foi mais tao assustadora. Se eu soubesse que teria esse efeito positivo, teria avisado que ia sair muito antes.

Thursday, September 25, 2008

sublimando

Eu não vou escrever como estou e como vão as coisas porque acho que só de pensar vou desanimar, e me irritar, e meu coração acelera e me falta o ar – sou assim sensível. Então apenas um alô, tá tudo indo, vou vivendo aprendendo cada dia mais quão pouco vale a pena me estressar com a burrice alheia.

Não posso deixar que o saco cheio do trabalho interfira outros setores da minha vida que vão muito bem, obrigada.

Vamos lá, falar de coisas boas. Esquecer que passo 8 horas do meu dia me sentindo um alien num ambiente de trabalho que não é compatível comigo.

* Comprei um tênis de corrida que custou £80. Para pagar a mim mesma o valor do tênis, me propus a andar de casa pro trabalho ou do trabalho pra casa ou os dois. Costumo gastar uns £3 por dia com transporte. Imagino que em uns 30-40 dias consigo pagar pelo brinquedo. Faltando agora £73, vou fazer contagem regressiva aqui no blog.

* Fui numa agência de viagem e ajudou bastante a definirmos nossa viagem à Ásia. Resolvemos que iremos apenas à Tailândia, Vietnã, Laos e Camboja, em vez de ficar gastando grana, tempo e saco em passagem de avião. Nepal fica pra próxima, Japão fica pra próxima, Filipinas fica pra próxima. Acho que pegaremos um return ticket para Bangkok e de lá faremos a volta. Outra possibilidade é chegar em Cingapura e voltar por Bagkok. De qualquer forma, está bem mais claro e real, e isso é ótimo.

* Queria muito fazer a viagem acima com uns 5, pelo menos 5 quilos a menos. De banha, digo, não de bagagem. Estou de regime de novo, minha gente. Cheating a bit, acho, já que estou tomando 5-HTP. Não sei se funciona e nem se é o que preciso, mas vou tomando até dar errado, se der. Não sabe o que é 5-HTP? Pesquisa.

* A primeira malinha da mudança pro Brasil já está feita e encontra-se nas confiáveis mãos da Francine, namorada do Bruno. Eles vão ao Brasil em outubro por apenas duas semanas e a Fran vai levar minha mala. A avó dela mora pertíssimo da minha irmã, que irá buscar meus bens amados. Conteúdo da mala? Dois pares de sapato, uma gaita, um iPod velho, algumas bijouterias e o resto, tipo uns 10kg, só de livro.

* Estamos quase definidos sobre onde vamos ficar depois do dia 13 de novembro, quando acaba nosso contrato na atual casa. Em breve começaremos o processo de desapego, onde estaremos dando/vendendo quase tudo e nos mudando basicamente com o que vamos levar conosco para o Brasil. Spooky!

* Acreditam se eu disser que esses dias, quando caia no sono, tive uma idéia ótima de livro? Pois é verdade. Mas do jeito que as coisas vão, não sei se o livro escorrerá da minha cabeça para as mãos. Veremos.

E só de me desligar por alguns instantes do trabalho estou bem melhor, mais leve, mais confiante de que o tempo há de voar para eu poder pôr fim a essa palhaçada.

Wednesday, September 17, 2008

ah, sim

Mas hoje o que eu quero mesmo é ir para casa e ler a luz de velas na minha banheira anos 60. Meu patinho de borracha flutuando ao redor e uma música de folclore irlandês tocando no fundo. Umas pitadas de sal de banho para me refogar direito.

Foi o que eu queria dizer e esqueci quando apertei o PUBLISH.
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Eu sempre esquecendo do mais importante.

procrastination, that's my name

Ah, e claro, agoooora que minha dor-de-cabeça inexistente passou, eu resolvo ter uma de verdade. Cínico, esse que por nós zela.

