Monday, February 20, 2006

boys in the hood

E mais frio e mais cinza, mas ontem nao foi um dia tao ruim. Ontem foi legal, ouso dizer. Ontem foi dia de trabalho. Mas trabalho misturado a flerte nunca eh a mesma coisa que soh trabalho. Deixa de ser trabalho e vira algo entre ele e diversao.

Ontem foi dia de ficar na piscina e depois fazer massagem e depois voltar para a piscina, e depois jogar futebol com aquelas bolonas de fitness e depois ficar na piscina e depois ficar perto, fazendo alguma coisa, qualquer coisa, desde que fosse perto.

Eu quase, quaaaase o chamei para ir ao cinema comigo e Broo. Mas, sei la o que me deu, nao falei nada. Ele disse “vou para casa, nao sei”. O “nao sei” obviamente era minha deixa. Ele tava quase implorando. O “nao sei” era algo como “me tira do marasmo, filha”. Mas eu nao tirei. “ok, then, have a good one”. E fui. E burra, burra, burra. Porque nao o chamei para ir junto? Nao me entendo. Mas vai ver eh bom. Ainda vou encontra-lo pela academia. Trabalhando ou nadando.

Nao eh nada especial. Eh apenas aquela temperada que faz o peixe virar peixada. Apenas as curves que preciso num domingo reto de trabalho.

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E agora, agorinha, recebo um email do Manager (lembram?) que fez meu coracao pular como um passaro selvagem enjaulado (ou eh apenas desejo de que as coisas tenham de fato mais emocao?):

Good to hear from you. I take it that Brazil was the same old hot weather and naked women???? Now you work and are looking to move away I do not expect to see you in my building ever again!! Take care babes. xx

E eu quis responder na hora mas me segurei. De novo. Eu quis responder que claro que ele vai me ver e claro que eu me cuido, e claro que tudo o que ele quiser. Foi lindo pensar nele falando essas palavras. Ele que mexeu um pouco no lado bom raquitico que houve em 2005. Faz uns tres meses que nao o vejo. Soh agora, com esse email, percebi que sinto saudades.

Sunday, February 19, 2006

companhia

Tudo cinza, tudo frio. Ontem só saí de casa para fazer supermercado. Qualquer um concordaria comigo que era dia de ficar em casa e chorar. Não chorei pela minha vida, mas pela de outros. Assisti a dois filmes absurdos. Um, uma ótima surpresa, “In Ameerica”, sobre uma família de irlandeses que resolve morar nos EUA e viver o “sonho”. O outro, eu já sabia o que me esperava, mas não imaginava que me emocionaria tanto assim ainda, já que é a quarta vez que assisto a “Ponette”. Eu economizei, até dei preferência a assistir com companhia, mas não tinha ninguém para ver comigo e eu não sabia quando novamente teria a TV para mim o fim de semana todo, já que Mr Australia está na França e Mr Suécia na Suécia e Miss Alemanha não parou em casa.

Eu adorei, para ser sincera. É sempre uma batalha conseguir a TV para mim por duas horas para ver um filme.

Eu chorei até esgotar o estoque. “Ponette” tem o dom de me tirar de órbita. É que a menina trabalha tão, mas tão bem, que não tem como não achar que ela realmente sentiu tudo o que parecia sentir seu personagem. E eu entrei de cabeça no filme como nas três vezes anteriores. E chorei e chorei e o filme acabou e continuei chorando e precisei tomar banho à meia-noite senão não parava de chorar.

Recomendo muito, sempre, mas sempre acompanhado. De preferência por alguém aconchegante ou, ao menos, por um dia de verão.

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A casa veio e foi. As coisas são assim aqui. Broo e eu achamos a casa que estávamos procurando, mas a nossa ex-futura landlady não aceitou baixar o preço do aluguel um tequinho, para aparar as pontas. A vaca não arredou o pé.

Era a casa que queríamos, em Fulham, uma das regiões top top top, dois quartos de bom tamanho, tudo legal, tudo certo. A vaca não arredou o pé.

Foda-se. Desejo à senhora vaca um futuro de inquilinos fumantes, festeiros, bebedores e dotados de veias artísticas.

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Estou indo na Cannons logo mais, fazer meu shift de 6 horas para poder continuar usando a academia. Se eu for aceita no clube de natação, acabar-se-ão, se deus for pai, esses shifts de fim de semana.

Thursday, February 16, 2006

verao aqui dentro

Estou febril. Nao sei se eh febre ou outra coisa, mas estou febril. Olhos pesados, corpo cansado. Uma enxaqueca vinha no caminho quando a brequei com uma dose letal de Goody’s, que nem sempre eh letal. Mas nesse caso ajudou.

Mas febre nao eh. Talvez um pouco de tontura: computador demais. Ontem fomos ver tres casas em Wimbledon, uma delas um escandalo de linda. Ta, ok, um escandalo de linda perto do que a gente ja viu.

Mas eu pegava facil.

Hoje vamos ver mais uma, agora em Fulham, outra regiao favorita. Mais tarde duas garotas vem ver a minha casa e o meu quarto e os meus flatmates. Tenho a desconfianca leve de que ficarei com ciumes.

Mas estou febril e aqui ja sao cinco e tenho que ir para chegar na imobiliaria a tempo. E estou esperando terminar no eBay o leilao para o DVD de “Ponette”, que nao existe na verdade, nao com legendas em ingles pelo menos. Em uma hora acaba o leilao. Em uma hora serei mais feliz.

