Parece que finalmente estou entendendo que estou passando por um dos momentos mais delicados da minha vida. Já passei por zilhões de crises, fundadas e infundadas. Depressões, chiliques, you name it. Mas essa é a primeira vez que passo por uma crise em toda a sua complexidade. Uma crise que existe soberana. Apesar de muitos amados me lembrarem de que não estou sozinha o tempo todo, é difícil. É a primeira vez que minha vida está uma zona e eu tenho que arrumar a bagunça sozinha. E além de arrumar minha bagunça interna, tenho que arrumar a externa também. Toda uma vida que acontece dentro de mim, e outra fora de mim. E cismam em tentar me fazer entender de que são as mesmas, mas não me convencem, não me convencem.
A morte do meu avô, pelo incrível que pareça, ainda não está cimentada. Me pego de repente “lembrando” que realmente ele se foi e me dá uma vontade monstra de me jogar no chão e chorar. Aí passa uma criança loirinha, os cachinhos tonhonhoim, rebolando, bochechuda, na minha direção, e eu logo me esqueço, e lembro do quanto quero ter um filho, e o quanto preciso crescer ainda, e o quanto ao mesmo tempo já cresci. Gosto de pensar que meu avô, onde estiver, vai estar orgulhoso.
Mas voltando, estou passando por um dos momentos mais difíceis que já tive de encarar aqui. Claro que houve outros doídos, como o término do namoro, a sensação de urgência de sair da casa do meu tio por causa da bruxa, e mais um ou outro. Mas é a primeira vez que me bateu uma vontade quase instintiva de pegar um avião e voltar pro Brasil, nem que para me arrepender em uma semana. Aí lembro que estou sob contrato, que tenho contas a quitar, que, enfim, sou gente grande. E gosto de morar aqui.
O negócio é que, como sempre, as coisas embolaram. O término do namoro com o Chris teve um efeito maior do que eu esperava. Provavelmente porque estou fragilizada. Mas hoje me peguei ligando pra ele pra saber-como-vão-as-coisas e no final meio que podemos nos encontrar na sexta-feira. Ele tem uma entrevista de trabalho no Foreign Office, aliás, vaga que eu indiquei para ele. Ele tem chances. Já passou no primeiro pente-fino. Ele fala russo e francês fluentemente, e isso o coloca à frente de uma pá de candidatos. De qualquer forma, ele já está empregado e começa segunda-feira. Um trabalho semelhante ao que ele fazia na empresa em que trabalho – para quem pegou o bonde andando, foi ele quem me entrevistou para uma vaga na empresa.
O negócio é assim: não suporto a idéia de voltar a namorar com ele, mas também não suporto a idéia de ficar longe dele. Eu chamo isso de manha, mimo, ele me mimou, agora dependo um pouco disso. Eu, que aqui não recebo mimo algum. Antes do Chris, era mimada por outro cara fofésimo que durou alguns meses mas minguou – e hoje somos grandes amigos. E enquanto estive sozinha, tinha minhas doses de mimo com minhas amadas flatmates. Aliás, às vezes acho que essa crise só está sendo mesmo braba porque Bobbynha ainda está no Brasil. Esse tempo que não passa. Mas em uma semana ela volta (para viajar de novo, mas tuuuudo bem).
A única coisa que vai de vento em popa é o trabalho. Continuo curtindo muito, adoro minhas colegas e chefes, adoro o clima da empresa, adoro o que faço. Muitas vezes as jornadas são exaustivas, temos deadlines a cumprir, targets, além das tarefas diárias de praxe. Fora que estou aprendendo na marra (mesmo) a ser organizada. Não há a menor possibilidade de se dar bem no Marketing sem ser organizada. Eu tenho vários lapsos de memória, coisas como, puta merda, será que eu mandei o email pra fulana MESMO? Será que esqueci algo importantíssimo? Será que mudei as datas das cartas? Enfim, tudo vira um problema monstro quando temos mania de perfeição (não aquela que todo mundo tem; mania mesmo). Está sendo deveras importante passar por isso.
E a verdade é que, resumindo, não sobra oportunidade para ficar desesperada. Quando penso que a vida tá foda, que essa é a hora perfeita para me meter debaixo do cobertor em posição fetal, eu lembro que tem conta de luz, eletricidade, telefone, banda-larga, celular, gás, natação, council tax e, claro, o aluguel. Lembro que seres humanos também têm a estranha necessidade de se alimentar, de se limpar, de se dar um ou outro regalito. E que portanto viver é caro bagarái então preciso fazer valer meu ticket.
Wednesday, March 16, 2005
Monday, March 14, 2005
antes soh
Saí do trabalho e fui direto pro médico. Terceira visita. Já comecei a perder a paciência. Uma fila imensa. Mil mulheres com mil véus para tapar a cara. Mil crianças com caras de adultas. Cheiro de suor de curry. O zoológico em sua forma mais humana. Ou uma sala de espera em sua forma mais zoológica. Finalmente entrei na fila para um ortopedista. Se eu tiver sorte, em duas semanas. Se tiver azar, só deus sabe.
Dia estranho também. Demorou uma meia hora depois que acordei para lembrar que tinha terminado com o Chris. Cheguei no trabalho e não resisti. Entrei no blog dele (cuja URL por razões óbvias não serão postadas) e senti um gelado. Eu não sabia que ele ficaria tão ressentido. Ele não me pareceu ressentido quando saiu daqui ontem. Esses ingleses sabem como ninguém como se robotizar. De qualquer maneira, ele sabe que eu entraria no blog dele uma hora ou outra. E se pensou que reagindo da forma furiosa com que reagiu ele vai me reconquistar ele apostou no cavalo azarão que continua sendo azarão. Sou do tipo que até toma – e às vezes precisa tomar – porrada, mas não no final. No final eu já não tô sensívedl a porrada. No final qualquer alfinetada não motiva mais que pena.
Um dia um pouco melhor esse. Falei no Messenger com pessoas amadas (sim, amadas). Ontem ainda recebi telefonema de dois brasileirinhos preciosos, Bathatha e Nickão.
A verdade é que estou chateada por ter machucado tanto o Chris. Juro que fiz tudo do jeito mais doce que sei fazer, mas tem horas que você pode ser quindim que cai azedo. Oh well, aí já foge do meu alcance, concordam?
Vou dormir. Chega. São 22h aqui e meus olhos já estão operando em meia fase.
Dia estranho também. Demorou uma meia hora depois que acordei para lembrar que tinha terminado com o Chris. Cheguei no trabalho e não resisti. Entrei no blog dele (cuja URL por razões óbvias não serão postadas) e senti um gelado. Eu não sabia que ele ficaria tão ressentido. Ele não me pareceu ressentido quando saiu daqui ontem. Esses ingleses sabem como ninguém como se robotizar. De qualquer maneira, ele sabe que eu entraria no blog dele uma hora ou outra. E se pensou que reagindo da forma furiosa com que reagiu ele vai me reconquistar ele apostou no cavalo azarão que continua sendo azarão. Sou do tipo que até toma – e às vezes precisa tomar – porrada, mas não no final. No final eu já não tô sensívedl a porrada. No final qualquer alfinetada não motiva mais que pena.
Um dia um pouco melhor esse. Falei no Messenger com pessoas amadas (sim, amadas). Ontem ainda recebi telefonema de dois brasileirinhos preciosos, Bathatha e Nickão.
A verdade é que estou chateada por ter machucado tanto o Chris. Juro que fiz tudo do jeito mais doce que sei fazer, mas tem horas que você pode ser quindim que cai azedo. Oh well, aí já foge do meu alcance, concordam?
Vou dormir. Chega. São 22h aqui e meus olhos já estão operando em meia fase.
Sunday, March 13, 2005
adendo
Excluam minha família de qualquer crítica que possa ter sido detectada no post abaixo. Essas, pessoas top amadas e preferidas, estão além de qualquer crítica e logicamente foram maravilhosas comigo. Me fez lembrar de toda a sorte que tenho. Passei na frente de um país inteiro na fila para escolher a família lá no céu.
Como escalar um poço sem alguém para jogar a cordinha
Diretamente do meu brinquedo lindo, informo que estou voltando ao trilho aos poucos.
Descarrilhada braba, acompanhada de uma certa decepção também. Pessoinhas que costumo citar como amadas e preferidas: quem está longe também sofre de luto. Acabo de descobrir e gostaria de dividir com vocês. Pode parecer estranho, mas chorei muito todos esses dias e ontem tive mais uma clássica ameaça de ataque de pânico. Nada com que já não esteja acostumada, certo? Errado. Uma pessoa jamais se acostuma à ataques de pânico. À tristeza, sim. Todo mundo conhece alguém viciado em tristeza. Mas mais uma vez, pessoinhas amadas e preferidas, este não é o meu caso.
Então, um lembretinho para esses amigos, para minhas pessoas preferidas e amadas manterem essa digna e rara posição: vocês fizeram falta. Não estavam lá quando precisei. Não se dignaram a ligar (por que achavam que eu preferia ficar “sozinha” na hora em que mais me senti sozinha? Por que ligar para Londres é difícil e caro e tem horários trocados? Por que é difícil ligar para alguém sabendo que a voz do outro lado do telefone não vai estgar vibrando?), um ou outro mandou email. A maioria dos que se comunicaram comigo aproveitou o “ensejo” quando entrei no Messenger para aproveitar que eu já tava lá mesmo e falar tudo aquilo que deveriam ter tomado a iniciativa de falar. De me reconfortar.
Foi-se. O tempo passou e não me venham com o ombro quando minha cabeça já é capaz de ficar parada sobre meu pescoço. Nada pior do que alguém vindo te dar toda a atenção quando na verdade toda essa atenção só teria tido valor se fosse na hora certa. E já não foi, no matter how hard you try now.
**
Estou comendo um iogurte de rhubarb (alguém sabe o que é isso???), vendo um documentario sobre filmes x-rated na BBC e ruminando o que fiz há apenas alguns minutos. Terminei com o Chris. Na verdade, pedi um tempo. E apesar de ter ficado num bode cão durante esse fim de semana (ele teve o dom de sair para “tomar um chá e fumar um cigarro” quando eu estava prestes a ter o ataque de pânico), confesso que não foi fácil. Odeio isso de machucar as pessoas. Já fui mais tranqüila em relação a isso, mas quando você lembra o quanto dói estar do outro lado, é bem cuzão ser tranqüilo.
De qualquer forma, ficamos de nos falar. Na verdade, eu fiquei de ligar. E vou ligar. Ao contrário da maioria dos caras que ficaram retidos no meu pente finíssimo. Ele foi e é especial. Mas de repente não vale o sacrifício dos fins de semana.
**
Rivotril correndo na veia depois de meses. Babei. E dormi como fazia tempo que não acontecia. Na verdade, menos que um ataque de pânico, tive tipo um acesso nervoso, tremedeira, choro compulsivo, enfim, um carnaval às plenas 3am de hoje. Inferno.
Mas passou. (Novamente, sem comiserações tardias, façavor.)
**
Você já viu Mar Adentro? Não? Trouxa…
Descarrilhada braba, acompanhada de uma certa decepção também. Pessoinhas que costumo citar como amadas e preferidas: quem está longe também sofre de luto. Acabo de descobrir e gostaria de dividir com vocês. Pode parecer estranho, mas chorei muito todos esses dias e ontem tive mais uma clássica ameaça de ataque de pânico. Nada com que já não esteja acostumada, certo? Errado. Uma pessoa jamais se acostuma à ataques de pânico. À tristeza, sim. Todo mundo conhece alguém viciado em tristeza. Mas mais uma vez, pessoinhas amadas e preferidas, este não é o meu caso.
Então, um lembretinho para esses amigos, para minhas pessoas preferidas e amadas manterem essa digna e rara posição: vocês fizeram falta. Não estavam lá quando precisei. Não se dignaram a ligar (por que achavam que eu preferia ficar “sozinha” na hora em que mais me senti sozinha? Por que ligar para Londres é difícil e caro e tem horários trocados? Por que é difícil ligar para alguém sabendo que a voz do outro lado do telefone não vai estgar vibrando?), um ou outro mandou email. A maioria dos que se comunicaram comigo aproveitou o “ensejo” quando entrei no Messenger para aproveitar que eu já tava lá mesmo e falar tudo aquilo que deveriam ter tomado a iniciativa de falar. De me reconfortar.
Foi-se. O tempo passou e não me venham com o ombro quando minha cabeça já é capaz de ficar parada sobre meu pescoço. Nada pior do que alguém vindo te dar toda a atenção quando na verdade toda essa atenção só teria tido valor se fosse na hora certa. E já não foi, no matter how hard you try now.
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Estou comendo um iogurte de rhubarb (alguém sabe o que é isso???), vendo um documentario sobre filmes x-rated na BBC e ruminando o que fiz há apenas alguns minutos. Terminei com o Chris. Na verdade, pedi um tempo. E apesar de ter ficado num bode cão durante esse fim de semana (ele teve o dom de sair para “tomar um chá e fumar um cigarro” quando eu estava prestes a ter o ataque de pânico), confesso que não foi fácil. Odeio isso de machucar as pessoas. Já fui mais tranqüila em relação a isso, mas quando você lembra o quanto dói estar do outro lado, é bem cuzão ser tranqüilo.
De qualquer forma, ficamos de nos falar. Na verdade, eu fiquei de ligar. E vou ligar. Ao contrário da maioria dos caras que ficaram retidos no meu pente finíssimo. Ele foi e é especial. Mas de repente não vale o sacrifício dos fins de semana.
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Rivotril correndo na veia depois de meses. Babei. E dormi como fazia tempo que não acontecia. Na verdade, menos que um ataque de pânico, tive tipo um acesso nervoso, tremedeira, choro compulsivo, enfim, um carnaval às plenas 3am de hoje. Inferno.
Mas passou. (Novamente, sem comiserações tardias, façavor.)
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Você já viu Mar Adentro? Não? Trouxa…
Tuesday, March 08, 2005
floco de neve
Lendo John Fante, outro dia, me emocionei. O avo do personagem de 1933 Was a Bad Year tinha morrido e ele tinha lido em algum lugar que quando uma pessoa morre, elas se transformam em flocos de neve. Uma imagem infantil, mas bonita. Uma imagem daquelas que mae conta para filho novo quando tem que se deparar com a morte pela primeira vez e precisa entender que a pessoa foi, mas continua no ar. Uma imagem daquelas para refletir as dores e tentar sentir menos dor. Principalmente porque nesse mesmo dia estava nevando aqui em Londres. E porque meu avo ja estava dormindo um dos seus ultimos sonos vivos.
Chorei um pouquinho ao ler o trecho. Nao era para ser um trecho emocionante at all, mas foi tao certo no contexto que nao tive como nao olhar para a neve caindo tao silenciosa, tao serena, e nao pensar que em breve ela seria para mim a partida do meu avo.
Oito de março, hoje, o dia em que recebi um telefonema da minha Piu com a voz macia, macia. Um macio que doi. Macio que amacia antes da queda. Minha pergunta foi soh para tornar tudo mais facil para ela.
Ai, Piu, ele morreu?
Morreu, Bi.
Um longo silencio, metade quentinho, metade gelado. A voz dela estava calma. Estranhamente calma. Nao aa toa horas depois me ligou aos prantos. Tudo voltando aa sua cabecinha linda e forte. O quentinho de quase alivio, porque toda vez que o telefone tocava eu morria um pouco. E gelado porque ainda eh dificil acreditar. Eh tudo muito surreal. Estar aqui, nao ter passado pelo processo de ve-lo no hospital, de ver a situaçao piorando, ainda me da sustos quando penso que nao tenho meu velhinho mais ao meu alcance.
Sabe, minha familia eh pequena. Eu nao tenho muita gente proxima. Somos apenas eu, minha irma, meus pais e meus avos maternos. Soh. O resto da familia estah espalhada por ai (alguns por aqui). Mas o que considero familia eh soh isso mesmo. Tirar assim um pedacinho de uma familia tao pequena eh como morder uma migalha. Mas eh isso que nos faz forte. Saber que somos tao poucos e cuidamos tao bem de nos mesmos. O amor que sinto por cada pessoinha eh ridiculamente grande e concentrado. Tirar um deles de mim eh tirar dinheiro de pobre.
E ele entao se foi. Ha alguns anos, sentei para ouvir toda a sua historia. Foram uns 5 ou 6 encontros longos, cada um deles gravado numa fitinha daquelas de gravador amador. Tenho-as guardadas no Brasil, mas nao preciso recupera-las para cita-lo ipsis literis. Ele disse que apos a morte nao havia nada. Era apenas como dormir para sempre. Simples assim. Nao acreditava em outra vida, nem em ceu e inferno, nem em nada que tentasse embriagar uma mente cartesiana daquelas. Fechar os olhos e descansar. Nada mais empirico, comparar a morte com o sono porque sono eh uma mostra real a que os cientistas podem se prender. Meu avo, meu amado ser enrugadinho, meu xodo, nasceu e viveu cientista. Mas de repente, agora que estah lah para provar que a ciencia se mostrou insuficiente, ele nao vira poeta?
Chorei um pouquinho ao ler o trecho. Nao era para ser um trecho emocionante at all, mas foi tao certo no contexto que nao tive como nao olhar para a neve caindo tao silenciosa, tao serena, e nao pensar que em breve ela seria para mim a partida do meu avo.
Oito de março, hoje, o dia em que recebi um telefonema da minha Piu com a voz macia, macia. Um macio que doi. Macio que amacia antes da queda. Minha pergunta foi soh para tornar tudo mais facil para ela.
Ai, Piu, ele morreu?
Morreu, Bi.
Um longo silencio, metade quentinho, metade gelado. A voz dela estava calma. Estranhamente calma. Nao aa toa horas depois me ligou aos prantos. Tudo voltando aa sua cabecinha linda e forte. O quentinho de quase alivio, porque toda vez que o telefone tocava eu morria um pouco. E gelado porque ainda eh dificil acreditar. Eh tudo muito surreal. Estar aqui, nao ter passado pelo processo de ve-lo no hospital, de ver a situaçao piorando, ainda me da sustos quando penso que nao tenho meu velhinho mais ao meu alcance.
Sabe, minha familia eh pequena. Eu nao tenho muita gente proxima. Somos apenas eu, minha irma, meus pais e meus avos maternos. Soh. O resto da familia estah espalhada por ai (alguns por aqui). Mas o que considero familia eh soh isso mesmo. Tirar assim um pedacinho de uma familia tao pequena eh como morder uma migalha. Mas eh isso que nos faz forte. Saber que somos tao poucos e cuidamos tao bem de nos mesmos. O amor que sinto por cada pessoinha eh ridiculamente grande e concentrado. Tirar um deles de mim eh tirar dinheiro de pobre.
E ele entao se foi. Ha alguns anos, sentei para ouvir toda a sua historia. Foram uns 5 ou 6 encontros longos, cada um deles gravado numa fitinha daquelas de gravador amador. Tenho-as guardadas no Brasil, mas nao preciso recupera-las para cita-lo ipsis literis. Ele disse que apos a morte nao havia nada. Era apenas como dormir para sempre. Simples assim. Nao acreditava em outra vida, nem em ceu e inferno, nem em nada que tentasse embriagar uma mente cartesiana daquelas. Fechar os olhos e descansar. Nada mais empirico, comparar a morte com o sono porque sono eh uma mostra real a que os cientistas podem se prender. Meu avo, meu amado ser enrugadinho, meu xodo, nasceu e viveu cientista. Mas de repente, agora que estah lah para provar que a ciencia se mostrou insuficiente, ele nao vira poeta?
Friday, March 04, 2005
my million dollar grandpa
Ontem sai do trabalho e fui direto assistir Million Dollar Baby. Que grande merda eu fiz. Nao, o filme eh otimo, adorei, ateh ousei me sentir na pele da boxeadora por causa dos treinos exaustivos. Claro que eu me achei ao me sentir como ela, mas aconteceu. Aureos tempos de horas de treino diarias na nataçao.
A merda foi ter assistido agora, num periodo tao critico. Falei com babae ontem e recebi email de Piu e babai. Eles meio que combinaram de me contar tudo, nao esconder nada, mas ao mesmo tempo tentar mostrar que estao bem, que eh o ciclo natural da vida, que ele viveu coisas demais ja e que nao merece sofrer a essa altura. Eu concordo, claro. Concordo como um burrico que nao tem muito para onde ir numa estrada de terra que leva nada a lugar nenhum. Aquele concordar nao-tem-outro-jeito-mesmo. A verdade eh que ontem, apos o filme, a ficha finalmente começou a cair.
Voltei para casa em prantos, falando com o Chris no telefone, o onibus inteiro naquele silencio acolhedor, condescendente, ingles. O Chris falou tudo o que eu sabia mas precisava ouvir. Tambem conseguiu me fazer rir. Me fez prometer que ficaria bem. Me garantiu que almoçariamos juntos hoje, ouviu meus lamentos mais tolos, “I’m being selfish, I know! I’m horrible!”, “No, babe, you’re not being selfish at all. You’re suffering a loss, that’s all”, “Yeah, you’re right, I just wanted, you know?, to say goodbye to him”, “I know, babe, but try to think of him as he were when you left”. Enfim, quem me conhece sabe que eu sei ser um pain in the ass quando estou triste. Nao aceito conselhos, nao aceito palavras superfluas, nao aceito pena. Mas dele eu aceitei isso tudo. E e senti deliciosamente (dentro do possivel, claro) leve depois.
Cheguei em casa saltando as poças congeladas na rua. Encontrei Frufru, meu anjinho acolhedor. Me abraçou, me falou mais do mesmo, e eu adorei ouvir. Aquela pequena me faz bem.
Dormi cedo porque tenho tido que acordar cedo esses dias, tenho que telefonar para a Asia e la eh final de expediente quando aqui o galo ainda nem cantou. Ninguem merece o sotaque tailandes. O vietnamita tambem eh duro de encarar.
Mas tudo isso eh otimo porque me mantem ocupada. O Chris me perguntou se eu iria trabalhar hoje. Claro que sim, eu disse. Nao consigo nem pensar em passar por tudo isso em casa. Cabeça vazia, oficina do diabo. A Fru me perguntou se eu queria ir para o Brasil. Claro que nao, eu disse. Nao consigo imaginar a mistura grotesca que seria a profunda felicidade de encontrar as pessoas que mais amo na vida, com a profunda tristeza da iminencia de uma perda. Simplesmente nao combina. Nao cai bem. Pesa do estomago de todo mundo. E quem me conhece sabe bem o que acontece se meu estomago começa a reclamar.
