Nao eh engracado ser chifrada por uma menina que depois seria por mim chifrada? Eh engracado, sim, e o cara soh pode ser um palhaco.
Oh, well, a batata quente nao eh mais minha anyway.
(ALIVIO)
Friday, March 31, 2006
Thursday, March 30, 2006
2006 e um quarto
Sensacao estranha: hoje acordei como se acordasse de um sono de anos, mas ao mesmo tempo como se ainda faltassem anos para eu realmente me sentir descansada. Eh normal? Devo estar ficando velha.
Ou soh cansada mesmo.
**
Pintou a oportunidade de fazer um frila bem legal aqui. O problema vai ser fazer meu chefe entender que quando eu quero, vou e faco. Comentei com ele ontem sobre o frila, e que provavelmente o evento comeria parte de uma sexta e parte de uma segunda em algum ponto em abril. Ele anda meio de mau humor. Sei la. Me disse que realmente eh uma oportunidade legal, mas que meu trabalho aqui deve vir em primeiro lugar.
Ele esta certo. Mas como eu disse, eu quero. E se eu quero, fodeu.
Meu chefe de mau humor ou “apressadinho” eh o que ha. A real pain in the arse.
**
Pois eu resolve me vingar do meu ex-futuro gatinho. Ele me mandou uma mensagem de texto me chamando para jantar e para ir no cinema assim que melhorar do joelho, que passou por uma segunda intervencao ontem. Ainda nao respondi. Mas vou. E aos 45 do segundo tempo vou perguntar quando nasce o pimpolho.
**
Comecei meu treino para fazer o teste no Wandsworth SC. Fiz o Day 1 passado pelo Edu, meu tecnico no Brasil. O treino tinha 3,000m e, rapaz, confesso que cansei. E estou consciente de que se pretendo realmente entrar na equipe, devo comecar a me acostumar com a ideia de nadar o dobro disso seis vezes por semana.
Hoje vou fazer o Day 2 depois do trabalho. Estou meio dura, ainda. Como eh facil perder a forma…
**
Quero aprender uma nova lingua. Ja falei isso mil vezes aqui, e talvez essa seja mais uma que vai morrer com as outras vontades. Dessa vez encafifei com o alemao. Talvez porque ultimamente tenha lido muitos autores alemaes. Frances continua na lista das must-learn languages. E espanhol, da must-not-embromate.
Ou soh cansada mesmo.
**
Pintou a oportunidade de fazer um frila bem legal aqui. O problema vai ser fazer meu chefe entender que quando eu quero, vou e faco. Comentei com ele ontem sobre o frila, e que provavelmente o evento comeria parte de uma sexta e parte de uma segunda em algum ponto em abril. Ele anda meio de mau humor. Sei la. Me disse que realmente eh uma oportunidade legal, mas que meu trabalho aqui deve vir em primeiro lugar.
Ele esta certo. Mas como eu disse, eu quero. E se eu quero, fodeu.
Meu chefe de mau humor ou “apressadinho” eh o que ha. A real pain in the arse.
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Pois eu resolve me vingar do meu ex-futuro gatinho. Ele me mandou uma mensagem de texto me chamando para jantar e para ir no cinema assim que melhorar do joelho, que passou por uma segunda intervencao ontem. Ainda nao respondi. Mas vou. E aos 45 do segundo tempo vou perguntar quando nasce o pimpolho.
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Comecei meu treino para fazer o teste no Wandsworth SC. Fiz o Day 1 passado pelo Edu, meu tecnico no Brasil. O treino tinha 3,000m e, rapaz, confesso que cansei. E estou consciente de que se pretendo realmente entrar na equipe, devo comecar a me acostumar com a ideia de nadar o dobro disso seis vezes por semana.
Hoje vou fazer o Day 2 depois do trabalho. Estou meio dura, ainda. Como eh facil perder a forma…
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Quero aprender uma nova lingua. Ja falei isso mil vezes aqui, e talvez essa seja mais uma que vai morrer com as outras vontades. Dessa vez encafifei com o alemao. Talvez porque ultimamente tenha lido muitos autores alemaes. Frances continua na lista das must-learn languages. E espanhol, da must-not-embromate.
Tuesday, March 28, 2006
midland blues
E o que eh uma bosta para os padroes ingleses, descobri, eh uma bosta para meus padroes tambem. Nao sei se estou virando inglesa demais, mas realmente Birmingham eh a escoria da Inglaterra. Nunca vi lugar tao feio aqui. Inclusive deprimente. Fabricas por todos os lados, cinza, ateh o centro que tenta ser simpatico com uma roda gigante imensa e desconexa conseguiu me causar asco. Bad Karma eh nascer num pais como a Inglaterra mas vir da menos inglesa das cidades, Birmingham.
Oxford eu conhecia por cima, conheci mais a fundo, mas ainda nao conheci inteira. Faltou estar la num dia de sol para andar sem pressa e praticar o famoso punting, uma especie de barco que rola down the Magdalen bridge.
Fica pra proxima.
Fomos tambem para Stratford-Upon-Avon, cidade onde Shakespeare nasceu e morreu. Eu gostei. Pequena, toda historica e fofa. Claro que eles espremem o fato de Shakespeare ser de la ateh a ultima gota para atrair turistas. Nem eh tudo isso. Mas eu ja sabia que nao era mesmo. Fui descrente para me surpreender com a fofura da vila.
Passamos tambem em Warwick, onde tem um castelo cujos arredores exploramos bem, mas nos negamos a pagar £14 para entrar.
E, claro, a experiencia mais traumatizante, o albergue em Oxford. Ficamos num Backpackers da vida, £14 a noite sem café da manha. Uma piada para o que oferecia. Minha cama estava suja com farelo de pao. O quarto em que fiquei era carinhosamente chamado de China, talvez pelo infeliz fato de haver dezoito, ALO, DEZOITO, neguinhos dormindo. Imagina o cheiro. Imagina pessoas entrando e saindo a toda hora do dia e da noite. Mexendo em sacolas daquelas barulhentas. Atendendo celular. Rindo. Peidando. O apice veio quando uma vaca bebada sentou em cima de mim. Sim, sentou em cima de mim. Garrafa de cerveja em punho, ela perguntou com a voz arrastada “Are you jsfkawhr?” Minha resposta foi surpreendentemente sobria: “Do I look like fucking jsfkawhr?”
Dai para uma hora de insonia travestida de mau humor foi um pulo.
No banheiro havia uma calcinha roxa no chao. Meninas mijando (acho) de porta aberta. Meda, panica, horrora, desespera, socorra, muita socorra.
Esta no top 3 piores lugares onde ja fiquei.
Mas como um todo, valeu muito. Cansamos mas passeamos e pegamos a TV. Ja temos planos para o final de semana: nao fazer absolutamente nada.
**
Havia um gatinho no meu caminho, para os desavisados. Uma bela pantera, eu diria. Mas ja foi embora. Sailed away in a grey sky morning. Ele ainda nao sabe, claro, mas ja dancou. Ele nao sabe que eu sei que ele tem namorada e ela estah gravida. Puta brincadeira de mau gosto, amigao.
Desencantei. Nao vale o trampo.
Oxford eu conhecia por cima, conheci mais a fundo, mas ainda nao conheci inteira. Faltou estar la num dia de sol para andar sem pressa e praticar o famoso punting, uma especie de barco que rola down the Magdalen bridge.
Fica pra proxima.
Fomos tambem para Stratford-Upon-Avon, cidade onde Shakespeare nasceu e morreu. Eu gostei. Pequena, toda historica e fofa. Claro que eles espremem o fato de Shakespeare ser de la ateh a ultima gota para atrair turistas. Nem eh tudo isso. Mas eu ja sabia que nao era mesmo. Fui descrente para me surpreender com a fofura da vila.