Wednesday, February 15, 2006

run if you wanna go faster

Nao estou mais aguentando de tediooooooo. Nao eh possivel que as pessoas levem dias fazendo o que faco em horas! Preciso de mais trabalho. Preciso de mais. Acabei de mandar um email pro meu chefe dizendo que estava bundando. Sim, bundando. Navegando a esmo pela web. Montando bonequinhas num site que minha irma me indicou, bonequinha que eh. Pensando na Pascoa e na casa nova e na minha ida ao Brasil no final do ano – sim, ja penso nisso. Pensando que minha amiga do trabalho anda um peh no saco, ou melhor, um chiclete no meu sapato.

Pensando em tudo menos no trabalho, porque realmente NAO TEM EM QUE PENSAR. Tudo o que eu podia fazer, ja fiz. Todo mundo de que eu tinha que cobrar ja cobrei. Tudo mesmo. Nao sobrou nada. Nem aquilo que tendo a varrer para baixo do tapete e fingir que nao existe. Ateh isso eu resolvi realmente varrer.

Mas enfim. Estou ganhando dinheiro e eles parecem felizes comigo. Mas nao entendo, nao entendo.

Acabo de receber um “fair enough” de resposta do meu chefe. Como se, ao pedir para ele me passer tarefas, eu estivesse pedindo um favor e ele concordando que eh um favor contundente. Entendo menos ainda.

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Acabo de mandar um email para um clube de natacao que estah aceitando Masters (deus do ceu, ja sou Master!). Fica na regiao proxima de onde em breve morarei. Vamos ver se eles me aceitam. O esquema eh parecido com o que eu tinha quando treinava no Brasil. Mais ou menos 90 minutos de treino todos os dias da semana + domingao. Vou reclamar o tempo todo, vou reclamar adorando.

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Quero parabenizar uma pessoa muito especial, muito mesmo. Nao apenas porque eh minha irma, mas porque ela teve o dom de infectar seu computador com virus meros tres dias apos adquiri-lo. Nao fosse assim, nao seria minha Piu.

Tambem quero parabenizar essa mesma pessoa especial que confundiu Sardenha com Bolonha. Pessoa especial, assim eu acabo dissolvendo de fofura!

Tuesday, February 14, 2006

engulamos Clarice

Mergulhei novamente no mundo de Clarice, uma viagem sem volta. Cada vez mais profunda, cada vez mais longe. Ela sou eu, eu sou ela, ela eh todos nos, neh? Ela eh a dona do mundo. Ela mesma disse isso e ela mesma estah certa.

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Pascoa bookada. Vamos em oito para nada menos que Sardenha. Saimos na quinta e voltamos na terca. Alugamos uma casa de frente para o mar. Para me ajudar a morrer um pouco e ressuscitar a cada respirada. Possivelmente alugamos um carro tambem. Possivelmente faremos um mergulho em algum ponto remoto e eu vou chorar mas com mascara tudo bem, ninguem ve, mas sei que vou chorar de emocao e de vontade de nao voltar aa tona.

Sempre acontece isso comigo no mar.

Depois passa, e fico ateh feliz de ter voltado ao mundo.

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A busca por uma casa continua. Renata pulou fora, entao somos eu e Broo novamente, casa de dois quartos, mais caro, mais contas. Estamos considerando Wimbledon. Sou suspeita. Amo.

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Hoje eh Valentine’s Day aqui e eh aquele alvoroco igual ao 12 de junho do Brasil. Eh muito engracado e mundano. E eu sou muito engracada e mundana tambem.

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Fomos assistir a Brokeback Mountain no sabado (nao sei qual o titulo em portuga). Lindo, lindo. Lindo demais. Ainda mais com o Jake. Aiai. De volta aos meus 13 anos. Amo-o como amava os “meninos do volei”. Amo-o como amava Patrick Swayze em Dirty Dancing. Assistiria a seu pior filme e ainda assim amaria. Brokeback Mountain tem a vantagem de, alem dele, ser um otimo filme. Gastem uns tostoes a mais e assistam em tela grande.

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Estou tendo rompantes de brilhantismo. Tudo culpa da Clarice. E da binha bae, que me deu a Clarice. Se meu livro sair antes do prazo, culpem-nas.

Wednesday, February 08, 2006

refazenda

Aproveitando os ultimos minutos do meu lunch break para atualizacoes.

* Talvez, mas soh talvez, aconteca algo muito bom. E vou deixar assim. Soh falo quando acontecer.

* Ontem fui nadar na St George’s. Fiquei com saudade dos meus tempos de pindaiba. Mas estou tao melhor longe de la… Depois que deixamos um emprego somos capazes de medir muito melhor quao exploratorio ele foi.

* Falei. Finalmente falei. Desentalou. Falei para o pessoal que devo em breve sair da casa. Agora eh soh uma questao de avisar oficialmente. E, depois, comecar tudo de novo: procura casa, vai atras de corrector, procura alguem para ficar no meu lugar na outra casa, visita, nao gosta, visita, gosta mas nao pega. Ja tenho que entrar no clima.

* Fim de semana muito bom. Sabado trabalhei na Cannons, depois fui no cinema com Broo, Re, amigos e meus flatmates. Assistimos a Walk the Line, o filme de Johnny Cash. Olha, eu nem sabia quem era Johnny Cash. Juro. Mas sai do cinema ja pensando em que musicas baixar. A-do-rei. Nem sei se eh fidedigno ou nao. Eh uma biografia, tipo Ray, mas eu vi tudo como historinha porque nao conhecia o cara. E soh de ver o Joaquin Phoenix atuando ja valendo.

