Mão fria, coração quente. O verão na Inglaterra é patético. Estou de agasalho e ainda assim com frio. Mas pelo menos aqui dentro as coisas estão bem. Na verdade, as coisas estão estranhas. Tenho ups muito upds e downs muito downs. Desacredito que vou ver meu pai em 4 dias e minha irmã, sim, ela, a toda poderosa, capaz de ser minha pessoa favorita, primeira entre as primeiras. Vai ser foda. Altas emoções nos dias vindouros.
E também tem os gatinhos. Nesse exato momento aguardo o Malandro me ligar. Ele ligou quando estava bufando, carregando sacolas do supermercado, pronta para subir dezenas de lances de escada. Não ia rolar ser simpática, ainda mais depois de ter pego uma chuva desnecessária nessa época do ano. Disse que ligaria de novo. Se for o canalha que eu estou pensando, vai demorar bastante para ligar. De repente só amanhã. Mas tá valendo, faz parte da malandragem, eu conheço o tipo. Conheço bem.
E tem o Certinho, o da despedida do trabalho. Combinamos de ir no cinema ontem. Marcamos às 6:20pm (ingleses, meus caros, ingleses…), o filme começava às 6:35pm (Inglaterra, meus caros, Inglaterra…). O negócio é que na hora marcada estávamos lá (mentira, ele atrasou MENOS DE DOIS MINUTOS e ligou para pedir desculpas porque estava atrasado. Depois me perguntam o que eu vejo nos ingleses. Eles são tudo de bom. O negócio é que a 15 minutos do início do filme, não sabíamos muito bem onde ficava o cinema. Acabamos desencanando e fomos a um pub, conversar e ver o jogo do Brasil e Argentina. Fiquei com vergonha dos berros que soltei, mas ele fazia cara de ternurinha, então, na pior das hipóteses, achou fofo. Fofo não é ótimo, mas tá legal.
Jogamos o cinema para sábado à noite. Todos nós sabemos o que significa saída de sabadanoite, então fico um pouco mais animadinha. O negócio é que o Certinho é muito tímido. Esse é nosso segundo date e até agora ele nem pegou na minha mão. A verdade é que estou gostando, curtindo o regresso à quarta-série, porque, como disse a Bobby, faz bastante tempo que isso aconteceu a última vez, desde a quarta-série!
E enquanto tudo isso de bom adoça meu coração, tem mais um monte de coisinhas beliscando. Não deixando que tudo sossegue por aqui. Preciso na verdade de mais um estômago para digerir tanta coisa.
Essa indefinição profissional está bem estranha. Nunca trabalhei tanto na minha vida – way beyond the amount allowed by law. Sério mesmo. Mas a causa é justíssima. De qualquer forma, me irrita um pouco estar trabalhando com algo que não contribui, pelo menos não diretamente, com o futuro profissional que quero pra mim. A verdade é que sempre fui tão abençoada profissionalmente, sempre tive facilidade para ser empregada, que quando me deparo com uma situação de rejeição, é extremamente difícil lidar. Estou passando agora pelo que muita gente passa no primeiro ou segundo ano no mercado de trabalho.
E, obviamente, toda essa situação faz com que eu repense minhas estratégias, perspectivas e planos futuros aqui em Londres. Não vou ficar aqui se não for para fazer o que mais feliz. Se é para ser infeliz, prefiro o ser do lado de pessoas que me fazem feliz no Brasil. Mas calma que ainda tem muita água por rolar.
Hoje, mais tarde, devo ver o Chris. Grand-finale, tudo indica.
Thursday, June 30, 2005
Tuesday, June 28, 2005
give peace to my black and empty heart
I can’t believe life is so complex, when I just want to sit here and watch you undress.
Não tem como não se inspirar com PJ Harvey. Novamente tudo virado por aqui. Uma coisa assim meio mar do triângulo das Bermudas. Entenderam?
Domingo eu estava em luto. Anna, uma das duty managers da St George’s, piscina onde trabalho, ligou para falar, entre outras coisas, que meu gatinho salva-vidas pediu demissão e largou o shift, assim, no meio. Num desses acessos fuck-offs moleques em que eu tenho que me segurar bravamente para não achar lindo.
Se encheu e saiu. A chefona dessa piscina é um carrasco mesmo, não o culpo. Mas fiquei com aquele gosto de cinza na boca. E agora? Ele era um dos grandes estímulos para ir trabalhar todo dia. Perdeu boa parte da graça. Obviamente, it’s not about graça – I need the money. Mas que ficou mais penoso vigiar uma piscina, não importa o quanto eu goste do ambiente, isso ficou.
E o gosto de cinza ficou ainda mais empapucento quanto mais eu fosse pensando que nunca mais o veria. Nunca mais, a não ser que ele me procurasse por meio de alguém da St George’s, ou que aparecesse por lá. Enfim, queria manter minhas expectativas no nunca mais mesmo, para não me iludir. Um luto rápido, afinal tivemos pouco tempo juntos para nutrir qualquer coisa especial. Mas ainda assim um luto desconfortável. De um vazio que nunca deixou de ser vazio. Que nunca chegou a ser preenchido com nada. Uma tela vazia jogada no lixo antes do primeiro traço. Praticamente um aborto. Considero luto tudo o que era para ser e não foi por força maior. Nesse caso, eu e ele era para ser.
Ontem resolvo fazer o shift mais inumano do mundo. 7 às 11h, depois 15:30h às 22:30h. Ridículo, eu sei. Mas por uma boa causa: babái está chegando em menos de uma semana e, enquanto ele estiver por aqui, quero aproveitá-lo até a última gota. Isso significa trabalhar shifts de 4 horas, façavô, porque eu não nasci pra sofrer.
E aí é que aconteceu. Estava chegando no trabalho para o segundo turno da jornada inumana, a cara amassada do travesseiro ainda, meio correndo e mal humorada por ter esquecido os óculos escuros com tanta luz lá fora. Entro na St George’s e quem está lá, lindo, sacana, canalha? O gatinho. Meus olhos brilharam, os dele também. Parecia que ele só estava esperando eu chegar para poder ir embora.
Naturalmente, trocamos telefone. Naturalmente, trocamos mensagens naquele mesmo dia, algumas poucas horas depois. Obviamente ele disse que gostaria de me ver: Give me a call when you get a chance. It doesn’t have to be about work. It would be nice to here from you when you got some free time, maybe go out for a drink. E algumas células nervosas morreram dentro de mim nesse momento. Fiquei toda formigando, quentinha, babaca, não posso me envolver com MAIS UM CANALHA. Eu estava melhorando. No último ano só tive caras legais, de família, fiéis, companheiros, de sorriso de boca inteira. Não posso me deixar regredir para o mulher-das-cavernas mode-on. Não posso pensar em voltar a ser aquela mulher volúvel que, no mesmo dia em que quer morrer, quer também viver para sempre.
Não se assustem. O Chris continua presente. Meio como sombra, mas continua. Fazendo tudo errado, como sempre. Me provando o quanto mudei: se fosse alguns meses ou anos atrás, ele teria rodado em um mês. E lá se vão mais de seis. Céus. Isso tem que acabar.
E tem o que acabou virando a segunda opção. O gatinho da festa de despedida. Vamos no cinema amanhã. Ver Bonbón. Estou planejando dormir em seus braços se estiver muito cansada.
Mas quem tem ocupado mais espaço nas minhas viajadas ao longo do dia, quem tem evitado que eu me entupa de chocolate, é o canalha charmoso que me derrete em meio sorriso. Aqueles meios sorrisos que ficam irresistíveis nos verdadeiros cafas e patéticos nos que tentam agir como tal mas nunca serão.
Não sossego enquanto não conseguir o que quero. Sempre fui assim. You’re the only story that I never told, you’re my dirty little secret – wanna keep you so.
**
Enquanto as novidades estão entre o inspirar e o expirar, um aviso aos navegantes intrometidos (vocês sabem quem são) dessa humilde página: não tente cuidar da minha vida, amigo. Você não me conhece. Não sabe dos meus sonhos, taras, vontades, idéias, convicções, condenações. Você, acredite, é um mero leitor cuja existência eu, do fundo do coração, ignoro. Então desencana de tentar me julgar porque suas palavras têm sobre mim o efeito que um tiro tem no corpo de um morto. Mesmo.
Não tem como não se inspirar com PJ Harvey. Novamente tudo virado por aqui. Uma coisa assim meio mar do triângulo das Bermudas. Entenderam?
Domingo eu estava em luto. Anna, uma das duty managers da St George’s, piscina onde trabalho, ligou para falar, entre outras coisas, que meu gatinho salva-vidas pediu demissão e largou o shift, assim, no meio. Num desses acessos fuck-offs moleques em que eu tenho que me segurar bravamente para não achar lindo.
Se encheu e saiu. A chefona dessa piscina é um carrasco mesmo, não o culpo. Mas fiquei com aquele gosto de cinza na boca. E agora? Ele era um dos grandes estímulos para ir trabalhar todo dia. Perdeu boa parte da graça. Obviamente, it’s not about graça – I need the money. Mas que ficou mais penoso vigiar uma piscina, não importa o quanto eu goste do ambiente, isso ficou.
E o gosto de cinza ficou ainda mais empapucento quanto mais eu fosse pensando que nunca mais o veria. Nunca mais, a não ser que ele me procurasse por meio de alguém da St George’s, ou que aparecesse por lá. Enfim, queria manter minhas expectativas no nunca mais mesmo, para não me iludir. Um luto rápido, afinal tivemos pouco tempo juntos para nutrir qualquer coisa especial. Mas ainda assim um luto desconfortável. De um vazio que nunca deixou de ser vazio. Que nunca chegou a ser preenchido com nada. Uma tela vazia jogada no lixo antes do primeiro traço. Praticamente um aborto. Considero luto tudo o que era para ser e não foi por força maior. Nesse caso, eu e ele era para ser.
Ontem resolvo fazer o shift mais inumano do mundo. 7 às 11h, depois 15:30h às 22:30h. Ridículo, eu sei. Mas por uma boa causa: babái está chegando em menos de uma semana e, enquanto ele estiver por aqui, quero aproveitá-lo até a última gota. Isso significa trabalhar shifts de 4 horas, façavô, porque eu não nasci pra sofrer.
E aí é que aconteceu. Estava chegando no trabalho para o segundo turno da jornada inumana, a cara amassada do travesseiro ainda, meio correndo e mal humorada por ter esquecido os óculos escuros com tanta luz lá fora. Entro na St George’s e quem está lá, lindo, sacana, canalha? O gatinho. Meus olhos brilharam, os dele também. Parecia que ele só estava esperando eu chegar para poder ir embora.
Naturalmente, trocamos telefone. Naturalmente, trocamos mensagens naquele mesmo dia, algumas poucas horas depois. Obviamente ele disse que gostaria de me ver: Give me a call when you get a chance. It doesn’t have to be about work. It would be nice to here from you when you got some free time, maybe go out for a drink. E algumas células nervosas morreram dentro de mim nesse momento. Fiquei toda formigando, quentinha, babaca, não posso me envolver com MAIS UM CANALHA. Eu estava melhorando. No último ano só tive caras legais, de família, fiéis, companheiros, de sorriso de boca inteira. Não posso me deixar regredir para o mulher-das-cavernas mode-on. Não posso pensar em voltar a ser aquela mulher volúvel que, no mesmo dia em que quer morrer, quer também viver para sempre.
Não se assustem. O Chris continua presente. Meio como sombra, mas continua. Fazendo tudo errado, como sempre. Me provando o quanto mudei: se fosse alguns meses ou anos atrás, ele teria rodado em um mês. E lá se vão mais de seis. Céus. Isso tem que acabar.
E tem o que acabou virando a segunda opção. O gatinho da festa de despedida. Vamos no cinema amanhã. Ver Bonbón. Estou planejando dormir em seus braços se estiver muito cansada.
Mas quem tem ocupado mais espaço nas minhas viajadas ao longo do dia, quem tem evitado que eu me entupa de chocolate, é o canalha charmoso que me derrete em meio sorriso. Aqueles meios sorrisos que ficam irresistíveis nos verdadeiros cafas e patéticos nos que tentam agir como tal mas nunca serão.
Não sossego enquanto não conseguir o que quero. Sempre fui assim. You’re the only story that I never told, you’re my dirty little secret – wanna keep you so.
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Enquanto as novidades estão entre o inspirar e o expirar, um aviso aos navegantes intrometidos (vocês sabem quem são) dessa humilde página: não tente cuidar da minha vida, amigo. Você não me conhece. Não sabe dos meus sonhos, taras, vontades, idéias, convicções, condenações. Você, acredite, é um mero leitor cuja existência eu, do fundo do coração, ignoro. Então desencana de tentar me julgar porque suas palavras têm sobre mim o efeito que um tiro tem no corpo de um morto. Mesmo.
Wednesday, June 22, 2005
eu preciso dizer que não te amo, eventually
Como o trem da minha vida não pára por mais que eu apite – e muitas vezes o faço com força – cá estou, após alguns dias apenas, com novidades que cabem num livro. Na verdade, um dia cabe num livro se o escritor for bom. James Joyce é o primeiro e melhor exemplo.
Hoje completei uma semana trabalhando como salva-vidas. O saldo já está de bom tamanho: um sangramento de nariz intenso, duas cãimbras, uma vomitada no capricho no meio da piscina, várias apitadas para a molecada não correr, não se empurrar, enfim, não se afogar porque não tenho camisa reserva se tiver que pular para salvar algum mané. Hoje mesmo quase rolou uma operação First Aid Room: um gorduchinho começou a correr no deck da piscine, todas as banhinhas sacolejando, gritei “no running pleeeease”, o viado não parou de correr, dois segundos, catapoft, homem ao chão. I hate to say I told you so.
E aqui estou agora, assistindo a um programa da BBC sobre por quê os pingüins africanos evitam a presença humana. Eu, se fosse pingüim, evitariam também.
**
Hoje o dia foi melhor que o esperado. Passei calor demais, resolvi mergulhar depois do meu shift. E, claro, o gatinho em que já estou de olho estava lá. Ele é salva-vidas também. Malandro, canalha, um daqueles Good Old Biba’s Day. Só para farra, claro. O Chris? Ai, na boa, vou começar a ignorar esse tipo de pergunta se nela vier embutido um tom acusatório.
Ontem, o outro gatinho, o da festa de despedida do meu ex-trabalho, ligou. Para combinar um cinema nesse fim de semana. Eu, claro, topei. Porque não quero passar minha vida pensando que alguém que não conseguiu me fazer feliz, como se não bastasse, teve o poder de evitar outras felicidades. Pequenas, grandes, de diferentes cheiros e formatos, travestidas de infelicidade, whichever. Qualquer uma serve. Desde que eu sinta sempre.