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Resolvi que vou trabalhar na Bloomberg quando for pro Brasil. Eles ainda não sabem, mas eu vou.

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Eu queria muito conseguir ficar interessada no casamento da Sandy, porque do jeito que a mídia propagou, tenho que achar que o resto do Brasil inteiro se interessou. Me senti meio de fora. Sou a única que caga montes para Sandy ou Júnior ou o escambau?

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É hoje que acabou meu beloved A Suitable Boy (Sutapopói pros íntimos – e depois de 9 meses a gente cria uma intimidade). 1.500 páginas, meus amigos, do mais puro romance histórico na Índia nos anos 50.

Também não entendi por que fui me interessar, mas adorei. Também na reta final do Super-Cannes, que começou bem meia-boca e foi esquentando. Mas acho que se voltasse no tempo com esse conhecimento escolheria não lê-lo.

unblindness

O velhinho fofo agora também tem blog!

Tuesday, September 16, 2008

loosing it, finding it

Dias diferentes, estes. Alguma coisa mudou. Ainda não entendi bem o quê, mas sou dessas que primeito sente e depois entende.

Ontem não fui trabalhar. Motivo: Enxaqueca inexistente. Na verdade ela existiu no domingo, mas achei sacanagem ser bem num domingo e resolvi transferir pra segunda. Então a segunda foi meu domingo e meu domingo foi minha segunda. Tudo para dizer em várias palavras que dei o gato no trabalho sem dó nem piedade. E hoje foi difícil acordar e aleguei que estava groggy dos remédios. Mentira, só queria dormir um pouco mais. A semana começa bem melhor quando começa quase na quarta.

Sobre domingo, a enxaqueca tem uma ótima razão. Fui voar com ma’boy e Bruno. O Bruno voa aviões pequenos, particulares. Ele alugou um por uma hora e meia e fomos os três, em um Piper que por dentro lembra o mais detonado dos fusquetas, voar até Dover. Então imagino que a enxaqueca se deva ao excesso de sol, ao headset que esmagou minha cabeça para eliminar o som do motor, e à mudança de pressãozinha básica. Além de todos os meus hormônios.

Ponto alto do vôo aconteceu uns 5 minutos após a decolagem: eu aponto à esquerda e, feliz da vida, grito: “Olha, olha, que legal! Um outro avião passando do nosso lado!” Foi por BEM pouco. Estimamos que o outro avião estava a uns 20 a 30 metros do nosso.

“Olha, olha, que legal!” Típico!

E depois de dormir 12 horas de domingo para segunda, quando regava minha pimentinha (ela é toda trocada, como eu: as pimentas crescem para cima, as flores apontam para baixo), ma’boy me conta que o Lehman Brothers caiu. Eu não consigo mais negar, então vou bradar aos quatro ventos: sinto um prazer imenso com esse tipo de catástrofe. Imenso mesmo. E eu espero que o mercado imobiliário continue me trazendo mais destes júbilos.

Agora, após tomar minha sopinha de tomate e esfregar bastante as têmporas em falsa dor, vou ali trabalhar um pouco. Sou palhaça, mas dessas certinhas.

Tuesday, September 09, 2008

curtas

Hoje vou ver uma pré-estréia de graça. Poxa, como gosto de coisas de graça. Fico realmente empolgada.

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Ainda sem definições quanto a datas. Estou ficando indócil com o trabalho. Meio na dúvida se vale a pena dar uma de louquinha e ser feliz nesses próximos meses. Talvez o negócio seja agüentar mais um pouco pra poder depois viajar sossegada.

De qualquer forma, até agora a única coisa oficial é que ficaremos na nossa casa até 13 de novembro. Depois disso, ou seguimos para a Ásia, ou é bom acharmos nova acomodação.