Passamos tambem em Warwick, onde tem um castelo cujos arredores exploramos bem, mas nos negamos a pagar £14 para entrar.
E, claro, a experiencia mais traumatizante, o albergue em Oxford. Ficamos num Backpackers da vida, £14 a noite sem café da manha. Uma piada para o que oferecia. Minha cama estava suja com farelo de pao. O quarto em que fiquei era carinhosamente chamado de China, talvez pelo infeliz fato de haver dezoito, ALO, DEZOITO, neguinhos dormindo. Imagina o cheiro. Imagina pessoas entrando e saindo a toda hora do dia e da noite. Mexendo em sacolas daquelas barulhentas. Atendendo celular. Rindo. Peidando. O apice veio quando uma vaca bebada sentou em cima de mim. Sim, sentou em cima de mim. Garrafa de cerveja em punho, ela perguntou com a voz arrastada “Are you jsfkawhr?” Minha resposta foi surpreendentemente sobria: “Do I look like fucking jsfkawhr?”
Dai para uma hora de insonia travestida de mau humor foi um pulo.
No banheiro havia uma calcinha roxa no chao. Meninas mijando (acho) de porta aberta. Meda, panica, horrora, desespera, socorra, muita socorra.
Esta no top 3 piores lugares onde ja fiquei.
Mas como um todo, valeu muito. Cansamos mas passeamos e pegamos a TV. Ja temos planos para o final de semana: nao fazer absolutamente nada.
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Havia um gatinho no meu caminho, para os desavisados. Uma bela pantera, eu diria. Mas ja foi embora. Sailed away in a grey sky morning. Ele ainda nao sabe, claro, mas ja dancou. Ele nao sabe que eu sei que ele tem namorada e ela estah gravida. Puta brincadeira de mau gosto, amigao.
Desencantei. Nao vale o trampo.
Friday, March 24, 2006
hungry for a little more
Estou correndo mais que minhas pernas. Mas ja nem sinto.
No Brasil as coisas tambem tem estado estranhas. Muita coisa ruim, gente morrendo e muita incerteza. Eu tento ficar na superficie. Afinal, aqui as coisas vao bem, apesar do cinza nosso de todo dia.
Hoje vamos no Ikea, eu, Broo e o Ma. Aproveitar que estamos de carro. Alugamos um carro para o fim de semana para aproveitar que temos que buscar a TV em Cannock e passear por Oxford e pelas Midlands. Nao que seja assim indispensavel ir para as Midlands do ponto de vista turistico. Parece que eh uma bosta. Mas eu quero muito ver o que eh uma bosta para os padroes ingleses. Eles, que nao sabem direito o que eh realmente bosta.
E passei uma tarde profundamente entediada numa conferencia da empresa. Estrategicamente, sentei na janela para olhar a vista de Sandown Park. Linda, linda. E nao absorvi lhufas, ou muito pouco, do que foi dito. Porque o assunto era chato e porque ainda nao entendo nada dos planos da empresa ainda.
Mas OK. Tres horas de falacao e eu louca para ir embora, ja sem achar posicao confortavel na cadeira. Oh well, sobrevivi.
No Brasil as coisas tambem tem estado estranhas. Muita coisa ruim, gente morrendo e muita incerteza. Eu tento ficar na superficie. Afinal, aqui as coisas vao bem, apesar do cinza nosso de todo dia.
Hoje vamos no Ikea, eu, Broo e o Ma. Aproveitar que estamos de carro. Alugamos um carro para o fim de semana para aproveitar que temos que buscar a TV em Cannock e passear por Oxford e pelas Midlands. Nao que seja assim indispensavel ir para as Midlands do ponto de vista turistico. Parece que eh uma bosta. Mas eu quero muito ver o que eh uma bosta para os padroes ingleses. Eles, que nao sabem direito o que eh realmente bosta.
E passei uma tarde profundamente entediada numa conferencia da empresa. Estrategicamente, sentei na janela para olhar a vista de Sandown Park. Linda, linda. E nao absorvi lhufas, ou muito pouco, do que foi dito. Porque o assunto era chato e porque ainda nao entendo nada dos planos da empresa ainda.
Mas OK. Tres horas de falacao e eu louca para ir embora, ja sem achar posicao confortavel na cadeira. Oh well, sobrevivi.
Tuesday, March 21, 2006
along came Bobby
Mudei. Eu e Broo. Nova casa, novos horarios, novas vizinhancas, novo landlord, novas idiossincrasias na casa, novos mercadinhos de esquina. Ontem, voltando do trabalho, sai do metro e virei para o lado errado. Ainda me acostumando. Se bem que eu sempre ia no sebo da Clodomiro Amazonas e, ao sair, nunca sabia para que lado virar para voltar para casa. E morei no Itaim Bibi por mais de 20 anos.
Economizo uma hora por dia em viagem. Muita gente nao sabe a real diferenca que isso faz. Por outro lado, meu quarto eh bem, bem pequeno. Ainda estou tentando entender como vou por todas as minhas coisas la e ainda ser capaz de andar la dentro. Mas por outro lado estou mais perto de tudo. Mas pago mais aluguel. Mas pago menos em transporte. Mas mais em Council Tax. Mas agora moro com a Broo e morar com uma amiga eh bem melhor que morar com um bando que foi juntado por um site de flatshare na internet. E moro com uma pessoa, alem de mim, e nao tres. Tem pros e contras, como qualquer escolha que se faz desde os dois anos de idade. Ateh antes. Mas nesse caso ha mais pros. Estou feliz. Muito feliz. Eu no meu quarto pequeno. Estou realmente feliz.
**
A unica coisa que ja estah me tirando do serio em menos de 100 horas vivendo naquela casa eh a vaca da landlady. Que ja se revelou uma vaca desde o primeiro instante. Mas deixe estar. Deixe estar e aquela anta vai sentir o gosto azedo da minha ira.
**
Domingo fui ver Tsotsi, o filme sul-africano que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Muito, muito bom. Cenas fortissimas, apesar do enredo se revelar ligeiramente americanizado. Vale a pena. Poderia ateh ser um filme brasileiro. Vao ver, vao ver.
**
Terminei Of Mice and Men, do Steinbeck. Escuta, como eh que um livro pode ser tao completo e bom com tao poucas paginas?
**
Ontem foi o penultimo dia do meu curso na Birkbeck College. Vou sentir saudades... E ja vou pensando aqui em algum outro curso para fazer mais para frente. Se bem que vai ter o swimming club e...
**
Quem? Quem? Quem eh que chegou do Brasil? Londres voltou a ficar mais colorida, pelo menos a meus olhos: Bobbynha estah na area! Nada como aqueles "ta-tchaus" amados, os croc crocs que nao canso de ouvir, tanta, tanta historia para contar e lembrar. Faz meses, mas parece decadas, que estivemos juntas. Todo dia, todo dia, vivendo sob o mesmo teto, dormindo, acordando, indo andar de manha ateh o trabalho. Tudo, tudo junto. Eh claro que a falta que ela fez ficou muito maior que qualquer outra falta. Eramos praticamente casadas.
Saudade de voce, esposinha.
Economizo uma hora por dia em viagem. Muita gente nao sabe a real diferenca que isso faz. Por outro lado, meu quarto eh bem, bem pequeno. Ainda estou tentando entender como vou por todas as minhas coisas la e ainda ser capaz de andar la dentro. Mas por outro lado estou mais perto de tudo. Mas pago mais aluguel. Mas pago menos em transporte. Mas mais em Council Tax. Mas agora moro com a Broo e morar com uma amiga eh bem melhor que morar com um bando que foi juntado por um site de flatshare na internet. E moro com uma pessoa, alem de mim, e nao tres. Tem pros e contras, como qualquer escolha que se faz desde os dois anos de idade. Ateh antes. Mas nesse caso ha mais pros. Estou feliz. Muito feliz. Eu no meu quarto pequeno. Estou realmente feliz.
