Wednesday, May 11, 2005

oleeeee

Eu sei que fui uma bad bad girl. Voltei sexta-feira da Espanha, hoje já é quarta e só agora resolvi pôr o focinho para for a. A viagem foi Linda, meus caros. Escrevi mais de 15 páginas todos os dias. Não vou colocar tudo aqui porque perde a graça. Se quiserem, espere a publicação e compre meu livro depois. Por enquanto, um tira-gosto:

25/4

All my life is changing every day, every possible way. Estou no avião, me encolhendo entre babãe e a parede do avião, ouvindo Dreams, porque tem tudo a ver, apesar de não ser exatamente o ambiente perfeito para uma escritora de prima como eu. Mas meu dia vai chegar. Enquanto isso, meu nariz está mais sêco que panetone velho. Meus olhos ardem e estou baxtant inquieta. Talvez pela falta de espaço, talvez por estar voando – apesar de eu nunca ter tido viadagens para voar. O negócio é que agora, pelo menos, tenho meu notebook. Ligo e encontro parte do meu mundo onde quer que eu esteja. Você pode não achar isso importante, mas não preciso de garantias alheias. Morar longe de onde nasci e cresci já é desenraizamento demais para alguém que ainda não morreu, como eu.

26/4

Parecia que não ia rolar, mas conseguimos. Chegamos em Málaga às 10h da noite sem lugar para ficar. Depois de a malar rodar duas vezes na alfândega em nossa frente para só então babãe resolver reconhecer sua própria mala (que, “gozado, está mais clara…”), mais um parto para descobrir onde comprar tarjetas telefônicas. E mais outro parto para descobrir como fazer uso delas. Primeiro hotel que ligamos: lotado. Meda, pânica, horrora, desespera. Segunto hotel: transferiram tanto a ligação que babãe se enfezou e desligou. Terceiro hotel: caro. Quarto e último: cá estamos. Não podia ter dado mais certo. Saímos correndo feito vacas no cio quando soubemos que o último trem para Torremolinos, onde estaria nosso HOTEL MIAMI, sairia em cinco minutos. Só que o trajeto do aeroporto à estação de trem foi estrategicamente construído para que se perca o trem. Você tem que tipo correr com o trolley, uma coisa assim meio Jamaica Abaixo de Zero, só que com subidas e descidas, pontes, escadas, mãe fazendo embaixada com seu agasalho que ela não viu despencar. Coisas assim. Quando chegamos no trem, o maquinista esperando claramente por piedade, minha testa era toda suor. Minha mão ficou toda estourada de tanto carregar o trolley e a mala. Tudo isso acompanhado da interminente ladainha de babãe: “ai, não, filha, não vou correr, já passei da idade” ou da variável: “ai, não, filha, não vou correr, meu joelho está doendo”. Meu amém era “vem, caceta!”

Depois de quase um ano longe da areia, finalmente afundei meus dedinhos todos naquele monte de pontinhos quentes. Uma massagem na alma. A praia de Torremolinos é uma delicia, não muito cheia, fofa, adorei ter ficado hospedada aqui. Depois de catar conchinha e pedrinhas, resolvemos pegar um AUTOBUS e ir até Marbella, que fica a uns 40km de Torremolinos. Chegamos lá, mais praia. Até me aventurei a vestir meu maiô, sacar minha touca e meus óculos. Vesti e tudo mais, mas a primeira mergulhada que dei senti um demônio apertando o punho com toda a força contra meu crânio. O inferno, my friends, é um dia pelando com água gelada. Você escolhe morrer queimado ou congelado, tendo a outra alternativa ao alcance das mãos. Mas nada tinha de inferno, Bia, que exagero. Só estava de fato baxtant fria a água. Dei duas, três, quatro braçadas e tive de parar porque o ar não vinha por mais que eu puxasse. Fiquei até com medo. Saí rapidinho do mar. Quem sabe amanhã?

27/4

Hoje foi dia de Málaga. Málaga mesmo, cidade grande. Não a Great Málaga, dentro da qual está Torremolinos. A cidade é bem grande, mas linda. Primeiro fomos para a Playa Malagueta – aliás, anotem, pimenta malagueta vem de Málaga, daí no nome – com muito, muito filtro solar. Depoius visitamos todos os pontos turísticos da cidade, já que compramos um daqueles tickets de sightseeing bus e nos deixamos levar. Visitamos uma arena de touros, um forte de um século bem remoto do qual não me alembro, chamado Castillo de Gibralfaro, o pico do dia, na minha opinião. Paisagens maravilhosas, o forte totalmente conservado por centenas de anos e, o melhor de tudo, não tinha aquela frescurite que muitos locais turísticos tem: podíamos andar por todo o forte, nos perder sem plaquinhas pentelhas ensinando como nos achar, mecher, balançar, cheirar, sentar, lamber, não havia cordas separando nada de nada. Inclusive, se você quisesse se matar, também podia. O Castillo fica no ponto mais alto da cidade, e das beiradas pode-se entender bem o conceito de VERTIGEM. Penhascos aos montes. Penhascos de gente grande mesmo. Penhascos rock n’ roll.

28/4

O inferno. Eu e uma mala com mais de 25 kilos. O inferno em sua nova variável. Claro que lá tinham coisas minhas e de babãe. Eu diria 1/4 minhas, 3/4 de babãe. Mas como sou jovem e forte e touro da família e tenho as costas boas (ao contrário do resto da família), sempre sobra para eu “provar” essa força. Quer dizer, antes era prova, hoje é vergonha na cara mesmo. Não faria babãe, cheia de ai minhas costas, ai meu joelho, carregar aquele peso todo nem que fosse por um segundo. Mas talvez se ela tivesse que passar pela experiência de carregar a mala por um doído segundo, teria feito sua parte da malinha um ‘cadim mais modesta.

Oh well, reclamar para quê? Já foi. Arrumamos tudo, demos mais uma volta na praia para dar tchau a Málaga, lugar apaixonante a que pretendo um dia voltar muitíssimo bem acompanhada, preferivelmente. Um povo caloroso, sorridente, chavequeiro na medida certa “solo ayudé porque mucho me gusto su hija” disse um bravo espanholinho que levou a mala e seus 25 quilos escada acima na estação de trem em Málaga. Vejam que fofo, além de ter levado minha mala, conseguiu me elogiar e de um jeito dulcíssimo, approaching babãe. Eles são assim lá. Não há como não sorrir em dobro. Além do mais, com aquele cheiro, que pulmão não respiraria feliz? Málaga, especialmente Marbella, é o lugar mais cheiroso a que fui. Cheiroso de cheiro natural. Intrínseco, estranho mesmo, o vento tem cheiro, e nnao o cheiro vem com o vento, entende? Não te culpo; é difícil explicar.

29/4

O mundo é pequeno demais ou o tempo é tão curto que nos permite viajar em idéias. Provavelmente se tivesse um mês inteiro pela frente eu acharia pouco e sentiria por não ter um mês e um dia. Ah, um dia a mais é sempre o dia a mais que falta para visitar AQUELE lugar, numa viagem como a nossa, sem destino, só a passagem de ida e a de volta. Hoje, depois do jantar, ficamos a elucubrar sobre o que faremos de nossa próxima e última semana. Nossa reserva em Sevilla vai até domingo, depois de amanhã. Amanhã ligaremos para os hotéis em Granada com uma certa dose de desespero, já que só hoje “realizamos” que terça-feira é feriado nacional e, logo, Granada-Alhambra-Generalife – nossos planos para os três dias seguintes a Sevilla – correm um certo risco de morte em nossa trajetória. Amanhã a viagem tomará um rumo mais definido, já que ligaremos manhosas para todos os hotéis de Granada que nos foi recomendados. Caso não haja vagas nem para dormir no quarto das camareiras, aí teremos que abrir mão de Granada e ir a Alicante. MAS, como nada em uma viagem é tragédia, se não formos a Granada, as chances de irmos a Ibiza crescem. É aí que entra a primeira sentença que escrevi hoje. Se tivéssemos mais um, talvez dois diazinhos a mais, poderíamos fazer tudo: Granada (e Alhambra-Generalife – alias, pausa infame, só decoro o nome Generalife porque imagino uma companhia de seguros), Alicante, Ibiza e um gostinho de Valência.

30/4

O dia hoje foi o pior da viagem até agora. Nada de muito ruim aconteceu, mas, sinceramente, acho que ficamos tempo demais em Sevilla. Em um dia inteiro poderíamos ter varrido isso tudo. Hoje ficamos até três da tarde resolvendo nossa ida a Granada. Só depois das três fomos até o centro velho terminar de ver o que faltava e, surprise, surprise, era só uma atração, a Plaza de Toros de la Maestranza. Muito legal a visita. Mas durou meia hora. Era visita guiada e acabou, cuspiram-nos à rua. É sério. O dia começou mesmo às 15h e terminou de render às 15:30h. Depois disso almoçamos num restaurante que nem era lá dessas coisas e voltamos para o hotel porque estava quente demais, de novo. Aliás, minto. Antes de voltarmos entramos num café que servia os malditos churros. Eu cismei com os churros e agora já os comi. Gorda.

1/5

De qualquer maneira, a temperatura está mais aceitável. Chegamos na estação de trem e fomos comprar a passagem de trem para Alicante direto. Não há viagem direto para Alicante. Decidimos ir de ônibus então; deixaríamos para procurar a rodoviária depois. O primeiro parto do dia foi achar um taxi da estação de ônibus para o hotel. Domingo, feriado, hora da siesta. Tudo junto. Claro que não tinha taxi. Uma fila imensa e nenhum. No final das contas, depois de meia hora, conseguimos pegar um, meio que acotovelando os outros. Chegamos no hotel, uma graça, mas eu não poderia perder tempo novamente. O dia anterior em Sevilla tinha sido meio fiasco. Eu tinha que make it up to it hoje. Largamos as malas no quarto e saímos, rumo a Alhambra.

A cidade está cheia. Terça-feira é o maldito feriado nacional. Mil festas acontecendo – religiosas, as far as I’m concerned. Está tudo apinhado. Mesmo sabendo que os ingressos estavam todos esgotados, resolvemos tentar a sorte. Logicamente não conseguimos. Mas a viagem valeu a pena de qualquer jeito. Mesmo sem poder entrar no negócio propriamente dito, pudemos visitar parte das ruínas, ter uma vista linda da cidade, cheirar todo aquele cheiro que entorpece meus pulmões. Fomos até o lugar de venda de tickets, mas não tinha mais nenhum para aquele dia e, se quiséssemos ir amanhã, teríamos que ESTAR LÁ às 7 da matina, sem garantia de ingresso. Decidimos que não. Ficamos por lá, passeando, vendo o que podia ser visto sem ingresso, e voltamos à cidade.

2/5

Ok. Sem Alhambra, sem Sierra Nevada, o que há para fazer em Granada? Simples: Granada! Resolvemos explorar a cidade e foi bem gostoso. Começamos pela capela real, em que estão os sarcófagos de Felipe, o Belo, e Juana, a Louca (hahaha). Maravilhosa. Meu apreço por igrejas tem me surpreendido. Embora eu tenha ficado um pouco impressionada demais com as imagens de San Juan Batista sendo decapitado e San Juan Evangelista sendo queimado dentro de um caldeirão, uma espécie de sopa santa. Assustador. Eu diria até de um certo mau gosto. Fiquei imaginando se eu fosse uma criança que morasse lá e fosse obrigada a assistir à missa naquela capela todo domingo - partindo do pressuposto de que eu era uma criança da famíloia real, já que a capela era de uso exclusivo da realeza. Eu teria acessos de choro antes e pesadelos terríveis depois. Ficaria hipnotizada nas duas imagens esculpidas na parede do altar, entre outras dez imagens. Eu não conseguiria prestar atenção em nenhuma palavra do padre.

3/5

Chegamos em Alicante após seis horas de viagem. Legal, nosso destino final, Dênia, fica há 100km de Alicante. Havia um ônibus saindo de Alicante meia hora após nossa chegada na rodoviária. Tudo muito tranqüilo para o padrão Singer de contratempos. No final das contas, 100km foram percorridos em exatas três (3) horas. A porra do busão foi pingando, entrando em cada vilinha para deixar e recolher formiguinhas. Não acabava mais. Eu já não via mais graça alguma em paisagens, escritinhos em catalão, escarpas, praias. Tudo o que eu queria era sair daquele ônibus cheio de pessoas tossindo, espirrando, umas até catarrando, juro. Ficar em pé no chão novamente, caminhar, respirar, me afundar na areia da praia. Não é pedir muito.

4/5

Do hotel fomos à praia. Andamos até um ponto que parecia mais habitado. A praia de Denia não é maravilhosa, mas é calma, e tudo de que precisávamos era paz. Claro que 100% paz nunca acontece na minha vida. Apareceu um tarado, que ficava fazendo gestos para mim de longe, mudando de posição na praia para pegar o “melhor ângulo” de visão, não parava de fazer gestos do tipo “vamoali?” ou “faz um topless, faz?” – como vocês devem saber, topless é comum na Europa. Várias tiazonas de maminhas aos aires, como se diz em Portugal. O ápice da taradice foi quando ele começou a pôr a mão para dentro da calça e ao mesmo tempo fazer um “venhaqui” com o indicador. Como homem é bobo.


And that’s all for now, folks. Muita merda tem acontecido e a cas ameaça cair pro meu lado. De novo. Mas eu agüento, até quando não der para agüentar mais. Depois explico melhor. Agora, fiquem com o que aconteceu de bom.

