Monday, March 28, 2005

hot or not?

Fazia, sei lá, 10 anos que eu não brincava de quente ou frio com ovo de páscoa Escondido pela casa. Era 10h da manhã de domingo e a Lucia, minha prima, surge pulando feliz na porta da cozinha – ela, que tem 34 anos, pula mais criança que eu. Todo mundo procurando ovos de páscoa naquela casinha de brinquedo do uncle Hans. Ir para Brighton nesta Páscoa foi a melhor coisa que fiz. O tempo estava lindo, como vocês podem ver pelas minhas fotos (vai ser na base do ctrl C ctrl V mesmo): http://pg.photos.yahoo.com/ph/jornalpuc/album?.dir=/9482&.src=ph&.tok=phripvCB7pKMIq5T

Brighton já está lotada e vibrante com o verão que ainda vai demorar um pouco, mas não tanto pra chegar. Cheguei a ver três pessoas no mar, nadando. Desconfio de que estavam se afogando, porque ninguém em sã consciência entraria num mar gelado daqueles. Mesmo. Eu, peixa que sou, fui até a água em minhas novíssimas havaianas amarelas trazidas pela amada Bobby do Brasil, para sentir a temperatura da água. O resultado foi que não senti porque estava tão, mas tããão gelada que em segundos meus dedos já nem se mexiam, congelados. Todos os ossos atingidos e adjacentes doendo, encolhidos, imóveis, horrível. Sem a menor, eu disse menor? Não, sem a mais ínfima microscópica chance de entrar na água. Incompreensível qualquer ser vivo que não as seagulls (português, pelamordedeus?) estar no mar se não fosse para se afogar.

Mas disso eu já sabia. Fui mesmo para cheirar o mar, ver, me hipnotizar. O mar, meu maior e mais sagrado templo. Cheguei cedo de propósito. Disse à Elaine, empregada do meu tio-avô, que só chegaria em Brighton às 18h, justamente para poder ficar horas a fio olhando o mar, ouvindo o mar, cheirando o mar, esperando ele me lavar por dentro, esperando ele me curar. Logicamente fiquei apenas uma hora em Brighton e já me estressei. Muito cheio. Aquela merda de praia de pedras, sabe deus por quê, inspira marmanjos e velhotes (todos incondicionalmente do sexo masculino) a ficarem atirando pedrinhas dois ou três metros à frente, com o nobre propósito de não fazer absolutamente nada. Nem divertido é. Só atrapalha pessoas que, como eu, gostariam de relaxar, pensar, paz, paz, só um pouco de paz. Mas não. Aquele tec-terererec-tec-tec o tempo todo no canto dos meus ouvidos sempre me lembrando que a qualquer momento eu poderia levar uma pedrada na cabeça.

Fui para Rottingdean, então, que já é perto de casa e a praia é bem mais calma. Ali sim. Liguei meu iPod, o sol batendo leve, sem queimar, mas deixando tudo quentinho em volta de mim. Ainda teve uma família que se acocorou bem do meu lado com três menininhas baxtant espuletas e gritonas. Mas relevei porque em 10 minutos elas saíram correndo para espantar gaivotas.

O sol ainda estava relativamente alto quando resolvi desmontar barraca. Peguei tudo, uma caminhada de meia hora com mala e cuia (de onde veio a cuia dessa expressão? Coisa mais feia!) morro acima. Cheguei, Elaine já me esperava. Tudo certo, Elaine se vai. Termino de ler o livro que comecei naquele mesmo dia, Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante, da Clarah, que Piu mais amada do mundo me deu. Comecei outro, Amestrando Orgasmos, do Ruy Castro, que Bobbynha me trouxe do Brasil para meu aniversário.

Dia seguinte já tinha destino programado na minha cabeça. Todas as vezes que fui pra Brighton fiquei restrita ao circuito Brighton-Rottingdean-Ovingdean. Dessa vez resolvi aproveitar o dia para o outro lado, e descobri várias vilinhas (Seaford, Peacehaven, Newhaven, Saltdean), e a bela Eastbourne, onde gastei mais tempo. Mais praia (para ver, ouvir e cheirar) e de quebra comprinhas necessárias: aniversário de Piu à frente; aniversário de Bobby atrás. Desodorante que tinha esquecido de levar. E algumas comprinhas desnecessárias também. Ugh. Mês pesadim esse, viu? Em todos os aspectos, inclusive no financeiro.