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Esse fim de semana fomos visitar a Dora, filhinha recém-nascida do Diter e da Dulce (e eles juram que não têm nada com a letra D, pura coincidência). Eu entro em uma sintonia completamente nova quando carrego um bebê no colo. Como se mais nada existisse ou importasse. Eu tenho quase vontade de SER aquele bebê sem história e sem caprichos, sem liberdade e sem responsabilidade. Completamente a mercê. Eu queria me deixar ser assim um pouco. Mas já passou a fase. Faz uns 28 anos.

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Sonhei com campos abertos e satélites e celulares sem sinal. Hoje recebi uma mensagem da minha operadora dizendo que se eu não pagar a conta (e é certo que não vou pagar – outra hora explico porquê) meu celular será desligado. Cagando montes, estou.

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Essa semana comemoro com meu amado 1 ano de morando juntos. Andamos mais autistas do que nunca, e mais apaixonados também.

Thursday, September 04, 2008

há cinco anos

Eu fazia quase poesia, todo dia:

"O melhor da vida é comer as bordas". É simples e é uma verdade absoluta e contraditória. O melhor da vida é o que vem anexado, sem querer, a ela. O melhor não era exatamente a competição, mas tudo o que a rondava. A felicidade não é exatamente nada, mas tudo o que não é exato e circunscreve a exatidão.

Foi lá em maio de 2003.

Friday, August 29, 2008

asas para baixo

De volta a esse lugar que me suga pelos olhos e me cospe todas as noites. Sempre perguntando o que estou fazendo com minha vida, sempre tentando entender como é que há gente que acredita ser feliz aqui e agora. Conversa que só consigo ter com meu umbigo, que não me julga e não é mais ou menos feliz que eu.

Porque ninguém é capaz de genuína e convincentemente me explicar o sentido deste blog, por exemplo, enquanto uma mosca morre de asas para baixo na minha escrivaninha.

Um dia eu tentei ser a melhor. E acreditei que poderia, até. Alguns chegaram a me convencer disso por alguns instantes, e por esses instantes deixei às vezes escorrer lágrimas de alegria. Mas alegria, gente, alegria não é felicidade. Alegria é a esmola que me jogam com desdém sem me olhar no rosto. E eu aceito, claro, for that's all I have for today. E tentar ser a melhor é uma merda sem tamanho, porque não existe melhor, porque posso ser menos que a mosca morta de asas para baixo. Posso ser menos que as anteninhas inertes.

Não sei o que há comigo hoje. Vontade de me mandar ao inferno, mas séria desconfiança de que já estou nele.

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A viagem para a Espanha foi divina. Madrid é bem legal, mas parte do meu coração ficou em Barcelona. Em algum lugar nos anos deste blog falei que sou uma pessoa altamente apaixonável por lugares, e que isso era bom por um lado, mas acabava me convencendo a me afastar de pessoas igualmente apaixonáveis. Barcelona é mais um exemplo disso. Acho que se a vida não der certo por algum motivo no Brasil e eu pensar em voltar para a Europa daqui a alguns anos, consigo me ver perfeitamente morando lá. Logo mais coloco fotos no meu Flickr. Aqui só algumas palavras mesmo, sobre a cidade que tem absolutamente tudo o que julgo essencial numa cidade, e ainda um charme todo dela. Encantadora. Virei mais uma dessas malas apaixonadas por Barcelona.

Queria escrever mais, mas não tô na pilha agora. Shame.

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Amanhã vou para Dover com meu homem. Levaremos as bicicletas no trem e passaremos o dia entre cliffs, praias, castelo e ruas pitorescas. O último dia de verão inglês, dizem. Havemos que aproveitar.

Wednesday, August 20, 2008

beijing beijing

e tchau tchau. Férias, mon cheries. Madrid e Barcelona. Volto com minhas pataquadas portuñolas e muito, muito mais! Quinta-feira da semana que vem eu volto. Até lá só atualizo sob tortura.

Aos familiares: estou levando celular, mas como resolvi não pagar mais a conta (longa história, a culpa é daqueles putos da operadora) pode ser que ele morra n'além mar. Neste caso, sosseguem o facho (faixo? faxo? faicho?) e quando der eu mando um alô.