Saturday, April 23, 2005

euphoria

Não preciso explicar o sumiço, preciso? Babãe is inda house. E estou tentando, mas não consigo desgrudar dela. Nem estou tentando real hard, mas já sei que vai ser difícil dizedr adeus – e eu dispenso comentários do tipo, pô, Bi, não pensa nisso agora, aproveite o presente, curta o momento. Enfiem o carpe diem do rabo e rodem.

Amanhã passaremos o dia em Brighton e segunda voamos para Málaga, na Espanha. À frente a árdua tarefa de desbravar a costa sul da Espanha e Sevilha e Granada. Quem sabe Córdoba, e, quem sabe ainda, Ibiza.

Também ignorarei sumariamente pedidos de atualização do blog enquanto estiver na Espanha, though levarei meu notebook para batucar se me aprouver. Então não esperem grandes coisas aqui até 8 de maio (depois disso, claro, esperem).

Ah, sim, E amanhã, maybe maybe, babãe conhecerá o famigerado Chris.

Me desejem tudo de bom? Brigada!

Monday, April 18, 2005

raindrops stop falling on my head - little by little

Depois de amanhã eu saio ao meio-dia do trabalho, pego o *tubo*, desço em Hammersmith, onde uncle John estará me esperando de carro. De lá vamos a Heathrow. Preciso continuar?

Meu coração acelera só de pensar. Estarei cuddling babãe em menos de 48 horas. Vocês sabem o que são 48 horas para quem está longe há 10 meses? Pois erraram. 48 horas é muito tempo. Tanto tempo que a chegada da minha mãe parece estar muito longe ainda. Só vou entender quando sentar no carro do uncle John a caminho de Heathrow. O mesmo banco e o mesmo caminho de quando aqui cheguei há 10 meses. Céus, como tudo mudou. Tenho até medo de ter mudado demais. De estar madura demais, vivida demais, mundana demais. Medo de estar mais massa, menos grão.

Medo bobo. Não importa quanto tempo eu viva, e quantas coisas eu viva, e quantos sonhos realize e realizo todo dia, e quandas decepções enfrente; nada vai conseguir um dia realmente varrer meu medo. Ultimamente é medo de enlouquecer. De sair dançando tango sozinha pelas ruas. De chorar ao tropeçar, de rir ao me esfacelar. Não precisa ter medo, eu sei. Mas quem disse que minha cabeça segue a lógica precisa? Vocês não sabem, mas há foguetes de energia saindo da minha cabeça e me impedindo de ir junto além. Para algum lugar tem que ir essa energia. Para algum lugar que não meu estômago. Porque energia no estômago só infla, só dói, só panica.

Isso tudo é o que estou deixando escapulir por entre meus dedos agora, sem o menor controle, sem a menor censura, sem medo de realmente enlouquecer, pelo menos uma vez em todo esse dia, em todos os dias um pouquinho. Isso tudo porque sei que logo mais não preciso ser sã o tempo todo. Não preciso ter o equilíbrio que não tenho; não preciso ter a coerência que não tenho; não preciso ter a mente serena que não tenho. Posso ser o que sou – algo novo para todo mundo: para mim, para minha mãe, para meus amigos. Eu mudei e ainda não sei no que me transformei. Fiz um corte de cabelo de olhos fechados e descobri que não tem espelho na sala. Então melhor assim. Se eu não consigo ver meu cabelo, que ele pareça uma galinha d’angola sobre minha cabeça - já não ligo. Viram só? É aí que começa a loucura. Quando acabam-se os espelhos e nada mais importa. O mundo te vê mas você não percebe. E sai dançando tango na chuva, chorando nos tropeços; rindo nas quedas duras.

Agora que ela está chegando, a saudade parece uma faca cortando aos poucos um dedo já cortado. Agora estou me permitindo sentir um mundo de sentimentos. Estava tudo aqui. Eu é que, na falta de espelhos, não pude ver.

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Fim de semana muito bom. Sexta aquele happy hour básico com o pessoal do trabalho. Sábado dia molenga com Chris. Foi bom. Estamos bem. Dia 14, aniversário do ser mais amado desse mundo cujo nome é desnecessário citar, completei 4 meses de namoro. Ele me veio discreto, quase tímido, quase sapeca, me puxou num canto quanto estávamos no happy hour e falou, babe, yesterday, four months ago I was holding you for the first time. E sorriu, e eu nem lembrei da data, afinal era o aniversário do ser mais amado desse mundo cujo nome é desnecessário citar. Mas ele lembrou, e me lembrou, todo tímido. E me lembrou também que estamos bem. Um namoro que começou morno, esfriou e finalmente esquentou. Acho que nunca estivemos tão bem. Acho que nunca tive um namoro assim. Não apostava minha calcinha mais encardida nesse relacionamento. Continuo meio arredia, um pé na frente e outro atrás, mas aos poucos estou deixando ele me mostrar seus encantos. E os estou descobrindo mais numerosos do que pensei. Apostei no azarão achando que a perda era inevitável. Por enquanto, meu cavalo loiro continua firme na disputa. Não em primeiro, mas não em último. And that's enough for the time being.

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Sábado à noite fui na Lover Lounge com Frufru. Uma das casas noturnas mais bonitinhas a que já fui. Endereço marcado no lado mais gostoso da minha cabeça para levar Piupiu.

Domingo acordei com um barulho de torcida e lembrei, ah, sim, a maratona. A maratona de Londres. Ela passou aqui do lado de casa. O trio parada dura, claro, saiu para marcar presença. Entre as muitas cenas cômicas, essa que vos fala deu um tapão num balão e este bateu com tudo na cara de um gatinho. Para melhorar, acesso de riso, daqueles bem eu, boca bem aberta, todos os dentes querendo aparecer. O horror, o horror.

À tarde fomos a Camdem Town, encontramos as fofas da Bru e da Fla (irmã da Bru), coisinhazinhas fofas demais, pouco conhecidas mas muy queridas já. Passeamos, comprei apetrechos fashion, e terminamos a noite no Cubans, um bar no coração de Camdemlock. Fiquei pouco, mas o suficiente para conhecer o novo namorado de Bobby. Em alguns minutos, talvez segundos, já tinha feito meu juízo. Ele é um amor. Bondade genuina. Ele não vai decepcionar minha amiga, tão decepcionada já.

E s’embora porque dia seguinte, hoje, foi labuta braba. 8-18 com um pit stop para o almoço, em que dei mais uma das minhas aulas de “espanhol”. Acho melhor eu começar a estudar, preparar umas aulas, não sei. Algo tem que ser feito, senão bem em breve ele descobre. Enquanto isso, almuerzo de gratis na companhia de um guapo. Reclamo não.

Wednesday, April 13, 2005

hola, que tal?

Se eu disser que o Tony Blair foi hoje no prédio em que trabalho vocês acreditam? Vai procurar nos jornais. Mermaid House. Foi lá que rolou a convenção do Labour Party. E é lá que fica meu glorioso trampo.

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Estranho o que tem acontecido. Depois que terminei meia-bocamente o namoro com o Chris – e fui sumariamente ignorada em minha decisão de terminar – comecei a, de leve, curti-lo novamente. Nada de me derreter de amor. Mas tá bem gostoso. Chegou no equilíbrio que eu queria. Só não sei se é o que ele queria. Mas chegar ao meu ideal já é difícil, imagina se eu for tentar coordenar os dois. Não, né?

Falando em equilíbrio, quase que deixo cair a máscara na aula de “espanhol” que estou dando. Me enrolei numa ou noutra palavrinha. Mas acho que o gatinho não percebeu. Como diz meu amigo Marius, quem sabe até o final do mês não estou ensinando o besa me mucho?

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Ba-nhê, vem logo, caçamba! Uma semaninha só.

Monday, April 11, 2005

on my way up

E, against all odds, meu cavalo pegou segundo lugar e embolsei £10. Incrivel. Eu, que nem ia me incomodar em apostar em nada e soh fui levada a faze-lo por minhas colegas de trabalho, de repente tive uma sorte, assim, pequena, secreta, que nao vai me deixar mais rica, mas foi uma sortinhazinha. Que mais que qualquer outra coisa, mostrou que quando todos os odds apontam para a descida, voce pode, justamente indo contra esses mesmos odds, subir. De leve. Porque nada que se faz rapido eh bem aproveitado.

Fim de semana paz. Daqueles bem Biba. Sexta foi mais agitada. Sai do trabalho e fui no Booksellers, um pub do lado do trabalho, comemorar a chegada de um cara novo (deveras gato) e aniversario de uma menina. Fru foi para la depois e Chris tambem, mas ficou pouco porque tinha as “army stuff” aa frente.

O que na verdade me fez ainda mais serelepe. Nao adianto nada, nem dou falsos statements. Soh digo uma coisa: hoje na hora do almoço vou dar aula de espanhol (!) para um gatinho. Soh eu e ele. Ele paga o almoço como retribuiçao aa “aula”.

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O passado estah cada vez mais passado na minha vida. Apos 10 meses de Inglaterra consigo ver claramente quais montanhas continuam visiveis acima das nuvens. Nao sao muitas, mas sao as que eu achei que estariam la. Eu sempre fui uma pessoa muito ligada aos meus amigos e aos namorados que tive. Muitas vezes sacrificava programas de familia para farrear com amigos, namorado, ou ateh para fazer outros programas que me soassem mais atraentes – uma travessia, um dia num sitio, coisas assim.

Claro que todos os momentos que ESCOLHI viver foram especiais. Mas aqui, 10 meses longe de casa, uma das conclusoes mais obvias, mais gritantes, eh do quanto sinto falta da minha familia. Mais que qualquer outra coisa. Mais que qualquer situaçao, penso nas que passei com quem me viu crescer. Uma conclusao linda para se chegar aos 25 anos de idade.

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Sabado fui para meu primeiro pic-nic do ano com a Fru. Saimos de casa umas 11h da manha, cangas e kit pic-nic na mala, entramos no metro e fomos ateeeeeeeh Richmond Park, que fica na PQP, zona 4, longe, muito longe. A area eh linda, posh ateh o pescoço. Familias felizes, cachorros comportados e cheirosos, mocinhas de bunda e nariz empinados, tudo muito filme. Escolhemos um cantinho bem bucolico para nos estarracarmos. Sacamos nossos lanchinhos, tudo comprado do posh Waitrose, e em poucos minutos começamos a nos arrepiar. A principio secreta, em seguida, abertamente. “Poxa, ta esfriando, neh?” “Eh, eh essa porra de vento” “Eh, mas olha, o sol ta com cara de que vai voltar” “Tah sim, olha la, voltou… e ja foi embora”

Aceleramos o passo da mastigaçao. Logo engoliamos nacos inteiros de sanduiche natural. Desencanamos da sobremesa. Arrumamos tudo e fomos correndo para o Coffee Shop. E la ficamos por horas a fio, conversando, coladas num aquecedor, degustando os docinhos que deveriam ter sido apreciados ao ar livre. Primeiro pic-nic do ano, um fracasso. Mas o proximo ja promete. O tempo estah esquentando. Ha que se ter feh.

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Nove dias apenas. Babae, to te esperando… Eu, Londres e o sol. E depois Brighton e depois a Espanha. Todo o sul, toda a costa, toda com babae.

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Lendo Oracle Night, do Paul Auster. PUTA livro.

Friday, April 08, 2005

against all odds

Sim, eu sei. Nao precisa reclamar. A verdade eh que fiquei sem computador essa semana toda. Por que? Porque, bom, porque quando estou no Brasil tenho minha Piu pra derrubar tudo em tudo. E para quando estou aqui, Deus, aquele ser fofo e traquinas, colocou minha Bobby. Ela derramou cha no meu laptop. Ela diz que foram 10mL. Eu desconfio de sua precisao matematica. Porque 10mL nao causaria o estrago que causou. De qualquer forma, o computer estah de volta, inteiro, apos uma apanhada de £150 para consertar uma peça ligada aa tela. Uma bosta grande e fedida, porque odeio ver alguem sem dinheiro como a Bobby ter que consertar algo caro (que me fez virar alguem sem dinheiro tambem, pelo menos ateh o fim desse mes).

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Alias, façavor, seu deus, de melhorar um pouco as coisas aqui pro meu lado. Deu, neh? Ta perdendo a graça.

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12 dias apenas. 12 dias para eu estar jogada nos braços de babae. Rapaz, achei que nao fosse chegar nunca.

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Pedi upgrade da minha conta bancaria e ganhei. Fazia algum tempo que as coisas nao transcorriam tao smoothly. Foi rapido, facil e indolor. Quer dizer, agora toca transferir todas as minhas contas que estao em deposito automatico para a nova conta. Mas pelo menos meu novo gerente eh um bibelo (apesar de se chamar Lee, nome com formosura inversamente proporcional aa pessoa).

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Para o fim de semana os planos eram: passar o dia em Oxford com Bobby e Fru ou passar o dia em Stone Henge com Bobby e Fru ou passar o dia em Cambridge com Bobby e Fru ou passar o dia em Richmond com Bobby e Fru. Agora, olhando pela janela e vendo a previsao para amanha, os planos passaram a ser: passar o dia em Londres com Bobby e Fru. Em casa. Ou enfurnada em algum lugar fechado. Porque a temperatura maxima pode ser de generosos 7C, mas a sensaçao termica eh de 0C. Agradabilissimo.

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Acabo de apostar no Grand National Sweepstake, a maior corrida de cavalos que acontece todo ano na Inglaterra. Meu cavalo eh o Royal Auclair, numero 2, e as odds sao de 1/25. Nao eh o melhor, mas as chances sao grandes. Apostei £1 e, se meu cavalo pegar primeiro lugar, recebo £24. Amanha, na BBC1, aas 15h locais. Porque, apesar de tanto sangue ultimamente, eu ainda nao desisti de me dar bem.