* Domingo fui pra Windsor com Broo. Uma vilazinha toda bonequinha, cheia de historia. Casas tortas, ruas de pedra e, claro, um castelo espetacular. Ficamos umas 3 horas la dentro e parecia que eu tinha voltado no tempo, que realmente estava vivendo dentro daquela realidade. Recomendo.

* Estou querendo muito mesmo que o que eu quero que de certo, de.

* Continuo uma pilha de ansiedade. Subi de novo o remedio. Em breve devo aquietar, senao sou capaz de explodir com um peido.

Friday, February 03, 2006

extremamente tudo

Eu sou idiota ou o que? Estava relendo emails que mandei desde que cheguei aqui em Londres. Sou idiota ou o que? Deus, como mudei. Como fui anta. Como engolia os mais gordos e nojentos dos sapos. Mas no comeco, no comeco foi quando fui mais feliz. Quem eh que inventa o que eh idiota e o que nao eh? Fui a mais idiota das idiotas nas mais felizes ocasioes. E talvez a propria idiotice tenha ajudado.

Por que teimamos em nao sermos idiotas? Qual o problema em nao ver se nao ver te faz mais feliz? Por que queremos ver tudo se uma hora vamos morrer e tudo o que vimos nao vai mais significar nada?

Meus momentos mais doces sao aqueles em que fui idiota. Hoje olho para traz quase com tristeza. Eh engracado isso. A gente sente tristeza quando pensa num tempo em que eramos felizes. Por que nao apenas ser feliz aqui e agora? Por que a lembranca de algo bom eh sempre triste? Serah porque esse algo soh existe em forma de lembranca? Serah porque eh um tempo irrecuperavel? Serah que eh porque perdemos a capacidade de ser feliz como antes? Ou serah que nos decepcionamos com nossa idiotice?

Eu me decepciono com minhas idiotices. Acho que eh por isso que ja comecei a escrever meia duzia de livros e nunca terminei. Sempre passa o tempo, um tempo suficiente para eu idiotizar o passado e tudo o que fui um dia, tudo o que vivi, tudo o que escrevi. Tudo que era profundo fica mais raso que um pires.

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Essa madrugada aconteceu. De novo.

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Ontem joguei na loteria. De novo.

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Hoje vou encontrar o Michael. Michael eh o velhinho irlandes que conheci no onibus em Dublin. Michael me ligou exatamente quando eu estava deitada, de olhos fechados, pedindo que meu falecido avo me mandasse forcas para enfrentar mais uma noite, mais um dia, mais uma semana. Michael foi o mensageiro. Depois que ele ligou, eu consegui dormir. Eu entendi a mensagem.

Thursday, February 02, 2006

mais uma vez, o horror

A gente acha que vai comecar a esquentar, mas ainda esfria, esfria, esfria. A gente acha que estah tudo bem, mas nao estah, nao estah, nao estah. Ontem tive um quase-ataque de panico no trem de volta do trabalho. Estava falando no cellular com a Broo. “Broo, nao to bem. Panico. Eh, agora. Como? Olha, nao to conseguindo falar. Preciso desligar. Sim, me cuido. Ta, podexa. Vou esperar. Beijos”. Fui o resto da viagem suando frio, coracao aceleradissimo, respiracao com o controle de um cavalo selvagem. A sensacao de que todos aqueles ingleses me olhavam espantados, o que obviamente nao aconteceu. A sensacao de que quando o trem chegasse em Waterloo eu nao iria conseguir levantar do meu assento e que teria de ir de volta ateh Kingston. A sensacao de que minhas pernas dobrariam se eu tentasse ficar em pe.

O trem chegou, eu sai. Comprei um cookie porque achei que poderia ser fraqueza. Tenho comido pouco. Ateh melhorei depois do cookie, mas o bolo na garganta nao estava tao saboroso. Cheguei em casa, comi um negocinho e fui dormir. Oito da noite fui dormir. Na verdade fui ler. Nao parei ateh terminar o livro, The Secret History, uma delicia de thriller. Isso era la pelas dez e meia jah. Com a ajuda do Nosso Senhor do Rivotril, dormi. Acordei mais leve, mais calma, mais serena mesmo. Fiquei menos irritada com as Pessoas Que Empurram, uma classe especialmente desprezivel de seres humanos. Nao corri sem precisar correr. Nao li o Metro News, mas meu novo livro, The Reader, do Bernhard Schlink, que meu tio John me deu de Natal.

Cheguei no trabalho e nao pirei nos deadlines, porque aqui ninguem pira. Deadline eh algo meramente hipotetico, quase inalcancavel. Tenho que parar com essa mania de fazer tudo direito. Se todo mundo fizesse tudo direito tambem, o mundo nao estaria uma zona.

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Fui na cadimia essa semana. Resolvi dar as caras e bracadas. Logicamente, para tanto, terei que continuar trabalhando de salva-vidas la, now and then. Nesse sabado, por exemplo, vou trabalhar das 12.30 as 18.30. E soh. Pretendo voltar aos meus exercicios. Nao foi promessa de ano novo nem nada. Sempre pratiquei esportes e nesse caso nao preciso fazer promessas para depois dizer que eh impossivel cumpri-las.

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Se tudo der certo, se nao estiver tao frio, tao cinza, tao fodido, domingo eu e Broo vamos a Windsor para conhecer o castelo. Sempre quis.

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A busca pela casa perfeita ainda nao comecou. Semana que vem devo anunciar minha saida aos queridos flatmates. Liberdade = poder de escolha = perda de algo. Por que queremos ser tao livres eu sempre me perguntei.

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Desencanei de catar os farelos de mim. Acho que o vento vai se encarregar de levar tudo para o lugar certo. Enquanto isso, pego um cinema, saio para jantar, vou trabalhar. Tudo que me tire de orbita sem me meter num zenite.

