Thursday, January 19, 2006

nao abra porta para desconhecidos; nao feche portas desconhecidas

Ah, claro que estranhei, neh? Assim como esse post meio que comeca do meio, minha ida e volta ao Brasil comecou do meio e terminou no meio. Parece que arrancaram um segmento da minha cabeca. Cheguei ai e tudo estava tao, mas tao igual (menos o tunel da Faria Lima) que foi como apertar pause e depois de um ano e meio apertar play novamente.

E, sinceramente, egoista ou nao, quero que seja sempre assim. Porque muito pior que a sensacao de que nada mudou, eh a sensacao de que tudo mudou e voce nao estava la para acompanhar.

A volta foi estranha. No aviao, aquela sorte bem tipica de pegar um lugar no meio da coluna do meio; de um lado um gordo folgado e frances, do outro uma brasileira tagarela e fedida. E o Lexotan fez o papel de Deus na minha vida durante oito horas. Dormi por oito horas num voo lotado. Para completar, um moleque sentado no banco da frente (obviamente deitando a cadeira no meio da refeicao) e outro no banco de tras (obviamente me chutando como se eu fosse seu pior inimigo ensacado). Cheguei em Paris e fui pro albergue. Fica numa area boa. O albergue eh OK. Nada do outro mundo. Passeei, me diverti com a grossura dos parisienses – porque eh tanta que uma hora fica engracada – e jantei num café desses bem tipicos.

Depois fui dormer, exausta. Eram 7 da noite. Acordei as 10pm e nao conseguia mais dormir. Fiquei lendo. Chegaram as minhas companheiras de quarto, duas australianas gente finissima, Vanessa e Jamina. Elas estao rodando a Europa e em uma semana voltam para a Australia. Elas odeiam homens e acharam os caixas na Hungria muito lentos. Elas tem varias opinioes engracadas. Aih uma hora cansei e dormi. No dia seguinte, sai de mansinho. Tudo correu liso. Albergue do lado do Gare du Nord e de la ateh o Charles de Gaulle foi um pulo.

Cheguei em Londres no meio da tarde de um domingo devagar e cinza. Casa silenciosa, soh Mr Suecia em casa, no banho. All good. Voltei. Voltei a acordar as 6:30h para pegar o trem das 8:12h saindo de Waterloo e chegando em Kingston meia hora depois. Voltei a fingir que sei o que estou fazendo e eles voltaram a acreditar. Voltei e aqui tambem rolou uma tecla pause. Sobre minha mesa, tudo igual, exceto um envelope com um voucher de £10 do Marks & Spencer que os diretores me deram de aniversario. Parece que eh sempre assim por aqui.

Por fora, tudo bem. Por dentro eh que pega. Ter ido ao Brasil foi muito bom. Mais do que deveria ser. Estou sentindo muita falta, muita mesmo. Estou sozinha. Ao mesmo tempo nao estou. Estou com companhias superficiais. Hoje a Broo chega. Ja deve ter chegado. Se nao houvesse Broo aqui eu tava fodida, acho. E no final do mes a Bobby chega. Logo mais, se nao houvesse Bobby aqui eu tava fodida, acho, tambem.

Estou com queimacao no estomago, um nervo pincado nas costas e comeco de enxaqueca. Estou com sono. Estou querendo que chegue sabado logo para patinar no gelo e depois contar tudo aqui, porque vai ter muito com que se deleitar. Estou cansada, mas ainda assim quero muitas coisas que vao acontecer. E soh vao acontecer porque eu quero.

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