Thursday, December 10, 2009

e blah blah blah

Foi o que entendi da reunião de hoje à tarde. Tudo irá mudar, dizem os grandes aqui da empresa. A partir do ano que vem, tudo irá mudar. Todos os processos e todas as operações e todos os costumes e sistemas de medida de sucesso. Tudo ficará melhor e todos ganharão mais dinheiro. Todo esforço será recompensado e toda o suor bem aplicado.

Blah Blah Blah.

Eu não acredito em corporativismo, asim como não acredito em quase nada em que não se toca. Cheguei a duvidar do amor até, e entendi que só não o posso tocar porque ele acontece, quimicamente, na minha cabeça. Ele existe, mas não é tudo aquilo que as músicas piegas pregam. É bem mais palpável, controlável e mensurável. Mas não se mistura amor com corporativismo. Sacanagem com o amor.

Aí eu vejo a pessoa ao meu lado no trabalho falando sobre A Fazenda e o tema corporativismo fica estranhamente interessante.

Chega. Passei pra falar que o azedume não passou e que continuo desesperançosa com a raça humana e que se pudesse votava sim para o fim do mundo em 2012.

Amanhã hei de pegar a chave da casa nova e tudo há de ficar mais colorido. Hei de voltar a me divertir com a vida, acompanhada do homem mais perfeito do Brasil: o meu.

Monday, December 07, 2009

unthought known

O rosto um pouco mais duro, fica difícil, assim, sorrir. Pelo menos naturalmente. Nada concreto mudou. Aliás, tudo o que é concreto já está endurecido demais para mudar. Tipo meu rosto. Mas vamos lá, continuar insistindo, que é o que se pode fazer. Sempre insistir e resistir, ou jogar tudo pra cima e deixar que a inércia leve para todo o sempre. Quisera eu ser capaz!

Continuo pensando em tudo o que preciso fazer e não tenho tempo, em tudo que preciso comprar e não tenho dinheiro, e tudo aquilo que sei que me faz feliz, mas não tenho coragem.

E enquanto isso vou resistindo à inércia de um rosto endurecido e sorrio. Para você e para o taxista. Para você e para a minha chefe. Para você e para o meu palestrante. Até o concreto secar. Até que para rasgar um sorriso seja preciso rachar o concreto. Até que o esforço me juntem lágrimas nos olhos e não valha mais a pena fingir. Até que.

Não era para ser tão difícil, querer apenas envelhecer, devagarinho. Sem muita coisa a mais, nem a menos. Apenas eu, assim, envelhecendo devagarinho do lado dele. Aos poucos uma coisa vai, outra chega e nós ali, juntando ruguinhas e um pouco de pó e nada mais. Absolutamente nada mais. Uma voz rouca dizendo que me ama, outra voz rouca dizendo também te amo, e dedos entrelaçados, a mão mais quente esquentando a mais fria, e a mais fria esfriando a mais quente, e fez-se a felicidade.

Eu sei que há, em algum lugar no centro do meu coração, essa serenidade que cobiço. Ela só não responde quando eu chamo.

Before I disappear
Whisper in my ear
Give me something to echo
In my unknown futures ear

**

Em tempo, sem alarde.

Nada demais. TPM + Tensão pré-evento + irritação no trabalh + segunda-feira + chuva. Normal.

Saturday, November 21, 2009

quente demais

É sempre a mesma desculpa que uso para não fazer nada e reclamar da vida. Quente demais. Na verdade, não é desculpa. é fato. quando está muito quente até desisto de letras maiúsculas. cada passo é um pouco demais e não vale lá muito a pena.

Realmente não nasci para o calor, biologicamente falando. Tenho ascendência alemã, inglesa, russa e húngara. Tá, tá, sou brasileira de coração etc. Mas o que importa nessas horas é minha composição genética. Sou bem branca e bem calorenta. E cá estou, em terreno de mulatas que sambam com a mesma facilidade com que comem.

Enfim. Este post não ia ser sobre isso e acabou sendo. Ia, na verdade, comentar o quanto eu e meu NOIVO (estranho) já avançamos, e o quanto, ao mesmo tempo, ainda falta. Que cada decisão precisa ser devida e chatamente planilhada, que não vou, por um bom tempo, me dar ao luxo de comprar aquela bolsa que custa um pouco mais que aquela outra e é tão mais bonita. Escolhas! 2010 será um ano difícil, eu sei, mas difícil ou não, será nosso. Isso já o faz vale demais.

E quando digo nosso, sempre pode ser de alguénzinho que ainda nem está por aqui. Quem sabe? Nossa Senhora da Planilha sabe.