Hoje completei uma semana trabalhando como salva-vidas. O saldo já está de bom tamanho: um sangramento de nariz intenso, duas cãimbras, uma vomitada no capricho no meio da piscina, várias apitadas para a molecada não correr, não se empurrar, enfim, não se afogar porque não tenho camisa reserva se tiver que pular para salvar algum mané. Hoje mesmo quase rolou uma operação First Aid Room: um gorduchinho começou a correr no deck da piscine, todas as banhinhas sacolejando, gritei “no running pleeeease”, o viado não parou de correr, dois segundos, catapoft, homem ao chão. I hate to say I told you so.
E aqui estou agora, assistindo a um programa da BBC sobre por quê os pingüins africanos evitam a presença humana. Eu, se fosse pingüim, evitariam também.
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Hoje o dia foi melhor que o esperado. Passei calor demais, resolvi mergulhar depois do meu shift. E, claro, o gatinho em que já estou de olho estava lá. Ele é salva-vidas também. Malandro, canalha, um daqueles Good Old Biba’s Day. Só para farra, claro. O Chris? Ai, na boa, vou começar a ignorar esse tipo de pergunta se nela vier embutido um tom acusatório.
Ontem, o outro gatinho, o da festa de despedida do meu ex-trabalho, ligou. Para combinar um cinema nesse fim de semana. Eu, claro, topei. Porque não quero passar minha vida pensando que alguém que não conseguiu me fazer feliz, como se não bastasse, teve o poder de evitar outras felicidades. Pequenas, grandes, de diferentes cheiros e formatos, travestidas de infelicidade, whichever. Qualquer uma serve. Desde que eu sinta sempre.
Thursday, June 16, 2005
happy and bleeding
Hoje eu caí no chão. Estava saindo do prédio onde moro com meu tênis novo, já que tenho que trabalhar de tênis branco, e, sabe deus como, virei o pe e caí mesmo, como há anos não acontecia. E foi daquelas clássicas, tipo cachorrinho, de ralar joelho e a palma da mão. Um cara de bicicleta passou e perguntou se eu estava bem. "Yeah, yeah." Eram 6.15h da manhã e meu saldo já era um tombo.
Mas a promessa não se fez profecia. O dia, afinal, foi bom. Desde ontem sou salva-vidas na St George's Pools. Todos já me conheciam, pois é lá que sempre nadei. Lá que sempre fui servida, e agora sirvo. Talvez alguns de vocês não entendam a poesia, quase beleza disso. Mas quero crer que se você é um leitor assíduo disso aqui, é porque vai entender minhas idiossincrasias.
Desde ontem faço turnos entre a piscina pequena e as duas posições da piscina grande. Desde ontem, também, preciso limpar a porra toda, com a ajuda de meus colegas salva-vidas. Eu. Limpeza. Coceira no nariz. Eca. Cabelo. Mais eca. Já estou me acostumando. Credo. Mas aqui no UK as coisas são assim. Aliás, aqui, nos EUA, na Europa toda, não tem essa história de faxineira. Todo mundo faz faxina e quem quer pagar para não fazer, paga caro. Então, entre as duties normais de uma salva-vidas, inclui-se a boa e velha faxina. Claro que não é a tarefa primordial. Das 8 horas que fico lá, no máximo duas são dedicadas a limpeza.
De qualquer forma, é annoying porque odeio limpar coisas.
Fora isso tem sido bem legal. Hoje pela primeira vez usei meu apito. Tinha um grupo de senhouras muçulmanas paradas no meio da raia dedicada para quem nada. Tive que fazê-las moverem as ancas, claro. Elas não gostaram. Fodam-se.
Também tive que gritar para uma pirralhada que estava correndo ao redor da piscina. A partir de hoje sou a tia do Mal e eles todos têm medo de mim. Não é bem o estigma que me cabe, but that will do.
E nem preciso dizer o ímpeto fofuro-genocídico que me assola quando tem aula dos babies e das molecadinhas de uns quatro anos. Hoje, por exemplo, tinha uma menininha idêntica à minha Piu quando era pequena. Bem, bem magrinha, toda branquinha, ruuuuuiva, e cheia de sim, em seu collant (não era maiô aquilo), touca e óculos, todos rosa e esses últimos fosforescentes. E toda metidinha. Adorable.
E tem os velhinhos, que se continuarem fofos do jeito que são eu ainda quebro costelas. Um deles, todo magrinho, cabelinho bem branco, em alguma coisa me lembra meu avô. Ele está lá todo dia. Senta no mesmo banquinho, tira os mesmos chinelinhos do pé, faz uma automassagem meia-boca na batata da perna, entra na piscina e faz suas chegadinhas, sempre com as mesmas caretas de esforço, nunca molhando as madeixas de neve. Vontade de pular na água e agarrar, pór no colo, fazer boiar, fazer feliz. Mas tento me conter e não demonstrar isso nem no olhar. Vai que sou mal interpretada.
**
Amanhã tenho entrevista em uma editora. Fingers crossed. Enquanto isso, tem mais luz no horizonte. Tem dinheiro entrando, então posso procurar meus sonhos mais em paz.
**
Em 18 dias estarei nos braços amados e aconchegantes de babái. A correria foi tanta nos últimos tempos que só agora está caindo a ficha. Tenho vontade de me desmanchar toda no seu abraço, papito. E sei que vou.Todo esse tempo e toda essa saudade só serviram para aguçar um sentimento forte e lindo que sempre esteve aqui, mas nunca foi tão óbvio. Amo minha família. Tenho certeza de que a escolhi, sim.
Mas a promessa não se fez profecia. O dia, afinal, foi bom. Desde ontem sou salva-vidas na St George's Pools. Todos já me conheciam, pois é lá que sempre nadei. Lá que sempre fui servida, e agora sirvo. Talvez alguns de vocês não entendam a poesia, quase beleza disso. Mas quero crer que se você é um leitor assíduo disso aqui, é porque vai entender minhas idiossincrasias.
Desde ontem faço turnos entre a piscina pequena e as duas posições da piscina grande. Desde ontem, também, preciso limpar a porra toda, com a ajuda de meus colegas salva-vidas. Eu. Limpeza. Coceira no nariz. Eca. Cabelo. Mais eca. Já estou me acostumando. Credo. Mas aqui no UK as coisas são assim. Aliás, aqui, nos EUA, na Europa toda, não tem essa história de faxineira. Todo mundo faz faxina e quem quer pagar para não fazer, paga caro. Então, entre as duties normais de uma salva-vidas, inclui-se a boa e velha faxina. Claro que não é a tarefa primordial. Das 8 horas que fico lá, no máximo duas são dedicadas a limpeza.
De qualquer forma, é annoying porque odeio limpar coisas.
Fora isso tem sido bem legal. Hoje pela primeira vez usei meu apito. Tinha um grupo de senhouras muçulmanas paradas no meio da raia dedicada para quem nada. Tive que fazê-las moverem as ancas, claro. Elas não gostaram. Fodam-se.
Também tive que gritar para uma pirralhada que estava correndo ao redor da piscina. A partir de hoje sou a tia do Mal e eles todos têm medo de mim. Não é bem o estigma que me cabe, but that will do.
E nem preciso dizer o ímpeto fofuro-genocídico que me assola quando tem aula dos babies e das molecadinhas de uns quatro anos. Hoje, por exemplo, tinha uma menininha idêntica à minha Piu quando era pequena. Bem, bem magrinha, toda branquinha, ruuuuuiva, e cheia de sim, em seu collant (não era maiô aquilo), touca e óculos, todos rosa e esses últimos fosforescentes. E toda metidinha. Adorable.
E tem os velhinhos, que se continuarem fofos do jeito que são eu ainda quebro costelas. Um deles, todo magrinho, cabelinho bem branco, em alguma coisa me lembra meu avô. Ele está lá todo dia. Senta no mesmo banquinho, tira os mesmos chinelinhos do pé, faz uma automassagem meia-boca na batata da perna, entra na piscina e faz suas chegadinhas, sempre com as mesmas caretas de esforço, nunca molhando as madeixas de neve. Vontade de pular na água e agarrar, pór no colo, fazer boiar, fazer feliz. Mas tento me conter e não demonstrar isso nem no olhar. Vai que sou mal interpretada.
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Amanhã tenho entrevista em uma editora. Fingers crossed. Enquanto isso, tem mais luz no horizonte. Tem dinheiro entrando, então posso procurar meus sonhos mais em paz.
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Em 18 dias estarei nos braços amados e aconchegantes de babái. A correria foi tanta nos últimos tempos que só agora está caindo a ficha. Tenho vontade de me desmanchar toda no seu abraço, papito. E sei que vou.Todo esse tempo e toda essa saudade só serviram para aguçar um sentimento forte e lindo que sempre esteve aqui, mas nunca foi tão óbvio. Amo minha família. Tenho certeza de que a escolhi, sim.
Tuesday, June 14, 2005
spin it
E se a vida em geral é um carrossel, a minha é um peão. E a culpa é toda minha, que puxo incessantemente a cordinha e o faço dançar desvairado sobre qualquer superfície, em qualquer contexto, dentro ou fora do ritmo. A culpa é toda minha.
Esse fim de semana foi surreal do começo ao fim. Começou já sábado de manhã. Fui no centro esportivo implorar emprego como salva-vidas. Fui muito bem, senti. Ontem passei lá para deixar meu NPLQ (certificado de salva-vidas) e meu National Insurance Number e a manager me puxou de lado. Disse que a vaga é minha. A partir de amanhã, 7 da matina, sou lifeguard na mesma piscina em que costumo treinar, a cinco minutos de casa. Trabalho feito alucinada até sexta, quando já terei ganho quase o suficiente para sanar os gastos que tive com o curso de salva-vidas.
Aí depois disso fui encontrar com a Rô, uma brasileira que fundou o site www.BrazilianArtists.net e que me chamou para uma conversa a respeito de possível trabalho. O legal: a causa, que é linda. O não-legal: é voluntário. Convenhamos que não estou podendo me dar ao luxo. De qualquer forma, fui na casa dela ontem e passei a tarde trabalhando em cima de um release que mandamus para toda a imprensa local anunciando a vinda do MV Bill para o lançamento do livro Cabeça de Porco. Mas não tô podendo, não tô podendo. Preciso cuidar de mim e dos meus sonhos primeiro, para depois cuidar dos outros e de seus sonhos. Porque sou estúpida o bastante para sonhar os sonhos alheios.
E então fui para Oxford, encontrar com minhas primas, Jo e Lucia. No dia seguinte, triathlon. Elas estavam nervosíssimas. Eu não porque a distância da natação, que era a minha perna na comeptição, não era longa. Muito pelo contrário: a distância é o que costumo fazer para aquecer normalmente. Rolou bem legal. Fui a segunda mulher no geral, e a 19a pessoa, entre homens e mulheres, entre 150 competidores. Not too bad para quem parou de treinar há tanto tempo e hoje só nada para chacoalhar a pança mesmo.
Aí, terminou a premiação e voltei pra minha Londres. Cheguei em casa e em 15 minutos tinha que estar pronta para, bom, foda falar mas, pro meu date. Aquele, lembram? O tal bonitinho que conversou comigo no meu drink de despedida do trabalho; aquele que ligou semana passada. Finalmente nos encontramos. Não rolou nada. Ele tava todo ansioso porque tinha que terminar um trabalho. Mas já temos novo programinha: cinema no final dessa semana ou começo da semana que vem.
Hoje faz um ano que deixei meu país.
Hoje faço seis meses de namoro com o Chris.
A verdade é que não estou me sentindo culpada. Nem um pouco, actually. Ele precisa se esforçar um pouco mais, como eu já disse.
Um peão desequilibrado, que ameaça quedar pro lado, mas não queda. Não pára. Até quando?
**
Já assistiram Vera Drake? Se ainda não, não percam a oportunidade de ver o melhor diretor de cinema inglês em um de seus melhores momentos ever. Imperdivelíssimo, juro mesmo.
Esse fim de semana foi surreal do começo ao fim. Começou já sábado de manhã. Fui no centro esportivo implorar emprego como salva-vidas. Fui muito bem, senti. Ontem passei lá para deixar meu NPLQ (certificado de salva-vidas) e meu National Insurance Number e a manager me puxou de lado. Disse que a vaga é minha. A partir de amanhã, 7 da matina, sou lifeguard na mesma piscina em que costumo treinar, a cinco minutos de casa. Trabalho feito alucinada até sexta, quando já terei ganho quase o suficiente para sanar os gastos que tive com o curso de salva-vidas.
Aí depois disso fui encontrar com a Rô, uma brasileira que fundou o site www.BrazilianArtists.net e que me chamou para uma conversa a respeito de possível trabalho. O legal: a causa, que é linda. O não-legal: é voluntário. Convenhamos que não estou podendo me dar ao luxo. De qualquer forma, fui na casa dela ontem e passei a tarde trabalhando em cima de um release que mandamus para toda a imprensa local anunciando a vinda do MV Bill para o lançamento do livro Cabeça de Porco. Mas não tô podendo, não tô podendo. Preciso cuidar de mim e dos meus sonhos primeiro, para depois cuidar dos outros e de seus sonhos. Porque sou estúpida o bastante para sonhar os sonhos alheios.
E então fui para Oxford, encontrar com minhas primas, Jo e Lucia. No dia seguinte, triathlon. Elas estavam nervosíssimas. Eu não porque a distância da natação, que era a minha perna na comeptição, não era longa. Muito pelo contrário: a distância é o que costumo fazer para aquecer normalmente. Rolou bem legal. Fui a segunda mulher no geral, e a 19a pessoa, entre homens e mulheres, entre 150 competidores. Not too bad para quem parou de treinar há tanto tempo e hoje só nada para chacoalhar a pança mesmo.
Aí, terminou a premiação e voltei pra minha Londres. Cheguei em casa e em 15 minutos tinha que estar pronta para, bom, foda falar mas, pro meu date. Aquele, lembram? O tal bonitinho que conversou comigo no meu drink de despedida do trabalho; aquele que ligou semana passada. Finalmente nos encontramos. Não rolou nada. Ele tava todo ansioso porque tinha que terminar um trabalho. Mas já temos novo programinha: cinema no final dessa semana ou começo da semana que vem.
Hoje faz um ano que deixei meu país.
Hoje faço seis meses de namoro com o Chris.
A verdade é que não estou me sentindo culpada. Nem um pouco, actually. Ele precisa se esforçar um pouco mais, como eu já disse.
Um peão desequilibrado, que ameaça quedar pro lado, mas não queda. Não pára. Até quando?
