Saturday, April 12, 2008

notícias d'além-mar

Com calor às 8.05pm. Que saudade, que saudade. Sei que em um ano isso vai me irritar mas, por ora, que saudade. Sol no osso, sabe? Você sente o raio ultravioleta detonando você toda e isso é curiosamente recebido com um sorriso de satisfação interno. Ninguém tem o direito de julgar alguém que passou tanto tempo longe do sol, alguém cuja melatonina já desencanou de responder.

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Estou me divertindo à beça aqui. Já cumpri a maior parte da chatice que queria resolver. Agora estou revendo alguns queridos e conhecendo outros. Fui a Campinas e conheci (quase) todos que fazem parte da vida do meu menino e que agora fazem parte da minha também. Foi muito bom, e estranho porque parecia que já conhecia todos. Me senti extremamente à vontade e saí de lá amando ainda mais meu Byrifoy. Amanhã ele chega aqui e espero, ansiosamente, que ele sinta pelos meus o mesmo que senti pelos seus. E espero que ele entenda um pouco mais dos meus nós, e que fiquemos ainda mais nós, e que saiamos da experiência com a convicção de que estamos no caminho certo. Nada se compara ao alívio da certeza de que se está feliz.

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Digam adeus à branca gorda. Digam olá à futura, er, branca. Porque não quero mais me encher de adjetivos pejorativos.

Sério agora: engordei mais de 10 quilos desde que cheguei na Inglaterra há 4 anos. E toda vez que venho ao Brasil algo ou alguém me lembra dessa extra banha. Seja minha médica ("Puxa, mas você não mudou nada, só engordou um bocado"), sejam minhas roupas que riem quando fecho a porta do armário sem coragem de prová-las.

Então resolvi apelar. Vou ver a nutricionista da minha irmã essa semana. Descobrir como emagrecer num país que cobra £0.20 em uma barra de chocolate e £1.00 em uma fruta.

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Sim, vai, o blog está de volta. Não sei por quanto tempo though. Vivamos como se cada post fosse o último. Heh.

Friday, March 28, 2008

Acho que estou meio deprimida. Ando pensando séria e repetidamente em cometer bloguecídio.

no Baci que acabei de comer

O amor não faz girar o mundo. O amor é o que faz com que o trajeto valha a pena.

F.P. Jones

Thursday, March 27, 2008

shut my eyes

Sono cão. Não tenho dormido bem. Na noite anterior foi justificável. Fui com ma’boy no show do Velvet Revolver. Nada programado – um amigo comprou dois ingressos e não pôde ir, então fomos nós, em cima da hora e na faixa, como a gente gosta.

Mas de ontem para hoje não tinha desculpa. Deitei antes das 11pm e dormi relativamente rápido, mas às 3am acordo com uma dor no estômago e ma’boy tentando vorazmente usar meu braço de travesseiro pela segunda noite seguida. Não dormi de novo antes das 4am.

Em uma semana e um dia embarco para o Brasil. Está tudo explicado. Estou eufórica com a possibilidade e meio assustada ao mesmo tempo. Não vai ser uma visita normal. Terei muita saudade para matar, claro, mas muitos problemas a resolver.

And yet, com tanta coisa para pensar, uma das que mais me recorre é que meu Lexotan deve estar vencido e não tenho como me dopar para enfrentar as 12h de vôo. Sugestões?

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No caminho para o trabalho, em plea Trafalgar Square, um acidente entre uma moto e um ônibus. O ônibus vazio. O motoqueiro estatelado no chão recebendo CPR dos paramédicos. Aquele torção na espinha que percorre e gela o corpo inteiro. Me senti quase idiota em retomar a leitura do meu livro. Mas era necessário. A imagem, no entanto, não sai da minha cabeça. O corpo inerte e completamente submisso ao paramédico cumprindo sua rotina. Às vezes odeio minha sensibilidade.

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Ouvindo muito.

I needed somewhere to hang my head
Without your noose
You gave me something that I didn't have
But had no use
I was too weak to give in
Too strong to lose
My heart is under arrest again
But I break loose
My head is giving me life or death
But I can't choose
I swear i'll never give in
No, I refuse

Wednesday, March 19, 2008

a solução

A solução é chutar. Mas e cadê perna?

