Saturday, January 03, 2009

livros 2008

Minha mãe cobrou e tenho certeza de que muitos esperam ansiosamente a minha humilde lista de livros lidos e comentados de 2008. Ei-la!

Em bold as leituras recomendadas. Em vermelho as decepcionantes.

1. A Suitable Boy – Vikram Seth - Uma das melhores leituras do ano, e mais longas também. São 1,500 páginas que me custaram 9 meses de leitura de cabeceira mas valeu a pena. A história envolve várias famílias, ao estilo Cem Anos de Solidão, e retrata a elite indiana dos anos 50. Recomendo muito e fiquei meio vazia quando terminei a leitura.

2. Fun HomeAlison Bechdel - minha incursão bem-sucedida no mundo dos quadrinhos adultos. História autobiográfica de menina gay que tem que aturar a resistencia da família.

3. Politics – Adam Thirwell - legal, mas tenta ser cool demais e perde um pouco. Romance juvenil ingles em triangulo amoroso quevira threesome. batidinho.

4. Meninas Inseparáveis – Lori Lansens - Demorou para eu lembrar que livro era esse, então não pode ser extraordinário. Escrita juvenil demais. História de irmãs siamesas e suas aventuras no mundo cruel.

5. Ghostwritten – David Mitchell - Outra boa leitura do ano. Muito bem escrito e pesquisado. São várias histórias que se interligam e criam um livro no que poderiam ser contos. Uma delícia.

6. The Game – Neil Strauss - Eu achei que iria odiar, mas meu cunhado recomendou tanto que resolvi ler. Adorei! Um mergulho no mundo dos Pick-Up Artists escrita de forma cativante e sem rodeios. O autor, jornalista do New York Times, começa desconfiado e depois se joga no "jogo", a arte de pegar mulher.

7. The Interpretation of Murder – Jed Rubenfeld - achei ruim. Psicanálise meets historinha policial. Bocejei pacas. Não entendi ainda porque ganhou tantos premios.

8. Candide – Voltaire - sátira do século 17 (acho) incrivelmente atual para a época em que foi escrito. Legal.

9. The Economic Naturalist – Robert H Frank - fraquinho. Perguntas e respostas sobre tudo para provar que economia está em tudo. Achei o livro bem óbvio.

10. A Long Way Down – Nick Hornby - Esse foi o primeiro livro que li do Hornby e adorei. Ultrasarcástico e bem escrito. O cara é muito bom. A história tem 4 protagonistas que resolveram, no último dia do ano, cometer suicídio. Sem sucesso, a história começa, sempre contada do ponto-de-vista de um dos 4. Fabuloso.

11. O último Amigo – Tahar Ben Jelloun - Não me fez erguer muito as sobrancelhas. Leitura leve e rápida, em uma semana depois de ler voce já esqueceu a metade. O problema desse livro para mim foi que a propaganda foi grande demais. Não entendi, sinceramente.

12. The Rum Diary – Hunter Thompson - Now we're talking. Esse livro é superior a Fear and Loathing in Las Vegas in so many levels que me arrepia saber que poderia ter perdido essa leitura por causa da primeira impressão que tive de Hunter Thompson. História semi-autobiográfica de um jornalista que vai trabalhar em Porto Rico e se mete em várias aventuras adultas e bebadas. Para eu ter curtido um plot desses o cara tem que ser muito bom, concordam?

13. Super-Cannes – J.G. Ballard - Gostei do meio pra frente. Policial que se passa na riviera francesa e consiste em muito dinheiro, prostitutas, medicina, anger management e assassinatos. Vale a leitura.

14. Disobedience - Naomi Alderman - Judias que se amam e precisam enfrentar a ortodoxia de Hendon. Cativante mas nada que fez meu coração pular de empolgação. Mas se o tema interessa, leiam sim.

15. Attack of the Unsinkable Rubber Ducks - Christopher Brookmyre - Bem interessante, sobre picaretagem dos que se julgam paranormais. Começa didático e depois vira um tanto quanto policial. Bem pesquisado e escrito. Uma surpresa para quem deu para o namorado um livro baseando-se puramente no título.