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Ai, me senti tão amadora nas minhas maratonas aquáticas... Aquelas mulheres nadaram 10km como quem nada 1km. Fiquei boquiaberta. Lindo lindo. E muito nostálgico.

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Chove...

Friday, August 15, 2008

notícias de ontem

Troco quase nada por tudo. Sempre quis sair ganhando nos meus, como chama mesmo, mucambo? macambo? ando esquecendo de palavras que usava toda semana em português. Como chama aquele esquema de troca dos índios? Era marambo, mumbaque, algo assim.

Enfim, não gosto muito de fazer mau negócio. Seja a inegável raiz judia, seja o medo mesmo, medo de sair perdendo na vida. Aqui e ali, um pouquinho todo dia faz diferença. Eu não gosto de dormir hoje menos do que era quando fui dormir ontem.

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Ver a natação nas Olimpíadas tem me dado uma coceira sem tamanho. Mas enfim, vai ficar coçando até a carne ficar viva (ela é morta antes disso? perguntas, perguntas). Não há muito, agora, que eu possa fazer.

Meu amado me perguntou se penso em voltar a nadar como antes quando voltar ao Brasil. Well, amor, eu disse, se eu voltar a nadar como antes vou ficar uma gostosa sem tempo e energia para mais nada. Você quer? Eu na verdade não perguntei porque não importaria a resposta. Eu não quero. Gostaria muito de mergulhar sem ser de cabeça, mas nunca me ensinaram e eu nunca senti falta também. Então não sei. Entrar pela beirada, sentindo os dedinhos frios primeiro nunca foi a minha. Mas me enerdecer (c) na natação novamente não vai dar.

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Na verdade vim aqui escrever porque nada mudou, mas como o tempo passa e o blog vai ficando velho e chato e desatualizado e às moscas, de vez em quando venho aqui jogar poeira e fingir que morar em Londres é sempre tudoaomesmotempoagora e que, uhu, é verão, festival, uau. Não, nunca será assim. Não para mim.

Enfim.

Estava aqui escrevendo e meu amado começou a perguntar sobre o que eu estava escrevendo. E aí falei "depois você lê no blog, oras" e ele gritou agudo e eu perdi a concentração. Então é isso. Até a próxima desatualização.

Monday, August 04, 2008

torcicolo

Sempre cometendo os mesmos erros. Admirando fotografias sem perceber que as pessoas POSAM para elas.

é falso. é artificial. é longe, muito longe do que realmente foi.

e com as cartas a mesma coisa. simplesmente um a tentativa celulósica de diminuir uma distância que não, hon, não diminui. E uma falta de memória, e uma quase vontade de me machucar. não sei porque ainda faço isso comigo, mas é quase incontrolável. amo meu passado e odeio o passado dos outros.

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Torcicolo significa alguma coisa? Estou com torcicolo. Carreguei umas sacolas muito pesadas na quinta-feira e meu ombro virou um pedaço de pão velho. Aí o ombro foi melhorando e o pescoço travando. Fui fazer massagem e acupuntura hoje e ainda não sei se melhorei. O china me entuxou (?) de coisinhas herbais caras que comprei porque não tava na onda de resistir, sabe?

Mas esse negócio de olhar para trás, Beatriz, não ajuda a melhorar o torcicolo.

Será que eu quero doer? Mas dói tanto... Será que eu gosto? Não pode ser.

Tuesday, July 29, 2008

a place called us

I remember everything.
A curse, I’d say, to remember everything.
But I kinda like it.
You and me and all our beautiful and not so glorious moments
You and me and the times when we just really didn’t care.
They are still here somewhere.
As I get away from what’s around me
(And inevitably I do)
I get closer and closer to you.