Maldito bolo na garganta.

Saturday, March 15, 2008

me, myself, and my fucking stupid I

Uma noite de sábado fria. Como me sinto humana tentando beber um golinho de Bailey’s. Inclusive, vencido. Porque tenho uma garrafa há mais ou menos 2 anos, e é a única garrafa de alguma coisa alcoólica que um dia comprei.

Um pouco mais humana. É isso o que as pessoas fazem sozinhas num sábado frio, não é? Eu também quero fazer, mesmo que depois me sinta uma idiota fazendo algo que não gosto só para sentir gosto salgado nas lágrimas, e açúcar nos sorrisos. Como deve ser, como fui ensinada, como todos fazemos para, juntos, sempre, caminhar. Não é? Haha.

Mas não se preocupem. O Bailey’s tá velho, não vou conseguir tomar. Tá ruim. E não tinha gelo, então peguei um daqueles plastiquinhos com gel dentro que fica no congelador para quando me esborracho. Algo que provavelmente sera de grande utilidade em alguns minutos, mas que aí não vai estar mais frio, porque usei pra esfriar o Bailey’s. E por causa disso, também, o Bailey’s fede. Eu, um Bailey’s velho, um plastico fedido e gelado dentro, e um sábado sozinha e com frio. What a combination. Eu devia estar em outro lugar.

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Hoje fui a Bricklane. Adoro a região. Meio de longe, como qualquer um que já morou por ali e volta para visitar. Almocei num restaurante de pizzas artesanais fantástico. Chama não-sei-o-que-lá store. Very helpful, I know, mas agora não lembro o nome. Foi bom rever meu ex-flatmate. Ele voltando para a Austrália, eu voltando pro Brasil. Não canso de repetir: londres é líquida, e esse é um dos motives que me faz amá-la e odiá-la. O que é ruim vem e vai, mas o que é bom também.

Bom mesmo é o Brasil, que bom e ruim estão todos entalados e não conseguem sair.

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Enfim, chega porque começaram a aparecer uns patches vermelhos na minha cara e não tô nada feliz. Se bem que seria bom qdescobrir que sou alérgica a álcool e as pessoas pararem de me encher o saco para beber.
Ou vai ver é porque o Bailey’s tá velho.
Ou vai ver eu realmente não sei e deveria me preocupar um pouco mais. Mas não dá. Um pouco mais e a preocupação é maior que eu.

Friday, March 14, 2008

alone in the light

Eu estava em alguma festa em que três pessoas eram escolhidas por várias outras. Eu não era escolhida. E depois eu era. E por isso eu ficava feliz, mas uma parte de mim se envergonhava dessa falicidade rasa. Foi um sonho estranho.

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Sozinha este final de semana. Aceitando convites para passar o tempo. Para pará-lo também, mas nunca vi isso antes, então está dado o desafio.

Se ninguém aparecer, tenho minhas miudezas para fazer, meus livros pra ler, meus errands to run.

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Cagada me pôr para trabalhar na janela, hein?! Cagada. Eu não reclamo, claro. Amo. Mas eles não sabem da minha capacidade de deixar o ambiente e passear por aí, sem sair da minha escrivaninha. Tenho divagado mais do que minha quantidade de trabalho permite. Deve ser a ida ao Brasil, as coisinhas todas que preciso fazer antes de ir. A logística de tudo, preciso comprar uma mala nova, aliás. Das grandonas. Mas das grandonas moles, para caber dentro da grandona dura. Tudo isso eu penso o tempo todo. No Brasil em três semanas. E mais a viagem para a Ásia no final do ano. E mais a visita à Informa do Brasil. E mais a viagem que quero fazer ao Lake District mas que ainda não saiu do papel. Aliás, boa miudeza para o fim de semana – nota mental: procurar B&Bs em Windermere e adjacências. E mais os lugares da Europa que quero conhecer antes de sair daqui. Ainda não fui pra Barcela, nem Bruxelas, nem Budapeste. Nada contra a letra B, pura coincidência. Ainda não fui pra Viena e para muitos vilarejos na Toscana que adoraria conhecer. Indo além, também quero ir para a Croácia, Chipre e Grécia. Se eu fizer 50% do que quero, fiz bastante.

