Wednesday, September 17, 2008

procrastination, that's my name

Ah, e claro, agoooora que minha dor-de-cabeça inexistente passou, eu resolvo ter uma de verdade. Cínico, esse que por nós zela.

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Resolvi que vou trabalhar na Bloomberg quando for pro Brasil. Eles ainda não sabem, mas eu vou.

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Eu queria muito conseguir ficar interessada no casamento da Sandy, porque do jeito que a mídia propagou, tenho que achar que o resto do Brasil inteiro se interessou. Me senti meio de fora. Sou a única que caga montes para Sandy ou Júnior ou o escambau?

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É hoje que acabou meu beloved A Suitable Boy (Sutapopói pros íntimos – e depois de 9 meses a gente cria uma intimidade). 1.500 páginas, meus amigos, do mais puro romance histórico na Índia nos anos 50.

Também não entendi por que fui me interessar, mas adorei. Também na reta final do Super-Cannes, que começou bem meia-boca e foi esquentando. Mas acho que se voltasse no tempo com esse conhecimento escolheria não lê-lo.

unblindness

O velhinho fofo agora também tem blog!

Tuesday, September 16, 2008

loosing it, finding it

Dias diferentes, estes. Alguma coisa mudou. Ainda não entendi bem o quê, mas sou dessas que primeito sente e depois entende.

Ontem não fui trabalhar. Motivo: Enxaqueca inexistente. Na verdade ela existiu no domingo, mas achei sacanagem ser bem num domingo e resolvi transferir pra segunda. Então a segunda foi meu domingo e meu domingo foi minha segunda. Tudo para dizer em várias palavras que dei o gato no trabalho sem dó nem piedade. E hoje foi difícil acordar e aleguei que estava groggy dos remédios. Mentira, só queria dormir um pouco mais. A semana começa bem melhor quando começa quase na quarta.

Sobre domingo, a enxaqueca tem uma ótima razão. Fui voar com ma’boy e Bruno. O Bruno voa aviões pequenos, particulares. Ele alugou um por uma hora e meia e fomos os três, em um Piper que por dentro lembra o mais detonado dos fusquetas, voar até Dover. Então imagino que a enxaqueca se deva ao excesso de sol, ao headset que esmagou minha cabeça para eliminar o som do motor, e à mudança de pressãozinha básica. Além de todos os meus hormônios.

Ponto alto do vôo aconteceu uns 5 minutos após a decolagem: eu aponto à esquerda e, feliz da vida, grito: “Olha, olha, que legal! Um outro avião passando do nosso lado!” Foi por BEM pouco. Estimamos que o outro avião estava a uns 20 a 30 metros do nosso.

“Olha, olha, que legal!” Típico!

E depois de dormir 12 horas de domingo para segunda, quando regava minha pimentinha (ela é toda trocada, como eu: as pimentas crescem para cima, as flores apontam para baixo), ma’boy me conta que o Lehman Brothers caiu. Eu não consigo mais negar, então vou bradar aos quatro ventos: sinto um prazer imenso com esse tipo de catástrofe. Imenso mesmo. E eu espero que o mercado imobiliário continue me trazendo mais destes júbilos.

Agora, após tomar minha sopinha de tomate e esfregar bastante as têmporas em falsa dor, vou ali trabalhar um pouco. Sou palhaça, mas dessas certinhas.

Tuesday, September 09, 2008

curtas

Hoje vou ver uma pré-estréia de graça. Poxa, como gosto de coisas de graça. Fico realmente empolgada.

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Ainda sem definições quanto a datas. Estou ficando indócil com o trabalho. Meio na dúvida se vale a pena dar uma de louquinha e ser feliz nesses próximos meses. Talvez o negócio seja agüentar mais um pouco pra poder depois viajar sossegada.

De qualquer forma, até agora a única coisa oficial é que ficaremos na nossa casa até 13 de novembro. Depois disso, ou seguimos para a Ásia, ou é bom acharmos nova acomodação.

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Esse fim de semana fomos visitar a Dora, filhinha recém-nascida do Diter e da Dulce (e eles juram que não têm nada com a letra D, pura coincidência). Eu entro em uma sintonia completamente nova quando carrego um bebê no colo. Como se mais nada existisse ou importasse. Eu tenho quase vontade de SER aquele bebê sem história e sem caprichos, sem liberdade e sem responsabilidade. Completamente a mercê. Eu queria me deixar ser assim um pouco. Mas já passou a fase. Faz uns 28 anos.

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Sonhei com campos abertos e satélites e celulares sem sinal. Hoje recebi uma mensagem da minha operadora dizendo que se eu não pagar a conta (e é certo que não vou pagar – outra hora explico porquê) meu celular será desligado. Cagando montes, estou.