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A unica coisa que ja estah me tirando do serio em menos de 100 horas vivendo naquela casa eh a vaca da landlady. Que ja se revelou uma vaca desde o primeiro instante. Mas deixe estar. Deixe estar e aquela anta vai sentir o gosto azedo da minha ira.
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Domingo fui ver Tsotsi, o filme sul-africano que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Muito, muito bom. Cenas fortissimas, apesar do enredo se revelar ligeiramente americanizado. Vale a pena. Poderia ateh ser um filme brasileiro. Vao ver, vao ver.
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Terminei Of Mice and Men, do Steinbeck. Escuta, como eh que um livro pode ser tao completo e bom com tao poucas paginas?
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Ontem foi o penultimo dia do meu curso na Birkbeck College. Vou sentir saudades... E ja vou pensando aqui em algum outro curso para fazer mais para frente. Se bem que vai ter o swimming club e...
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Quem? Quem? Quem eh que chegou do Brasil? Londres voltou a ficar mais colorida, pelo menos a meus olhos: Bobbynha estah na area! Nada como aqueles "ta-tchaus" amados, os croc crocs que nao canso de ouvir, tanta, tanta historia para contar e lembrar. Faz meses, mas parece decadas, que estivemos juntas. Todo dia, todo dia, vivendo sob o mesmo teto, dormindo, acordando, indo andar de manha ateh o trabalho. Tudo, tudo junto. Eh claro que a falta que ela fez ficou muito maior que qualquer outra falta. Eramos praticamente casadas.
Saudade de voce, esposinha.
Friday, March 17, 2006
Para alguem que amo – com muito, muito amor
Hoje meus pensamentos estavam todos com uma das pessoas que mais amo. Hoje meus pensamentos todos estavam no coracaozao dessa pessoinha que conheco ha 20 anos e cuja presence eh tao forte que ha 20 anos passo sequer um dia sem pensar nela.
Ela, minha Bathathinha, toda especial, toda e sempre. Hoje toda minha energia eh sua. E toda a forca que te faltar eh minha. Hoje, e sempre que for preciso.
Fica com Deus, Thatha. Porque Ele, eu sei, eu vi, Ele estah com voce.
Ela, minha Bathathinha, toda especial, toda e sempre. Hoje toda minha energia eh sua. E toda a forca que te faltar eh minha. Hoje, e sempre que for preciso.
Fica com Deus, Thatha. Porque Ele, eu sei, eu vi, Ele estah com voce.
Wednesday, March 15, 2006
stay with me
Sei que faz tempo. Estive doente. Ainda estou, para ser sincera. Não fui trabalhar. É uma gripe que dura cinco dias, me disse o cara da farmácia. Acho que ele só queria mesmo era vender mais. “Eu saro rápido”. Comprei a caixa menor. Aí “realizei” que aqui não tem esse tipo de malandragem. E toca voltar à farmácia e comprar mais uma caixa, o que tornou tudo mais caro. E para completar, aquela cara do farmacêutico de eu-já-sabia que eu, do alto do meu nariz entupido, tive que engolir.
Junto com a gripe, os preparativos para a mudança. Tudo o que é livro, DVD e utensílios de cozinha já foram devidamente encaixotados. Ainda falta o mundo de roupas. Não sei como vou conseguir empacotar tudo. Já pedi para o Chris me emprestar uma mala, e estou contando fielmente com isso.
Broo também está toda ansiosa. Na verdade não vejo a hora de me mudar para estabelecer paz de novo aqui dentro. Morar mais perto do trabalho, economizar tempo e dinheiro, viver numa casa menos povoada. Quer dizer, esse começo vai ser esquema asilo. O Má, alguma-coisa da Broo, vai ficar lá, e trará junto mais dois amigos para passar o fim de semana. Vai ser uma bela experiência antropológica já que o apê é, apesar de lindo, deveras pequeno. Tudo é festa. E mais dois, numa altura dessa, significa maior força-tarefa na mudança. Estou feliz com a possibilidade de apenas dizer isso-vai-aqui, isso-vai-ali. Sem riscos para minha frágil coluna de nadadora.
Obviamente quando tudo passar e eu voltar a navegar em águas mansas, todosm os planos que estavam on hold voltam a funcionar, ao menos na minha cabeça perturbada. O Edu, meu técnico no Brasil, me passou um treino intensivo de cinco dias para antes do teste no clube de natação. Olha, vou dizer, não vejo a hora de entrar em forma novamente. Tá foda.
**
Sábado foi o housewarming da Joo. A Joo chegou aqui faz menos de dois meses. Ela é amiga da Rê e chegou como se chega: desamparada, ansiosa, estranha, desconfortável. Mas aprendeu rapidinho a sobreviver nisso aqui que se chama primeiro mundo. A festa foi um sucesso e eu, apesar da gripe (que obviamente piorou), me diverti como se estivesse bêbada. Quase agi como se estivesse bêbada também, mas aí é que agradeço à Nossa Senhora da Sobriedade, essa que abençoa pobres almas segundos antes de cometer a Cagada do Ano.
A verdade é que, novamente, voltei a aproveitar festas. Tenho minhas fases ostra. Não saio nem arrastada, não tenho o menor saco de me deslocar para a puta que o pariu para falar frivolidades e arranjar desculpas para não beber e perguntar coisas fúteis a pessoas que não conheço e nem quero conhecer e que não me conhecem e nem querem me conhecer. Ganho mais em casa, sem passar frio, vendo TV, lendo um livro, resolvendo algo que tem que ser resolvido, escrevendo, até cansar e dormir. Com festas e baladas não é assim. Ainda não entendo porque tem fases em que vou. Como esta. Não entendo direito por quê estou me divertindo, mas estou. Não entendo o propósito, mas vou. Sei lá, deve ser bom, uma coisa assim mais humana. Um dia vou entender melhor.
E falando em farra, Broo e eu já começamos a planejar o nosso housewarming. Engraçado é que antes de pensarmos na festa, pensamos nas regras dela. Tipo, proibido fumar dentro da casa, sujou-limpou, utensílios descartáveis. Enfim, mudar já dá trabalho demais para vir baderneiro e dar ainda mais trabalho. Percebam que posso estar em festa mode-on mas jamais deixo a rabugem. E ela jamais me deixa.
Junto com a gripe, os preparativos para a mudança. Tudo o que é livro, DVD e utensílios de cozinha já foram devidamente encaixotados. Ainda falta o mundo de roupas. Não sei como vou conseguir empacotar tudo. Já pedi para o Chris me emprestar uma mala, e estou contando fielmente com isso.
Broo também está toda ansiosa. Na verdade não vejo a hora de me mudar para estabelecer paz de novo aqui dentro. Morar mais perto do trabalho, economizar tempo e dinheiro, viver numa casa menos povoada. Quer dizer, esse começo vai ser esquema asilo. O Má, alguma-coisa da Broo, vai ficar lá, e trará junto mais dois amigos para passar o fim de semana. Vai ser uma bela experiência antropológica já que o apê é, apesar de lindo, deveras pequeno. Tudo é festa. E mais dois, numa altura dessa, significa maior força-tarefa na mudança. Estou feliz com a possibilidade de apenas dizer isso-vai-aqui, isso-vai-ali. Sem riscos para minha frágil coluna de nadadora.
Obviamente quando tudo passar e eu voltar a navegar em águas mansas, todosm os planos que estavam on hold voltam a funcionar, ao menos na minha cabeça perturbada. O Edu, meu técnico no Brasil, me passou um treino intensivo de cinco dias para antes do teste no clube de natação. Olha, vou dizer, não vejo a hora de entrar em forma novamente. Tá foda.
