Monday, November 27, 2006

Sexta, 18/11

Mudei de idéia, vou postar dia por dia.

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Depois de uma noite cheia de gente em casa, acordamos Flá e eu já sabendo que teríamos que largar a casa na bagunça mesmo. Não daria tempo de muito mais que fazer as malas. Conseguimos sair na hora que planejamos, mas planejamos errado e perdemos o ônibus para o aeroporto. Pegamos o seguinte e, sem crise, deu tudo certo. Foi tudo bem tranqüilo. Check in sem problemas, nenhuma criança chutando meu assento no avião, nenhuma turbulência fazendo suar frio, chegamos em Munique com classe. Nada dava errado. Pegamos o trem certo, descemos na estação certa, tudo estava certo demais. Certo demais. Isso tinha que estar errado. Como eu não fui perceber? Nada dá tão certo sempre.

Chegamos no albergue às 22h para descobrirmos que tinham trocado as bolas (bolas estas que não fiz questão de entender porque estava irritada, e irritada não entendo nada). Resumindo: o albergue onde fiz reserva não tinha mais vaga para nós. Simples assim. Ignoraram nosso booking. E não tinha solução outra que não fosse nos mandar de mala-bem-pesada e tudo para ooooutro albergue. Fomos. Deu tudo certo, mas foi a maior perda de tempo, ainda mais que no dia seguinte teríamos de voltar para o albergue original, fazer check in de novo yadda yadda.

Ainda na sexta precisávamos considerar o dia útil e fomos reconhecer a área. Andamos por aí. Terminamos no Mc Donald’s onde a Flá ganhou um sorvete de casquinha de graça, e eu não. Nice.

Sunday, November 26, 2006

de volta

Amo a Suíça a partir da semana passada.

A real é que tenho zilhões de coisas para escrever, palavras entupidas na ponta dos dedos querendo sair, mas agora não vai dar pra mergulhar aqui porque não estou exatamente concentrada com a Flá me perguntando o que cozinhar e o Felipe, amigo dela, discutindo as peculiaridades das línguas estrangeiras.

Não reclamo, fiquei dois dias muda, viajando sozinha, agora quero mais é ser interrompida nos meus mais tortuosos pensamentos.

Jajá escrevo o maior post que a blogosfera jamais testemunhou. Jajá não é necessariamenre hoje, mas é em algum momento.

Thursday, November 16, 2006

outros olhos

Bom é assim. Odeio morrer de sono, mas adoro lembrar da causa.

Continuo rodando mais rápido que a rotação da Terra mas, hey, isso eu já esperava. Eu sempre soube. Sempre foi assim. É inerente. Me surpreende o fato de eu ainda me surpreender.

Eu posso estar pacífica, mas ainda carrego um mundo refletido nos olhos. Não dá para ficar tranqüila assim. Eu fico o tempo todo me coçando para lembrar que existem coceiras que estejam no corpo, e não na alma.

É que eu sempre me perco quando começo a andar sozinha, mas then again, já me acostumei. Sei que vou me perder mesmo, que seja rápido, e que eu me divirta com minha miséria, e que eu conheça estradas mais bonitas que as principais, e que eu ache a certa por acaso, porque de propósito nunca vai rolar. E que a certa nunca seja a certa, apenas a menos errada. Ou a mais divertida. Porque não preciso de tanto assim para me divertir. Acho que fiquei menos exigente com a idade. Ou o mundo é que me parece mais patético. Pode ser, pode ser. Não sei. Não preciso.

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Amei falar com minha Fru no telefone. Amei falar com meu Putão no Skype. Que saudade, que saudade. Tá chegando.

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Sabe que eu me acho a pessoa menos romântica do mundo (enquanto o mundo acho o contrário), mas não tem como ouvir By Your Side sem se derreter. Uma das melhores músicas dos últimos tempos, que até meu iTunes parece gostar. E eu gosto que ele goste.

I will show you, you'll so much better than you know.

Mas é depois de amanhã que eu viajo e nem tenho nada pronto, nada planejado, nem um guia, nem um mapa, nem sei a mala que vou levar e quanto dinheiro devo tirar, não sei nem de que aeroporto sai meu vôo. Não sei a hora do meu vôo. Muito trabalho, e muitas outras coisas disputando lugar na minha cabeça.

Mas ninguém deve pensar em mais nada quando se ouve By Your Side. É sacanagem, é injusto, é errado. Eu paro o que quer que esteja fazendo para aproveitar os poucos minutos de romantismo que existem em mim. Não importa quem esteja na roda. Nem que esteja a minha volta. Nem o que eu tenha feito de errado. Nem o que você esteja fazendo de errado. Todo mundo menos nós.

Yeah, the white men in the black suits, they are diminishing.
I really hope they go away
I hope they find a nice place
I hope they find it some way
I hope they go away.

É por aí.

Wednesday, November 15, 2006

conta até quatro, solta, conta até quatro, puxa

Contando as horas para sábado. Vocês sabem o quanto mereço? Não, não sabem. Eu merecia um ano de férias - mas then again, só eu acho isso. Oh, mundo capitalista e taylorista, pai de todas as injustiças e conflitos entre irmãos. Oh.