Wednesday, November 04, 2009

one sweet day

Amanheceu céu azul. Não havia tempo a perder. Fomos ao Horto Florestal e, entre cachoeiras, relembramos Laos, Camboja, Tailândia. Esperamos que algumas borboletas pousassem sobre nossos joelhos enquanto comíamos o sanduichinho feito horas antes. Fizemos promessas de sermos pessoas melhores - uma daquelas promessas que fazemos quando estamos bem e queremos retribuir o mundo. Depois passou.

Continuamos passeando, pelo centro de Capivari, pelo Véu da Noiva, a cachoeira mais ou menos mais para menos de Campos do Jordão.

E cansamos. Voltamos para nosso apê, fizemos um pouco de hora e fomos ao ofurô. Havíamos marcado para 19h e 15 minutos antes estávamos lá. O ofurô estava quente, a fumaça saindo da água o fazia ainda mais lindo. Apesar do clima, estava quente demais para mim, mas eu precisava ficar lá, observando aquele rosto e pensando, meu deus, que bom que ele é meu. E a noite foi caindo. A luz das velas foi ficando mais forte e o que já estava romântico ficou insuportavelmente apaixonante. Até que não aguentamos mais e nos rendemos. Aconteceu. Aquele rosto lindo me pediu para ser não apenas sua mulher, mas também sua esposa.

Minhas lágrimas responderam de pronto.

Monday, October 26, 2009

Apartamento comprado. Metade do pânico se foi, a outra metade será abrandada com o passar do tempo (leia-se pagamento das dívidas). Entramos, oficialmente, em entressafra indefinida. Nosso cálculo: um ano de pindaíba. Mas estamos sorrindo, for there ain't no greater fortune que ter a própria casa. Lindinha. Nossa oficialmente a partir de 6 de dezembro. Talvez antes.

E tenho escrito pouco porque tenho feito muita coisa pouco, menos trabalhar. E como é trabalhando que se sana dívidas, hei que priorizar. A não ser que passem a me pagar para escrever aqui. Aí, senta que vamos conversar.

Mas não é o caso.

Então sorry, venho aqui de vez em quando, meio triste de ver o número de visitas caindo e a falta de fé dos leitores. Mas meu coração imbecil me lembra deste blog todos os dias e grita baixinho, ei, é isso que importa, não seja monga. E eu finjo que não ouço e sigo monga todos os dias.

Um fiozinho ainda acreditando que vai dar tudo certo como há muitos anos previ.

Wednesday, September 30, 2009

Dreaming permits each and every one of us to be quietly and safely insane every night of our lives.
- William Dement

Tuesday, September 29, 2009

enfim

Os dados est?o lan?ados.

Quem quer me levar?

Monday, September 28, 2009

E Honduras, hein?!

Estou alheia mesmo, sem tempo nem saco nem cabe?a nem inspira??o. O trabalho tem me drenado bastante, assim como a busca por apartamento e as preocupa??es corriqueiras que fazem a vida passar sem a gente perceber.

E voc?s, tudo bem?

Estou dando aulas de ingl?s ap?s o trabalho. Tem sido um desafio grande. Nunca dei aula antes e, juro, nunca fiz aula de ingl?s. But I'm getting by. J? estou com 5 alunas de forma que minhas noites durante a semana est?o quase todas tomadas.

Estou, assim, tentando descobrir alguma habilidade escondida e, mais importante, alguma paix?o nunca dantes revelada. Ser? que existe?

Fico por aqui com uma frase do Kurt Vonnegut: Maturity is a bitter disappointment for which no remedy exists, unless laughter can be said to remedy anything.

Monday, August 31, 2009

crawling back

O Brasil é um ótimo país quando se está longe dele. Foi a conclusão a que cheguei depois de 5 meses de volta. Meio que esqueci por quê eu queria tanto voltar ao Brasil, e meio que lembrei porque saí. O que não significa que estou louca para ir embora, de jeito nenhum. Ajeitei minha vida e continuo ajeitando, um pouco todo dia. Maior prova disso é que estou prestes a comprar meu apartamento, junto com o Alê. Mas isso não impede nem vai impedir que as coisas mudem no futuro. Já diz o senso comum que para sempre é tempo demais e sou a primeira a concordar.

No momento curto a angústia de não ter tempo para o que realmente importa. Reclamo de barriga cheia e odeio muito segundas-feiras, daí o profundo lamento mesmo tanto tempo depois de ter escrito pela última vez. A Grande Angústia, na verdade, se deve à conclusão de que não existe, de verdade, um lugar para mim. Any place is better. Me sentia uma outsider em Londres e me sinto uma outsider em São Paulo. E não tenho condições de sair pesquisando mundo afora o lugar que poderei chamar de meu, mesmo porque ele pode perfeitamente não existir.

