Monday, March 30, 2015

muita ira nessa hora

E o que fazer com a ira quando se tem uma criança de 2 anos? Uma criança toda boazinha que de repente resolveu se rebelar (o tempo todo, contra tudo, sem qualquer lógica aparente)? Uma criança que já tem idade para manipulações rebuscadas mas ainda não entende o que é castigo? E como fico eu, com tanta ira? Difícil é me por no lugar do meu filho. Eu tento fazer isso o tempo todo, pela minha sanidade. Mas nem sempre consigo me conter nesse patamar zen budista e acabo explodindo também. Eu, que não tenho pavio nem um pouco comprido (mas que ultimamente vinha exercendo um alongamento inimaginável entre o atear fogo e o explodir).

Hoje foi assim: cheguei no meu limite. Estava num dia já meio da pá virada, mas tudo piorou com o mau humor pós-soneca do meu filho no carro. E no carro não tem pra onde fugir. Então toca aguentar meia hora de choramingo porque a porra da naninha não estava lá. Já me conhecendo, fiquei na farmácia e deixei que os outros seguissem adiante. Eu ganharia tempo para que ele parasse de pentelhar e para que eu esfriasse também.

Chegando em casa, recebi o boletim informativo de que ele já havia batido duas vezes na "fofó". Depois bateu em mim também, e já com o saco na Lua, coloquei-o de castigo. Aparentemente não escolhi um local adequado para o castigo, pois meu marido resolveu tirá-lo de lá antes que eu julgasse apropriado. Totalmente castrada resolvi que mais uma frustração e ia tudo pelos ares. Para evitar, saí, levei meu livro. Tentei meditar. Li. Tentei meditar de novo. Não consegui. Quis chorar mas as lágrimas não saiam. Precocemente, voltei para casa. E o ciclo se repetiu: filho me bate, é posto de castigo, marido pergunta o que há de errado e o pega no colo para dar mais uma reforçadinha no comportamento errado. E eu, de novo, me sinto castrada. Ou, sei lá, uma má mãe. Alguém incapaz de tomar decisões pela educação do meu filho. Alguém intolerante, impaciente, estourado. Violento até (sem nunca ter agido com violência, ressalto). Enfim, alguém sem perfil pra maternidade, ou pro casamento, ou pra qualquer relação social que envolva convívio diário.

Hoje estou assim. Todas as mães passam por dias assim, certo? Fazia muito tempo que não acontecia de sentir esse aperto no peito de não querer mais brincar. Esse desespero de se descobrir mãe para sempre, e incapaz de sê-lo. De se descobrir esposa e querer sair pra comprar cigarro e não voltar mais. Essa vontade de gritar e correr livre até ser atropelada.

Já estive assim antes. Não é novidade. Novidade é tudo isso voltar agora com tanta força, depois de tanto tempo dormente. Mas é isso, esses sentimentos são como vulcões. Eles adormecem mas estão lá. Imprevisíveis e mortais.

Enfim, torço para que tudo isso morra com o fim do dia. Estou cansada demais.

Thursday, March 26, 2015

De como é bom VISITAR o Brasil

Estar aqui por pouco tempo no Brasil é a melhor coisa do mundo. Tenho família, amigos, comida boa e muito mimo. Tenho clima bom, cheiros familiares, lugares saudosos a visitar e programas bacaninhas.

Foi essa lembrança que me fez achar legal voltar a morar no Brasil quando morava em Londres. E, gente, que decepção que foi. A vida normal no Brasil é completamente outra. Agora passo por essa ilusão boba de que a vida aqui é boa. Não é. Eu sofria. Eu queria sair desesperadamente. E eu gosto de morar em NY. E gosto mais ainda de vir ao Brasil sentir esses cheiros, gostos e familiaridades com pessoas e lugares queridos. E só.

A vida está boa. Mudar para quê? Vejam, eu que sempre reclamei tanto aqui, falando que está tudo bem. Raridade a ser preservada.

**

Mas que eu voltaria a morar em Londres num piscar de olhos, isso eu voltaria.