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Passei por um momento de epifania mágico. Na verdade sonhei com uma descoberta revolucionária. Sonhei que existia um mercado com um hidratante só para bunda! Não tente entender!

Sonhei que comprava, tinha achado a idéia genial, mas que na embalagem dizia que era feito de material alucionógeno. A-ham.

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Mais um feriado no Brasil. Se tem algo de que sinto falta é do fervor religioso do meu país que me permitiu por tantos anos ter tantos feriados. Viva a República Federativa do Brasil. Sip sip hurray.

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Cólica. E olha que não sou dessas. E ansiosa. E olha que sou bem dessas. Mas hoje vou na dotôra, ver se está tudo nos conformes no quesito cachola. Well, nos conformes nunca vai estar. Vamos ver se ela, a cachola, está confortavelmente desconfortável, apenas.

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Pode ser que eu tenha feito merda. Pode ser. Mas não estou pensando mal de mim. Pode ser que eu me arrependa, pode ser que eu me censure ainda mais, pode ser que eu seja uma pessoa pior a partir de agora, um-dois-e-já.

Still, sou eu. Os outros podem, mas eu não posso pensar mal de mim. É assim que me protejo do que existe de ruim tentando contaminar o (resto) que tenho de bom.

Monday, November 13, 2006

it's a mess but it's working

Metade de mim diz que sou uma ótima pessoa. A outra metade é toda tentativa de negação. Eu já entendi que preciso somar e dividir por dois. Eu só não consegui ainda.

Cabeça atordoada demais com pessoas demais. Essa viagem veio a calhar. Nem escrever destravada estou conseguindo.

E nem tentem entender toda a dimensão porque poucas pessoas conseguem ver o quadro completo. Partes dele são lindas, invejáveis até. Ele inteiro, not too sure.

Please please please
No apologies
At best they buy you time
Until you’re next step out of line
Please please please
No more remedies
My method is uncertain
It's a mess but it's working

And maybe if you want to try it out
You won't like it when you're crying out

Give me something familiar
Somethin' similar
To what we know already
That will keep us steady
Steady, steady
Steady going nowhere


Tenho que deixar a Fiona cantar mais vezes. Ela manda bem melhor que eu.

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Expectativas para ir ao Brasil crescendo a dimensões pantagruélicas. Um mês e uma semana to go.

(Na verdade eu só queria usar a palavra “pantagruélica”.)

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Eu já escrevi vinte coisas e quase vinte eu apaguei.

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Na verdade eu travo assim porque sei que tem muita gente lendo isso aqui. E tem muita gente querendo doer menos, e outra gente querendo doer mais, e eu só escrevo para mim, só para mim. Não se iludam. Mas estamos todos aqui, no mesmo mundo ao mesmo tempo. É claro que você e você e você também vão estar aqui. Eu não quero machucar. Eu só aprendi a não doer junto. Será que fiquei dura demais? Eu não sei, mas sinceramente prefiro assim.

Thursday, November 09, 2006

fuck my way up

Acabou meu remédio e eu esqueci de pegar a receita. Tudo errado, tudo errado... Estou mais lentinha por isso. Se tudo ficar torto, é culpa da minha antidopagem.

E estou meio entediada aqui. O ano está acabando, meu chefe jumping up and down para atingirmos a meta, mas sem budget não há muito o que uma mera executiva possa fazer. Eu espero apenas. Enquanto isso leio poesias – Rilke especificamente – e mastigo qualquer coisa.

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Eu nunca vou ser o tipo de moça terninho. O tipo que limpa nervosamente a boca com o guardanapo quando come. O tipo que sonha com cavalos sendo alimentados com muesli. Eu nunca serei mocinha, dessas que secam o cabelo. De manhã e à noite. Daquelas que comem maçãs em vez de chocolate. Eu nunca vou me comportar como se espera. Eu nunca vou deixar de franzir a testa porque franzir a testa dá rugas. Eu não penso no quanto preciso fazer a unha. Eu não me preocupo se saí com uma meia de cada par. Eu não me preocupo com pares em geral, nem com meias. Eu acordo todos os dias às 7:28h porque odeio tudo o que é redondo.

Poucas vezes errei de caminho, mas é só porque os caminhos são tão tortuosos, tão sinuosos, que é difícil dizer quando terminei um e comecei outro, quando realmente escolhi ou quando fui a esmo. Na maioria das vezes, vou a esmo. Acredito demais nas minhas entranhas. Desconfio muito da minha capacidade de planejamento. Não sei o que vou estar fazendo daqui a cinco anos e chego atrasada em entrevistas de emprego (mas não me atraso para mais nada).

Odeio uniformidade, odeio unilateralidade, odeio unidireção, odeio “unis” em geral, inclusive uniões. Não acredito em uniões, para ser sincera. Acredito em andar junto. Fundir, não.

Acredito em caminhos tortos, mas não em errados. Nem em certos. Apenas espertos ou burros. Para caminho não se dá nota. Porque notas têm que partir de uma certeza absoluta e ir baixando quanto mais se afasta disso. Só que ninguém sabe de nada, ninguém tem o direito de saber mais, nem a capacidade. Ninguém entenderia porque um caminho limpo e reto me deixaria deprimida. Ninguém entende quando choro estando tudo, tudo bem.