O problema é eu insistir no erro de que a felicidade está fora de mim. O tal lugar está dentro, mas ainda não o encontrei nesse mundo labiríntico que é minha cabeça. Não encontrei e, após 29 anos, meio que cansei de procurar. De repente eu sem querer tropeço nele, no botãozinho? Um dia qualquer que eu resolver passear em vez de dormir a tarde toda? Quem sabe um dia.

Enquanto isso, estou aqui. Completando 4 meses num trabalho I’m not too sure about, ainda morando com a mãe, sem tempo para coisas de que gosto, dormindo demais nos fins de semana e pensando qual outra vida eu poderia estar vivendo e não estou por falta de coragem. E tentando prever quanto tempo vai levar para a bomba-relógio explodir e eu, mais uma vez, começar tudo de novo.

Thursday, July 30, 2009

ai, vida

Alguém, por favor, me pega na mão e leva? Alguém que saiba mais que eu e ache que saiba mais que eu. Alguém que entende as merdas que eu faço e decide por mim que não posso mais fazê-las.

A verdade é que nunca cumpri bem o papel de carente insegura, porque simplesmente não é bem o meu papel. Mas que dá vontade de ter uma figura acima te conduzindo para o Bem, ah dá.
Eu ouço o que me falam. Eu só nem sempre acredito. É assim que deveria ser, mas sendo assim, fica difícil se deixar levar. Ai, vida. Chega de pensar por hoje. Hora de ir na fisio e pensar em nada além de exercitar meu pezinho e ouvir as histórias adolescentes da fisioterapeuta e os dramas maiores que os meus dos outros pacientes. Music to my ears.

Thursday, July 23, 2009

para todos entenderem porque eu twitto mais do que blogo

Trabalho das 9h às 18h, daí tenho fisioterapia. Otop of that tenho que procurar apartamento. On top of that tenho que resolver coisinhas quando sobra tempo. And above all, vocês já sabem, tenho sono.

Convenhamos, o twitter supre melhor minha necessidade de escrever telegraficamente. Mas vamos lá, que eu não sou de deixar meus filhos mais antigos de lado.

Friday, July 10, 2009

meia hora

Que eu estou feliz, que as coisas estão aos poucos se ajeitando, que tenho perto de mim amados, disso eu sei. Mas tem alguma coisa que nunca volta pro lugar. E acho que não é um desarranjo só meu. É de todo mundo que optou por uma vida de saudade. Uma vida com laços lá e cá e uma vontade de criar novos laços acolá, onde ainda não há nada, mas sei que há de haver, e é isso que me mantém regularmente inquieta. Tem algo além do que conheço que eu não conheço. E eu quero me testar cada vez mais. Eu preciso me testar sempre. Eu preciso tentar os limites para me sentir centrada. Eu preciso gritar para entender o silêncio.

Nada mudou. Foram 5 anos fora. Foram muitas lições aprendidas. Foram 3 meses na Ásia. Foi muito bom, mas não foi o suficiente. Nunca vai ser suficiente. Minhas histórias e angústias não têm fim, e eu sabia disso quando comecei todas elas. Agora tebto adormecer no mesmo lar que adormecia antes, e tenho medo de acordar querendo estar em outro lugar. Querendo fugir de novo de coisas que me acompanham sempre, sempre. Eu sei, e mesmo assim não consigo fazer diferente.

Eu toparia, por exemplo, ir para a Coréia do Sul. Poucas coisas eu não toparia. Eu toparia qualquer coisa que não está acontecendo comigo, justamente porque não está acontecendo comigo.

Mas daí chega um email qualquer confirmando presença no meu evento. Ou dá vontade de tomar café. Ou o esmalte começa a sair. Ou toca o celular e é meu amor.

Aí tenho, quando muito, meia hora de trégua.

E começa tudo outra vez.

Saturday, July 04, 2009

restless soul

Diz que a blogosfera está esvaziando. Todo mundo debandando pro Twitter e pro facebook e pro orkut. Fiquei meio com pena da blogosfera. Eu, que estou aqui há 8 anos. Senti meio como se deixasse o primogênito de lado para brincar com os caçulas.

Então, de cabeça baixa e pedindo desculpas, resolvi aparecer.

Só não sei quanto tempo meus guilty feelings durarão.

Mas isso pouco importa. Ninguém me paga pra escrever, ninguém pode reclamar.