Sunday, January 29, 2006

livruras

Não esqueci, não. Aqui a listinha dos lidos de 2005. Eu queria ter lido mais, mas confesso que 2005 foi um ano sem tempo para o ócio ou para qualquer coisa que não fosse trabalho. Também foi um ano de ler muito jornal e pouco livro. Mas ainda assim, lá vai, com título, autor e meu comentário prepotente. Em negrito, os campeões:

1) Eternidade – Ferreira de Castro – Demorei para lembrar que livro era este. Só recomendo para quem não quero bem.

2) 1933 Was a Bad Year - John Fante - Em espetacular forma. Amo ele anyway.

3) Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante - Clarah Averbuck - coisas que já tinha lido.

4) Morte no Paraíso - Alberto Dines - Livro do chefinho; sou parcialíssima para julgar…

5) Oracle Night - Paul Auster - Uma das melhores descobertas desse ano.

6) A Tapas e Pontapés – Diogo Mainardi – Passei a odiá-lo menos. Mas não deixei de odiá-lo.

7) On the Road – Jack Kerouac – Esperava mais. Mas acho que esperava demais.

8) Amestrando Orgasmos – Ruy Castro – nhé…

9) O Vendedor de Passados – José Eduardo Agualusa – Simples e bonito.

10) Vida de Gato – Clarah Averbuck – Ela já me emocionou mais.

11) Sonhos de Bunker Hill – John Fante – Amo ele. Lindo, lindo.

12) I am Charlotte Simmons - Tom Wolfe - Acho que o melhor desse ano.

13) Se Um Viajante Numa Noite de Inverno – Italo Calvino – Legal e difícil.

14) Memórias de Minhas Putas Tristes – G. García Márquez – Ele é outro amado...

15) Emma – Jane Austen – Esperei demais dela. Ainda não terminei o livro

16) As Intermitências da Morte – José Saramago – Parei na metade. Ele, que foi o melhor de 2004, conseguiu ser o pior de 2005, empatado com o primeiro do ano.

Friday, January 27, 2006

farelos de mim

OLA. Mais um dia inutil, para ser bem sincera. Estou dependendo de varias pessoas fazerem o trabalho delas para depois eu poder fazer o meu. Estou esperando meu chefe me chamar para uma reuniao. Ja falei para ele que estou sem nada para fazer, mas ele nao captou a mensagem.

Well, then.

Hoje joguei na loteria. Quer dizer, na Euro Million. Sao, sei la, cem milhoes de pounds. Joguei soh para ter algo em que pensar.

Hoje tambem reservei meus tickets para Paris em julho, quando minha Piu vem. Eh meu presente de aniversario para ela. Passagem e estadia em Paris de quinta a domingo.

Ontem fui na despedida do Joao, um amigo de uma amiga de uma amiga. Ele foi morar em Barcelona.

Ontem dormi na casa da Broo. Eu amo futon, ja disse isso aqui?

Esse fim de semana vou ter que fazer o cacete do ensaio para meu curso de Imprensa Britanica. Fora isso, quero ver se vou no Greenwich Market.

Tenho tentado comprar coisas pelo eBay mas sempre vem um nerd e compra um minuto antes do leilao terminar. Aa merda.

Estou combinando de ir para Manchester com a Randa, a sueca com quem trabalho, um desses fins de semana.

Ando sem fome e sem fazer exercicio. Ando com sono demais. Ando muito de salto e isso cansa.

Coisas soltas, assim. Desparafusadas. Nada que una nada com nada. Deixo farelos de mim por onde passo, mas farelos nao fazem falta. Eu nao deveria me preocupar. Mas sempre fui de procurar farelos. Talvez um jeito de ter tudo sempre como foi. Justo eu, que joguei fora o tudo-igual para ficar com o what-the-hell. Nossa Senhora da Adrenalina. Minha deusa, minha lastima.

Baixei meu remedio para panico. Fiz merda?

Wednesday, January 25, 2006

someday somehow I’m gonna make it alright but not right now

Eu não sei se está dando muito certo essa história de ter cortado minhas *dorgas* ao meio. Tenho andado esquisita. Irritadiça, pensativa, emotiva, cheia de dores imaginárias. Neste exato momento, estou quase deprimida e a ponto de arrebentar meu PowerBook se ele continuar corrigindo meus escritinhos em português para algum termo próximo em inglês.

Coisas assim.

Ontem o dia foi um cu. Hoje melhorou. Ontem eu teria pulado da Vauxhall Bridge não fosse o convite da Broo para dormir na casa dela. Fui mesmo sem estar com minhas *dorgas* amadas comigo. Aí, claro, hoje me senti ainda mais esquisita. Mas as cagadas diminuiram.

Resumindo: ontem peguei o trem errado. Meu trem sempre sai da plataforma 4 de Waterloo. Sempre. E eu nunca vou trabalhar ouvindo música porque é muito cedo para me alienar. Nunca. Aí o que aconteceu? O sempre e o nunca viraram exceção ao mesmo tempo. O trem que saía da plataforma 4 ia para Guilford, e não para Shepperton como é de costume. E eu estava ouvindo fervorosamente meu iPod, e não me contentando em ler a fundo uma cópia do Metro News como de costume. Então peguei o trem errado e não tive a chance de ouvir no microfone que havia feito cagada.