Isso aqui deixou de ser blog. É quase um mural de auto-recados.

Aliás, estou pensando se desmancho o blog quando voltar pro Brasil. Continuo Singer, mas não in the Reign... Talvez readapte pra Singer in the Rain(Forest). Aguardo idéias melhores. As minhas estão um pouco atrapalhadas.

curtain

the final curtain on one of the longest running
musicals ever, some people claim to have
seen it over one hundred times.
I saw it on the tv news, that final curtain:
flowers, cheers, tears, a thunderous
accolade.
I have not seen this particular musical
but I know if I had that I wouldn't have
been able to bear it, it would have
sickened me.
trust me on this, the world and its
peoples and its artful entertainment has
done very little for me, only to me.
still, let them enjoy one another, it will
keep them from my door
and for this, my own thunderous
accolade.


C. Bukowski

Sunday, March 09, 2008

truco

Mais um final de final de semana curto. Como demoram a chegar os feriados nessa terra. Em meio a uma gig ontem, um nhoque ao forno hoje, umas dezenas de páginas lidas, as horas passam como minutos. Estou cansada como se fosse sexta. Preciso muito de férias. Sei que sempre falo isso. Agora falo querendo dizer, mais que nas outras vezes. Sempre mais. Faltam 26 dias para eu chegar ao Brasil. Duas míseras e maravilhosas semanas. Terei de fazer com que caiba tudo: responsabilidades e saudades. Acima de tudo, precisam caber meus planos para uma vida no Brasil. Vai ser estranho ir para o Brasil com olhos de quem vê um futuro ali, e não como alguém de férias. Quando for a hora de voltar, sei que vai se surreal.

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Tenho pensado como adulta. Em coisas que adultos pensam, não eu. Em geral, não penso como adulta nem como criança. Penso de um jeito bem Bia. Estranho e pouco convincente, porque o objetivo jamais será convencer, e sim complicar. Cada vez mais, complicar. Mas agora não. Agora estou mesmo pensando na vida daqui a um ano e até dois. Isso é inédito. O máximo que soube planejar até hoje foram 6 meses, que foi o tempo que levei para resolver vir para a Inglaterra. Agora estou pensando mais longe. Faz parte do envelhecer ou estou apenas mais ansiosa (ainda)?

Foda-se, os planos que tenho para daqui a dois anos são deliciosos, então quero mais é pensar neles.

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Desafio qualquer um que esteja lendo a fazer um nhoque ao forno melhor que o meu. Sério. Nunca comi um tão bom. Só não foi bom o suficiente para tirar meu amado da frente do computador jogando Starcraft. Mas foi bom a ponto de eu lançar o desafio. Aos concorrentes, boa sorte.

Friday, February 29, 2008

complete and utter

Como sou velha. Uma vez que vou dormir mais tarde e o dia seguinte é um inferno. Estou com os olhos em meia fase e sem o menor saco de trabalhar. Não é nem pelo trabalho. Estou sem saco de qualquer coisa mesmo – até escrever aqui, agora, tá sendo chato e não entendo por que continuo.

Desastrosa. Simon Cowell diria, you are a complete and utter disaster. Mas preciso me recarregar porque vai ter noitada no Blues Bar, tudo indica. Cafeína na veia.

E chega porque estou realmente completely and utterly sem saco.

Tuesday, February 26, 2008

soft gaze

Hoje, principal matéria no breakfast da BBC: Fluoxetina é placebo. Que jóóóóia! E me drogando com algo que não ajuda nada. Pois segurem seus cavalos – vou tentar parar mais uma vez.

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E por falar em humor, o meu tem flutuado. Bem incomodamente. Tenho tido meus repentes de não-me-procurem e por-favor-me-achem. Ao mesmo tempo, o que é mais curioso.

Acho que preciso ser surpreendida. Faz tempo que ninguém me faz surpresas. Faz tempo que não levo sustos bons. Sempre achei que isso fosse o sinônimo de felicidade imediata. Não aquela budista e zen. Aquela de dar friozinho e te fazer querer chorar. Aquela que junta vinte verbos em um e faz sentido. Faz tempo, mas quem sabe logo mais. Não é? Estou aprendendo a esperar. E a dançar um tequinho mais devagar para acompanhar quem não dança twist.