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Serias chances de aprontarmos algo para o feriado que vai ter no fim de maio. Algo bem aprontado. Mas soh revelo aqui quando de fato acontecer. To cansada de uruca virtual.

Friday, April 01, 2005

façam alguma coisa, só não me chamem para fazer também

Acabo de descobrir a solução para parte de minhas aflições. De agora em diante sou Verdana roxa. Aboli Times New Roman do meu processo criativo. Serifas só fazem doer a vista, mentem inescrupulosamente todos os jornalistas que um dia me disseram que serifas arredondam o texto. Batatada das grandes. E estou pensando seriamente em adotar o itálico para sempre também. Você há que concordar que um cursor deitadinho é menos ameaçador do que o empinado. De repente acabando o texto eu volto a pô-lo em pé. Enquanto crio, ele tem que se ajoelhar mesmo. Que é para eu caçar piolhos.

Mas a merda é que hoje tirei o dia para ler textos bons. Toda vez que tentava escapar do trabalho eu caia numa homepage maravilhosamente escrita por alguém que eu não conheço. E olha que isso é difícil. Difícil cyberdespencar em algo prestável hoje em dia. E de repente senti aquela urgência formigando os órgãos mais informigáveis. Quase uma vida surgindo de dentro do meu umbigo, uma vida nova crescendo dentro de mim. E não estou grávida, não, não estou – mas tenho sonhado deveras com o tópico.

Ih, fiz aquilo que sempre faço. Comecei sem saber onde chegar. Como meus sonhos. Tenho certeza que meus sonhos vão se sucedendo a esmo, minha cabeça desesperada atrás da próxima imagem, do próximo quadrinho, e como vai tudo muito rápido, sai aquela coisa Miró cuja interpretação até valeria o custo/benefício, não fosse o denominador tão doído antes de fazer o Bem. Preguiçaa de doer neste momento. Fiz de novo. Não tenho mais o que escrever, really. Muitas palavras me vêm em inglês e juro para você que tô achando isso um saco. Pareço uma adolescente com seu All Star, e seu chiclete Bubbaloo, e seu Walkman e tudo aquilo de que uma adolescente precisa desesperadamente para ficar em paz. Odeio esses meus tropeços. As palavras antes fluiam como cobra em terra molhada. Quase faziam parte do cenário, da minha existência, vocês sabem, eu respirava palavras. Continuo assim. Mas agora o ar é que tá diferente e tá rolando um estresse para me adaptar. Não quero ser uma dessas que fala meio português meio marguerita. Vinte e quatro anos, garota, vinte e quatro anos de portuga e nem um ainda de inglês. Te enxerga.

E hoje falei com o glorioso uncle John, que trabalha no nem tão glorioso The Times, no telefone:

- Fomos num pub chamado The Monks hoje, para rezar pelo Papa.
- Se eu não te conhecesse acharia que está falando sério.
- Mas estou. Rezamos para ele morrer na próxima meia hora e eu poder ir para casa logo.

Aiai.

Falando em morte, eu estava pensando tanto, mas tanto e tão de perto na morte do meu avô que cheguei a quase invejá-lo. Ele já sabe. Ele já está na frente de mim, de você, de todo esse monte de vivos rastejantes. Ele agora tem o Conhecimento. Aquele que eu e você secretamente sempre quisermos ter ainda vivos, mas sabemos ser impossível. O negócio é engolir a inveja do meu sábio avô e fazer coisas bem humanas. Comer salgadinhos bem crocantes, tomar banhos bem quentes, correr até torcer o pé, trepar até virar duas, nadar entre águas-vivas – porque morrer de medo é estar mais vivo que nunca –, sonhar, porque nada garante que há sonhos ou que se durma depois da morte – como achava meu avô quando estava aqui, entre os vivos rastejantes. De repente está ele agora a rir da própria bobagem, com a boca bem aberta. Ele pode, porque ele Sabe.

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Ouvindo agora:

“O meu caminho pelo mundo eu mesmo traço”, porque quando se está na puta que o pariu há dez meses, de repente voltamos a ouvir músicas que só se ouvia da porta para for a. Ninguém mais canta Aquele Abraço. Só gringaiada e expatriados. Me digam, amigos, o Chacrinha continua balançando a pança?


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Recebi o seguinte email hoje, HOJE, que é 1o de abril, só para eu ficar encafifada:

Based on the career profile you provided us, you might be interested in the following job(s). Please review the job description(s) and if you would like to continue the process, click on the job link below.

Instructional Design Learning Specialist


Viajaram na mayo.

Thursday, March 31, 2005

e-mail

Oh no, cuttiest nerd back on track!

Glad to hear about you getting on with the new job. Soon it won't be "new" anymore.

I'm fine, work's ok (better than yesterday so far) and life is "not too bad" (you English...)

I just came from Galore Cards and got a birthday card to my sis that (***censurado por motivos de SURPRESA maior***). She'll love it!

The house is ok, though the toilet is leaking and we all find it disgusting to try to fix it so we don't.

And this weekend I might try to swim with the wetsuit which I borrowed from my cousin Lucia, a very pathetic-like situation, as I'll swim in a warm swimming pool. I'll be St George's Swimming Pool new bully. Oh well, who cares?

Would you like to meet up some time next week?

ice, ice baby

Eu realmente viajei. Meu celular toca mais que homem em onibus lotado. A qualquer hora, mas especialmente no trabalho. E eu, que nao costumo ser “that tapada”, nao percebi. Mas ontem estourou: uma de minhas chefes me chamou num canto e disse que o celular tem que parar de tocar um pouco. Sim, porque obviamente todo mundo perde a concentracao se no meio das formulas do Excel comeca a tocar “Ice Ice Baby” (ringtone de que deveras me orgulho). Sim, ontem levei um PITO. Nada demais, mas o suficiente para me deixar desgostosa. Odeio, odeeeeeio levar bronca. Ta, eu sei que isso todo mundo odeia, mas tenho certeza de que odeio mais que a media. Fico o dia inteiro de mau humor, gosto ruim na boca, nao vendo a hora do tempo passar – e ele custa a passar.

Sendo assim, ladies and gents amados, quando resolverem me ligar, tentem acertar depois do trabalho, a partir das 17h (13h aih) ou na hora do almoço (umas 9h aih). Oquei? Oquei.

**

Finalmente eu e Chris resolvemos assumir nosso nao-namoro. Porque, nunca vi isso, foi um parto bem maior assumir que nao eramos mais namorados do que assumir que eramos. Geralmente eh o contrario.

Mas eu nao fiquei aliviada como achei que ficaria. Na verdade ainda nao sei se fiz bem. Claro que eu lembro do tanto que reclamei dele aqui no blog, para meus amigos e ateh para ele mesmo. Mas de repente nao sei. Ele foi tao fofo comigo no dia em que terminamos que no dia seguinte eu ja me vi mandando uma text message ridicula para ele: “I fucking miss you already”. Que historia eh essa? Um dia depois que consigo terminar um namoro que ja era faz tempo, em vez de me sentir aliviada, solto essa batatada. Fora que logo depois esqueci que tinha mandado. Foi puro impulso de crappy day. Estava bem mais ou menos no onibus, ao encontro de Marinella e Ernesto. Mas aih foi. Soh que mais tarde ele me ligou e aih ficamos meio assim, sem saber o que falar. Eu nao quero zoar o cara, poxa. Sei que nao daremos certo. Mas fazer o que se ele faz falta agora? Faz. Como as ruas de Sampa, estou com o coracao esburacado de tanta chuva. O Chris foi o coitado do prefeito que sofreu impeachment mas que periga voltar por falta de novo lider no governo.

Tenho coracao de criança, que precisa ser embalado. Em duas semanas e 6 dias alguem bem amado deve estar por aqui para tentar dar um jeito nisso.

Enquanto isso, estou toda almofadada pelas minhas amadas Fruba & Bobby. Deus foi um megafofo ao por essas criaturinhas dentro da minha vida.

Monday, March 28, 2005

hot or not?

Fazia, sei lá, 10 anos que eu não brincava de quente ou frio com ovo de páscoa Escondido pela casa. Era 10h da manhã de domingo e a Lucia, minha prima, surge pulando feliz na porta da cozinha – ela, que tem 34 anos, pula mais criança que eu. Todo mundo procurando ovos de páscoa naquela casinha de brinquedo do uncle Hans. Ir para Brighton nesta Páscoa foi a melhor coisa que fiz. O tempo estava lindo, como vocês podem ver pelas minhas fotos (vai ser na base do ctrl C ctrl V mesmo): http://pg.photos.yahoo.com/ph/jornalpuc/album?.dir=/9482&.src=ph&.tok=phripvCB7pKMIq5T

Brighton já está lotada e vibrante com o verão que ainda vai demorar um pouco, mas não tanto pra chegar. Cheguei a ver três pessoas no mar, nadando. Desconfio de que estavam se afogando, porque ninguém em sã consciência entraria num mar gelado daqueles. Mesmo. Eu, peixa que sou, fui até a água em minhas novíssimas havaianas amarelas trazidas pela amada Bobby do Brasil, para sentir a temperatura da água. O resultado foi que não senti porque estava tão, mas tããão gelada que em segundos meus dedos já nem se mexiam, congelados. Todos os ossos atingidos e adjacentes doendo, encolhidos, imóveis, horrível. Sem a menor, eu disse menor? Não, sem a mais ínfima microscópica chance de entrar na água. Incompreensível qualquer ser vivo que não as seagulls (português, pelamordedeus?) estar no mar se não fosse para se afogar.

Mas disso eu já sabia. Fui mesmo para cheirar o mar, ver, me hipnotizar. O mar, meu maior e mais sagrado templo. Cheguei cedo de propósito. Disse à Elaine, empregada do meu tio-avô, que só chegaria em Brighton às 18h, justamente para poder ficar horas a fio olhando o mar, ouvindo o mar, cheirando o mar, esperando ele me lavar por dentro, esperando ele me curar. Logicamente fiquei apenas uma hora em Brighton e já me estressei. Muito cheio. Aquela merda de praia de pedras, sabe deus por quê, inspira marmanjos e velhotes (todos incondicionalmente do sexo masculino) a ficarem atirando pedrinhas dois ou três metros à frente, com o nobre propósito de não fazer absolutamente nada. Nem divertido é. Só atrapalha pessoas que, como eu, gostariam de relaxar, pensar, paz, paz, só um pouco de paz. Mas não. Aquele tec-terererec-tec-tec o tempo todo no canto dos meus ouvidos sempre me lembrando que a qualquer momento eu poderia levar uma pedrada na cabeça.

Fui para Rottingdean, então, que já é perto de casa e a praia é bem mais calma. Ali sim. Liguei meu iPod, o sol batendo leve, sem queimar, mas deixando tudo quentinho em volta de mim. Ainda teve uma família que se acocorou bem do meu lado com três menininhas baxtant espuletas e gritonas. Mas relevei porque em 10 minutos elas saíram correndo para espantar gaivotas.

O sol ainda estava relativamente alto quando resolvi desmontar barraca. Peguei tudo, uma caminhada de meia hora com mala e cuia (de onde veio a cuia dessa expressão? Coisa mais feia!) morro acima. Cheguei, Elaine já me esperava. Tudo certo, Elaine se vai. Termino de ler o livro que comecei naquele mesmo dia, Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante, da Clarah, que Piu mais amada do mundo me deu. Comecei outro, Amestrando Orgasmos, do Ruy Castro, que Bobbynha me trouxe do Brasil para meu aniversário.

Dia seguinte já tinha destino programado na minha cabeça. Todas as vezes que fui pra Brighton fiquei restrita ao circuito Brighton-Rottingdean-Ovingdean. Dessa vez resolvi aproveitar o dia para o outro lado, e descobri várias vilinhas (Seaford, Peacehaven, Newhaven, Saltdean), e a bela Eastbourne, onde gastei mais tempo. Mais praia (para ver, ouvir e cheirar) e de quebra comprinhas necessárias: aniversário de Piu à frente; aniversário de Bobby atrás. Desodorante que tinha esquecido de levar. E algumas comprinhas desnecessárias também. Ugh. Mês pesadim esse, viu? Em todos os aspectos, inclusive no financeiro.

Cheguei em casa, esperei, esperei, esperei uncle Hans chegar. Ele demorou um pouco e adormeci na sala. Do nada. Isso é muito estranho. Quem me conhece sabe que eu não sou disso, a não ser sob efeito das *dorgas* - e esse não foi o caso. Mas chegaram. E depois chegou a Lucia com seu namorado Neil. Uma família pouco original a minha, hehehe… Uma odiável piada interna, liga não.

Todos reunidos, gostoso, quentinho. Dia seguinte, domingo de Páscoa, me vi num dilemma. Queria passar a Páscoa com tio Hans. Isso era minha prioridade. Mas aí a família resolveu se separar. Odile e tio Hans foram ao cemitério visitar o túmulo da falecida esposa do meu tio e de seu filho Andrew, marido de Odile. Enquanto isso, Lucia e Neil iam a um delicioso passeio até a praia, passando pelo windmill, marca registrada de Rottingdean. Fiquei entre o dever e o querer, e optei pelo querer. Minha terapeuta ficaria orgulhosa de mim, tenho certeza. Fui passear com Lucia e Neil. O Neil extremamente parecido com o Neal, marido da minha mãe que por sua vez – surprise, surprise – também se chama Lucia.

De lá reencontramos Odile e Hans para almoçar e aí chegou ao fim minha estadia em Brighton. Eu poderia ter ficado mais um dia, já que hoje (segunda) é feriado aqui. Mas eu tinha meus afazeres e queria nadar hoje também – menina aplicada, nadei sexta antes de viajar.