Mas, meus amados, estou melhor. Hoje acordei inchada, olho fechadinho, sabe?, aquela cara de briguei-feio-com-meu-namorado-ontem-a-noite. Mas ja estou back on track. Muito trabalho, um fim de semana aa frente, amanha chega meu laptop, vou ver meu gatinho, vou me ocupar. E tentar pensar no meu velhinho mais amado com toda a ternura que houver neste mundo. E nao eh pouca. Eu amo aquele serzinho enrugado. E se ele morrer, nao vou deixar de ama-lo nem um cilio. Finally, slowly a ficha estah caindo. E isso eh tudo de que preciso. O resto nao estah a meu alcance.
A merda foi ter assistido agora, num periodo tao critico. Falei com babae ontem e recebi email de Piu e babai. Eles meio que combinaram de me contar tudo, nao esconder nada, mas ao mesmo tempo tentar mostrar que estao bem, que eh o ciclo natural da vida, que ele viveu coisas demais ja e que nao merece sofrer a essa altura. Eu concordo, claro. Concordo como um burrico que nao tem muito para onde ir numa estrada de terra que leva nada a lugar nenhum. Aquele concordar nao-tem-outro-jeito-mesmo. A verdade eh que ontem, apos o filme, a ficha finalmente começou a cair.
Voltei para casa em prantos, falando com o Chris no telefone, o onibus inteiro naquele silencio acolhedor, condescendente, ingles. O Chris falou tudo o que eu sabia mas precisava ouvir. Tambem conseguiu me fazer rir. Me fez prometer que ficaria bem. Me garantiu que almoçariamos juntos hoje, ouviu meus lamentos mais tolos, “I’m being selfish, I know! I’m horrible!”, “No, babe, you’re not being selfish at all. You’re suffering a loss, that’s all”, “Yeah, you’re right, I just wanted, you know?, to say goodbye to him”, “I know, babe, but try to think of him as he were when you left”. Enfim, quem me conhece sabe que eu sei ser um pain in the ass quando estou triste. Nao aceito conselhos, nao aceito palavras superfluas, nao aceito pena. Mas dele eu aceitei isso tudo. E e senti deliciosamente (dentro do possivel, claro) leve depois.
Cheguei em casa saltando as poças congeladas na rua. Encontrei Frufru, meu anjinho acolhedor. Me abraçou, me falou mais do mesmo, e eu adorei ouvir. Aquela pequena me faz bem.
Dormi cedo porque tenho tido que acordar cedo esses dias, tenho que telefonar para a Asia e la eh final de expediente quando aqui o galo ainda nem cantou. Ninguem merece o sotaque tailandes. O vietnamita tambem eh duro de encarar.
Mas tudo isso eh otimo porque me mantem ocupada. O Chris me perguntou se eu iria trabalhar hoje. Claro que sim, eu disse. Nao consigo nem pensar em passar por tudo isso em casa. Cabeça vazia, oficina do diabo. A Fru me perguntou se eu queria ir para o Brasil. Claro que nao, eu disse. Nao consigo imaginar a mistura grotesca que seria a profunda felicidade de encontrar as pessoas que mais amo na vida, com a profunda tristeza da iminencia de uma perda. Simplesmente nao combina. Nao cai bem. Pesa do estomago de todo mundo. E quem me conhece sabe bem o que acontece se meu estomago começa a reclamar.
Mas, meus amados, estou melhor. Hoje acordei inchada, olho fechadinho, sabe?, aquela cara de briguei-feio-com-meu-namorado-ontem-a-noite. Mas ja estou back on track. Muito trabalho, um fim de semana aa frente, amanha chega meu laptop, vou ver meu gatinho, vou me ocupar. E tentar pensar no meu velhinho mais amado com toda a ternura que houver neste mundo. E nao eh pouca. Eu amo aquele serzinho enrugado. E se ele morrer, nao vou deixar de ama-lo nem um cilio. Finally, slowly a ficha estah caindo. E isso eh tudo de que preciso. O resto nao estah a meu alcance.
Tuesday, March 01, 2005
pelo direito de nao desmoronar
Gribada de dovo. Que bosta. Nunca fui assim, e de repente em um mes peguei duas gripe. Palhaçada.
Atualizaçoes. Vou comprar um Mac. Powerbook, nada zero quilometro porque tenho medo do que eh novo. Usado. Pouco, mas usado. Por gente confiavel. Sabado ja estarei com o pequeno (ainda sem nome) em casa. Assim que me adaptar direitinho vou estar de volta ao fascinante mudo do MSN. Falar com pessoas queridas muito. Muito queridas e falar muito.
Acabo de fazer assinatura para broadband. Como tudo eh facil aqui... Ateh pegar gripe eh facil, facil.
Desacredito que em menos de dois meses vou estar me afofando com babae!!! Disse a ela agora pouco que nove meses eh tempo demais longe de quem me teve dentro de si por exatamente o mesmo tempo.
Logo mais faz nove meses que da terra brasilis me mandei. Passarinhos verdes me contaram que Bobby chorou compulsivamente quando aterrissou em Salvador, na semana passada, depois de um ano e pouco de Inglaterra. Tiveram que trazer lenços e tudo mais, parece. Ela eh assim. Quase trinta e chora de fazer bico.
Aqui, contrato assinado, entrevista para o National Insurance Number feita, agora eh soh esperar. Contrato com o landlord tambem foi assinado finalmente. Porque finalmente ele cumpriu o que prometeu. Tudo nos conformes.
Periodo de serenidade, apesar da turbulencia interna. Vovo ainda estah na UTI. Melhora daqui e piora de la. Falei com babae e Piu no telefone e as duas demonstraram uma certa perda de esperanças. Estando aqui, longe, nao podendo julgar, soh posso mesmo eh olhar atraves dos olhos delas. Seja o que for, estou pensando no meu velhinho, mandando minha energia positiva, mandando calma, tranquilidade, mandando ondas de amor para ele nao se sentir sozinho, mandando quentinhos para ele nao sentir frio, mandando minha alegria para que ele nao tenha medo. De ficar ou de ir.
Atualizaçoes. Vou comprar um Mac. Powerbook, nada zero quilometro porque tenho medo do que eh novo. Usado. Pouco, mas usado. Por gente confiavel. Sabado ja estarei com o pequeno (ainda sem nome) em casa. Assim que me adaptar direitinho vou estar de volta ao fascinante mudo do MSN. Falar com pessoas queridas muito. Muito queridas e falar muito.
Acabo de fazer assinatura para broadband. Como tudo eh facil aqui... Ateh pegar gripe eh facil, facil.
Desacredito que em menos de dois meses vou estar me afofando com babae!!! Disse a ela agora pouco que nove meses eh tempo demais longe de quem me teve dentro de si por exatamente o mesmo tempo.
Logo mais faz nove meses que da terra brasilis me mandei. Passarinhos verdes me contaram que Bobby chorou compulsivamente quando aterrissou em Salvador, na semana passada, depois de um ano e pouco de Inglaterra. Tiveram que trazer lenços e tudo mais, parece. Ela eh assim. Quase trinta e chora de fazer bico.
Aqui, contrato assinado, entrevista para o National Insurance Number feita, agora eh soh esperar. Contrato com o landlord tambem foi assinado finalmente. Porque finalmente ele cumpriu o que prometeu. Tudo nos conformes.
Periodo de serenidade, apesar da turbulencia interna. Vovo ainda estah na UTI. Melhora daqui e piora de la. Falei com babae e Piu no telefone e as duas demonstraram uma certa perda de esperanças. Estando aqui, longe, nao podendo julgar, soh posso mesmo eh olhar atraves dos olhos delas. Seja o que for, estou pensando no meu velhinho, mandando minha energia positiva, mandando calma, tranquilidade, mandando ondas de amor para ele nao se sentir sozinho, mandando quentinhos para ele nao sentir frio, mandando minha alegria para que ele nao tenha medo. De ficar ou de ir.
Monday, February 21, 2005
...
Faz tempo que nao escrevo, eu sei. Faz tempo que nao escrevo aqui, que fique claro. Tenho escrito descontroladamente no meu pequeno notebook – aquele do qual sai uma peteca quando abro, tao brinquedo que eh.
Ontem nevou. Hoje nevou de novo. Fiz festa. Em casa, na rua, no trabalho. Ninguem entendeu, claro. Alem de mim, tinham mais dois macacos pulando felizes na rua, em meio aa neve, ontem aa noite. Eram brasileiros.
A vida estah boa. Fui efetivada. Assino o contrato hoje. Recebi novo aumento. Agora sim eh trabalho de gente grande. Com a grana que vou conseguir juntar vai dar para ir ao Brasil no final do ano, como planejo. Mas sem algazarra porque eh muito cedo ainda. Mil coisas podem me fazer trupicar no meio do caminho. Por enquanto, fica a ideia.
E quando eu for, quero ir sozinha. O Chris ainda nao sabe. Ele me disse outro dia que quer ir ao Brasil comigo, quando eu for. E ele quis dizer o seguinte: “eu vou morar com voce la, se voce resolver voltar”. Meda, panica horrora. Nao senhor. Vou sozinha visitar meus amados e, quando voltar ao Brasil, volto sozinha tambem. Pelo menos eh assim que penso hoje. Eh assim que penso quando estou com ele.
E em breve nao devo mais estar. Fim de semana retrasado foi o estopim. Nao aguentava mais ele me pegando, me beijando, me sufocando. Nao aguento a postura resignada dele. Desempregado que gasta dinheiro com bebida e cigarro. Tem algo mais oposto a mim que isso? Quem me conhece sabe que nao. A relacao comecou ja fadada a terminar.
Ontem eu bem tentei. Mas justo ontem ele foi um amor. Meu avo esta na UTI, em coma, eu aqui desesperada. Um velhinho de mais de 90 anos. Cada vez que minha mae ou minha irma somem por mais de dois dias ja me da um aperto. Elas estao tentando me poupar de um sofrimento e de uma angustia da qual infelizmente nao tenho muita salvaçao. Mas eu entendo. Entendo e tento levar minha vida, tento nao pensar muito, nao divagar. Tenho nadado para espantar a dor. A mesma dor no peito de tantos ataques de panico. O mesmo aperto. A mesma vontade de meter a cabeca para dentro do umbigo. Mas passa. Penso em meu avo a cada minuto. A cada minuto tento me afirmar de que ele vai ficar bem. Seja o que for.
E ontem ele foi um doce. Soh me abraçou. Ficamos deitados no sofa por longos minutos, ele sem me perguntar nada. Sem querer nada de mim. Apenas ali. Vez ou outra beijando minha testa. O que eu precisava. Nao consegui terminar. Ontem foi bom, afinal.
Enquanto isso me ocupo. Depois de enrolar eu e Chris fomos a um restaurante grego delicioso. Hoje vou ao medico ver a porra do joelho de novo e depois encontro Eriquinha para jantar. Amanha tenho aniversario da Marlena depois do trabalho. Quarta vou nadar e me despedir de Bobbynha.
Quinta ainda nao sei, mas farei algo para comemorar o parto do meu National Insurance Number. E sexta quero nadar de novo. Uma semana boa, se for como eu planejo.
Ontem nevou. Hoje nevou de novo. Fiz festa. Em casa, na rua, no trabalho. Ninguem entendeu, claro. Alem de mim, tinham mais dois macacos pulando felizes na rua, em meio aa neve, ontem aa noite. Eram brasileiros.
A vida estah boa. Fui efetivada. Assino o contrato hoje. Recebi novo aumento. Agora sim eh trabalho de gente grande. Com a grana que vou conseguir juntar vai dar para ir ao Brasil no final do ano, como planejo. Mas sem algazarra porque eh muito cedo ainda. Mil coisas podem me fazer trupicar no meio do caminho. Por enquanto, fica a ideia.
E quando eu for, quero ir sozinha. O Chris ainda nao sabe. Ele me disse outro dia que quer ir ao Brasil comigo, quando eu for. E ele quis dizer o seguinte: “eu vou morar com voce la, se voce resolver voltar”. Meda, panica horrora. Nao senhor. Vou sozinha visitar meus amados e, quando voltar ao Brasil, volto sozinha tambem. Pelo menos eh assim que penso hoje. Eh assim que penso quando estou com ele.
E em breve nao devo mais estar. Fim de semana retrasado foi o estopim. Nao aguentava mais ele me pegando, me beijando, me sufocando. Nao aguento a postura resignada dele. Desempregado que gasta dinheiro com bebida e cigarro. Tem algo mais oposto a mim que isso? Quem me conhece sabe que nao. A relacao comecou ja fadada a terminar.
Ontem eu bem tentei. Mas justo ontem ele foi um amor. Meu avo esta na UTI, em coma, eu aqui desesperada. Um velhinho de mais de 90 anos. Cada vez que minha mae ou minha irma somem por mais de dois dias ja me da um aperto. Elas estao tentando me poupar de um sofrimento e de uma angustia da qual infelizmente nao tenho muita salvaçao. Mas eu entendo. Entendo e tento levar minha vida, tento nao pensar muito, nao divagar. Tenho nadado para espantar a dor. A mesma dor no peito de tantos ataques de panico. O mesmo aperto. A mesma vontade de meter a cabeca para dentro do umbigo. Mas passa. Penso em meu avo a cada minuto. A cada minuto tento me afirmar de que ele vai ficar bem. Seja o que for.
E ontem ele foi um doce. Soh me abraçou. Ficamos deitados no sofa por longos minutos, ele sem me perguntar nada. Sem querer nada de mim. Apenas ali. Vez ou outra beijando minha testa. O que eu precisava. Nao consegui terminar. Ontem foi bom, afinal.
Enquanto isso me ocupo. Depois de enrolar eu e Chris fomos a um restaurante grego delicioso. Hoje vou ao medico ver a porra do joelho de novo e depois encontro Eriquinha para jantar. Amanha tenho aniversario da Marlena depois do trabalho. Quarta vou nadar e me despedir de Bobbynha.
Quinta ainda nao sei, mas farei algo para comemorar o parto do meu National Insurance Number. E sexta quero nadar de novo. Uma semana boa, se for como eu planejo.
Tuesday, February 08, 2005
carnaval, doce ilusao
Carnaval mais nulo que ja passei na vida. Eu nunca fui uma pessoa *carnavalesca* (da lista de palavras que odeio), mas achava legal a alegria de todos em relaçao aa *festança* (outra que odeio). Era soh nao tentarem me fazer sair pulando que eu fico bem. Pra mim, carnaval eh pra assistir enquanto o pais perde o controle. Eu myself odeio perder o controle.
O carnaval fez mais falta do que eu pensei. Me peguei imaginando o que eu teria feito se estivesse no Brasil. Teria ido viajar? Provavelmente. Com quem? Nao sei, mas eu teria uns cinco lugares diferentes, com turmas diferentes, para escolher. Eu acabaria optando por algum lugar de praia em que nao me viessem com ideias furadas de ir em boite pagar $75678467 por um pacote para as quatro noites.
Bobby e Fru, aqui, foram no sabado num carnaval num bairro chamado Vauxhall, no sul de Londres. Parece que foi divertido, muita musica brasileira, caipirinha, gringos, eh claro, mas muito brasileiro tambem. Quase a mesma coisa que na terrinha. Aa exceçao obvia do frio. Carnaval de sobretudo. Tsc, tsc…
Eu nao fui. Fiquei em casa, recebi visitinha do Ernesto, escrevi mais do meu livro (ta graaaande, ta buniiiiito) e fui dormir relativamente cedo. O carnaval para mim foi ter ido no Ikea, na PQP, comprar moveis e utensilios para casa a preco de alguma fruta barata aqui, ja que banana eh artigo de luxo. Comprei tudo o que queria/precisava. Criado-mudo, abajour, facas de corte, travesseiro, despertador (ja perdi duas vezes a hora porque esqueci meu relogio de pulso, atual despertador, em outro comodo), varal de roupas etc. Tudo comprado e montado.
Dormi estranha. Primeiro, a noticia de que vou ser efetivada na empresa. Depois, as compras da casa, minha casa, apesar de alugada. Um medo de permanencia, da falta da saida de emergencia - prato cheio pros meus ataques de panico. Felicidade e angustia misturados. Uma combinaçao esquisita e assustadora. Quem consegue ser feliz mesmo angustiado traz no olhar o mesmo brilho dos sado-masoquistas. E eu nao sou nem sadica, nem masoquista.
Domingo de mais compras. Supermercado. Aa noitinha fui no cinema com Ernesto, Marinella e Fru. Assistimos a Ray Charles. Adorei. Assistam. Fiquei com vontade monstra de comprar os CDs e me descobrir fan.
**
Daqui a uma hora tenho o meeting com o big boss. De la sairei com minha efetivaçao na mao. Voces vao ver.
O carnaval fez mais falta do que eu pensei. Me peguei imaginando o que eu teria feito se estivesse no Brasil. Teria ido viajar? Provavelmente. Com quem? Nao sei, mas eu teria uns cinco lugares diferentes, com turmas diferentes, para escolher. Eu acabaria optando por algum lugar de praia em que nao me viessem com ideias furadas de ir em boite pagar $75678467 por um pacote para as quatro noites.
Bobby e Fru, aqui, foram no sabado num carnaval num bairro chamado Vauxhall, no sul de Londres. Parece que foi divertido, muita musica brasileira, caipirinha, gringos, eh claro, mas muito brasileiro tambem. Quase a mesma coisa que na terrinha. Aa exceçao obvia do frio. Carnaval de sobretudo. Tsc, tsc…
Eu nao fui. Fiquei em casa, recebi visitinha do Ernesto, escrevi mais do meu livro (ta graaaande, ta buniiiiito) e fui dormir relativamente cedo. O carnaval para mim foi ter ido no Ikea, na PQP, comprar moveis e utensilios para casa a preco de alguma fruta barata aqui, ja que banana eh artigo de luxo. Comprei tudo o que queria/precisava. Criado-mudo, abajour, facas de corte, travesseiro, despertador (ja perdi duas vezes a hora porque esqueci meu relogio de pulso, atual despertador, em outro comodo), varal de roupas etc. Tudo comprado e montado.
Dormi estranha. Primeiro, a noticia de que vou ser efetivada na empresa. Depois, as compras da casa, minha casa, apesar de alugada. Um medo de permanencia, da falta da saida de emergencia - prato cheio pros meus ataques de panico. Felicidade e angustia misturados. Uma combinaçao esquisita e assustadora. Quem consegue ser feliz mesmo angustiado traz no olhar o mesmo brilho dos sado-masoquistas. E eu nao sou nem sadica, nem masoquista.
Domingo de mais compras. Supermercado. Aa noitinha fui no cinema com Ernesto, Marinella e Fru. Assistimos a Ray Charles. Adorei. Assistam. Fiquei com vontade monstra de comprar os CDs e me descobrir fan.
**
Daqui a uma hora tenho o meeting com o big boss. De la sairei com minha efetivaçao na mao. Voces vao ver.
Thursday, February 03, 2005
ontem
Ontem foi dia soh de boas noticias. Inacreditavelmente, em menos de seis meses na empresa, acho que serei promovida novamente. Marketing Executive, da licenca? O melhor de tudo, no entanto, eh o fato de que finalmente vou ser contratada como funcionaria permanente, o que me dara direito a ferias remuneradas e outras regalias merecidas.
Outra boa noticia eh que falamos com o landlord e ele topou resolver quase todas as nossas exigencias, dignissimas, diga-se. Uma cama extra no quarto meu e da Bobby ja que a cama de casal que ele comprou eh minuscula e, das duas uma, ou eu e Bobby nos chutaremos para sempre, ou seremos obrigadas a virar um casal. Quando aparecermos em publico juntas, vamos falar, nao, nao sou lesbica, fui obrigada a ser. Como nenhuma das duas quer isso, o landlord prometeu a segunda cama. Outra exigencia foi do aquecedor, que nao tem a torneirinha para baixar/desligar/aumentar/ligar. Ou seja, no momento a casa estah um forno e nao conseguimos dormir la. Tambem pedimos persiana na janela da Fru, estantes pregadas no banheiro, televisao, trava na minha janela... varias, varias coisas. E ele topou arrumar tudo porque somos brasileiras boas de papo e nada, nada trouxas.
Mais boa noticia? Ta bom. Comprei as passagens para mim e babae irmos para o sul da Espanha em abril. Voamos de Londres a Malaga e de la vamos costeando, passando em Sevilla e pegando um ferry boat para Ibiza. Eu sei, eu sei. Mas um dia voce tambem vai.
Planta e colhe, planta e colhe, planta e colhe. Simples assim.
Mais boa noticia? Nao, nao. Ate tem, mas chega. Isso aqui ta virando solo fertil para urucas alheias. Arre egua, sai para la. Nao quero ninguem com inveja, hein?! Sim, porque apesar de toda essa vida, estou deprimida, mal-amada, exausta, infeliz, chorona, com espinhas na cara, prisao de ventre, manca, fodida, sangrando... Viu? Nao ha nada que invejar.
**
A festa do Steeeeve foi bem legal.
**
Estou tentando levar a comunidade britanica ao orkut. Voces me acham pretensiosa demais?
**
Os dias de errante, de andar para cima e para baixo na rua com panelas, sacolas, malas, muitas malas, estao chegando ao devido fim. Acho que hoje mudamos o resto das coisas para a casa nova. Estou seriamente considerando comprar um notebook hi-tech. Any suggestions? Any objections?
**
E meu publico leitor aumenta a cada dia por aqui. Who's to say? Era para ser apenas um poço de relatos, e virou... bom, continua sendo isso, mas nunca tanta gente se interessou por um poço. Voces, que nem me conhecem, que graça tem? De qualquer maneira, muito bem vindos. Sentae, mas sem algazarra. Porque isso aqui nao eh uma democracia. Eh uma ditadura. Eu dito, voce ouve. Calado.
Outra boa noticia eh que falamos com o landlord e ele topou resolver quase todas as nossas exigencias, dignissimas, diga-se. Uma cama extra no quarto meu e da Bobby ja que a cama de casal que ele comprou eh minuscula e, das duas uma, ou eu e Bobby nos chutaremos para sempre, ou seremos obrigadas a virar um casal. Quando aparecermos em publico juntas, vamos falar, nao, nao sou lesbica, fui obrigada a ser. Como nenhuma das duas quer isso, o landlord prometeu a segunda cama. Outra exigencia foi do aquecedor, que nao tem a torneirinha para baixar/desligar/aumentar/ligar. Ou seja, no momento a casa estah um forno e nao conseguimos dormir la. Tambem pedimos persiana na janela da Fru, estantes pregadas no banheiro, televisao, trava na minha janela... varias, varias coisas. E ele topou arrumar tudo porque somos brasileiras boas de papo e nada, nada trouxas.
Mais boa noticia? Ta bom. Comprei as passagens para mim e babae irmos para o sul da Espanha em abril. Voamos de Londres a Malaga e de la vamos costeando, passando em Sevilla e pegando um ferry boat para Ibiza. Eu sei, eu sei. Mas um dia voce tambem vai.
Planta e colhe, planta e colhe, planta e colhe. Simples assim.