Cheguei em casa, esperei, esperei, esperei uncle Hans chegar. Ele demorou um pouco e adormeci na sala. Do nada. Isso é muito estranho. Quem me conhece sabe que eu não sou disso, a não ser sob efeito das *dorgas* - e esse não foi o caso. Mas chegaram. E depois chegou a Lucia com seu namorado Neil. Uma família pouco original a minha, hehehe… Uma odiável piada interna, liga não.

Todos reunidos, gostoso, quentinho. Dia seguinte, domingo de Páscoa, me vi num dilemma. Queria passar a Páscoa com tio Hans. Isso era minha prioridade. Mas aí a família resolveu se separar. Odile e tio Hans foram ao cemitério visitar o túmulo da falecida esposa do meu tio e de seu filho Andrew, marido de Odile. Enquanto isso, Lucia e Neil iam a um delicioso passeio até a praia, passando pelo windmill, marca registrada de Rottingdean. Fiquei entre o dever e o querer, e optei pelo querer. Minha terapeuta ficaria orgulhosa de mim, tenho certeza. Fui passear com Lucia e Neil. O Neil extremamente parecido com o Neal, marido da minha mãe que por sua vez – surprise, surprise – também se chama Lucia.

De lá reencontramos Odile e Hans para almoçar e aí chegou ao fim minha estadia em Brighton. Eu poderia ter ficado mais um dia, já que hoje (segunda) é feriado aqui. Mas eu tinha meus afazeres e queria nadar hoje também – menina aplicada, nadei sexta antes de viajar.

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Entrou o horário de verão aqui. A distância de horário em relação ao Brasil aumentou (agora são 4 horas), os dias estão mais adoráveis. Sol, juro. E dias que morrem às 19:30h. Tá começando a ficar bom de novo. Benzadeus, achei que nunca mais.

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Bobbynha voltou do Brasil. Com uma mala duas vezes seu peso, nem veio para casa: foi direto para a casa do John, já que lá a estação de metro tem elevador. O John está em Paris. Logo, Bobbynha sozinha por lá, sentindo falta da matracagem, saca o telefone e nem hesita: vem para cá, dorme aqui essa noite! E eu fui sem pestanejar. Saudades demais daquela guria. Ganhei dois pijamas, duas calcinhas, um par de havaianas e dois livros, sim, porque Bobby tem TOC e nem sabe, vem tudo aos pares. Tagarelamos até meia-noite. Nem vi o tempo passar. Contei as 72643238365874 de coisas que aconteceram. Ela, então, contou as 7836587653826520 de coisas dela. Imagino que quando nos encontrarmos no Brasil vai ser muito engraçado. Nos conhecemos aqui, construimos nossa vida juntas aqui, mas o país de origem das duas é estranho ao nosso relacionamento. Vai ser divertidíssimo, tenho certeza.

No dia seguinte ela iria a Paris, onde John está morando agora. Antes de partir, claro, Bobby é Bobby e fez despencar o estrado da cama (comigo em cima). Calma, nada do que mentes poluídas possam estar pensando. Ela resolveu subir na cama para fechar a persiana, que ficava do meu lado. A cama não agüentou sua delicadeza, despencou, gritamos, gargalhamos e ela nem percebeu que eu estava mais ou menos no formato de uma bengala, com os pés praticamente no chão. Consertamos e gargalhamos sob especulações típicas de Bobbuxa: “essa cama não era assim; quem será que o John anda comendo aqui?”

Ela voltou, ela voltou.

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Notícias piscinescas: hoje, pela primeira vez em 10 meses, resolvi cronometrar meu tempo em 800m, já que o triathlon das Singers se aproxima (o primeiro será em 12 de junho, em Oxford). Eu achei que faria bem mais feio. Não é nem perto do que um dia fiz, mas 13 cravados não decepcionam. Decepcionam?

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