**
Já assistiram Vera Drake? Se ainda não, não percam a oportunidade de ver o melhor diretor de cinema inglês em um de seus melhores momentos ever. Imperdivelíssimo, juro mesmo.
Monday, June 13, 2005
Thursday, June 09, 2005
nada no bolso ou nas mãos
Estava comentando com a Bobby hoje que resolvi ficar desempregada na melhor época do ano. Dias lindos, solzão, temos nossa varanda que é grande o suficiente para três brasileirinhas banharem-se ao sol. Não consigo imaginar o que teria acontecido se tivesse ficado desempregada em dezembro. Dias amanhecendo às 8h e anoitecendo às 15:30h, e a casa em que eu morava antes era fria, mas friiiia, que nem conto o quanto sofri com ossos gelados porque vocês vão morrer de pena. Para terem uma idéia, nos últimos dias me dava desespero de pensar em entrar no Messenger para falar com meus amados porque minha mão doía muito se não estivesse debaixo de um edredon.
E hoje foi um dia de praia quase. Até o barulho da criançada aqui na escolinha do lado ajudou. era só fechar os olhos, imaginar uma maresia entrando pelas ventas e pôr uma voz virtual: "olha o bishcoito globo, bishcoito globo é um real. tem doce, tem salgado, é o bishcoito globo um real".
Tudo nas devidas proporções, claro.
Mas de qualquer maneira, dá prazer viver nessa cidade durante seus 05 dias de verão. Mesmo que não tenha nada no bolso ou nas mãos.
**
Novidades, perspectivas várias, uma hora rola um emprego. Tô sentindo que não vai tardar. Estou com uma intuição positivíssima, principalmente em relação a sábado. Como sempre, só conto se rolar. Mas por enquanto, não saí do lugar. É assim que quero pensar, é assim que se deve pensar. Porque se eu achar que já fiz tudo para o emprego aparecer, ele vai me escorrer pelas mãos. Então, todo dia acordo mentalizando que estou no zero. Não posso dizer que me dá ânimo isso; me dá desespero, muitas vezes o motor dos meus melhores feitos. É que nem depilação: dói mas funciona.
**
Daqui a cinco dias faz um ano que deixei terra brasilis. Dá para acreditar? Eu também não.
E hoje foi um dia de praia quase. Até o barulho da criançada aqui na escolinha do lado ajudou. era só fechar os olhos, imaginar uma maresia entrando pelas ventas e pôr uma voz virtual: "olha o bishcoito globo, bishcoito globo é um real. tem doce, tem salgado, é o bishcoito globo um real".
Tudo nas devidas proporções, claro.
Mas de qualquer maneira, dá prazer viver nessa cidade durante seus 05 dias de verão. Mesmo que não tenha nada no bolso ou nas mãos.
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Novidades, perspectivas várias, uma hora rola um emprego. Tô sentindo que não vai tardar. Estou com uma intuição positivíssima, principalmente em relação a sábado. Como sempre, só conto se rolar. Mas por enquanto, não saí do lugar. É assim que quero pensar, é assim que se deve pensar. Porque se eu achar que já fiz tudo para o emprego aparecer, ele vai me escorrer pelas mãos. Então, todo dia acordo mentalizando que estou no zero. Não posso dizer que me dá ânimo isso; me dá desespero, muitas vezes o motor dos meus melhores feitos. É que nem depilação: dói mas funciona.
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Daqui a cinco dias faz um ano que deixei terra brasilis. Dá para acreditar? Eu também não.
Tuesday, June 07, 2005
as coisas, assim, espremendo ombros
Uma semana em Southampton. Foi tudo muito estranho. Decidi que queria porque queria porque queria fazer o curso de salva-vidas. Quem me conhece sabe que querer por querer significa fazer nesta cabecinha dura. Nada é melhor justificativa para um feito que o querer por querer.
Então fui para lá, costa sudoeste da Inglaterra. Estava indo para um lugar desconhecido, fazer algo novo, com gente desconhecida e ia ficar hospedada na casa de gente que eu igualmente nunca havia visto mais gorda. Na cara-de-pau, fiz um amigo do meu ex-trabalho achar alguém que ele conhecesse morando por lá que pudesse me hospedar, na caruda, caruda mesmo. Sou bem mais cara-de-pau do que eu mesma acho. De qualquer forma, bateu aquela meda, pânica, horrora e desespera básica. No trem, saindo de Waterloo. Bateu aquele comecinho de pânico. O monstro do desconhecido comprimindo meu estômago e me gelando por baixo na pele. Mas consegui segurar o ataque com a respiração básica que minha terapeuta no Brasil me ensinou.
Em poucas horas me transformei de um bichinho assustado dentro do próprio casulo que construi invisivelmente para mim, em uma pessoa pronta para viver algo que tinha tudo para me engrandecer e me fazer mais feliz, mesmo que um pouquinho só. Logo no primeiro dia resolvi dar uma nadada de meia hora já que havia chegado mais cedo no The Quays, o complexo aquático em que eu faria o curso. O curso começou e foi tudo bem. Aí chegou a hora de encontrar com o Jon (short for Jonathan), cara que eu não conhecia mas em cuja casa ficaria pela próxima semana.
Sinceramente? Não podia ter sido melhor. Eles me adoraram e eu adorei eles. Até fui com o Jon jantar na casa do pai dele (os pais, presumivelmente, são separados). Fofo demais. Também conheci um amigo do Jon, chamado Chris (uh!) que fala português e ama o Brasil. E é gato. Deveras gato.
Mas não passou nada, não passou nada. A semana voou. O curso durava o dia inteiro. Nos almoços eu ia num cybercafé - quiçá o único da cidade - para checar novidades de emprego. Capotava às 21h, acordava às 7h, com luz, passarinhos, e despertador, tudo ao mesmo tempo. Precisava calcular o tempo do trem, já que o curso foi em Southampton e eu estava hospedada num bucólico sobrado em Eastleigh, cidade vizinha.
E também me engracei com o instrutor do curso de salva-vidas, e a engracice só não foi recíproca porque o gostosão é profissional demais. Foi tudo bom demais. Chegou sexta, day-off, fui passear em Winchester, a capital mais antiga da Inglaterra. Uma preciosidade. Cheia de construções medievais ainda, ruínas de castelos, uma catedral magavilhosa, uma vista inesquecível da St Gilles Hill. Perdi o fôlego e me perdi. Só pensei em me achar quando, claro, começou a chover. Peguei o trem, voltei pra Eastleigh e fiquei estudando para a prova do dia seguinte. Chegou o dia da prova, eu estava tranqüila. O pior já tinha passado - e só quem me conhece mesmo entendeu essa frase.
Passei no teste. Não foi fácil, porque aqui o que é mais elementar precisa ser tratado em todos os detalhes. Mas também não foi difícil. Fui para Southampton cabisbaixa e paniquenta, voltei para Londres salva-vidas e com mil perspectivas: a primeira, de um emprego, me ligaram na sexta chamando para uma entrevista a que, por sinal, fui hoje e que promete, mas não quero me precipitar.
Fora isso, lembram daquele gatinho da minha festa de despedida? Então. Ele ligou. Vamos sair. O Chris? Tá bem, obrigada. Mas sinceramente não está comendo arroz com feijão suficiente para garantir minha felicidade inner-conjugal (uh!). Assim sendo, não me avexarei se me aprouver aplicar um chifre por justa causa.
**
Fim de semana que vem vou para Oxford (Wantage, na verdade, que fica do lado), encontrar com minhas primas. Chego sábado, fico por lá à noite, provavelmente vamos a um folky concert. Dia seguinte cedo é nosso Triathlon Debut. Finalmente as Singers se aventurarão nas piscinas e caminhos do Reino Unido. Tudo indica que este é o primeiro de vários triathlons. Caio n'água às 9:30h no domingo. Torçam. Delícia sentir de novo aquele nervosinho pré-competição. Tratarei de treinar nos próximos dias. Tratarei de cuidar bem de mim as well.
Esse foi um resumo resumidíssimo de tudo o que foi e que está para vir. Queria ter o tempo e a disposição para detalhar cada sopro desses dias deliciosamente loucos que foram em Southampton e que vivem na minha memória. Cresci demais como pessoa. Mergulhei na escuridão e descobri que as coisas cuidam de si mesmas mesmo quando não conseguimos olhá-las, cuidá-las, dirigi-las. Amo um pouco mais o mundo em que vivo, for a change.
Então fui para lá, costa sudoeste da Inglaterra. Estava indo para um lugar desconhecido, fazer algo novo, com gente desconhecida e ia ficar hospedada na casa de gente que eu igualmente nunca havia visto mais gorda. Na cara-de-pau, fiz um amigo do meu ex-trabalho achar alguém que ele conhecesse morando por lá que pudesse me hospedar, na caruda, caruda mesmo. Sou bem mais cara-de-pau do que eu mesma acho. De qualquer forma, bateu aquela meda, pânica, horrora e desespera básica. No trem, saindo de Waterloo. Bateu aquele comecinho de pânico. O monstro do desconhecido comprimindo meu estômago e me gelando por baixo na pele. Mas consegui segurar o ataque com a respiração básica que minha terapeuta no Brasil me ensinou.
Em poucas horas me transformei de um bichinho assustado dentro do próprio casulo que construi invisivelmente para mim, em uma pessoa pronta para viver algo que tinha tudo para me engrandecer e me fazer mais feliz, mesmo que um pouquinho só. Logo no primeiro dia resolvi dar uma nadada de meia hora já que havia chegado mais cedo no The Quays, o complexo aquático em que eu faria o curso. O curso começou e foi tudo bem. Aí chegou a hora de encontrar com o Jon (short for Jonathan), cara que eu não conhecia mas em cuja casa ficaria pela próxima semana.
Sinceramente? Não podia ter sido melhor. Eles me adoraram e eu adorei eles. Até fui com o Jon jantar na casa do pai dele (os pais, presumivelmente, são separados). Fofo demais. Também conheci um amigo do Jon, chamado Chris (uh!) que fala português e ama o Brasil. E é gato. Deveras gato.
Mas não passou nada, não passou nada. A semana voou. O curso durava o dia inteiro. Nos almoços eu ia num cybercafé - quiçá o único da cidade - para checar novidades de emprego. Capotava às 21h, acordava às 7h, com luz, passarinhos, e despertador, tudo ao mesmo tempo. Precisava calcular o tempo do trem, já que o curso foi em Southampton e eu estava hospedada num bucólico sobrado em Eastleigh, cidade vizinha.
E também me engracei com o instrutor do curso de salva-vidas, e a engracice só não foi recíproca porque o gostosão é profissional demais. Foi tudo bom demais. Chegou sexta, day-off, fui passear em Winchester, a capital mais antiga da Inglaterra. Uma preciosidade. Cheia de construções medievais ainda, ruínas de castelos, uma catedral magavilhosa, uma vista inesquecível da St Gilles Hill. Perdi o fôlego e me perdi. Só pensei em me achar quando, claro, começou a chover. Peguei o trem, voltei pra Eastleigh e fiquei estudando para a prova do dia seguinte. Chegou o dia da prova, eu estava tranqüila. O pior já tinha passado - e só quem me conhece mesmo entendeu essa frase.
Passei no teste. Não foi fácil, porque aqui o que é mais elementar precisa ser tratado em todos os detalhes. Mas também não foi difícil. Fui para Southampton cabisbaixa e paniquenta, voltei para Londres salva-vidas e com mil perspectivas: a primeira, de um emprego, me ligaram na sexta chamando para uma entrevista a que, por sinal, fui hoje e que promete, mas não quero me precipitar.
Fora isso, lembram daquele gatinho da minha festa de despedida? Então. Ele ligou. Vamos sair. O Chris? Tá bem, obrigada. Mas sinceramente não está comendo arroz com feijão suficiente para garantir minha felicidade inner-conjugal (uh!). Assim sendo, não me avexarei se me aprouver aplicar um chifre por justa causa.
**
Fim de semana que vem vou para Oxford (Wantage, na verdade, que fica do lado), encontrar com minhas primas. Chego sábado, fico por lá à noite, provavelmente vamos a um folky concert. Dia seguinte cedo é nosso Triathlon Debut. Finalmente as Singers se aventurarão nas piscinas e caminhos do Reino Unido. Tudo indica que este é o primeiro de vários triathlons. Caio n'água às 9:30h no domingo. Torçam. Delícia sentir de novo aquele nervosinho pré-competição. Tratarei de treinar nos próximos dias. Tratarei de cuidar bem de mim as well.
Esse foi um resumo resumidíssimo de tudo o que foi e que está para vir. Queria ter o tempo e a disposição para detalhar cada sopro desses dias deliciosamente loucos que foram em Southampton e que vivem na minha memória. Cresci demais como pessoa. Mergulhei na escuridão e descobri que as coisas cuidam de si mesmas mesmo quando não conseguimos olhá-las, cuidá-las, dirigi-las. Amo um pouco mais o mundo em que vivo, for a change.
Friday, May 27, 2005
Thursday, May 26, 2005
bambole
Então vai ser assim. Semana que vem me mudo para Southampton, mas só por uma semana mesmo. Isso é, se eu arranjar lugar para ficar. Senão vou comutar todos os dias da semana que vem. Southampton fica no sul, na praia, 90km a oeste de Brighton, uns 120km ao sul de Londres. E é lá que farei meu curso de salva vidas. Eu disse que não estou para brincadeira, não disse? Pois liguei para a Dona Vaca que disse ter me mandado o formulario para o curso que estaria acontecendo em Londres, e ela disse que mandou e eu nunca recebi. E quando liguei para cobrar ela disse que agora não tinha mais vagas. Não pensei duas vezes. Abri o mapa da Inglaterra, vi as regiões ao redor e fui atrás de cursos nessas regiões. Southampton foi a escolhida. Começo segunda, me qualifico no sábado. E eu vou, porque se parar eu paro mesmo.
O emprego que eu queria já foi ocupado por outra pessoa.
Aiai.
Hoje fui em outra entrevista. Dessa vez menti um pouco. Tá difícil conseguir emprego falando a verdade. Disse que amaria fazer certas coisas que nem amaria. Disse que fico feliz com coisas que don’t move me at all.
Viram? Já virei rata de escritório. Eca. Isso nunca. Vou sempre voltar para casa e tentar lembrar de como eu realmente sou. Mesmo que só eu lembre.
Enfim.
Finalmente chegou aqui a caixa que babãe tinha mandado do Brasil em março, repito, março. Não, a culpa não foi dos correios. Minha mãezinha linda não pôs o número da minha casa no endereço. A caixa voltou e ela teve que mandar de novo. Não tinha mesmo que ser minha mãe?