Mais boa noticia? Nao, nao. Ate tem, mas chega. Isso aqui ta virando solo fertil para urucas alheias. Arre egua, sai para la. Nao quero ninguem com inveja, hein?! Sim, porque apesar de toda essa vida, estou deprimida, mal-amada, exausta, infeliz, chorona, com espinhas na cara, prisao de ventre, manca, fodida, sangrando... Viu? Nao ha nada que invejar.
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A festa do Steeeeve foi bem legal.
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Estou tentando levar a comunidade britanica ao orkut. Voces me acham pretensiosa demais?
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Os dias de errante, de andar para cima e para baixo na rua com panelas, sacolas, malas, muitas malas, estao chegando ao devido fim. Acho que hoje mudamos o resto das coisas para a casa nova. Estou seriamente considerando comprar um notebook hi-tech. Any suggestions? Any objections?
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E meu publico leitor aumenta a cada dia por aqui. Who's to say? Era para ser apenas um poço de relatos, e virou... bom, continua sendo isso, mas nunca tanta gente se interessou por um poço. Voces, que nem me conhecem, que graça tem? De qualquer maneira, muito bem vindos. Sentae, mas sem algazarra. Porque isso aqui nao eh uma democracia. Eh uma ditadura. Eu dito, voce ouve. Calado.
Tuesday, February 01, 2005
mertiolate
O choque que eu levei nao foi um choque por algo que eu nao sabia. Foi um choque por algo que eu conhecia mas tentava ignorar, porque assim doia menos.
E, sabe?, alguns dias depois do tapa na cara, ja estou bem. Uma recuperacao digna de jogador de futebol em vespera de Copa. Nada como terapia intensiva. Se o jogador fode o joelho, precisa cuidar dele 24 horas por dia aas vesperas dos grandes jogos.
Quando me fodem o coracao, mesma coisa. Senao corre o risco de ficar sequelas, voces sabem, coracao manco nao eh coracao bom. De onde vou tirar tantas batidas para uma nova paixao? Por enquanto ele bate manso, em recuperacao. Mas a terapia intensiva deste fim de semana ajudaram.
Chris nao sabe bem o que se passa aqui dentro ainda. Ele eh otimo nisso de nao perguntar. Acho que ele ateh sente, mas tambem prefere nao ouvir.
E no mesmo dia em que disse para alguem que ainda o amava, ouvi do Chris o mesmo. Que dificil. Que ironico. Ele disse que me ama no mesmo dia em que disse que amo outro. Isso eh muito a minha cara. Mas estah na hora de deixar de ser. Estah perdendo a graca me perder aos poucos. Estah perdendo a graca ser a unica a girar na ciranda para o lado errado. Estah perdendo a graca desencontrar de quem pena tanto para me encontrar.
E eh por isso que, do alto de minha petulancia/arrogancia/intolerancia, vou juntar forcas para deixar o que estou vivendo hoje evoluir. Porque passado nao evolui. Passado muitas vezes doi e soh. Cansei de poh.
E, sabe?, alguns dias depois do tapa na cara, ja estou bem. Uma recuperacao digna de jogador de futebol em vespera de Copa. Nada como terapia intensiva. Se o jogador fode o joelho, precisa cuidar dele 24 horas por dia aas vesperas dos grandes jogos.
Quando me fodem o coracao, mesma coisa. Senao corre o risco de ficar sequelas, voces sabem, coracao manco nao eh coracao bom. De onde vou tirar tantas batidas para uma nova paixao? Por enquanto ele bate manso, em recuperacao. Mas a terapia intensiva deste fim de semana ajudaram.
Chris nao sabe bem o que se passa aqui dentro ainda. Ele eh otimo nisso de nao perguntar. Acho que ele ateh sente, mas tambem prefere nao ouvir.
E no mesmo dia em que disse para alguem que ainda o amava, ouvi do Chris o mesmo. Que dificil. Que ironico. Ele disse que me ama no mesmo dia em que disse que amo outro. Isso eh muito a minha cara. Mas estah na hora de deixar de ser. Estah perdendo a graca me perder aos poucos. Estah perdendo a graca ser a unica a girar na ciranda para o lado errado. Estah perdendo a graca desencontrar de quem pena tanto para me encontrar.
E eh por isso que, do alto de minha petulancia/arrogancia/intolerancia, vou juntar forcas para deixar o que estou vivendo hoje evoluir. Porque passado nao evolui. Passado muitas vezes doi e soh. Cansei de poh.
Friday, January 28, 2005
desculpe o mal jeito
Eu nao entendo, nao entendo. Ja faz quase oito meses que ca estou. Ja encontrei e desencontrei varias pessoas interessantes, ja me dei chances e regalias. Ja cheguei a quase gostar. A quase pensar que acharia meu turning point. Mas todas as vezes eu olhei em volta e nao via nada. Poucos minutos e eu constatava que tudo o que eu via era apenas a ilusao de algo que brilhou. Eu olhando para a janela ensolarada e fechando os olhos depois, e vendo uma janela no fundo vermelho de minhas palpebras, sem poder pega-la, porque nao eh real, porque soh existe mesmo na minha retina. E eu tento acreditar que nao, porque doi demais saber que eh possivel se amar soh de lembrancas, mas eh, nao posso fazer nada, soh amar. A gente se joga numa moita de espinhos meio que esperando que eles facam cocegas, e eles nunca vao fazer, mesmo que eu feche os olhos. E mesmo assim, ainda vale a pena ter se jogado, para ver que machuca mesmo.
Nao sei se tudo o que vivo aqui estah insano demais, diferente demais, distante demais do que eu costumava ser. De repente penso que a qualquer momento posso acordar no Brasil. Que no momento estou apenas trancada num sonho que ainda nao achou a portinhola de saida. Isso tudo aqui eh teatro. Londres eh um mundo de artistas num palco nublado e frio. Soh o Brasil eh real. Soh a luta diaria do povo que julgo meu, mesmo sem ser.
E eh por isso que eu disse que nao eh justo com a gente. E que eu tenho tanta coisa para viver com voce ainda, que nao consigo imaginar que nossas vidas vao se ajeitando com a ausencia do outro. Nao eh justo, entende?
Mas, se voce me permite, ainda assim vou continuar te amando. Nao sei ateh quando, nao sei mesmo. Mas agora posso te garantir que sim. E que se vc me dissesse que estah vindo para cah amanha eu ia dizer para vir correndo porque ja nao da mais, que depois de amanha eu posso estar morta, vai saber?, e que eu cuidaria de vc. Isso continua valendo. Sempre. Ateh sempre mudar de vento.
Nao sei se tudo o que vivo aqui estah insano demais, diferente demais, distante demais do que eu costumava ser. De repente penso que a qualquer momento posso acordar no Brasil. Que no momento estou apenas trancada num sonho que ainda nao achou a portinhola de saida. Isso tudo aqui eh teatro. Londres eh um mundo de artistas num palco nublado e frio. Soh o Brasil eh real. Soh a luta diaria do povo que julgo meu, mesmo sem ser.
E eh por isso que eu disse que nao eh justo com a gente. E que eu tenho tanta coisa para viver com voce ainda, que nao consigo imaginar que nossas vidas vao se ajeitando com a ausencia do outro. Nao eh justo, entende?
Mas, se voce me permite, ainda assim vou continuar te amando. Nao sei ateh quando, nao sei mesmo. Mas agora posso te garantir que sim. E que se vc me dissesse que estah vindo para cah amanha eu ia dizer para vir correndo porque ja nao da mais, que depois de amanha eu posso estar morta, vai saber?, e que eu cuidaria de vc. Isso continua valendo. Sempre. Ateh sempre mudar de vento.
Wednesday, January 26, 2005
de nada e de tudo
Aprender a viver nao eh facil. Cair no chao, levantar e cair de novo. Sempre o cair de novo. Sempre para voce nunca mais se animar quando levantar. Mas eh levantar que juramos que nao vamos mais cair. E caimos. Eu ainda nao cai. Mas aprendi um pouquinhozinho a viver, e sei que de nada adianta achar que vou ver tudo assim sempre. Fico com medo de uma vida boa assim. Nenhuma vida eh menos que um trem. Indo para algum lugar sempre, e sempre deixando algum lugar. Nao ha gira-gira. Nao ha fim e comeco de linha. Ou nao que a gente consiga enxergar. A gente, povo miope.
Foda-se isso.
Estou trabalhando demais. Mas gostando demais tambem. Hoje tenho jantar com uma tia velha, amanha tenho jantar com uns tiozoes da AON (culpa da Fru) e sexta tenho a festa do Steeeeve, aqui do trabalho, a que vou com o Chris. Vai ser legal. Vamos nos “assumir” para o pessoal do escritorio. Ui!
**
Enquanto isso, o mala da agencia imobiliaria fica me ligando para saber cada peido do processo de aceitacao do contrato. Ta, ta, se estivesse no Brasil eu provavelmente reclamaria do contrario, da falta de atencao. Mas o cara de fato eh mala a valer. Para terem uma ideia, me prendeu por duas horas em um papo chato pra burro sobre o metodo revolucionario que ele desenvolveu para ensinar linguas (juro, juro). E hoje ficou a se lamuriar no telefone porque nao consegue abrir uma reles conta no banco (ahaha, ja vi esse filme antes, hein, Frufru?!).
Se deus quiser essa semana estah tudo finalizado.
**
Em tempo: estou com uma bandage no joelho. Recomendacao da DOTORA, que disse que eu devo ter “machucado sem perceber”. Tao ta intao.
E com minha tireoide tudo muito bem, obrigada (YAAAAY!).
**
Nao ha nada que esteja ocupando mais meus pensamentos do que a vinda da minha familia para ca. Mamae vem em abril e estamos entre visitar o sul da Espanha ou o sul da Franca. Papai e Piu vem em julho e vamos todos para a Madeira. Ahhh… O paraiso eh la.
Falo mais depois. To indo!
Foda-se isso.
Estou trabalhando demais. Mas gostando demais tambem. Hoje tenho jantar com uma tia velha, amanha tenho jantar com uns tiozoes da AON (culpa da Fru) e sexta tenho a festa do Steeeeve, aqui do trabalho, a que vou com o Chris. Vai ser legal. Vamos nos “assumir” para o pessoal do escritorio. Ui!
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Enquanto isso, o mala da agencia imobiliaria fica me ligando para saber cada peido do processo de aceitacao do contrato. Ta, ta, se estivesse no Brasil eu provavelmente reclamaria do contrario, da falta de atencao. Mas o cara de fato eh mala a valer. Para terem uma ideia, me prendeu por duas horas em um papo chato pra burro sobre o metodo revolucionario que ele desenvolveu para ensinar linguas (juro, juro). E hoje ficou a se lamuriar no telefone porque nao consegue abrir uma reles conta no banco (ahaha, ja vi esse filme antes, hein, Frufru?!).
Se deus quiser essa semana estah tudo finalizado.
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Em tempo: estou com uma bandage no joelho. Recomendacao da DOTORA, que disse que eu devo ter “machucado sem perceber”. Tao ta intao.
E com minha tireoide tudo muito bem, obrigada (YAAAAY!).
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Nao ha nada que esteja ocupando mais meus pensamentos do que a vinda da minha familia para ca. Mamae vem em abril e estamos entre visitar o sul da Espanha ou o sul da Franca. Papai e Piu vem em julho e vamos todos para a Madeira. Ahhh… O paraiso eh la.
Falo mais depois. To indo!
Sunday, January 23, 2005
324 cable street
Ontem foi uma das noites mais frias que tive aqui. Teria nevado, nao fosse o ceu limpo. Os dias aqui tem sido maravilhosos. Puta sol, apesar do puta frio. E os dias vao ficando mais longo aa medida que o inverno avanca.
E em meio a essas pequenas alegrias, uma grande: achamos nossa casa. Mudamos dentro de uma semana. Eh linda, a casa. Assim que mudarmos e nos aseentarmos, mando fotos. Quer dizer, assim que nos mudarmos, assentarmos, eu tiver um computador e uma linha telefonica. This may take a while.
Aos poucos estou esvaziando o computador do Richard, gravando o que precisa ser gravado, e morrendo de medo de perder algo no computador. E eu sei que vou perder coisas no computador. Mas tudo bem. Nao sei porque cismo em confiar nessa maquina.
Estamos fazendo planos. Escrivaninha de frente para a varanda, onde poremos plantinhas. Mais para frente penso em comprar umas cadeiras de sol. Por que nao? O verao estah a poucos meses daqui.
Vamos arrumar cada centimetro do sofa, cada utensilio da cozinha, vamos tirar e por vinte vezes, vamos pendurar nossos quadros, vamos deixar aquilo com a nossa cara. Esta eh a primeira vez na minha vida em que posso, junto com minhas queridas, decorar uma casa inteira. Eu nunca pensei que curtiria tanto a ideia. Eh isso. Nas minhas proximas compras de super ja estao na lista mudinhas de plantas.
Vou cuidar da casa e de mim como se fossem meus proprios filhos. Porque tenho certeza de que cuidaria de um filho mil vezes mais que de mim.
**
Ponto alto da noite de ontem, que foi a melhor dos ultimos meses, talvez perdendo apenas para a Xmas party: ouvir meu gringo cantando "eu preciso dizer que te amo". E depois dizer "but, really, I mean it".
E em meio a essas pequenas alegrias, uma grande: achamos nossa casa. Mudamos dentro de uma semana. Eh linda, a casa. Assim que mudarmos e nos aseentarmos, mando fotos. Quer dizer, assim que nos mudarmos, assentarmos, eu tiver um computador e uma linha telefonica. This may take a while.
Aos poucos estou esvaziando o computador do Richard, gravando o que precisa ser gravado, e morrendo de medo de perder algo no computador. E eu sei que vou perder coisas no computador. Mas tudo bem. Nao sei porque cismo em confiar nessa maquina.
Estamos fazendo planos. Escrivaninha de frente para a varanda, onde poremos plantinhas. Mais para frente penso em comprar umas cadeiras de sol. Por que nao? O verao estah a poucos meses daqui.
Vamos arrumar cada centimetro do sofa, cada utensilio da cozinha, vamos tirar e por vinte vezes, vamos pendurar nossos quadros, vamos deixar aquilo com a nossa cara. Esta eh a primeira vez na minha vida em que posso, junto com minhas queridas, decorar uma casa inteira. Eu nunca pensei que curtiria tanto a ideia. Eh isso. Nas minhas proximas compras de super ja estao na lista mudinhas de plantas.
Vou cuidar da casa e de mim como se fossem meus proprios filhos. Porque tenho certeza de que cuidaria de um filho mil vezes mais que de mim.
**
Ponto alto da noite de ontem, que foi a melhor dos ultimos meses, talvez perdendo apenas para a Xmas party: ouvir meu gringo cantando "eu preciso dizer que te amo". E depois dizer "but, really, I mean it".
Friday, January 21, 2005
por essas e outras...
...Que eu adoro a Inglaterra
"Segundo as mais recentes estatísticas, entre abril de 2002 e março de 2003, 4 mil pessoas levaram bala aqui na Grã-Bretanha. Dessas, 81 morreram. Para os britânicos, 81 é muito." - Ivan Lessa na BBC Brasil, hoje.
"Segundo as mais recentes estatísticas, entre abril de 2002 e março de 2003, 4 mil pessoas levaram bala aqui na Grã-Bretanha. Dessas, 81 morreram. Para os britânicos, 81 é muito." - Ivan Lessa na BBC Brasil, hoje.
Thursday, January 20, 2005
dialogos memoraveis do Messenger -- fazia tempo!!
Biba says: hola
Biba says: viste as fotos do meu niver?
Herrmann says: viste
Biba says: hahaha, viu tua cara de mongo?
Herrmann says:O arquivo que você está procurando está inacessível.
Por favor, entre com sua ID Yahoo! e senha e tente novamente, ou verifique com o dono do arquivo.
Biba says: http://br.pg.photos.yahoo.com/ph/claytonadjair/album?.dir=/ff00&.src=ph&.tok=phIXkZCBg5zL6r7b
Biba says: ta veno?
Herrmann says: to
Herrmann says: a foto dos presentes
Biba says: hehehe, ficou legal, ne?
Biba says: gostou?
Biba says: tem uma que parece que eu vou te abocanhar e que vc ta deprimido ao mesmo tempo
Biba says:aloaaaaaaaa??
Biba says: da pra nao me ignorar?
Herrmann says: to no telefone
Biba says: COM QUEM?
Herrmann says: com a minha noiva
Biba says: vai se foder
Biba says: desliga
Herrmann says: ta louca
Biba says: agora
Biba says: quem eh a mocreia?
Herrmann says: vc não conhece
Herrmann says: (adoro falar essa frase)
Herrmann says: to falando com os meus pais
Herrmann says: (porra)
Biba says: ahhhhhh bom
Biba says: fala pra eles que eu to mandando um beijo
Herrmann says: claro q não. Vc não os conhece
Biba says: nao faz mal, eh pra mandar
Herrmann says: vou dizer que vc mandou eles tomarem no cu
Biba says: eles curtem?
Biba says: se curtirem, ta valendo
Biba says: viste as fotos do meu niver?
Herrmann says: viste
Biba says: hahaha, viu tua cara de mongo?
Herrmann says:O arquivo que você está procurando está inacessível.
Por favor, entre com sua ID Yahoo! e senha e tente novamente, ou verifique com o dono do arquivo.
Biba says: http://br.pg.photos.yahoo.com/ph/claytonadjair/album?.dir=/ff00&.src=ph&.tok=phIXkZCBg5zL6r7b
Biba says: ta veno?
Herrmann says: to
Herrmann says: a foto dos presentes
Biba says: hehehe, ficou legal, ne?
Biba says: gostou?
Biba says: tem uma que parece que eu vou te abocanhar e que vc ta deprimido ao mesmo tempo
Biba says:aloaaaaaaaa??
Biba says: da pra nao me ignorar?
Herrmann says: to no telefone
Biba says: COM QUEM?
Herrmann says: com a minha noiva
Biba says: vai se foder
Biba says: desliga
Herrmann says: ta louca
Biba says: agora
Biba says: quem eh a mocreia?
Herrmann says: vc não conhece
Herrmann says: (adoro falar essa frase)
Herrmann says: to falando com os meus pais
Herrmann says: (porra)
Biba says: ahhhhhh bom
Biba says: fala pra eles que eu to mandando um beijo
Herrmann says: claro q não. Vc não os conhece
Biba says: nao faz mal, eh pra mandar
Herrmann says: vou dizer que vc mandou eles tomarem no cu
Biba says: eles curtem?
Biba says: se curtirem, ta valendo
Wednesday, January 19, 2005
armless, harmless
Para enfrentar essa crise de bom humor, nada como uma enxaqueca. Primeiro dia do cio eh sempre assim. E eu sempre reluto em tomar remedio e sempre me arrependo de relutar, porque acabo tomando tarde demais e praticamente nao faz efeito. Uma coisa assim parecida com minha insistencia em ir a peh ao trabalho mesmo com o joelho estourado. Nao fosse assim, tambem, nao seria eu.
O frio estah ridiculo – e eh por causa dele que deixei de ir e vir caminhando do trabalho, nao por causa do joelho – mas os dias estao bonitos. Ja se passou quase um mes desse 2005. Dificil. Bobbynha vai pro Brasil em fevereiro. Nos temos que achar uma casa nova (temos, temos, temos, e rapido) enquanto equilibramos o resto: conta de agua que nao foi paga, conta de luz que nao foi paga, papeis importantes sempre no meio de outros lixaveis, em suma, paralelepipedos bruscos em nosso chao de marmore.
Pelo menos tenho nadado, para dar paz.
(Ainda estou atras da minha inspiracao, mas eh dificil quando tudo vai bem.)
E estou namorando. Na verdade, fui *namoradada*, entendem? Nao quis por nenhum rotulo, quem pos foi ele. E eu deixei passar. Num jeito assim bem Biba de ser, eu sou a namorada dele, mas ele nao eh meu namorado. Mas como estou tentando abandonar a testosterona que domina minhas entranhas, vamos chama-lo namorado tambem. Namorado, namorado, namorado, namorado (exercicio de dessensibilizacao, sorry). Nao estou apaixonada, mas estou tentando really hard. De qualquer forma, eh bom olhar para ele quando ele estah, e quando nao estah, sentir saudadinha – ele mora em Essex, entao vem pra Londres no maximo uma vez por semana. E sempre que ele vem eh legal. Porque ele eh legal, e lindinho, e divertido, e carinhoso. Porque ele diz “moia eu seca ieu” cantando Marisa Monte. E porque eu tive o dom de fazer tudo errado no comeco e isso nao mudar nada afinal.
Sim, estah tudo em paz. Nao tenho tido sobressaltos, tampouco tenho sentindo falta deles. Nao tenho tido a necessidade de enlouquecer por momentos, como sempre tive. Nao estou precisando desesperadamente de uma barra de chocolate. Nao estou com sono demais, nem de menos. De repente uma hora isso me incomoda. Enquanto isso, nada como ser livre para nao ser uma coisa ou outra. Nada como poder apenas ser, em vez de se definir por nao seres. Nada como contrariar a regra estando de acordo com ela.
O frio estah ridiculo – e eh por causa dele que deixei de ir e vir caminhando do trabalho, nao por causa do joelho – mas os dias estao bonitos. Ja se passou quase um mes desse 2005. Dificil. Bobbynha vai pro Brasil em fevereiro. Nos temos que achar uma casa nova (temos, temos, temos, e rapido) enquanto equilibramos o resto: conta de agua que nao foi paga, conta de luz que nao foi paga, papeis importantes sempre no meio de outros lixaveis, em suma, paralelepipedos bruscos em nosso chao de marmore.
Pelo menos tenho nadado, para dar paz.
(Ainda estou atras da minha inspiracao, mas eh dificil quando tudo vai bem.)
E estou namorando. Na verdade, fui *namoradada*, entendem? Nao quis por nenhum rotulo, quem pos foi ele. E eu deixei passar. Num jeito assim bem Biba de ser, eu sou a namorada dele, mas ele nao eh meu namorado. Mas como estou tentando abandonar a testosterona que domina minhas entranhas, vamos chama-lo namorado tambem. Namorado, namorado, namorado, namorado (exercicio de dessensibilizacao, sorry). Nao estou apaixonada, mas estou tentando really hard. De qualquer forma, eh bom olhar para ele quando ele estah, e quando nao estah, sentir saudadinha – ele mora em Essex, entao vem pra Londres no maximo uma vez por semana. E sempre que ele vem eh legal. Porque ele eh legal, e lindinho, e divertido, e carinhoso. Porque ele diz “moia eu seca ieu” cantando Marisa Monte. E porque eu tive o dom de fazer tudo errado no comeco e isso nao mudar nada afinal.