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Sábado foi o housewarming da Joo. A Joo chegou aqui faz menos de dois meses. Ela é amiga da Rê e chegou como se chega: desamparada, ansiosa, estranha, desconfortável. Mas aprendeu rapidinho a sobreviver nisso aqui que se chama primeiro mundo. A festa foi um sucesso e eu, apesar da gripe (que obviamente piorou), me diverti como se estivesse bêbada. Quase agi como se estivesse bêbada também, mas aí é que agradeço à Nossa Senhora da Sobriedade, essa que abençoa pobres almas segundos antes de cometer a Cagada do Ano.
A verdade é que, novamente, voltei a aproveitar festas. Tenho minhas fases ostra. Não saio nem arrastada, não tenho o menor saco de me deslocar para a puta que o pariu para falar frivolidades e arranjar desculpas para não beber e perguntar coisas fúteis a pessoas que não conheço e nem quero conhecer e que não me conhecem e nem querem me conhecer. Ganho mais em casa, sem passar frio, vendo TV, lendo um livro, resolvendo algo que tem que ser resolvido, escrevendo, até cansar e dormir. Com festas e baladas não é assim. Ainda não entendo porque tem fases em que vou. Como esta. Não entendo direito por quê estou me divertindo, mas estou. Não entendo o propósito, mas vou. Sei lá, deve ser bom, uma coisa assim mais humana. Um dia vou entender melhor.
E falando em farra, Broo e eu já começamos a planejar o nosso housewarming. Engraçado é que antes de pensarmos na festa, pensamos nas regras dela. Tipo, proibido fumar dentro da casa, sujou-limpou, utensílios descartáveis. Enfim, mudar já dá trabalho demais para vir baderneiro e dar ainda mais trabalho. Percebam que posso estar em festa mode-on mas jamais deixo a rabugem. E ela jamais me deixa.
Monday, March 06, 2006
who wants to live forever?
Estah dificil de me concentrar. Ontem acordei e fiquei olhando para o ceu. As nuvens, impassiveis, passavam. Eu nao sabendo como fazer a cabeca parar. Eu e Broo achamos nossa casa, nossa casinha, pequena porem fofa, na Fulham High Street. Uma grana violenta. Tive que badernar minha conta reserva. Ah, mas foda-se. Preciso de qualquer jeito, nao preciso? Entao pronto.
A casa estah a passos de ser nossa. Ja preenchemos a papelada, ja demos referencia, ja pagamos um deposito para nos garantir. Agora comeca toda a outra parte. Tenho que pensar em etapas senao fica tudo acavalado, e esse blog, entre outras coisas, me serve de organizador de ideias selvagens e arredias.
**
Depois de amanha serah o enterro do meu tio-avo. Faltarei no trabalho para ir ao funeral, em Brighton. Ele vai ser enterrado e sobre seu tumulo sera plantada uma arvore. Coisa mais linda. Uma arvore que vai se alimentar de meu tio-avo para crescer forte. Um ciclo perfeito, da terra aa terra, do poh ao poh.
Ele vai ser enterrado no mesmo dia em que meu avo morreu no ano passado.
Mesmo nao querendo romantizar tanto para sofrer menos, nao consigo deixar de ficar assombrada e maravilhada com a estranha coincidencia.
A partir do dia 8, o mel das abelhas de Brighton serah mais doce.
**
Fim de semana bem legal. Sexta fui ao show de uma banda chamada “The Go! Team” com um amigo. Legal. Legalzinha. Para ser sincera, gostei mais da banda que abriu o show, um trio chamado “The Grates”. Mas sempre sou do contra.
Sabado foi dia de trabalhar um pouco, nadar mais um pouco, e depois ir para a casa da Broo. Assistimos a Hitchiker. Que grandecissima bosta. Nunca mais confio de olhos fechados no gosto da Broo.
Iamos numa boate (!) dancar salsa (?) mas acabei puxando o cordao do desanimo e ninguem foi no final. Pior: ficamos em casa, pusemos salsa no som e comecamos a dancar. Nada como dancar sem querer seduzir. Adorei.
E dormi por la mesmo. Acordei com o ceu azul gritando para mim. Ficamos todos preguicosos ateh meu querido australiano nos chamar para um churrasco em casa. Bem legal, bem legal. Adormeci comendo meu ultimo pecado, bolo de chocolate com sorvete de creme, antes de voltar para minha dieta emergencial, tambem chamada de cala a boca.
Chega. Preciso voltar a me concentrar. Preciso me organizar. Preciso talvez fazer listas, e listas de listas. Preciso quem sabe de ajuda, mas nao muito. O suficiente para eu entender que posso ser ajudada. Preciso de um ou outro olhar preocupado, seguido do olhar doce e sereno do eu-ja-sabia. Preciso que alguem me puxe pela mao, mesmo sem saber direito onde estah me levando. Eu, preguicosa, confortavel e alienada, prometo que nao pergunto.
A casa estah a passos de ser nossa. Ja preenchemos a papelada, ja demos referencia, ja pagamos um deposito para nos garantir. Agora comeca toda a outra parte. Tenho que pensar em etapas senao fica tudo acavalado, e esse blog, entre outras coisas, me serve de organizador de ideias selvagens e arredias.
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Depois de amanha serah o enterro do meu tio-avo. Faltarei no trabalho para ir ao funeral, em Brighton. Ele vai ser enterrado e sobre seu tumulo sera plantada uma arvore. Coisa mais linda. Uma arvore que vai se alimentar de meu tio-avo para crescer forte. Um ciclo perfeito, da terra aa terra, do poh ao poh.
Ele vai ser enterrado no mesmo dia em que meu avo morreu no ano passado.
Mesmo nao querendo romantizar tanto para sofrer menos, nao consigo deixar de ficar assombrada e maravilhada com a estranha coincidencia.
A partir do dia 8, o mel das abelhas de Brighton serah mais doce.
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Fim de semana bem legal. Sexta fui ao show de uma banda chamada “The Go! Team” com um amigo. Legal. Legalzinha. Para ser sincera, gostei mais da banda que abriu o show, um trio chamado “The Grates”. Mas sempre sou do contra.
Sabado foi dia de trabalhar um pouco, nadar mais um pouco, e depois ir para a casa da Broo. Assistimos a Hitchiker. Que grandecissima bosta. Nunca mais confio de olhos fechados no gosto da Broo.
Iamos numa boate (!) dancar salsa (?) mas acabei puxando o cordao do desanimo e ninguem foi no final. Pior: ficamos em casa, pusemos salsa no som e comecamos a dancar. Nada como dancar sem querer seduzir. Adorei.
E dormi por la mesmo. Acordei com o ceu azul gritando para mim. Ficamos todos preguicosos ateh meu querido australiano nos chamar para um churrasco em casa. Bem legal, bem legal. Adormeci comendo meu ultimo pecado, bolo de chocolate com sorvete de creme, antes de voltar para minha dieta emergencial, tambem chamada de cala a boca.
Chega. Preciso voltar a me concentrar. Preciso me organizar. Preciso talvez fazer listas, e listas de listas. Preciso quem sabe de ajuda, mas nao muito. O suficiente para eu entender que posso ser ajudada. Preciso de um ou outro olhar preocupado, seguido do olhar doce e sereno do eu-ja-sabia. Preciso que alguem me puxe pela mao, mesmo sem saber direito onde estah me levando. Eu, preguicosa, confortavel e alienada, prometo que nao pergunto.