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Essa semana comemoro com meu amado 1 ano de morando juntos. Andamos mais autistas do que nunca, e mais apaixonados também.

Thursday, September 04, 2008

há cinco anos

Eu fazia quase poesia, todo dia:

"O melhor da vida é comer as bordas". É simples e é uma verdade absoluta e contraditória. O melhor da vida é o que vem anexado, sem querer, a ela. O melhor não era exatamente a competição, mas tudo o que a rondava. A felicidade não é exatamente nada, mas tudo o que não é exato e circunscreve a exatidão.

Foi lá em maio de 2003.

Friday, August 29, 2008

asas para baixo

De volta a esse lugar que me suga pelos olhos e me cospe todas as noites. Sempre perguntando o que estou fazendo com minha vida, sempre tentando entender como é que há gente que acredita ser feliz aqui e agora. Conversa que só consigo ter com meu umbigo, que não me julga e não é mais ou menos feliz que eu.

Porque ninguém é capaz de genuína e convincentemente me explicar o sentido deste blog, por exemplo, enquanto uma mosca morre de asas para baixo na minha escrivaninha.

Um dia eu tentei ser a melhor. E acreditei que poderia, até. Alguns chegaram a me convencer disso por alguns instantes, e por esses instantes deixei às vezes escorrer lágrimas de alegria. Mas alegria, gente, alegria não é felicidade. Alegria é a esmola que me jogam com desdém sem me olhar no rosto. E eu aceito, claro, for that's all I have for today. E tentar ser a melhor é uma merda sem tamanho, porque não existe melhor, porque posso ser menos que a mosca morta de asas para baixo. Posso ser menos que as anteninhas inertes.

Não sei o que há comigo hoje. Vontade de me mandar ao inferno, mas séria desconfiança de que já estou nele.

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A viagem para a Espanha foi divina. Madrid é bem legal, mas parte do meu coração ficou em Barcelona. Em algum lugar nos anos deste blog falei que sou uma pessoa altamente apaixonável por lugares, e que isso era bom por um lado, mas acabava me convencendo a me afastar de pessoas igualmente apaixonáveis. Barcelona é mais um exemplo disso. Acho que se a vida não der certo por algum motivo no Brasil e eu pensar em voltar para a Europa daqui a alguns anos, consigo me ver perfeitamente morando lá. Logo mais coloco fotos no meu Flickr. Aqui só algumas palavras mesmo, sobre a cidade que tem absolutamente tudo o que julgo essencial numa cidade, e ainda um charme todo dela. Encantadora. Virei mais uma dessas malas apaixonadas por Barcelona.

Queria escrever mais, mas não tô na pilha agora. Shame.

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Amanhã vou para Dover com meu homem. Levaremos as bicicletas no trem e passaremos o dia entre cliffs, praias, castelo e ruas pitorescas. O último dia de verão inglês, dizem. Havemos que aproveitar.

Wednesday, August 20, 2008

beijing beijing

e tchau tchau. Férias, mon cheries. Madrid e Barcelona. Volto com minhas pataquadas portuñolas e muito, muito mais! Quinta-feira da semana que vem eu volto. Até lá só atualizo sob tortura.

Aos familiares: estou levando celular, mas como resolvi não pagar mais a conta (longa história, a culpa é daqueles putos da operadora) pode ser que ele morra n'além mar. Neste caso, sosseguem o facho (faixo? faxo? faicho?) e quando der eu mando um alô.

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Ai, me senti tão amadora nas minhas maratonas aquáticas... Aquelas mulheres nadaram 10km como quem nada 1km. Fiquei boquiaberta. Lindo lindo. E muito nostálgico.

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Chove...

Friday, August 15, 2008

notícias de ontem

Troco quase nada por tudo. Sempre quis sair ganhando nos meus, como chama mesmo, mucambo? macambo? ando esquecendo de palavras que usava toda semana em português. Como chama aquele esquema de troca dos índios? Era marambo, mumbaque, algo assim.

Enfim, não gosto muito de fazer mau negócio. Seja a inegável raiz judia, seja o medo mesmo, medo de sair perdendo na vida. Aqui e ali, um pouquinho todo dia faz diferença. Eu não gosto de dormir hoje menos do que era quando fui dormir ontem.

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Ver a natação nas Olimpíadas tem me dado uma coceira sem tamanho. Mas enfim, vai ficar coçando até a carne ficar viva (ela é morta antes disso? perguntas, perguntas). Não há muito, agora, que eu possa fazer.