Monday, July 28, 2008

não entendo

Putz. Mais uma dessas segundas-feiras em que penso sem parar no Sentido Disso Tudo. Não existe. Pedem para eu não pensar muito nisso, sem entenderem que não há como pedir uma coisa dessas. É inerente. É sufocante. E é incontrolável. Não entendo muito vir ao trabalho todos os dias. Não entendo muito despertador. Não entendo muito ter que ficar das 9am às 5.30pm no trabalho se consigo fazer o que preciso em 4h de trabalho. Não entendo porque deveria fazer o dobro de quem ganha bem mais que eu. Não entendo nem porque isso deveria ser um problema. Não entendo para onde vai o dinheiro que ganho, nem entendo qual o meu papel Nisso Tudo. Não entendo, gostaria de ser feliz em minha ignorância mas não consigo, não consigo.

Acabo de voltar do banheiro e arrancar mais um fio branco. E apesar disso continuo assim, com os pensamentos mais adolescentes do mundo. Puta saco.

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Acredito que Woody Allen entrou numa fase melhorzinha agora que parou de ser engraçado. Match Point e Cassandra’s Dream são bem melhores de tudo o que já vi dele. Nunca fui huge fan, agora estou um pouco mais convencida de seu talento. Still, não está na lista dos meus favoritos.

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E o que ainda me faz respirar feliz são os planos. Vai ser muito bom o futuro breve.

Tuesday, July 22, 2008

ordem e regresso

Prometi para mim mesma parar com essa coisa de ansiedade.
De deixar tudo sempre dentro da bolsa fechada como se fosse sair correndo a qualquer minuto.
Preciso aprender a me espalhar, para entender por que as pessoas espalham sem nem perceber. Eu percebo demais. Mas se eu começar a me forçar, uma hora fica natural. A velha técnico da dramaturgia de forçar até que fique natural. E fica.
Ontem, por exemplo, só tirei a chave da bolsa quando estava na porta de casa. Geralmente é tudo bem calculado. Aproveito o tempo parada na escada rolante do metrô para pegar a chave. Passo o Oyster na catraca e já enfio logo na bolsa para fechá-la. Tudo para evitar pequenos desastres que estão esperando para acontecer.
Porque pequenos desastres procuram sempre pessoas com quem têm contas a pagar. E eu acho, por algum motivo, que sou uma dessas pessoas. Acho que os desastres estão à espreita para compensar as minhas sortes na vida e deus está louco para fazer tudo ficar 50%.
Sou muito, muito esquisita.

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Um querido no post abaixo perguntou sobre minha incursão na morna literatura brasileira. Vai chegar. Espera só eu ser avó pra você ver.

Brincadeira.

Vai chegar antes disso. E, claro, com estardalhaço.
Quando for.

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Montei o Twitter do Observatório. Vão lá e assinem!

Monday, July 21, 2008

agreed greed

Então que assistir Into the Wild no meu atual estado de espírito não ajuda a enfrentar uma sgeunda-feira ensolarada dentro do escritório.
Ainda mais quando não sei direito o que estou fazendo e, mais importante, por quê.
Ainda mais sabendo que em alguns meses vou largar tudo.
Ah, não vejo a hora. Alguns meses, só alguns meses mais.
Alguns updates da viagem para Ásia: devemos começar pela Coréia e Japão. Isso porque dos lugares que vamos visitar, são os mais frios. Logo, quanto antes formos (novembro provavelmente), melhor.
De lá ainda estamos num maze que inclui Filipinas, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Índia (em vez de Tibet-Nepal). Gostaríamos de, na volta, passar por Israel. Tudo ainda incerto.
E longe.
Então preciso focar em coisas mais próximas e palpáveis. Espanha em um mês!

Friday, July 11, 2008

tweet tweet

Agora eu também twitto.

de volta

Quase um mês sem escrever. Acontece. Encheu o saco. Parei. Agora voltei, e posso parar de novo.