Saturday, February 21, 2015

Ivy (dis)League Feelings

Empaquei neste blog, comecei outro com outro propósito e resolvi voltar aqui  hoje para falar um pouco das preocupações da vez. Sempre vão haver preocupações, certo?

No início é o ganho de peso, como e quanto está mamando, quanto está dormindo. Depois passa a ser os milestones de desenvolvimento: já engatinha? Anda? Fala? Conta? Corre? Pula?

E depois as preocupações começam a ficar mais complexas, e é por isso que voltei aqui. Estou começando a passar por uma crise. Não em relação a meu filho, mas ao mundo a qual ele está prestes a ser exposto.

Ano que vem será o ano em que ele completa 4 anos. Portanto, aqui nos EUA já é elegível ao Pre-K. Eu e meu marido sempre fomos a favor de educação pública aqui nos EUA. Escolhendo bem, é possível uma educação bacana. Certo? Hum, mais ou menos. Depende de onde você mora. E mesmo assim, ranking oficial de escolas não diz muita coisa para mim. Basta lembrar que o último episódio de tiroteio juvenil aconteceu numa escola pública muito bem posicionada neste ranking.

Então, quando falo de escolas boas, não falo em escolas com notas altas nos testes oficiais. Estou falando do que, desde já, quero para meu filho. Não estou pensando no currículo per se, ou em quantas cambalhotas ele vai estar conseguindo virar e se aos 3.48 anos já vai estar escrevendo o próprio nome. Não faço a menor questão de ter um filho precoce. Para falar a verdade, prefiro que ele não seja! Eu fui uma criança precoce, e isso não me trouxe benefícios. Muito pelo contrário, estou convencida, após anos de terapia e auto-reflexões, que a disparidade do meu desenvolvimento emocional e do meu desenvolvimento intelectual me trouxe muitos problemas na escola, e acho que resquícios dessa disparidade me atrapalham até hoje.

Estou falando de fundamentos de uma pessoa feliz e pronta para o mundo que ela escolher trilhar. Não pronta pro mundo que temos hoje. Azamiga e uzamigo hão de concordar que o mundo as we know it não é e não será exatamente um benchmark de felicidade. Então comecei a me perguntar se se encaixar no *sistema* é tão importante quanto sempre achei que fosse.

Afinal, vamos lá, o que é o *sistema*?

O sistema aqui em Nova York funciona mais ou menos assim:

Você participa de uma loteria para conseguir fazer a application para seu filho entrar na escola que você escolheu. A maioria vai escolher escolas de nome, com ranking alto. Por quê? Porque depois do Pre-K e Kindergarten, vem outros anos da Elementary School. Você só vai conseguir colocar seu filho numa elementary school *conceituada* se ele passou por um kindergarten *conceituado*. E ele só vai para uma middle school *conceituada* se tiver vindo de uma middle school *conceituada*. E ele só vai para uma high school *conceituada* se vier de uma middle school *conceituada*. E ele só vai conseguir entrar numa faculdade *conceituada*, uma Ivy League da vida, se vier de todo um histórico de escolas *conceituadas* (quase sempre privadas) e se, claro, passar em testes que avaliam coisas que se ensinam em escolas *conceituadas*. A ex-criança entra na faculdade *conceituada* e sai de lá com a maior empregabilidade possível na face da Terra. Toda a família, menos a ex-criança, viveu feliz para sempre. Cai a cortina, The End.

Há excessões à regras? Sempre. Mas estou querendo dar um panorama bem geral. Pense numa pessoa com preguiça de elaborar. Lógico que o esquema não é tão simples, mas dá para dar uma ideia de como o ciclo costuma se fechar.