Lá se vão mais de 3 meses de Brasil. Acreditem, ainda me sinto desajustada aqui. Dizem que é normal. Eu não acho normal. Porque tenho a sensação de que adotei essa inquietude para sempre. An unrestful soul.

Como estão vocês, me contem? Eu estou bem. Continuo gostando do trabalho, continuo na casa da mãe, continuo tentando emagrecer, continuo prometendo a mim mesma voltar a nadar, continuo a reclamar de um cansaço que jamais vai embora.

Sunday, June 14, 2009

ainda aqui

Sei que faz tempo, que sumi sem explicar. Mas não há muito o que explicar. A vida anda cheia de acontecimentos, os dias com bem menos de 24 horas e eu com pouca inspiração, na verdade. Esse negócio de trabalhar em escritório faz isso com a gente. Não estou reclamando - muito pelo contrário, continuo curtindo bastante o meu novo emprego - mas que dá pouca vazão para criatividade, isso - e qualquer emprego de escritório que eu conheço - dá.

Sem muitas novidades. O dia dos namorados foi delicioso e romântico pacas. Ficamos por aqui, curtindo ter a casa só para nós. Jantamos a luz de vela e tomamos pinot noir, o primeiro vinho que achei OK.

Dia seguinte fomos para Campinas e já estamos de volta. Tudo rapidinho, mas delicioso.

E esta semana, se deus quiser, trará mais boas novas. Torçam!

Depois eu volto e conto mais.

Friday, May 22, 2009

solving mode

Algumas coisas que resolvi:

* Preciso emagrecer

* Estou gostando bastante do meu trabalho

* Estou me adaptando rápido depois do susto inicial

* Vou ver qual é o problema do meu pé esquerdo que dói desde a topada do direito, na Tailândia

* Adoro o pessoal do Nordeste. Eles conversam sem pressa e ainda falam devagarinho. Dá tempo de anotar tudo nas entrevistas

* Estou feliz, acho. Bem feliz.

Monday, May 11, 2009

say hello, wave goodbye

Opa! Quase duas semanas sem postar, que vergonha! Mas venho por meio deste dizer a todos que, apesar do cansaço inicial, estou bem. Começo minha segunda semana no trabalho e estou começando a entender o que tenho que fazer. O treinamento foi ótimo, mas nada como a prática. Isto dito, o tempo tem voado. Já faz um mês e dez dias que voltei. Ainda não caiu a ficha! Quanto tempo vai levar até eu parar de estranhar as pessoas falando português à minha volta?

E não tenho escrito não só por falta de tempo mas por falta de inspiração também. É sempre assim quando estou trabalhando o dia inteiro. Chego em casa e não tenho o menor saco de sentar a bunda na frente de yet another computer. E por esse motivo, também, não tenho respondido emails amados. Sou uma vergonha.

Mas ó, juro, vou voltar. Amanhã ou depois. Para vocês que eu gosto, e para vocês que eu não conheço e me gostam, e pros levemente obcecados por esse blog, e pros que tem tempo para qualquer coisa menos ser feliz e dar paz ao saco alheio. Estarei sempre por aqui. Até não estar mais.

Wednesday, April 29, 2009

para um amigo

Bom, pela primeira vez desde que voltei, consegui sentir saudade de Londres. E ela veio fininha e doeu bem na altura da garganta. Foi numa situação bem trivial. Estava na Drogasil procurando uma palmilha pro meu calcanhar cansado e de repente me bateu um lance de estar na Boots, e aí veio, pela primeira vez e inconfundível, a saudade.

Também ando meio fora da casinha. Hoje não entendi quando o carinha do xerox não quis aceitar minha nota de £20.

Vai passar, vai melhorar, eu sei. Tô contando com o tempo, esse mala, para me aquietar. Saudade dos nossos papos... Você tá bem?

so why so sad

Things get clear when I feel free
When whatevers next comes easily
When gentle hands give life to me
When your eyes fill with tiny tears

When Im this still you are my life
When Im this still you are my life

So at ease in the midnight sky
So at ease in the midnight sky

But my insides will look like war
My insides will look like war

Paralysed except through my thought

So why so sad
You live and you love
So why so sad
Dependent on all above
Searching for the dead sea scrolls
So why, so why so sad

My smile as real as a hyenas
My smile as real as a hyenas

Burns an expressway to my skull
Burns an expressway to my skull

But Ill stick myself together again
Spirit so low that I no longer pretend

So why so sad
You live and you love
So why so sad
Dependent on all above
Searching for the dead sea scrolls
So why, so why so sad

So why so sad
You live and you love
So why so sad
Dependent on all above
Searching for the dead sea scrolls
So why, so why so sad
So why, so why so sad
So why, so why so sad
So why, so why so sad

.
.
.
Sentiram o clima?