Tuesday, February 28, 2006
flocos de neve II
Ha pouco menos de um ano, postei um texto intitulado “floco de neve”. Ele comecava assim: “Lendo John Fante, outro dia, me emocionei. O avo do personagem de 1933 Was a Bad Year tinha morrido e ele tinha lido em algum lugar que quando uma pessoa morre, elas se transformam em flocos de neve. Uma imagem infantil, mas bonita. Uma imagem daquelas que mae conta para filho novo quando tem que se deparar com a morte pela primeira vez e precisa entender que a pessoa foi, mas continua no ar. Uma imagem daquelas para refletir as dores e tentar sentir menos dor. Principalmente porque nesse mesmo dia estava nevando aqui em Londres. E porque meu avo ja estava dormindo um dos seus ultimos sonos vivos.”
Aqui, hoje, novamente, neva. Hoje, em especial, houve sol e neve. Um frio e uma beleza que, juntos, fazem doer tudo.
E mais uma vez tive que me emocionar ao sentir os flocos caindo e derretendo sobre meu sobretudo quente. Nao era apenas neve. Era a despedida novamente. Dessa vez, meu tio avo se despedia. Quase um ano apos seu irmao. Enrugadinho, pequeno, sabio, muito mais sabio que eu e voce e todos nos juntos. Recebeu uma visita do medico no sabado. O medico desconfiou de infeccao urinaria e quis leva-lo para o hospital para fazer uns exames. Ele disse que nao. Nao queria. Se despediu do medico e foi dormir. Nao acordou mais.
Recebi o telefonema da Elaine, uma especie de governanta que viveu decadas cuidando da familia, quando saia do cinema. Ela deixou recado e liguei de volta. Meu coracao ja acelerado. Sentei para falar com ela porque sabia da potencial queda. Mais flocos de neve sobre meus ombros cansados. Uma das maiores dores do mundo sao de saudade. Mas dessa saudade. Uma saudade que ainda nem comecou. Uma saudade previa do que sera a vida sem quem partiu. E parece que cresce. A saudade que sinto de meu avo se acumula para quase dois anos. A ultima vez que o vi, ainda morava no Brasil. Mas era saudade boa de saber que ele ainda estava la, e que havia vida para viver e historia para contar e historia para ouvir.
Alem da saudade, ficou a dor de saber que minha irma nao pode conhecer uma das pessoas mais notaveis da nossa familia. Uma pessoa que em muito lembra nosso querido avo.
Mas ja quase nao consigo mais chorar se penso que eles estao juntos agora. Os dois irmaos, com historias tao diferentes. Historias que comecaram quase juntas e agora acabaram quase juntas. Eles foram para diferentes cantos, separados por uma Guerra nojenta, mas fizeram e viveram suas vidas, tiveram a delicadeza de trocar cartoes de aniversario ano apos ano.
Eles nao sabiam o quanto sao parecidos. Agora talvez saibam. E isso estranhamente me faz torcer para que quando eu va, tambem seja assim. Enquanto choramos aqui pelo desencontro, eles comemoram, la, o reencontro.
Aqui, hoje, novamente, neva. Hoje, em especial, houve sol e neve. Um frio e uma beleza que, juntos, fazem doer tudo.
E mais uma vez tive que me emocionar ao sentir os flocos caindo e derretendo sobre meu sobretudo quente. Nao era apenas neve. Era a despedida novamente. Dessa vez, meu tio avo se despedia. Quase um ano apos seu irmao. Enrugadinho, pequeno, sabio, muito mais sabio que eu e voce e todos nos juntos. Recebeu uma visita do medico no sabado. O medico desconfiou de infeccao urinaria e quis leva-lo para o hospital para fazer uns exames. Ele disse que nao. Nao queria. Se despediu do medico e foi dormir. Nao acordou mais.
Recebi o telefonema da Elaine, uma especie de governanta que viveu decadas cuidando da familia, quando saia do cinema. Ela deixou recado e liguei de volta. Meu coracao ja acelerado. Sentei para falar com ela porque sabia da potencial queda. Mais flocos de neve sobre meus ombros cansados. Uma das maiores dores do mundo sao de saudade. Mas dessa saudade. Uma saudade que ainda nem comecou. Uma saudade previa do que sera a vida sem quem partiu. E parece que cresce. A saudade que sinto de meu avo se acumula para quase dois anos. A ultima vez que o vi, ainda morava no Brasil. Mas era saudade boa de saber que ele ainda estava la, e que havia vida para viver e historia para contar e historia para ouvir.
Alem da saudade, ficou a dor de saber que minha irma nao pode conhecer uma das pessoas mais notaveis da nossa familia. Uma pessoa que em muito lembra nosso querido avo.
Mas ja quase nao consigo mais chorar se penso que eles estao juntos agora. Os dois irmaos, com historias tao diferentes. Historias que comecaram quase juntas e agora acabaram quase juntas. Eles foram para diferentes cantos, separados por uma Guerra nojenta, mas fizeram e viveram suas vidas, tiveram a delicadeza de trocar cartoes de aniversario ano apos ano.
Eles nao sabiam o quanto sao parecidos. Agora talvez saibam. E isso estranhamente me faz torcer para que quando eu va, tambem seja assim. Enquanto choramos aqui pelo desencontro, eles comemoram, la, o reencontro.
Thursday, February 23, 2006
cai a tarde
Enquanto todos ao sul do Equador derretem em pre-carnaval, aqui neva. Nevou o dia todo. Vai nevar de noite. Ha algo de errado com o aquecedor la de casa e eu nao sei como consertar.
Aqui neva, no Brasil frita. Porque esse contraste, depois de um ano e sete meses, ainda me deixa tonta?
Estao todos ai em ritmo de Carnaval, eu sei. Os jornais ja dao as noticias do transito e do quao estupido eh deixar para “descer” na hora que todo mundo “desce”.
Na Folha de hoje, um Cony bastante bairrista me mata de inveja: “o carioca está vivendo sua ‘finest hour’, meio avacalhada, mas gostosamente sua, intransferível”. A deliciosa avacalhacao carioca. Por que tudo o que eh avacalhado seduz? Talvez porque nada eh levado a serio. Nem quem eh seduzido.
Mas eu nao vou morrer de inveja porque nunca fui de Carnaval. Amanha, por sinal, irei a uma festa anti-carnaval na Toca dos Mongos, carinhosa alcunha para a casa do Ernesto & Cia Ltda. Se estivesse no Brasil, provavelmente me enfiaria num cinema com ar-condicionado por quarto dias.
Alem disso, a Pascoa ja estah chegando. Ou nao. Mas como eh meu proximo breque na vida, ja tenho que ir me envolvendo. Vamos eu, Broo, Mr Australia, Mr Suecia e um amigo de Mr Australia que chamaremos de Kangoroo. E talvez mais uma pessoinha linda, neam, pessoinha linda? Para onde? Para ca.
Aqui neva, no Brasil frita. Porque esse contraste, depois de um ano e sete meses, ainda me deixa tonta?
Estao todos ai em ritmo de Carnaval, eu sei. Os jornais ja dao as noticias do transito e do quao estupido eh deixar para “descer” na hora que todo mundo “desce”.
Na Folha de hoje, um Cony bastante bairrista me mata de inveja: “o carioca está vivendo sua ‘finest hour’, meio avacalhada, mas gostosamente sua, intransferível”. A deliciosa avacalhacao carioca. Por que tudo o que eh avacalhado seduz? Talvez porque nada eh levado a serio. Nem quem eh seduzido.
Mas eu nao vou morrer de inveja porque nunca fui de Carnaval. Amanha, por sinal, irei a uma festa anti-carnaval na Toca dos Mongos, carinhosa alcunha para a casa do Ernesto & Cia Ltda. Se estivesse no Brasil, provavelmente me enfiaria num cinema com ar-condicionado por quarto dias.