Mas finalmente chegou. Abri e encontrei um cachecol lindo, branco, quentinho, acolhedor. Uma canga azul magavilhosa que estou usando agora porque, acreditem, faz calor. Um guia de turismo da Europa deeeeste tamanho que o Neal me mandou de aniversário. E um livro que eu queria muito, O Vendedor de Passados. Este foi presente de aniversário do meu avô. Ele ainda estava vivo quando minha mãe me mandou a caixa. A dedicatória, foi ele quem ditou para minha irmã escrever. E ele assinou. Com uma mão trêmula, mas forte. Posso imaginar sua carinha. Uma assinatura trêmula e forte. Porque mesmo esmorecendo ele não perde as forças. Um dia quero ser que nem ele.
E o Chris. Tivemos uma longa conversa ontem. Ele chorou. Eu não. Não tinha porquê. A dor era só dele, que tinha feito merda. Me pediu mil perdões, disse que está com mil problemas mas que em (mil) dias vai começar uma terapia, porque está fodido, porque a vida nese exato momenbto fede, porque, hoje, não é bom ser ele.
Só ouvi. E o abracei. E disse que é só não parar para não me perder. Porque qualquer bambolê cai sem a rebolada.
E eu repito isso a mim todos os dias, como um mantra: é só rebolar para ele continuar rodando. Mas se parar de rebolar, pode dançar twist que ele não sobe de novo.
O emprego que eu queria já foi ocupado por outra pessoa.
Aiai.
Hoje fui em outra entrevista. Dessa vez menti um pouco. Tá difícil conseguir emprego falando a verdade. Disse que amaria fazer certas coisas que nem amaria. Disse que fico feliz com coisas que don’t move me at all.
Viram? Já virei rata de escritório. Eca. Isso nunca. Vou sempre voltar para casa e tentar lembrar de como eu realmente sou. Mesmo que só eu lembre.
Enfim.
Finalmente chegou aqui a caixa que babãe tinha mandado do Brasil em março, repito, março. Não, a culpa não foi dos correios. Minha mãezinha linda não pôs o número da minha casa no endereço. A caixa voltou e ela teve que mandar de novo. Não tinha mesmo que ser minha mãe?
Mas finalmente chegou. Abri e encontrei um cachecol lindo, branco, quentinho, acolhedor. Uma canga azul magavilhosa que estou usando agora porque, acreditem, faz calor. Um guia de turismo da Europa deeeeste tamanho que o Neal me mandou de aniversário. E um livro que eu queria muito, O Vendedor de Passados. Este foi presente de aniversário do meu avô. Ele ainda estava vivo quando minha mãe me mandou a caixa. A dedicatória, foi ele quem ditou para minha irmã escrever. E ele assinou. Com uma mão trêmula, mas forte. Posso imaginar sua carinha. Uma assinatura trêmula e forte. Porque mesmo esmorecendo ele não perde as forças. Um dia quero ser que nem ele.
E o Chris. Tivemos uma longa conversa ontem. Ele chorou. Eu não. Não tinha porquê. A dor era só dele, que tinha feito merda. Me pediu mil perdões, disse que está com mil problemas mas que em (mil) dias vai começar uma terapia, porque está fodido, porque a vida nese exato momenbto fede, porque, hoje, não é bom ser ele.
Só ouvi. E o abracei. E disse que é só não parar para não me perder. Porque qualquer bambolê cai sem a rebolada.
E eu repito isso a mim todos os dias, como um mantra: é só rebolar para ele continuar rodando. Mas se parar de rebolar, pode dançar twist que ele não sobe de novo.
Monday, May 23, 2005
desarmonia em si maior
Eu ainda não decidi o que sou hoje. Não sei se estou feliz ou triste. Não sei se estou ansiosa bom ou ansiosa ruim. Não sei se estou esperançosa ou cética demais. Não sei quem sou hoje. Na verdade, as entrevistas, principalmente a segunda, foram um sucesso. Ambas me garantiram que estou ultraqualificada e a segunda entrevistadora chegou a dizer que agora que ela me "pegou", sou "dela". Mas, meus caros, tratam-se de job agencies. Elas ganham para enfiar pessoas em empresas, então obviamente o interesse maior da simpatiquérrima Leslie era me pegar e ser dela para ela levar a comissão. Só comemoro quando estiver com contrato assinado.
por outro lado, estou extremamente emputecida com meu (pseudo-)namorado que simplesmente esqueceu que viria para cá ontem à noite depois de mais um desses fins de semana infudados que ele passa em treinamento no exército. Esqueceu. Liguei para o paspalho às 22h e ele, "whassup, beautiful?", nem aí. Estava num pub. NUM PUB. Cara, que raiva me deu. "Oh, you're in the pub? Wow, that's really interested as you said you were coming here and staying the night". Ele disse que não lembrava. E ter dito isso não melhorou em nada a situação dele. Na verdade, mais uma vez ele fex gol contra. Ele não tem noção do risco de me perder que está correndo desde que dei meu telefone para aquele carinha e não paro de pensar em quando ele vai me ligar para sairmos. Agindo assim, meu (pseudo-)namorado apenas ajuda para que um eventual (pseudo-)chifre ocorra sem grandes pesos na consciência.
**
Como um todo o fim de semana foi bem, beeeem legal. A começar com a saga de sexta do post anterior. Sábado fui almoçar com a Ana Luiza e um amigo dele. Foi bem legal e saí com contatos e perspectivas de quebra-galhos bastante bem vindos. De lá fui ao British Museum, dei uma girada mas estava muito cheio. Me irritei. Fui embora. Fui no cinema ver Machuca. Outro filme imperdível que eu sei que já tá passando aí no Brasil.
De lá para casa. Chegando aqui, mais filme com a Fru. Vi 21 Gramas finalmente. Atestei o que todos me diziam: é ótimo também.
Domingo foi dia de piquenique no parque com o pessoal do ex-trampo. Tava meio frio, meio vento demais, meio choveu até, mas foi legal mesmo assim. Principalmente depois que apareceram uns gatinhos na área e depois que a Erica chegou. Depois viemos para casa, a Eri não conhecia o nosso cafofo ainda. Conheceu e adorou.
Mais tarde ela foi embora e foi então que quebrei o pau com o Chris. Minha vontade era desligar e emendar o telefonema para o gatinho, o outro. Mas não. Agüentei firme até hoje, uma hora atrás, quando ele me ligou dizendo que estava podre e que não poderíamos nos ver hoje também. Eu só queria vê-lo para dar esporro mesmo, como combinado. Novamente ele deu o cano. Eu falei para ele: você sabe o risco que está correndo levando nosso relacionamento assim? Ele ficou mudo. Depois disse que estava cansado demais, que precisava dormir e comer, porque não dormia e nem comia mais, e eu disse, your choice, babe, your choice, e eu disse também que por mais que o problema não estivesse no relacionamento (e eu sei que não está), ele - o relacionamento - acaba sofrendo as conseqüências.
Ele ainda não entendeu que não sou só de palavras duras. Sou dura.
por outro lado, estou extremamente emputecida com meu (pseudo-)namorado que simplesmente esqueceu que viria para cá ontem à noite depois de mais um desses fins de semana infudados que ele passa em treinamento no exército. Esqueceu. Liguei para o paspalho às 22h e ele, "whassup, beautiful?", nem aí. Estava num pub. NUM PUB. Cara, que raiva me deu. "Oh, you're in the pub? Wow, that's really interested as you said you were coming here and staying the night". Ele disse que não lembrava. E ter dito isso não melhorou em nada a situação dele. Na verdade, mais uma vez ele fex gol contra. Ele não tem noção do risco de me perder que está correndo desde que dei meu telefone para aquele carinha e não paro de pensar em quando ele vai me ligar para sairmos. Agindo assim, meu (pseudo-)namorado apenas ajuda para que um eventual (pseudo-)chifre ocorra sem grandes pesos na consciência.
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Como um todo o fim de semana foi bem, beeeem legal. A começar com a saga de sexta do post anterior. Sábado fui almoçar com a Ana Luiza e um amigo dele. Foi bem legal e saí com contatos e perspectivas de quebra-galhos bastante bem vindos. De lá fui ao British Museum, dei uma girada mas estava muito cheio. Me irritei. Fui embora. Fui no cinema ver Machuca. Outro filme imperdível que eu sei que já tá passando aí no Brasil.
De lá para casa. Chegando aqui, mais filme com a Fru. Vi 21 Gramas finalmente. Atestei o que todos me diziam: é ótimo também.
Domingo foi dia de piquenique no parque com o pessoal do ex-trampo. Tava meio frio, meio vento demais, meio choveu até, mas foi legal mesmo assim. Principalmente depois que apareceram uns gatinhos na área e depois que a Erica chegou. Depois viemos para casa, a Eri não conhecia o nosso cafofo ainda. Conheceu e adorou.
Mais tarde ela foi embora e foi então que quebrei o pau com o Chris. Minha vontade era desligar e emendar o telefonema para o gatinho, o outro. Mas não. Agüentei firme até hoje, uma hora atrás, quando ele me ligou dizendo que estava podre e que não poderíamos nos ver hoje também. Eu só queria vê-lo para dar esporro mesmo, como combinado. Novamente ele deu o cano. Eu falei para ele: você sabe o risco que está correndo levando nosso relacionamento assim? Ele ficou mudo. Depois disse que estava cansado demais, que precisava dormir e comer, porque não dormia e nem comia mais, e eu disse, your choice, babe, your choice, e eu disse também que por mais que o problema não estivesse no relacionamento (e eu sei que não está), ele - o relacionamento - acaba sofrendo as conseqüências.
Ele ainda não entendeu que não sou só de palavras duras. Sou dura.
Saturday, May 21, 2005
turn over
Eu juro para vocês que poucas vezes estive tão feliz como ontem. Acho que, por mais lamentável que pareça, só sentimos a felicidade assim crua quando passamos por tristezas profundas antes. Se a vida é toda feliz ela acaba paradoxalmente não sendo feliz. Anestesia pura. Assim como tristeza constante não é tristeza, mas a perspectiva de ter mais felicidade com uma simples borrifada de esperança. Vai ver é por isso o povo brasileiro é tão feliz. Tristeza constante não é tristeza.
Mas eu ia dizendo. Estava eu extremamente mau humorada, irritadiça e, what the hell, deprê, chorosa, toda ardida por dentro na quinta-feira. Até nadar não deu certo porque tava tendo aula da pirralhada (ou cavocada, como diria meu ex-treinador Edu, porque criança não nada, cavoca) e eles tiveram o dom de pôr uma raia de assim, e não de assado, de forma que nnao tinha uma raia inteira para nadar e, logo, perdeu toda a graça (porque tudo corria o sério risco de a qualquer momento perder a graça na quinta-feira). Para ajudar, chuva, frio, cinza, vento, alô, primavera? Vai rolar ou tá difícil? Eu estava cursing e swearing e, you name it, todos os palavrões não cabiam em minha cabeça. E minha cabeça é grande.
Aí resolvi acabar com a palhaçada e fui dormir às 11h da noite. Sexta o dia já amanheceu todo diferente. Quer dizer, naquelas, estava chovendo ainda, cinza, frio, vento, oh well, eu vim pra Londres, não vim? Agora que agüente sem reclamar. Mas acordei depois de uma noite bem dormida. 8:30h em pé. Fui até Poplar, um bairro aqui no leste, mas mais leste ainda. Meio dodgy, mas encarei. Fui a uma agência de empregos lá, especializada em jobs na região leste de Londres. Eu percebi que aquele seria um bom dia porque dei gargalhada numa situação que deveria me fazer abrir as ventas de emputecimento. Estava com meu iPod tentando achar a maldita entrada da job agency e um segurança bem invocadinho me pára e pergunta o que estou procurando. Responde e ele começa a falar tudo enrolado, com aquele sotaque cockney maldito, e eu toda enrolada nos fios do iPod, tentando achar o botãozinho de desliga. Foi o suficiente para ele se enfezar e dizer "tira essa coisa do ouvido para falar comigo senão você não entende nada mesmo". Ele estava bravo. E eu achei engraçado porque ele foi extremamente grosso e invasivo como poucos ingleses são (obviamente ele não era inglês, mas, morando aqui, favor se adaptar à cultura local). E foi então que comecei a rir. Mais de surpresa que de qualquer outra coisa. Anyway, o jeito que ele olha me faz desconfiar de que há algo meio errado na cachola.
Preenchi um cadastro e fui m'embora. De lá passei em casa e depois fui pro meu ex-trabalho, encontrar o pessoal pro almoço. Foi bem divertido ver todo mundo. Apesar de toda a sacanagem, apesar de todo o sofrimento da última semana, gosto muito de toda aquela gente, inclusive de minhas ex-chefes. E ontem pude ter um "glance" de como sou amada lá também.
Depois fui ao escritório. Sentei na minha antiga mesa, ao lado de Tatyana, na frente de minhas chefes. Minha chefe mais próxima disse que era para eu imprimir tudo o que tinha feito, para montar uma espécie de portfolio. Também sentou comigo e reformulou meu CV com o que fiz durante os nove meses em que trabalhei lá. Quando bateu 4:30pm, metade do escritório - isso dá umas 30 pessoas - se reuniu em frente a minha mesa para me dar presentes de despedida e um cartão lindo, com mensagens lindas, todas elas me convencendo de que meu sorriso é capaz de iluminar um dia inteiro. Os presentes, todos preciosos, porque foram pensados com carinho: um óculos e uma touca de natação, uma cafeteira de filtro, um kit de coisinhas de banho, uma apple pie (porque minha irmã me chama de tortinha de maçã e eles lembraram desse estranho detalhe), biscoitinhos para comer com o café, 10 libras para gastar com livros numa livraria e, claro, o cartão. Muita, muita coisa. Bem mais do que eu esperava. E toda aquela gente me olhando, e eu roxa de vergonha, sem saber o que falar, meio, "really, guys, I loved it and I'll miss you so much, but I know we'll keep in touch, oh, look, this is really lovely, thanks for being so nice". Toda a raiva que eu havia acumulado de repente adentrou ralo e eu percebi que a merda toda não era culpa de ninguém. Que não tinha como alguém querer me foder tanto (no mau sentido) gostando tanto de mim. Ou então toda aquela demonstração de carinho era extravasamento de culpa. Não sei. Não importa. Recebi um quentinho tão bom no peito que não senti at all na última semana em que estive sentada naquela cadeira. E a simples assimilação disso me deu vontade de chorar, but I held back the tears, fir I've already cried a river. Desnecessário.