E foda-se.

Não entendo como há gente to tipo terninho, do tipo que limpa nervosamente a boca com o guardanapo, do tipo que sonha com cavalos e seca o cabelo. Não entendo, não faz parte do meu mundo, rio de ironia (são pessoas que ainda não entenderam que vão morrer). Ou de tédio. Rio dos textos lineares. Acho graça em quem tenta fazer da literatura uma arte exata (se isso existe). Não rio de raiva (embora possa acontecer). Rio porque acho fofo. Elementar. Uma infamiliaridade com a escrita igual a que eu tenho com um pincel. Ou com um guardanapo grande.

Mas tento ao máximo respeitar. Tem gente que sabe onde vai estar daqui a um mês e realmente sabe. Eu não sei. Eu prefiro ser surpreendida no meio do caminho. Mudar meu curso, voltar, cortar caminho, ser pega pela polícia, chutar e ser presa, chorar, depois rir de tudo e vir contar. Não sei o que me fará feliz. Sei o que me faz.

Ah, chega.

Wednesday, November 08, 2006

Bukowski

ANOTHER BED
from: Love is a Mad Dog from Hell

another bed
another women

more curtains
another bathroom
another kitchen

other eyes
other hair
other
feet and toes.

everybodys looking.
the eternal search.

you stay in bed
she gets dressed for work
and you wonder what happened
to the last one
and the one after that...
it's all so comfortable-
this love making
this sleeping together
the gentle kindness...

after she leaves you get up and use her
bathroom,

it's all so intimate and strange.
you go back to bed and
sleep another hour.

when you leave its with sadness
but you'll se her again
whether it works or not.
you drive down to the shore and sit
in your car. it's almost noon.

-another bed, other ears, other
ear rings, other mouths, other slippers, other
dresses

colors, doors, phone numbers.

you were once strong enough to live alone.
for a man nearing sixty you should be more
sensible.

you start the car and shift,
thinking, I'll phone Jeanie when I get in,
I haven't seen her since Friday.



Ah, esse Hank...

Tuesday, November 07, 2006

alone we stand, together we fall apart

Unusual day this was.

Dormi pouco mas acordei bem. Mas o que me intrigou mesmo veio de fora. Recebi email de pessoas que menos esperava. Aliás, quase nunca espero anyway. Descobri que minha resistência a frustrações é baixa, então prefiro não esperar nada nunca. Mando emails e depois esqueço, porque a idéia de nunca receber uma resposta me é insuportável.

Emails bons, quase todos. Amigos que devo reencontrar em breve. Pessoas que sabem que vou pro Brasil e resolvem que sou importante. Pessoas que não me conhecem mas me acham que conhecem por causa do meu blog (acho o máximo, só não consigo entender). E outras pessoas. Sempre têm as que intrigam mais.

Baby, baby, você dançou. Agora é tarde, néam? Sim, agora é tarde. Sou eu quem digo, sou eu quem julgo. Só de farra, vamos trocar de papéis, sim? Agora você massageia e eu piso.

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E ando pensando bobagens. Bobagens boas. Mas nem vale a pena me esticar aqui. Porque as pessoas lêem e depois vêm pedir further explanations que na esmagadora maioria das vezes eu não tô a fim de dar– se estivesse escreveria porque, acreditem, eu sei escrever claro também.

Mas tá legal, tá legal. Tá rolando, tá rolando. Estou falando da vida. Está andando conforme é empurrada. Finalmente funcionando Segundo as leis da física. O problema é quando dou aquele tapão e tudo sai voando descarrilhado. Ainda não. Por isso estou sorrindo mais.

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E em uma semana e meia apenas estarei de malas prontas. Não vejo a hora, não vejo a hora. Estou cansada. Estou senhora.

Monday, November 06, 2006

no such thing as saving love for later

Após dois dias off sick, tenho uma montanha de trabalho me esperando. E pouca disposição, já que ainda há restos de resfriado correndo por aí.

Mas vou fazendo sem pensar porque se eu convencer meu corpo de que ele pode, a cabeça vai atrás. Sempre foi assim comigo.

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O fim de semana foi bom. Quieto. Dormi muito, como precisava. Saí pouco, porque já tá frio. Fizemos uma sessão de filme em casa na sexta. O frio foi suficiente para convencer meia dúzia de marmanjos a comparecerem. Compramos pipoca e sorvete e panqueca. O filme que escolhemos, Hostel, foi uma bosta. Todo o resto foi bom.

Sábado foi dia do transporte em Londres foder com minha paciência once again. Metrô fechado, outro atrasado, ônibus parado, um carnaval, minha gente, um carnaval. Demorei mais de uma hora pra chegar em Central London. Fomos no cinema, assistir Red Road, um filme escocês que eu adorei, embora seja meio deprimente e embora eu tenha que assistir de novo quando chegar em DVD, dessa vez com legendas. O filme se passa no pior que há de Glasgow.