Alem disso, a Pascoa ja estah chegando. Ou nao. Mas como eh meu proximo breque na vida, ja tenho que ir me envolvendo. Vamos eu, Broo, Mr Australia, Mr Suecia e um amigo de Mr Australia que chamaremos de Kangoroo. E talvez mais uma pessoinha linda, neam, pessoinha linda? Para onde? Para ca.
Wednesday, February 22, 2006
Wandsworth Swimming Club
Acabo de conversar com meu talvez futuro tecnico de natacao, Tony. Ele ja foi pro Brasil nadar, amou, disse que ha um ponto exato no meio do oceano em Copacabana que pode-se tranquilamente chamar de o lugar mais lindo do mundo. Tony precisa conhecer mais praias brasileiras.
Ele perguntou meu tempo nos 400m. Eu disse qual foi me recorde, disse que nao estou nadando como nadava, nem perto disso. Mas ele disse “not bad”. Disse que nao eh facil entrar no clube. Que preciso provar que sou realmente boa. Que ha outros maratonistas. Que ha campeoes de titulos internacionais e europeus. Que alguns ja atravessaram o Canal da Mancha. Que a primeira mulher a atravessar o canal e voltar foi treinada por ele. Mas que acha que vou me enquadrar. Sera que nao vai ser patetico? Serah que nao vou la bater perninha de crianca em meio aos tubaroes? Vou treinar, treinar, treinar essa semana, ateh chegar a semana que vem, quando vou la na St Paul’s School, perto de Hammersmith, para ser testada.
Ele disse que o grupo treina seis vezes por semana, mais ou menos uma hora e meia. Para mim, nada de novo.
Mas estou nervosa como crianca em primeiro dia de nova escola. Sera que vao gostar de mim? Sera que sou boa o bastante? Sera que minha vida vai mudar completamente? Sera que nao?
Voces que ja me viram nadando e/ou competindo, da para me mandar um email reforcando o quao boa e capaz sou? Estou esperando. Obrigada.
Ai, que medo. Medo bom.
Ele perguntou meu tempo nos 400m. Eu disse qual foi me recorde, disse que nao estou nadando como nadava, nem perto disso. Mas ele disse “not bad”. Disse que nao eh facil entrar no clube. Que preciso provar que sou realmente boa. Que ha outros maratonistas. Que ha campeoes de titulos internacionais e europeus. Que alguns ja atravessaram o Canal da Mancha. Que a primeira mulher a atravessar o canal e voltar foi treinada por ele. Mas que acha que vou me enquadrar. Sera que nao vai ser patetico? Serah que nao vou la bater perninha de crianca em meio aos tubaroes? Vou treinar, treinar, treinar essa semana, ateh chegar a semana que vem, quando vou la na St Paul’s School, perto de Hammersmith, para ser testada.
Ele disse que o grupo treina seis vezes por semana, mais ou menos uma hora e meia. Para mim, nada de novo.
Mas estou nervosa como crianca em primeiro dia de nova escola. Sera que vao gostar de mim? Sera que sou boa o bastante? Sera que minha vida vai mudar completamente? Sera que nao?
Voces que ja me viram nadando e/ou competindo, da para me mandar um email reforcando o quao boa e capaz sou? Estou esperando. Obrigada.
Ai, que medo. Medo bom.
Monday, February 20, 2006
boys in the hood
E mais frio e mais cinza, mas ontem nao foi um dia tao ruim. Ontem foi legal, ouso dizer. Ontem foi dia de trabalho. Mas trabalho misturado a flerte nunca eh a mesma coisa que soh trabalho. Deixa de ser trabalho e vira algo entre ele e diversao.
Ontem foi dia de ficar na piscina e depois fazer massagem e depois voltar para a piscina, e depois jogar futebol com aquelas bolonas de fitness e depois ficar na piscina e depois ficar perto, fazendo alguma coisa, qualquer coisa, desde que fosse perto.
Eu quase, quaaaase o chamei para ir ao cinema comigo e Broo. Mas, sei la o que me deu, nao falei nada. Ele disse “vou para casa, nao sei”. O “nao sei” obviamente era minha deixa. Ele tava quase implorando. O “nao sei” era algo como “me tira do marasmo, filha”. Mas eu nao tirei. “ok, then, have a good one”. E fui. E burra, burra, burra. Porque nao o chamei para ir junto? Nao me entendo. Mas vai ver eh bom. Ainda vou encontra-lo pela academia. Trabalhando ou nadando.
Nao eh nada especial. Eh apenas aquela temperada que faz o peixe virar peixada. Apenas as curves que preciso num domingo reto de trabalho.
**
E agora, agorinha, recebo um email do Manager (lembram?) que fez meu coracao pular como um passaro selvagem enjaulado (ou eh apenas desejo de que as coisas tenham de fato mais emocao?):
Good to hear from you. I take it that Brazil was the same old hot weather and naked women???? Now you work and are looking to move away I do not expect to see you in my building ever again!! Take care babes. xx
E eu quis responder na hora mas me segurei. De novo. Eu quis responder que claro que ele vai me ver e claro que eu me cuido, e claro que tudo o que ele quiser. Foi lindo pensar nele falando essas palavras. Ele que mexeu um pouco no lado bom raquitico que houve em 2005. Faz uns tres meses que nao o vejo. Soh agora, com esse email, percebi que sinto saudades.
Ontem foi dia de ficar na piscina e depois fazer massagem e depois voltar para a piscina, e depois jogar futebol com aquelas bolonas de fitness e depois ficar na piscina e depois ficar perto, fazendo alguma coisa, qualquer coisa, desde que fosse perto.
Eu quase, quaaaase o chamei para ir ao cinema comigo e Broo. Mas, sei la o que me deu, nao falei nada. Ele disse “vou para casa, nao sei”. O “nao sei” obviamente era minha deixa. Ele tava quase implorando. O “nao sei” era algo como “me tira do marasmo, filha”. Mas eu nao tirei. “ok, then, have a good one”. E fui. E burra, burra, burra. Porque nao o chamei para ir junto? Nao me entendo. Mas vai ver eh bom. Ainda vou encontra-lo pela academia. Trabalhando ou nadando.
Nao eh nada especial. Eh apenas aquela temperada que faz o peixe virar peixada. Apenas as curves que preciso num domingo reto de trabalho.
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E agora, agorinha, recebo um email do Manager (lembram?) que fez meu coracao pular como um passaro selvagem enjaulado (ou eh apenas desejo de que as coisas tenham de fato mais emocao?):
Good to hear from you. I take it that Brazil was the same old hot weather and naked women???? Now you work and are looking to move away I do not expect to see you in my building ever again!! Take care babes. xx
E eu quis responder na hora mas me segurei. De novo. Eu quis responder que claro que ele vai me ver e claro que eu me cuido, e claro que tudo o que ele quiser. Foi lindo pensar nele falando essas palavras. Ele que mexeu um pouco no lado bom raquitico que houve em 2005. Faz uns tres meses que nao o vejo. Soh agora, com esse email, percebi que sinto saudades.
Sunday, February 19, 2006
companhia
Tudo cinza, tudo frio. Ontem só saí de casa para fazer supermercado. Qualquer um concordaria comigo que era dia de ficar em casa e chorar. Não chorei pela minha vida, mas pela de outros. Assisti a dois filmes absurdos. Um, uma ótima surpresa, “In Ameerica”, sobre uma família de irlandeses que resolve morar nos EUA e viver o “sonho”. O outro, eu já sabia o que me esperava, mas não imaginava que me emocionaria tanto assim ainda, já que é a quarta vez que assisto a “Ponette”. Eu economizei, até dei preferência a assistir com companhia, mas não tinha ninguém para ver comigo e eu não sabia quando novamente teria a TV para mim o fim de semana todo, já que Mr Australia está na França e Mr Suécia na Suécia e Miss Alemanha não parou em casa.