**

Entrou o horário de verão aqui. A distância de horário em relação ao Brasil aumentou (agora são 4 horas), os dias estão mais adoráveis. Sol, juro. E dias que morrem às 19:30h. Tá começando a ficar bom de novo. Benzadeus, achei que nunca mais.

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Bobbynha voltou do Brasil. Com uma mala duas vezes seu peso, nem veio para casa: foi direto para a casa do John, já que lá a estação de metro tem elevador. O John está em Paris. Logo, Bobbynha sozinha por lá, sentindo falta da matracagem, saca o telefone e nem hesita: vem para cá, dorme aqui essa noite! E eu fui sem pestanejar. Saudades demais daquela guria. Ganhei dois pijamas, duas calcinhas, um par de havaianas e dois livros, sim, porque Bobby tem TOC e nem sabe, vem tudo aos pares. Tagarelamos até meia-noite. Nem vi o tempo passar. Contei as 72643238365874 de coisas que aconteceram. Ela, então, contou as 7836587653826520 de coisas dela. Imagino que quando nos encontrarmos no Brasil vai ser muito engraçado. Nos conhecemos aqui, construimos nossa vida juntas aqui, mas o país de origem das duas é estranho ao nosso relacionamento. Vai ser divertidíssimo, tenho certeza.

No dia seguinte ela iria a Paris, onde John está morando agora. Antes de partir, claro, Bobby é Bobby e fez despencar o estrado da cama (comigo em cima). Calma, nada do que mentes poluídas possam estar pensando. Ela resolveu subir na cama para fechar a persiana, que ficava do meu lado. A cama não agüentou sua delicadeza, despencou, gritamos, gargalhamos e ela nem percebeu que eu estava mais ou menos no formato de uma bengala, com os pés praticamente no chão. Consertamos e gargalhamos sob especulações típicas de Bobbuxa: “essa cama não era assim; quem será que o John anda comendo aqui?”

Ela voltou, ela voltou.

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Notícias piscinescas: hoje, pela primeira vez em 10 meses, resolvi cronometrar meu tempo em 800m, já que o triathlon das Singers se aproxima (o primeiro será em 12 de junho, em Oxford). Eu achei que faria bem mais feio. Não é nem perto do que um dia fiz, mas 13 cravados não decepcionam. Decepcionam?

testando novas fotas

Eu disse que só no ano que vem, mas naturalmente mudei de idéia.

Wednesday, March 23, 2005

ultimas

Olha soh, as coisas aos poucos melhoram. Aos poucos. Segunda-feira começou toda trocada, toda errada. Para começar, cai no chao. Assim mesmo, como nao acontecia a, sei la, quatro anos. Cai no chao. Na verdade rolei a escada. Dois degraus, o suficiente para estrupiar uma perna ja deveras estrupiada. Um tombo esquisito e desnecessario. Dois minutos para me recuperar. Ja estava atrasada para o trabalho quando, tudo pronto, nao acho meu ticket de onibus. Começo a escarafunchar a bolsa e em pouco tempo ja passo para o criado-mudo, bolso dos agasalhos, mesinha central da sala, cozinha, nada. Volto para a bolsa e ei-lo la, soberado, rindo malicioso. Saio ventando – dentro do possivel, mancando mais que compasso – para o ponto de onibus. Demora, demora, demora. Primeiro onibus passa reto. Lotado. Aqui tambem tem dessas coisas. Inacreditavel como uma manha pode ser tao cagada. Espera mais, mais, mais, outro onibus, dessa vez subivel.

Mas sabe-se la porque, Londres resolveu parar. Mandei um text message pra minha chefe, dizendo que atrasaria um pouco. No worries, ela disse. Cheguei no trabalho e entao finalmente as coisas começaram a normalizar.

Aa noite sai finalmente para conversar com o Chris. Foi outro parto para encontra-lo. Liguei dizendo que estava em Holborn Station esperando por ele. Ele saiu do trabalho ao meu encontro, mas me liga dez minutos depois dizendo que tinha se enganado e em vez de Holborn Station, tinha ido para Chancery Lane Station. Em seu power walk brit style, foi ate Holborn. Disse que estava na frente do Sainsbury. Fui ateh o Sainsbury e nao o achei. Liguei pra ele de novo, cheguei a trocar Sainsbury com Seinfeld (Eh serio. Eu disse: “no, no, I am in front of Seinfeld, where are you?”, para o qual ele soh respondeu: “what?!” naquele very british indeed way). De qualquer maneira, nao conseguia ve-lo. Combinamos de nos encontrar na saida 1 de Holborn Station entao. Quando chego la, descubro o que rolou... EU estava em Chancery Lane Station desde o começo, achando que estava em Holborn. Depois de rir sem parar – os britanicos nao entendem muito bem o que eh isso – combinei de ficar na saida 1 de Chancery Lane Station sem me mexer, quietinha.

Depois de uma hora do combinado, conseguimos nos encontrar. O desencontro todo na verdade ajudou a quebrar o gelo. Um desencontro que tornou bem melhor o encontro. Nao consegui fechar o livro. Ele foi extremamente doce, extremamente atencioso, extremamente namorado. E eu decidi que nao preciso decidir nada agora. Posso me dar esse luxo. Simplesmente desdecidir. Eu tinha dito que terminaria tudo e agora nao sei mais. Ainda quero terminar, acho que nao temos futuro juntos. Mas isso nao significa que tudo tem que terminar agora, se agora nao eh a melhor hora.

Ontem, um pouco melhor. Nao cai, nao perdi meu ticket, nao perdi o onibus. Encontrei Marinella depois do trabalho para mais um cineminha baaaasico. Dessa vez, Somersault, um filme aussie meio clichezento demais, mas bonitinho. Uma coisa meio modelo drogada revoltada adolescente foge de casa e vira hippie. Nao, ne?

Depois do filme fomos no Mac (porque eh o que ta dando pra gastar nesse fim de mes). Marinella eh uma companhia deliciosa.

No onibus de volta para casa, telefonema do Chris e da Fru. Nao estou tao sozinha afinal.

Mas hoje o dia promete ser lindo. Usei oculos escuros pela primeira vez em meses. Almocei com uma amiga de babae que me faz lembrar babae. E hoje, claro, chega minha amada Bobby. Como demorou! Vou enche-la de apertoes e mordidas. Nao vejo a hora de ouvir aquela matraquinha falar ateh eu adormecer.

A mareh baixando faz com que as coisas todas ja nao gritem tanto para mim. Antes, qualquer buzina era ensurdecedora, qualquer cor era fosforescente, qualquer tempero era forte demais, qualquer temperatura era a errada. Eu estava toda perola recem-saida da ostra. Cansou. Agora as coisas estao com um contorno mais real. A vida grita muito de qualquer maneira e isso foge ao nosso controle; se o ser humano nao fosse adaptavel, ja estariamos extintos.

Sunday, March 20, 2005

streets of London

Email mandado à Bobby anteontem:

Bobbuxa, minha amada, tens lido meu blog? Pois devia. Tem coisa de vc lá.

Inaceitável eu não ter te mandado um email ontem, no capricho. Queria te ligar, mas não tenho o número. Queria na verdade te abraçar muito e dizer, como vc me disse few months ago, “hoje o dia é seu, gata, fazeso que quiseres!” Queria também ter minha pequenina loirinha das bolasde gude no lugar dos olhos me olhando com ternura e me abraçando, e me dando apoio, porque, amiga, tá foda demais. Tudo se despedaçando na minha vida. Primeiro, a morte do meu avô (acho que vou escrever “a morte do meu avô” mais mil vezes e ainda assim vou achar que não sou eu quem está escrevendo, ou que logo mais acordo dessa merda de pesadelo), depois, termino o namoro (ou “dou um tempo”) com o Chris, e ontem recebo um email da minha “tia” dizendo que o uncle Hans, aquele fofuxo da ONU, irmão do meu vô que morreu (ai, de novo), está no hospital. Vomitando sangue. Não bebe nem come nada. Vou pra Brighton visitá-lo no domingo.

Uma vida de cabeça para baixo. Um quebra-cabeça com as peças trocadas, uma cidade inteira de ruas sem saída. É assim que está minha vida. Tive um proto-ataque (essa é nova) de pânico no sábado, foi horrível. Essa noite sonhei que estava tendo outro ataque. Bobbynha, você não sabe a falta que me faz. Tô parecendo uma apaixonada, mas vc não tem idéia de como o quarto está grande sem você! A casa silenciosa, os filmes que assistimos transcorrem inteirinhos sem interrupção. Really boring.

Mas tudo bem, tudo bem, fico aqui mentalizando que vc já tá chegando (outro trecho apaixonado, hahaha) e que poderemos comemorar seu niver londrinamente. Hoje foi o dia mais quente do ano. Chegou a 20 graus. Pessoas sentadas no lado de fora dos pubs, calor mesmo. Inacreditável. Londres está toda quente para sua volta, minha amiga!

Não vejo a hora. Adorei as novidades todas. Vc deve estar sendo uuuultramimada pelo seu Alberto. Faz bem ele. Alguém tem que me substituir.

Amiga linda, parabéns pelos seus 25 anos (eu sei, eu sei, mas é negar até a morte), você, como sabes, é a irmã do meio. Não é a posição mais divertida, mas pelo menos você aprendeu antes que viver nem sempre é legal. Eu aprendo um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Um poquinho agora. Mas vai passar.

Parabéns minha amada preferida. Poderia continuar batucando aqui no teclado por horas a fio, vc sabe, as palavras nunca se esgotam e, pior, nunca são suficientes. Tenho mil coisas embotadas que precisam desabrochar. Volta logo pra me ajudar.

Te amo.

Beijos mil,

Bibi.


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Acabei a faxina, estou quase pronta para nadar novamente. O sol parou de brilhar, claro, vivo em Londres agora, must remember.

Ouvindo, neste exato mmomento Streets of London, uma das melhores de Sinead O’Connor. How can you tell me you’re lonely, and safer here, the sun won’t shine? Let me take you by the hand and lead through the streets of London, I’ll show you something to make your change your mind.

Novamente sozinha. Bobby ainda longe, Fru foi para a França esquiar. Ando sem fome, mas nada preocupante – como sempre. Pelo contrário, estou começando a perder o excesso que ganhei quando comecei a ser responsável pelas comidas que compro.

Amanhã devo encontrar com o Chris. É o primeiro dia de trabalho dele, último do relacionamento. Andei pensando, conversei com algumas pessoas a respeito, Piu, Fru, Julinho, Maureen (a fofa da minha chefe), Tatyana (que senta ao meu lado no trabalho) e outras. Ninguém emitiu opinião concreta, mas a soma dos conselhos que recebi e dos que eu mesma me dei me levaram à decisão.

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Semana curta. Sexta e segunda não trabalho. Com uma forcinha de Iemanjá (será que ela viaja tão longe?) pegarei praia e sol em Brighton. Mar no máximo para as pontinhas dos dedinhos do pé.

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Decidi hoje, lavando louça: escrever não é a arte de falar mentira fazendo-a passar por verdade, mas de falar verdades camufladas de mentira.

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Ainda contando com o tempo-tempo-mano-véio para acordar a cada dia com menos dificuldade de entender que acordei, e não que comecei a sonhar. Falta um tanto ainda, eu sei.

Saturday, March 19, 2005

hoje eu recebi esse email

A idéia: fazer valer minha presença nesse negócio de Orkut; conhecer alguém decente que nunca, nem fodendo, trombaria comigo pessoalmente-assim-do-nada -- porque o destino é um cretino que só coloca gente tosca no meu caminho.

A ressalva: não dava pra imaginar conseguir alguma coisa assim em qualquer buraco. A comunidade Nova Literatura Brasileira me pareceu razoável pra começar as buscas. Esse nome, sei lá, me faz lembrar de uma gente boa, despirocada; me remete ao Mirisola, à Lady Averbuck, ao Bernardo Carvalho, ao Ruffato... Quem gostasse e conhecesse e pudesse falar comigo sobre esse povo obviamente tinha um tempero. Um quê.

Você, Bia, estava lá. Em destaque. O perfil do rostozinho focando o nada, absolutamente completa. Seria uma imbecibilidade se não me apresentasse; se não pusesse minha carona feliz e veraneia pra dizer, e aí, pô, tímido como só eu; é que... não deu pra resistir.


Hoje eu até cheguei a acreditar que tudo uma hora vai voltar ao normal à medida que consegui ficar feliz com uma coisa assim, pequena. Dessas que justamente por serem pequenas nos deixam feliz. Hoje eu fui nadar, e nadei bem, e bastante, e e estava um sol delicioso, e fui passear na beira do Thames e acabei deitando num banco com meu iPod na mão e meu celular na barriga, graças a Deus tocando sem parar. Um amado atrás do outro me ligando.

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Primeiro acontecimento do dia: minha tia me liga de Brighton dizendo que meu tio avô - irmão do meu avô que faleceu - tinha saído do hospital. Isso mesmo: em apenas dois dias ele entrou no hospital vomitando sangue e já teve alta. 94 aninhos, aquele sem vergonha tem. O que alguém faz com tanta vida assim? Alguém eu não sei. Ele fez coisas que a maioria levaria 400 anos. Ele é meu orgulho por aqui. E quem o conhece e conhece toda a sua história, entende bem porquê. E passa a ficar orgulhoso só de o ter conhecido.

Mas ele foi forte. Imagino que a morte do irmão o tenha abalado, claro, apesar de ele me assegurar do contrário no telefone. Estou decidida e já combinei com minha tia: vou passar a Páscoa em Brighton, com ele e o resto da família.