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Ainda não vou revelar para os quatro ventos, mas uma de minhas melhores amigas está grávida. Serei madrinha. Estou tão, mas tão emocionada que corro o risco de ser temporariamente ignorada por meu namorado. Vontadinha de chorar, mesmo sem motivo. Os hormônios. Acho que eu já sou mãe. Só me falta o bebê.

Sunday, February 17, 2008

a gestação mais longa

Olha só, sem pressão, sem gritos histéricos e sem olhos arregalados porque isso só me assusta: voltei a escrever. Quase timidamente, retomei meu livro. Aquele. Anos em andamento. Nada demais. Escrevi uma página e meia. Mas pelo menos desestacionei. Não sei se desestacionei de vez ou se apenas realoquei a bagaça. O tempo há de dizer. Aliás, o tempo porra alguma. Chega de jogar as responsabilidades em mãos de que não tenho controle. Uma hora é a falta de tempo, depois o excesso de amor, depois a chuva, o frio. Sempre algo fora de mim ou de meu controle. Não mais. Se eu escrever e terminar vai ser lindo. Se eu não escrever mais a culpa vai ser pura e estupidamente minha.

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Fim de semana deveras bom. Começou com uma visita a Kingston na sexta. Fui ver meus antigos colegas de trabalho e me deu uma puta nostalgia. Não é sempre que vou a Kingston. In fact, tenho de reconhecer, pode ser a última. É fora de Londres e de mão. E sou preguiçosa com essas socializações.

Acordei antes das 7 no sábado. Um pouco patético, mas dei uma geralzinha na casa e fiz hora até ir tumultuar Byrifoy. Ele acabou levantando antes de eu acordá-lo, o que foi um infortúnio dado que adoro acordá-lo. De tarde fomos no parque curtir o sol e praticar umas meditações de aikidôs. Foi legal e tal mas minha mão congelou e tivemos de voltar. Sem programa para a noite, deixamos acontecer e pessoas apareceram. E apareceram. Meio surreal até, visto que quem ligava era convidado e aceitava. Isso nunca acontece, mas aconteceu e foi ótimo. Mais pessoas do que o apê comporta, mas foi divertidíssimo.

Hoje novamente no parque, dessa vez sem meditação e com muito mais agasalho, fiquei lendo meu livro e curtindo o sol na cara. Até novamente ficar insuportavelmente frio e nos enxotar para o lado de dentro.

Começamos a assistir a Samsara, filme ótimo que já vi no Brasil mas Byrifoy dormiu no meio. Antes que minha família me zoe com minhas escolhas cinematrográficas, ele estava gostando do filme, sim. Só dormiu porque estava cansado. Sei lá, meditou demais. O filme é bom.

Thursday, February 14, 2008

valentinos e desvalentinos

Hoje, famoso dia de São Valentino. Mulherada apavorada para arrumar programas. Ninguém quer ficar sozinho hoje à noite. O escritório está manchado de vermelho. Buquês a cada tropeço. Para mim, não significa muito. Aliás, é o tipo de coisa que significa muito quando não temos alguém. Sentimo-nos mais vazios que o normal quando estamos sozinhos, mas não nos sentimos mais repletos que o normal quando temos alguém. É apenas mais um dia, mais uma noite, quem sabe com um presentinho no meio. E só.

De minha parte, vou jantar num restaurante bem cosy perto de casa, só para não passar em branco mesmo. Datas importantes somos nós que fazemos, não o sistema capitalista.

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Ai, a volta. Ai. É mais difícil do que a maioria pensa, mas mais fácil do que eu penso. Já reconstruí minha despedida zilhões de vezes, cada vez de um jeito. Da mesma forma que reconstruí minha chegada definitiva. E ainda ouso dizer reconstruir algo que nem construído foi ainda. Estão entendendo? Um mar de magma, é o que tenho aqui dentro.