Meu amado me perguntou se penso em voltar a nadar como antes quando voltar ao Brasil. Well, amor, eu disse, se eu voltar a nadar como antes vou ficar uma gostosa sem tempo e energia para mais nada. Você quer? Eu na verdade não perguntei porque não importaria a resposta. Eu não quero. Gostaria muito de mergulhar sem ser de cabeça, mas nunca me ensinaram e eu nunca senti falta também. Então não sei. Entrar pela beirada, sentindo os dedinhos frios primeiro nunca foi a minha. Mas me enerdecer (c) na natação novamente não vai dar.

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Na verdade vim aqui escrever porque nada mudou, mas como o tempo passa e o blog vai ficando velho e chato e desatualizado e às moscas, de vez em quando venho aqui jogar poeira e fingir que morar em Londres é sempre tudoaomesmotempoagora e que, uhu, é verão, festival, uau. Não, nunca será assim. Não para mim.

Enfim.

Estava aqui escrevendo e meu amado começou a perguntar sobre o que eu estava escrevendo. E aí falei "depois você lê no blog, oras" e ele gritou agudo e eu perdi a concentração. Então é isso. Até a próxima desatualização.

Monday, August 04, 2008

torcicolo

Sempre cometendo os mesmos erros. Admirando fotografias sem perceber que as pessoas POSAM para elas.

é falso. é artificial. é longe, muito longe do que realmente foi.

e com as cartas a mesma coisa. simplesmente um a tentativa celulósica de diminuir uma distância que não, hon, não diminui. E uma falta de memória, e uma quase vontade de me machucar. não sei porque ainda faço isso comigo, mas é quase incontrolável. amo meu passado e odeio o passado dos outros.

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Torcicolo significa alguma coisa? Estou com torcicolo. Carreguei umas sacolas muito pesadas na quinta-feira e meu ombro virou um pedaço de pão velho. Aí o ombro foi melhorando e o pescoço travando. Fui fazer massagem e acupuntura hoje e ainda não sei se melhorei. O china me entuxou (?) de coisinhas herbais caras que comprei porque não tava na onda de resistir, sabe?

Mas esse negócio de olhar para trás, Beatriz, não ajuda a melhorar o torcicolo.

Será que eu quero doer? Mas dói tanto... Será que eu gosto? Não pode ser.

Tuesday, July 29, 2008

a place called us

I remember everything.
A curse, I’d say, to remember everything.
But I kinda like it.
You and me and all our beautiful and not so glorious moments
You and me and the times when we just really didn’t care.
They are still here somewhere.
As I get away from what’s around me
(And inevitably I do)
I get closer and closer to you.

Monday, July 28, 2008

não entendo

Putz. Mais uma dessas segundas-feiras em que penso sem parar no Sentido Disso Tudo. Não existe. Pedem para eu não pensar muito nisso, sem entenderem que não há como pedir uma coisa dessas. É inerente. É sufocante. E é incontrolável. Não entendo muito vir ao trabalho todos os dias. Não entendo muito despertador. Não entendo muito ter que ficar das 9am às 5.30pm no trabalho se consigo fazer o que preciso em 4h de trabalho. Não entendo porque deveria fazer o dobro de quem ganha bem mais que eu. Não entendo nem porque isso deveria ser um problema. Não entendo para onde vai o dinheiro que ganho, nem entendo qual o meu papel Nisso Tudo. Não entendo, gostaria de ser feliz em minha ignorância mas não consigo, não consigo.

Acabo de voltar do banheiro e arrancar mais um fio branco. E apesar disso continuo assim, com os pensamentos mais adolescentes do mundo. Puta saco.

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Acredito que Woody Allen entrou numa fase melhorzinha agora que parou de ser engraçado. Match Point e Cassandra’s Dream são bem melhores de tudo o que já vi dele. Nunca fui huge fan, agora estou um pouco mais convencida de seu talento. Still, não está na lista dos meus favoritos.

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E o que ainda me faz respirar feliz são os planos. Vai ser muito bom o futuro breve.

Tuesday, July 22, 2008

ordem e regresso

Prometi para mim mesma parar com essa coisa de ansiedade.
De deixar tudo sempre dentro da bolsa fechada como se fosse sair correndo a qualquer minuto.
Preciso aprender a me espalhar, para entender por que as pessoas espalham sem nem perceber. Eu percebo demais. Mas se eu começar a me forçar, uma hora fica natural. A velha técnico da dramaturgia de forçar até que fique natural. E fica.
Ontem, por exemplo, só tirei a chave da bolsa quando estava na porta de casa. Geralmente é tudo bem calculado. Aproveito o tempo parada na escada rolante do metrô para pegar a chave. Passo o Oyster na catraca e já enfio logo na bolsa para fechá-la. Tudo para evitar pequenos desastres que estão esperando para acontecer.
Porque pequenos desastres procuram sempre pessoas com quem têm contas a pagar. E eu acho, por algum motivo, que sou uma dessas pessoas. Acho que os desastres estão à espreita para compensar as minhas sortes na vida e deus está louco para fazer tudo ficar 50%.
Sou muito, muito esquisita.