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Falta um mês e um dia para eu ver babãe de carne e osso, ao vivo e a cores (meio embaçado, claro, vai ser inevitável).

Voa, voa tempo...

paciencia no chao

Então as fotos não funcionaram no blog. Beleza, tentarei de novo ano que vem.

Wednesday, March 16, 2005

testando fotinhas no blog!



Num busão em Oxford Street. Uh!

o tunel no fim da luz

Parece que finalmente estou entendendo que estou passando por um dos momentos mais delicados da minha vida. Já passei por zilhões de crises, fundadas e infundadas. Depressões, chiliques, you name it. Mas essa é a primeira vez que passo por uma crise em toda a sua complexidade. Uma crise que existe soberana. Apesar de muitos amados me lembrarem de que não estou sozinha o tempo todo, é difícil. É a primeira vez que minha vida está uma zona e eu tenho que arrumar a bagunça sozinha. E além de arrumar minha bagunça interna, tenho que arrumar a externa também. Toda uma vida que acontece dentro de mim, e outra fora de mim. E cismam em tentar me fazer entender de que são as mesmas, mas não me convencem, não me convencem.

A morte do meu avô, pelo incrível que pareça, ainda não está cimentada. Me pego de repente “lembrando” que realmente ele se foi e me dá uma vontade monstra de me jogar no chão e chorar. Aí passa uma criança loirinha, os cachinhos tonhonhoim, rebolando, bochechuda, na minha direção, e eu logo me esqueço, e lembro do quanto quero ter um filho, e o quanto preciso crescer ainda, e o quanto ao mesmo tempo já cresci. Gosto de pensar que meu avô, onde estiver, vai estar orgulhoso.

Mas voltando, estou passando por um dos momentos mais difíceis que já tive de encarar aqui. Claro que houve outros doídos, como o término do namoro, a sensação de urgência de sair da casa do meu tio por causa da bruxa, e mais um ou outro. Mas é a primeira vez que me bateu uma vontade quase instintiva de pegar um avião e voltar pro Brasil, nem que para me arrepender em uma semana. Aí lembro que estou sob contrato, que tenho contas a quitar, que, enfim, sou gente grande. E gosto de morar aqui.

O negócio é que, como sempre, as coisas embolaram. O término do namoro com o Chris teve um efeito maior do que eu esperava. Provavelmente porque estou fragilizada. Mas hoje me peguei ligando pra ele pra saber-como-vão-as-coisas e no final meio que podemos nos encontrar na sexta-feira. Ele tem uma entrevista de trabalho no Foreign Office, aliás, vaga que eu indiquei para ele. Ele tem chances. Já passou no primeiro pente-fino. Ele fala russo e francês fluentemente, e isso o coloca à frente de uma pá de candidatos. De qualquer forma, ele já está empregado e começa segunda-feira. Um trabalho semelhante ao que ele fazia na empresa em que trabalho – para quem pegou o bonde andando, foi ele quem me entrevistou para uma vaga na empresa.

O negócio é assim: não suporto a idéia de voltar a namorar com ele, mas também não suporto a idéia de ficar longe dele. Eu chamo isso de manha, mimo, ele me mimou, agora dependo um pouco disso. Eu, que aqui não recebo mimo algum. Antes do Chris, era mimada por outro cara fofésimo que durou alguns meses mas minguou – e hoje somos grandes amigos. E enquanto estive sozinha, tinha minhas doses de mimo com minhas amadas flatmates. Aliás, às vezes acho que essa crise só está sendo mesmo braba porque Bobbynha ainda está no Brasil. Esse tempo que não passa. Mas em uma semana ela volta (para viajar de novo, mas tuuuudo bem).

A única coisa que vai de vento em popa é o trabalho. Continuo curtindo muito, adoro minhas colegas e chefes, adoro o clima da empresa, adoro o que faço. Muitas vezes as jornadas são exaustivas, temos deadlines a cumprir, targets, além das tarefas diárias de praxe. Fora que estou aprendendo na marra (mesmo) a ser organizada. Não há a menor possibilidade de se dar bem no Marketing sem ser organizada. Eu tenho vários lapsos de memória, coisas como, puta merda, será que eu mandei o email pra fulana MESMO? Será que esqueci algo importantíssimo? Será que mudei as datas das cartas? Enfim, tudo vira um problema monstro quando temos mania de perfeição (não aquela que todo mundo tem; mania mesmo). Está sendo deveras importante passar por isso.

E a verdade é que, resumindo, não sobra oportunidade para ficar desesperada. Quando penso que a vida tá foda, que essa é a hora perfeita para me meter debaixo do cobertor em posição fetal, eu lembro que tem conta de luz, eletricidade, telefone, banda-larga, celular, gás, natação, council tax e, claro, o aluguel. Lembro que seres humanos também têm a estranha necessidade de se alimentar, de se limpar, de se dar um ou outro regalito. E que portanto viver é caro bagarái então preciso fazer valer meu ticket.

Monday, March 14, 2005

antes soh

Saí do trabalho e fui direto pro médico. Terceira visita. Já comecei a perder a paciência. Uma fila imensa. Mil mulheres com mil véus para tapar a cara. Mil crianças com caras de adultas. Cheiro de suor de curry. O zoológico em sua forma mais humana. Ou uma sala de espera em sua forma mais zoológica. Finalmente entrei na fila para um ortopedista. Se eu tiver sorte, em duas semanas. Se tiver azar, só deus sabe.

Dia estranho também. Demorou uma meia hora depois que acordei para lembrar que tinha terminado com o Chris. Cheguei no trabalho e não resisti. Entrei no blog dele (cuja URL por razões óbvias não serão postadas) e senti um gelado. Eu não sabia que ele ficaria tão ressentido. Ele não me pareceu ressentido quando saiu daqui ontem. Esses ingleses sabem como ninguém como se robotizar. De qualquer maneira, ele sabe que eu entraria no blog dele uma hora ou outra. E se pensou que reagindo da forma furiosa com que reagiu ele vai me reconquistar ele apostou no cavalo azarão que continua sendo azarão. Sou do tipo que até toma – e às vezes precisa tomar – porrada, mas não no final. No final eu já não tô sensívedl a porrada. No final qualquer alfinetada não motiva mais que pena.

Um dia um pouco melhor esse. Falei no Messenger com pessoas amadas (sim, amadas). Ontem ainda recebi telefonema de dois brasileirinhos preciosos, Bathatha e Nickão.

A verdade é que estou chateada por ter machucado tanto o Chris. Juro que fiz tudo do jeito mais doce que sei fazer, mas tem horas que você pode ser quindim que cai azedo. Oh well, aí já foge do meu alcance, concordam?

Vou dormir. Chega. São 22h aqui e meus olhos já estão operando em meia fase.

Sunday, March 13, 2005

adendo

Excluam minha família de qualquer crítica que possa ter sido detectada no post abaixo. Essas, pessoas top amadas e preferidas, estão além de qualquer crítica e logicamente foram maravilhosas comigo. Me fez lembrar de toda a sorte que tenho. Passei na frente de um país inteiro na fila para escolher a família lá no céu.

Como escalar um poço sem alguém para jogar a cordinha

Diretamente do meu brinquedo lindo, informo que estou voltando ao trilho aos poucos.

Descarrilhada braba, acompanhada de uma certa decepção também. Pessoinhas que costumo citar como amadas e preferidas: quem está longe também sofre de luto. Acabo de descobrir e gostaria de dividir com vocês. Pode parecer estranho, mas chorei muito todos esses dias e ontem tive mais uma clássica ameaça de ataque de pânico. Nada com que já não esteja acostumada, certo? Errado. Uma pessoa jamais se acostuma à ataques de pânico. À tristeza, sim. Todo mundo conhece alguém viciado em tristeza. Mas mais uma vez, pessoinhas amadas e preferidas, este não é o meu caso.

Então, um lembretinho para esses amigos, para minhas pessoas preferidas e amadas manterem essa digna e rara posição: vocês fizeram falta. Não estavam lá quando precisei. Não se dignaram a ligar (por que achavam que eu preferia ficar “sozinha” na hora em que mais me senti sozinha? Por que ligar para Londres é difícil e caro e tem horários trocados? Por que é difícil ligar para alguém sabendo que a voz do outro lado do telefone não vai estgar vibrando?), um ou outro mandou email. A maioria dos que se comunicaram comigo aproveitou o “ensejo” quando entrei no Messenger para aproveitar que eu já tava lá mesmo e falar tudo aquilo que deveriam ter tomado a iniciativa de falar. De me reconfortar.

Foi-se. O tempo passou e não me venham com o ombro quando minha cabeça já é capaz de ficar parada sobre meu pescoço. Nada pior do que alguém vindo te dar toda a atenção quando na verdade toda essa atenção só teria tido valor se fosse na hora certa. E já não foi, no matter how hard you try now.

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Estou comendo um iogurte de rhubarb (alguém sabe o que é isso???), vendo um documentario sobre filmes x-rated na BBC e ruminando o que fiz há apenas alguns minutos. Terminei com o Chris. Na verdade, pedi um tempo. E apesar de ter ficado num bode cão durante esse fim de semana (ele teve o dom de sair para “tomar um chá e fumar um cigarro” quando eu estava prestes a ter o ataque de pânico), confesso que não foi fácil. Odeio isso de machucar as pessoas. Já fui mais tranqüila em relação a isso, mas quando você lembra o quanto dói estar do outro lado, é bem cuzão ser tranqüilo.

De qualquer forma, ficamos de nos falar. Na verdade, eu fiquei de ligar. E vou ligar. Ao contrário da maioria dos caras que ficaram retidos no meu pente finíssimo. Ele foi e é especial. Mas de repente não vale o sacrifício dos fins de semana.

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Rivotril correndo na veia depois de meses. Babei. E dormi como fazia tempo que não acontecia. Na verdade, menos que um ataque de pânico, tive tipo um acesso nervoso, tremedeira, choro compulsivo, enfim, um carnaval às plenas 3am de hoje. Inferno.

Mas passou. (Novamente, sem comiserações tardias, façavor.)

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Você já viu Mar Adentro? Não? Trouxa…

Tuesday, March 08, 2005

floco de neve

Lendo John Fante, outro dia, me emocionei. O avo do personagem de 1933 Was a Bad Year tinha morrido e ele tinha lido em algum lugar que quando uma pessoa morre, elas se transformam em flocos de neve. Uma imagem infantil, mas bonita. Uma imagem daquelas que mae conta para filho novo quando tem que se deparar com a morte pela primeira vez e precisa entender que a pessoa foi, mas continua no ar. Uma imagem daquelas para refletir as dores e tentar sentir menos dor. Principalmente porque nesse mesmo dia estava nevando aqui em Londres. E porque meu avo ja estava dormindo um dos seus ultimos sonos vivos.

Chorei um pouquinho ao ler o trecho. Nao era para ser um trecho emocionante at all, mas foi tao certo no contexto que nao tive como nao olhar para a neve caindo tao silenciosa, tao serena, e nao pensar que em breve ela seria para mim a partida do meu avo.

Oito de março, hoje, o dia em que recebi um telefonema da minha Piu com a voz macia, macia. Um macio que doi. Macio que amacia antes da queda. Minha pergunta foi soh para tornar tudo mais facil para ela.

Ai, Piu, ele morreu?

Morreu, Bi.

Um longo silencio, metade quentinho, metade gelado. A voz dela estava calma. Estranhamente calma. Nao aa toa horas depois me ligou aos prantos. Tudo voltando aa sua cabecinha linda e forte. O quentinho de quase alivio, porque toda vez que o telefone tocava eu morria um pouco. E gelado porque ainda eh dificil acreditar. Eh tudo muito surreal. Estar aqui, nao ter passado pelo processo de ve-lo no hospital, de ver a situaçao piorando, ainda me da sustos quando penso que nao tenho meu velhinho mais ao meu alcance.

Sabe, minha familia eh pequena. Eu nao tenho muita gente proxima. Somos apenas eu, minha irma, meus pais e meus avos maternos. Soh. O resto da familia estah espalhada por ai (alguns por aqui). Mas o que considero familia eh soh isso mesmo. Tirar assim um pedacinho de uma familia tao pequena eh como morder uma migalha. Mas eh isso que nos faz forte. Saber que somos tao poucos e cuidamos tao bem de nos mesmos. O amor que sinto por cada pessoinha eh ridiculamente grande e concentrado. Tirar um deles de mim eh tirar dinheiro de pobre.

E ele entao se foi. Ha alguns anos, sentei para ouvir toda a sua historia. Foram uns 5 ou 6 encontros longos, cada um deles gravado numa fitinha daquelas de gravador amador. Tenho-as guardadas no Brasil, mas nao preciso recupera-las para cita-lo ipsis literis. Ele disse que apos a morte nao havia nada. Era apenas como dormir para sempre. Simples assim. Nao acreditava em outra vida, nem em ceu e inferno, nem em nada que tentasse embriagar uma mente cartesiana daquelas. Fechar os olhos e descansar. Nada mais empirico, comparar a morte com o sono porque sono eh uma mostra real a que os cientistas podem se prender. Meu avo, meu amado ser enrugadinho, meu xodo, nasceu e viveu cientista. Mas de repente, agora que estah lah para provar que a ciencia se mostrou insuficiente, ele nao vira poeta?

Friday, March 04, 2005

my million dollar grandpa

Ontem sai do trabalho e fui direto assistir Million Dollar Baby. Que grande merda eu fiz. Nao, o filme eh otimo, adorei, ateh ousei me sentir na pele da boxeadora por causa dos treinos exaustivos. Claro que eu me achei ao me sentir como ela, mas aconteceu. Aureos tempos de horas de treino diarias na nataçao.

