Sunday, March 20, 2005

streets of London

Email mandado à Bobby anteontem:

Bobbuxa, minha amada, tens lido meu blog? Pois devia. Tem coisa de vc lá.

Inaceitável eu não ter te mandado um email ontem, no capricho. Queria te ligar, mas não tenho o número. Queria na verdade te abraçar muito e dizer, como vc me disse few months ago, “hoje o dia é seu, gata, fazeso que quiseres!” Queria também ter minha pequenina loirinha das bolasde gude no lugar dos olhos me olhando com ternura e me abraçando, e me dando apoio, porque, amiga, tá foda demais. Tudo se despedaçando na minha vida. Primeiro, a morte do meu avô (acho que vou escrever “a morte do meu avô” mais mil vezes e ainda assim vou achar que não sou eu quem está escrevendo, ou que logo mais acordo dessa merda de pesadelo), depois, termino o namoro (ou “dou um tempo”) com o Chris, e ontem recebo um email da minha “tia” dizendo que o uncle Hans, aquele fofuxo da ONU, irmão do meu vô que morreu (ai, de novo), está no hospital. Vomitando sangue. Não bebe nem come nada. Vou pra Brighton visitá-lo no domingo.

Uma vida de cabeça para baixo. Um quebra-cabeça com as peças trocadas, uma cidade inteira de ruas sem saída. É assim que está minha vida. Tive um proto-ataque (essa é nova) de pânico no sábado, foi horrível. Essa noite sonhei que estava tendo outro ataque. Bobbynha, você não sabe a falta que me faz. Tô parecendo uma apaixonada, mas vc não tem idéia de como o quarto está grande sem você! A casa silenciosa, os filmes que assistimos transcorrem inteirinhos sem interrupção. Really boring.

Mas tudo bem, tudo bem, fico aqui mentalizando que vc já tá chegando (outro trecho apaixonado, hahaha) e que poderemos comemorar seu niver londrinamente. Hoje foi o dia mais quente do ano. Chegou a 20 graus. Pessoas sentadas no lado de fora dos pubs, calor mesmo. Inacreditável. Londres está toda quente para sua volta, minha amiga!

Não vejo a hora. Adorei as novidades todas. Vc deve estar sendo uuuultramimada pelo seu Alberto. Faz bem ele. Alguém tem que me substituir.

Amiga linda, parabéns pelos seus 25 anos (eu sei, eu sei, mas é negar até a morte), você, como sabes, é a irmã do meio. Não é a posição mais divertida, mas pelo menos você aprendeu antes que viver nem sempre é legal. Eu aprendo um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Um poquinho agora. Mas vai passar.

Parabéns minha amada preferida. Poderia continuar batucando aqui no teclado por horas a fio, vc sabe, as palavras nunca se esgotam e, pior, nunca são suficientes. Tenho mil coisas embotadas que precisam desabrochar. Volta logo pra me ajudar.

Te amo.

Beijos mil,

Bibi.


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Acabei a faxina, estou quase pronta para nadar novamente. O sol parou de brilhar, claro, vivo em Londres agora, must remember.

Ouvindo, neste exato mmomento Streets of London, uma das melhores de Sinead O’Connor. How can you tell me you’re lonely, and safer here, the sun won’t shine? Let me take you by the hand and lead through the streets of London, I’ll show you something to make your change your mind.

Novamente sozinha. Bobby ainda longe, Fru foi para a França esquiar. Ando sem fome, mas nada preocupante – como sempre. Pelo contrário, estou começando a perder o excesso que ganhei quando comecei a ser responsável pelas comidas que compro.

Amanhã devo encontrar com o Chris. É o primeiro dia de trabalho dele, último do relacionamento. Andei pensando, conversei com algumas pessoas a respeito, Piu, Fru, Julinho, Maureen (a fofa da minha chefe), Tatyana (que senta ao meu lado no trabalho) e outras. Ninguém emitiu opinião concreta, mas a soma dos conselhos que recebi e dos que eu mesma me dei me levaram à decisão.

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Semana curta. Sexta e segunda não trabalho. Com uma forcinha de Iemanjá (será que ela viaja tão longe?) pegarei praia e sol em Brighton. Mar no máximo para as pontinhas dos dedinhos do pé.

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Decidi hoje, lavando louça: escrever não é a arte de falar mentira fazendo-a passar por verdade, mas de falar verdades camufladas de mentira.

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Ainda contando com o tempo-tempo-mano-véio para acordar a cada dia com menos dificuldade de entender que acordei, e não que comecei a sonhar. Falta um tanto ainda, eu sei.

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