Eu adorei, para ser sincera. É sempre uma batalha conseguir a TV para mim por duas horas para ver um filme.
Eu chorei até esgotar o estoque. “Ponette” tem o dom de me tirar de órbita. É que a menina trabalha tão, mas tão bem, que não tem como não achar que ela realmente sentiu tudo o que parecia sentir seu personagem. E eu entrei de cabeça no filme como nas três vezes anteriores. E chorei e chorei e o filme acabou e continuei chorando e precisei tomar banho à meia-noite senão não parava de chorar.
Recomendo muito, sempre, mas sempre acompanhado. De preferência por alguém aconchegante ou, ao menos, por um dia de verão.
**
A casa veio e foi. As coisas são assim aqui. Broo e eu achamos a casa que estávamos procurando, mas a nossa ex-futura landlady não aceitou baixar o preço do aluguel um tequinho, para aparar as pontas. A vaca não arredou o pé.
Era a casa que queríamos, em Fulham, uma das regiões top top top, dois quartos de bom tamanho, tudo legal, tudo certo. A vaca não arredou o pé.
Foda-se. Desejo à senhora vaca um futuro de inquilinos fumantes, festeiros, bebedores e dotados de veias artísticas.
**
Estou indo na Cannons logo mais, fazer meu shift de 6 horas para poder continuar usando a academia. Se eu for aceita no clube de natação, acabar-se-ão, se deus for pai, esses shifts de fim de semana.
Eu adorei, para ser sincera. É sempre uma batalha conseguir a TV para mim por duas horas para ver um filme.
Eu chorei até esgotar o estoque. “Ponette” tem o dom de me tirar de órbita. É que a menina trabalha tão, mas tão bem, que não tem como não achar que ela realmente sentiu tudo o que parecia sentir seu personagem. E eu entrei de cabeça no filme como nas três vezes anteriores. E chorei e chorei e o filme acabou e continuei chorando e precisei tomar banho à meia-noite senão não parava de chorar.
Recomendo muito, sempre, mas sempre acompanhado. De preferência por alguém aconchegante ou, ao menos, por um dia de verão.
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A casa veio e foi. As coisas são assim aqui. Broo e eu achamos a casa que estávamos procurando, mas a nossa ex-futura landlady não aceitou baixar o preço do aluguel um tequinho, para aparar as pontas. A vaca não arredou o pé.
Era a casa que queríamos, em Fulham, uma das regiões top top top, dois quartos de bom tamanho, tudo legal, tudo certo. A vaca não arredou o pé.
Foda-se. Desejo à senhora vaca um futuro de inquilinos fumantes, festeiros, bebedores e dotados de veias artísticas.
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Estou indo na Cannons logo mais, fazer meu shift de 6 horas para poder continuar usando a academia. Se eu for aceita no clube de natação, acabar-se-ão, se deus for pai, esses shifts de fim de semana.
Thursday, February 16, 2006
verao aqui dentro
Estou febril. Nao sei se eh febre ou outra coisa, mas estou febril. Olhos pesados, corpo cansado. Uma enxaqueca vinha no caminho quando a brequei com uma dose letal de Goody’s, que nem sempre eh letal. Mas nesse caso ajudou.
Mas febre nao eh. Talvez um pouco de tontura: computador demais. Ontem fomos ver tres casas em Wimbledon, uma delas um escandalo de linda. Ta, ok, um escandalo de linda perto do que a gente ja viu.
Mas eu pegava facil.
Hoje vamos ver mais uma, agora em Fulham, outra regiao favorita. Mais tarde duas garotas vem ver a minha casa e o meu quarto e os meus flatmates. Tenho a desconfianca leve de que ficarei com ciumes.
Mas estou febril e aqui ja sao cinco e tenho que ir para chegar na imobiliaria a tempo. E estou esperando terminar no eBay o leilao para o DVD de “Ponette”, que nao existe na verdade, nao com legendas em ingles pelo menos. Em uma hora acaba o leilao. Em uma hora serei mais feliz.
Mas febre nao eh. Talvez um pouco de tontura: computador demais. Ontem fomos ver tres casas em Wimbledon, uma delas um escandalo de linda. Ta, ok, um escandalo de linda perto do que a gente ja viu.
Mas eu pegava facil.
Hoje vamos ver mais uma, agora em Fulham, outra regiao favorita. Mais tarde duas garotas vem ver a minha casa e o meu quarto e os meus flatmates. Tenho a desconfianca leve de que ficarei com ciumes.
Mas estou febril e aqui ja sao cinco e tenho que ir para chegar na imobiliaria a tempo. E estou esperando terminar no eBay o leilao para o DVD de “Ponette”, que nao existe na verdade, nao com legendas em ingles pelo menos. Em uma hora acaba o leilao. Em uma hora serei mais feliz.
Wednesday, February 15, 2006
run if you wanna go faster
Nao estou mais aguentando de tediooooooo. Nao eh possivel que as pessoas levem dias fazendo o que faco em horas! Preciso de mais trabalho. Preciso de mais. Acabei de mandar um email pro meu chefe dizendo que estava bundando. Sim, bundando. Navegando a esmo pela web. Montando bonequinhas num site que minha irma me indicou, bonequinha que eh. Pensando na Pascoa e na casa nova e na minha ida ao Brasil no final do ano – sim, ja penso nisso. Pensando que minha amiga do trabalho anda um peh no saco, ou melhor, um chiclete no meu sapato.
Pensando em tudo menos no trabalho, porque realmente NAO TEM EM QUE PENSAR. Tudo o que eu podia fazer, ja fiz. Todo mundo de que eu tinha que cobrar ja cobrei. Tudo mesmo. Nao sobrou nada. Nem aquilo que tendo a varrer para baixo do tapete e fingir que nao existe. Ateh isso eu resolvi realmente varrer.
Mas enfim. Estou ganhando dinheiro e eles parecem felizes comigo. Mas nao entendo, nao entendo.
Acabo de receber um “fair enough” de resposta do meu chefe. Como se, ao pedir para ele me passer tarefas, eu estivesse pedindo um favor e ele concordando que eh um favor contundente. Entendo menos ainda.
**
Acabo de mandar um email para um clube de natacao que estah aceitando Masters (deus do ceu, ja sou Master!). Fica na regiao proxima de onde em breve morarei. Vamos ver se eles me aceitam. O esquema eh parecido com o que eu tinha quando treinava no Brasil. Mais ou menos 90 minutos de treino todos os dias da semana + domingao. Vou reclamar o tempo todo, vou reclamar adorando.
**
Quero parabenizar uma pessoa muito especial, muito mesmo. Nao apenas porque eh minha irma, mas porque ela teve o dom de infectar seu computador com virus meros tres dias apos adquiri-lo. Nao fosse assim, nao seria minha Piu.
Tambem quero parabenizar essa mesma pessoa especial que confundiu Sardenha com Bolonha. Pessoa especial, assim eu acabo dissolvendo de fofura!
Pensando em tudo menos no trabalho, porque realmente NAO TEM EM QUE PENSAR. Tudo o que eu podia fazer, ja fiz. Todo mundo de que eu tinha que cobrar ja cobrei. Tudo mesmo. Nao sobrou nada. Nem aquilo que tendo a varrer para baixo do tapete e fingir que nao existe. Ateh isso eu resolvi realmente varrer.
Mas enfim. Estou ganhando dinheiro e eles parecem felizes comigo. Mas nao entendo, nao entendo.
Acabo de receber um “fair enough” de resposta do meu chefe. Como se, ao pedir para ele me passer tarefas, eu estivesse pedindo um favor e ele concordando que eh um favor contundente. Entendo menos ainda.