Do escritório fomos ao happy hour. Um monte de gente foi lá para se despedir de mim. Entre os mais fofos, Steve (claro), Nick (um cara com quem troquei poucas palavras mas que ama a língua portuguesa), minhas chefes que adoraram me ver sorrindo de novo e, bom, um carinha. Mas isso é história para se algo acontecer. Um carinha que saiu da BMI há uma semana e apareceu no pub. Um carinha que sempre passava pelo corredor me olhando, mas cujo nome eu nem sabia. Finalmente, ontem, eu soube. Após meia hora de conversa, "sorry, what's your name?" Engraçado. Trocamos telefone. E ontem mesmo, quando fui embora, ele me ligou. O Chris? Olha, estamos bem. Logo mais fazemos 6 meses juntos, mas eu sei e ele sabe que não é um relacionamento que vai, assim, prosperar numa esfera mais elevada. Não vai. É ótimo tê-lo por perto agora, mas ele não me dá frios no estômago. Não mais.
E, para terminar a noite, mais uma entrevista na segunda-feira. Para duas empresas de PR. Para ganhar mais (bem mais) do que eu estava ganhando na BMI. Ontem foi um dia certo do começo ao fim. Um dos melhores dias aqui. Obrigada todos pelas vibrações positivas. Estou novamente pensando mais alto que o chão, mas sem tirar meu pé dele. Sou feliz de novo.
Mas eu ia dizendo. Estava eu extremamente mau humorada, irritadiça e, what the hell, deprê, chorosa, toda ardida por dentro na quinta-feira. Até nadar não deu certo porque tava tendo aula da pirralhada (ou cavocada, como diria meu ex-treinador Edu, porque criança não nada, cavoca) e eles tiveram o dom de pôr uma raia de assim, e não de assado, de forma que nnao tinha uma raia inteira para nadar e, logo, perdeu toda a graça (porque tudo corria o sério risco de a qualquer momento perder a graça na quinta-feira). Para ajudar, chuva, frio, cinza, vento, alô, primavera? Vai rolar ou tá difícil? Eu estava cursing e swearing e, you name it, todos os palavrões não cabiam em minha cabeça. E minha cabeça é grande.
Aí resolvi acabar com a palhaçada e fui dormir às 11h da noite. Sexta o dia já amanheceu todo diferente. Quer dizer, naquelas, estava chovendo ainda, cinza, frio, vento, oh well, eu vim pra Londres, não vim? Agora que agüente sem reclamar. Mas acordei depois de uma noite bem dormida. 8:30h em pé. Fui até Poplar, um bairro aqui no leste, mas mais leste ainda. Meio dodgy, mas encarei. Fui a uma agência de empregos lá, especializada em jobs na região leste de Londres. Eu percebi que aquele seria um bom dia porque dei gargalhada numa situação que deveria me fazer abrir as ventas de emputecimento. Estava com meu iPod tentando achar a maldita entrada da job agency e um segurança bem invocadinho me pára e pergunta o que estou procurando. Responde e ele começa a falar tudo enrolado, com aquele sotaque cockney maldito, e eu toda enrolada nos fios do iPod, tentando achar o botãozinho de desliga. Foi o suficiente para ele se enfezar e dizer "tira essa coisa do ouvido para falar comigo senão você não entende nada mesmo". Ele estava bravo. E eu achei engraçado porque ele foi extremamente grosso e invasivo como poucos ingleses são (obviamente ele não era inglês, mas, morando aqui, favor se adaptar à cultura local). E foi então que comecei a rir. Mais de surpresa que de qualquer outra coisa. Anyway, o jeito que ele olha me faz desconfiar de que há algo meio errado na cachola.
Preenchi um cadastro e fui m'embora. De lá passei em casa e depois fui pro meu ex-trabalho, encontrar o pessoal pro almoço. Foi bem divertido ver todo mundo. Apesar de toda a sacanagem, apesar de todo o sofrimento da última semana, gosto muito de toda aquela gente, inclusive de minhas ex-chefes. E ontem pude ter um "glance" de como sou amada lá também.
Depois fui ao escritório. Sentei na minha antiga mesa, ao lado de Tatyana, na frente de minhas chefes. Minha chefe mais próxima disse que era para eu imprimir tudo o que tinha feito, para montar uma espécie de portfolio. Também sentou comigo e reformulou meu CV com o que fiz durante os nove meses em que trabalhei lá. Quando bateu 4:30pm, metade do escritório - isso dá umas 30 pessoas - se reuniu em frente a minha mesa para me dar presentes de despedida e um cartão lindo, com mensagens lindas, todas elas me convencendo de que meu sorriso é capaz de iluminar um dia inteiro. Os presentes, todos preciosos, porque foram pensados com carinho: um óculos e uma touca de natação, uma cafeteira de filtro, um kit de coisinhas de banho, uma apple pie (porque minha irmã me chama de tortinha de maçã e eles lembraram desse estranho detalhe), biscoitinhos para comer com o café, 10 libras para gastar com livros numa livraria e, claro, o cartão. Muita, muita coisa. Bem mais do que eu esperava. E toda aquela gente me olhando, e eu roxa de vergonha, sem saber o que falar, meio, "really, guys, I loved it and I'll miss you so much, but I know we'll keep in touch, oh, look, this is really lovely, thanks for being so nice". Toda a raiva que eu havia acumulado de repente adentrou ralo e eu percebi que a merda toda não era culpa de ninguém. Que não tinha como alguém querer me foder tanto (no mau sentido) gostando tanto de mim. Ou então toda aquela demonstração de carinho era extravasamento de culpa. Não sei. Não importa. Recebi um quentinho tão bom no peito que não senti at all na última semana em que estive sentada naquela cadeira. E a simples assimilação disso me deu vontade de chorar, but I held back the tears, fir I've already cried a river. Desnecessário.
Do escritório fomos ao happy hour. Um monte de gente foi lá para se despedir de mim. Entre os mais fofos, Steve (claro), Nick (um cara com quem troquei poucas palavras mas que ama a língua portuguesa), minhas chefes que adoraram me ver sorrindo de novo e, bom, um carinha. Mas isso é história para se algo acontecer. Um carinha que saiu da BMI há uma semana e apareceu no pub. Um carinha que sempre passava pelo corredor me olhando, mas cujo nome eu nem sabia. Finalmente, ontem, eu soube. Após meia hora de conversa, "sorry, what's your name?" Engraçado. Trocamos telefone. E ontem mesmo, quando fui embora, ele me ligou. O Chris? Olha, estamos bem. Logo mais fazemos 6 meses juntos, mas eu sei e ele sabe que não é um relacionamento que vai, assim, prosperar numa esfera mais elevada. Não vai. É ótimo tê-lo por perto agora, mas ele não me dá frios no estômago. Não mais.
E, para terminar a noite, mais uma entrevista na segunda-feira. Para duas empresas de PR. Para ganhar mais (bem mais) do que eu estava ganhando na BMI. Ontem foi um dia certo do começo ao fim. Um dos melhores dias aqui. Obrigada todos pelas vibrações positivas. Estou novamente pensando mais alto que o chão, mas sem tirar meu pé dele. Sou feliz de novo.
Thursday, May 19, 2005
the ground is the limit
Às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu esqueço. Apesar de que nada deixou de ter o ritmo alucinado que minha vida costuma ter, é horrível estar desesperada com a possibilidade de sentar e chorar.
Eu já me conheço o suficiente para saber que não sei dançar tão devagar para acompanhar o ritmo do mundo. Tanto que uma hora tudo pára em uma explosão que não posso evitar. Mas se não sei dançar no ritmo do mundo, o que fazer para evitar a dor? Nada. Não há o que fazer. Há que se sentir a dor apenas. Aprender que ela vem e eu não posso evitar. Senti-la em sua forma mais profunda para conseguir me separar dela. Talvez.
Em dias como esse tudo o que não posso é me entregar. Em dias como esse eu brigaria com uma freira, eu bateria num mendigo, eu xingaria uma amiga, eu daria um tiro em qualquer coração. Qualquer, inclusive no meu. Em dias assim eu não me perdôo de todas as merdas que possa ter feito, de tudo o que poderia ter ditto mas silenciei para ouvir outros sons – já que o que eu acho está sempre comigo.
Tenho que tomar cuidado para não cair. De novo. De novo para não cair, de novo tomar cuidado. Cansa um pouco, mas, novamente, não há o que fazer senão concordar com os livros de auto-ajuda que só são uma bosta porque mentem. Senão seriam ótimas comédias britânicas.
Atualizações, porque não sou só lamento: tenho uma entrevista segunda-feira. Veremos. Não quero me animar demais para não despencar demais também. Uma entrevista como qualquer outra. Só torçam.
Eu já me conheço o suficiente para saber que não sei dançar tão devagar para acompanhar o ritmo do mundo. Tanto que uma hora tudo pára em uma explosão que não posso evitar. Mas se não sei dançar no ritmo do mundo, o que fazer para evitar a dor? Nada. Não há o que fazer. Há que se sentir a dor apenas. Aprender que ela vem e eu não posso evitar. Senti-la em sua forma mais profunda para conseguir me separar dela. Talvez.
Em dias como esse tudo o que não posso é me entregar. Em dias como esse eu brigaria com uma freira, eu bateria num mendigo, eu xingaria uma amiga, eu daria um tiro em qualquer coração. Qualquer, inclusive no meu. Em dias assim eu não me perdôo de todas as merdas que possa ter feito, de tudo o que poderia ter ditto mas silenciei para ouvir outros sons – já que o que eu acho está sempre comigo.
Tenho que tomar cuidado para não cair. De novo. De novo para não cair, de novo tomar cuidado. Cansa um pouco, mas, novamente, não há o que fazer senão concordar com os livros de auto-ajuda que só são uma bosta porque mentem. Senão seriam ótimas comédias britânicas.
Atualizações, porque não sou só lamento: tenho uma entrevista segunda-feira. Veremos. Não quero me animar demais para não despencar demais também. Uma entrevista como qualquer outra. Só torçam.
Tuesday, May 17, 2005
redemoinho
Asneiras. Um mundo de asneiras. Às vezes quero ser uma folha, às vezes dou graças a deus por não ser. Tudo o que é leve gira alucinadamente atrás de um vento que apenas, bom, apenas gira.
Não quero uma vida mais ou menos. Não quero ter que beber leite puro antes de dormir, abraçar árvores ao acordar, alongar de hora em hora. Não quero. Nunca quis. Quero um trabalho que me faça trincar os dentes. Que me seque os olhos de atenção. Quero porque posso. Ninguém vai me convencer do contrário. Nem um tufão vai me fazer girar como uma folha ao mais fraco sopro. Estou fora da curva normal.
Algumas oportunidades de trampo estão começando a despontar. Nada concreto, nem perto disso. E eu também estou achando bom poder parar e olhar pela janela. Entender que o sol que bate nas árvores é outro. Que o latido do cachorro é o mesmo, que houve um acidente fatal na avenida aqui do lado e que antes isso não me comoveu. E agora comove. Me senti Carlitos em Tempos Modernos. Me senti máquina. Me senti folha que roda ao mais tênue vento.
Não quero isso para mim nunca mais.
**
Em tempo: estou seguindo os passos do meu personagem no livro que estou escrevendo. E isso não é bom. Fantástico como a vida imita a arte. Mas assustador também, se conhecessem meu personagem. Besteira minha, mas que tá parecido, tá.
**
Fui ver Maria Cheia de Graça no domingo. Não percam esse filme nem por uma diarréia. É muito bom. Fazia tempo que eu não ficava tão presa num filme. Imperdível mesmo.
Não quero uma vida mais ou menos. Não quero ter que beber leite puro antes de dormir, abraçar árvores ao acordar, alongar de hora em hora. Não quero. Nunca quis. Quero um trabalho que me faça trincar os dentes. Que me seque os olhos de atenção. Quero porque posso. Ninguém vai me convencer do contrário. Nem um tufão vai me fazer girar como uma folha ao mais fraco sopro. Estou fora da curva normal.
Algumas oportunidades de trampo estão começando a despontar. Nada concreto, nem perto disso. E eu também estou achando bom poder parar e olhar pela janela. Entender que o sol que bate nas árvores é outro. Que o latido do cachorro é o mesmo, que houve um acidente fatal na avenida aqui do lado e que antes isso não me comoveu. E agora comove. Me senti Carlitos em Tempos Modernos. Me senti máquina. Me senti folha que roda ao mais tênue vento.
Não quero isso para mim nunca mais.
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Em tempo: estou seguindo os passos do meu personagem no livro que estou escrevendo. E isso não é bom. Fantástico como a vida imita a arte. Mas assustador também, se conhecessem meu personagem. Besteira minha, mas que tá parecido, tá.
**
Fui ver Maria Cheia de Graça no domingo. Não percam esse filme nem por uma diarréia. É muito bom. Fazia tempo que eu não ficava tão presa num filme. Imperdível mesmo.
Monday, May 16, 2005
Sunday, May 15, 2005
no white flag above my door
Acho que já está na hora de colocar algo de novo aqui. Essa semana foi ridiculamente surreal. Eu não entendi nada. Ainda estou meio sem entender. E, se fosse uma dessas punhetadoras mentais, ficaria o resto dos meus dias tentando entender. A verdade é que, tal como a morte, eu nunca vou entender. Não em vida.
Pedi demissão.
Na verdade, fui obrigada a pedir demissão.
Sexta foi meu último dia e segunda vou lá entregar a resignation letter e me despedir de todos. Foi assim, de repente. Antes de ir para a Espanha, eu era um a estrela. Star mesmo, minha chefe usava essa palavra. Agora, de repente, virei uma decepção, não correspondo às expectativas de minhas chefes e não sou uma pessoa commercial-driven. Mas, duh, isso eles já deviam saber. Ninguém se forma jornalista para escrever em números.
Não queiram entender, também. Fiquei tão chocada quanto qualquer um dentro daquela empresa. Inclusive a ucraniana que senta ao meu lado e que acompanhou tudo. O fato é o seguinte: eu não consegui meet the target por um motivo simples, eu estava viajando. Das 3,5 semanas de campanha, duas eu estava na Espanha. Como fazer para meet the target? Imnpossível. Se minha chefe fosse um pouco mais assertiva, não teria me deixado viajar.
Agora, meus amigos, estou vivendo de reservas. E reservas não duram para sempre. No meu caso, duram por uns 2 ou 3 meses. Eu ainda vou receber o salário por mais um mês sem precisar dar as caras no trabalho, segundo o generoso chefão. Se depois desse período de um mês eu ainda estiver desempregada, esse mesmo generoso chefão me passará uns freelas e uns trabalhos temporaries. Aí você vai dizer, puxa, Bia, que chefe mais legal, e eu vou te responder, enfia essa legaleza no cu e roda.