Eu segui esta trilha. Não nos EUA, no Brasil. Me formei numa faculdade conceituada após estudar em escolas conceituadas. Hoje minha empregabilidade é alta mesmo nos EUA, mesmo em Nova York. Todo mês sou contactada por concorrentes da minha empresa ou headhunters. Puxa, parabéns, que bacana, né? Nem um pouco. Enquanto minha empregabilidade permanece alta, minha vontade de fazer uma CARREIRA BRILHANTE cai. Hoje minha vontade está canalizada para a educação, alimentação e desenvolvimento emocional do meu filho. Está canalizada para o sonho que sempre tive de viver da escrita. Está canalizada para aumentar a qualidade de vida da minha família. Está canalizada para fora do *sistema*. E levei 35 anos para chegar lá. No final do ano passado pedi demissão da empresa onde trabalhava para ser "recontratada" num esquema flexível, e num cargo mais baixo. Hoje trabalho 3 vezes por semana, sendo apenas 1 delas fisicamente no escritório. Hoje não tenho equipe, fator que sempre me estressou muito mas que eu me recusava a abandonar por orgulho de não querer dar "um passo para trás" (exatamente como o *sistema* me ensinou). Hoje tenho um dia inteiro na semana para mim e para por a casa em ordem, e outro dia para ficar exclusivamente com meu filho. Apenas hoje eu realmente tomei as rédeas da minha rotina. Até então, o *sistema* ditava as regras e eu, infeliz, seguia.

 Foto tirada hoje

Decorrência de 35 anos no *sistema*? Ansiedade, depressão, estresse, dor de coluna, obesidade, retração social. Como estou hoje em relação a um ano atrás? 16 quilos mais magra, sem depressão e com ansiedade controlada, mais sociável e, de forma geral, mais risonha, paciente e disposta. Tomo uma dose alta de anti-depressivos, é verdade. Mas há um ano os remédios não estavam adiantando. E, quem sabe?, em breve poderei começar a diminuir.

Imagino que hajam pessoas naturalmente felizes dentro do *sistema*. Mas algo me diz que esse número é bem baixo.

Então não, não quero preparar meu filho pro *sistema*. Não quero alguém repetindo meus erros e seus efeitos. Quero que ele crie seu próprio caminho, e que este caminho seja tão tortuoso quanto necessário para que ele se sinta completo.

A teoria está show. E a prática?

Pois é. Eu pergunto também, todos os dias: e a prática? Eu bem que queria ter as resposta. Queria saber fazer as escolhas certas para que meu filho se desenvolva da forma mais prazerosa e inteira possível. Mas não tendo eu vivido uma vida assim, fora da caixa, é difícil enxergar com outros olhos. É difícil fazer as melhores escolhas. Assim como também é difícil não ficar obcecada em acertar sempre nas escolhas (outro efeito colateral do *sistema* sobre mim, e 99% das mães que conheço).

Hoje, o que sei é que além de tomar decisões conscientes próprias (levando em conta a opinião dos outros, sim, mas não me baseando nela), preciso ter em mente que se minha decisão foi errada, posso voltar atrás e tentar outra trilha - e não tem problema. Que o mundo de hoje não é um exemplo de mundo para ninguém e que, portanto, questionar constantemente o protocolo tem que ser tão natural quanto não questionar foi no passado.

Dedico este post a minha mentora e irmã, Bobby, que tem me influenciado muito, e positivamente, nessa trilha tortuosa que é a "maternidade fora da matrix", como ela diz. 

Tuesday, June 24, 2014

sobre cavalgar leões

Hoje é um dia memorável. Talvez amanhã eu já nem lembre mais disso. Mas hoje, hoje é memorável. Hoje eu percebi que escolhi a minha vida, e que escolhi errado, provavelmente porque ponho outras pessoas à minha frente. Hoje entendi o desconforto que me causa quando alguém sugere que eu mude quando reclamo, simplesmente porque tenho essa opção. Hoje eu achei que talvez, só talvez seja possível me apoderar de minha própria vida, e realmente segurar com força as rédeas do futuro. Porque se eu soltar de novo posso não achar mais.

Mas com tranquilidade, que chega de correria e choro por uma vida. Porque meu filho está crescendo rápido demais, porque não vou aceitar perder esse período de tempo ínfimo que é minha vida a partir de agora até quando acabar.

Cansar, cansa. Muito. Tenho ímpetos de dormir para sempre, só porque dormir é bom demais e não escolho mais quando posso. E isso também é passageiro. Assim como meu filho querer meu colo. Pensar que isso vai acabar é uma tortura diária a que me submeto.