De modo geral acho que estamos lidando bem com a idéia toda. O que me assusta um pouco é a mudança no estilo de vida que nós, como casal, teremos. Hoje temos os mesmos amigos e nenhuma família por perto. Logo mais teremos amigos diferentes e uma família de cada lado para dar atenção. Pode não parecer muito coisa mas, acreditem, é. É o que tem me tirado o sono essa semana. Semana que vem vai ser a busca de emprego, e na seguinte vai ser achar moradia. Quando se esgotarem, os ansiogênicos entrarão em looping. É assim que funciono: todas as minhas ansiedades organizadas, semana por semana. Assim todas têm a sua vez de me deixar louca.

Tuesday, February 12, 2008

shit happens

doente, fodida, fraca.

Não sei qual é a desse lugar que me faz ficar doente com tanta freqüência. Tô realmente cansada. Peguei aquilo que chamam equivocadamente de stomach flu. Básica e teoricamente isso envolve vômito, diarréia e tudo o que acompanha essas condições. Quem me conhece sabe que eu não vomito (sim, é uma regra pessoal que meu corpo obedece há 12 anos). Logo...

Fora isso, nada. Não saí de casa o fim de semana todo, não vim trabalhar ontem e vim hoje porque sou uma mula teimosa. Dói tudo, principalmente o fundo dos meus olhos, o que faz com que eu fique com cara de peixe morto o tempo todo porque tento deixar meus olhos relaxados. Quando alguém me chama, fecho os olhos, viro a cara e abro os olhos novamente, tal como um robô dos anos 80. Um espetáculo.

Volto quando meu humor voltar.

Tuesday, February 05, 2008

wake-up light

Byrifoy comprou uma daquelas luzes-despertadores que imitam o nascer do sol. Uns 15 minutos antes da hora de acordar, a luz começa a acender. E quando chega na hora de despertar, um som de ondas do mar começa baixinho e aumenta, sem nunca ficar alto a ponto de irritar. O objetivo é você acordar naturalmente, pouco a pouco, em vez de pular da cama com o despertador e passar a manhã sonâmbula até a primeira xícara de café.

Olha, funcionou. Acordei muito disposta, como se estivesse realmente descansada, embora não tenha dormido mais que o normal, e o normal é eu acordar me sentindo cansada. Adorei e recomendo. Não imaginei que a maneira como acordo pudesse afetar tanto meu humor. Vamos ter que arranjar lugar na bagagem para levar isso pro Brasil.

Monday, February 04, 2008

assistam

O Cheiro do Ralo. Melhor filme brasileiro dos ultimos tempos, in my humble opinion.

Sunday, January 27, 2008

lista de livros 2007

Aqui vai a já tradicional lista anual dos livros que li e, em negrito, os top 3.

1) O silêncio da Chuva – Luiz Aldredo Garcia-Roza – livro leve e indolor. Também não deixa grandes vestígios na memória. Recomendável para uma tarde de chuva na praia.

2) The Line of Beauty – Alan Hollinhurst – overestimated. Muita gente ama. Eu achei ok. Um desses page turners que fecha e não é mais aberto. Favorito do público gay.

3) Não Espere Pelo Epitáfio – Mario Sergio Cortella – Surpreendentemente bom. Não punha muita fé no autor, professor de teologia da PUC. Mero preconceito meu. Ele é bom e inspirador.
4) Dubliners – James Joyce – Gostei, mas deveria ter estudado algo de Joyce antes. Ele é difícil, hermético, um ótimo aviso de que não estou pronta para Ulysses ainda. O foda de Joyce é que você invariavelmente se sente burro.

5) Diário de Um Magro – Mario Prata – divertidinho. Para ler na praia num dia de sol e depois dar para outra pessoa ler.

6) Fear and Loathing in Las Vegas – Hunter Thompson – Jornalismo gonzo sujinho, cruzinho. É ok, mas acho que não é o melhor de Thompson. Lerei The Rum Diary em 2008 para comparar e te falo.

7) Ela e Outras Histórias – Rubem Fonseca – terceiro colocado, esse livro me prendeu em vários aspectos. Não só a leitura solta te prende, quanto os personagens ambíguos e profundos de Fonseca apresentam semelhança quase desconcertante com atos censuráveis que muitas de nós, mulheres, faríamos se necessário. Leiam, leiam, leiam.