Domingo foi dia de fogos. Remember, remember the 5th of November etc. Fomos no Victoria Park, em Bethnal Green, assistir à queima de fogos. Viagem longa para fogos curtos e reles. Na verdade, achei a queima linda. Uns fogos que nunca tinha visto, emocionante mesmo. Só que viajamos bagarái pra chegar lá e assistir a, sei lá, 10 minutos de festa. If I had to do it all again I wouldn’t.

Em suma, aproveitei a maior parte do tempo em ótima companhia.

Mas como sou um bebezão, it’s never enough. Em Londres aprendi a ser carente. Nunca fui. Aqui sou um pouco. Não muito porque esse é um sentimento que me irrita e me intimida. Mas confesso que fiquei um pouco mais, ou ao menos aprendi a enxergar.

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Sonhei com montanhas.

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Falei com minha Piu no Skype com webcam pela primeira vez. Foi lindo. Ela estava usando o pijama que mais amo No. 2, também conhecido como Cecilinha.

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Já falei que arranjei companhia pra minha viagem? Arranjei. Uma para a parte da Alemanha, outra para parte da parte da Suíça. O que me deixa apenas duas noites on my own. Should be fun.

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Saving love for later – there’s no such thing. Aprendi isso na marra, claro. “Vou ficar aqui guardando seu amor para quando você voltar”. Frases que falamos para preencher vazios doídos. Eu fiz e você fez e eles fizeram. Todos mentimos, percebemos e ficamos quietos. Digerindo a mentira mútua.

Estava lendo o blog de uma menina cujo amado foi morar fora. E ela disse isso, que estará guardando o amor para quando ele voltar. E a vontade que tive era de dizer que não, que tá tudo errado, que ela ainda não sabe, mas isso não existe. Que, day in day out, deparo-me com alguém que acabou de descobrir a verdade, como eu uma vez descobri. Dói saber que amor não é tão forte como um dia acreditamos. Que acaba a maioria sabe depois dos 20. Mas não que acaba antes do que esperamos.

Então se um dia ela vier parar aqui, lendo este post, que seja rápido - indolor é impossível. Mas que faça sentido. Que ela não me xingue, não me odeie, não me ache uma burra generalista. Porque não estou sendo burra nem generalista. Vai ser assim.

Enfim, há várias formas de se tapar o sol com a peneira. Mas já adianto, nenhuma delas vai evitar queimaduras.

Wednesday, November 01, 2006

32 merdas

Hoje o dia começou assim: derrubei leite no sofá, esqueci o mapa do lugar pra onde ia em Richmond e esqueci o celular em casa e esqueci o iPod. Existe um psicanalista (só podia) que afirma que temos que ter 32 furstrações diárias, entre grandes e ínfimas, para que o dia seja completo. Considerando que em menos de uma hora já foram 4, em 24 serão 96, o que deveria fazer, segunda a matermática do nosso amigo, com que eu não tenha mais nenhuma frustração nos próximos dois dias.

Mas como eu duvido, desde já declaro que o psicanalista que afirmou isso e cujo nome não me lembro, só fala merda.

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Continua inundando. Impressionante. Sorrisinho rasgado. As coisas não eram assim quando não éramos tão comunicáveis. Agora sou sempre achada. E adoro. E adoro reclamar adorando. Some sugar in my bowl, you know. Nina Simone continua tentando habitar meu corpo. Eu deixaria fácil, se ela quisesse mesmo. Já pensou uma blueseira loira de olhos claros? A voz, temporariamente, eu já tenho.

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Ontem fui num pub e veio uma menina vestida de bruxa absurdamente apertável (aqui não posso fazer essas coisas, fiquei na vontade) dizer trick or treat. Peguei umas moedas da bolsa e dei pra ela. Mas acho que ela tava superafim de fazer o trick, então mesmo recebendo o treat. Ela virou as pálpebras pra fora e falou “looks like you’ll have a trick!” E eu respondi, “but, sweetheart, I just gave you your treat!”. Ela ficou me olhando meio encafifada, quase com medo. Abri um sorriso. Ela ficou ainda mais assustada. Aí eu percebi que ela ia correr mas ainda deu tempo de acrescentar: “hey! Stop doing that to your eyes. An angel will come and blow and you’ll be like that forever! Seriously!”

Ela recuou, de costas mesmo, e já armou o bico. Eu não queria fazê-la chorar, mas virar as pálpebras daquele jeito não pode fazer bem. Eu fiz isso pelo bem dela. Eu juro. E vai que realmente passa um anjo, sopra, e ela fica daquele jeito? Foi assim que eu, pelo menos, parei de brincar de ser vesga quando era criança.

Tuesday, October 31, 2006

life's short but sweet for certain

Sonhei que entrava numa piscine escura e cheia de bichos escuros. Nadava um pouco. Não estava exatamente à vontade, mas não importava muito. Nadei, e os bichos começaram a sair da piscina. Marrons. Sumiam, subiam em árvores, e eu continuava nadando. Era um dia cinza. Meu pai me assistia de longe. Nadei, nadei, nadei, até que estivesse eu e apenas eu na piscina. Não foi um sonho ruim.

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Talvez por não ser negona essa voz de Nina Simone fique patética em mim. Estou tomando pastilhas, para ver se volto a ser mocinha. Enquanto isso eu sigo cantando baixinho, pra não assustar os transeuntes: do I move you?