A merda foi ter assistido agora, num periodo tao critico. Falei com babae ontem e recebi email de Piu e babai. Eles meio que combinaram de me contar tudo, nao esconder nada, mas ao mesmo tempo tentar mostrar que estao bem, que eh o ciclo natural da vida, que ele viveu coisas demais ja e que nao merece sofrer a essa altura. Eu concordo, claro. Concordo como um burrico que nao tem muito para onde ir numa estrada de terra que leva nada a lugar nenhum. Aquele concordar nao-tem-outro-jeito-mesmo. A verdade eh que ontem, apos o filme, a ficha finalmente começou a cair.

Voltei para casa em prantos, falando com o Chris no telefone, o onibus inteiro naquele silencio acolhedor, condescendente, ingles. O Chris falou tudo o que eu sabia mas precisava ouvir. Tambem conseguiu me fazer rir. Me fez prometer que ficaria bem. Me garantiu que almoçariamos juntos hoje, ouviu meus lamentos mais tolos, “I’m being selfish, I know! I’m horrible!”, “No, babe, you’re not being selfish at all. You’re suffering a loss, that’s all”, “Yeah, you’re right, I just wanted, you know?, to say goodbye to him”, “I know, babe, but try to think of him as he were when you left”. Enfim, quem me conhece sabe que eu sei ser um pain in the ass quando estou triste. Nao aceito conselhos, nao aceito palavras superfluas, nao aceito pena. Mas dele eu aceitei isso tudo. E e senti deliciosamente (dentro do possivel, claro) leve depois.

Cheguei em casa saltando as poças congeladas na rua. Encontrei Frufru, meu anjinho acolhedor. Me abraçou, me falou mais do mesmo, e eu adorei ouvir. Aquela pequena me faz bem.

Dormi cedo porque tenho tido que acordar cedo esses dias, tenho que telefonar para a Asia e la eh final de expediente quando aqui o galo ainda nem cantou. Ninguem merece o sotaque tailandes. O vietnamita tambem eh duro de encarar.

Mas tudo isso eh otimo porque me mantem ocupada. O Chris me perguntou se eu iria trabalhar hoje. Claro que sim, eu disse. Nao consigo nem pensar em passar por tudo isso em casa. Cabeça vazia, oficina do diabo. A Fru me perguntou se eu queria ir para o Brasil. Claro que nao, eu disse. Nao consigo imaginar a mistura grotesca que seria a profunda felicidade de encontrar as pessoas que mais amo na vida, com a profunda tristeza da iminencia de uma perda. Simplesmente nao combina. Nao cai bem. Pesa do estomago de todo mundo. E quem me conhece sabe bem o que acontece se meu estomago começa a reclamar.

Mas, meus amados, estou melhor. Hoje acordei inchada, olho fechadinho, sabe?, aquela cara de briguei-feio-com-meu-namorado-ontem-a-noite. Mas ja estou back on track. Muito trabalho, um fim de semana aa frente, amanha chega meu laptop, vou ver meu gatinho, vou me ocupar. E tentar pensar no meu velhinho mais amado com toda a ternura que houver neste mundo. E nao eh pouca. Eu amo aquele serzinho enrugado. E se ele morrer, nao vou deixar de ama-lo nem um cilio. Finally, slowly a ficha estah caindo. E isso eh tudo de que preciso. O resto nao estah a meu alcance.

Tuesday, March 01, 2005

pelo direito de nao desmoronar

Gribada de dovo. Que bosta. Nunca fui assim, e de repente em um mes peguei duas gripe. Palhaçada.

Atualizaçoes. Vou comprar um Mac. Powerbook, nada zero quilometro porque tenho medo do que eh novo. Usado. Pouco, mas usado. Por gente confiavel. Sabado ja estarei com o pequeno (ainda sem nome) em casa. Assim que me adaptar direitinho vou estar de volta ao fascinante mudo do MSN. Falar com pessoas queridas muito. Muito queridas e falar muito.

Acabo de fazer assinatura para broadband. Como tudo eh facil aqui... Ateh pegar gripe eh facil, facil.

Desacredito que em menos de dois meses vou estar me afofando com babae!!! Disse a ela agora pouco que nove meses eh tempo demais longe de quem me teve dentro de si por exatamente o mesmo tempo.

Logo mais faz nove meses que da terra brasilis me mandei. Passarinhos verdes me contaram que Bobby chorou compulsivamente quando aterrissou em Salvador, na semana passada, depois de um ano e pouco de Inglaterra. Tiveram que trazer lenços e tudo mais, parece. Ela eh assim. Quase trinta e chora de fazer bico.

Aqui, contrato assinado, entrevista para o National Insurance Number feita, agora eh soh esperar. Contrato com o landlord tambem foi assinado finalmente. Porque finalmente ele cumpriu o que prometeu. Tudo nos conformes.

Periodo de serenidade, apesar da turbulencia interna. Vovo ainda estah na UTI. Melhora daqui e piora de la. Falei com babae e Piu no telefone e as duas demonstraram uma certa perda de esperanças. Estando aqui, longe, nao podendo julgar, soh posso mesmo eh olhar atraves dos olhos delas. Seja o que for, estou pensando no meu velhinho, mandando minha energia positiva, mandando calma, tranquilidade, mandando ondas de amor para ele nao se sentir sozinho, mandando quentinhos para ele nao sentir frio, mandando minha alegria para que ele nao tenha medo. De ficar ou de ir.

Monday, February 21, 2005

...

Faz tempo que nao escrevo, eu sei. Faz tempo que nao escrevo aqui, que fique claro. Tenho escrito descontroladamente no meu pequeno notebook – aquele do qual sai uma peteca quando abro, tao brinquedo que eh.

Ontem nevou. Hoje nevou de novo. Fiz festa. Em casa, na rua, no trabalho. Ninguem entendeu, claro. Alem de mim, tinham mais dois macacos pulando felizes na rua, em meio aa neve, ontem aa noite. Eram brasileiros.

A vida estah boa. Fui efetivada. Assino o contrato hoje. Recebi novo aumento. Agora sim eh trabalho de gente grande. Com a grana que vou conseguir juntar vai dar para ir ao Brasil no final do ano, como planejo. Mas sem algazarra porque eh muito cedo ainda. Mil coisas podem me fazer trupicar no meio do caminho. Por enquanto, fica a ideia.

E quando eu for, quero ir sozinha. O Chris ainda nao sabe. Ele me disse outro dia que quer ir ao Brasil comigo, quando eu for. E ele quis dizer o seguinte: “eu vou morar com voce la, se voce resolver voltar”. Meda, panica horrora. Nao senhor. Vou sozinha visitar meus amados e, quando voltar ao Brasil, volto sozinha tambem. Pelo menos eh assim que penso hoje. Eh assim que penso quando estou com ele.

E em breve nao devo mais estar. Fim de semana retrasado foi o estopim. Nao aguentava mais ele me pegando, me beijando, me sufocando. Nao aguento a postura resignada dele. Desempregado que gasta dinheiro com bebida e cigarro. Tem algo mais oposto a mim que isso? Quem me conhece sabe que nao. A relacao comecou ja fadada a terminar.

Ontem eu bem tentei. Mas justo ontem ele foi um amor. Meu avo esta na UTI, em coma, eu aqui desesperada. Um velhinho de mais de 90 anos. Cada vez que minha mae ou minha irma somem por mais de dois dias ja me da um aperto. Elas estao tentando me poupar de um sofrimento e de uma angustia da qual infelizmente nao tenho muita salvaçao. Mas eu entendo. Entendo e tento levar minha vida, tento nao pensar muito, nao divagar. Tenho nadado para espantar a dor. A mesma dor no peito de tantos ataques de panico. O mesmo aperto. A mesma vontade de meter a cabeca para dentro do umbigo. Mas passa. Penso em meu avo a cada minuto. A cada minuto tento me afirmar de que ele vai ficar bem. Seja o que for.

E ontem ele foi um doce. Soh me abraçou. Ficamos deitados no sofa por longos minutos, ele sem me perguntar nada. Sem querer nada de mim. Apenas ali. Vez ou outra beijando minha testa. O que eu precisava. Nao consegui terminar. Ontem foi bom, afinal.

Enquanto isso me ocupo. Depois de enrolar eu e Chris fomos a um restaurante grego delicioso. Hoje vou ao medico ver a porra do joelho de novo e depois encontro Eriquinha para jantar. Amanha tenho aniversario da Marlena depois do trabalho. Quarta vou nadar e me despedir de Bobbynha.

Quinta ainda nao sei, mas farei algo para comemorar o parto do meu National Insurance Number. E sexta quero nadar de novo. Uma semana boa, se for como eu planejo.

Tuesday, February 08, 2005

carnaval, doce ilusao

Carnaval mais nulo que ja passei na vida. Eu nunca fui uma pessoa *carnavalesca* (da lista de palavras que odeio), mas achava legal a alegria de todos em relaçao aa *festança* (outra que odeio). Era soh nao tentarem me fazer sair pulando que eu fico bem. Pra mim, carnaval eh pra assistir enquanto o pais perde o controle. Eu myself odeio perder o controle.

O carnaval fez mais falta do que eu pensei. Me peguei imaginando o que eu teria feito se estivesse no Brasil. Teria ido viajar? Provavelmente. Com quem? Nao sei, mas eu teria uns cinco lugares diferentes, com turmas diferentes, para escolher. Eu acabaria optando por algum lugar de praia em que nao me viessem com ideias furadas de ir em boite pagar $75678467 por um pacote para as quatro noites.

Bobby e Fru, aqui, foram no sabado num carnaval num bairro chamado Vauxhall, no sul de Londres. Parece que foi divertido, muita musica brasileira, caipirinha, gringos, eh claro, mas muito brasileiro tambem. Quase a mesma coisa que na terrinha. Aa exceçao obvia do frio. Carnaval de sobretudo. Tsc, tsc…

Eu nao fui. Fiquei em casa, recebi visitinha do Ernesto, escrevi mais do meu livro (ta graaaande, ta buniiiiito) e fui dormir relativamente cedo. O carnaval para mim foi ter ido no Ikea, na PQP, comprar moveis e utensilios para casa a preco de alguma fruta barata aqui, ja que banana eh artigo de luxo. Comprei tudo o que queria/precisava. Criado-mudo, abajour, facas de corte, travesseiro, despertador (ja perdi duas vezes a hora porque esqueci meu relogio de pulso, atual despertador, em outro comodo), varal de roupas etc. Tudo comprado e montado.

Dormi estranha. Primeiro, a noticia de que vou ser efetivada na empresa. Depois, as compras da casa, minha casa, apesar de alugada. Um medo de permanencia, da falta da saida de emergencia - prato cheio pros meus ataques de panico. Felicidade e angustia misturados. Uma combinaçao esquisita e assustadora. Quem consegue ser feliz mesmo angustiado traz no olhar o mesmo brilho dos sado-masoquistas. E eu nao sou nem sadica, nem masoquista.

Domingo de mais compras. Supermercado. Aa noitinha fui no cinema com Ernesto, Marinella e Fru. Assistimos a Ray Charles. Adorei. Assistam. Fiquei com vontade monstra de comprar os CDs e me descobrir fan.

**

Daqui a uma hora tenho o meeting com o big boss. De la sairei com minha efetivaçao na mao. Voces vao ver.

Thursday, February 03, 2005

ontem

Ontem foi dia soh de boas noticias. Inacreditavelmente, em menos de seis meses na empresa, acho que serei promovida novamente. Marketing Executive, da licenca? O melhor de tudo, no entanto, eh o fato de que finalmente vou ser contratada como funcionaria permanente, o que me dara direito a ferias remuneradas e outras regalias merecidas.

Outra boa noticia eh que falamos com o landlord e ele topou resolver quase todas as nossas exigencias, dignissimas, diga-se. Uma cama extra no quarto meu e da Bobby ja que a cama de casal que ele comprou eh minuscula e, das duas uma, ou eu e Bobby nos chutaremos para sempre, ou seremos obrigadas a virar um casal. Quando aparecermos em publico juntas, vamos falar, nao, nao sou lesbica, fui obrigada a ser. Como nenhuma das duas quer isso, o landlord prometeu a segunda cama. Outra exigencia foi do aquecedor, que nao tem a torneirinha para baixar/desligar/aumentar/ligar. Ou seja, no momento a casa estah um forno e nao conseguimos dormir la. Tambem pedimos persiana na janela da Fru, estantes pregadas no banheiro, televisao, trava na minha janela... varias, varias coisas. E ele topou arrumar tudo porque somos brasileiras boas de papo e nada, nada trouxas.

Mais boa noticia? Ta bom. Comprei as passagens para mim e babae irmos para o sul da Espanha em abril. Voamos de Londres a Malaga e de la vamos costeando, passando em Sevilla e pegando um ferry boat para Ibiza. Eu sei, eu sei. Mas um dia voce tambem vai.

Planta e colhe, planta e colhe, planta e colhe. Simples assim.

Mais boa noticia? Nao, nao. Ate tem, mas chega. Isso aqui ta virando solo fertil para urucas alheias. Arre egua, sai para la. Nao quero ninguem com inveja, hein?! Sim, porque apesar de toda essa vida, estou deprimida, mal-amada, exausta, infeliz, chorona, com espinhas na cara, prisao de ventre, manca, fodida, sangrando... Viu? Nao ha nada que invejar.

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A festa do Steeeeve foi bem legal.

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Estou tentando levar a comunidade britanica ao orkut. Voces me acham pretensiosa demais?