Fui descobrir quando já estava num lugar chamado Worcester Park. Não perguntem. Aí desci desesperada. Gelo na espinha, no nariz, no pé. Frio em todo lugar. Gelado. Tudo congelado em volta. Tudo branco de gelo. E eu gelada dentro e fora. Fui para o outro lado da plataforma e voltei para Raynes Park, onde eu sabia que passaria um trem bom para mim. Aí, ta-dáaaaa, chego em Raynes Park quando meu trem já partia. Óquei, pensei, aguardarei o próximo. Eis que ta-dáaaaa, o próximo foi cancelado. Sabe o Nosso Senhor das Ferrovias por quê. Aí começa a bater aquela combinação lamentável de desespero com indignação. Pego um trem até New Malden, onde eu teria que achar um ônibus que chegasse até o trabalho mesmo não tendo a mais puta idéia de onde estivesse.

Saí do trem já atrasada, claro. Eram 9 e pouquinho, eu devia já estar sentadinha na minha baia, mas nãaaao, nãaaaao. Claro que não. Estava correndo atrás de um ônibus que partia exatamente quando eu consegui abrir espaço entre os carros para atravessar correndo a rua. Ele foi, eu fiquei. Foram mais 15 minutos de espera até o próximo busão.

Liguei pro trabalho para me sentir menos ansiosa. Afinal, baixei as *dorgas*, tenho que pegar leve comigo. Quando o ônibus chega, lotado.

Olha, não vou contar o dia inteiro porque vou deprimir meus amados vocezinhos. Vou resumir: cheguei 45 minutos atrasada no trabalho, tive dor de barriga daquelas de apertar os olhos de dor e de se dobrar no meio quando o chefe te chama para ver um negocinho. E também, na volta, meu salto quebrou. E vocês vão dizer, pô, Bibinha, isso é sorte, podia ter acontecido no começo do dia. O negócio é que eu não estava indo para casa. Estava indo ver uma casa. Andar, andar, andar. O que mais se faz em Londres, mas não com um salto quebrado no pé. Maldita bota de Franca.

Então cansei de me foder e resolvi dormir na casa da Broo mesmo sem remedies. Uma revolução, ficar sem meus remédios. Decisões, decisões. Hoje o dia foi melhor. Ontem eu tive vontade de chorar quando vi uma ratazana nas ruas de Camberwell. Por que ali, comigo, para me enojar? Por que bem naquela hora que eu não queria mais nada me arrepiando o pescoço? Tudo frio, tudo desconfortável. Eu só queria me afundar num mundo de almofadas com cheirinho de família e uma bacia quente para fazer escalda-pé. Era só isso que me faria a pessoa mais feliz.

Mas o dia acabou. Tirei o sapato quebrado. Tentei colar. Desisti. Quase chorei por causa do frio. Mas depois ficou tudo bem. Vai ficar tudo bem. Nothing’s wrong just as long as you know that someday I will.

Monday, January 23, 2006

you only tell me you love me when you’re drunk

Fim de semana muito bom. Como esperado, joelho roxo, bunda dolorida. Adorei patinar no gelo com a amada Broo. Eu patinava muito sobre rodas quando era mais nova, entao nao tive grandes problemas para me adaptar. Mas devia fazer, sei la, 15 anos que eu nao patinava no gelo. Esqueci como eh gostoso cair sabendo que se vai cair.

Depois teve jantar la em casa. Comemoracao tardia e londrina do meu aniversario. Mr Australia cozinhou. Todo mundo ficou bebado – menos eu –, aquela palhacada de sempre. Fomos dormir tumultuadissimos depois de um jogo da verdade em que o que mais se fez foi mentir.

Domingo mal pus o focinho para fora de casa. Um frio de doer apesar do sol. Voou.

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E ele estah tomando forma. Meu bebe. Serah que vou finalmente parir?

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Fotos para todos os gostos.

Tem o album Cannons Health Club, estrelando eu e o pessoal da cadmia em que eu salva-vidava; tem o album Brasil Dez/Jan 2006, que dispensa explicacoes, e tem o album British Birthday, de anteontem.

Thursday, January 19, 2006

nao abra porta para desconhecidos; nao feche portas desconhecidas

Ah, claro que estranhei, neh? Assim como esse post meio que comeca do meio, minha ida e volta ao Brasil comecou do meio e terminou no meio. Parece que arrancaram um segmento da minha cabeca. Cheguei ai e tudo estava tao, mas tao igual (menos o tunel da Faria Lima) que foi como apertar pause e depois de um ano e meio apertar play novamente.

E, sinceramente, egoista ou nao, quero que seja sempre assim. Porque muito pior que a sensacao de que nada mudou, eh a sensacao de que tudo mudou e voce nao estava la para acompanhar.

A volta foi estranha. No aviao, aquela sorte bem tipica de pegar um lugar no meio da coluna do meio; de um lado um gordo folgado e frances, do outro uma brasileira tagarela e fedida. E o Lexotan fez o papel de Deus na minha vida durante oito horas. Dormi por oito horas num voo lotado. Para completar, um moleque sentado no banco da frente (obviamente deitando a cadeira no meio da refeicao) e outro no banco de tras (obviamente me chutando como se eu fosse seu pior inimigo ensacado). Cheguei em Paris e fui pro albergue. Fica numa area boa. O albergue eh OK. Nada do outro mundo. Passeei, me diverti com a grossura dos parisienses – porque eh tanta que uma hora fica engracada – e jantei num café desses bem tipicos.

Depois fui dormer, exausta. Eram 7 da noite. Acordei as 10pm e nao conseguia mais dormir. Fiquei lendo. Chegaram as minhas companheiras de quarto, duas australianas gente finissima, Vanessa e Jamina. Elas estao rodando a Europa e em uma semana voltam para a Australia. Elas odeiam homens e acharam os caixas na Hungria muito lentos. Elas tem varias opinioes engracadas. Aih uma hora cansei e dormi. No dia seguinte, sai de mansinho. Tudo correu liso. Albergue do lado do Gare du Nord e de la ateh o Charles de Gaulle foi um pulo.