8) Longe do Abrigo – David Lodge – bom livro, quase pedagógico sem ser mala, sobre a vida de americanos na Alemanha pós-Guerra, e da situação na Inglaterra. Um paradoxo lindo sobre a vida sofrida por que passaram os ingleses (que “ganharam” a Guerra) e a vida divertida e sofisticada dos americanos que continuaram na derrotada Alemanha. Lodge costuma escrever sobre ciência. Aqui ele mostrou que é mais escritor que cientista.

9) The Time Traveller’s Wife – Audrey Niffenegger – Empatado em primeiro. Um livro que tem o dom de misturar ficção científica bem leve com romance bem contado. Quase um sci-fi de saias. Espetacular. E escrito por uma escritora que escreve com o estômago. Não podia pedir mais nada. Mas tenha um kleenex em mãos.

10) As Vidas de Chico Xavier – Marcel Souto Maior – Minha tentativa de entender mais o espiritismo. Gostei bastante e entendo mais. Também fiquei surpresa com o dom do Chico. Mas, convenhamos, não é material literário, e esta é uma lista literária.

11) The God’s Delusion – Richard Dawkins – Chato. Chato, chato, chato. O tempo todo o mané podando a religião. Não sou religiosa mas não vejo graça em quem passa mais de 400 páginas tentando justificar o fato de não ter fé menosprezando aqueles que têm. Não passei de 200 páginas.

12) The Kite Runner – Khaled Hosseini – O outro primeiro lugar. Muita gente leu esse livro e tenho certeza de que se sente redimido ao ver que essa pérola também está no topo da minha lista. Leiam antes de ver o filme. Sério. Ainda não vi o filme, mas por experiência própria, a ordem é importante. Depois venha conversar.

13) Freedom in Exile – HH The Dalai Lama – mais político do que eu esperava, mas ainda assim muito bom para quem tem interesse em entender o Tibet.

14) Travels with Charley – John Steinbeck – Sempre Steinbeck. Relatos de sua viagem ao redor dos EUA em um caminhão chamado Roncinante. Com Charley, seu poodle gigante e francês. Leia para aprender travel writing.

15) O Vendedor de Histórias – Jostein Gaarder – Surpresa boa. Minha mãe achou esse livro no setor infanto-juvenil e, acreditem, ele aborda temas que a maioria dos livros adultos não ousa. Muito bom e criativo.

16) A Spot of Bother – Mark Huddon – Mesmo autor de The Curious Incident… um livro que fez sucesso aqui. Ainda fico com o primeiro. De longe.

17) As Pequenas Memórias – José Saramago – ah, mas será que nunca mais o Saramago vai escrever algo que chegue aos pés de Ensaio Sobre a Cegueira? Aceito sugestões.

Thursday, January 24, 2008

ainda aqui

Passou meu aniversário, fiquei doente, melhorei, (quase) decidimos realmente voltar ao Brasil, comprei minha passagem para ir em abril de visita. Não me peçam encomendas de cá para lá pelo amor de alá porque estarei voltando com parte das coisas que quero deixar no Brasil. Encomendas do Brasil pro UK, beleza, within reason.

E assisti filmes, e estou viciada em Desperate Housewives, e semana que vem recomeça Lost, e hoje começo Yoga. Programa de inverno, meus caros. Because one needs to look forward to something.

E, sei lá, passou tempo demais desde meu último post. Meio que esqueci de muita coisa. Não esqueci que meu amor me levou pra ver o Cirque du Soleil no meu aniversário - isso não esqueci. Também não me esqueci das mensagens amadas. E infelizmente não esqueci daqueles que esqueceram! Acho que é por isso que não gosto muito do meu aniversário. É sempre motivo para frustração. Acho que eu devo valorizar demais a data. É tempo de let it go. Em 2009, em 2009.

Ah, e ultimamente tenho tido uma vontade de abrir meu próprio negócio... Só não sei que negócio. Mas é que fazer dinheiro pros outros cansa um pouquinho. Vontade rápida, já já passa. Se não passar, em breve aqui um convite para a inauguração de sabe deus o quê.

Sunday, January 13, 2008

está chegando a hora?