Sim, estah tudo em paz. Nao tenho tido sobressaltos, tampouco tenho sentindo falta deles. Nao tenho tido a necessidade de enlouquecer por momentos, como sempre tive. Nao estou precisando desesperadamente de uma barra de chocolate. Nao estou com sono demais, nem de menos. De repente uma hora isso me incomoda. Enquanto isso, nada como ser livre para nao ser uma coisa ou outra. Nada como poder apenas ser, em vez de se definir por nao seres. Nada como contrariar a regra estando de acordo com ela.
Sunday, January 16, 2005
livros 2004
Livros 2004
Vai funcionar assim. Em negrito os que valem muito a pena ler. Em verde os top 3. Em vermelho os que decepcionaram. E um breve comentario sobre cada.
1 – A Sangue Frio – Truman Capote --> Os olhos nao desgrudam das paginas.
2 – A Revolução dos Bichos – George Orwell --> Legal, mas eu devia ter lido com mais contexto.
3 – O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde --> Legalzim, mas overrated.
4 – O Deus das Pequenas Coisas – Arundathi Roy --> A maior surpresa do ano e um dos melhores livros que ja li na vida. Nao deixem a vida passar sem ler essa joia.
5 – Valsa Negra – Patricia Mello --> Ja li melhores dela.
6 – Contos D’Escárnio. Textos Grotescos – Hilda Hilst --> Tambem ja li bem melhores dela. Mas continua entre minhas favoritas.
7 – Budapeste – Chico Buarque --> Agradabilissima surpresa.
8 – Crônicas de Repórter – Pedro Bial --> Nheh.
9 – The Old Man and the Sea – Ernest Hemingway --> Belissimo livro, mas Por Quem os Sinos Dobram me comoveu bem mais. Still, esse eh de emocionar.
10 – Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago --> Eu ja esperava que fosse amar, mas achava que ja tinha conhecido todos os escritores capazes de me mostrar um mundo novo. Estava certa ateh ler este livro.
11 – Uma Questão Pessoal – Kenzaburo Oe --> Tenho serios problemas com a literatura japonesa.
12 – O Mesmo Mar – Amós Oz --> Sempre bom, agora mais poetico e absurdamente inovador. Ele eh foda.
13 – Love is a Dog from Hell – Charles Bukowsky --> Poesia de figado. Tem que ler no original.
14 – Vida e Época de Michael K. – J.M. Coetzee --> Outra bela descoberta. Comeca devagar, mas quando pega... Vale a pena o esforco. A vida na Africa do Sul.
15 – Verão no Aquário – Lygia Fagundes Telles --> Paixao que descobri este ano.
16 – James Lins, o playboy que não deu certo – Mario Prata --> Um coco. Mal escrito e sem graca. Uma das maiores perdas de tempo do ano, senao a maior.
17 – A Mulher do Próximo – Gay Talese --> Belissimo trabalho investigativo sobre a sexualidade nos EUA do seculo 20, mas meio cansativo.
18 – Bestiário – Julio Cortazar --> Bela introducao ao trabalho dele. Uma serie de contos. Surrealismo completamente imaginavel. Jogo da amarelinha fica para 2005.
19 – Meia Vida – V.S. Naipaul --> Bonitinho, mas nada ASSIM.
20 – Primavera Eterna – Paula Foschia --> Estreia brilhante da Paulinha. Uma obra despretenciosa e pretenciosa ao mesmo tempo. Simples, mas encantadora. Estou esperando o segundo.
21 – O Cabotino – Paulo Polzonoff Jr --> Ja esse, achei pretencioso demais...
22 – A Arte de Viajar – Alan de Botton --> Boa leitura para leave on a jetplane. Leve e realista.
23 – The Girl with a Pearl Earring – Tracy Chevalier --> Uma perola.
24 – Falling Angels – Tracy Chevalier --> Virei fan da Tracy Chevalier com esse. Ultra-sensivel, envolvente, daqueles que voce odeia porque uma hora vai acabar.
25 – The Virgin Blue – Tracy Chevalier --> Esse soh eh vermelho porque li logo depois de Falling Angels e nao ha a menor comparacao. Tracy aqui nao estava inspirada.
26 – Memoirs of a Geisha – Arthur Golden --> Esse estaria no top 5 ou 10. Um livro para abrir a cabeca e entender outras realidades paralelas aa sua, e tao reais quanto.
27 – I Don’t Need You Anymore – Arthur Miller --> Achei meio dificil. Foi interessante para eu largar a mao de me achar e reconhecer que ainda nao domino o ingles tanto assim.
28 - The Story of the Dog in the Night Time --> Um livro lindo, facil, doce, doce sobre um autista e suas conquistas. Uma otima obra para fechar o ano.
Vai funcionar assim. Em negrito os que valem muito a pena ler. Em verde os top 3. Em vermelho os que decepcionaram. E um breve comentario sobre cada.
1 – A Sangue Frio – Truman Capote --> Os olhos nao desgrudam das paginas.
2 – A Revolução dos Bichos – George Orwell --> Legal, mas eu devia ter lido com mais contexto.
3 – O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde --> Legalzim, mas overrated.
4 – O Deus das Pequenas Coisas – Arundathi Roy --> A maior surpresa do ano e um dos melhores livros que ja li na vida. Nao deixem a vida passar sem ler essa joia.
5 – Valsa Negra – Patricia Mello --> Ja li melhores dela.
6 – Contos D’Escárnio. Textos Grotescos – Hilda Hilst --> Tambem ja li bem melhores dela. Mas continua entre minhas favoritas.
7 – Budapeste – Chico Buarque --> Agradabilissima surpresa.
8 – Crônicas de Repórter – Pedro Bial --> Nheh.
9 – The Old Man and the Sea – Ernest Hemingway --> Belissimo livro, mas Por Quem os Sinos Dobram me comoveu bem mais. Still, esse eh de emocionar.
10 – Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago --> Eu ja esperava que fosse amar, mas achava que ja tinha conhecido todos os escritores capazes de me mostrar um mundo novo. Estava certa ateh ler este livro.
11 – Uma Questão Pessoal – Kenzaburo Oe --> Tenho serios problemas com a literatura japonesa.
12 – O Mesmo Mar – Amós Oz --> Sempre bom, agora mais poetico e absurdamente inovador. Ele eh foda.
13 – Love is a Dog from Hell – Charles Bukowsky --> Poesia de figado. Tem que ler no original.
14 – Vida e Época de Michael K. – J.M. Coetzee --> Outra bela descoberta. Comeca devagar, mas quando pega... Vale a pena o esforco. A vida na Africa do Sul.
15 – Verão no Aquário – Lygia Fagundes Telles --> Paixao que descobri este ano.
16 – James Lins, o playboy que não deu certo – Mario Prata --> Um coco. Mal escrito e sem graca. Uma das maiores perdas de tempo do ano, senao a maior.
17 – A Mulher do Próximo – Gay Talese --> Belissimo trabalho investigativo sobre a sexualidade nos EUA do seculo 20, mas meio cansativo.
18 – Bestiário – Julio Cortazar --> Bela introducao ao trabalho dele. Uma serie de contos. Surrealismo completamente imaginavel. Jogo da amarelinha fica para 2005.
19 – Meia Vida – V.S. Naipaul --> Bonitinho, mas nada ASSIM.
20 – Primavera Eterna – Paula Foschia --> Estreia brilhante da Paulinha. Uma obra despretenciosa e pretenciosa ao mesmo tempo. Simples, mas encantadora. Estou esperando o segundo.
21 – O Cabotino – Paulo Polzonoff Jr --> Ja esse, achei pretencioso demais...
22 – A Arte de Viajar – Alan de Botton --> Boa leitura para leave on a jetplane. Leve e realista.
23 – The Girl with a Pearl Earring – Tracy Chevalier --> Uma perola.
24 – Falling Angels – Tracy Chevalier --> Virei fan da Tracy Chevalier com esse. Ultra-sensivel, envolvente, daqueles que voce odeia porque uma hora vai acabar.
25 – The Virgin Blue – Tracy Chevalier --> Esse soh eh vermelho porque li logo depois de Falling Angels e nao ha a menor comparacao. Tracy aqui nao estava inspirada.
26 – Memoirs of a Geisha – Arthur Golden --> Esse estaria no top 5 ou 10. Um livro para abrir a cabeca e entender outras realidades paralelas aa sua, e tao reais quanto.
27 – I Don’t Need You Anymore – Arthur Miller --> Achei meio dificil. Foi interessante para eu largar a mao de me achar e reconhecer que ainda nao domino o ingles tanto assim.
28 - The Story of the Dog in the Night Time --> Um livro lindo, facil, doce, doce sobre um autista e suas conquistas. Uma otima obra para fechar o ano.
Thursday, January 13, 2005
adeus, maloca
Dias lindos esses que passaram meu aniversario. Dia 11 foi um daqueles dias bem londrinos. Chuva e frio e vento e cinza. Mas foi delicioso. Aa 0h Bobbuxa e Fruquinha pularam em mim. No dia seguinte, primeira supresa do dia, uncle John deixou um presente na porta de casa: um lenco italiano marrrravilhoso e duas barras de chocolate que incrivelmente ainda duram. Em seguida, estava prestes a sair para o trabalho e Fruquinha vem toda molenga de sono com outro presente na mao: um livro pelo qual estava me descabelando. “I am Charlotte Simmons”, nova bomba de Tom Wolfe. Alias, ainda to vendo minha lista de livros 2004 comentada - nao esqueci.
Chego no trabalho e um e outro telefonema, e mensagens no celular, e mensagens no orkut, e e-mails. Aquela delicia. Depois almoco no tailandes com o pessoal do trabalho. E depois presente conjunto do pessoal daqui: um conjunto de xicaras e pires e um frother - fazedor de espuma de leite; nao sei se tem algum nome mais resumido para isso – alem de um par de brincos. Veio todo mundo na minha mesa, me ver ficar vermelha e repetir alucinadamente, cada vez como se fosse a primeira, “oh, thank you guys, thank you so much!”
Saio do trabalho e vou encontrar com meu gatinho, que me deu um DVD e um cartao muuuuito fofo. E chego em casa e fico mais feliz com meu gatinho. Ai chega Fru, e Ernesto, e Bobby. E fomos jantar. E nem foi estranho. Foi bem legal ateh. Dia acabou leve, como eu queria. Foi inteiro bom. Nao foi um mundo girando ao contrario, porque nem eh para ser. Foi um dia normal que diziam ser meu e eu aceitei e aproveitei, apesar de nao acreditar.
**
Novidade buemba, buemba: vou ter que deixar meu lar, doce lar. Sim, Ricky estarah de volta em poucas semanas e teremos que achar algo bax-Tante rapido. Ja comecei a alucinar, como muitos devem saber. Nao paro de pensar, fico mandando zilhoes de e-mails e marcando visitas e montando planilhas no Excel. Mas ha de dar tudo certo. Deus da o frio conforme o cobertor (“e pra esquece nois cantemo assim: saudosa malocaaaa, maloca querida, dindindom di nois passemo dias feliz de nossa vida”).
**
Minhas calcas novas sao lindas. Meu emprego eh curticao pura. Meu gatinho estah gamado e eu curto olhar para ele. Minhas flatmates sao as melhores do mundo. Poderia estar melhor? Desculpem, quando minha vida ta boa fico menos inspirada. Eh assim mesmo.
Chego no trabalho e um e outro telefonema, e mensagens no celular, e mensagens no orkut, e e-mails. Aquela delicia. Depois almoco no tailandes com o pessoal do trabalho. E depois presente conjunto do pessoal daqui: um conjunto de xicaras e pires e um frother - fazedor de espuma de leite; nao sei se tem algum nome mais resumido para isso – alem de um par de brincos. Veio todo mundo na minha mesa, me ver ficar vermelha e repetir alucinadamente, cada vez como se fosse a primeira, “oh, thank you guys, thank you so much!”
Saio do trabalho e vou encontrar com meu gatinho, que me deu um DVD e um cartao muuuuito fofo. E chego em casa e fico mais feliz com meu gatinho. Ai chega Fru, e Ernesto, e Bobby. E fomos jantar. E nem foi estranho. Foi bem legal ateh. Dia acabou leve, como eu queria. Foi inteiro bom. Nao foi um mundo girando ao contrario, porque nem eh para ser. Foi um dia normal que diziam ser meu e eu aceitei e aproveitei, apesar de nao acreditar.
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Novidade buemba, buemba: vou ter que deixar meu lar, doce lar. Sim, Ricky estarah de volta em poucas semanas e teremos que achar algo bax-Tante rapido. Ja comecei a alucinar, como muitos devem saber. Nao paro de pensar, fico mandando zilhoes de e-mails e marcando visitas e montando planilhas no Excel. Mas ha de dar tudo certo. Deus da o frio conforme o cobertor (“e pra esquece nois cantemo assim: saudosa malocaaaa, maloca querida, dindindom di nois passemo dias feliz de nossa vida”).
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Minhas calcas novas sao lindas. Meu emprego eh curticao pura. Meu gatinho estah gamado e eu curto olhar para ele. Minhas flatmates sao as melhores do mundo. Poderia estar melhor? Desculpem, quando minha vida ta boa fico menos inspirada. Eh assim mesmo.
Monday, January 10, 2005
amanha
Eu sei que voces sabem. Eu sei que tudo estah em suspenso ateh amanha. Que todos estao guardando palavras para usa-las de surpresa. Para falar que lembrou, para me deixar feliz. Amanha vai ser o dia de telefonemas inesperados. De almocar com os colegas da empresa e de jantar com as amigas do peito, meu gatinho junto, de terno e gravata porque eu mereco.
Amanha, previsivelmente, vou me surpreender. Com quem eu achava que nao estava nem aih e estah. E com que eu achava que estava aqui comigo e nao estah. Vou rir e tentar nao chorar. Mas sempre que eu tento nao chorar eu considero na verdade que chorei. Apenas as lagrimas escorrem para dentro e a bola na garganta nao se desfaz.
Mas amanha vai ser legal porque nao espero nada de ninguem. Nao espero que seja um dia especial como esperava em todos os outros anos da minha vida. Nao espero mesmo. Engracado isso. Porque a unica diferenca deste para os outros onzes de janeiro eh minha posicao geografica. E de repente esse detalhe mudou tudo. Amanha eh um dia normal, apenas com mais demonstracoes de amor. E eu tentarei really hard focar as lembrancas que aconteceram em vez das que deixaram de acontecer. Porque quando voce estah longe o medo de ser esquecida eh ainda mais forte. E talves por causa desse medo eh que estou tentando fazer de amanha apenas um teco mais que uma data qualquer.
Minha terapeuta reprovaria, mas isso ainda, AINDA, nao mudou. Talvez no proximo eu seja capaz de espernear se nao for como eu quero. Por ora, vai ser nice and easy, para aguentar os tranquinhos.
**
Fim de semana delicioso. Comecou na sexta-feira, com uma conversa deliciosa e necessaria com Frufru antes da minha nadada. Sabado, dia frio porem bonito, fui com Frufru na Oxford Street. A itnencao era comprar agendas 2005, calendario e *artigos desportivos* no Decathlon. No final, comprei uma paulada de calcas sociais porque as minhas 02 estao furadas na coxa esquerda, sabe deus por que. Comprei tambem uma saia e um blaser, paletoh, whatever. Tudo com ajuda de minha assessora de moda, claro. A noite foi bem gostosa tambem. Do Kick Bar, em Old Street, fomos num bar chamado Smiths of Smithfield, em Farringdon. Muito legal. Faria minha festa lah nao fechasse meia-noite e meia.
De la as meninas seguiram ao Fabrik, que eh do lado. Eu fui para casa com meu gatinho. Claro que ateh chegar em casa duas horas se passaram e tivemos que levar a tiracolo tres lesbicas e um negao que ria histericamente, berrava e babava depois de ingerir doses desconhecidas de uma tal de Philosopher’s Stone – algo beeeem melhor que “Magic Mushrooms”, segundo nosso amigo. E no meio da saga, uma das lesbicas agarrou o negao e os dois comecaram a trepar no meio da rua. Mas juro que nao vou entrar em detalhes. Foi deprimente. Para terminar, o onibus estava tao cheio que perdi o ponto. Eu e meu gatinho descemos um ponto depois e eu me revoltei com a maldita bota. Tirei no meio da rua e pisar num chao gelado e sujo unca foi tao reconfortante. Essa eh minha vida. Essas coisas acontecem o tempo todo.
Pelo menos foi bom chegar em casa. Tendeu?
Domingo. Acordamos tarde. Tarde mesmo. Ficamos vendo Alan Partridge. Depois fomos ao cinema. Eu, Fru, Marinella e Caue. Vimos The Corporatio, que eh bem legal, mas comprido demais. Acabei inevitavelmente pestanejando (minha nova mania; eu nao era assim). Acabamos a noite num bar-balada que em minutos me deu sono. Acabou o fim de semana e eu gostei. Fazia tempo que nao era assim, inteiro bom.
Amanha, previsivelmente, vou me surpreender. Com quem eu achava que nao estava nem aih e estah. E com que eu achava que estava aqui comigo e nao estah. Vou rir e tentar nao chorar. Mas sempre que eu tento nao chorar eu considero na verdade que chorei. Apenas as lagrimas escorrem para dentro e a bola na garganta nao se desfaz.
Mas amanha vai ser legal porque nao espero nada de ninguem. Nao espero que seja um dia especial como esperava em todos os outros anos da minha vida. Nao espero mesmo. Engracado isso. Porque a unica diferenca deste para os outros onzes de janeiro eh minha posicao geografica. E de repente esse detalhe mudou tudo. Amanha eh um dia normal, apenas com mais demonstracoes de amor. E eu tentarei really hard focar as lembrancas que aconteceram em vez das que deixaram de acontecer. Porque quando voce estah longe o medo de ser esquecida eh ainda mais forte. E talves por causa desse medo eh que estou tentando fazer de amanha apenas um teco mais que uma data qualquer.
Minha terapeuta reprovaria, mas isso ainda, AINDA, nao mudou. Talvez no proximo eu seja capaz de espernear se nao for como eu quero. Por ora, vai ser nice and easy, para aguentar os tranquinhos.
**
Fim de semana delicioso. Comecou na sexta-feira, com uma conversa deliciosa e necessaria com Frufru antes da minha nadada. Sabado, dia frio porem bonito, fui com Frufru na Oxford Street. A itnencao era comprar agendas 2005, calendario e *artigos desportivos* no Decathlon. No final, comprei uma paulada de calcas sociais porque as minhas 02 estao furadas na coxa esquerda, sabe deus por que. Comprei tambem uma saia e um blaser, paletoh, whatever. Tudo com ajuda de minha assessora de moda, claro. A noite foi bem gostosa tambem. Do Kick Bar, em Old Street, fomos num bar chamado Smiths of Smithfield, em Farringdon. Muito legal. Faria minha festa lah nao fechasse meia-noite e meia.
De la as meninas seguiram ao Fabrik, que eh do lado. Eu fui para casa com meu gatinho. Claro que ateh chegar em casa duas horas se passaram e tivemos que levar a tiracolo tres lesbicas e um negao que ria histericamente, berrava e babava depois de ingerir doses desconhecidas de uma tal de Philosopher’s Stone – algo beeeem melhor que “Magic Mushrooms”, segundo nosso amigo. E no meio da saga, uma das lesbicas agarrou o negao e os dois comecaram a trepar no meio da rua. Mas juro que nao vou entrar em detalhes. Foi deprimente. Para terminar, o onibus estava tao cheio que perdi o ponto. Eu e meu gatinho descemos um ponto depois e eu me revoltei com a maldita bota. Tirei no meio da rua e pisar num chao gelado e sujo unca foi tao reconfortante. Essa eh minha vida. Essas coisas acontecem o tempo todo.
Pelo menos foi bom chegar em casa. Tendeu?
Domingo. Acordamos tarde. Tarde mesmo. Ficamos vendo Alan Partridge. Depois fomos ao cinema. Eu, Fru, Marinella e Caue. Vimos The Corporatio, que eh bem legal, mas comprido demais. Acabei inevitavelmente pestanejando (minha nova mania; eu nao era assim). Acabamos a noite num bar-balada que em minutos me deu sono. Acabou o fim de semana e eu gostei. Fazia tempo que nao era assim, inteiro bom.
Thursday, January 06, 2005
Natal, Paris, tsunami, aumento, ano novo, vida mesma e tudo bem
Demorou, mas voltei. A virada do ano nao foi como as outras, que costumam pesar. Sempre me senti na obrigacao de fazer algo novo quando muda o ano, mas acho que 2004 foi um ano tao alucinado e surreal que me dei ao deleite de quase nao sentir a entrada de 2005. Se eu quero alguma mudanca, a mais radical ha que ser o marasmo.
Mas nao quero marasmo. O Natal foi bom, o ano novo, melhor. Fiquei assustada com o tsunami que abateu o sul da Asia. Ainda mais que eu e as meninas estavamos planejando nossa ida para a Tailandia para daqui a um mes mais ou menos, e nosso roteiro incluiria Pukhet e Phi Phi, duas das areas gravemente afetadas, onde, leu-se, varios turistas morreram ou estao desaparecidos. Meda, panica, horrora.
Sobre Paris, eh o seguinte: fiquei apaixonada pela cidade. Pelas ruas, pelas cores, pelas arvores, pelos predios, pelo cheiro, tudo, tudo. Soh nao me encantei foi com o povo parisiense. Muito pelo contrario. Quis chutar sacos e socar peitos mais que nunca. Nunca vi tanta gente arrogante, grossa, mal humorada e mal comida no mundo. O parisiense definitivamente nao merece a cidade em que mora.
Sou zilhoes de vezes mais Londres.
Mas eh claro que me diverti ateh a tampa. O albergue eh uma bosta? Que bom, mais uma desculpa para sair da cama cedinho e soh voltar mesmo para capotar. Pegamos dias lindos e vi tudo aquilo que esperam que eu veja. O que eu nao vi e esperam que eu veja eu vou fingir que vi porque nao to com saco de ouvir sermaozinho de quem acha que Paris se resume a essa ou aquela atracao, muitas das quais nem tao surpreendentes assim.
O que de melhor tirei da viagem, alem das fotos, foram novas amizades. Os fofos do Dani e do Clayton chegaram para ficar. Eles moram em Londres tambem e foram meus roommates no albergue. A viagem nao teria sido tao encantadora sem esses dois. Eles voltaram para Londres um dia antes de mim e ja fiquei com saudade.
A noite de reveillon, como nao poderia deixar de ser, foi na Champs Elisees. Uma multidao infindavel, comparavel, senao superior, aa multidao do reveillon em Copacabana. E os fogos, apesar de nao tao numerosos, foram dos mais bonitos que ja vi, de uns tipos que realmente emocionaram. Nao tinha como nao gritar. Nao tinha como nao acreditar que um ano estava nascendo e com ele toda uma esperanca meio burrinha, mas nao podemos fazer nada.