Cheguei em Londres no meio da tarde de um domingo devagar e cinza. Casa silenciosa, soh Mr Suecia em casa, no banho. All good. Voltei. Voltei a acordar as 6:30h para pegar o trem das 8:12h saindo de Waterloo e chegando em Kingston meia hora depois. Voltei a fingir que sei o que estou fazendo e eles voltaram a acreditar. Voltei e aqui tambem rolou uma tecla pause. Sobre minha mesa, tudo igual, exceto um envelope com um voucher de £10 do Marks & Spencer que os diretores me deram de aniversario. Parece que eh sempre assim por aqui.

Por fora, tudo bem. Por dentro eh que pega. Ter ido ao Brasil foi muito bom. Mais do que deveria ser. Estou sentindo muita falta, muita mesmo. Estou sozinha. Ao mesmo tempo nao estou. Estou com companhias superficiais. Hoje a Broo chega. Ja deve ter chegado. Se nao houvesse Broo aqui eu tava fodida, acho. E no final do mes a Bobby chega. Logo mais, se nao houvesse Bobby aqui eu tava fodida, acho, tambem.

Estou com queimacao no estomago, um nervo pincado nas costas e comeco de enxaqueca. Estou com sono. Estou querendo que chegue sabado logo para patinar no gelo e depois contar tudo aqui, porque vai ter muito com que se deleitar. Estou cansada, mas ainda assim quero muitas coisas que vao acontecer. E soh vao acontecer porque eu quero.

Wednesday, January 11, 2006

meu aniversário

Hoje é o meu aniversário.

E os presentes têm sido generosos.

Tuesday, January 10, 2006

bouncing

Então enterramos 2005, o pior ano que me fez melhor. Não estou querendo que esse ano seja de repente a realização de todos os não-feitos do ano passado. Tem que ser como regime. Esqueça o dia anterior para que hoje dê certo. E o que é a passagem de ano senão o simples dormir e acordar num novo dia? Inventamos que é importante, então vamos todos embarcar nisso. Virar o ano pode ser muito sem graça e muito especial. É como Deus.

Ainda no Brasil, já tendo que me despedir. Não gosto de iludir. “Mas ainda nos vemos, né?” “Olha, acho que não. Dê cá um abraço e até a próxima”. Porque brasileiro sempre diz “ainda nos vemos” mesmo na véspera do mundo acabar. E misturados à despedida, ainda estou marcando encontros pela primeira vez. Pessoas que ainda não vi e que vou ver já de saída.

E pessoas que conheci aqui. Algo que nem passou pela minha cabeça. Conhecer pessoas aqui. Eu vim para rever. Descobri que rever quase não existe. Existe ver. E conhecer. Nunca mais vou me iludir que sou capaz de deitar os olhos duas vezes sobre a mesma coisa, o mesmo lugar, a mesma pessoa. Meus olhos são olhos de primeira vez. O barulho dessa cidade me machuca. A luz me machuca. A proximidade me incomoda. E eu amo tudo o que machuca e incomoda aqui. Porque machuca e incomoda como eu gostaria que machucassem e incomodassem todas as coisas que machucam e incomodam.

Se tudo fosse assim, eu choraria de ver uma flor morrer, e nada mais sangraria. Saudades de um tempo de inércia que jamais vai voltar porque acostumei com a adrenalina. Acostumei com subir e descer e ter o estômago dançando numa cavidade que suporta dois estômagos.

Puta merda, não estou escrevendo nada com nada. É que minha cabeça está meio virada mesmo. Acordo cedo sem motivo. Fico pensando no que me espera em Londres e no que me deixa em Sampa – porque eu não estou deixando Sampa; Sampa é que me deixa ir, quase me cospe. Mr Austrália me mandou email agradecendo as fotos que mandei de uma festinha que demos. E falou que está com saudades. E eu também estou. Não só dele, claro. Dele e de tudo o que é minha vida lá. Das pessoas, da luta diária para não afundar no espiral da solidão, na luta diária para achar tempo e força para arrumar a casa, na luta diária para chegar a tempo de ter tempo.

Aqui a luta é outra. É luta para preencher vazios. De alguma forma sempre falta algo importante. De repente é algo que me faz falta e eu ainda nem sei. Algo que desconheço, mas que tenho em Londres. Lá, de alguma maneira, me sinto mais preenchida. Enquanto que aqui, me sinto amada. Vai ver é isso. Lá eu sei que posso pedir amor. Faz sentido pedir amor. Aqui, não. Aqui o amor transborda e ainda assim não é suficiente. Mas transborda, então nem dá para pedir mais. O amor que não acaba e que nunca é suficiente.

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Ubatuba foi tudo menos Ubachuva. Eu, minha Piu e minha Bathatha pegamos praia todos os dias. Nadei todos dias até a ponta das Toninhas. Vi tartarugas, arraias e, quase juro, um golfinho.

Pedi a benção do mar. Pedi para ele me lavar, me fazer mais pura, me fazer mais leve. Pedi para ele levar para os fundos tudo o que escorre e eu teimo em engolir de novo. Tudo o que escorre porque é desnecessário. O que transborda porque é excesso. E eu cismo em trazer de volta, eu cismo em recolher o que cai, na vã ilusão de que um dia o que sobra vai faltar. Pedi para o mar levar para os fundos tudo o que ele pode precisar e que exista em mim. Porque não quero só receber. Quero dar para abrir espaço para receber mais. Eu e o mar num escravos-de-jó eterno, é o que eu quero.