Falei, falei, e ainda não falei porque hoje é um dia memorável. Hoje eu decidi que vou desacelerar. Percebi que não quero estar na posição que estou no meu trabalho. Quero descer de degrau. Quero trabalhar menos. Quero menos pressão, mesmo que por menos dinheiro. Quando percebi que todos os meus melhores esforços estavam direcionados para um trabalho que não estava exatamente motivante, decidi que era hora de pisar no freio. Porque eu breco, sim, e evito capotar. Estou descobrindo isso agora, depois de muitos acidentes. Mas até alguém cabeça dura como eu uma hora aprende, não?

***

Sobre amizades. Aqui está difícil, vou confessar. Mais que quando cheguei em Londres, 10 anos atrás claro.

Aí que fui lá, fiz uma amizade super gostosa e leve com uma pessoa cujo marido se deu bem com meu marido e cuja filha tem praticamente a idade do Leo. Show! Aí a família amiga resolve mudar pra Miami. Fim da história.

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Mas pra não ficar só no lamento, um casal de amigos muito querido vai se mudar de Londres para cá. Será fim do rótulo de família que chuta pedrinhas?

Tuesday, May 20, 2014

shift

Amanhã meu filho completa 17 meses. E só depois de 17 meses começo (vejam bem, começo) a pensar que preciso cuidar mais de mim, do meu marido, enfim, de uma vida além-nenê. Não é fácil. Há 17 meses tenho uma relação simbiótica com meu filho. melhorou um pouco quando voltei a trabalhar, mas parece que por causa disso, nas horas que consigo passar com ele, quero espremer tudo, não perder um segundo. É sofrido.

O lado bom disso tudo é que minha relação com meu filho é extremamente sincronizada. Entendo ele muito bem. O lado ruim é sacrificar todo o resto.

Sei lá. Amanhã tenho médica. Da cabeça. Vamos ver o que ela diz. Estou querendo fazer o "shift" mas não sei se sozinha consigo. 

Monday, May 19, 2014

Go, go, go!

Há quase dezessete meses que sou mãe. Ficou mais fácil. Todo mundo que vira mãe fala que vai ficando mais difícil com o passar do tempo porque os problemas vão ficando mais complexos. Bom, eu acho que vai ficando mais fácil. Pra começar, gosto de problemas mais complexos. E para arrebatar, não há problema tão catastrófico para mim quanto a privação de sono. Além da Depressão Pós Parto, que hoje é passado, mas que ainda me arranca lágrimas quando lembro do que aconteceu.

Não vou dizer que minha rotina é fácil. Moro em Nova York com marido e filho, trabalho o dia todo (opção) e meu filho fica a maior parte dos dias no daycare, de onde já voltou mordido, para aguçar bem minha culpa. Chego em casa e mal tenho tempo de brincar com ele. Jantar, banho, mamar, dormir. E aí é a hora de se preocupar com os outros dias - o que meu filho vai comer? tem roupa limpa? estou dando verdura o suficiente? Sim, a rotina é exaustiva. Mas foi uma escolha. Não troco pela vida que tinha no Brasil, not for a minute. Novs York é perfeita? Longe, bem longe disso. As pessoas são grossas, há uma tensão constante para que as coisas aconteçam sempre com muita eficiência sem nenhuma razão. Às vezes estou num café sem nenhum cliente na fila, mas as atendentes querem me atender voando, querem que chegue lá já sabendo o que quero. É assim em todo lugar. MAS, again, não troco pelos problemas que tinha que encarar no Brasil. Antes impaciência do que malandragem.

Ainda não achei a vida que me satisfaz. Não sei nem se isso realmente existe. Pelo menos para mim. Mas sei que ainda há mudanças possíveis para que a vida seja melhor. Por ora, vamos tentando terminar cada dia como se fosse um milagre quando tudo dá tempo, e tudo dá certo.

