Thursday, October 21, 2004

pergunte ao poh

Eu sempre quis que a vida fosse tao romantica quanto a do Arturo Bandini. Em que o glamour estah exatamente na ausencia de glamour. Aquela pobreza doce que vira tema de livro. Aquele nao ter vintem e ser feliz por sobreviver mesmo assim. Soh que a vida nao eh boa quando eh assim. Nao estou falando por mim. Eu vivo muito bem aqui. Ganho minha graninha no final de toda semana, tenho meu cantinho, contas em dia, comida na geladeira e um extra para pagar minha natacao e guardar, guardar, guardar. O negocio eh que escrito eh bem mais glamouroso. Nao tem ansiedade pior do que aquela de ver o dinheiro saindo sem entrar. Por isso entendo o desespero da Bobby quando estava sem emprego.

E eh a primeira vez que *realmente entendo*. Quando estava no Brasil, se ficasse desempregada nao teria problema. Seria complicado, teria de cortar meus luxos, minhas viagens, mas no final das contas babae e babai estariam la, garantindo cama e pao quentinhos. Hoje eh diferente. Nao porque eles nao bancariam, mas porque eu nao aceito mais ser bancada.

Tomei vergonha na cara.

Eh claro que se um dia eu perder o emprego e comecar a passar fome, vou aceitar um emprestimo. Mas eh o que eh: emprestimo. Dinheiro que vai e volta. Porque eles investiram em mim em 24 anos, e estah na hora de, se nao ainda colher frutos, pelo menos ve-los florescer saudaveis.

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Ainda quero escrever um post gigante sobre o quanto amo minhas flatmates e o quanto elas tem a capacidade de me amar tambem.

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Aos que me cobram diariamente o registro no NHS, informo: liguei la, ja sei a documentacao de que preciso e vou na semana que vem, algum dia de manha. Aviso minha chefe e reponho as horas de trabalho perdidas cortando metade dos almocos do resto da semana fora.

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Recebi convite para ir para a Ilha da Madeira no reveillon, ficar com o Michael. Tempting...

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A frequencia de mensagens aqui nao anda muito alta porque tenho tido o prazer de gastar meu tempo extra falando via microfone e webcam com amados no Brasil. Continuem me ocupando, please! Amo voces. Saudades.

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