***
Ganhei aumento no trabalho, hooray!, mas a responsabilidade tambem aumentou. Ausencias por aqui serao esperadas e antecipadamente justificadas.
***
E as saidas com o gatinho, “aquele”, estao mais assiduas. Nao estou apaixonada, mas estou curtindo muito. Gosto da sinceridade dos ingleses. Cresci em meio aa malandragem do brasileiro e fiquei escaldada demais. Nao vou fazer um ingles pagar as consequencias dos danos causados pelos brasileiros. Vou trata-lo com carinho, dentro do que eu chamo de carinho.
***
Algumas coisas mudandinho no mestrado. Aguardem. Ainda estou esquentando. Inclusive para escrever aqui. Porque mao enferruja, ne?
Mas nao quero marasmo. O Natal foi bom, o ano novo, melhor. Fiquei assustada com o tsunami que abateu o sul da Asia. Ainda mais que eu e as meninas estavamos planejando nossa ida para a Tailandia para daqui a um mes mais ou menos, e nosso roteiro incluiria Pukhet e Phi Phi, duas das areas gravemente afetadas, onde, leu-se, varios turistas morreram ou estao desaparecidos. Meda, panica, horrora.
Sobre Paris, eh o seguinte: fiquei apaixonada pela cidade. Pelas ruas, pelas cores, pelas arvores, pelos predios, pelo cheiro, tudo, tudo. Soh nao me encantei foi com o povo parisiense. Muito pelo contrario. Quis chutar sacos e socar peitos mais que nunca. Nunca vi tanta gente arrogante, grossa, mal humorada e mal comida no mundo. O parisiense definitivamente nao merece a cidade em que mora.
Sou zilhoes de vezes mais Londres.
Mas eh claro que me diverti ateh a tampa. O albergue eh uma bosta? Que bom, mais uma desculpa para sair da cama cedinho e soh voltar mesmo para capotar. Pegamos dias lindos e vi tudo aquilo que esperam que eu veja. O que eu nao vi e esperam que eu veja eu vou fingir que vi porque nao to com saco de ouvir sermaozinho de quem acha que Paris se resume a essa ou aquela atracao, muitas das quais nem tao surpreendentes assim.
O que de melhor tirei da viagem, alem das fotos, foram novas amizades. Os fofos do Dani e do Clayton chegaram para ficar. Eles moram em Londres tambem e foram meus roommates no albergue. A viagem nao teria sido tao encantadora sem esses dois. Eles voltaram para Londres um dia antes de mim e ja fiquei com saudade.
A noite de reveillon, como nao poderia deixar de ser, foi na Champs Elisees. Uma multidao infindavel, comparavel, senao superior, aa multidao do reveillon em Copacabana. E os fogos, apesar de nao tao numerosos, foram dos mais bonitos que ja vi, de uns tipos que realmente emocionaram. Nao tinha como nao gritar. Nao tinha como nao acreditar que um ano estava nascendo e com ele toda uma esperanca meio burrinha, mas nao podemos fazer nada.
***
Ganhei aumento no trabalho, hooray!, mas a responsabilidade tambem aumentou. Ausencias por aqui serao esperadas e antecipadamente justificadas.
***
E as saidas com o gatinho, “aquele”, estao mais assiduas. Nao estou apaixonada, mas estou curtindo muito. Gosto da sinceridade dos ingleses. Cresci em meio aa malandragem do brasileiro e fiquei escaldada demais. Nao vou fazer um ingles pagar as consequencias dos danos causados pelos brasileiros. Vou trata-lo com carinho, dentro do que eu chamo de carinho.
***
Algumas coisas mudandinho no mestrado. Aguardem. Ainda estou esquentando. Inclusive para escrever aqui. Porque mao enferruja, ne?
Friday, December 24, 2004
an approach to happiness
Hoje eh dia de natal em casa com alguns amiguinhos, ainda nao sabemos direito quais. A baderna, na verdade, ja comecou, ao notarmos que convidamos uma galera e nao temos prato, talheres, compos, nada. Amanha vamos todos (eu, Bobby, Fru,.Nickao) pra casa do tio John e dia 26/12 eh o chamado “boxing day”, em que os precos despencam na cidade toda. Dia 26 tb eh dia de arrumar mala pra Paris! Dia 27/12 Grah e Lili chegam do Brasil e no mesmo dia partimos no Eurostar rumo aa Cidade da Luz.
No momento estou no trabalho sem fazer nada pq eh dia 24/12 e as camaras todas obviamente estao fechadas, mas ingles eh metodico pra porra e querem que eu fique. Por mim ta sussa. Estou ganhando para escrever e-mails e conversar com meus coleguinhas. O escritorio estah vazio e eu ganhei uma varinha de condao da Tatyana, a ucraniana que senta ao meu lado. Ela veio com uma fantasia de anjinho e tem um monte de gente de papai noel pelo escritorio. Aqui Natal eh coisa seria. Alguem, por exemplo, deixou uma caixa de tortinhas com uma mensagem: “Please, take one! It’s Xmas!” E eh claro que eu took one.
E em algumas horas estarei de ferias e nem acredito. Minha vida ta muito boa. Muito mesmo. Afora minha tireoide gritando e meu joelho apodrecendo. Tudo sumariamente ignorado ateh minha volta das ferias.
Sobre minha tireoide, acho que vou ter que ver isso quando voltar de Paris… O pior de tudo eh que agora o meu joelho ta fodidamente fodido. Nao sei o que rola. Mas nao to mais vindo aa peh pro trabalho por causa disso!=( Se nao melhorar ateh eu voltar pra Londres, tb vou ter que ver isso. Um saco…
O fofo velho tem ocupado mais espaco na minha cabeca. O fofo novo tem me irritado por sua porteza (capacidade de ser porta), e o lance de ter namorada impressionantemente me brochou. Eu, que sempre me derreto pelos comprometidos. Mas o fofo velho eh fofo demais. Ontem me chega um cartao de natal pelo correio. Todo desajeitado e lindo. Me parece que ALGUEM vai aprender portugues…
Feliz natal para quem eh de natal! Feliz ano novo se eu nao conseguir postar ateh a volta! Espero que os desejos de todos se realizem. Como os meus se realizaram, e estao se realizando, e irao se realizar. Porque eu quero.
No momento estou no trabalho sem fazer nada pq eh dia 24/12 e as camaras todas obviamente estao fechadas, mas ingles eh metodico pra porra e querem que eu fique. Por mim ta sussa. Estou ganhando para escrever e-mails e conversar com meus coleguinhas. O escritorio estah vazio e eu ganhei uma varinha de condao da Tatyana, a ucraniana que senta ao meu lado. Ela veio com uma fantasia de anjinho e tem um monte de gente de papai noel pelo escritorio. Aqui Natal eh coisa seria. Alguem, por exemplo, deixou uma caixa de tortinhas com uma mensagem: “Please, take one! It’s Xmas!” E eh claro que eu took one.
E em algumas horas estarei de ferias e nem acredito. Minha vida ta muito boa. Muito mesmo. Afora minha tireoide gritando e meu joelho apodrecendo. Tudo sumariamente ignorado ateh minha volta das ferias.
Sobre minha tireoide, acho que vou ter que ver isso quando voltar de Paris… O pior de tudo eh que agora o meu joelho ta fodidamente fodido. Nao sei o que rola. Mas nao to mais vindo aa peh pro trabalho por causa disso!=( Se nao melhorar ateh eu voltar pra Londres, tb vou ter que ver isso. Um saco…
O fofo velho tem ocupado mais espaco na minha cabeca. O fofo novo tem me irritado por sua porteza (capacidade de ser porta), e o lance de ter namorada impressionantemente me brochou. Eu, que sempre me derreto pelos comprometidos. Mas o fofo velho eh fofo demais. Ontem me chega um cartao de natal pelo correio. Todo desajeitado e lindo. Me parece que ALGUEM vai aprender portugues…
Feliz natal para quem eh de natal! Feliz ano novo se eu nao conseguir postar ateh a volta! Espero que os desejos de todos se realizem. Como os meus se realizaram, e estao se realizando, e irao se realizar. Porque eu quero.
Tuesday, December 21, 2004
mea maxima culpa
Ta. Dessa vez confesso que exagerei na demora. Nao era para ser assim. Era para eu sempre poder escrever nem que fosse meia duzia de palavras mal-acabadas. O problema eh que nao consigo escrever meia duzia, ainda mais mal-acabada. Comecei a escrever no meu notebook, parei no meio, em breve quero retomar. Mas nao sei se eh publicavel, ainda preciso avaliar.
E nesse pequeno tempo de ausencia tanta, mas taaaanta coisa aconteceu que tenho certeza de que vou deixar para tras detalhes importantes. Esse eh o problema de nao atualizar o blog. Ou voce fica com a consciencia pesada por passar voando sobre assuntos importantes, ou voce fica horas escrevendo um post atualizado e completo que ninguem vai ler porque nao ha saco.
Vou tentar dar um apanhado geral. Finalmente mudei de setor. Agora estou no "big room" e o trabalho no marketing eh bem mais dinamico. Nao vou dizer que encontrei a paixao da minha vida nessa nova funcao, mas eh way better que meu antigo posto. Tenho mais responsabilidade e um ambiente de trabalho mais caloroso, o que ajuda bastante.
Fui aa Christmas Party da empresa e nao me lembro de ter me divertido tanto em Londres. No final, fui dormir na casa de um colega. Eu e mais dois colegas. E o saldo foi: dormi com um mas queria o outro. E o outro, diga-se, eh o dono da casa em que dormi com o um. E o um eh uma graca, um fofo, um querido, eh o gatinho que trabalhava do meu lado. Mas nao. E o novo gatinho trabalha onde? Onde? No marketing. Comigo. Ah, sim, e tem namorada.
E o antigo gatinho passou o fim de semana comigo e eu continuo gostando da presenca dele e tal, e as meninas tambem gostaram dele e a parede tambem gostou dele e as formigas e o sol e a arvore. Foda-se. Eu tambem gostei dele. Gostei. E ainda gosto para uma ou outra, vezenquando.
Fim de semana passado foi mais light. Bobby fogueteira nao parou em casa. Soh deu eu e Frubinha no cinema. Sabado para ver Diario de Bridget Jones 2 (que para espanto geral da blogsofera eu a-do-rei) - alias, se voces prestarem atencao no cenario, a Bridget mora perto da minha casa! Domingo foi a vez de Mala Educacion. Almodovar, neam? Nao preciso comentar. Voces sabem de tudo, tudo.
Depois rodamos atras de DVDs e fiquei estressada numa loja do Soho em que um cara me vendeu um DVD sem o CD dentro e nao queria me devolver o dinheiro. Enfim. Devolveu. Mas fiquei estressada.
Ja nesse fim de semana, aniversario de Frubinha, fizemos as vontades da princesa! Sexta ela me encontrou no Goose do lado do trabalho, onde estava rolando happy hour e despedida do Chris, o gatinho, recem-demitido da empresa.
De la, o Chris foi conosco para casa, onde sinto ser desnecessario entrar em meandros. Acordamos devidamente tarde e resolvemos patinar no gelo. O Chris veio junto. Chegamos na Somerset House e tava lindo, lindo, mas cheio, cheio. Eeeeu desencanei, e voces? Eles todos desencanaram. Ficamos por ali um pouco, vendo a rapaziada se arrebentar no gelo, e fomos para um pub, onde descobri que o problema de coceguinha do Chris pode ser um agravante para eventuais reincidencias. Ele eh pior que minha Piu. Da uns pulos, sofre mesmo, coitado. E ja tinha notado isso em situacoes de timbre mais intimo.
Saimos do pub com uma festa para ir em Hackney. Obviamente eu ja nao tinha mais necessidade de sair novamente. Bodeei. As meninas foram e voltaram cinco minutos depois. Bodearam no meio do caminho, chegando no metro.
Sabado tomando cha e falando merda. Poderia ser melhor? Domingo fui nadar, depois passeamos no outro lado do Tamisa (oposto ao lado em que moro) e sentamos para um cafezinho cl-cl*. Na volta paramos no mercado e comemoramos o niver da Fru em grande estilo: estrogonofe de camarao feito por Bobbynha. Saimos de casa atrasaderrimas para a comemoracao do niver da Fru no Oneill's, no Soho. A banda do Kiko, amigo da Bobby, estava tocando. Foi bem legal. Mas fiquei pouco porque dia seguinte seria recomeco do batente e eh foda. Foi foda de qualquer jeito, mas ca estou. Contando os dias para minha ida a Paris. Faltam cinco.
*cl-cl = manifestacao de necessidade e/ou vontade de demonstrar simplicidade com coisas caras.
E nesse pequeno tempo de ausencia tanta, mas taaaanta coisa aconteceu que tenho certeza de que vou deixar para tras detalhes importantes. Esse eh o problema de nao atualizar o blog. Ou voce fica com a consciencia pesada por passar voando sobre assuntos importantes, ou voce fica horas escrevendo um post atualizado e completo que ninguem vai ler porque nao ha saco.
Vou tentar dar um apanhado geral. Finalmente mudei de setor. Agora estou no "big room" e o trabalho no marketing eh bem mais dinamico. Nao vou dizer que encontrei a paixao da minha vida nessa nova funcao, mas eh way better que meu antigo posto. Tenho mais responsabilidade e um ambiente de trabalho mais caloroso, o que ajuda bastante.
Fui aa Christmas Party da empresa e nao me lembro de ter me divertido tanto em Londres. No final, fui dormir na casa de um colega. Eu e mais dois colegas. E o saldo foi: dormi com um mas queria o outro. E o outro, diga-se, eh o dono da casa em que dormi com o um. E o um eh uma graca, um fofo, um querido, eh o gatinho que trabalhava do meu lado. Mas nao. E o novo gatinho trabalha onde? Onde? No marketing. Comigo. Ah, sim, e tem namorada.
E o antigo gatinho passou o fim de semana comigo e eu continuo gostando da presenca dele e tal, e as meninas tambem gostaram dele e a parede tambem gostou dele e as formigas e o sol e a arvore. Foda-se. Eu tambem gostei dele. Gostei. E ainda gosto para uma ou outra, vezenquando.
Fim de semana passado foi mais light. Bobby fogueteira nao parou em casa. Soh deu eu e Frubinha no cinema. Sabado para ver Diario de Bridget Jones 2 (que para espanto geral da blogsofera eu a-do-rei) - alias, se voces prestarem atencao no cenario, a Bridget mora perto da minha casa! Domingo foi a vez de Mala Educacion. Almodovar, neam? Nao preciso comentar. Voces sabem de tudo, tudo.
Depois rodamos atras de DVDs e fiquei estressada numa loja do Soho em que um cara me vendeu um DVD sem o CD dentro e nao queria me devolver o dinheiro. Enfim. Devolveu. Mas fiquei estressada.
Ja nesse fim de semana, aniversario de Frubinha, fizemos as vontades da princesa! Sexta ela me encontrou no Goose do lado do trabalho, onde estava rolando happy hour e despedida do Chris, o gatinho, recem-demitido da empresa.
De la, o Chris foi conosco para casa, onde sinto ser desnecessario entrar em meandros. Acordamos devidamente tarde e resolvemos patinar no gelo. O Chris veio junto. Chegamos na Somerset House e tava lindo, lindo, mas cheio, cheio. Eeeeu desencanei, e voces? Eles todos desencanaram. Ficamos por ali um pouco, vendo a rapaziada se arrebentar no gelo, e fomos para um pub, onde descobri que o problema de coceguinha do Chris pode ser um agravante para eventuais reincidencias. Ele eh pior que minha Piu. Da uns pulos, sofre mesmo, coitado. E ja tinha notado isso em situacoes de timbre mais intimo.
Saimos do pub com uma festa para ir em Hackney. Obviamente eu ja nao tinha mais necessidade de sair novamente. Bodeei. As meninas foram e voltaram cinco minutos depois. Bodearam no meio do caminho, chegando no metro.
Sabado tomando cha e falando merda. Poderia ser melhor? Domingo fui nadar, depois passeamos no outro lado do Tamisa (oposto ao lado em que moro) e sentamos para um cafezinho cl-cl*. Na volta paramos no mercado e comemoramos o niver da Fru em grande estilo: estrogonofe de camarao feito por Bobbynha. Saimos de casa atrasaderrimas para a comemoracao do niver da Fru no Oneill's, no Soho. A banda do Kiko, amigo da Bobby, estava tocando. Foi bem legal. Mas fiquei pouco porque dia seguinte seria recomeco do batente e eh foda. Foi foda de qualquer jeito, mas ca estou. Contando os dias para minha ida a Paris. Faltam cinco.
*cl-cl = manifestacao de necessidade e/ou vontade de demonstrar simplicidade com coisas caras.
Thursday, December 09, 2004
uma casa muuuito engracada
Aih, mano, a casa caiu. Na verdade estah caindo. Aos poucos. Acho que o dono da casa conseguiu economizar bastaaaante dinheiro quando resolveu reforma-la. Aos poucos tudo estah quebrando.
Primeiro foi o exaustor. Do dia para a noite ele resolveu simplesmente nao ligar mais. E como a cozinha eh americana voces imaginam que nao eh exatamente agradavel o cheiro de comida empesteando a casa toda.
Depois caiu a porta de um dos armarios da cozinha. Por sinal na minha mao. Fui abrir e, poft, caiu. Ha quem me chame de Monica, mas a culpa nao foi minha. A porta ja estava podre e eu so fui a infeliz vetora do incidente.
E tem os copos que quebram quando os estamos lavando, talheres que desmontam, abridor de garrafa que quebra bem no nosso housewarming, e a porcaria do abridor de latas que eh cheio dos nheco-nhecos e, abrir a lata que eh bom, claro que nao.
Nossa maquina de lavar roupa eh brasileira. Ela samba. Samba e vai andando para frente. Juro. Ateh que uma hora nao da para fechar a portinha (porque ela fica dentro de um armario) e eh aquela palhacada para conseguir empurrar a Globeleza de volta. Mas adotei a tecnica que minha irma adota para empurrar a escrivaninha dela. Bunda no chao e coice na sambista. Funciona. Mas irrita.
Maquina de lavar prato? Ahn? O que seria? Desencanamos dela faz teeempo. Talvez porque uncle John nos disse que gastariamos uns £70 com o conserto. Talvez porque o homem para quem ligamos nao retornou mais. Talvez porque a maquina gasta muita agua e energia. Talvez pela somatoria de tudo.
Uma de nossas DUAS janelas emperrou. Depois conseguimos dar um jeito, jeitinho, neam? Mas neguinho tem que pensar bastante se ha necessidade de mexer nela.
As lampadas, uma a uma, estao queimando. Numa velocidade comemoravel para a industria. Sao daquelas luzes caras. Acho que menos da metade esta acendendo no momento. Pelo menos economizamos energia. Eh triste.
Tem tambem o aquecedor que fica perto do nosso (meu e da Bobby) quarto. Voce tem que mima-lo, apertar varias vezes um botao, tentar de jeitos diferentes, ateh ele resolver ligar.
A TV ta la soh para DVD mesmo, porque o cabo da antena coletiva estah meio podre e nenhum dos 04 canais pega direito.
Ah! Tem tambem a geladeira e o freezer, que apita quando ficamos mais de x segundos com a porta aberta. Eh um metodo de economizar, claro, ja que quando esquecemos a portinhola aberta soa um alarme (tipo um passarinho histerico). O problema eh que a "tolerancia" eh bem baixa. Muitas vezes a gavetinha do freezer emperra e nao da tempo de desemperrar antes dos apitos.
E tem o sofa tambem, do qual tem saido um cano preto pela (des)costura honestamente indecifravel para minha cabeca loira.
Por fim, o chao do banheiro eh bem dodgy. Varios barulhos estranhos apontam que dentro de poucas semanas todos cairemos num poco sem fim. Alice no pais das porcarias.
Eh engracado. Sei que vou lembrar de outros detalhes do genero depois. Eu realmente acredito que a casa estah aos poucos se desfazendo. Um metodo sutil e ingles de nos expulsar de seus ares. Mas, quer saber? Precisa de muito mais. Adoro essas idiossincrasias inanimadas. A casa nao sabe eh que nos somos brasileiras. Nos apegamos facilmente e, apesar de nao consertarmos nada, remendamos tudo. Ateh quando cair de vez.
Primeiro foi o exaustor. Do dia para a noite ele resolveu simplesmente nao ligar mais. E como a cozinha eh americana voces imaginam que nao eh exatamente agradavel o cheiro de comida empesteando a casa toda.
Depois caiu a porta de um dos armarios da cozinha. Por sinal na minha mao. Fui abrir e, poft, caiu. Ha quem me chame de Monica, mas a culpa nao foi minha. A porta ja estava podre e eu so fui a infeliz vetora do incidente.
E tem os copos que quebram quando os estamos lavando, talheres que desmontam, abridor de garrafa que quebra bem no nosso housewarming, e a porcaria do abridor de latas que eh cheio dos nheco-nhecos e, abrir a lata que eh bom, claro que nao.
Nossa maquina de lavar roupa eh brasileira. Ela samba. Samba e vai andando para frente. Juro. Ateh que uma hora nao da para fechar a portinha (porque ela fica dentro de um armario) e eh aquela palhacada para conseguir empurrar a Globeleza de volta. Mas adotei a tecnica que minha irma adota para empurrar a escrivaninha dela. Bunda no chao e coice na sambista. Funciona. Mas irrita.
Maquina de lavar prato? Ahn? O que seria? Desencanamos dela faz teeempo. Talvez porque uncle John nos disse que gastariamos uns £70 com o conserto. Talvez porque o homem para quem ligamos nao retornou mais. Talvez porque a maquina gasta muita agua e energia. Talvez pela somatoria de tudo.
Uma de nossas DUAS janelas emperrou. Depois conseguimos dar um jeito, jeitinho, neam? Mas neguinho tem que pensar bastante se ha necessidade de mexer nela.
As lampadas, uma a uma, estao queimando. Numa velocidade comemoravel para a industria. Sao daquelas luzes caras. Acho que menos da metade esta acendendo no momento. Pelo menos economizamos energia. Eh triste.
Tem tambem o aquecedor que fica perto do nosso (meu e da Bobby) quarto. Voce tem que mima-lo, apertar varias vezes um botao, tentar de jeitos diferentes, ateh ele resolver ligar.
A TV ta la soh para DVD mesmo, porque o cabo da antena coletiva estah meio podre e nenhum dos 04 canais pega direito.
Ah! Tem tambem a geladeira e o freezer, que apita quando ficamos mais de x segundos com a porta aberta. Eh um metodo de economizar, claro, ja que quando esquecemos a portinhola aberta soa um alarme (tipo um passarinho histerico). O problema eh que a "tolerancia" eh bem baixa. Muitas vezes a gavetinha do freezer emperra e nao da tempo de desemperrar antes dos apitos.