Sunday, December 22, 2013

1 ano e 1 dia

Ontem foi o aniversário de 1 aninho do Léo. Eu tive aquele ímpeto que me acompanha há muito tempo: o ímpeto de não fazer nada. Mas sucumbi aos pedidos do meu marido, e foi bom ter sucumbido. Uma delícia vê-lo em seu quartinho cheio de crianças brincando junto, um roubando brinquedo do outro. E quando a festa terminou e pus meu filho pra dormir, fiquei pensando que é inacreditável isso tudo que estou vivendo. Que parece uma outra vida aquela pré-filho. Cantei parabéns pro meu bebê, mas senti que cantava para mim. Há um ano eu morri e renasci. O processo foi doloroso e lindo, desesperador e doce. Ainda há luto em mim, mas há mais vida. Dentro e fora do peito.

Friday, December 13, 2013

quase um ano

Difícil dizer quem mudou mais nesse ano, eu ou você, meu filho.

Você era aquele serzinho que não respondia a nada que não fosse desagradável. Só sabia chorar (e eu sei que foi um bebê bonzinho mesmo assim). E o tempo passou e com um mês você sorriu. E depois disso, mais dois meses e gargalhou. E logo virou uma pessoinha mais decifrável e extremamente agradável, feliz e tranquilo. Aí foi passando o tempo e foi crescendo sua curiosidade e sua estatura. Seu peso quase triplicou e sua altura aumentou em 50%. Seu sorriso se encheu de dentes e a careca, bem, a careca continua bem aparente, mas os fiozinhos dourados começam a cobrir sua cabecinha linda.

Eu passei pelo período mais difícil da minha vida, o ano mais difícil. Fui a um poço tão profundo que jamais imaginei existir lugar tão desesperador. Vi as horas se arrastarem enquanto o mundo me dizia que elas passavam rápido. Me senti um ET e mais sozinha do que nunca. E neste mesmo ano, devagar, consegui florescer, e virar mãe. E perceber a doçura que é ser a pessoa mais importante na vida de alguém para sempre. E a dor imensurável que é o mais curto dos choros, e a alegria descontrolada que é uma gargalhada de bebê. Tudo absurdamente extremado. Ainda não me acostumei com essa montanha russa, confesso. Acho que vai mais um tempinho. Mas o que importa é que agora eu sei que vale a pena. Só de imaginar meu filho dormindo, ou brincando, rindo ou chorando, eu já sinto fisicamente as reações químicas acontecendo em mim. Aquele chavão de virar bicho, enfim, é verdade.

Então acho que foi isso, meu filhinho: em um ano, de bicho você virou gente. Eu, de gente virei bicho. E em algum lugar no meio do caminho a gente se encontrou. E foi aí que eu entendi tudo o que poderia entender. E que tudo mais que eu não entendesse, é porque realmente não tinha como. E que vou ter que me acostumar com essa coisa de não entender porque agora vai fazer parte da minha vida. E isso dói mas faz crescer. Quase tanto quanto meu amor por você, meu titico.

Thursday, March 21, 2013

3 meses e 1 dia

Não sei nem por onde começar.

Sei que meu filho é um anjo. E Depressão Pós Parto é uma merda sem tamanho.

Ainda estou pensando na ideia de montar um novo blog para inaugurar essa nova fase da minha vida. A verdade é que ando sem vontade de escrever e de fazer qualquer outra coisa. Again, DPP é uma merda sem tamanho.

Mas estou de longe melhor do que no início. Ainda flerto com o que não devia, mas agora o extremo é menos extremo.

Por ora, deus me livre passar por isso tudo de novo com outro filho.

Nunca pensei que seria assim. Mas vamos em frente que a vida mudou e sobrou bem menos espaço pros meus choramingos agora que tenho que consolar o choramingo do meu filho.

Tentarei voltar mais vezes.

Tuesday, December 18, 2012

40 semanas

Que finalmente chegaram.

E eu vim escrever realmente sem a intenção de conseguir escrever qualquer coisa que preste. Não estou inspirada. Estou ansiosa, mas daquela ansiedade que não inspira, apenas faz feliz. E ansiedade que inspira de verdade é daquelas negativas em geral.

Não achei que chegaria tão longe na gestação, mas estou aqui, com 40 semanas de gravidez e sem poder esperar mais. E meu bebê virá e será the end of the world as we know it.