Tuesday, April 28, 2009

dazed and confused

É bem possível que dê errado, como sempre dá quando escrevo assim.

com sono com medo com vazio com o saco na lua

Mas pode ser que vire. Sei lá, já virou tantas vezes. É meio difícil não ter tempo para nada mesmo sem ter absolutamente nada com que ocupar o tempo. Faz a vida ficar meio besta, claro. Dormir é sempre bom, mas tem limite. Não pode ser lá tão bom, senão passa-se a vida meio cá meio lá. I'll sleep when I die, eu tento lembrar, mas comigo não funciona. Se quando eu morrer tudo o que eu fizer for dormir, não darei valor. Preciso dar valor agora e dormir, dormir, dormir. Gastar um pouco desse tempo que custa a passar.

E lembrar do passado também é bom. Gozado, achei que voltaria de Londres e continuaria com a cabeça lá, mas não. Londres passa pouco por minha cabeça. Estranho, né? Deve ser um mecanismo de defesa, minha cabeça me mostrando o caminho de volta, e de como voltar. As lembranças que tenho são bem mais do Brasil pré-2004. São boas as lembranças, claro. Mas não esqueçamos que saí do Brasil por um motivo bem claro, e não era porque o Brasil era tão bom que eu não aguentava. Não, não era.

**

E os choques de readaptação continuam. Outro dia fui a pé do Itaim Bibi até depois da Paulista, resolver meu CPF. Uma longa caminhada, para perder banha e deixar de perder reais. Caminhada esta totalmente vã. Cheguei lá e, apesar de todos os indicativos de que eu estava no lugar certo, a funcionária pública com batom nos dentes me disse que não, senhora, não é aqui, a senhora tem que ir no poupatempo. E eu saí de lá urrando aos transeuntes: MERDA DE PAÍS! And I so fucking meant it.

Como acertadamente disse o Alê, quando estou emputecida faço de tudo para ficar ainda mais. E foi o que fiz. Começou a chover e me recusei a subir num taxi ou num busão. Continuei caminhando, fiquei ensopada e caí no chão depois de escorregar num trecho cuidadosamente mais liso da calçada (porque a calçada nessa merda de cidade fica mudando tanto?)

No dia seguinte fui ao poupatempo da Sé e depois de umas QUATRO HORAS consegui o que queria. Boa, Brasil!

(Essa é pra nacionalistinha sem causa que deixou recado no outro post e claramente nunca morou fora pra saber quão atrás nós estamos.)

Wednesday, April 22, 2009

days between

Flutuando nós vamos. Dormindo muito, pensando pouco, o que podíamos adiantar, está adiantado. Fica apenas o que sempre vai ficar atrasado porque ninguém são consegue ter a vida resolvida e ficar bem sem pendências. E eu não sou louca, sou humana e adoro observar humanos. E somos todos assim, sim. Eu sei, eu vi, eu vivi.

**

Acabo de voltar de mais uma temporada em Campinas. Cada vez que vou fico um pouquinho mais à vontade com a família e amigos do meu Pato. Mas a cidade em si, confesso, não é o que chamaria de ideal para o futuro de um casal após uma temporada de cinco anos em Londres. Sem querer soar nojenta, mas gente, sério, o que se vê pelas ruas de Campinas (gente acelerando e dando totó nos carros, pagode no último volume, muito corpo de fora e pouca cabeça dentro) não inspira muito A NIVEL DE cidade para se viver- vejam vem, não odeio Campinas, muito pelo contrário, sempre me divirto e muito quando vou, mas é pelas pessoas, não pelo lugar. Campinas fica no meio do caminho entre e com os problemas de uma cidade grande e de uma pequena. No mais, reconheço os inúmeros problemas de São Paulo, mas fico feliz que desde sempre sabíamos que se voltássemos para o Brasil, moraríamos em São Paulo.

**

Sobre trabalho, estou, como disse, mais ou menos resolvida. Preciso ainda ver a proposta em papel para confirmar qualquer coisa. Enquanto isso não acontece, continuo metralhando. Com um pouco menos de efusão, mas continuo.

E, bom, não me estenderei porque não há muito para contar. Ainda preciso pegar a segunda via do meu CPF e tirar minha CNH. Todo o resto está de volta aos eixos - conceito meio abstrato em se tratando de Brasil,mas enfim, eixos.

**

E pensei nesses últimos minutos que poderia usar todo esse meu tempo agora para escrever. E vou ali tentar, porra.