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Os dias de errante, de andar para cima e para baixo na rua com panelas, sacolas, malas, muitas malas, estao chegando ao devido fim. Acho que hoje mudamos o resto das coisas para a casa nova. Estou seriamente considerando comprar um notebook hi-tech. Any suggestions? Any objections?

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E meu publico leitor aumenta a cada dia por aqui. Who's to say? Era para ser apenas um poço de relatos, e virou... bom, continua sendo isso, mas nunca tanta gente se interessou por um poço. Voces, que nem me conhecem, que graça tem? De qualquer maneira, muito bem vindos. Sentae, mas sem algazarra. Porque isso aqui nao eh uma democracia. Eh uma ditadura. Eu dito, voce ouve. Calado.

Tuesday, February 01, 2005

mertiolate

O choque que eu levei nao foi um choque por algo que eu nao sabia. Foi um choque por algo que eu conhecia mas tentava ignorar, porque assim doia menos.

E, sabe?, alguns dias depois do tapa na cara, ja estou bem. Uma recuperacao digna de jogador de futebol em vespera de Copa. Nada como terapia intensiva. Se o jogador fode o joelho, precisa cuidar dele 24 horas por dia aas vesperas dos grandes jogos.

Quando me fodem o coracao, mesma coisa. Senao corre o risco de ficar sequelas, voces sabem, coracao manco nao eh coracao bom. De onde vou tirar tantas batidas para uma nova paixao? Por enquanto ele bate manso, em recuperacao. Mas a terapia intensiva deste fim de semana ajudaram.

Chris nao sabe bem o que se passa aqui dentro ainda. Ele eh otimo nisso de nao perguntar. Acho que ele ateh sente, mas tambem prefere nao ouvir.

E no mesmo dia em que disse para alguem que ainda o amava, ouvi do Chris o mesmo. Que dificil. Que ironico. Ele disse que me ama no mesmo dia em que disse que amo outro. Isso eh muito a minha cara. Mas estah na hora de deixar de ser. Estah perdendo a graca me perder aos poucos. Estah perdendo a graca ser a unica a girar na ciranda para o lado errado. Estah perdendo a graca desencontrar de quem pena tanto para me encontrar.

E eh por isso que, do alto de minha petulancia/arrogancia/intolerancia, vou juntar forcas para deixar o que estou vivendo hoje evoluir. Porque passado nao evolui. Passado muitas vezes doi e soh. Cansei de poh.

Friday, January 28, 2005

desculpe o mal jeito

Eu nao entendo, nao entendo. Ja faz quase oito meses que ca estou. Ja encontrei e desencontrei varias pessoas interessantes, ja me dei chances e regalias. Ja cheguei a quase gostar. A quase pensar que acharia meu turning point. Mas todas as vezes eu olhei em volta e nao via nada. Poucos minutos e eu constatava que tudo o que eu via era apenas a ilusao de algo que brilhou. Eu olhando para a janela ensolarada e fechando os olhos depois, e vendo uma janela no fundo vermelho de minhas palpebras, sem poder pega-la, porque nao eh real, porque soh existe mesmo na minha retina. E eu tento acreditar que nao, porque doi demais saber que eh possivel se amar soh de lembrancas, mas eh, nao posso fazer nada, soh amar. A gente se joga numa moita de espinhos meio que esperando que eles facam cocegas, e eles nunca vao fazer, mesmo que eu feche os olhos. E mesmo assim, ainda vale a pena ter se jogado, para ver que machuca mesmo.

Nao sei se tudo o que vivo aqui estah insano demais, diferente demais, distante demais do que eu costumava ser. De repente penso que a qualquer momento posso acordar no Brasil. Que no momento estou apenas trancada num sonho que ainda nao achou a portinhola de saida. Isso tudo aqui eh teatro. Londres eh um mundo de artistas num palco nublado e frio. Soh o Brasil eh real. Soh a luta diaria do povo que julgo meu, mesmo sem ser.

E eh por isso que eu disse que nao eh justo com a gente. E que eu tenho tanta coisa para viver com voce ainda, que nao consigo imaginar que nossas vidas vao se ajeitando com a ausencia do outro. Nao eh justo, entende?

Mas, se voce me permite, ainda assim vou continuar te amando. Nao sei ateh quando, nao sei mesmo. Mas agora posso te garantir que sim. E que se vc me dissesse que estah vindo para cah amanha eu ia dizer para vir correndo porque ja nao da mais, que depois de amanha eu posso estar morta, vai saber?, e que eu cuidaria de vc. Isso continua valendo. Sempre. Ateh sempre mudar de vento.

Wednesday, January 26, 2005

de nada e de tudo

Aprender a viver nao eh facil. Cair no chao, levantar e cair de novo. Sempre o cair de novo. Sempre para voce nunca mais se animar quando levantar. Mas eh levantar que juramos que nao vamos mais cair. E caimos. Eu ainda nao cai. Mas aprendi um pouquinhozinho a viver, e sei que de nada adianta achar que vou ver tudo assim sempre. Fico com medo de uma vida boa assim. Nenhuma vida eh menos que um trem. Indo para algum lugar sempre, e sempre deixando algum lugar. Nao ha gira-gira. Nao ha fim e comeco de linha. Ou nao que a gente consiga enxergar. A gente, povo miope.

Foda-se isso.

Estou trabalhando demais. Mas gostando demais tambem. Hoje tenho jantar com uma tia velha, amanha tenho jantar com uns tiozoes da AON (culpa da Fru) e sexta tenho a festa do Steeeeve, aqui do trabalho, a que vou com o Chris. Vai ser legal. Vamos nos “assumir” para o pessoal do escritorio. Ui!

**

Enquanto isso, o mala da agencia imobiliaria fica me ligando para saber cada peido do processo de aceitacao do contrato. Ta, ta, se estivesse no Brasil eu provavelmente reclamaria do contrario, da falta de atencao. Mas o cara de fato eh mala a valer. Para terem uma ideia, me prendeu por duas horas em um papo chato pra burro sobre o metodo revolucionario que ele desenvolveu para ensinar linguas (juro, juro). E hoje ficou a se lamuriar no telefone porque nao consegue abrir uma reles conta no banco (ahaha, ja vi esse filme antes, hein, Frufru?!).

Se deus quiser essa semana estah tudo finalizado.

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Em tempo: estou com uma bandage no joelho. Recomendacao da DOTORA, que disse que eu devo ter “machucado sem perceber”. Tao ta intao.

E com minha tireoide tudo muito bem, obrigada (YAAAAY!).

**

Nao ha nada que esteja ocupando mais meus pensamentos do que a vinda da minha familia para ca. Mamae vem em abril e estamos entre visitar o sul da Espanha ou o sul da Franca. Papai e Piu vem em julho e vamos todos para a Madeira. Ahhh… O paraiso eh la.

Falo mais depois. To indo!

Sunday, January 23, 2005

324 cable street

Ontem foi uma das noites mais frias que tive aqui. Teria nevado, nao fosse o ceu limpo. Os dias aqui tem sido maravilhosos. Puta sol, apesar do puta frio. E os dias vao ficando mais longo aa medida que o inverno avanca.

E em meio a essas pequenas alegrias, uma grande: achamos nossa casa. Mudamos dentro de uma semana. Eh linda, a casa. Assim que mudarmos e nos aseentarmos, mando fotos. Quer dizer, assim que nos mudarmos, assentarmos, eu tiver um computador e uma linha telefonica. This may take a while.

Aos poucos estou esvaziando o computador do Richard, gravando o que precisa ser gravado, e morrendo de medo de perder algo no computador. E eu sei que vou perder coisas no computador. Mas tudo bem. Nao sei porque cismo em confiar nessa maquina.

Estamos fazendo planos. Escrivaninha de frente para a varanda, onde poremos plantinhas. Mais para frente penso em comprar umas cadeiras de sol. Por que nao? O verao estah a poucos meses daqui.

Vamos arrumar cada centimetro do sofa, cada utensilio da cozinha, vamos tirar e por vinte vezes, vamos pendurar nossos quadros, vamos deixar aquilo com a nossa cara. Esta eh a primeira vez na minha vida em que posso, junto com minhas queridas, decorar uma casa inteira. Eu nunca pensei que curtiria tanto a ideia. Eh isso. Nas minhas proximas compras de super ja estao na lista mudinhas de plantas.

Vou cuidar da casa e de mim como se fossem meus proprios filhos. Porque tenho certeza de que cuidaria de um filho mil vezes mais que de mim.

**

Ponto alto da noite de ontem, que foi a melhor dos ultimos meses, talvez perdendo apenas para a Xmas party: ouvir meu gringo cantando "eu preciso dizer que te amo". E depois dizer "but, really, I mean it".

Friday, January 21, 2005

por essas e outras...

...Que eu adoro a Inglaterra

"Segundo as mais recentes estatísticas, entre abril de 2002 e março de 2003, 4 mil pessoas levaram bala aqui na Grã-Bretanha. Dessas, 81 morreram. Para os britânicos, 81 é muito." - Ivan Lessa na BBC Brasil, hoje.

Thursday, January 20, 2005

dialogos memoraveis do Messenger -- fazia tempo!!

Biba says: hola
Biba says: viste as fotos do meu niver?
Herrmann says: viste
Biba says: hahaha, viu tua cara de mongo?
Herrmann says:O arquivo que você está procurando está inacessível.
Por favor, entre com sua ID Yahoo! e senha e tente novamente, ou verifique com o dono do arquivo.
Biba says: http://br.pg.photos.yahoo.com/ph/claytonadjair/album?.dir=/ff00&.src=ph&.tok=phIXkZCBg5zL6r7b
Biba says: ta veno?
Herrmann says: to
Herrmann says: a foto dos presentes
Biba says: hehehe, ficou legal, ne?
Biba says: gostou?
Biba says: tem uma que parece que eu vou te abocanhar e que vc ta deprimido ao mesmo tempo
Biba says:aloaaaaaaaa??
Biba says: da pra nao me ignorar?
Herrmann says: to no telefone
Biba says: COM QUEM?
Herrmann says: com a minha noiva
Biba says: vai se foder
Biba says: desliga
Herrmann says: ta louca
Biba says: agora
Biba says: quem eh a mocreia?
Herrmann says: vc não conhece
Herrmann says: (adoro falar essa frase)
Herrmann says: to falando com os meus pais
Herrmann says: (porra)
Biba says: ahhhhhh bom
Biba says: fala pra eles que eu to mandando um beijo
Herrmann says: claro q não. Vc não os conhece
Biba says: nao faz mal, eh pra mandar
Herrmann says: vou dizer que vc mandou eles tomarem no cu
Biba says: eles curtem?
Biba says: se curtirem, ta valendo

Wednesday, January 19, 2005

armless, harmless

Para enfrentar essa crise de bom humor, nada como uma enxaqueca. Primeiro dia do cio eh sempre assim. E eu sempre reluto em tomar remedio e sempre me arrependo de relutar, porque acabo tomando tarde demais e praticamente nao faz efeito. Uma coisa assim parecida com minha insistencia em ir a peh ao trabalho mesmo com o joelho estourado. Nao fosse assim, tambem, nao seria eu.

O frio estah ridiculo – e eh por causa dele que deixei de ir e vir caminhando do trabalho, nao por causa do joelho – mas os dias estao bonitos. Ja se passou quase um mes desse 2005. Dificil. Bobbynha vai pro Brasil em fevereiro. Nos temos que achar uma casa nova (temos, temos, temos, e rapido) enquanto equilibramos o resto: conta de agua que nao foi paga, conta de luz que nao foi paga, papeis importantes sempre no meio de outros lixaveis, em suma, paralelepipedos bruscos em nosso chao de marmore.

Pelo menos tenho nadado, para dar paz.

(Ainda estou atras da minha inspiracao, mas eh dificil quando tudo vai bem.)

E estou namorando. Na verdade, fui *namoradada*, entendem? Nao quis por nenhum rotulo, quem pos foi ele. E eu deixei passar. Num jeito assim bem Biba de ser, eu sou a namorada dele, mas ele nao eh meu namorado. Mas como estou tentando abandonar a testosterona que domina minhas entranhas, vamos chama-lo namorado tambem. Namorado, namorado, namorado, namorado (exercicio de dessensibilizacao, sorry). Nao estou apaixonada, mas estou tentando really hard. De qualquer forma, eh bom olhar para ele quando ele estah, e quando nao estah, sentir saudadinha – ele mora em Essex, entao vem pra Londres no maximo uma vez por semana. E sempre que ele vem eh legal. Porque ele eh legal, e lindinho, e divertido, e carinhoso. Porque ele diz “moia eu seca ieu” cantando Marisa Monte. E porque eu tive o dom de fazer tudo errado no comeco e isso nao mudar nada afinal.

Sim, estah tudo em paz. Nao tenho tido sobressaltos, tampouco tenho sentindo falta deles. Nao tenho tido a necessidade de enlouquecer por momentos, como sempre tive. Nao estou precisando desesperadamente de uma barra de chocolate. Nao estou com sono demais, nem de menos. De repente uma hora isso me incomoda. Enquanto isso, nada como ser livre para nao ser uma coisa ou outra. Nada como poder apenas ser, em vez de se definir por nao seres. Nada como contrariar a regra estando de acordo com ela.

Sunday, January 16, 2005

livros 2004

Livros 2004

Vai funcionar assim. Em negrito os que valem muito a pena ler. Em verde os top 3. Em vermelho os que decepcionaram. E um breve comentario sobre cada.

1 – A Sangue Frio – Truman Capote --> Os olhos nao desgrudam das paginas.