Devagar para eu não entrar em pânico – e nem vocês. Algumas das decisões que eu sabia que deveriam ser tomadas em 2008 estão tomando forma precocemente. Ainda não sei dar estimativa, porcentagem, nada. Sei que é PROVÁVEL que este ano eu volte para a terrinha.

Isso faz com que meus amigos que moram no Brasil e lêem este blog:

a) fiquem felizes porque há boas chances e eu voltar
b) fiquem putos porque tiveram 4 anos para virem para Londres com hospedagem gratuita e companhia de ouro, e desperdiçaram
c) estejam pouco se fodendo porque nem gostavam tanto assim de mim
d) estão genuinamente achando que estou fazendo merda de voltar para o buraco.

A verdade é a seguinte: Londres cansou um pouco. Não me entendam errado – Londres sera por muito tempo minha cidade preferida ever e precisará de muito para ser desbacada. Só que cansa também. Cansa o frio. Cansa a liquidez das relações. Cansa as despedidas que acontecem sem que você vá a lugar nenhum. Todo mundo indo e vindo o tempo todo. Cansa a falta de frutas tropicais. Cansa a falta de luz e vontade de nadar. Cansa achar que sou sempre um pouco inferior porque inglês não é minha primeira lingual, apesar de muitos dizerem que isso não é realmente um problema. Cansa estar longed as pessoas mais importantes da minha vida e, acima de tudo, cansa pensar que a pessoa mais importante na minha vida no último ano e pouco poderia estar longe de mim.

E nessas horas parece que não importa que eu more num país que me paga decentemente e que me permite viver bem e viajar pelo mundo. Parece não importar que no Brasil o pouco dinheiro que te sobre após as taxas acaba, vira e mexe, no bolso de outro ladrão. Lembro que ao sair do Brasil o que mais me impulsionou foi a vontade de sair do buraco e fazer a vida num país que me valorizasse. No Brasil sempre me senti podada, e pode ser que isso volte a acontecer. Pode ser. Mas as circunstâncias são outras. Antes, eu não tinha um real motivo para voltar para o Brasil; hoje eu tenho. E é isso que me faz ver 2008 como um ano que promete. Se for para ser, voltarei ao Brasil com gusto. Sorriso de orelha a orelha e vontade geuína de ver as coisas funcionando, na minha vida e no país.

E se não der certo, well, se não der certo de novo, nada, por enquanto, me segura em lugar algum.

E chega de cansaço. Londres é minha cidade preferida, mas ela me deixa meio envelhecida. Quero recomeçar restless. Vamos ver o que os ventos trazem.

Wednesday, January 02, 2008

'moaning' no primeiro post do ano

Eu tinha esquecido por quê não gostava de escrever no blog pelo meu Mac e agora lembrei. O Word pra Mac é uma bosta, como tudo que a Microsoft faz pra Mac.

O ano mal começa e já destilo meu veneno e espalho meu mau humor. Ontem foi um dia beeem ruinzinho para ser o primeiro do ano. Uma dor de cabeça inexplicável para quem não bebe, um sono latente inexplicável para quem dorme muito, uma preguiça inexplicável para quem, ultimamente, não faz nada.

Aí acordei com a cabeça explodindo no meio da noite. Tomei remédio e acordei nova.

Ano novo foi muito gostoso. Não vi fogos apesar de eles estarem etourando diante do meu nariz. Pelo menos não cuspi fogo com pessoas pisando no meu pé. Fiquei no lado de trás do barco, onde nada se via mas pelo menos se respirava. Foi gostoso. Só a gente e o reflexo dos fogos nas janelas.

Mais uma vez, não fiz promessa de ano novo. Não porque tenho algo contra, mas porque sempre fico meio confusa e acabo não decidindo se a promessa é cumprível ou não. Tenho vontades, e sei que ficarei feliz se x ou y acontecerem, mas não vou prometer. Prometer é muita coisa para alguém que se leva a sério. Parece que não, que o tempo todo tiro sarro de mim mesma, mas isso não passa de uma defesa para não encarar o sério e certo. Riri de si próprio é o gesto mais sério que se pode ter. Porque se levar a sério o tempo todo, meus amigos, isso sim é que é piada.

E lá vai mais um post sem pé mas com cabeça.