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Um querido no post abaixo perguntou sobre minha incursão na morna literatura brasileira. Vai chegar. Espera só eu ser avó pra você ver.

Brincadeira.

Vai chegar antes disso. E, claro, com estardalhaço.
Quando for.

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Montei o Twitter do Observatório. Vão lá e assinem!

Monday, July 21, 2008

agreed greed

Então que assistir Into the Wild no meu atual estado de espírito não ajuda a enfrentar uma sgeunda-feira ensolarada dentro do escritório.
Ainda mais quando não sei direito o que estou fazendo e, mais importante, por quê.
Ainda mais sabendo que em alguns meses vou largar tudo.
Ah, não vejo a hora. Alguns meses, só alguns meses mais.
Alguns updates da viagem para Ásia: devemos começar pela Coréia e Japão. Isso porque dos lugares que vamos visitar, são os mais frios. Logo, quanto antes formos (novembro provavelmente), melhor.
De lá ainda estamos num maze que inclui Filipinas, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Índia (em vez de Tibet-Nepal). Gostaríamos de, na volta, passar por Israel. Tudo ainda incerto.
E longe.
Então preciso focar em coisas mais próximas e palpáveis. Espanha em um mês!

Friday, July 11, 2008

tweet tweet

Agora eu também twitto.

de volta

Quase um mês sem escrever. Acontece. Encheu o saco. Parei. Agora voltei, e posso parar de novo.

Bem típico por sinal. Eu realmente nunca sei bem o que quero. Tenho até dificuldades de aspirar a algo. Se um gênio da lâmpada me conceder três desejos é capaz de eu falar, ah, não sei, escolhe aí. Só para depois não ter que carregar o peso de ter feito a escolha errada.

Noruega foi um tesão. Muita natureza e pouca gente. Era tudo de que eu precisava.

Voltei, comecei no cargo novo essa semana. Ainda está muito no começo para dar qualquer veredicto. Fiquei bem perdida nos primeiros dias. Comecei na segunda e eles me mandaram para um congresso terça e quarta. Meio complicado, já que eu não sei direito em que focar minha atenção.

Mas passou e cada dia está ficando um dedinho mais fácil. Daqui a um mês eu vou rir de ter pensado hoje que posso ter feito a escolha errada.

Obviamente, não é o que pensa minha conta bancária.

Mas sinto falta dos colegas. Me dava muito bem com o pessoal. Nada insubstituível, claro. Amizades de trabalho. Mil promessas até o último dia. Um ou outro encontro após isso e pronto, morreu. Mais fácil morrer com promessas de vida.

Na verdade não sei por que vim escrever. Claro que muita coisa aconteceu, mas para contar direito eu teria que dispor de um tempo que agora não tá rolando. Tem a Noruega, e tem o trabalho novo. Tem eu um pouco mais de bem com a vida, e tem o de sempre, que é falar muito sem falar nada.

Por ora é isso. Depois eu volto, seja lá o que depois for.

Tuesday, June 17, 2008

crocodilo

"Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens."

J. Guimaraes Rosa

Amem.

grasp

Existem algumas maneiras de fazer direito.
Existem muitas, inúmeras maneiras de se fazer errado.
E existe o não fazer.

E o vazio que segue o não fazer.

Mas o pior vazio é o que segue o fazer sem sentido. Fazer, fazer, fazer muito, e perceber que o que se fez era volátil e não muda nada. Nada, nada. E que esse é o princípio da inquietação. Não essa inquietação mundana de todo dia. A Inquietação.

Eu não sei.

Saturday, June 07, 2008

holy hole

Subir as escadarias do meu trabalho e entrar por aquela porta onde sei quem vai estar sentado onde, e ligar o computador e fazer o que sabia que iria fazer ontem, e anteontem. E pensar, claro, pensar. Pensar que nada faz realmente muito sentido. Nada vai MUDAR. Para mim e para o mundo. Aí a vontade de fazer todas as coisas que eu tinha para fazer some. Decido dar uma checada nos meus emails. Praticamente só propaganda. Onde foram parar meus amigos? A culpa é minha? Quando chega a hora do almoço eu preciso sair. Muitas vezes ligar para alguém, mas quem? Tem muita gente que gostaria de receber meu telefonema, mas elas têm o que falar? Elas lembram dos seus sonhos? Elas entendem que cada dia vivido é um morrido?