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Voltamos uma hora. Saio do trabalho e já está escuro. É apenas o começo de mais um inverno londrino. Hoje, Halloween, o começo das sombras compridas. Boo.

Monday, October 30, 2006

…and pleases me

Eu nem deveria falar muito. Eu queria falar muito though.

Porque quando chove, inunda.

Mas eu não deveria falar e, for a change, devo fazer o que deveria, e não o que quero. Porque fazer o que quero é uma delícia até a hora que acaba e chega a conta.

O fim de semana? Em uma palavra? Surreal. Surreal bom, que fique claro. Mas surreal. Todas as noites mal dormidas. Mais uma vez, happy and bleeding como eu gosto, já que nunca mais vou saber o que é ser feliz apenas. Que jorra sangue então. Vamos fazer bem feito. Eu não estou aqui para assistir todo mundo passando. Eu estou aqui para passar também. E não me iludo que haverá no fim do caminho alguém esperando que eu pare. E não iludo ninguém também ameaçando desacelerar. Não quero dormir sempre bem, nem sempre mal. Não quero um coração sempre abaixo dos 100bpm. Não quero também sempre acima.

Ah, e odeio mais ou menos também.

Não quero e odeio demais, e sempre me iludo de que sou o oposto, de que amo e quero e só digo sim.

Mentira.

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Vi a peça do Kevin Spacey e, não sei se foi a peça ou a companhia, mas dei umas piscadas de mais de um minuto, desconfio. Três horas de peça em que só se fala, fala, fala. Três personagens. Nada muda. Só se fala. E falar não resolve nada, a gente sabe. E só se fala com sotaque irlandês e dos EUA do começo do século.

Não tinha jeito. Não tinha.

Vi uns filmes também, mas acho que não estava no clima de entender nada. Li pouco por falta de tempo para deixar os olhos abertos e parados.

Passeei. Sim, andei de bicicleta, eu confesso. Comprei uma bicicleta, eu confesso. Não quero saber de babãe e Piu achando que eu vou morrer. Não vou, tá? É só uma bicicleta.

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Estou sem voz e feliz. Na verdade, voz grossa. Nina Simone na vitrola. Sempre, sempre bom.

Thursday, October 26, 2006

feliz com éfe minúsculo

Às vezes sinto que a vida tá tão boa que eu preciso reclamar, só para poder mostrar ao mundo e aos demônios que mesmo estando tão feliz eu não estou tão feliz. Só para efeito de driblagem mesmo. Porque a verdade é que não posso reclamar. Estou caindo de sono e quasi-gripada. Estou com frio a maior parte do tempo. Quando não estou com frio, estou com calor. Nunca estou apenas. E estou feliz. Talvez não seja, ainda, a Felicidade, dessas com efe maiúsculo. Mas é felicidade. Efêmera, plástica, alienante, ouso dizer até traiçoeira. Mas felicidade pode ser qualquer coisa se ainda assim for felicidade.

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Ontem recebi uma notícia que me arrepiou a espinha. Uma das minhas melhores amigas, a Cá, está grávida. Depois apenas alguns meses de casamento. Como ela queria. Exatamente como ela queria. Eu tenho mil perguntas pra fazer. E quero ouvir sua vozinha, para ver se está diferente ou se continua fofa e infantil. Quero que ela fale “estojo” para mim como só ela sabe. Quando eu for pro Brasil eu vou poder ver o little bump que já vai estar lá. Eu não me agüento. Esses dois, a Cá e o Rô, são muito fofos. Eles vão dar à luz a mais fofa das criaturas. E eu não vou estar por perto para ser a amiga preferida da mamãe. Mas não pensemos nisso, não. Minha Cá vai ser babãe e eu é que tô aqui, quase explodindo, querendo abraçá-los muito mas, na falta da presença física, eu abraço a mim mesma. Não é a mesma coisa, mas já alivia.

O negócio é que falta de abraço e de choro de alegria da dor no coração.

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Mudanças internas. Pessoinhas indo e vindo, nessa ordem, porque não cabe mais ninguém vindo sem alguém antes indo. Tô completamente lotada. Se um quer entrar, tem que esperar o outro sair.

Engraçado é que ainda assim a gente se pega pensando em quem saiu por livre e espontânea vontade, em vez de dar as boas vindas em quem quer entrar e fazer *o bem*. Ah, eu não tô sabendo explicar. Talvez porque não esteja sabendo entender.

(Mas a gente sempre pensa mais em quem partiu do que em quem está aqui. Ser humano vive de passado e, paradoxalmente, morre de saudade.)

Anyway, outras coisas eu já entendi, porque sagacidade é meu outro nome. Seja bem vindo e, diferentemente deles, vê se fica para uma temporada, assim, mais longa, néam? Porque não dá para conhecer um país só em algumas semanas. É preciso anos, e mesmo assim... Explicando, bem vindo ao meu país, que já afugentou multidões. Vez ou outra rola um terremoto, um tornado, um deslizamento, nada que mate, mas assusta e eu vou entender se você picar a mula. Só não vou gostar. É só o que quero dizer.