E tem o sofa tambem, do qual tem saido um cano preto pela (des)costura honestamente indecifravel para minha cabeca loira.
Por fim, o chao do banheiro eh bem dodgy. Varios barulhos estranhos apontam que dentro de poucas semanas todos cairemos num poco sem fim. Alice no pais das porcarias.
Eh engracado. Sei que vou lembrar de outros detalhes do genero depois. Eu realmente acredito que a casa estah aos poucos se desfazendo. Um metodo sutil e ingles de nos expulsar de seus ares. Mas, quer saber? Precisa de muito mais. Adoro essas idiossincrasias inanimadas. A casa nao sabe eh que nos somos brasileiras. Nos apegamos facilmente e, apesar de nao consertarmos nada, remendamos tudo. Ateh quando cair de vez.
Wednesday, December 08, 2004
meio ano
Essa noite sonhei com minha irma. Ela vinha para ca de surpresa e eu nao desagarrava dela. Percebam que nao foi tanto um sonho quanto uma profecia. Vai ser exatamente assim. La vinha e eu e ela dividiamos a mesma cama de solteiro, e a Bobby estava no quarto tambem e apesar do aperto eu estava incontornavelmente feliz. Vai ser assim quando ela chegar. Soh mais um pouquinho. Seis ou sete meses.
E ja estou na marca dos seis meses. Seis meses que vos deixei (aos que estao longe, claro). Engracado que me bateu uma nostalgia diferente. Nostalgia do meu primeiro mes aqui, que foi doloroso pela saudade, mas encantador por todos os outros fatores que voces devem ter acompanhado no comeco deste blog. Inclusive, comecei a por umas fotos antigas, dos primeiros meses, no meu fotoblog.
Mas que venham os proximos seis.
Albergue reservado em Paris. Falta apenas comprar as passagens de trem, o que farei neste fim de semana. Passarei o reveillon na em grande estilo com as queridas Lili e Grah, do dia 27/12 ao dia 3/1. Depois volto aa labuta, se deus quiser.
Dias frios e calmos por aqui. Hoje minha chefe anuncou a “demisao em massa” de todos os meus coleguinhas que nao tiveram a mesma sorte que eu. Fiquei triste por um ou dois. O resto era vagabundo mesmo. Verdade. To pra ver povo mais enrolador que os britanicos. Conhecem todos os sites de inutilidades do mundo, buscam deus e o mundo no Google (um veio perguntar o que eh “Observatory da Impress”, ou seja, o filhadaputa ficou me googleando), qualquer pretexto engatam numa conversa profunda acerca de assuntos realmente vazios. O resultado esta ai. Nao sei se sou energica demais, mas no lugar de minha chefe, muita gente ja teria perigado nessa empresa.
**
Cortar o cabelo virou questao elementar de sobrevivencia. Seis meses de madeixas intactas me deixou com uma mistura de cabelos ridicula. Vou tentar apenas cortar. Se ficar muito PAM, faco relaxamento. Mas estou querendo deixa-lo crescer au naturel. Vai que meu cabelo mudou e eu nem percebi?
Ah! Comprei uma QUE SAI NA AGUA tinta preta. A ordem invertida da frase foi proposital, para babae e babai nao morrerem do coracao. Eh uma bisnaguinha para pintar o cabelo e que sai na primeira lavada. Quero soh ver como fico de cabelo bem escuro. Se ficar legal, estou pensando em pintar. Nao de preto, mas de castanho escuro. Pode ficar interessante.
**
Ontem fui nadar. Ao sair de casa, falei para a Fru: “vou dar uma soltadinha, coisa pouca, volto em uma hora”. Acontece que cheguei na piscina e tinha um mano se achando. Todo musculoso, altao, dando virada olimpica. E uma vez competidora, sempre competidora. Nao aguentei. Tive que humilhar a crianca. Ah, lado negro que nao me deixa. Por que humilhar o guri na frente dos amigos? Nao adianta, nao me contenho. E ontem na piscina tambem achei um brinco liiindo no vestiario. Logicamente me pus a procurar desesperadamente pelo outro par. Revistei todas as cabininhas e nada. EU ja via a pedrinha azul brilhando na minha orelha. Mas nao achei. Cheguei na recepcao e, com a cara mais santa do mundo, entreguei o brinco: “someone might come looking for it…” A recepcionista agradeceu e me admirou. E eu fiz cara de admiravel. Sou uma vaca brasileira, mesmo.
**
Coracao vazio eh uma merda. Alguem num raio de 50km para ocupar a vaga?
E ja estou na marca dos seis meses. Seis meses que vos deixei (aos que estao longe, claro). Engracado que me bateu uma nostalgia diferente. Nostalgia do meu primeiro mes aqui, que foi doloroso pela saudade, mas encantador por todos os outros fatores que voces devem ter acompanhado no comeco deste blog. Inclusive, comecei a por umas fotos antigas, dos primeiros meses, no meu fotoblog.
Mas que venham os proximos seis.
Albergue reservado em Paris. Falta apenas comprar as passagens de trem, o que farei neste fim de semana. Passarei o reveillon na em grande estilo com as queridas Lili e Grah, do dia 27/12 ao dia 3/1. Depois volto aa labuta, se deus quiser.
Dias frios e calmos por aqui. Hoje minha chefe anuncou a “demisao em massa” de todos os meus coleguinhas que nao tiveram a mesma sorte que eu. Fiquei triste por um ou dois. O resto era vagabundo mesmo. Verdade. To pra ver povo mais enrolador que os britanicos. Conhecem todos os sites de inutilidades do mundo, buscam deus e o mundo no Google (um veio perguntar o que eh “Observatory da Impress”, ou seja, o filhadaputa ficou me googleando), qualquer pretexto engatam numa conversa profunda acerca de assuntos realmente vazios. O resultado esta ai. Nao sei se sou energica demais, mas no lugar de minha chefe, muita gente ja teria perigado nessa empresa.
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Cortar o cabelo virou questao elementar de sobrevivencia. Seis meses de madeixas intactas me deixou com uma mistura de cabelos ridicula. Vou tentar apenas cortar. Se ficar muito PAM, faco relaxamento. Mas estou querendo deixa-lo crescer au naturel. Vai que meu cabelo mudou e eu nem percebi?
Ah! Comprei uma QUE SAI NA AGUA tinta preta. A ordem invertida da frase foi proposital, para babae e babai nao morrerem do coracao. Eh uma bisnaguinha para pintar o cabelo e que sai na primeira lavada. Quero soh ver como fico de cabelo bem escuro. Se ficar legal, estou pensando em pintar. Nao de preto, mas de castanho escuro. Pode ficar interessante.
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Ontem fui nadar. Ao sair de casa, falei para a Fru: “vou dar uma soltadinha, coisa pouca, volto em uma hora”. Acontece que cheguei na piscina e tinha um mano se achando. Todo musculoso, altao, dando virada olimpica. E uma vez competidora, sempre competidora. Nao aguentei. Tive que humilhar a crianca. Ah, lado negro que nao me deixa. Por que humilhar o guri na frente dos amigos? Nao adianta, nao me contenho. E ontem na piscina tambem achei um brinco liiindo no vestiario. Logicamente me pus a procurar desesperadamente pelo outro par. Revistei todas as cabininhas e nada. EU ja via a pedrinha azul brilhando na minha orelha. Mas nao achei. Cheguei na recepcao e, com a cara mais santa do mundo, entreguei o brinco: “someone might come looking for it…” A recepcionista agradeceu e me admirou. E eu fiz cara de admiravel. Sou uma vaca brasileira, mesmo.
**
Coracao vazio eh uma merda. Alguem num raio de 50km para ocupar a vaga?
Saturday, December 04, 2004
ou pra que eh que serve uma cancao como essa?
Nao ha antidepressivo que resista a Adriana Calcanhotto. Mas, serio, eh uma coisa assim simples e poetica. Nao eh aquela depre devastadora. Eh a do tipo inspirador. Estou aqui ouvindo que nada mais importa, nem mesmo os poetas, depois de ter voce. E de repente perdi a urgencia de fazer tudo na hora certa e como manda a boa conduta. Entao eh isso. Aquela depre leve e ideal para nao levar a serio nada que seja tao pequeno que caiba num dia. Uma depre saudavel e necessaria.
Estou aqui de maio esperando a hora em que finalmente vou me convencer de que nao vai dar tempo de nadar antes de ir para East Dulwich, onde vou ver uma casa para a Graca e a Lili morarem. Depois disso devo encontrar a Eri e rolarah um cafezinho necessario, provavelmente em Portobello. Depois eu nao sei, mas tem muitas coisas que quero fazer. Quero lavar minha calca social e COLA-LA (sim, isso, nao sei costurar, todas elas estouraram na b****a, aquela maravilha, e comprei um negocio perfeito, que eh tipo uma cola para roupas descosturadas, e preciso faze-lo urgentemente porque o traje da festa de natal da companhia eh esporte fino. "Smart" como eles chamam). Amanha talvez role um almoco brasileiro com um pessoal. Don't know yet. feijoada nao eh muito minha praia.
E escrevi um pouco ontem. Nao tanto quanto queria, nem do jeito que queria. Desenferrujar-me-ei. Aguardem.
Estou aqui de maio esperando a hora em que finalmente vou me convencer de que nao vai dar tempo de nadar antes de ir para East Dulwich, onde vou ver uma casa para a Graca e a Lili morarem. Depois disso devo encontrar a Eri e rolarah um cafezinho necessario, provavelmente em Portobello. Depois eu nao sei, mas tem muitas coisas que quero fazer. Quero lavar minha calca social e COLA-LA (sim, isso, nao sei costurar, todas elas estouraram na b****a, aquela maravilha, e comprei um negocio perfeito, que eh tipo uma cola para roupas descosturadas, e preciso faze-lo urgentemente porque o traje da festa de natal da companhia eh esporte fino. "Smart" como eles chamam). Amanha talvez role um almoco brasileiro com um pessoal. Don't know yet. feijoada nao eh muito minha praia.
E escrevi um pouco ontem. Nao tanto quanto queria, nem do jeito que queria. Desenferrujar-me-ei. Aguardem.
Friday, December 03, 2004
fast as you can
Continuo um tanto quanto fodida, sem tempo, mal paga (ta, nem tanto). Mas preciso contar para voces que ganhei, sim, ganhei, £150 (mais de $700) porque meu Yearbook na empresa foi considerado o segundo melhor. Isso porque a terceira colocada foi a filha da minha chefe. Ceeerto. 150 pilas que vao para a caixinha. Provavelmente pagam minha viagem de fim de ano que finalmente se definiu: Paris. Vou encontrar com a Grah e a Lili na cidade da luz (porque chavao eh bom e eu gosto). Vou. Quer dizer, primeiro o albergue tem que me responder o e-mail. Tem que ver se ainda ha lugar. Se nao tiver? Nao sei. Talvez acabe indo para a Madeira sozinha. Talvez va para algum outro lugar que me de na telha. Uma coisa eh certa: aqui eu nao fico. Porque trabalhei muito pesado nos ultimos meses para nao me dar o deleite de viajar.
Ultimamente ando nostalgica. Reli uns textos que escrevi e nem lembrava. Reli e-mails que recebia logo que cheguei aqui e eles eram lindos. Nao que agora nao estejam mais. Mas eles tinham um desespero bonito. Aquele desespero do nao poder tocar mas poder sentir. E a necessidade de sentir ja que nao da para tocar. E isso vinha de todos os lados. Com o tempo isso foi minguando e, como eh natural, apenas as pessoas que realmente importam permanecem em contato constante, quase diario. Mas agora eh que eu percebi que nao sao soh as pessoas que importam que sao importantes. As superfluas tambem sao fundamentais. Ou para onde vou olhar quando muito disso aqui nao fizer mais sentido? Para o superfluo. Muito do que eu lembro eh superfluo.
Aiai. Ta foda. Hoje eh sexta-feira e nao tenho perspectivas de fazer nada alem de ir para casa e ler e escrever muito, muito. Aquela loucura de se encharcar de suor. Palavras suadas. Mas agora estou no trabalho e tenho que segurar, segurar, segurar.
Outro dia eu volto.
Ultimamente ando nostalgica. Reli uns textos que escrevi e nem lembrava. Reli e-mails que recebia logo que cheguei aqui e eles eram lindos. Nao que agora nao estejam mais. Mas eles tinham um desespero bonito. Aquele desespero do nao poder tocar mas poder sentir. E a necessidade de sentir ja que nao da para tocar. E isso vinha de todos os lados. Com o tempo isso foi minguando e, como eh natural, apenas as pessoas que realmente importam permanecem em contato constante, quase diario. Mas agora eh que eu percebi que nao sao soh as pessoas que importam que sao importantes. As superfluas tambem sao fundamentais. Ou para onde vou olhar quando muito disso aqui nao fizer mais sentido? Para o superfluo. Muito do que eu lembro eh superfluo.
Aiai. Ta foda. Hoje eh sexta-feira e nao tenho perspectivas de fazer nada alem de ir para casa e ler e escrever muito, muito. Aquela loucura de se encharcar de suor. Palavras suadas. Mas agora estou no trabalho e tenho que segurar, segurar, segurar.
Outro dia eu volto.
o eterno retorno
KKK
01.12.2004 Escolas separadas serão providenciadas para crianças brancas e de cor, e nenhuma criança de qualquer cor poderá freqüentar uma escola destinada à outra raça.
O artigo faz parte da Constituição do Alabama. É meramente simbólico, já que faz 50 anos que é Washington considerou a segregação inconstitucional em todo o país.
Agora em novembro, foi promovido um plebiscito para abolir este e outros trechos que remetiam ao passado racista.
O povo de Alabama votou para manter o texto como está. Foi quase empate, por um fio que não foram tirados os parágrafos. Mas ficou tudo igual. via Meme first.
Peguei a noticia no weblog do no minimo.
Afinal, Nietzsche estava correto.
01.12.2004 Escolas separadas serão providenciadas para crianças brancas e de cor, e nenhuma criança de qualquer cor poderá freqüentar uma escola destinada à outra raça.
O artigo faz parte da Constituição do Alabama. É meramente simbólico, já que faz 50 anos que é Washington considerou a segregação inconstitucional em todo o país.
Agora em novembro, foi promovido um plebiscito para abolir este e outros trechos que remetiam ao passado racista.
O povo de Alabama votou para manter o texto como está. Foi quase empate, por um fio que não foram tirados os parágrafos. Mas ficou tudo igual. via Meme first.
Peguei a noticia no weblog do no minimo.
Afinal, Nietzsche estava correto.
Tuesday, November 30, 2004
bright mind
E aqui estou novamente, ainda arrotando o almoco e escrevendo freneticamente para aproveitar os 22 minutos que me faltam para voltar aa enxada. Voces que me conhecem sabe o quanto me irrita nao poder extravasar minhas palavras. Mas, sim, estou escrevendo e devo aproveitar o tempo porque agora ja faltam apenas 21 minutos.
O fim de semana em Brighton foi delicioso. Quase perfeito. Aqula casinha lindamente simples e empoeirada, em Ovingdean, chega a me emocionar. Tantas historias, cada cantinho da casa parece ter seus segredos, omitidos naquela sabedoria serena dos idosos. Aquele sorriso meigo e sabio, que esconde algo e que deixa escondido mesmo, porque eh assim que tem que ser.
Pudera, faz 30 anos que aquela casa pertence ao tio Hans, meu tio avo, que comemorou ontem 94 aninhos. A plenos pulmoes, porque ele apagou a vela e eu vi. E com uma cabeca impressionante. Todas as condecoracoes e premios que ele ja ganhou na vida ainda sao insuficientes para refletir o brilho vivido que ele traz nos olhos. O brilho de quem aproveitou cada segundo desses 94 anos para realmente mudar alguma coisa. O brilho transparente dos que fazem, nao dos que fingem. Os que fingem, essa grande maioria na qual me incluo, nunca trarao esse brilho tao verdadeiro nos olhos. Brilho de vitoria independentemente do quao reconhecida pelos outros ela foi. Tio Hans foi um desses. Chairman da ONU, uma paulada de livros publicados sobre economia em paises subdesenvolvidos (quando falar em "paises subdesenvolvidos" nao era o pecado moral que eh hoje), morou em paises estapafurdios (dois anos na Etiopia, just to mention one), indicacao ao Nobel da Economia... Ah, claro, tambem foi condecorado pela rainha e eh Sir aqui.
E a casa dele cisma em sustentar um ar de que o que realmente importou estah alem disso tudo. De que isso foi consequencia apenas de uma mente bem-usadamente brilhante. Porque de nada adianta apenas o brilho se ele for pro lado errado.
Depois de um sabado perfeito ao lado dos queridos Nickao e Frufru, em que passeamos na praia, fomos para o pier, almocamos fish & chips, visitamos o Pavilion (casa de praia da familia real ridiculamente grande e rica e intimidadora e bela e brega) e terminamos num bom e velho pub, o domingo foi aquele dia familia. Acordei cedo, fiquei preenchendo o rascunho do meu application form para o mestrado, e logo chegou Elaine, a senhoura simpatica que ateh hoje nao sei bem o que faz. Ela eh uma especie de empregada-agragada da familia.
Ela trouxe um batalhao de coisas, faixa de Happy Birthday, bolo enfeitado, velas etc. Mais adiante chegou o tio Hans com a Odile, viuva do filho do tio Hans. O velhinho veio segurando sua bengala, de chapeuzinho, bem devagar, olhando para o topo da escada de vez em quando, onde eu o esperava para dar um abraco. Naquela hora vi meu avo. A mesma expressao, o mesmo chapeu, ateh a mesma bengala. Tudo igual ("mas ele eh mais bonito", diria meu avo).
Mais adiante chegaram Lucia e Joanna, uma surpresa deliciosa. Sao netas do tio Hans; logo, minhas primas em algum grau. Eu achei que nao me daria muito bem com elas, nem sei bem porque. Aquelas coisas de crianca que vai conhecer amiguinho novo e fica ressabiado. Elas sao uns amores, e ja combinamos de montar um time de triatlo. O Singer Team. Eu nado, Jo pedala e Lucia corre. Elas sao assim tipo eu, gostam dessas doideiras. A Lucia, por exemplo, passou dois anos viajando o mundo de bicicleta, desde Paquistao, Turquia, India, Nova Zelandia, ateh coast-to-coast nos EUA. E a Jo decidiu que vai ser courrier. Ha dez anos ela pedala entregando encomendas em Londres. E ama. As duas ja correram maratona juntas vestidas de nao-entendi-o-que, mas pareceu engracado. Foram expulsas e soh puderam voltar a competir agora.
Uma familia normal.
Foi uma delicia me sentir mais perto de outro lado da familia tambem. Ateh agora, meu contato havia sido quase todo com o lado Blandy. Aos poucos vou descobrindo o quanto o lado Singer eh forte em mim. De alguma forma, em alguma sombra do olhar, achei que pareco um pouco com a Lucia. Foi estranho.
Mas a ideia do Singer Team brilha. Vamos levar adiante.
O almoco estava delicioso. Soh verduras e paes, porque Jo e Lucia sao vegan.
Depois muito, muito papo. Em parte regado pelo delicioso vinho do porto Blandy, de que tive de bebericar um teco, afinal estavamos celebrando e eu havia trazido o vinho. Tudo devidamente registrado nesta fotinha de Frufru.
E eu sei que tinha muita coisa acontecendo no mundo naquela hora. Mas para mim, eu estava satisfeita em pensar que era soh aquilo mesmo. Serenidade. Fim de semana revigorante para enfrentar mais uma semana pauleira.
**
Ai, mais dois minutos.
**
Pena que logo na segunda-feira, ontem mesmo, sofri uma decepcao. Daquelas pequenas e grandes ao mesmo tempo. Aquelas little things that kill. Mas xaprala. Ninguem mandou nascer sensivel e atravessar pessoas com o olhar e compreender o que eu nunca deveria precisar saber.
**
Reveillon possivelmente mudando de rumos. Vamos ver. Essa historia ta comecando a me encher a paciencia. Capaz de pegar minha trouxa e ir sozinha para onde bem entender. E voces sabem que eu me divertiria, nao sabem?
**
Acabou. Triiiiimmmmmmm, fim de recreio.
O fim de semana em Brighton foi delicioso. Quase perfeito. Aqula casinha lindamente simples e empoeirada, em Ovingdean, chega a me emocionar. Tantas historias, cada cantinho da casa parece ter seus segredos, omitidos naquela sabedoria serena dos idosos. Aquele sorriso meigo e sabio, que esconde algo e que deixa escondido mesmo, porque eh assim que tem que ser.
Pudera, faz 30 anos que aquela casa pertence ao tio Hans, meu tio avo, que comemorou ontem 94 aninhos. A plenos pulmoes, porque ele apagou a vela e eu vi. E com uma cabeca impressionante. Todas as condecoracoes e premios que ele ja ganhou na vida ainda sao insuficientes para refletir o brilho vivido que ele traz nos olhos. O brilho de quem aproveitou cada segundo desses 94 anos para realmente mudar alguma coisa. O brilho transparente dos que fazem, nao dos que fingem. Os que fingem, essa grande maioria na qual me incluo, nunca trarao esse brilho tao verdadeiro nos olhos. Brilho de vitoria independentemente do quao reconhecida pelos outros ela foi. Tio Hans foi um desses. Chairman da ONU, uma paulada de livros publicados sobre economia em paises subdesenvolvidos (quando falar em "paises subdesenvolvidos" nao era o pecado moral que eh hoje), morou em paises estapafurdios (dois anos na Etiopia, just to mention one), indicacao ao Nobel da Economia... Ah, claro, tambem foi condecorado pela rainha e eh Sir aqui.
E a casa dele cisma em sustentar um ar de que o que realmente importou estah alem disso tudo. De que isso foi consequencia apenas de uma mente bem-usadamente brilhante. Porque de nada adianta apenas o brilho se ele for pro lado errado.
Depois de um sabado perfeito ao lado dos queridos Nickao e Frufru, em que passeamos na praia, fomos para o pier, almocamos fish & chips, visitamos o Pavilion (casa de praia da familia real ridiculamente grande e rica e intimidadora e bela e brega) e terminamos num bom e velho pub, o domingo foi aquele dia familia. Acordei cedo, fiquei preenchendo o rascunho do meu application form para o mestrado, e logo chegou Elaine, a senhoura simpatica que ateh hoje nao sei bem o que faz. Ela eh uma especie de empregada-agragada da familia.
Ela trouxe um batalhao de coisas, faixa de Happy Birthday, bolo enfeitado, velas etc. Mais adiante chegou o tio Hans com a Odile, viuva do filho do tio Hans. O velhinho veio segurando sua bengala, de chapeuzinho, bem devagar, olhando para o topo da escada de vez em quando, onde eu o esperava para dar um abraco. Naquela hora vi meu avo. A mesma expressao, o mesmo chapeu, ateh a mesma bengala. Tudo igual ("mas ele eh mais bonito", diria meu avo).