Bem típico por sinal. Eu realmente nunca sei bem o que quero. Tenho até dificuldades de aspirar a algo. Se um gênio da lâmpada me conceder três desejos é capaz de eu falar, ah, não sei, escolhe aí. Só para depois não ter que carregar o peso de ter feito a escolha errada.

Noruega foi um tesão. Muita natureza e pouca gente. Era tudo de que eu precisava.

Voltei, comecei no cargo novo essa semana. Ainda está muito no começo para dar qualquer veredicto. Fiquei bem perdida nos primeiros dias. Comecei na segunda e eles me mandaram para um congresso terça e quarta. Meio complicado, já que eu não sei direito em que focar minha atenção.

Mas passou e cada dia está ficando um dedinho mais fácil. Daqui a um mês eu vou rir de ter pensado hoje que posso ter feito a escolha errada.

Obviamente, não é o que pensa minha conta bancária.

Mas sinto falta dos colegas. Me dava muito bem com o pessoal. Nada insubstituível, claro. Amizades de trabalho. Mil promessas até o último dia. Um ou outro encontro após isso e pronto, morreu. Mais fácil morrer com promessas de vida.

Na verdade não sei por que vim escrever. Claro que muita coisa aconteceu, mas para contar direito eu teria que dispor de um tempo que agora não tá rolando. Tem a Noruega, e tem o trabalho novo. Tem eu um pouco mais de bem com a vida, e tem o de sempre, que é falar muito sem falar nada.

Por ora é isso. Depois eu volto, seja lá o que depois for.

Tuesday, June 17, 2008

crocodilo

"Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens."

J. Guimaraes Rosa

Amem.

grasp

Existem algumas maneiras de fazer direito.
Existem muitas, inúmeras maneiras de se fazer errado.
E existe o não fazer.

E o vazio que segue o não fazer.

Mas o pior vazio é o que segue o fazer sem sentido. Fazer, fazer, fazer muito, e perceber que o que se fez era volátil e não muda nada. Nada, nada. E que esse é o princípio da inquietação. Não essa inquietação mundana de todo dia. A Inquietação.

Eu não sei.

Saturday, June 07, 2008

holy hole

Subir as escadarias do meu trabalho e entrar por aquela porta onde sei quem vai estar sentado onde, e ligar o computador e fazer o que sabia que iria fazer ontem, e anteontem. E pensar, claro, pensar. Pensar que nada faz realmente muito sentido. Nada vai MUDAR. Para mim e para o mundo. Aí a vontade de fazer todas as coisas que eu tinha para fazer some. Decido dar uma checada nos meus emails. Praticamente só propaganda. Onde foram parar meus amigos? A culpa é minha? Quando chega a hora do almoço eu preciso sair. Muitas vezes ligar para alguém, mas quem? Tem muita gente que gostaria de receber meu telefonema, mas elas têm o que falar? Elas lembram dos seus sonhos? Elas entendem que cada dia vivido é um morrido?

Não ando muito bem. Ando tropeçando muito. Qualquer coisa me faz chorar, qualquer coisa que me fazia rir antes não tem muita graça mais. Ando com vontade de estudar. Não sei vocês, mas sempre que caio nos meus muitos buracos, tenho vontade de estudar. Até mestrado no Brasil ando considerando, eu que depois da faculdade passei a não acreditar em ensino no termo ortodoxo da palavra. Talvez ainda não acredite e a solução é estudar por conta própria.

Aí eu olho para o meu amor. Ultimamente tão focado no doutorado que quando ele pega o violão para tocar me dá vontade de ser o violão. E me vem aquele medo também. Quando estou como estou, fico destrutiva. Jamais me perdoaria se destruisse uma das poucas coisas bonitas que soube construir. Mas o medo de destruir ajuda a destruir. Ele vai ter que ter paciência comigo. Eu vou ter que ter paciência com o doutorado dele.

