Quando eu era pequena, nao tanto para contar com o mundo todo - ou seja, mamae, papai, "Juona" -, nem tao pouco para nao contar com mais ninguem; eu pensava que o mundo seria insuportavel se dependesse apenas da minha cabeca. Cresci um pouco e vi que estava errada, que minha cabeca nao pode me machucar tanto assim, que ela tambem funciona ao meu favor. Agora, morando fora, sozinha, atirada (escolha minha, claro, e nao me arrependo, se me arrependesse estaria de malas prontas pro Brasil), percebo que eu estava certa quando era pequena.
Por favor, nao se assustem. Adoro ser dramatica e inclusive SOU, mesmo se nao quisesse. Mas hoje, agora pouco, no banho, quando fechei os olhos e pensei que nem de olhos fechados a agua que caia sobre minhas costas era a mesma que caia sobre minhas costas no Brasil, desabei. Desabei um resto. Bom, para resgatar a pureza, nao deixar que se esvaia pelo ralo. Mas ruim porque mexe em alguma coisa no meu labirinto e eu perco totalmente o equilibrio. Vertigem e tontura e volto a ser uma crianca desamparada que soh se sente bem, bem mesmo, se for solucando as entranhas, vomitando pelos olhos, em posicao fetal.
Os ecos de uns tempos tristes e eu mesma falando para mim, tudo voltou. Catorze anos depois e eu ainda faco sentido. Por mais alto que voce levante alguem no colo, nunca, nunca esperar qualquer tipo de reconhecimento, nunca esperar uma flor, nunca esperar mais que um sorriso de mesmo dia, de obrigado-tchau. Preciso exercitar meu lado nulamente budista. Preciso dar e achar que tudo terminou aih, no dar, meu objetivo final. Nada de receber. Mas nao consigo, nao consigo. Alguma logica idiota teima em tentar me convencer de que se eu dei, alguma hora tenho que receber.
Burra, burra, burra.
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