16. Em Busca do Borogodó Perdido - Joaquim Ferrera dos Santos - Ele me desapontou big time. Eu adorava as colunas do Joaquim no No Mínimo. Sempre mandava e-mail com meus comentários e vez ou outra recebia respostas divertidas. Fui com fé de que me divertiria. Mas achei Joaquim extremamente arrogante dentro de sua pretensa humildade. Muita palavra difícil e pouca história. Para mim, a pior combinação possível. Odeio me desapontar.

17. The Dice Man - Luke Rhinehart - Um achado. Esse livro é fantástico. Conta a história de um psiquiatra que entrega sua vida suicidável e entediante ao acaso do dado. Todas as suas decisões passam a ser ditadas pelo dado e as consequencias são hilárias e impertinentes, como há de ser numa vida aleatória. Desconfio, inclusive, que o autor tenha escrito o livro com um dado na mão para decidir para que lado ir com o personagem. Daí faria sentido o fato de a primeira pessoa ter o nome do próprio autor.

18. Choke – Chuck Palyanuk - Outra ótima surpresa. Do autor de Clube da Luta, o protagonista é um sex-addict que engasga de propósito para ganhar pena e dinheiro das pessoas que salvaram sua vida e por isso passaram a se sentir heroinas responsáveis pelo pobrecito. Escrito com o estomago, como tem de ser. O primeiro de todos os livros desse autor que lerei, for sure.

19. Maus – Art Spielberger - Minha segunda leitura de quadrinhos adultos foi ainda mais extraordinária. Esse livro estava dando sopa na casa do Ernesto e o tema, holocausto, me interessa. Então peguei e por 4 dias não soltei. O autor retrata a história real de seu pai, um judeu polones que naturalmente sobreviveu, com muita sorte e sagacidade, a Auschwitz. Do caralho. Imagens fortes e história muito bem contada. Arrancou lagriminhas. Não percam. Mesmo, mesmo.

É isso, pessoinhas. Espero que a lista inspire alguns a uma boa leitura. 2008 foi um ano ótimo para mim, em termos literários. Ah, em outros também. 2008 foi do caralho. 2009 terá um hard act to follow...

5 comments:

LuSinger said...

Maravilha Bicó. Essas suas dicas anuais sempre servem como um guia para mim!

Vou avisar em meu blog a respeito dessas suas dicas para os amigos que estejam interessados!
Gostei do link que vc. indicou, com relógios do Brasil e de locais que vai visitar!
Haja lag...

Anonymous said...

Bia,
Acho que o Neal me emprestou Interpretation of Murder. Tambem não gostei.
Bjs,
Papai

Mari said...

Pô, achei que vc já estivesse rodando pela Ásia. Se soubesse que estava em Londres tinha armado algum encontrinho. Não é pq é minha filha (hoho), mas Alice anda muito adorável e merece ser conhecida...
Boa viagem!!
Beijos

Anonymous said...

Maus foi um dos pouquissimos livros (acho que o outro foi o Diario de Anne Frank) que me fez sentir, em parte, o que foi o holocausto. (digo em parte porque nao dah para sentir de verdade). Acho fantastico e recomendo para todo mundo. Quando ele fala dos velhinhos escondidos no armario eh impossivel nao pensar no que seria esconder os proprios avos num armario... Ou quando ele diz que sempre achou que adultos berrassem durante a noite (porque o pai dele gritava). Odeio Lista de Schindler e que tais, mas esse eu acho fantastico...

Anonymous said...

Babae, enjoy. Babai, temos gosto parecido mesmo... Mari, que pena! Eu queria mto ter conhecido a pequena. fica pro Brasil! Enquanto isso fico me divertido com o seu blog. Baxt, realmente fiquei impressionada com a capacidade emocional de contar o holocausto em uma historia em quadrinhos. Fiquei moida por dentro, achei o livro do caralho. Outro pra vc ler e se arrepiar (nao eh quadrinho, mas eh holocausto) eh Night, do Elie Wiesel. Beijos!