Na verdade, estou me oferecendo muitas saídas. Estou tentando cuidar de mim mesmo no buraco. Ontem entrei na academia. Good ol' serotonina, se deus for pai. Semana passada bookei uma viagem a dois para Noruega. É no final do mês. Vamos para Stavanger conhecer os fiordes. Something to look forward to. Também estou fazendo aulas de caiaque no Tâmisa. Uma experiência fantástica e uma nova perspectiva da cidade que, após 4 anos, achava difícil ainda haver. É o que diz o folheto anyway.

But yet... Estou contando mesmo com a ida ao médico no dia 17 de junho. Vou meio de cabeça baixa, me sentindo uma puta loser, mas acho que não é a hora de ficar sem boletas. Para meu desapontamento, e do meu amor também - que embora negue, é claramente contra anti-depressivos. O problema, como disse a ele, é que ele não me conhece sem antidepressivo. Fico não só insuportavelmente ansiosa, como irritadiça (ao extremo: tenho vontade de socar, por exemplo, mulheres andando de salto alto atrás de mim. não perguntem) e muito negativa. Basicamente invirto a polaridade da minha energia. Basicamente, viro uma bosta de pessoa. Eu sem boletas.

Então é isso e chega.

Monday, May 19, 2008

the girl with far away eyes

Precisou que alguém querido apontasse o que estava debaixo do meu nariz para eu enxergar. Estou indo atrás de tudo o que quero. Pedi aumento (que veio em forma de humilhantes 4.3%, mas veio); estou perdendo peso de forma lenta e estável, como se deve fazer; parei há mais de duas semanas de tomar Fluoxetina. Sou hoje uma pessoa mais próxima do que quero ser do que era há um mês.

And yet, ainda não estou satisfeita. Aliás, quando fiquei? Acho que sou muito dura comigo mesma.

Um pouquinho desinspirada. Muita coisa desimportante ocupando espaço grande na minha cabeça. Se eu morresse hoje, julgaria-me fútil por achar, depois de 28 anos, que as pequenas coisas realmente importam.

E o sono, claro. Todo fodido. Deve ter a ver com a interrupção da medicação. Mas acho que não é só isso. Faz um mês que voltei do Brasil e já parece que faz um ano. Como pode? Cada dia mais entendo menos porque fui me meter nessas de vida corporativa. Não tem a ver comigo. Agora não há muito o que eu possa fazer, mas tenho planos maiores e melhores para mim. Assim que eu descobrir exatamente o que quero.

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Mas terei novidades até o final da semana. Que não tem a ver com trabalho, antes que me sabatinem. Só quero falar depois que acontecer.

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Ontem fui ver Persépolis. Adorei. E olha que para eu falar que adorei desenho é porque realmente este é imperdível. Sensível e ao mesmo tempo straight to the point. Recomendo muito.

Tuesday, May 06, 2008

let the sunshine in

Clima supimpa, esse. Sol que queima, bem vindo à Inglaterra! Aí, agora que ele chegou, posso feliz da vida reclamar que tenho que ficar enfornada num escritório quente e meio sujo. Sim, acharam camundongos por entre as baias outro dia. Eu pensei em fingir uma fobia irracional para poder tirar uns dias de férias justificadas e pagas, mas pensei demais e não daria mais para simular, posto que fobia irracional não espera para estourar.

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O regime. Continua lindo. Dias mais bonitos hão de me ajudar a comer menos e me mexer mais.

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Agora vou - ali pedir aumento pro meu chefe. É sério.

Saturday, April 26, 2008

never alone, alone all the time

Ai, a solidão. Eu tinha esquecido como era. É ruim e passageira e inspiradora. Meus melhores textos foram escritos nos momentos mais solitários e nos dias mais ensolarados. Quanto mais paradoxal, melhor.