Chorei para ele. Devolvi com minha lágrima um pouco do sal que tirei. Prometi voltar mesmo que ele não lembre da minha cara. Mesmo que mais eu, menos eu, nada mude. O sol nasça e a maré desça e depois suba e o sol se ponha como em todos os dias. E a moça da fotótica continue a mesma, e a moça da loja azul também, agora com um filhinho, e a minha empregada também, igual, igual, totalmente diferente, meus olhos virgens desesperados para reter. Sei que quando for, metade fica, metade vai. Mas ainda assim eu vou inteira. Saudades não é a falta de algo. É o excesso desse algo em forma de pensamento.

Friday, December 30, 2005

fade in Brazil

Cheguei como se chegasse a uma reencarnação. Uma volta a uma vida que é minha e não me pertence. Essa foi a primeira impressão. Passados os primeiros sustos do passado, estou amando estar aqui. Estou amando o cheiro, as pessoas falando português a minha volta, até o calor, que costuma me irritar. Os pássaros que realmente cantam (lá, costumo dizer, eles são 'polite' demais para cantar), barulho de martelos - obras, obras, essa cidade nunca mais pára de crescer -, no começo tudo gritava. Agora estou me reacostumando. Os buracos no asfalto não são tão estarrecedores e as favelas não são mais outro mundo. É parte do meu mundo. Sempre foi. Muito foda chegar aqui com olhos virgens, olhos de bebê, desacostumado com o que é feio, pobre, sujo. Com o que é indecente mas se passa por decente. Como é que o brasileiro nem se abala mais? Como é que eu não me abalava? Será que vou ser para sempre uma sócio-chata se resolver voltar?

Estou amando tudo aqui. Amando as dores, até. Se sinto dor, é porque isso aqui ainda é meu. Se sinto dor, também sinto que eu ligo, sim, que é meu país que está fodido, apesar do futebol.

E tem todo mundo, né? As pessoas que vi. As pessoas com quem falei. Gente remota cuja voz reconheci. Gente próxima cuja voz desconheci - e doeu saber que um ano e meio é tempo suficiente para esquecer da voz de gente que eu amo. E toda aquela legião de amados querendo porque querendo me ver. E a legião de amados que decepcionam - olha, continuo amando vocês, mas amor não é eterno, não temos mais 15 anos, façavor de cultivar.

Foi especial ver tanta gente no happy hour queridamente organizado por minha irmã. Foi especial ver que cada rostinho mudou tanto e continua igual. Que as vidas mudaram tanto e continuam iguais. Que eu mesma, a seus olhos, mudei tanto e continuo igual.

Ainda não acabou. Estou no começo de tudo. Viajando, pegando uma cor. Combinando de encontrar e reencontrar pessoas que nem sei se vão realmente me ver. Eu quero encontrar todas.

Agora, puramente, um feliz 2006 para quem está por aqui. Celebremos a tragédia que foi 2005. Pior que esse ano não dá para ser. Que venha 2006, então, um ano que já chega mimado e cheio de expectativas. Um ano que traz consigo a obrigação de ser melhor. A obrigação de ser saudável e inesquecível. Vai ser.

Monday, December 19, 2005

esperando na janela

Que estranho... Eu jurava que tinha escrito outro post. Devo ter sonhado. Ultimamente meus sonhos tem invadido a realidade. Soh consigo descobrir quando algo assim acontece. Essa noite, sonhei que vomitava. Um vomito pequeno, que dava para segurar na boca. Acordei checando o travesseiro.

Estou ridiculamente ansiosa. Fico checando se lembrei de tudo o tempo todo. Sinto falta de ar de pensar nas coisinhas brasileiras que vou estar fazendo em breve. Amanha eu embarco, depois de amanha estou ai, a 12 horas de distancia, no sol, na poluicao, na pobreza, no biquini. Vou para ver se volto, tambem. Vou para testar. Vou para ver se eh possivel ser ainda mais feliz ou ainda mais triste. Vou para carregar coisas e recarregar baterias.

e depois volto. Mas agora nao eh hora de pensar nisso. Agora eh hora de pensar em nao perder o trem para o aeroporto, nao perder o check-in, nao perder a cabeca. Depois, cuidar para nao desmaiar, ou vomitar, ou panicar.

E depois cuidar do sol, que vai estar forte mesmo que esteja fraco, porque minha pele se acostumou com tudo o que eh cinza e frio. Mesmo apos a burrada de sabado, quando inventei de fazer bronzeamento artificial sem saber direito o que estava fazendo (como quase tudo o que faco). Me meti na cama, 12 minutos, nao passei nada. Resultado: fiquei roxa. Inteirinha, ja que a porra da sunbed eh para se ir pelada. Mas ja melhorou, quase passou.

Nao vejo a hora de estar com voces!

Monday, December 12, 2005

Menos um

Menos um. Foi a temperatura nessa madrugada. E a idiota saiu sem cachecol. Minha cabeca estah assim. Funciona em meia-fase. Lembro de coisas extremamente esqueciveis; esqueco as memoraveis. Ansiedade eh isso.

Ja comprei quase tudo que queria comprar, mas ainda falta. Acho que vai sempre faltar. Acho que vou chegar no Brasil e lembrar que tenho alguem muito especial de quem nao lembrei quando estava aqui.