Sunday, October 22, 2006

happy and bleeding

Talvez eu tenha desistido cedo demais. Mas sou impaciente, preciso resolver tudo antes de começar a doer, porque eu suporto a mais intense das tristezas, mas não agüento a mais sutil das angústias.

Você me angustiava e é por isso que tive que deixar tudo para trás. Talvez você nem saiba e me ache louca. Talvez você nem saiba que sou capaz de querer tanto calada. Estou mal acostumada. Geralmente quieta consigo o que quero. Com você não, mas ao invés de me mudar, você só me deu preguiça. Não vou correr atrás porque meu joelho dói. Assim sendo, deixa eu explicar: não é que a fila anda; a fila *já andou*.

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E falando em impaciência, também não tenho saco para pensar demais sobre coisas simples. Acabei de bookar minha viagem para Alemanha e Suíça. Saio de Londres dia 18/11 direto para Munique, onde devo encontrar a Fezinha, amiga de colégio. Tenho certeza que vai ser demais, porque perdemos muito o contato mas sempre gostamos muito uma da outra. Devo ficar em Munique uns dois dias e, de lá, seguir para oeste, pegar a Baviera de trem ou ônibus, parar em Heidelberg para uma noite, continuar, parar onde me der na telha até chegar na Suíça pelo sudoeste. Aí descer até Interlaken, passar uns dois dias lá também, passar por Lucerna e chegar em Basel, onde pego o vôo de volta a Londres no dia 25/11.

Com quem eu vou? Que eu saiba, com mais ninguém. A não ser que alguém se junte a mim de última hora, há tempos quero a experiência de viajar sozinha. Companhia é sempre bom, mas minha companhia já é ótima.

Não sei. Bookei. O resto acontecerá sozinho.

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Mais uma semana recheada. Está difícil achar um espaço pra natação, mas quando sobra, nado bem. E quando não sobra, é por um ótimo motivo. Ótimo motivo.

Vidinha boa.

Monday, October 16, 2006

16 de outubro

Tá, tá. Parem de reclamar. Estou aqui, bem, ou pelo menos viva e tirando um sarro, sempre. Debochada que só. Sobrevivi à semana do cão. Fluoxetina já deita confortável e rola suave nas minhas veias. Até suave demais. Dá um soniiiinho. Mas já estou quase normal. Completamente normal talvez na próxima encarnação. Tenho fé. Não sou uma alma danada.

Um pouquinho, talvez.

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Hoje, né? Se ele estivesse aqui ainda, eu teria lhe enchido de beijos. Se ele estivesse aqui ainda eu ansearia por ouvir sua voz. Se ele estivesse aqui ainda eu daria um presente, não é todo dia que se faz 94 anos. Se ele estivesse aqui ainda eu lamentaria não estar ao seu lado.

Ele não está mais aqui, mas fiz todas essas coisas mesmo assim. Mandei beijos, anseio por ouvir sua voz, darei-lhe um presente hoje à noite - quietinha, na cama, olhando para a foto mais linda do mundo que me encara toda noite - e lamento não estar ao seu lado. De alguma maneira inexplicavelmente forte ele ainda vive dentro de mim. Enquanto houver memórias, há você, vô. As velinhas já se apagaram todas, mas ainda assim, meu amor, feliz aniversário.

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Ei, você, você mesmo, don’t you look at me with worried eyes, all I know is I wanna be with you. Que gracinha que ele tava ontem, meu deus do céu. Que merda de cara linda.

Mas tô na minha, tô na minha. Na minha e na de outros, mas não na sua. Só que, olha, a porta tá encostada. Se você tentar abrir, consegue. OLHA A DICA ESCANCARADA COMO VOCÊ GOSTA! Seize it, babe, seize it.

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O sol brilha. Mas já tá frio. Logo mais o sol já nem esquentará mais e, mais uma vez, tenho que recorrer à lã de cordeiro para me aquecer. Porque se for contar com qualquer outra forma de aquecimento morrerei de hipotermia. E, aqui entre nós, nunca fui de colocar minha vida no calor dos outros. Calor alheio será bem vindo mas, sorry, não insubstituível. No final das contas, sou eu quem aqueço o cobertor que me aquece. Todos os cobertores de nada adiantarão se não houver calor aqui dentro. Vamos lá, força.

Monday, October 09, 2006

fluoxo intenso

Esse foi um dos fins de semanas mais estranhos da minha vida. Eu tive o dom de marcar programas com mais ou menos 7 pessoas diferentes, e, como de costume, fui deixando combinado after combinado pelo caminho. Mas foi diferente dessa vez. Sexta fui nadar. Achei que estaria com disposição para sair depois já que o pessoal tinha ido para um pub em Piccadilly. Mas nadei mal. O corpo pesado, fazia cada chegada me arrastando, não ornava mesmo. Saí do treino na metade. Fui para casa e não conseguia pensar em sair apesar de ter tido dito para uma galera que iria.

Instead, fiquei em casa. Sozinha, mas não completamente. Fiquei uma hora no telefone. Com quem? Ah, conto depois. Para quem merece saber.

