Ja se foram cinco meses. Cinco meses que parecem ter voado e parado no tempo ao mesmo tempo. Parece que foi ontem a despedida aterrorizante aa qual achei que nao fosse sobreviver. Parece que foi ontem que deixei a promessa de um amor tranquilo para tras. Que deixei Juona-babai-babae, trio que mais amo na face da Terra. Que deixei Fruba sabendo reencontra-la em alguns meses. Que deixei a Thatha, o Putao, a natacao, putz, a natacao. Tudo bem que tem piscina aqui, mas nada que se compare com A natacao no Brasil. Treino de verdade, tecnico carrasco e amado pegando no peh. Caimbras alegres. O proto-orgasmo da exaustao fisica.
Deixei a Ligia e sua panela. O milagre que eh poder acordar sem despertador. Deixei meus avos, velhinhos tao velhinhos que ameixa jah eh pouco. Deixei a terapia, a piscina no predio, as idas ao Extra depois de nadar, as visitas fortuitas aa loja azul. O biscoito de polvilho de toda quarta. E o requeijao, de que pensei que sentiria muito mais falta na verdade.
Ao mesmo tempo, parece uma eternidade ter me separado de pessoas tao queridas. Parecem anos que conheco a Bobby. E o Ernesto. E uncle John e Rols e Paige. E muitos mais. Parece que sou antiga aqui na empresa. Parece que aprendi a nao sentir meus ossos para ignorar o frio.
Sei como funciona quase tudo. Sei atravessar a rua. Sei dos costumes e descostumes. Sei tirar proveito disso. E, apesar de ja terem se passado cinco meses, essa cidade grande e fria ainda tem o poder de me encantar. Soh saio daqui quando devora-la. E quando por ela for devorada. Inundada. Ateh voltar a sentir os ossos e a dor e a alegria de ser sozinha e feliz, independente e carente. Os paradoxos que estao sempre por tras da cortina da minha vida. Cabe a mim descortina-los pelo simples prazer de desobnubilar. Porque nao ha nada que eu possa fazer.
Ultimamente tenho estado angustiada. Aquela velha historia que desencadeia nossas crises aos 12 anos. E para mim nunca passou. Angustiada porque nunca dah para saber como seria a vida se tudo fosse diferente, se houvesse algum imprevisto. Morro de medo de historias como as minhas, sem imprevistos. Eu pude escolher sem ser impedida por forcas maiores. Eu escolhi um caminho e nunca vou saber se eh o certo - nao, nao, na verdade eu o tracei, e soh caminhando eh que ele virou caminho. Mas Frost aih embaixo ha de concordar comigo que o caminho que escolhi foi o menos caminhado. Agora estou esperando a diferenca.
THE ROAD NOT TAKEN
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood and I -
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
--ROBERT FROST
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