Amanhã ainda é dia. Depois disso, estou de novo com um mundo de possibilidades, e é só isso que me motiva. Saber que tenho um currículo recheado de coisas factíveis nas mais diversas áreas.
Minha cabeça não pára. Preciso arranjar um jeito de me sustentar senão vou ter que voltar pro Brasil do jeito que menos quero: com uma mão na frente e outra atrás. Mas vou virar essa merda. Aquele não era o único emprego do mundo. Na verdade, é apenas um cocozinho perto do que sei que ainda vou viver. Dias inteiros para escolher o que deve ser ou não parte do meu futuro. Vou começar a me divertir. Atualizações aqui. Naquele ritmo de Brasil grande, quase-sempre, não-me-cobrem.
Pedi demissão.
Na verdade, fui obrigada a pedir demissão.
Sexta foi meu último dia e segunda vou lá entregar a resignation letter e me despedir de todos. Foi assim, de repente. Antes de ir para a Espanha, eu era um a estrela. Star mesmo, minha chefe usava essa palavra. Agora, de repente, virei uma decepção, não correspondo às expectativas de minhas chefes e não sou uma pessoa commercial-driven. Mas, duh, isso eles já deviam saber. Ninguém se forma jornalista para escrever em números.
Não queiram entender, também. Fiquei tão chocada quanto qualquer um dentro daquela empresa. Inclusive a ucraniana que senta ao meu lado e que acompanhou tudo. O fato é o seguinte: eu não consegui meet the target por um motivo simples, eu estava viajando. Das 3,5 semanas de campanha, duas eu estava na Espanha. Como fazer para meet the target? Imnpossível. Se minha chefe fosse um pouco mais assertiva, não teria me deixado viajar.
Agora, meus amigos, estou vivendo de reservas. E reservas não duram para sempre. No meu caso, duram por uns 2 ou 3 meses. Eu ainda vou receber o salário por mais um mês sem precisar dar as caras no trabalho, segundo o generoso chefão. Se depois desse período de um mês eu ainda estiver desempregada, esse mesmo generoso chefão me passará uns freelas e uns trabalhos temporaries. Aí você vai dizer, puxa, Bia, que chefe mais legal, e eu vou te responder, enfia essa legaleza no cu e roda.
Amanhã ainda é dia. Depois disso, estou de novo com um mundo de possibilidades, e é só isso que me motiva. Saber que tenho um currículo recheado de coisas factíveis nas mais diversas áreas.
Minha cabeça não pára. Preciso arranjar um jeito de me sustentar senão vou ter que voltar pro Brasil do jeito que menos quero: com uma mão na frente e outra atrás. Mas vou virar essa merda. Aquele não era o único emprego do mundo. Na verdade, é apenas um cocozinho perto do que sei que ainda vou viver. Dias inteiros para escolher o que deve ser ou não parte do meu futuro. Vou começar a me divertir. Atualizações aqui. Naquele ritmo de Brasil grande, quase-sempre, não-me-cobrem.
Wednesday, May 11, 2005
oleeeee
Eu sei que fui uma bad bad girl. Voltei sexta-feira da Espanha, hoje já é quarta e só agora resolvi pôr o focinho para for a. A viagem foi Linda, meus caros. Escrevi mais de 15 páginas todos os dias. Não vou colocar tudo aqui porque perde a graça. Se quiserem, espere a publicação e compre meu livro depois. Por enquanto, um tira-gosto:
25/4
All my life is changing every day, every possible way. Estou no avião, me encolhendo entre babãe e a parede do avião, ouvindo Dreams, porque tem tudo a ver, apesar de não ser exatamente o ambiente perfeito para uma escritora de prima como eu. Mas meu dia vai chegar. Enquanto isso, meu nariz está mais sêco que panetone velho. Meus olhos ardem e estou baxtant inquieta. Talvez pela falta de espaço, talvez por estar voando – apesar de eu nunca ter tido viadagens para voar. O negócio é que agora, pelo menos, tenho meu notebook. Ligo e encontro parte do meu mundo onde quer que eu esteja. Você pode não achar isso importante, mas não preciso de garantias alheias. Morar longe de onde nasci e cresci já é desenraizamento demais para alguém que ainda não morreu, como eu.
26/4
Parecia que não ia rolar, mas conseguimos. Chegamos em Málaga às 10h da noite sem lugar para ficar. Depois de a malar rodar duas vezes na alfândega em nossa frente para só então babãe resolver reconhecer sua própria mala (que, “gozado, está mais clara…”), mais um parto para descobrir onde comprar tarjetas telefônicas. E mais outro parto para descobrir como fazer uso delas. Primeiro hotel que ligamos: lotado. Meda, pânica, horrora, desespera. Segunto hotel: transferiram tanto a ligação que babãe se enfezou e desligou. Terceiro hotel: caro. Quarto e último: cá estamos. Não podia ter dado mais certo. Saímos correndo feito vacas no cio quando soubemos que o último trem para Torremolinos, onde estaria nosso HOTEL MIAMI, sairia em cinco minutos. Só que o trajeto do aeroporto à estação de trem foi estrategicamente construído para que se perca o trem. Você tem que tipo correr com o trolley, uma coisa assim meio Jamaica Abaixo de Zero, só que com subidas e descidas, pontes, escadas, mãe fazendo embaixada com seu agasalho que ela não viu despencar. Coisas assim. Quando chegamos no trem, o maquinista esperando claramente por piedade, minha testa era toda suor. Minha mão ficou toda estourada de tanto carregar o trolley e a mala. Tudo isso acompanhado da interminente ladainha de babãe: “ai, não, filha, não vou correr, já passei da idade” ou da variável: “ai, não, filha, não vou correr, meu joelho está doendo”. Meu amém era “vem, caceta!”
Depois de quase um ano longe da areia, finalmente afundei meus dedinhos todos naquele monte de pontinhos quentes. Uma massagem na alma. A praia de Torremolinos é uma delicia, não muito cheia, fofa, adorei ter ficado hospedada aqui. Depois de catar conchinha e pedrinhas, resolvemos pegar um AUTOBUS e ir até Marbella, que fica a uns 40km de Torremolinos. Chegamos lá, mais praia. Até me aventurei a vestir meu maiô, sacar minha touca e meus óculos. Vesti e tudo mais, mas a primeira mergulhada que dei senti um demônio apertando o punho com toda a força contra meu crânio. O inferno, my friends, é um dia pelando com água gelada. Você escolhe morrer queimado ou congelado, tendo a outra alternativa ao alcance das mãos. Mas nada tinha de inferno, Bia, que exagero. Só estava de fato baxtant fria a água. Dei duas, três, quatro braçadas e tive de parar porque o ar não vinha por mais que eu puxasse. Fiquei até com medo. Saí rapidinho do mar. Quem sabe amanhã?
27/4
Hoje foi dia de Málaga. Málaga mesmo, cidade grande. Não a Great Málaga, dentro da qual está Torremolinos. A cidade é bem grande, mas linda. Primeiro fomos para a Playa Malagueta – aliás, anotem, pimenta malagueta vem de Málaga, daí no nome – com muito, muito filtro solar. Depoius visitamos todos os pontos turísticos da cidade, já que compramos um daqueles tickets de sightseeing bus e nos deixamos levar. Visitamos uma arena de touros, um forte de um século bem remoto do qual não me alembro, chamado Castillo de Gibralfaro, o pico do dia, na minha opinião. Paisagens maravilhosas, o forte totalmente conservado por centenas de anos e, o melhor de tudo, não tinha aquela frescurite que muitos locais turísticos tem: podíamos andar por todo o forte, nos perder sem plaquinhas pentelhas ensinando como nos achar, mecher, balançar, cheirar, sentar, lamber, não havia cordas separando nada de nada. Inclusive, se você quisesse se matar, também podia. O Castillo fica no ponto mais alto da cidade, e das beiradas pode-se entender bem o conceito de VERTIGEM. Penhascos aos montes. Penhascos de gente grande mesmo. Penhascos rock n’ roll.
28/4
O inferno. Eu e uma mala com mais de 25 kilos. O inferno em sua nova variável. Claro que lá tinham coisas minhas e de babãe. Eu diria 1/4 minhas, 3/4 de babãe. Mas como sou jovem e forte e touro da família e tenho as costas boas (ao contrário do resto da família), sempre sobra para eu “provar” essa força. Quer dizer, antes era prova, hoje é vergonha na cara mesmo. Não faria babãe, cheia de ai minhas costas, ai meu joelho, carregar aquele peso todo nem que fosse por um segundo. Mas talvez se ela tivesse que passar pela experiência de carregar a mala por um doído segundo, teria feito sua parte da malinha um ‘cadim mais modesta.
Oh well, reclamar para quê? Já foi. Arrumamos tudo, demos mais uma volta na praia para dar tchau a Málaga, lugar apaixonante a que pretendo um dia voltar muitíssimo bem acompanhada, preferivelmente. Um povo caloroso, sorridente, chavequeiro na medida certa “solo ayudé porque mucho me gusto su hija” disse um bravo espanholinho que levou a mala e seus 25 quilos escada acima na estação de trem em Málaga. Vejam que fofo, além de ter levado minha mala, conseguiu me elogiar e de um jeito dulcíssimo, approaching babãe. Eles são assim lá. Não há como não sorrir em dobro. Além do mais, com aquele cheiro, que pulmão não respiraria feliz? Málaga, especialmente Marbella, é o lugar mais cheiroso a que fui. Cheiroso de cheiro natural. Intrínseco, estranho mesmo, o vento tem cheiro, e nnao o cheiro vem com o vento, entende? Não te culpo; é difícil explicar.
29/4
O mundo é pequeno demais ou o tempo é tão curto que nos permite viajar em idéias. Provavelmente se tivesse um mês inteiro pela frente eu acharia pouco e sentiria por não ter um mês e um dia. Ah, um dia a mais é sempre o dia a mais que falta para visitar AQUELE lugar, numa viagem como a nossa, sem destino, só a passagem de ida e a de volta. Hoje, depois do jantar, ficamos a elucubrar sobre o que faremos de nossa próxima e última semana. Nossa reserva em Sevilla vai até domingo, depois de amanhã. Amanhã ligaremos para os hotéis em Granada com uma certa dose de desespero, já que só hoje “realizamos” que terça-feira é feriado nacional e, logo, Granada-Alhambra-Generalife – nossos planos para os três dias seguintes a Sevilla – correm um certo risco de morte em nossa trajetória. Amanhã a viagem tomará um rumo mais definido, já que ligaremos manhosas para todos os hotéis de Granada que nos foi recomendados. Caso não haja vagas nem para dormir no quarto das camareiras, aí teremos que abrir mão de Granada e ir a Alicante. MAS, como nada em uma viagem é tragédia, se não formos a Granada, as chances de irmos a Ibiza crescem. É aí que entra a primeira sentença que escrevi hoje. Se tivéssemos mais um, talvez dois diazinhos a mais, poderíamos fazer tudo: Granada (e Alhambra-Generalife – alias, pausa infame, só decoro o nome Generalife porque imagino uma companhia de seguros), Alicante, Ibiza e um gostinho de Valência.
30/4
O dia hoje foi o pior da viagem até agora. Nada de muito ruim aconteceu, mas, sinceramente, acho que ficamos tempo demais em Sevilla. Em um dia inteiro poderíamos ter varrido isso tudo. Hoje ficamos até três da tarde resolvendo nossa ida a Granada. Só depois das três fomos até o centro velho terminar de ver o que faltava e, surprise, surprise, era só uma atração, a Plaza de Toros de la Maestranza. Muito legal a visita. Mas durou meia hora. Era visita guiada e acabou, cuspiram-nos à rua. É sério. O dia começou mesmo às 15h e terminou de render às 15:30h. Depois disso almoçamos num restaurante que nem era lá dessas coisas e voltamos para o hotel porque estava quente demais, de novo. Aliás, minto. Antes de voltarmos entramos num café que servia os malditos churros. Eu cismei com os churros e agora já os comi. Gorda.
1/5
De qualquer maneira, a temperatura está mais aceitável. Chegamos na estação de trem e fomos comprar a passagem de trem para Alicante direto. Não há viagem direto para Alicante. Decidimos ir de ônibus então; deixaríamos para procurar a rodoviária depois. O primeiro parto do dia foi achar um taxi da estação de ônibus para o hotel. Domingo, feriado, hora da siesta. Tudo junto. Claro que não tinha taxi. Uma fila imensa e nenhum. No final das contas, depois de meia hora, conseguimos pegar um, meio que acotovelando os outros. Chegamos no hotel, uma graça, mas eu não poderia perder tempo novamente. O dia anterior em Sevilla tinha sido meio fiasco. Eu tinha que make it up to it hoje. Largamos as malas no quarto e saímos, rumo a Alhambra.
A cidade está cheia. Terça-feira é o maldito feriado nacional. Mil festas acontecendo – religiosas, as far as I’m concerned. Está tudo apinhado. Mesmo sabendo que os ingressos estavam todos esgotados, resolvemos tentar a sorte. Logicamente não conseguimos. Mas a viagem valeu a pena de qualquer jeito. Mesmo sem poder entrar no negócio propriamente dito, pudemos visitar parte das ruínas, ter uma vista linda da cidade, cheirar todo aquele cheiro que entorpece meus pulmões. Fomos até o lugar de venda de tickets, mas não tinha mais nenhum para aquele dia e, se quiséssemos ir amanhã, teríamos que ESTAR LÁ às 7 da matina, sem garantia de ingresso. Decidimos que não. Ficamos por lá, passeando, vendo o que podia ser visto sem ingresso, e voltamos à cidade.
2/5
Ok. Sem Alhambra, sem Sierra Nevada, o que há para fazer em Granada? Simples: Granada! Resolvemos explorar a cidade e foi bem gostoso. Começamos pela capela real, em que estão os sarcófagos de Felipe, o Belo, e Juana, a Louca (hahaha). Maravilhosa. Meu apreço por igrejas tem me surpreendido. Embora eu tenha ficado um pouco impressionada demais com as imagens de San Juan Batista sendo decapitado e San Juan Evangelista sendo queimado dentro de um caldeirão, uma espécie de sopa santa. Assustador. Eu diria até de um certo mau gosto. Fiquei imaginando se eu fosse uma criança que morasse lá e fosse obrigada a assistir à missa naquela capela todo domingo - partindo do pressuposto de que eu era uma criança da famíloia real, já que a capela era de uso exclusivo da realeza. Eu teria acessos de choro antes e pesadelos terríveis depois. Ficaria hipnotizada nas duas imagens esculpidas na parede do altar, entre outras dez imagens. Eu não conseguiria prestar atenção em nenhuma palavra do padre.