Dormi quase tão pesado quanto nadei. Acordei com o telefone e era a tia Eva, amiga da minha mãe de décadas. Marcamos de nos encontrar em Leicester Square. Querida Flá veio junto, claro. Mandamos um Busaba delicioso. Meio spicy. Me deu uma leve diarréia. Pequenos sustos nossos de cada dia. Poderia ser, mas não foi. Era algo mais.

Calma.

Passeamos depois do almoço por Trafalgar Square, St Martins-in-the-fields e tal. Encontramos o Chris, que continua absolutamente igual. Me deu uma vela de presente que lia “they didnt have your name”. Tendeu? Todo engraçadinho. Ele tava vestindo uma jaqueta muito fedida. Mas eu não falei nada, juro. Doce Chris não muda. Carente que só.

E aí chegou a noite e fomos para mais uma festa na Casa Oval. O sono começou a pesar novamente, mas era um sono quase químico. Não existe sono assim sem ser sono induzido. Eu olhava para as pessoas e tinha medo de piscar no meio das conversas, porque achava que se piscasse não abriria mais os olhos até o dia seguinte. Até bate desesperinho de não ter forças para voltar para casa. Mas em Londres a gente sempre tira força de algum buraco. Cheguei em casa às 4am, convencida de que a noite fora ótima. Foi, sim.

E domingo foi mais um domingo. Acordei tarde, fui para minha antiga casa no leste encontrar meus ex-flatmates (leia-se Mr Australia apenas). Sei lá. Nada. Foi legal ir na minha ex-casa, mas meio estranho ver que as novas moradoras se adaptaram tão bem, e que uma delas mora no quarto que foi meu, e que uma delas inclusive vez ou outra escapole para debaixo do edredon do Mr Australia. Sim, ele me contou. Mas não teve o efeito desejado. Eu estava numb.

Calma.

Fomos apenas eu e Mr Australia no cinema. Assistir The Departed, o novo do Scorcese. Adoramos. Muito tiro e sangue e inteligência. Eu quase dormi nas partes silenciosas.

Numb.

Foi na volta para casa que percebi que havia algo errado. Aí lembrei que mudei de medicação e que sou uma fodida de pular de um remédio para o outro como se mudasse de marca de bala. Claro, sem ninguém para me guiar eu faço tudo do jeito merdoso que sempre fiz. Sistem a público de saúde. Não pago nada mas me fodo.

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Mas passou, viu? Ou vai passar. Estou no trabalho sem a menor chance de fazer qualquer coisa. Consegui aprovar uns panfletos e emendar umas cartas e corrigir uns erros e foi isso. Meu dia poderia ter sido feito em meia hora. Cá estou, três da tarde, ensaiando como dizer para o meu chefe que estou me sentindo meio mal e quero ir para casa, sem passar por louca ou mentirosa. Sou um pouco dos dois, mas se ele acreditasse que era apenas enxaqueca, ficaria mais fácil para todo mundo.

É isso.

Off I go.

Tuesday, October 03, 2006

restos do dia

Um sono, mas um so-no. Inacreditável. Tenho dormido bem, toda noite a noite toda. Não há razão para ficar cansada. A tiróide vai bem, obrigada. Nada de novo no front. Espero que não seja uma gripe de emboscada.

Mas hoje eu vou nadar, enquanto a gripe não vem.

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Claro que sim. Eu sempre digo sim. Você já devia saber.

Mas também devia saber que, assim como com você, com os outros também é assim.

Você tinha tudo para ser exclusividade.

Não é mais. Continua querido, mas agora é um querido entre muitos. Back to zero.

Monday, October 02, 2006

debaixo d'água

Um pouco mais calma, obrigada.

Fim de semana cheio de festas e sonhos. De verdade. Fui a muitas festas e dormi tanto que tive os mais diversos sonhos e pesadelos. Inclusive sonhei que morava numa casa meio selvagem, com gatos e plantas subindo pelas paredes. E sonhei que nunca conseguia chegar à escola porque o ônibus demorava ou porque me batia desespero e, o mais gostoso de todos, sonhei que respirava debaixo d’água, e dormia por 20 minutos no fundo de uma piscina. Só de lembrar me encho de paz.

E festas. A primeira na casa Oval, a segunda na casa do Henrique. Ambas muito boas.

Também comprei produtos de Aloe Vera que a Broo tá vendendo. Carinhos, mas parecem bons.

E ainda estou com aquele apertozinho chato no coração, mas está passando. Há de me surpreender a rapidez com que vai passar.

Uma pena acabar assim.

Thursday, September 28, 2006

plumas e chumbo

Engraçado é que eu fiz toda uma festa porque finalmente estaria com nova medicação, aí ontem fui no médico e peguei a receita, fui na farmácia e peguei o remédio e, hoje de manhã, na hora de tomar, por algum motivo não tive coragem. Tomei o velho de guerra.

Será que estou mais louca do que pensava?

Sei lá, não é a minha psiquiatra falando e ouvindo por uma hora para depois decidir se os prós superam os contras na troca dos remédios. É uma clínica geral do NHS (o sistema público de saúde daqui) que eu nem escolhi, mas me foi designada, que em cinco minutos de consulta, contando tirar minha pressão e ouvir outras lamúrias (eg tiróide, pílula etc) decide que devo tentar um novo remédio.