Estah dificil fazer qualquer coisa e eu soh falto implorar pro meu chefe me passar trabalho para fazer o tempo passar. Mas no momento ele estah comentando comigo como o ceu perto da casa dele ficou preto com as cinzas do petroleo da explosao de ontem. Alias, nada mudou. Ninguem morreu, todo mundo foi trabalhar, nenhum drama, really. Estamos mais longe do protocolo de Kyoto talvez. Uma pena.

E o fim de semana foi bom. Sexta fui a Wimbledon depois do trabalho. Comprei um sobretudo vermelho e deixei o cartao de credito na loja (tipico). Babai, babae, sem panica: estah lah, guardadinho, no cofre. Vou buscar hoje, exatamente na hora em que estiver me atrasando para ir ao curso da Birkbeck.

Na sexta mesmo fui a Greenwich com Mr Australia e uma amiga do trabalho que eu queria que encaixasse com ele. Acabou que nao rolou. Sim, juro, nao tem mais nada a ver, eu e ele. Ele continua um fofo. Mas nada a ver. Mesmo. Passou.

E depois foi casa e cama. Dormi ateh meio-dia de sabado. Fui encontrar Broo, Re e o Ma (que eh o alguma coisa da Broo) para fazer compras de natal. O inferno, o inferno. Primeiro, a patetica ideia de ir a Harrods. O inferno. Logo desistimos. Andamos, andamos, acabei comprando muito do que queria, mas nao do jeito que queria. Foi uma coisa meio deixa-eu-comprar-logo-para-me-livrar, em vez de compras com carinho. Sad but true. Devia ter me prevenido e feito compras antes.

Aih sabadanoite fomos para casa de Broo, onde a festa ficou por conta das calories: pizza e Banoffee pie (torta de banana e toffee, ouch!). E la se foi, lancado ao espaco, mais uma tentative de chegar ao Brasil um cheirinho mais fina.

Domingo trabalhei. Trabalhei, trabalhei, trabalhei. Cheguei em casa e cozinhei. Assisti a um filme que ja havia assistido. Um domingo igual aos outros.

E estou aqui, agora, esperando meu chefe revisar meu ingles para uma propaganda que eu quero mandar ainda essa semana. Enquanto isso ele fala de quao feliz estah porque a BBC vai reprisar a serie preferida dele.

Eu deveria ficar feliz, nao? Todo mundo fica feliz quando tem um chefe assim, que trabalha um ‘cadim, conversa um ‘cadim. Acho que estou de fato ansiosa demais.

Thursday, December 08, 2005

a farsa

Eu estou evitando de todas as maneiras me considerer uma farsa. Anoto tudo o que aprendo, faco tudo o que me pedem, estou sempre alerta e solicita. Aprendo rapido, faco perguntas inteligentes, respondo o que o chefe quer ouvir. Voce nao quer um funcionario assim? Essa sou eu. Eu e minha tentative de nao me achar uma farsa. Mas acho que ela eh inerente ao ser humano (ou “cerumano”, como li uma vez). Ja se passaram mais de tres horas do meu dia no trabalho e nao fiz absolutamente nada porque nao ha nada a fazzer. Preciso esperar meu chefe terminar o que for que ele tenha que terminar para poder seguir com explicacoes sobre minha campanha. Ja fiz tudo o que podia fazer, agora ele precisa me pegar pela mao e ir.

Enquanto isso nao acontece, fico navegando, lendo artigos de todo o genero, atualizando um ou outro email, indo ao banheiro, tomando café. E ai fica bem dificil nao ser inundada pela pesarosa sensacao de ser uma farsa.

Voltemos aos meus impulsos ansioliticos. Eu nao estou mais me aguentando para ir ao Brasil. Nao penso em outra coisa. Uma pentelha. Vira e mexe recebo um convite para uma festa no dia 20/12 e abro aquele sorrisao: “Oh, sorry, I’m not gonna make it, I’ll be flying by then!” Ou para o Natal ou para o Ano Novo. Varios convites. Minha prima Emily me convidou par air para o sulo ds Franca. Meu tio me chamou para a Madeira. Fora os convites de festinha em Londres. Mas nenhum deles me deu agua na boca. Nada como ir pra minha terrinha, onde la em casa eh la em casa mesmo.

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Falando em ansiedade, uma outra agitacao foi aliviada. Ontem fui conhecer a casa nova do Chris. E, er, conheci a casa do Chris. Foi bom.

Tuesday, December 06, 2005

tudo de novo no front

O sumico tem explicacao obvia: trabalho, trabalho, trabalho. Animo zero de chegar em casa e ligar o computador depois de oito horas com olhos grudados na tela. Mas ca estou, sorrateiramente escrevendo no meu lunch break. Para voces terem uma ideia do quanto valem. Parte do meu lunch break vale muito.

Estah tudo bem aqui na WK. A responsabilidade que tenho que assumir eh grande, bem maior do que estava acostumada em meu antigo emprego, onde era apenas uma assistente de Marketing. Agora, tenho meus produtos, um budget, um target. Tudo dependendo de mim. Nao faco ideia do que esteja fazendo mas estou gostando mesmo assim. Ganho bem, as pessoas aqui sao legais e quero aprender a fazer essa coisa direito. Precisa mais?

Faltam 15 dias para eu chegar na terrinha. Duas semanas e um dia. Todo mundo disse que passaria rapido. Ateh agora, parece que o tempo se arrasta, tenta segurar nas paredes, luta contra passer, luta para ficar. Mas me disseram que a ultima semana passa ventando e voce acaba nao fazendo tudo o que tem que fazer. Tomara.

E agora vou la comer. Essa semana deve ser toda agitadinha. Drinks, jantares, Xmas Parties. Vamos ver se eu aguento.