3/5
Chegamos em Alicante após seis horas de viagem. Legal, nosso destino final, Dênia, fica há 100km de Alicante. Havia um ônibus saindo de Alicante meia hora após nossa chegada na rodoviária. Tudo muito tranqüilo para o padrão Singer de contratempos. No final das contas, 100km foram percorridos em exatas três (3) horas. A porra do busão foi pingando, entrando em cada vilinha para deixar e recolher formiguinhas. Não acabava mais. Eu já não via mais graça alguma em paisagens, escritinhos em catalão, escarpas, praias. Tudo o que eu queria era sair daquele ônibus cheio de pessoas tossindo, espirrando, umas até catarrando, juro. Ficar em pé no chão novamente, caminhar, respirar, me afundar na areia da praia. Não é pedir muito.
4/5
Do hotel fomos à praia. Andamos até um ponto que parecia mais habitado. A praia de Denia não é maravilhosa, mas é calma, e tudo de que precisávamos era paz. Claro que 100% paz nunca acontece na minha vida. Apareceu um tarado, que ficava fazendo gestos para mim de longe, mudando de posição na praia para pegar o “melhor ângulo” de visão, não parava de fazer gestos do tipo “vamoali?” ou “faz um topless, faz?” – como vocês devem saber, topless é comum na Europa. Várias tiazonas de maminhas aos aires, como se diz em Portugal. O ápice da taradice foi quando ele começou a pôr a mão para dentro da calça e ao mesmo tempo fazer um “venhaqui” com o indicador. Como homem é bobo.
And that’s all for now, folks. Muita merda tem acontecido e a cas ameaça cair pro meu lado. De novo. Mas eu agüento, até quando não der para agüentar mais. Depois explico melhor. Agora, fiquem com o que aconteceu de bom.
25/4
All my life is changing every day, every possible way. Estou no avião, me encolhendo entre babãe e a parede do avião, ouvindo Dreams, porque tem tudo a ver, apesar de não ser exatamente o ambiente perfeito para uma escritora de prima como eu. Mas meu dia vai chegar. Enquanto isso, meu nariz está mais sêco que panetone velho. Meus olhos ardem e estou baxtant inquieta. Talvez pela falta de espaço, talvez por estar voando – apesar de eu nunca ter tido viadagens para voar. O negócio é que agora, pelo menos, tenho meu notebook. Ligo e encontro parte do meu mundo onde quer que eu esteja. Você pode não achar isso importante, mas não preciso de garantias alheias. Morar longe de onde nasci e cresci já é desenraizamento demais para alguém que ainda não morreu, como eu.
26/4
Parecia que não ia rolar, mas conseguimos. Chegamos em Málaga às 10h da noite sem lugar para ficar. Depois de a malar rodar duas vezes na alfândega em nossa frente para só então babãe resolver reconhecer sua própria mala (que, “gozado, está mais clara…”), mais um parto para descobrir onde comprar tarjetas telefônicas. E mais outro parto para descobrir como fazer uso delas. Primeiro hotel que ligamos: lotado. Meda, pânica, horrora, desespera. Segunto hotel: transferiram tanto a ligação que babãe se enfezou e desligou. Terceiro hotel: caro. Quarto e último: cá estamos. Não podia ter dado mais certo. Saímos correndo feito vacas no cio quando soubemos que o último trem para Torremolinos, onde estaria nosso HOTEL MIAMI, sairia em cinco minutos. Só que o trajeto do aeroporto à estação de trem foi estrategicamente construído para que se perca o trem. Você tem que tipo correr com o trolley, uma coisa assim meio Jamaica Abaixo de Zero, só que com subidas e descidas, pontes, escadas, mãe fazendo embaixada com seu agasalho que ela não viu despencar. Coisas assim. Quando chegamos no trem, o maquinista esperando claramente por piedade, minha testa era toda suor. Minha mão ficou toda estourada de tanto carregar o trolley e a mala. Tudo isso acompanhado da interminente ladainha de babãe: “ai, não, filha, não vou correr, já passei da idade” ou da variável: “ai, não, filha, não vou correr, meu joelho está doendo”. Meu amém era “vem, caceta!”
Depois de quase um ano longe da areia, finalmente afundei meus dedinhos todos naquele monte de pontinhos quentes. Uma massagem na alma. A praia de Torremolinos é uma delicia, não muito cheia, fofa, adorei ter ficado hospedada aqui. Depois de catar conchinha e pedrinhas, resolvemos pegar um AUTOBUS e ir até Marbella, que fica a uns 40km de Torremolinos. Chegamos lá, mais praia. Até me aventurei a vestir meu maiô, sacar minha touca e meus óculos. Vesti e tudo mais, mas a primeira mergulhada que dei senti um demônio apertando o punho com toda a força contra meu crânio. O inferno, my friends, é um dia pelando com água gelada. Você escolhe morrer queimado ou congelado, tendo a outra alternativa ao alcance das mãos. Mas nada tinha de inferno, Bia, que exagero. Só estava de fato baxtant fria a água. Dei duas, três, quatro braçadas e tive de parar porque o ar não vinha por mais que eu puxasse. Fiquei até com medo. Saí rapidinho do mar. Quem sabe amanhã?
27/4
Hoje foi dia de Málaga. Málaga mesmo, cidade grande. Não a Great Málaga, dentro da qual está Torremolinos. A cidade é bem grande, mas linda. Primeiro fomos para a Playa Malagueta – aliás, anotem, pimenta malagueta vem de Málaga, daí no nome – com muito, muito filtro solar. Depoius visitamos todos os pontos turísticos da cidade, já que compramos um daqueles tickets de sightseeing bus e nos deixamos levar. Visitamos uma arena de touros, um forte de um século bem remoto do qual não me alembro, chamado Castillo de Gibralfaro, o pico do dia, na minha opinião. Paisagens maravilhosas, o forte totalmente conservado por centenas de anos e, o melhor de tudo, não tinha aquela frescurite que muitos locais turísticos tem: podíamos andar por todo o forte, nos perder sem plaquinhas pentelhas ensinando como nos achar, mecher, balançar, cheirar, sentar, lamber, não havia cordas separando nada de nada. Inclusive, se você quisesse se matar, também podia. O Castillo fica no ponto mais alto da cidade, e das beiradas pode-se entender bem o conceito de VERTIGEM. Penhascos aos montes. Penhascos de gente grande mesmo. Penhascos rock n’ roll.
28/4
O inferno. Eu e uma mala com mais de 25 kilos. O inferno em sua nova variável. Claro que lá tinham coisas minhas e de babãe. Eu diria 1/4 minhas, 3/4 de babãe. Mas como sou jovem e forte e touro da família e tenho as costas boas (ao contrário do resto da família), sempre sobra para eu “provar” essa força. Quer dizer, antes era prova, hoje é vergonha na cara mesmo. Não faria babãe, cheia de ai minhas costas, ai meu joelho, carregar aquele peso todo nem que fosse por um segundo. Mas talvez se ela tivesse que passar pela experiência de carregar a mala por um doído segundo, teria feito sua parte da malinha um ‘cadim mais modesta.
Oh well, reclamar para quê? Já foi. Arrumamos tudo, demos mais uma volta na praia para dar tchau a Málaga, lugar apaixonante a que pretendo um dia voltar muitíssimo bem acompanhada, preferivelmente. Um povo caloroso, sorridente, chavequeiro na medida certa “solo ayudé porque mucho me gusto su hija” disse um bravo espanholinho que levou a mala e seus 25 quilos escada acima na estação de trem em Málaga. Vejam que fofo, além de ter levado minha mala, conseguiu me elogiar e de um jeito dulcíssimo, approaching babãe. Eles são assim lá. Não há como não sorrir em dobro. Além do mais, com aquele cheiro, que pulmão não respiraria feliz? Málaga, especialmente Marbella, é o lugar mais cheiroso a que fui. Cheiroso de cheiro natural. Intrínseco, estranho mesmo, o vento tem cheiro, e nnao o cheiro vem com o vento, entende? Não te culpo; é difícil explicar.
29/4
O mundo é pequeno demais ou o tempo é tão curto que nos permite viajar em idéias. Provavelmente se tivesse um mês inteiro pela frente eu acharia pouco e sentiria por não ter um mês e um dia. Ah, um dia a mais é sempre o dia a mais que falta para visitar AQUELE lugar, numa viagem como a nossa, sem destino, só a passagem de ida e a de volta. Hoje, depois do jantar, ficamos a elucubrar sobre o que faremos de nossa próxima e última semana. Nossa reserva em Sevilla vai até domingo, depois de amanhã. Amanhã ligaremos para os hotéis em Granada com uma certa dose de desespero, já que só hoje “realizamos” que terça-feira é feriado nacional e, logo, Granada-Alhambra-Generalife – nossos planos para os três dias seguintes a Sevilla – correm um certo risco de morte em nossa trajetória. Amanhã a viagem tomará um rumo mais definido, já que ligaremos manhosas para todos os hotéis de Granada que nos foi recomendados. Caso não haja vagas nem para dormir no quarto das camareiras, aí teremos que abrir mão de Granada e ir a Alicante. MAS, como nada em uma viagem é tragédia, se não formos a Granada, as chances de irmos a Ibiza crescem. É aí que entra a primeira sentença que escrevi hoje. Se tivéssemos mais um, talvez dois diazinhos a mais, poderíamos fazer tudo: Granada (e Alhambra-Generalife – alias, pausa infame, só decoro o nome Generalife porque imagino uma companhia de seguros), Alicante, Ibiza e um gostinho de Valência.
30/4
O dia hoje foi o pior da viagem até agora. Nada de muito ruim aconteceu, mas, sinceramente, acho que ficamos tempo demais em Sevilla. Em um dia inteiro poderíamos ter varrido isso tudo. Hoje ficamos até três da tarde resolvendo nossa ida a Granada. Só depois das três fomos até o centro velho terminar de ver o que faltava e, surprise, surprise, era só uma atração, a Plaza de Toros de la Maestranza. Muito legal a visita. Mas durou meia hora. Era visita guiada e acabou, cuspiram-nos à rua. É sério. O dia começou mesmo às 15h e terminou de render às 15:30h. Depois disso almoçamos num restaurante que nem era lá dessas coisas e voltamos para o hotel porque estava quente demais, de novo. Aliás, minto. Antes de voltarmos entramos num café que servia os malditos churros. Eu cismei com os churros e agora já os comi. Gorda.
1/5
De qualquer maneira, a temperatura está mais aceitável. Chegamos na estação de trem e fomos comprar a passagem de trem para Alicante direto. Não há viagem direto para Alicante. Decidimos ir de ônibus então; deixaríamos para procurar a rodoviária depois. O primeiro parto do dia foi achar um taxi da estação de ônibus para o hotel. Domingo, feriado, hora da siesta. Tudo junto. Claro que não tinha taxi. Uma fila imensa e nenhum. No final das contas, depois de meia hora, conseguimos pegar um, meio que acotovelando os outros. Chegamos no hotel, uma graça, mas eu não poderia perder tempo novamente. O dia anterior em Sevilla tinha sido meio fiasco. Eu tinha que make it up to it hoje. Largamos as malas no quarto e saímos, rumo a Alhambra.
A cidade está cheia. Terça-feira é o maldito feriado nacional. Mil festas acontecendo – religiosas, as far as I’m concerned. Está tudo apinhado. Mesmo sabendo que os ingressos estavam todos esgotados, resolvemos tentar a sorte. Logicamente não conseguimos. Mas a viagem valeu a pena de qualquer jeito. Mesmo sem poder entrar no negócio propriamente dito, pudemos visitar parte das ruínas, ter uma vista linda da cidade, cheirar todo aquele cheiro que entorpece meus pulmões. Fomos até o lugar de venda de tickets, mas não tinha mais nenhum para aquele dia e, se quiséssemos ir amanhã, teríamos que ESTAR LÁ às 7 da matina, sem garantia de ingresso. Decidimos que não. Ficamos por lá, passeando, vendo o que podia ser visto sem ingresso, e voltamos à cidade.
2/5
Ok. Sem Alhambra, sem Sierra Nevada, o que há para fazer em Granada? Simples: Granada! Resolvemos explorar a cidade e foi bem gostoso. Começamos pela capela real, em que estão os sarcófagos de Felipe, o Belo, e Juana, a Louca (hahaha). Maravilhosa. Meu apreço por igrejas tem me surpreendido. Embora eu tenha ficado um pouco impressionada demais com as imagens de San Juan Batista sendo decapitado e San Juan Evangelista sendo queimado dentro de um caldeirão, uma espécie de sopa santa. Assustador. Eu diria até de um certo mau gosto. Fiquei imaginando se eu fosse uma criança que morasse lá e fosse obrigada a assistir à missa naquela capela todo domingo - partindo do pressuposto de que eu era uma criança da famíloia real, já que a capela era de uso exclusivo da realeza. Eu teria acessos de choro antes e pesadelos terríveis depois. Ficaria hipnotizada nas duas imagens esculpidas na parede do altar, entre outras dez imagens. Eu não conseguiria prestar atenção em nenhuma palavra do padre.
3/5
Chegamos em Alicante após seis horas de viagem. Legal, nosso destino final, Dênia, fica há 100km de Alicante. Havia um ônibus saindo de Alicante meia hora após nossa chegada na rodoviária. Tudo muito tranqüilo para o padrão Singer de contratempos. No final das contas, 100km foram percorridos em exatas três (3) horas. A porra do busão foi pingando, entrando em cada vilinha para deixar e recolher formiguinhas. Não acabava mais. Eu já não via mais graça alguma em paisagens, escritinhos em catalão, escarpas, praias. Tudo o que eu queria era sair daquele ônibus cheio de pessoas tossindo, espirrando, umas até catarrando, juro. Ficar em pé no chão novamente, caminhar, respirar, me afundar na areia da praia. Não é pedir muito.
4/5
Do hotel fomos à praia. Andamos até um ponto que parecia mais habitado. A praia de Denia não é maravilhosa, mas é calma, e tudo de que precisávamos era paz. Claro que 100% paz nunca acontece na minha vida. Apareceu um tarado, que ficava fazendo gestos para mim de longe, mudando de posição na praia para pegar o “melhor ângulo” de visão, não parava de fazer gestos do tipo “vamoali?” ou “faz um topless, faz?” – como vocês devem saber, topless é comum na Europa. Várias tiazonas de maminhas aos aires, como se diz em Portugal. O ápice da taradice foi quando ele começou a pôr a mão para dentro da calça e ao mesmo tempo fazer um “venhaqui” com o indicador. Como homem é bobo.