Ficarei sem graça, monotemática, cheirarei a leite azedo e não prestarei atenção nas conversas porque estarei sempre prestando atenção nele. O cabelo ficará desgrenhado, o sovaco e a virilha e as pernas cabeludas, e brigarei com todos a minha volta porque não estou medicada e estarei privada de sono e feia. Talvez eu chore diariamente, preciso considerar essa possibilidade. A depressão pós-parto sempre me assustou, e agora estou prestes a encará-la - ou não.

Olho agora para a prateleira cheia de livros que paira acima da minha cabeça, quase todos ainda não lidos. Quando será que conseguirei ler de novo? E escrever? É tão difícil como falam? Vou poder fazer algum exercício? Preciso muito de exercício! E os seriados, como não ver Dexter ou The Walking Dead? Acima de tudo, e o meu marido? Quem serei eu para ele, e ele para mim? Afinal, it's the end of our world as we know it.

E mesmo com tantas renúncias, uma felicidade iminente. Quando bate o desespero penso na sua carinha, no seu corpinho quente, num risinho banguela que vou conhecer e amar. E tudo melhora. Mas depois volto a pensar em tudo que pode dar errado e a quais erros eu sobreviveria e a  quais não. E daí me lembro que tenho pessoas a minha volta que irão me ajudar, que não preciso ter tanto medo do cansaço. O sexo vai voltar, as possibilidades de sair e encontrar pessoas também. Inclusive conhecer novas pessoas, sim, vai acontecer. É a minha chance de recuperar a fé em novas amizades, algo que, de verdade, não consegui explorar desde que voltei de Londres. As poucas amizades que fiz se mostraram frágeis e superficiais, e na hora de esperar pelo parto, longas e angustiantes horas em que não tenho muito fôlego para fazer nada, estou sozinha. Realmente sozinha.

De fato, estar sozinha nunca foi um problema. O problema é agora precisar de companhia. Nunca precisei (embora as vezes quisesse). Que venham então os próximos dias, semanas e meses, os mais intensos de minha vida. Que mudem minha rotina e me tirem dessa órbita a que não escolhi. Que me mostre outros mundos que não este que chega ao fim.

See you on the other side!

Tuesday, October 09, 2012

30 semanas

30 semanas carregando meu feijão, que agora pesa 1.5kg e me lembra, aos chutes e pontapés, que está lá, e quase chegando aqui.

E vou ficando cada vez mais emotiva e estranhamente lembrando dos meus tempos de blogagem diária. Acho que eu era mais feliz quando as coisas aconteciam comigo e imediatamente eu jé as vias em forma de post. Agora é diferente. As coisas acontecem e em seguida são substituidas por outras coisas que acontecem e não dá tempo de digerir. Elas apenas se sucedem rapidamente e eu dou sorte quando consigo apenas observá-las.

Mas agora, na reta final - deve ser a ocitocina - estou conseguindo demorar um pouco as coisas. Pensar em como vai ser cada pormenor, e desvalorizar coisas grandes, imensas, que podem e devem ser desvalorizadas. Meu deus, como dei atenção a pequenezas nos últimos tempos! Como fui deixar isso acontecer? Como permiti me perder desse jeito? Fiz o que sempre critiquei nos outros: sucumbi. A massa me levou de certa forma, e eu me deixei levar, claro. Porque só vai quem quer.

Mas tudo tem volta nessa vida, nada precisa ser pra sempre. E eis-me aqui pensando com muito mais afinco na música que ninará meu filho do que no projeto que vai me dar mais dinheiro. E é certo pensar assim, é colorido, é leve, é doce. É certo e simples como o parto dos felinos.

É claro que penso em muito mais coisas e paranóias do que cabe em uma cabeça. Mas sei colocar um filtro e focar no que realmente importa, naquele túnel, e naquela pessoinha que vai sair dele e de repente arrastar minha vida junto.

Que seja assim, estou prontinha para ser arrastada. Amor e sangue me transbordando dos olhos e estamina para cair e levantar quantas vezes forem necessárias, contanto que na frente esteja ele, meu leãozinho, me arrastando vida adentro.

Saturday, August 25, 2012

funny times

Olha que se a senha do Gmail não fosse a mesma do blogger era capaz que eu não conseguisse mais entrar aqui.