2 – A Revolução dos Bichos – George Orwell --> Legal, mas eu devia ter lido com mais contexto.

3 – O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde --> Legalzim, mas overrated.

4 – O Deus das Pequenas Coisas – Arundathi Roy --> A maior surpresa do ano e um dos melhores livros que ja li na vida. Nao deixem a vida passar sem ler essa joia.

5 – Valsa Negra – Patricia Mello --> Ja li melhores dela.

6 – Contos D’Escárnio. Textos Grotescos – Hilda Hilst --> Tambem ja li bem melhores dela. Mas continua entre minhas favoritas.

7 – Budapeste – Chico Buarque --> Agradabilissima surpresa.

8 – Crônicas de Repórter – Pedro Bial --> Nheh.

9 – The Old Man and the Sea – Ernest Hemingway --> Belissimo livro, mas Por Quem os Sinos Dobram me comoveu bem mais. Still, esse eh de emocionar.
10 – Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago --> Eu ja esperava que fosse amar, mas achava que ja tinha conhecido todos os escritores capazes de me mostrar um mundo novo. Estava certa ateh ler este livro.


11 – Uma Questão Pessoal – Kenzaburo Oe --> Tenho serios problemas com a literatura japonesa.

12 – O Mesmo Mar – Amós Oz --> Sempre bom, agora mais poetico e absurdamente inovador. Ele eh foda.

13 – Love is a Dog from Hell – Charles Bukowsky --> Poesia de figado. Tem que ler no original.

14 – Vida e Época de Michael K. – J.M. Coetzee --> Outra bela descoberta. Comeca devagar, mas quando pega... Vale a pena o esforco. A vida na Africa do Sul.

15 – Verão no Aquário – Lygia Fagundes Telles --> Paixao que descobri este ano.

16 – James Lins, o playboy que não deu certo – Mario Prata --> Um coco. Mal escrito e sem graca. Uma das maiores perdas de tempo do ano, senao a maior.

17 – A Mulher do Próximo – Gay Talese --> Belissimo trabalho investigativo sobre a sexualidade nos EUA do seculo 20, mas meio cansativo.

18 – Bestiário – Julio Cortazar --> Bela introducao ao trabalho dele. Uma serie de contos. Surrealismo completamente imaginavel. Jogo da amarelinha fica para 2005.

19 – Meia Vida – V.S. Naipaul --> Bonitinho, mas nada ASSIM.

20 – Primavera Eterna – Paula Foschia --> Estreia brilhante da Paulinha. Uma obra despretenciosa e pretenciosa ao mesmo tempo. Simples, mas encantadora. Estou esperando o segundo.

21 – O Cabotino – Paulo Polzonoff Jr --> Ja esse, achei pretencioso demais...

22 – A Arte de Viajar – Alan de Botton --> Boa leitura para leave on a jetplane. Leve e realista.

23 – The Girl with a Pearl Earring – Tracy Chevalier --> Uma perola.

24 – Falling Angels – Tracy Chevalier --> Virei fan da Tracy Chevalier com esse. Ultra-sensivel, envolvente, daqueles que voce odeia porque uma hora vai acabar.

25 – The Virgin Blue – Tracy Chevalier --> Esse soh eh vermelho porque li logo depois de Falling Angels e nao ha a menor comparacao. Tracy aqui nao estava inspirada.

26 – Memoirs of a Geisha – Arthur Golden --> Esse estaria no top 5 ou 10. Um livro para abrir a cabeca e entender outras realidades paralelas aa sua, e tao reais quanto.

27 – I Don’t Need You Anymore – Arthur Miller --> Achei meio dificil. Foi interessante para eu largar a mao de me achar e reconhecer que ainda nao domino o ingles tanto assim.

28 - The Story of the Dog in the Night Time --> Um livro lindo, facil, doce, doce sobre um autista e suas conquistas. Uma otima obra para fechar o ano.

Thursday, January 13, 2005

adeus, maloca

Dias lindos esses que passaram meu aniversario. Dia 11 foi um daqueles dias bem londrinos. Chuva e frio e vento e cinza. Mas foi delicioso. Aa 0h Bobbuxa e Fruquinha pularam em mim. No dia seguinte, primeira supresa do dia, uncle John deixou um presente na porta de casa: um lenco italiano marrrravilhoso e duas barras de chocolate que incrivelmente ainda duram. Em seguida, estava prestes a sair para o trabalho e Fruquinha vem toda molenga de sono com outro presente na mao: um livro pelo qual estava me descabelando. “I am Charlotte Simmons”, nova bomba de Tom Wolfe. Alias, ainda to vendo minha lista de livros 2004 comentada - nao esqueci.

Chego no trabalho e um e outro telefonema, e mensagens no celular, e mensagens no orkut, e e-mails. Aquela delicia. Depois almoco no tailandes com o pessoal do trabalho. E depois presente conjunto do pessoal daqui: um conjunto de xicaras e pires e um frother - fazedor de espuma de leite; nao sei se tem algum nome mais resumido para isso – alem de um par de brincos. Veio todo mundo na minha mesa, me ver ficar vermelha e repetir alucinadamente, cada vez como se fosse a primeira, “oh, thank you guys, thank you so much!”

Saio do trabalho e vou encontrar com meu gatinho, que me deu um DVD e um cartao muuuuito fofo. E chego em casa e fico mais feliz com meu gatinho. Ai chega Fru, e Ernesto, e Bobby. E fomos jantar. E nem foi estranho. Foi bem legal ateh. Dia acabou leve, como eu queria. Foi inteiro bom. Nao foi um mundo girando ao contrario, porque nem eh para ser. Foi um dia normal que diziam ser meu e eu aceitei e aproveitei, apesar de nao acreditar.

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Novidade buemba, buemba: vou ter que deixar meu lar, doce lar. Sim, Ricky estarah de volta em poucas semanas e teremos que achar algo bax-Tante rapido. Ja comecei a alucinar, como muitos devem saber. Nao paro de pensar, fico mandando zilhoes de e-mails e marcando visitas e montando planilhas no Excel. Mas ha de dar tudo certo. Deus da o frio conforme o cobertor (“e pra esquece nois cantemo assim: saudosa malocaaaa, maloca querida, dindindom di nois passemo dias feliz de nossa vida”).

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Minhas calcas novas sao lindas. Meu emprego eh curticao pura. Meu gatinho estah gamado e eu curto olhar para ele. Minhas flatmates sao as melhores do mundo. Poderia estar melhor? Desculpem, quando minha vida ta boa fico menos inspirada. Eh assim mesmo.

Monday, January 10, 2005

amanha

Eu sei que voces sabem. Eu sei que tudo estah em suspenso ateh amanha. Que todos estao guardando palavras para usa-las de surpresa. Para falar que lembrou, para me deixar feliz. Amanha vai ser o dia de telefonemas inesperados. De almocar com os colegas da empresa e de jantar com as amigas do peito, meu gatinho junto, de terno e gravata porque eu mereco.

Amanha, previsivelmente, vou me surpreender. Com quem eu achava que nao estava nem aih e estah. E com que eu achava que estava aqui comigo e nao estah. Vou rir e tentar nao chorar. Mas sempre que eu tento nao chorar eu considero na verdade que chorei. Apenas as lagrimas escorrem para dentro e a bola na garganta nao se desfaz.

Mas amanha vai ser legal porque nao espero nada de ninguem. Nao espero que seja um dia especial como esperava em todos os outros anos da minha vida. Nao espero mesmo. Engracado isso. Porque a unica diferenca deste para os outros onzes de janeiro eh minha posicao geografica. E de repente esse detalhe mudou tudo. Amanha eh um dia normal, apenas com mais demonstracoes de amor. E eu tentarei really hard focar as lembrancas que aconteceram em vez das que deixaram de acontecer. Porque quando voce estah longe o medo de ser esquecida eh ainda mais forte. E talves por causa desse medo eh que estou tentando fazer de amanha apenas um teco mais que uma data qualquer.

Minha terapeuta reprovaria, mas isso ainda, AINDA, nao mudou. Talvez no proximo eu seja capaz de espernear se nao for como eu quero. Por ora, vai ser nice and easy, para aguentar os tranquinhos.

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Fim de semana delicioso. Comecou na sexta-feira, com uma conversa deliciosa e necessaria com Frufru antes da minha nadada. Sabado, dia frio porem bonito, fui com Frufru na Oxford Street. A itnencao era comprar agendas 2005, calendario e *artigos desportivos* no Decathlon. No final, comprei uma paulada de calcas sociais porque as minhas 02 estao furadas na coxa esquerda, sabe deus por que. Comprei tambem uma saia e um blaser, paletoh, whatever. Tudo com ajuda de minha assessora de moda, claro. A noite foi bem gostosa tambem. Do Kick Bar, em Old Street, fomos num bar chamado Smiths of Smithfield, em Farringdon. Muito legal. Faria minha festa lah nao fechasse meia-noite e meia.

De la as meninas seguiram ao Fabrik, que eh do lado. Eu fui para casa com meu gatinho. Claro que ateh chegar em casa duas horas se passaram e tivemos que levar a tiracolo tres lesbicas e um negao que ria histericamente, berrava e babava depois de ingerir doses desconhecidas de uma tal de Philosopher’s Stone – algo beeeem melhor que “Magic Mushrooms”, segundo nosso amigo. E no meio da saga, uma das lesbicas agarrou o negao e os dois comecaram a trepar no meio da rua. Mas juro que nao vou entrar em detalhes. Foi deprimente. Para terminar, o onibus estava tao cheio que perdi o ponto. Eu e meu gatinho descemos um ponto depois e eu me revoltei com a maldita bota. Tirei no meio da rua e pisar num chao gelado e sujo unca foi tao reconfortante. Essa eh minha vida. Essas coisas acontecem o tempo todo.

Pelo menos foi bom chegar em casa. Tendeu?

Domingo. Acordamos tarde. Tarde mesmo. Ficamos vendo Alan Partridge. Depois fomos ao cinema. Eu, Fru, Marinella e Caue. Vimos The Corporatio, que eh bem legal, mas comprido demais. Acabei inevitavelmente pestanejando (minha nova mania; eu nao era assim). Acabamos a noite num bar-balada que em minutos me deu sono. Acabou o fim de semana e eu gostei. Fazia tempo que nao era assim, inteiro bom.

Thursday, January 06, 2005

Natal, Paris, tsunami, aumento, ano novo, vida mesma e tudo bem

Demorou, mas voltei. A virada do ano nao foi como as outras, que costumam pesar. Sempre me senti na obrigacao de fazer algo novo quando muda o ano, mas acho que 2004 foi um ano tao alucinado e surreal que me dei ao deleite de quase nao sentir a entrada de 2005. Se eu quero alguma mudanca, a mais radical ha que ser o marasmo.

Mas nao quero marasmo. O Natal foi bom, o ano novo, melhor. Fiquei assustada com o tsunami que abateu o sul da Asia. Ainda mais que eu e as meninas estavamos planejando nossa ida para a Tailandia para daqui a um mes mais ou menos, e nosso roteiro incluiria Pukhet e Phi Phi, duas das areas gravemente afetadas, onde, leu-se, varios turistas morreram ou estao desaparecidos. Meda, panica, horrora.

Sobre Paris, eh o seguinte: fiquei apaixonada pela cidade. Pelas ruas, pelas cores, pelas arvores, pelos predios, pelo cheiro, tudo, tudo. Soh nao me encantei foi com o povo parisiense. Muito pelo contrario. Quis chutar sacos e socar peitos mais que nunca. Nunca vi tanta gente arrogante, grossa, mal humorada e mal comida no mundo. O parisiense definitivamente nao merece a cidade em que mora.

Sou zilhoes de vezes mais Londres.

Mas eh claro que me diverti ateh a tampa. O albergue eh uma bosta? Que bom, mais uma desculpa para sair da cama cedinho e soh voltar mesmo para capotar. Pegamos dias lindos e vi tudo aquilo que esperam que eu veja. O que eu nao vi e esperam que eu veja eu vou fingir que vi porque nao to com saco de ouvir sermaozinho de quem acha que Paris se resume a essa ou aquela atracao, muitas das quais nem tao surpreendentes assim.

O que de melhor tirei da viagem, alem das fotos, foram novas amizades. Os fofos do Dani e do Clayton chegaram para ficar. Eles moram em Londres tambem e foram meus roommates no albergue. A viagem nao teria sido tao encantadora sem esses dois. Eles voltaram para Londres um dia antes de mim e ja fiquei com saudade.

A noite de reveillon, como nao poderia deixar de ser, foi na Champs Elisees. Uma multidao infindavel, comparavel, senao superior, aa multidao do reveillon em Copacabana. E os fogos, apesar de nao tao numerosos, foram dos mais bonitos que ja vi, de uns tipos que realmente emocionaram. Nao tinha como nao gritar. Nao tinha como nao acreditar que um ano estava nascendo e com ele toda uma esperanca meio burrinha, mas nao podemos fazer nada.

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Ganhei aumento no trabalho, hooray!, mas a responsabilidade tambem aumentou. Ausencias por aqui serao esperadas e antecipadamente justificadas.

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E as saidas com o gatinho, “aquele”, estao mais assiduas. Nao estou apaixonada, mas estou curtindo muito. Gosto da sinceridade dos ingleses. Cresci em meio aa malandragem do brasileiro e fiquei escaldada demais. Nao vou fazer um ingles pagar as consequencias dos danos causados pelos brasileiros. Vou trata-lo com carinho, dentro do que eu chamo de carinho.

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Algumas coisas mudandinho no mestrado. Aguardem. Ainda estou esquentando. Inclusive para escrever aqui. Porque mao enferruja, ne?