And that’s all for now, folks. Muita merda tem acontecido e a cas ameaça cair pro meu lado. De novo. Mas eu agüento, até quando não der para agüentar mais. Depois explico melhor. Agora, fiquem com o que aconteceu de bom.
Saturday, April 23, 2005
euphoria
Não preciso explicar o sumiço, preciso? Babãe is inda house. E estou tentando, mas não consigo desgrudar dela. Nem estou tentando real hard, mas já sei que vai ser difícil dizedr adeus – e eu dispenso comentários do tipo, pô, Bi, não pensa nisso agora, aproveite o presente, curta o momento. Enfiem o carpe diem do rabo e rodem.
Amanhã passaremos o dia em Brighton e segunda voamos para Málaga, na Espanha. À frente a árdua tarefa de desbravar a costa sul da Espanha e Sevilha e Granada. Quem sabe Córdoba, e, quem sabe ainda, Ibiza.
Também ignorarei sumariamente pedidos de atualização do blog enquanto estiver na Espanha, though levarei meu notebook para batucar se me aprouver. Então não esperem grandes coisas aqui até 8 de maio (depois disso, claro, esperem).
Ah, sim, E amanhã, maybe maybe, babãe conhecerá o famigerado Chris.
Me desejem tudo de bom? Brigada!
Amanhã passaremos o dia em Brighton e segunda voamos para Málaga, na Espanha. À frente a árdua tarefa de desbravar a costa sul da Espanha e Sevilha e Granada. Quem sabe Córdoba, e, quem sabe ainda, Ibiza.
Também ignorarei sumariamente pedidos de atualização do blog enquanto estiver na Espanha, though levarei meu notebook para batucar se me aprouver. Então não esperem grandes coisas aqui até 8 de maio (depois disso, claro, esperem).
Ah, sim, E amanhã, maybe maybe, babãe conhecerá o famigerado Chris.
Me desejem tudo de bom? Brigada!
Monday, April 18, 2005
raindrops stop falling on my head - little by little
Depois de amanhã eu saio ao meio-dia do trabalho, pego o *tubo*, desço em Hammersmith, onde uncle John estará me esperando de carro. De lá vamos a Heathrow. Preciso continuar?
Meu coração acelera só de pensar. Estarei cuddling babãe em menos de 48 horas. Vocês sabem o que são 48 horas para quem está longe há 10 meses? Pois erraram. 48 horas é muito tempo. Tanto tempo que a chegada da minha mãe parece estar muito longe ainda. Só vou entender quando sentar no carro do uncle John a caminho de Heathrow. O mesmo banco e o mesmo caminho de quando aqui cheguei há 10 meses. Céus, como tudo mudou. Tenho até medo de ter mudado demais. De estar madura demais, vivida demais, mundana demais. Medo de estar mais massa, menos grão.
Medo bobo. Não importa quanto tempo eu viva, e quantas coisas eu viva, e quantos sonhos realize e realizo todo dia, e quandas decepções enfrente; nada vai conseguir um dia realmente varrer meu medo. Ultimamente é medo de enlouquecer. De sair dançando tango sozinha pelas ruas. De chorar ao tropeçar, de rir ao me esfacelar. Não precisa ter medo, eu sei. Mas quem disse que minha cabeça segue a lógica precisa? Vocês não sabem, mas há foguetes de energia saindo da minha cabeça e me impedindo de ir junto além. Para algum lugar tem que ir essa energia. Para algum lugar que não meu estômago. Porque energia no estômago só infla, só dói, só panica.
Isso tudo é o que estou deixando escapulir por entre meus dedos agora, sem o menor controle, sem a menor censura, sem medo de realmente enlouquecer, pelo menos uma vez em todo esse dia, em todos os dias um pouquinho. Isso tudo porque sei que logo mais não preciso ser sã o tempo todo. Não preciso ter o equilíbrio que não tenho; não preciso ter a coerência que não tenho; não preciso ter a mente serena que não tenho. Posso ser o que sou – algo novo para todo mundo: para mim, para minha mãe, para meus amigos. Eu mudei e ainda não sei no que me transformei. Fiz um corte de cabelo de olhos fechados e descobri que não tem espelho na sala. Então melhor assim. Se eu não consigo ver meu cabelo, que ele pareça uma galinha d’angola sobre minha cabeça - já não ligo. Viram só? É aí que começa a loucura. Quando acabam-se os espelhos e nada mais importa. O mundo te vê mas você não percebe. E sai dançando tango na chuva, chorando nos tropeços; rindo nas quedas duras.
Agora que ela está chegando, a saudade parece uma faca cortando aos poucos um dedo já cortado. Agora estou me permitindo sentir um mundo de sentimentos. Estava tudo aqui. Eu é que, na falta de espelhos, não pude ver.
**
Fim de semana muito bom. Sexta aquele happy hour básico com o pessoal do trabalho. Sábado dia molenga com Chris. Foi bom. Estamos bem. Dia 14, aniversário do ser mais amado desse mundo cujo nome é desnecessário citar, completei 4 meses de namoro. Ele me veio discreto, quase tímido, quase sapeca, me puxou num canto quanto estávamos no happy hour e falou, babe, yesterday, four months ago I was holding you for the first time. E sorriu, e eu nem lembrei da data, afinal era o aniversário do ser mais amado desse mundo cujo nome é desnecessário citar. Mas ele lembrou, e me lembrou, todo tímido. E me lembrou também que estamos bem. Um namoro que começou morno, esfriou e finalmente esquentou. Acho que nunca estivemos tão bem. Acho que nunca tive um namoro assim. Não apostava minha calcinha mais encardida nesse relacionamento. Continuo meio arredia, um pé na frente e outro atrás, mas aos poucos estou deixando ele me mostrar seus encantos. E os estou descobrindo mais numerosos do que pensei. Apostei no azarão achando que a perda era inevitável. Por enquanto, meu cavalo loiro continua firme na disputa. Não em primeiro, mas não em último. And that's enough for the time being.
**
Sábado à noite fui na Lover Lounge com Frufru. Uma das casas noturnas mais bonitinhas a que já fui. Endereço marcado no lado mais gostoso da minha cabeça para levar Piupiu.
Domingo acordei com um barulho de torcida e lembrei, ah, sim, a maratona. A maratona de Londres. Ela passou aqui do lado de casa. O trio parada dura, claro, saiu para marcar presença. Entre as muitas cenas cômicas, essa que vos fala deu um tapão num balão e este bateu com tudo na cara de um gatinho. Para melhorar, acesso de riso, daqueles bem eu, boca bem aberta, todos os dentes querendo aparecer. O horror, o horror.
À tarde fomos a Camdem Town, encontramos as fofas da Bru e da Fla (irmã da Bru), coisinhazinhas fofas demais, pouco conhecidas mas muy queridas já. Passeamos, comprei apetrechos fashion, e terminamos a noite no Cubans, um bar no coração de Camdemlock. Fiquei pouco, mas o suficiente para conhecer o novo namorado de Bobby. Em alguns minutos, talvez segundos, já tinha feito meu juízo. Ele é um amor. Bondade genuina. Ele não vai decepcionar minha amiga, tão decepcionada já.
E s’embora porque dia seguinte, hoje, foi labuta braba. 8-18 com um pit stop para o almoço, em que dei mais uma das minhas aulas de “espanhol”. Acho melhor eu começar a estudar, preparar umas aulas, não sei. Algo tem que ser feito, senão bem em breve ele descobre. Enquanto isso, almuerzo de gratis na companhia de um guapo. Reclamo não.
Meu coração acelera só de pensar. Estarei cuddling babãe em menos de 48 horas. Vocês sabem o que são 48 horas para quem está longe há 10 meses? Pois erraram. 48 horas é muito tempo. Tanto tempo que a chegada da minha mãe parece estar muito longe ainda. Só vou entender quando sentar no carro do uncle John a caminho de Heathrow. O mesmo banco e o mesmo caminho de quando aqui cheguei há 10 meses. Céus, como tudo mudou. Tenho até medo de ter mudado demais. De estar madura demais, vivida demais, mundana demais. Medo de estar mais massa, menos grão.
Medo bobo. Não importa quanto tempo eu viva, e quantas coisas eu viva, e quantos sonhos realize e realizo todo dia, e quandas decepções enfrente; nada vai conseguir um dia realmente varrer meu medo. Ultimamente é medo de enlouquecer. De sair dançando tango sozinha pelas ruas. De chorar ao tropeçar, de rir ao me esfacelar. Não precisa ter medo, eu sei. Mas quem disse que minha cabeça segue a lógica precisa? Vocês não sabem, mas há foguetes de energia saindo da minha cabeça e me impedindo de ir junto além. Para algum lugar tem que ir essa energia. Para algum lugar que não meu estômago. Porque energia no estômago só infla, só dói, só panica.
Isso tudo é o que estou deixando escapulir por entre meus dedos agora, sem o menor controle, sem a menor censura, sem medo de realmente enlouquecer, pelo menos uma vez em todo esse dia, em todos os dias um pouquinho. Isso tudo porque sei que logo mais não preciso ser sã o tempo todo. Não preciso ter o equilíbrio que não tenho; não preciso ter a coerência que não tenho; não preciso ter a mente serena que não tenho. Posso ser o que sou – algo novo para todo mundo: para mim, para minha mãe, para meus amigos. Eu mudei e ainda não sei no que me transformei. Fiz um corte de cabelo de olhos fechados e descobri que não tem espelho na sala. Então melhor assim. Se eu não consigo ver meu cabelo, que ele pareça uma galinha d’angola sobre minha cabeça - já não ligo. Viram só? É aí que começa a loucura. Quando acabam-se os espelhos e nada mais importa. O mundo te vê mas você não percebe. E sai dançando tango na chuva, chorando nos tropeços; rindo nas quedas duras.
Agora que ela está chegando, a saudade parece uma faca cortando aos poucos um dedo já cortado. Agora estou me permitindo sentir um mundo de sentimentos. Estava tudo aqui. Eu é que, na falta de espelhos, não pude ver.
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Fim de semana muito bom. Sexta aquele happy hour básico com o pessoal do trabalho. Sábado dia molenga com Chris. Foi bom. Estamos bem. Dia 14, aniversário do ser mais amado desse mundo cujo nome é desnecessário citar, completei 4 meses de namoro. Ele me veio discreto, quase tímido, quase sapeca, me puxou num canto quanto estávamos no happy hour e falou, babe, yesterday, four months ago I was holding you for the first time. E sorriu, e eu nem lembrei da data, afinal era o aniversário do ser mais amado desse mundo cujo nome é desnecessário citar. Mas ele lembrou, e me lembrou, todo tímido. E me lembrou também que estamos bem. Um namoro que começou morno, esfriou e finalmente esquentou. Acho que nunca estivemos tão bem. Acho que nunca tive um namoro assim. Não apostava minha calcinha mais encardida nesse relacionamento. Continuo meio arredia, um pé na frente e outro atrás, mas aos poucos estou deixando ele me mostrar seus encantos. E os estou descobrindo mais numerosos do que pensei. Apostei no azarão achando que a perda era inevitável. Por enquanto, meu cavalo loiro continua firme na disputa. Não em primeiro, mas não em último. And that's enough for the time being.
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Sábado à noite fui na Lover Lounge com Frufru. Uma das casas noturnas mais bonitinhas a que já fui. Endereço marcado no lado mais gostoso da minha cabeça para levar Piupiu.
Domingo acordei com um barulho de torcida e lembrei, ah, sim, a maratona. A maratona de Londres. Ela passou aqui do lado de casa. O trio parada dura, claro, saiu para marcar presença. Entre as muitas cenas cômicas, essa que vos fala deu um tapão num balão e este bateu com tudo na cara de um gatinho. Para melhorar, acesso de riso, daqueles bem eu, boca bem aberta, todos os dentes querendo aparecer. O horror, o horror.
À tarde fomos a Camdem Town, encontramos as fofas da Bru e da Fla (irmã da Bru), coisinhazinhas fofas demais, pouco conhecidas mas muy queridas já. Passeamos, comprei apetrechos fashion, e terminamos a noite no Cubans, um bar no coração de Camdemlock. Fiquei pouco, mas o suficiente para conhecer o novo namorado de Bobby. Em alguns minutos, talvez segundos, já tinha feito meu juízo. Ele é um amor. Bondade genuina. Ele não vai decepcionar minha amiga, tão decepcionada já.
E s’embora porque dia seguinte, hoje, foi labuta braba. 8-18 com um pit stop para o almoço, em que dei mais uma das minhas aulas de “espanhol”. Acho melhor eu começar a estudar, preparar umas aulas, não sei. Algo tem que ser feito, senão bem em breve ele descobre. Enquanto isso, almuerzo de gratis na companhia de um guapo. Reclamo não.
Wednesday, April 13, 2005
hola, que tal?
Se eu disser que o Tony Blair foi hoje no prédio em que trabalho vocês acreditam? Vai procurar nos jornais. Mermaid House. Foi lá que rolou a convenção do Labour Party. E é lá que fica meu glorioso trampo.
**
Estranho o que tem acontecido. Depois que terminei meia-bocamente o namoro com o Chris – e fui sumariamente ignorada em minha decisão de terminar – comecei a, de leve, curti-lo novamente. Nada de me derreter de amor. Mas tá bem gostoso. Chegou no equilíbrio que eu queria. Só não sei se é o que ele queria. Mas chegar ao meu ideal já é difícil, imagina se eu for tentar coordenar os dois. Não, né?
Falando em equilíbrio, quase que deixo cair a máscara na aula de “espanhol” que estou dando. Me enrolei numa ou noutra palavrinha. Mas acho que o gatinho não percebeu. Como diz meu amigo Marius, quem sabe até o final do mês não estou ensinando o besa me mucho?
**
Ba-nhê, vem logo, caçamba! Uma semaninha só.
**
Estranho o que tem acontecido. Depois que terminei meia-bocamente o namoro com o Chris – e fui sumariamente ignorada em minha decisão de terminar – comecei a, de leve, curti-lo novamente. Nada de me derreter de amor. Mas tá bem gostoso. Chegou no equilíbrio que eu queria. Só não sei se é o que ele queria. Mas chegar ao meu ideal já é difícil, imagina se eu for tentar coordenar os dois. Não, né?
Falando em equilíbrio, quase que deixo cair a máscara na aula de “espanhol” que estou dando. Me enrolei numa ou noutra palavrinha. Mas acho que o gatinho não percebeu. Como diz meu amigo Marius, quem sabe até o final do mês não estou ensinando o besa me mucho?
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Ba-nhê, vem logo, caçamba! Uma semaninha só.
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