Mas entrei, voltei, não sei se para ficar ou não. Muita coisa aconteceu neste ano, muita coisa boa, algumas ruins também, como é digno de qualquer ano. O que eu não sabia era que seria um ano de acontecimentos tão grandiosos e que com isso a certeza de que 2013 vai ser igualmente importante, e assim serão vários anos por vir.

Escrevo do sofá e vejo no chão o vômito com que minha gata acaba de me presentear. Incrivelmente a preguiça me vence e deixo a sujeira lá até terminar de escrever. Não há por que correr, a sujeira já foi feita, e o cheiro não chega em mim. Eu vou limpar, mas quando eu quiser. Como tem que ser. Com o vômito da gata e com tudo, ou quase.

São tempos esquisitos. Quase engraçados. Não chove faz muito tempo, a nitidez das coisas quase cega. Ao mesmo tempo por dentro está tudo embaçado. Um turbilhão de pensamentos, de sentimentos, me impede de distinguir o que está acontecendo do que acho que está acontecendo, duas coisas completamente distintas, infelizmente. Questiono meus pensamentos mais racionais, e acho razões para qualquer sentimento desgovernado também. E todo mundo entende, é incrível! Todos os olhos se viram para mim, e nenhum é de desprezo. Alguns de preocupação, outros de inspiração, com certeza muitos de inveja, e isso não é imaginário! É real. Consigo pegar, ver, cheirar. Tem que ser real. E o silêncio que se segue após cada olhar, é ensurdecedor e difícil de interpretar. Algumas vezes quente, outras morbidamente gelado. Sinto-me perto de algumas pessoas como se estivesse dentro de um caixão. Vejam só a ironia!

Por vezes me pergunto se a dose de remédio está adequada. Muito alta? Talvez muito baixa, dadas as circunstâncias. Deixo que cuidem de mim. Não me sinto capaz disso agora. Claro que me sinto vulnerável, mas não é este o centro de minhas preocupações. A órbita está girando em torno de outro planeta, um planeta que não conheço, e é essa minha preocupação. Entender esse planeta e saber que eu, querendo ou não, involuntariamente giro também em torno dele. Para sempre.

Ainda não sei o nome, mas acho que chegamos finalmente em Leonardo. Ele chega em dezembro e a vida mudará para sempre. Estou louca pra conhecer o que será de todos os próximos tempos.

Transbordando de amor e hormônios,

Bia.

Monday, January 09, 2012

lendo demais, escrevendo de menos

Entrei numa daquelas fases insuportáveis em que quase tudo é menos legal que ler. Aí resolvi tomar vergonha na cara e escrever também, porque não adianta a teoria. Nunca adiantou a teoria, pelo menos ela sozinha. Nunca aprendi nada de verdade que não tive a oportunidade de por na prática. Dizem que sou esse tipo de pessoa, a "Activator", capaz de tornar qualquer plano em execução, que inclusive anseia em colocar em prática as ideias. Mas isso sou eu de terninho, e eu de terninho não interessa aqui. Perco a espontaneidade e até - o horror - a autenticidade. É por isso que meus textos andam todos *médios*. O que mais odeio, o médio. Prefiro textos pífios que serão lembrados por isso. 

*** 

 Não tenho lá muito conteúdo para postar. Claro que há muito acontecendo na minha vida, mas não sei se estou a fim de dividir com vocês. Aqui acabo ficando na superfície mesmo, contando causos e os diz-que da vida. Porque é real de mais. Vocês sabem, e muitos conhecem, a primeira pessoa do singular. Vou é começar mais um blog. Só preciso matar essa preguiça. Ou não, e então finalmente dar vazão a tudo em algum livro, aquele que sempre prometo que vai sair e cada vez arranjo uma desculpa diferente para não fazê-lo.

Friday, December 30, 2011

Testando

Último post do ano, testando postar do meu iphone. Um saco digitar aqui, mas quebra o galho. Escrever mais em 2012? Espero, não prometo.

See you on the other side!