Mas claro que a culpa não é de ninguém senão minha. Sempre tentando passar a imagem de que me basto sozinha, de que gosto de pessoas até o ponto em que não gosto mais. E esse ponto varia. É preciso entender. Continuo achando que muitas vezes estou melhor sozinha do que acompanhada (claaaaro, depende da companhia, mas vocês entenderam). É que ficar sozinha é bom e me faz querer ficar mais e mais sozinha. Aí quando eu vou ver, as pessoas esquecem que eu existo, que estou por aqui, que estou até torcendo para ser chamada para programas, mesmo que os rejeite. Eu e minha mundaneidade.

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Minha irmã ganhou uma promoção da Ofner em que tinha que criar uma frase usando várias palavras dadas num total de 15 palavras. Foram 22 mil frases. A rabuda ganhou. O prêmio? Uma viagem de 10 dias para Austrália (alô, Austrália) com tudo pago em hotel 5 estrelas yadda yadda. Rabuda. Ela sempre foi. E rabudo o namorado dela também, porque é o acompanhante escolhido. Senão fosse ele, seria eu. Não é a minha cara?

Mas estou muito feliz por ela. É bom ter algo assim to look forward to.

Com essa história, fiquei empolgada em participar de promoções por aqui também. Mas logo me arrependi. Tinha que deixar o número de telefone, e estou sendo bombardeada por telemarketings e SMSs. Cagada, cagada. Mais uma vez, a minha cara.

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Sem querer soar patética, já tô morrendo de saudade do meu loiro. Nossa ida ao Brasil juntos foi mais um degrauzinho subido, quando achávamos que já tínhamos subido o suficiente. Votei para cá ainda mais certa de quem consegue me fazer feliz. É animal conhecer a outra vida de quem mora com você.

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Lindo dia hoje. Perfeito para dar início ao plano de correr. By the way, o regime vai bem, obrigada. Me pesei ontem à noite e perdi 2kg já, o que me assusta um pouco, mas juro que não passei fome.

À noite o plano é me afofar com Sam e ver filmes até não agüentarmos mais. Devo dormir por lá mesmo, abandonada e retirante (rarará) que sou.

Saturday, April 12, 2008

notícias d'além-mar

Com calor às 8.05pm. Que saudade, que saudade. Sei que em um ano isso vai me irritar mas, por ora, que saudade. Sol no osso, sabe? Você sente o raio ultravioleta detonando você toda e isso é curiosamente recebido com um sorriso de satisfação interno. Ninguém tem o direito de julgar alguém que passou tanto tempo longe do sol, alguém cuja melatonina já desencanou de responder.

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Estou me divertindo à beça aqui. Já cumpri a maior parte da chatice que queria resolver. Agora estou revendo alguns queridos e conhecendo outros. Fui a Campinas e conheci (quase) todos que fazem parte da vida do meu menino e que agora fazem parte da minha também. Foi muito bom, e estranho porque parecia que já conhecia todos. Me senti extremamente à vontade e saí de lá amando ainda mais meu Byrifoy. Amanhã ele chega aqui e espero, ansiosamente, que ele sinta pelos meus o mesmo que senti pelos seus. E espero que ele entenda um pouco mais dos meus nós, e que fiquemos ainda mais nós, e que saiamos da experiência com a convicção de que estamos no caminho certo. Nada se compara ao alívio da certeza de que se está feliz.

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Digam adeus à branca gorda. Digam olá à futura, er, branca. Porque não quero mais me encher de adjetivos pejorativos.

Sério agora: engordei mais de 10 quilos desde que cheguei na Inglaterra há 4 anos. E toda vez que venho ao Brasil algo ou alguém me lembra dessa extra banha. Seja minha médica ("Puxa, mas você não mudou nada, só engordou um bocado"), sejam minhas roupas que riem quando fecho a porta do armário sem coragem de prová-las.

Então resolvi apelar. Vou ver a nutricionista da minha irmã essa semana. Descobrir como emagrecer num país que cobra £0.20 em uma barra de chocolate e £1.00 em uma fruta.

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Sim, vai, o blog está de volta. Não sei por quanto tempo though. Vivamos como se cada post fosse o último. Heh.