Não ando muito bem. Ando tropeçando muito. Qualquer coisa me faz chorar, qualquer coisa que me fazia rir antes não tem muita graça mais. Ando com vontade de estudar. Não sei vocês, mas sempre que caio nos meus muitos buracos, tenho vontade de estudar. Até mestrado no Brasil ando considerando, eu que depois da faculdade passei a não acreditar em ensino no termo ortodoxo da palavra. Talvez ainda não acredite e a solução é estudar por conta própria.

Aí eu olho para o meu amor. Ultimamente tão focado no doutorado que quando ele pega o violão para tocar me dá vontade de ser o violão. E me vem aquele medo também. Quando estou como estou, fico destrutiva. Jamais me perdoaria se destruisse uma das poucas coisas bonitas que soube construir. Mas o medo de destruir ajuda a destruir. Ele vai ter que ter paciência comigo. Eu vou ter que ter paciência com o doutorado dele.

Na verdade, estou me oferecendo muitas saídas. Estou tentando cuidar de mim mesmo no buraco. Ontem entrei na academia. Good ol' serotonina, se deus for pai. Semana passada bookei uma viagem a dois para Noruega. É no final do mês. Vamos para Stavanger conhecer os fiordes. Something to look forward to. Também estou fazendo aulas de caiaque no Tâmisa. Uma experiência fantástica e uma nova perspectiva da cidade que, após 4 anos, achava difícil ainda haver. É o que diz o folheto anyway.

But yet... Estou contando mesmo com a ida ao médico no dia 17 de junho. Vou meio de cabeça baixa, me sentindo uma puta loser, mas acho que não é a hora de ficar sem boletas. Para meu desapontamento, e do meu amor também - que embora negue, é claramente contra anti-depressivos. O problema, como disse a ele, é que ele não me conhece sem antidepressivo. Fico não só insuportavelmente ansiosa, como irritadiça (ao extremo: tenho vontade de socar, por exemplo, mulheres andando de salto alto atrás de mim. não perguntem) e muito negativa. Basicamente invirto a polaridade da minha energia. Basicamente, viro uma bosta de pessoa. Eu sem boletas.

Então é isso e chega.

Monday, May 19, 2008

the girl with far away eyes

Precisou que alguém querido apontasse o que estava debaixo do meu nariz para eu enxergar. Estou indo atrás de tudo o que quero. Pedi aumento (que veio em forma de humilhantes 4.3%, mas veio); estou perdendo peso de forma lenta e estável, como se deve fazer; parei há mais de duas semanas de tomar Fluoxetina. Sou hoje uma pessoa mais próxima do que quero ser do que era há um mês.

And yet, ainda não estou satisfeita. Aliás, quando fiquei? Acho que sou muito dura comigo mesma.

Um pouquinho desinspirada. Muita coisa desimportante ocupando espaço grande na minha cabeça. Se eu morresse hoje, julgaria-me fútil por achar, depois de 28 anos, que as pequenas coisas realmente importam.

E o sono, claro. Todo fodido. Deve ter a ver com a interrupção da medicação. Mas acho que não é só isso. Faz um mês que voltei do Brasil e já parece que faz um ano. Como pode? Cada dia mais entendo menos porque fui me meter nessas de vida corporativa. Não tem a ver comigo. Agora não há muito o que eu possa fazer, mas tenho planos maiores e melhores para mim. Assim que eu descobrir exatamente o que quero.

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Mas terei novidades até o final da semana. Que não tem a ver com trabalho, antes que me sabatinem. Só quero falar depois que acontecer.

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Ontem fui ver Persépolis. Adorei. E olha que para eu falar que adorei desenho é porque realmente este é imperdível. Sensível e ao mesmo tempo straight to the point. Recomendo muito.

Tuesday, May 06, 2008

let the sunshine in

Clima supimpa, esse. Sol que queima, bem vindo à Inglaterra! Aí, agora que ele chegou, posso feliz da vida reclamar que tenho que ficar enfornada num escritório quente e meio sujo. Sim, acharam camundongos por entre as baias outro dia. Eu pensei em fingir uma fobia irracional para poder tirar uns dias de férias justificadas e pagas, mas pensei demais e não daria mais para simular, posto que fobia irracional não espera para estourar.

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O regime. Continua lindo. Dias mais bonitos hão de me ajudar a comer menos e me mexer mais.

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Agora vou - ali pedir aumento pro meu chefe. É sério.