Não, não estou louca. Mas vou tentar. Tô com medo porque minha Piu disse que no começo eu vou piorar. Cara, se piorar explode. Sou uma bomba relógio ambulante. Preciso de um nada para estourar. Não, não pode piorar. Ainda não decidi o que vou fazer.

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Os adjetivos que meu técnico usa para se dirigir a mim valem uma listagem. Não sei de onde ele tira. Outro dia ele perguntou para a Flá, que pacientemente assistia ao meu treino, se eu era famosa no Brasil. Mas hein?! Que pergunta é essa, minha gente?

Ontem ele me fala, na saída da piscina: Beatrice, you’re a gift from heaven!

Arregalei os olhos incrédula. Ele não me conhece. I can well be a gift from hell.

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Mais um fim de semana todo agitado. Amanhã tem festa, sábado tem festa, a Broo vem pra Londres, vai ter um “chazinho” lá em casa, só para a mulherada. Esses são os planos. Na real, só deus sabe.

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Voltando a enxergar tons, nada como cores pastéis depois de se ofuscar e só ver preto e branco. A começar pela beleza monótona do cinza, que me mostra que existe vida entre o oito e o oitenta. Repara só que eu não saio mais tanto da linha. Não fico semanas muito bem e semanas muito mal. Não. Minha vida vem se acinzentando e, juro, dou graças a deus. Só depois de uma vida que oscila entre preto e branco é que somos capaz de admirar a monotonia do cinza. Bem vindo. Inunde-me de imensidão imparcial. Ajude-me a não sorrir e nem franzir. Não no espaço de um segundo, pelo menos. Tenho certeza de que ser cinza não é perder o brilho.

E se eu paro e penso em um rosto qualquer, não é no seu rosto que eu penso. Não consigo me reter por muito tempo nas lembranças que você me emprestou. O problema, meu caro, é que tenho tantas lembranças, vivi minha curta vida com tanta riqueza, que é realmente um mérito estar entre as mais remotas. Não é o seu caso (I wish I could say otherwise). Então, toma de volta, eu tenho mais palavras e imagens para ocupar minha cabeça. Na verdade não sei o que fazer com um ou outro respingo de alegria. Penso em jogar para cima e dar a quem primeiro pegar. Penso em rasgar e jogar no lixo reciclável. Penso em mandar empalhar porque um dia vai valer uma fortuna – antigüidades, você sabe, respingos de alegria empoeirados.

Nem sei se essa idéia de confrontar vai dar certo. Você quer ouvir e eu também. Ninguém quer falar. Vai ser um diálogo bastante silencioso. Vamos ouvir a chuva cair e afundar em melancolia e aí sim será o fim. O fim das nossas poucas lembranças. O laço que fecha o embrulho. Pequeno embrulho. De conteúdo frágil e embalagem forte. Plumas numa caixa de chumbo. É assim que vejo o que houve. A bela história poderia flutuar, viajar mundos, papéis e cabeças (inclusive a minha, mil vezes), mas dentro do caixão de chumbo que você escolheu para nossas lembranças, baby, elas vão afundar.

Dê apenas algumas semanas e não se falará mais nisso.

Wednesday, September 27, 2006

rútilos

Meia hora para ir embora. E depois mais uma hora até o médico, onde pego meus exames, faço mais alguns e discuto a troca do medicamento.

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Depois do médico vou nadar, claro. Ainda é segredo porque há grandes chances de eu dar pra trás, mas estou escalada para nadar 100m borboleta nos Speedo Meets de outubro, novembro e dezembro. Isso significa que toda a negada com mais de 17 anos que aspire um dia fazer parte do GB team, estará lá, com garra e sem celulites, para meu desespero.

Sou monga ou o quê?

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De uma coisa estou cada vez mais convencida: não sou uma pessoa lá tão fácil de bancar. E não culpo banana algum por não conseguir. Eu consigo ver uma menina meio morena, cabelo meio comprido, meio magra meio gorda, meio alta meio baixa, constantemente proto-sorridente, meio sentada no colo de cada homem que não soube me bancar. Eu consigo ver uma menina meio burra, meio esperta, meio bonita, mas nem tanto, meio estridente e meio egoísta.

Eu não consigo ver outra coisa.

Eu não consigo me ver plantada, sem brilho e sem vontade, no seu colo. Eu me vejo silenciosa, mas não silenciada. Eu não consigo me ver sem escrever. Eu não consigo pensar em parar de escrever no meu blog porque sei que você lê. Todos os homens que tentaram intereferir no que eu escrevo perderam a batalha. E você não é, nem de longe, o cavaleiro mais valente.

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Ano que vem já estou com duas viagens em planejamento. Uma, em março, para Hungria com a Edina, minha amiga do trabalho. A outra, em junho, para ilhas gregas com pessoas a confirmar. Será um swim trek. Há que dar certo. Porque preciso de algo para me confortar pelo pouco tempo que ficarei na terrinha no final do ano.

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Ontem fiz Reiki. Quer dizer, fui feita Reike. Quem fez foi a Adriana que, toda sweet, foi lá em casa aplicar. Adorei.