Mais adiante chegaram Lucia e Joanna, uma surpresa deliciosa. Sao netas do tio Hans; logo, minhas primas em algum grau. Eu achei que nao me daria muito bem com elas, nem sei bem porque. Aquelas coisas de crianca que vai conhecer amiguinho novo e fica ressabiado. Elas sao uns amores, e ja combinamos de montar um time de triatlo. O Singer Team. Eu nado, Jo pedala e Lucia corre. Elas sao assim tipo eu, gostam dessas doideiras. A Lucia, por exemplo, passou dois anos viajando o mundo de bicicleta, desde Paquistao, Turquia, India, Nova Zelandia, ateh coast-to-coast nos EUA. E a Jo decidiu que vai ser courrier. Ha dez anos ela pedala entregando encomendas em Londres. E ama. As duas ja correram maratona juntas vestidas de nao-entendi-o-que, mas pareceu engracado. Foram expulsas e soh puderam voltar a competir agora.
Uma familia normal.
Foi uma delicia me sentir mais perto de outro lado da familia tambem. Ateh agora, meu contato havia sido quase todo com o lado Blandy. Aos poucos vou descobrindo o quanto o lado Singer eh forte em mim. De alguma forma, em alguma sombra do olhar, achei que pareco um pouco com a Lucia. Foi estranho.
Mas a ideia do Singer Team brilha. Vamos levar adiante.
O almoco estava delicioso. Soh verduras e paes, porque Jo e Lucia sao vegan.
Depois muito, muito papo. Em parte regado pelo delicioso vinho do porto Blandy, de que tive de bebericar um teco, afinal estavamos celebrando e eu havia trazido o vinho. Tudo devidamente registrado nesta fotinha de Frufru.
E eu sei que tinha muita coisa acontecendo no mundo naquela hora. Mas para mim, eu estava satisfeita em pensar que era soh aquilo mesmo. Serenidade. Fim de semana revigorante para enfrentar mais uma semana pauleira.
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Ai, mais dois minutos.
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Pena que logo na segunda-feira, ontem mesmo, sofri uma decepcao. Daquelas pequenas e grandes ao mesmo tempo. Aquelas little things that kill. Mas xaprala. Ninguem mandou nascer sensivel e atravessar pessoas com o olhar e compreender o que eu nunca deveria precisar saber.
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Reveillon possivelmente mudando de rumos. Vamos ver. Essa historia ta comecando a me encher a paciencia. Capaz de pegar minha trouxa e ir sozinha para onde bem entender. E voces sabem que eu me divertiria, nao sabem?
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Acabou. Triiiiimmmmmmm, fim de recreio.
mural
Pessoinhas que estao com a ideia de jerico de vir para Londres no final do ano, tem um ape disponivel do dia... Bom, vou colar e postar a mensagem da minha amada Bobby. Eh ela quem ta organizando. O lugar eh show.
**
Tem um flat bem bacana de um amigo, que estara disponivel do dia 18/12 a 09/01. O ap. tem um quarto grandao, sala e cozinha idem, DVD e CD player, entre outras amenidades. Fica perto de Russel Square e ele quer por volta de 400 pilas. Se alguem souber de algum louco que esteja vindo a Londres nesta epoca do ano...
beijinhos agradecidos em voces todos.
A very nice flat will be available from the 18th of december to the 9th of january. Massive bedroom, living room and kitchen. DVD and CD Player amongst other amenities.
£400 for the whole period, bills included. Please let me know in case you have this crazy mate of yours willing to come to London by this time of the year. The flat is near Russel Square tube station. Cheers!
**
Quem quer vir me ver poe o dedo a-li, que ja vai fe-char. Um, dois...
**
Tem um flat bem bacana de um amigo, que estara disponivel do dia 18/12 a 09/01. O ap. tem um quarto grandao, sala e cozinha idem, DVD e CD player, entre outras amenidades. Fica perto de Russel Square e ele quer por volta de 400 pilas. Se alguem souber de algum louco que esteja vindo a Londres nesta epoca do ano...
beijinhos agradecidos em voces todos.
A very nice flat will be available from the 18th of december to the 9th of january. Massive bedroom, living room and kitchen. DVD and CD Player amongst other amenities.
£400 for the whole period, bills included. Please let me know in case you have this crazy mate of yours willing to come to London by this time of the year. The flat is near Russel Square tube station. Cheers!
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Quem quer vir me ver poe o dedo a-li, que ja vai fe-char. Um, dois...
Thursday, November 25, 2004
da serie "you bitch..."
Preciso montar a serie "cuzonices em Londres". Tenho me superado. Outro dia estavamos tentando explicar pros nossos amiguinhos do Times o que eh a interjeicao "opa!", que aqui se fala "oi!". Ai virei para eles, seria, e disse que se ele quisesse parecer realmente cool, tinha que falar "opa-lala". Eu sustentaria minha cuzonice ad eternum se Fruba e Bobby nao tivessem caido na gargalhada.
I don't wanna come back down from this cloud
Yes, 'cause it's taken me all this time to find out what I REALLY need. Nao digo que tenho tudo o que quero hoje, mas, hoje, gosto de tudo o que tenho. Gosto do que sou hoje, 25 de novembro. Amanha nao sei, sou uma gangorra ambulante, y'all know that. Mas hoje estah tudo perfeito.
Trabalhando muito? Sim. Mas recebendo o merecido.
Saudades de todos? Sim. Muitas. Mas lido cada vez melhor com isso.
Homens? Sim. Obrigada. Tem novidade... A serem reveladas para very, VERY important people. Adianto que ontem sai do trabalho aas 6pm e soh cheguei em casa aas 9pm.
Perspectivas de curto prazo? Sim. Amanha vou para Brighton com Fruba e Nickao, para o aniversario do meu tio avo.
E medio prazo? Sim. Comeco do ano que vem, se deus quiser, consigo entrar no mestrado que tanto quero - Literatura e Modernidade na London Metropolitan University.
Longo prazo? Nao. Esse eu odeio porque sempre me trai, entao finjo que nao existe. Minha vida se restringe aas perspectivas do proximo meio ano.
Vejam que nova Biba eu virei. Hoje, planejo meio ano; antes, planejava meia vida. E percebi que no final, das duas maneiras chego no mesmo lugar. Mas, hoje, sem sofrer tanto.
Qualquer diferenca em relacao aa minha vida aqui e no Brasil eh mero precipicio.
**
Outra boa nova: quem me acompanha de outros carnavais (leia-se blogs) sabe que meu carro foi roubado em 2002 no estacionamento de um bar na Vila Olimpia. Pois o caso finalmente andou. Gracas a meu otimo advogado e aa Bathathonilda, minha testemunha, e aa propria causa que eh indiscutivelmente a meu favor, foi um sucesso. Logo sai o julgamento em primeira instancia - o que nao significa muita coisa porque os bastards devem recorrer. Mas o que importa eh que ha 99.98% de ser a meu favor. Resta esperar (anos? Ai.).
**
Eh amada ou nao eh, essa minha irma?
Furo n'água
Hoje é o terceiro dia seguido que consigo fazer natação. Já estou sentindo a técnica e o ritmo voltando. Já até entrei naquelas de não deixar os outros me passarem (obviamente uma mania herdada pelo meu querido pai). Hoje, em seguida, resolvi fazer aula de hidro na turma da minha mãe. O que são aquelas senhorinhas espivetadas falando "Uhu!"? E o que é minha mãe jogando água na minha cara e me corrigindo (só eu fazendo o exercício errado)? Não é muito fofo?
Outro dia estava comentando com a Bobby que minha Piuzinha deve vir em julho. Ela ficou toda empolgada, porque eu falo tanto, mas taaaanto da minha ruivinha que ela ja a ama sem conhece-la. Ficamos planejando a disposicao dos colchoes e a farra. Eu quero eh que meu sono se exploda. Serio mesmo. Ainda mais se eu nanar do lado da minha Piu.
Trabalhando muito? Sim. Mas recebendo o merecido.
Saudades de todos? Sim. Muitas. Mas lido cada vez melhor com isso.
Homens? Sim. Obrigada. Tem novidade... A serem reveladas para very, VERY important people. Adianto que ontem sai do trabalho aas 6pm e soh cheguei em casa aas 9pm.
Perspectivas de curto prazo? Sim. Amanha vou para Brighton com Fruba e Nickao, para o aniversario do meu tio avo.
E medio prazo? Sim. Comeco do ano que vem, se deus quiser, consigo entrar no mestrado que tanto quero - Literatura e Modernidade na London Metropolitan University.
Longo prazo? Nao. Esse eu odeio porque sempre me trai, entao finjo que nao existe. Minha vida se restringe aas perspectivas do proximo meio ano.
Vejam que nova Biba eu virei. Hoje, planejo meio ano; antes, planejava meia vida. E percebi que no final, das duas maneiras chego no mesmo lugar. Mas, hoje, sem sofrer tanto.
Qualquer diferenca em relacao aa minha vida aqui e no Brasil eh mero precipicio.
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Outra boa nova: quem me acompanha de outros carnavais (leia-se blogs) sabe que meu carro foi roubado em 2002 no estacionamento de um bar na Vila Olimpia. Pois o caso finalmente andou. Gracas a meu otimo advogado e aa Bathathonilda, minha testemunha, e aa propria causa que eh indiscutivelmente a meu favor, foi um sucesso. Logo sai o julgamento em primeira instancia - o que nao significa muita coisa porque os bastards devem recorrer. Mas o que importa eh que ha 99.98% de ser a meu favor. Resta esperar (anos? Ai.).
**
Eh amada ou nao eh, essa minha irma?
Furo n'água
Hoje é o terceiro dia seguido que consigo fazer natação. Já estou sentindo a técnica e o ritmo voltando. Já até entrei naquelas de não deixar os outros me passarem (obviamente uma mania herdada pelo meu querido pai). Hoje, em seguida, resolvi fazer aula de hidro na turma da minha mãe. O que são aquelas senhorinhas espivetadas falando "Uhu!"? E o que é minha mãe jogando água na minha cara e me corrigindo (só eu fazendo o exercício errado)? Não é muito fofo?
Outro dia estava comentando com a Bobby que minha Piuzinha deve vir em julho. Ela ficou toda empolgada, porque eu falo tanto, mas taaaanto da minha ruivinha que ela ja a ama sem conhece-la. Ficamos planejando a disposicao dos colchoes e a farra. Eu quero eh que meu sono se exploda. Serio mesmo. Ainda mais se eu nanar do lado da minha Piu.
Wednesday, November 24, 2004
corra, Biba, corra
Tah foda, meus caros. Muito trabalho, pouco tempo para as coisas que realmente importam: bagunca. Virei da noite pro dia uma mulher daquelas que anda em linha reta, maxilar duro, soh falta a pastinha de couro na mao.
E hoje foi um marco. Hoje, aas 7:15h, hora em que saio de casa para vir trabalhar, levei um susto: escuro. Tudo escuro. Juro para voces que ateh ontem estava claro, e hoje escuro. Mesma hora, mesma cidade, mesmo trajeto, mesmo humor. Escuro. Foi clareando aa medida que caminhava meus 45 minutos. Mas o que importa eh que de repente eu entro e saio do trabalho e estah escuro. Me falaram que seria assim, mas eu ainda nao tinha realmente passado pela experiencia. Me assustei, mas nem foi tao ruim assim. Minha vida tem estado muito boa ultimamente para ser estragada por um simples sol (heh!).
E por ora eh soh porque preciso trabalhar.
E hoje foi um marco. Hoje, aas 7:15h, hora em que saio de casa para vir trabalhar, levei um susto: escuro. Tudo escuro. Juro para voces que ateh ontem estava claro, e hoje escuro. Mesma hora, mesma cidade, mesmo trajeto, mesmo humor. Escuro. Foi clareando aa medida que caminhava meus 45 minutos. Mas o que importa eh que de repente eu entro e saio do trabalho e estah escuro. Me falaram que seria assim, mas eu ainda nao tinha realmente passado pela experiencia. Me assustei, mas nem foi tao ruim assim. Minha vida tem estado muito boa ultimamente para ser estragada por um simples sol (heh!).
E por ora eh soh porque preciso trabalhar.
Monday, November 22, 2004
colheita
Aos que torcem por mim: orgulhem-se.
Aos que nao: invejem-se.
Fui promovida. A partir de 13/12, quando fecho o meu trabalho na area de pesquisa, passo a fazer parte da equipe de marketing. Estou muito, muito feliz. E menos cega para poder fazer planos.
Plantei e reguei. Nada mais natural que colher. Quentinho bom no peito, apesar do frio la fora.
Aos que nao: invejem-se.
Fui promovida. A partir de 13/12, quando fecho o meu trabalho na area de pesquisa, passo a fazer parte da equipe de marketing. Estou muito, muito feliz. E menos cega para poder fazer planos.
Plantei e reguei. Nada mais natural que colher. Quentinho bom no peito, apesar do frio la fora.
Saturday, November 20, 2004
o que fazer em caso de frio
Ligue o Messenger. E deixe-se inundar.
vc é foda viu. vc tem muitas coisas que busco na vida. tipo eternidade. é, vc será eterna, não sabia?
vc é foda viu. vc tem muitas coisas que busco na vida. tipo eternidade. é, vc será eterna, não sabia?
fotos
Pessoal, as fotos mais fantasticas do meu fotoblog acabam se ser uploadadas. entrem e deem uma olhada no que a Fruba fez com Notting Hill.
Tuesday, November 16, 2004
cinco meses
Ja se foram cinco meses. Cinco meses que parecem ter voado e parado no tempo ao mesmo tempo. Parece que foi ontem a despedida aterrorizante aa qual achei que nao fosse sobreviver. Parece que foi ontem que deixei a promessa de um amor tranquilo para tras. Que deixei Juona-babai-babae, trio que mais amo na face da Terra. Que deixei Fruba sabendo reencontra-la em alguns meses. Que deixei a Thatha, o Putao, a natacao, putz, a natacao. Tudo bem que tem piscina aqui, mas nada que se compare com A natacao no Brasil. Treino de verdade, tecnico carrasco e amado pegando no peh. Caimbras alegres. O proto-orgasmo da exaustao fisica.
Deixei a Ligia e sua panela. O milagre que eh poder acordar sem despertador. Deixei meus avos, velhinhos tao velhinhos que ameixa jah eh pouco. Deixei a terapia, a piscina no predio, as idas ao Extra depois de nadar, as visitas fortuitas aa loja azul. O biscoito de polvilho de toda quarta. E o requeijao, de que pensei que sentiria muito mais falta na verdade.
Ao mesmo tempo, parece uma eternidade ter me separado de pessoas tao queridas. Parecem anos que conheco a Bobby. E o Ernesto. E uncle John e Rols e Paige. E muitos mais. Parece que sou antiga aqui na empresa. Parece que aprendi a nao sentir meus ossos para ignorar o frio.
Sei como funciona quase tudo. Sei atravessar a rua. Sei dos costumes e descostumes. Sei tirar proveito disso. E, apesar de ja terem se passado cinco meses, essa cidade grande e fria ainda tem o poder de me encantar. Soh saio daqui quando devora-la. E quando por ela for devorada. Inundada. Ateh voltar a sentir os ossos e a dor e a alegria de ser sozinha e feliz, independente e carente. Os paradoxos que estao sempre por tras da cortina da minha vida. Cabe a mim descortina-los pelo simples prazer de desobnubilar. Porque nao ha nada que eu possa fazer.
Ultimamente tenho estado angustiada. Aquela velha historia que desencadeia nossas crises aos 12 anos. E para mim nunca passou. Angustiada porque nunca dah para saber como seria a vida se tudo fosse diferente, se houvesse algum imprevisto. Morro de medo de historias como as minhas, sem imprevistos. Eu pude escolher sem ser impedida por forcas maiores. Eu escolhi um caminho e nunca vou saber se eh o certo - nao, nao, na verdade eu o tracei, e soh caminhando eh que ele virou caminho. Mas Frost aih embaixo ha de concordar comigo que o caminho que escolhi foi o menos caminhado. Agora estou esperando a diferenca.
THE ROAD NOT TAKEN
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood and I -
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
--ROBERT FROST
Deixei a Ligia e sua panela. O milagre que eh poder acordar sem despertador. Deixei meus avos, velhinhos tao velhinhos que ameixa jah eh pouco. Deixei a terapia, a piscina no predio, as idas ao Extra depois de nadar, as visitas fortuitas aa loja azul. O biscoito de polvilho de toda quarta. E o requeijao, de que pensei que sentiria muito mais falta na verdade.
Ao mesmo tempo, parece uma eternidade ter me separado de pessoas tao queridas. Parecem anos que conheco a Bobby. E o Ernesto. E uncle John e Rols e Paige. E muitos mais. Parece que sou antiga aqui na empresa. Parece que aprendi a nao sentir meus ossos para ignorar o frio.
Sei como funciona quase tudo. Sei atravessar a rua. Sei dos costumes e descostumes. Sei tirar proveito disso. E, apesar de ja terem se passado cinco meses, essa cidade grande e fria ainda tem o poder de me encantar. Soh saio daqui quando devora-la. E quando por ela for devorada. Inundada. Ateh voltar a sentir os ossos e a dor e a alegria de ser sozinha e feliz, independente e carente. Os paradoxos que estao sempre por tras da cortina da minha vida. Cabe a mim descortina-los pelo simples prazer de desobnubilar. Porque nao ha nada que eu possa fazer.
Ultimamente tenho estado angustiada. Aquela velha historia que desencadeia nossas crises aos 12 anos. E para mim nunca passou. Angustiada porque nunca dah para saber como seria a vida se tudo fosse diferente, se houvesse algum imprevisto. Morro de medo de historias como as minhas, sem imprevistos. Eu pude escolher sem ser impedida por forcas maiores. Eu escolhi um caminho e nunca vou saber se eh o certo - nao, nao, na verdade eu o tracei, e soh caminhando eh que ele virou caminho. Mas Frost aih embaixo ha de concordar comigo que o caminho que escolhi foi o menos caminhado. Agora estou esperando a diferenca.
THE ROAD NOT TAKEN
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood and I -
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
--ROBERT FROST
Friday, November 12, 2004
tres dias
Essa semana tenho tentado fazer varias coisas e nao tenho conseguido. A primeira delas foi nadar. Passei meio mal a semana inteira, provavelmente porque a pilula anticoncepcional que comecei a tomar aqui eh diferente da que eu tomava no Brasil, cujo estoque durou ateh o fim de semana passado. Nao sei se eh mais forte ou se eh efeito colateral por eu ter tomado tres pilulas em seguida na segunda para compensar os dias forcadamente pulados, mas soh agora estou me adaptando.
A segunda foi participar de um momento tipicamente ingles, a comemoracao do Remembrance Day, que foi ontem. Aas 6pm teria uma apresentacao de avioes que jogariam milhoes de poppys (umas florzinhas de plastico que representam a data). Eu e mais uma cacetada de gente na Millenium Bridge, estranhamente em silencio (no Brasil em cinco minutos comecaria uma roda de samba e viraria festa popular, aqui eu conversava aos sussurros com meu amigo romeno do trabalho que foi comigo). E la se foram centenas, senao milhares de pessoas para cima daquela ponte que, se voce nao conhece, procure ver foto – parece que vai cair se mais de cinco pessoas resolvem cruzar ao mesmo tempo. Remembrance Day, registre-se, eh o dia dedicado aa memoria dos mortos ingleses na 1a. Guerra Mundial.
A terceira tem sido bom que eu nao faca. Esse orkut, vou te contar, me tira do serio. Ja me proporcionou coisas maravilhosas, mas tambem que tem o dom de te fazer saber o que voce nao quer saber… Puta merda. Fico me segurando para nao escrever o que me sobe aas ventas, viu?
E a ultima foi ontem. Tentei entrevistar meu tio para o artigo que estou fazendo e nao rolou. Tentarei novamente no domingo, sobrinha mala que sou.
***
Planos: hoje preciso nadar muito. Por varios motivos. Preciso extravasar. Tudo indica que a balada rolara debaixo d’agua. Antes disso, entrevista com o desparafusado Timur para meu artiguete pro OI.
Amanha eh dia de ver babai pela primeira vez via webcam. Vai ser emocionante. Depois vou a Camdem Town encontrar a turma do barulho do Flat 1, 26 Cannon Street Road (vulgo minha casa), e a noite eh uma incognita. Talvez o Robin ligue, talvez as meninas tenham alguma ideia, talvez vamos ter que inventar na hora e talvez eu bodeie.
Domingo tem almocinho dos Blandy na casa do uncle John. Depois de meses vou rever os fofos do Rols e da Paige, meus primos preferidos (porque a Paige ja virou minha prima, querendo ou nao).
Em algum momento terei de achar tempo pro artiguete pro OI que estou escrevendo, pra minhas nadadas, pra reposicao semanal do sono ridiculo que tenho sentido… Acho que eh isso.
***
Decidi o presente que vou me dar. Um fan heater. Nao sei qual a traducao disso no Brasil, mas seria algo como um ventilador que esquenta e que voce pluga em qualquer tomada. Tem um desses no escritorio, que eu divido com a polaca folgada, e sinto que preciso de um desses no meu quarto, ja que ontem tive espasmos de frio debaixo do edredon, antes de esquentar para dormir. Tortura, nunca mais!
A segunda foi participar de um momento tipicamente ingles, a comemoracao do Remembrance Day, que foi ontem. Aas 6pm teria uma apresentacao de avioes que jogariam milhoes de poppys (umas florzinhas de plastico que representam a data). Eu e mais uma cacetada de gente na Millenium Bridge, estranhamente em silencio (no Brasil em cinco minutos comecaria uma roda de samba e viraria festa popular, aqui eu conversava aos sussurros com meu amigo romeno do trabalho que foi comigo). E la se foram centenas, senao milhares de pessoas para cima daquela ponte que, se voce nao conhece, procure ver foto – parece que vai cair se mais de cinco pessoas resolvem cruzar ao mesmo tempo. Remembrance Day, registre-se, eh o dia dedicado aa memoria dos mortos ingleses na 1a. Guerra Mundial.
A terceira tem sido bom que eu nao faca. Esse orkut, vou te contar, me tira do serio. Ja me proporcionou coisas maravilhosas, mas tambem que tem o dom de te fazer saber o que voce nao quer saber… Puta merda. Fico me segurando para nao escrever o que me sobe aas ventas, viu?
E a ultima foi ontem. Tentei entrevistar meu tio para o artigo que estou fazendo e nao rolou. Tentarei novamente no domingo, sobrinha mala que sou.