Thursday, December 29, 2011

2012, seu lindo

Vamos concordar que 2011 foi uma bosta? Apesar de alguns momentos lindos (casamento, lua-de-mel, adocao da Nina e da Penny), o ano como um todo foi bastante cagado. Concordam? Alem de mim eh isso que ouco de todos por ai. Entao eh isso, expectativas todas em cima de 2012, e ele que se vire para nos satisfazer.

E nao me venham com aquelas de "voce-que-faz-seu-ano" porque nao eh bem assim, nao eh sempre assim. Acreditem.

Vou ali entao, passar o ano novo jogando cartas como uma senhora, no sitio da Fru, pertinho de Sao Paulo, rodeada de animais, como deve ser.

E curtir o resto dessa semana de ferias que passou way too fast... Mas ainda vai dar tempo de fazer planos para 2012. Vai sim; preciso de planos, bem mais que promessas.

Saturday, December 03, 2011

eu escrevi ontem

Mas sumiram com meu post, nao posso fazer nada.

E o final do ano hein?! E a Copa, hein?!

Wednesday, October 12, 2011

Algumas verdades

Tudo o que fazemos, fazemos contra

Inércia é ficar parado e definhar


O que achamos dos outros costuma ser

O que na verdade somos


Quem não gosta de você hoje

Continuará não gostando amanhã


Quem gosta de você hoje

Não necessariamente gostará amanhã


A grande tragédia hoje

Em seis meses estará esquecida


Assim como a grande alegria

Mas as marcas desta são mais rasas


Dor é muito mais intenso que alegria

Tristeza, muito mais duradoura que felicidade


Derrota é liberdade

Falhar é primo de ser feliz

Saturday, October 08, 2011

nowadays

Tres gatas pulguentas. Help.

***

Em busca de um novo hobby. Sugestoes?

***

Sentindo que eu poderia ser uma pessoa muito, mas muito melhor. Podia na verdade enxergar menos e assim ter menos o que julgar. E que mudar eh diferente de melhorar.

***

Escrevendo sem acentos de novo. Querendo cobrar um MacBook e vender minhas velharias eletronicas. Tendo dificuldades de digitar hoje.

***

Para nao passar o mes das criancas em branco: Engravidar eh ridiculamente dificil, e quem disser o contrario leva voadora no peito. Me da uma integral para resolver mas nao me peca pra engravidar.

***

Saio ou nao saio de novo do Brasil? A verdade eh que odeio o pais, mas temos as familias. Que fazer?

***
Alguem alem de mim torce pela chegada do fim de semana e quando ele chega voce se pergunta "e dai?"? Isso eh depressao?

***

Tentando descobrir um app para escrever posts no blog, em tempos de mais internet no celular que no computador. Alguem recomenda algum? tentei uns que nao deram certo.

Monday, September 05, 2011

ainda nao

Ainda nao foi o fim. Sempre soube que uma hora a coceira voltaria, por mais intenso que fosse o mundo corporativo. Nunca deixaria morrer aquilo que nao me deixou morrer.

Apenas deixei adormecido. E pode ser que fique adormecido por mais um tempo. Foda, quando escrever ja nao eh mais a prioridade, embora dia sim dia nao fique aquele gosto ruim na boca de deicar pra tras o que realmente importa.

Seria bom se fosse tudo assim, em que o ponto final nunca eh mesmo final. Evitaria qualquer tipo de saudade por antecipacao. Ficaria apenas a saudade verdadeira e leve, e nao a desesperada.

Um dia eu aprendo a acreditar no que escrevo e terapia nao serah mais necessario.

Monday, March 14, 2011

enough of me

This precise time and right here
Are not going anywhere
I've had enough of new todays
For once I'd like to go another way

I speak my last words and then
Remember it may never end
All that I've won I have lost
Each passing moment cuts me off

Well, I don't like to waste a chance but they're overflowing
What I don't do will get done by somebody
When I was five I saw some plants ungrowing
Whether seen forwards or back they'd keep going
They'd keep going

If the seasons which change were all still
It's so easy to see life would fail
Whatever slips out of our hands
Will find its way back to us once again


If the seasons which change were all still
It's so easy to see life would fail
Whatever slips out of our hands
Will find its way back to us once again
Will find its way back to us once again
Will find its way back to us once again
Once again.


John Frusciante apunhalando.