***
Planos: hoje preciso nadar muito. Por varios motivos. Preciso extravasar. Tudo indica que a balada rolara debaixo d’agua. Antes disso, entrevista com o desparafusado Timur para meu artiguete pro OI.
Amanha eh dia de ver babai pela primeira vez via webcam. Vai ser emocionante. Depois vou a Camdem Town encontrar a turma do barulho do Flat 1, 26 Cannon Street Road (vulgo minha casa), e a noite eh uma incognita. Talvez o Robin ligue, talvez as meninas tenham alguma ideia, talvez vamos ter que inventar na hora e talvez eu bodeie.
Domingo tem almocinho dos Blandy na casa do uncle John. Depois de meses vou rever os fofos do Rols e da Paige, meus primos preferidos (porque a Paige ja virou minha prima, querendo ou nao).
Em algum momento terei de achar tempo pro artiguete pro OI que estou escrevendo, pra minhas nadadas, pra reposicao semanal do sono ridiculo que tenho sentido… Acho que eh isso.
***
Decidi o presente que vou me dar. Um fan heater. Nao sei qual a traducao disso no Brasil, mas seria algo como um ventilador que esquenta e que voce pluga em qualquer tomada. Tem um desses no escritorio, que eu divido com a polaca folgada, e sinto que preciso de um desses no meu quarto, ja que ontem tive espasmos de frio debaixo do edredon, antes de esquentar para dormir. Tortura, nunca mais!
Thursday, November 11, 2004
Wednesday, November 10, 2004
um pouco de mim que voce nao deve saber
Apesar de tudo, me julgo uma pessoa normal.
Odeio desenho animado e quando era pequena nao comia brigadeiro, soh cajuzinho. Hoje como brigadeiro (soh para deixar os cajuzinhos para criancas como eu, neam?).
A musica do "elefante incomoda muita gente" me dah falta de ar. Varias coisas triviais, alias, me dao falta de ar.
Tenho horror a ser interrompida, mas ja consigo lidar melhor com isso. Odeio repetir tudo duas vezes.
Adoro nao poder ir numa balada (putz, meu, desculpa, nao posso!).
Nao sou grande fan de museus (ooooooooohhhhh), mas amo cinema e, principalmente, literatura. Teatro nao me apraz tanto tampouco, mas eh melhor que museu.
Gosto de banana em todas as comidas.
Odeio pessoas que lembram detalhes. Odeio esquecer.
Adoro dar presentes mas prefiro receber. Adoro ser ajudada, mas prefiro ajudar (para nao ter dividas a quitar).
Adoro bolo e odeio ovo. Adoro ouvir "bolho" em vez de "bolo".
Adoro que leiam o que escrevi; odeio quando me pedem para ler algo que escreveram.
Adoro cheiro de gasolina e de cola de sapateiro.
Odeio gente se pendurando em mim; adoro quem se apoia e me apoia ao mesmo tempo.
Odeio cobrancas, insistencias e gente que grita. Adoro musica gritada.
Gosto do mar mais que da terra. Amo nadar mas nao sou fan de cooper. Tenho medo de pedalar na rua. Nao confio em meu equilibrio. E gosto de tudo que envolva bola. Ou bolas.
Adoro malicia bem aplicada. Odeio ouvir piadas (as vezes me dao falta de ar tambem).
Nao sou anjo de ninguem, nem diabo. Sou apenas anjavel e diabavel.
Respiro mal, mas nado maratonas. Tenho ataques de panico, mas me considero corajosa.
Amo aprender sozinha; odeio aprendizado forcado.
Concentro-me com muita facilidade. Irrito-me tambem.
Tenho uma facilidade raras vezes vistas para aprender linguas. Tenho dificuldades igualmente monstras para desenhar.
Ballet e boneca nao marcaram minha infancia. Carimbol e natacao, sim. Quebrei a clavicula aos nove brincando de duro-ou-mole-americano no predio. Minha mae achou que fosse soh um mal jeito e me fez levantar o braco com toda a forca para "por no lugar".
Queria odiar menos, mas eh dificil.
Odeio ir ao banco e adoro voltar.
Descobri ha pouco o amor doce. Aquele que nao parece causar danos tao grandes ao te abandonar, mas cuja dor fica e fica e nao passa nunca, nunca mesmo, impressionante, ateh ter a pessoa novamente. Descobri que amo o amor doce e odeio o atirado. Antes era o contrario.
Sinto falta de um teclado com acentos; nao sinto tanta falta quanto deveria de muitas coisas (e pessoas). Descobri que meu amor por lugares eh muito forte. Mas que jamais superarah meu amor por pessoas. Ufa, ainda bem.
Amo viajar, mas amo tambem voltar. Odeio despedidas e adoro surpresas. Adoro fazer mala, mas odeio desfazer (geralmente faco um bolao e meto tudo na roupa-suja).
Odeio desenho animado e quando era pequena nao comia brigadeiro, soh cajuzinho. Hoje como brigadeiro (soh para deixar os cajuzinhos para criancas como eu, neam?).
A musica do "elefante incomoda muita gente" me dah falta de ar. Varias coisas triviais, alias, me dao falta de ar.
Tenho horror a ser interrompida, mas ja consigo lidar melhor com isso. Odeio repetir tudo duas vezes.
Adoro nao poder ir numa balada (putz, meu, desculpa, nao posso!).
Nao sou grande fan de museus (ooooooooohhhhh), mas amo cinema e, principalmente, literatura. Teatro nao me apraz tanto tampouco, mas eh melhor que museu.
Gosto de banana em todas as comidas.
Odeio pessoas que lembram detalhes. Odeio esquecer.
Adoro dar presentes mas prefiro receber. Adoro ser ajudada, mas prefiro ajudar (para nao ter dividas a quitar).
Adoro bolo e odeio ovo. Adoro ouvir "bolho" em vez de "bolo".
Adoro que leiam o que escrevi; odeio quando me pedem para ler algo que escreveram.
Adoro cheiro de gasolina e de cola de sapateiro.
Odeio gente se pendurando em mim; adoro quem se apoia e me apoia ao mesmo tempo.
Odeio cobrancas, insistencias e gente que grita. Adoro musica gritada.
Gosto do mar mais que da terra. Amo nadar mas nao sou fan de cooper. Tenho medo de pedalar na rua. Nao confio em meu equilibrio. E gosto de tudo que envolva bola. Ou bolas.
Adoro malicia bem aplicada. Odeio ouvir piadas (as vezes me dao falta de ar tambem).
Nao sou anjo de ninguem, nem diabo. Sou apenas anjavel e diabavel.
Respiro mal, mas nado maratonas. Tenho ataques de panico, mas me considero corajosa.
Amo aprender sozinha; odeio aprendizado forcado.
Concentro-me com muita facilidade. Irrito-me tambem.
Tenho uma facilidade raras vezes vistas para aprender linguas. Tenho dificuldades igualmente monstras para desenhar.
Ballet e boneca nao marcaram minha infancia. Carimbol e natacao, sim. Quebrei a clavicula aos nove brincando de duro-ou-mole-americano no predio. Minha mae achou que fosse soh um mal jeito e me fez levantar o braco com toda a forca para "por no lugar".
Queria odiar menos, mas eh dificil.
Odeio ir ao banco e adoro voltar.
Descobri ha pouco o amor doce. Aquele que nao parece causar danos tao grandes ao te abandonar, mas cuja dor fica e fica e nao passa nunca, nunca mesmo, impressionante, ateh ter a pessoa novamente. Descobri que amo o amor doce e odeio o atirado. Antes era o contrario.
Sinto falta de um teclado com acentos; nao sinto tanta falta quanto deveria de muitas coisas (e pessoas). Descobri que meu amor por lugares eh muito forte. Mas que jamais superarah meu amor por pessoas. Ufa, ainda bem.
Amo viajar, mas amo tambem voltar. Odeio despedidas e adoro surpresas. Adoro fazer mala, mas odeio desfazer (geralmente faco um bolao e meto tudo na roupa-suja).
Tuesday, November 09, 2004
da licenca, essa vai especialmente...
... pra pessoa que mais amo no mundo. E nao estou sendo hiperbolica.
I came across a cache of old photos
And invitations to teenage parties
"Dress in white" one said, with quotations
From someone's wife, a famous writer
In the nineteen-twenties
When you're young you find inspiration
In anyone who's ever gone
And opened up a closing door
She said: "We were never feeling bored
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end"
When I went I left from the station
With a haversack and some trepidation
Someone said: "If you're not careful
You'll have nothing left and nothing to care for
In the nineteen-seventies"
But I sat back and looking forward
My shoes were high and I had scored
I'd bolted through a closing door
I would never find myself feeling bored
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend
Now I sit with different faces
In rented rooms and foreign places
All the people I was kissing
Some are here and some are missing
In the nineteen-nineties
I never dreamt that I would get to be
The creature that I always meant to be
But I thought in spite of dreams
You'd be sitting somewhere here with me
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend
And we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never being boring
We were never being bored
'Cause we were never being boring
We were never being bored
Meu xuxu, que bom que o show foi delirante. Tenho lembrado demais de voce quando ouco PSB no CD que voce me gravou e nao sai da casinha do computador. Te amo hoje mais que ontem, menos que amanha.
I came across a cache of old photos
And invitations to teenage parties
"Dress in white" one said, with quotations
From someone's wife, a famous writer
In the nineteen-twenties
When you're young you find inspiration
In anyone who's ever gone
And opened up a closing door
She said: "We were never feeling bored
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end"
When I went I left from the station
With a haversack and some trepidation
Someone said: "If you're not careful
You'll have nothing left and nothing to care for
In the nineteen-seventies"
But I sat back and looking forward
My shoes were high and I had scored
I'd bolted through a closing door
I would never find myself feeling bored
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend
Now I sit with different faces
In rented rooms and foreign places
All the people I was kissing
Some are here and some are missing
In the nineteen-nineties
I never dreamt that I would get to be
The creature that I always meant to be
But I thought in spite of dreams
You'd be sitting somewhere here with me
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend
And we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never being boring
We were never being bored
'Cause we were never being boring
We were never being bored
Meu xuxu, que bom que o show foi delirante. Tenho lembrado demais de voce quando ouco PSB no CD que voce me gravou e nao sai da casinha do computador. Te amo hoje mais que ontem, menos que amanha.
Monday, November 08, 2004
acabaram-se as pilulas
Entre outras perolas, meu fim de semana foi permeado pela constante lembranca de minha estabanadice. Fui pegando no fundo do sacolao as cartelas de pilula, totalmente alheia ao fato de que elas, sim, acabam, e que elas sao, sim, importantes para meu equilibrio em toda a abrangencia possivel da palavra equilibrio. Acabaram e eu nao tinha mais e aqui eh assim: nao se preveniu se fodeu. Farmacia nao abre de domingo. Voce tem que ir no hospital. Ai voce chega no hospital, espera uns cinco minutos ateh alguem na recepcao aparecer, e explica que precisa de pilulas contraceptivas, for Christ's sake. Entao ela te olha meio puzzled e pergunta se eu quero a pilula do dia seguinte. E eu explico que nao, minha gentil senhora, preciso tomar as pilulas regulares, questoes hormonais, you know, eh bem importante. E ela responde mecanicamente que se nao eh uma emergencia, tem que esperar ateh segunda. Mas segunda eu trabalho das 8h aas 18h e para comprar a porra da pilula precisa duma porra duma prescricao medica (juro) e soh consigo isso no meu GP que abre as 9h e nem sei se o medico podera me atender de imediato. Essa eh a realidade.
Ainda bem que tenho duas flores para me ajudar. Se deus quiser o pepino estarah resolvido ainda hoje.
Fora isso, sexta-feira perdi a hora. Acordei com luz na cara, uma novidade, aas 10h da manha. Despertador nao tocou. Nao entendi nada, ele estava marcando sabado. Fui ateh meu celular e tinha um SMS da minha chefe. "You ok? It's Kate." Liguei para ela com a voz embargada e ao mesmo tempo estridente, se eh que voces conseguem imaginar. Expliquei o que aconteceu: quando fui mudar do horario de verao para o de inverno, mudei sem querer a data tambem. Uma anta de tetas. Mas passou, cheguei esbaforida no escritorio, suando, cara de sono, fome. Fui ovacionada com uma salva de palmas de meus colegas. Eu realmente mereci. Para completar a tarde, um argentino folgado, general manager de alguma coisa, me liga para "entender melhor" a pesquisa e resolve se engracar, porque argentino precisa manter a fama. Mas voce eh brasileira e faz o que ai? O papinho foi indo, eu tentando voltar para o foco, e o senhor me manda a seguinte pertola: "soh mais uma pergunta, voce eh bonita?" Comecei a gargalhar, nao consegui me conter. Essas coisas soh acontecem comigo mesmo. Eu aqui na Inglaterra, o cara la na Argentina, e me xavecando! Minha chefe me olhou torto, afinal, que porra eu poderia estar falando com um suposto cliente para gargalhar daquele jeito ao telefone? Expliquei tudo e fui ainda mais zoada por meus coleguinhas da batata na boca.
Mas de resto estah tuuuuudo bem. Sexta fomos num pub local e assisti a Clube da Luta. Sabado foi dia de compras e de quase terminar meu livro (maravilhoso, leiam Memorias de uma Geisha se tiverem a chance). A noite foi aniversario da fofa da Karina e mais uma vez rimos ateh a barriga entortar. Uma delicia.
O domingo passou voando, ja que acordei aas 14h, mas deu tempo de passar no hospital, ir ateh a casa do Lalo ver o filme do Baaaaatema e tomar umas (cocas light) num bar em Old Street chamado Kick e muito, muito aprazivel.
Apesar da chuva, saldo positivo.
Ainda bem que tenho duas flores para me ajudar. Se deus quiser o pepino estarah resolvido ainda hoje.
Fora isso, sexta-feira perdi a hora. Acordei com luz na cara, uma novidade, aas 10h da manha. Despertador nao tocou. Nao entendi nada, ele estava marcando sabado. Fui ateh meu celular e tinha um SMS da minha chefe. "You ok? It's Kate." Liguei para ela com a voz embargada e ao mesmo tempo estridente, se eh que voces conseguem imaginar. Expliquei o que aconteceu: quando fui mudar do horario de verao para o de inverno, mudei sem querer a data tambem. Uma anta de tetas. Mas passou, cheguei esbaforida no escritorio, suando, cara de sono, fome. Fui ovacionada com uma salva de palmas de meus colegas. Eu realmente mereci. Para completar a tarde, um argentino folgado, general manager de alguma coisa, me liga para "entender melhor" a pesquisa e resolve se engracar, porque argentino precisa manter a fama. Mas voce eh brasileira e faz o que ai? O papinho foi indo, eu tentando voltar para o foco, e o senhor me manda a seguinte pertola: "soh mais uma pergunta, voce eh bonita?" Comecei a gargalhar, nao consegui me conter. Essas coisas soh acontecem comigo mesmo. Eu aqui na Inglaterra, o cara la na Argentina, e me xavecando! Minha chefe me olhou torto, afinal, que porra eu poderia estar falando com um suposto cliente para gargalhar daquele jeito ao telefone? Expliquei tudo e fui ainda mais zoada por meus coleguinhas da batata na boca.
Mas de resto estah tuuuuudo bem. Sexta fomos num pub local e assisti a Clube da Luta. Sabado foi dia de compras e de quase terminar meu livro (maravilhoso, leiam Memorias de uma Geisha se tiverem a chance). A noite foi aniversario da fofa da Karina e mais uma vez rimos ateh a barriga entortar. Uma delicia.
O domingo passou voando, ja que acordei aas 14h, mas deu tempo de passar no hospital, ir ateh a casa do Lalo ver o filme do Baaaaatema e tomar umas (cocas light) num bar em Old Street chamado Kick e muito, muito aprazivel.
Apesar da chuva, saldo positivo.
Friday, November 05, 2004
boa e ma noticia
Deus tirador de sarro virou para mim e disse no comeco da semana:
- Tenho uma boa e uma ma noticia para voce essa semana.
- Jura, deus? Manda!
- A ruim eh que Bush ganhara as eleicoes
- Puta merda, mano, ce ta querendo extinguir a raca que voce mesmo criou?
- Nao quer ouvir a boa?
- Ok. Qual eh a boa?
- O estado de saude de Arafat vai piorar.
Happy thoughts if you have any.
- Tenho uma boa e uma ma noticia para voce essa semana.
- Jura, deus? Manda!
- A ruim eh que Bush ganhara as eleicoes
- Puta merda, mano, ce ta querendo extinguir a raca que voce mesmo criou?
- Nao quer ouvir a boa?
- Ok. Qual eh a boa?
- O estado de saude de Arafat vai piorar.
Happy thoughts if you have any.
Wednesday, November 03, 2004
tudo a seu tempo agora
Ja passei a fase tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Ela tem seu charme, mas cansa. Agora quero curtir a sensacao do coracao batendo tranquilo, e eh atras disso que estou. Tudo a seu tempo agora, ou depois. Soh assim para manter a sanidade agora que estou tendo que trabalhar 10 horas por dia. Entro as 8h e saio as 18h. Logicamente ganho mais $$ com isso. Mas nao quero perigar perder a cabeca para encher o bolso.
Tentarei. Se ficar puxado demais, das duas uma: ou eu falo para parar o trem para eu descer, ou vou ter um ataque de panico que parara o trem por si soh. A terceira alternativa, que deixaria minha terapeuta orgulhosa, seria encarar isso apenas como um teste e na semana que vem pedir para reduzir uma hora do meu horario se eu ficar muito estafada. De qualquer forma, comprar-me-ei um regalito.
***
Estou bem aos poucos voltando a forma natacionistica. Naturalmente nao como antes, afinal nado uma horinha, se muito, quatro ou cinco vezes por semana. Mas soh de sentir o ritmo voltar, ja fico aqui no trabalho ansiosa para chegar em casa e vestir meu maio. Ontem, inclusive, conheci duas brasileiras que moram em Shadwell tambem (ou Shagwell, como gostamos de falar - procure "shag" no dicionario). Parecem legais. Uma delas tem que ser, pois leva o nome de babae, que nem eh tao comum assim na nova geracao.
E depois de tanta serotonina na veia, nao importa tanto a procedencia da agua que cai nas minhas costas.
***
Estou fazendo contagem regressiva para a chegada de babae, provavelmente em abril. Sei que ainda estah meio longe, mas eu sou boa de matematica.
Tentarei. Se ficar puxado demais, das duas uma: ou eu falo para parar o trem para eu descer, ou vou ter um ataque de panico que parara o trem por si soh. A terceira alternativa, que deixaria minha terapeuta orgulhosa, seria encarar isso apenas como um teste e na semana que vem pedir para reduzir uma hora do meu horario se eu ficar muito estafada. De qualquer forma, comprar-me-ei um regalito.
***
Estou bem aos poucos voltando a forma natacionistica. Naturalmente nao como antes, afinal nado uma horinha, se muito, quatro ou cinco vezes por semana. Mas soh de sentir o ritmo voltar, ja fico aqui no trabalho ansiosa para chegar em casa e vestir meu maio. Ontem, inclusive, conheci duas brasileiras que moram em Shadwell tambem (ou Shagwell, como gostamos de falar - procure "shag" no dicionario). Parecem legais. Uma delas tem que ser, pois leva o nome de babae, que nem eh tao comum assim na nova geracao.
E depois de tanta serotonina na veia, nao importa tanto a procedencia da agua que cai nas minhas costas.
***
Estou fazendo contagem regressiva para a chegada de babae, provavelmente em abril. Sei que ainda estah meio longe, mas eu sou boa de matematica.
Monday, November 01, 2004
consideracoes sobre um dia que terminou uma bosta
Quando eu era pequena, nao tanto para contar com o mundo todo - ou seja, mamae, papai, "Juona" -, nem tao pouco para nao contar com mais ninguem; eu pensava que o mundo seria insuportavel se dependesse apenas da minha cabeca. Cresci um pouco e vi que estava errada, que minha cabeca nao pode me machucar tanto assim, que ela tambem funciona ao meu favor. Agora, morando fora, sozinha, atirada (escolha minha, claro, e nao me arrependo, se me arrependesse estaria de malas prontas pro Brasil), percebo que eu estava certa quando era pequena.
Por favor, nao se assustem. Adoro ser dramatica e inclusive SOU, mesmo se nao quisesse. Mas hoje, agora pouco, no banho, quando fechei os olhos e pensei que nem de olhos fechados a agua que caia sobre minhas costas era a mesma que caia sobre minhas costas no Brasil, desabei. Desabei um resto. Bom, para resgatar a pureza, nao deixar que se esvaia pelo ralo. Mas ruim porque mexe em alguma coisa no meu labirinto e eu perco totalmente o equilibrio. Vertigem e tontura e volto a ser uma crianca desamparada que soh se sente bem, bem mesmo, se for solucando as entranhas, vomitando pelos olhos, em posicao fetal.
Os ecos de uns tempos tristes e eu mesma falando para mim, tudo voltou. Catorze anos depois e eu ainda faco sentido. Por mais alto que voce levante alguem no colo, nunca, nunca esperar qualquer tipo de reconhecimento, nunca esperar uma flor, nunca esperar mais que um sorriso de mesmo dia, de obrigado-tchau. Preciso exercitar meu lado nulamente budista. Preciso dar e achar que tudo terminou aih, no dar, meu objetivo final. Nada de receber. Mas nao consigo, nao consigo. Alguma logica idiota teima em tentar me convencer de que se eu dei, alguma hora tenho que receber.
Burra, burra, burra.
Por favor, nao se assustem. Adoro ser dramatica e inclusive SOU, mesmo se nao quisesse. Mas hoje, agora pouco, no banho, quando fechei os olhos e pensei que nem de olhos fechados a agua que caia sobre minhas costas era a mesma que caia sobre minhas costas no Brasil, desabei. Desabei um resto. Bom, para resgatar a pureza, nao deixar que se esvaia pelo ralo. Mas ruim porque mexe em alguma coisa no meu labirinto e eu perco totalmente o equilibrio. Vertigem e tontura e volto a ser uma crianca desamparada que soh se sente bem, bem mesmo, se for solucando as entranhas, vomitando pelos olhos, em posicao fetal.
Os ecos de uns tempos tristes e eu mesma falando para mim, tudo voltou. Catorze anos depois e eu ainda faco sentido. Por mais alto que voce levante alguem no colo, nunca, nunca esperar qualquer tipo de reconhecimento, nunca esperar uma flor, nunca esperar mais que um sorriso de mesmo dia, de obrigado-tchau. Preciso exercitar meu lado nulamente budista. Preciso dar e achar que tudo terminou aih, no dar, meu objetivo final. Nada de receber. Mas nao consigo, nao consigo. Alguma logica idiota teima em tentar me convencer de que se eu dei, alguma hora tenho que receber.
Burra, burra, burra.
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