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Acabo de mandar um email para um clube de natacao que estah aceitando Masters (deus do ceu, ja sou Master!). Fica na regiao proxima de onde em breve morarei. Vamos ver se eles me aceitam. O esquema eh parecido com o que eu tinha quando treinava no Brasil. Mais ou menos 90 minutos de treino todos os dias da semana + domingao. Vou reclamar o tempo todo, vou reclamar adorando.
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Quero parabenizar uma pessoa muito especial, muito mesmo. Nao apenas porque eh minha irma, mas porque ela teve o dom de infectar seu computador com virus meros tres dias apos adquiri-lo. Nao fosse assim, nao seria minha Piu.
Tambem quero parabenizar essa mesma pessoa especial que confundiu Sardenha com Bolonha. Pessoa especial, assim eu acabo dissolvendo de fofura!
Tuesday, February 14, 2006
engulamos Clarice
Mergulhei novamente no mundo de Clarice, uma viagem sem volta. Cada vez mais profunda, cada vez mais longe. Ela sou eu, eu sou ela, ela eh todos nos, neh? Ela eh a dona do mundo. Ela mesma disse isso e ela mesma estah certa.
**
Pascoa bookada. Vamos em oito para nada menos que Sardenha. Saimos na quinta e voltamos na terca. Alugamos uma casa de frente para o mar. Para me ajudar a morrer um pouco e ressuscitar a cada respirada. Possivelmente alugamos um carro tambem. Possivelmente faremos um mergulho em algum ponto remoto e eu vou chorar mas com mascara tudo bem, ninguem ve, mas sei que vou chorar de emocao e de vontade de nao voltar aa tona.
Sempre acontece isso comigo no mar.
Depois passa, e fico ateh feliz de ter voltado ao mundo.
**
A busca por uma casa continua. Renata pulou fora, entao somos eu e Broo novamente, casa de dois quartos, mais caro, mais contas. Estamos considerando Wimbledon. Sou suspeita. Amo.
**
Hoje eh Valentine’s Day aqui e eh aquele alvoroco igual ao 12 de junho do Brasil. Eh muito engracado e mundano. E eu sou muito engracada e mundana tambem.
**
Fomos assistir a Brokeback Mountain no sabado (nao sei qual o titulo em portuga). Lindo, lindo. Lindo demais. Ainda mais com o Jake. Aiai. De volta aos meus 13 anos. Amo-o como amava os “meninos do volei”. Amo-o como amava Patrick Swayze em Dirty Dancing. Assistiria a seu pior filme e ainda assim amaria. Brokeback Mountain tem a vantagem de, alem dele, ser um otimo filme. Gastem uns tostoes a mais e assistam em tela grande.
**
Estou tendo rompantes de brilhantismo. Tudo culpa da Clarice. E da binha bae, que me deu a Clarice. Se meu livro sair antes do prazo, culpem-nas.
**
Pascoa bookada. Vamos em oito para nada menos que Sardenha. Saimos na quinta e voltamos na terca. Alugamos uma casa de frente para o mar. Para me ajudar a morrer um pouco e ressuscitar a cada respirada. Possivelmente alugamos um carro tambem. Possivelmente faremos um mergulho em algum ponto remoto e eu vou chorar mas com mascara tudo bem, ninguem ve, mas sei que vou chorar de emocao e de vontade de nao voltar aa tona.
Sempre acontece isso comigo no mar.
Depois passa, e fico ateh feliz de ter voltado ao mundo.
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A busca por uma casa continua. Renata pulou fora, entao somos eu e Broo novamente, casa de dois quartos, mais caro, mais contas. Estamos considerando Wimbledon. Sou suspeita. Amo.
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Hoje eh Valentine’s Day aqui e eh aquele alvoroco igual ao 12 de junho do Brasil. Eh muito engracado e mundano. E eu sou muito engracada e mundana tambem.
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Fomos assistir a Brokeback Mountain no sabado (nao sei qual o titulo em portuga). Lindo, lindo. Lindo demais. Ainda mais com o Jake. Aiai. De volta aos meus 13 anos. Amo-o como amava os “meninos do volei”. Amo-o como amava Patrick Swayze em Dirty Dancing. Assistiria a seu pior filme e ainda assim amaria. Brokeback Mountain tem a vantagem de, alem dele, ser um otimo filme. Gastem uns tostoes a mais e assistam em tela grande.
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Estou tendo rompantes de brilhantismo. Tudo culpa da Clarice. E da binha bae, que me deu a Clarice. Se meu livro sair antes do prazo, culpem-nas.
Wednesday, February 08, 2006
refazenda
Aproveitando os ultimos minutos do meu lunch break para atualizacoes.
* Talvez, mas soh talvez, aconteca algo muito bom. E vou deixar assim. Soh falo quando acontecer.
* Ontem fui nadar na St George’s. Fiquei com saudade dos meus tempos de pindaiba. Mas estou tao melhor longe de la… Depois que deixamos um emprego somos capazes de medir muito melhor quao exploratorio ele foi.
* Falei. Finalmente falei. Desentalou. Falei para o pessoal que devo em breve sair da casa. Agora eh soh uma questao de avisar oficialmente. E, depois, comecar tudo de novo: procura casa, vai atras de corrector, procura alguem para ficar no meu lugar na outra casa, visita, nao gosta, visita, gosta mas nao pega. Ja tenho que entrar no clima.
* Fim de semana muito bom. Sabado trabalhei na Cannons, depois fui no cinema com Broo, Re, amigos e meus flatmates. Assistimos a Walk the Line, o filme de Johnny Cash. Olha, eu nem sabia quem era Johnny Cash. Juro. Mas sai do cinema ja pensando em que musicas baixar. A-do-rei. Nem sei se eh fidedigno ou nao. Eh uma biografia, tipo Ray, mas eu vi tudo como historinha porque nao conhecia o cara. E soh de ver o Joaquin Phoenix atuando ja valendo.
* Domingo fui pra Windsor com Broo. Uma vilazinha toda bonequinha, cheia de historia. Casas tortas, ruas de pedra e, claro, um castelo espetacular. Ficamos umas 3 horas la dentro e parecia que eu tinha voltado no tempo, que realmente estava vivendo dentro daquela realidade. Recomendo.
* Estou querendo muito mesmo que o que eu quero que de certo, de.
* Continuo uma pilha de ansiedade. Subi de novo o remedio. Em breve devo aquietar, senao sou capaz de explodir com um peido.
* Talvez, mas soh talvez, aconteca algo muito bom. E vou deixar assim. Soh falo quando acontecer.
* Ontem fui nadar na St George’s. Fiquei com saudade dos meus tempos de pindaiba. Mas estou tao melhor longe de la… Depois que deixamos um emprego somos capazes de medir muito melhor quao exploratorio ele foi.
* Falei. Finalmente falei. Desentalou. Falei para o pessoal que devo em breve sair da casa. Agora eh soh uma questao de avisar oficialmente. E, depois, comecar tudo de novo: procura casa, vai atras de corrector, procura alguem para ficar no meu lugar na outra casa, visita, nao gosta, visita, gosta mas nao pega. Ja tenho que entrar no clima.
* Fim de semana muito bom. Sabado trabalhei na Cannons, depois fui no cinema com Broo, Re, amigos e meus flatmates. Assistimos a Walk the Line, o filme de Johnny Cash. Olha, eu nem sabia quem era Johnny Cash. Juro. Mas sai do cinema ja pensando em que musicas baixar. A-do-rei. Nem sei se eh fidedigno ou nao. Eh uma biografia, tipo Ray, mas eu vi tudo como historinha porque nao conhecia o cara. E soh de ver o Joaquin Phoenix atuando ja valendo.
* Domingo fui pra Windsor com Broo. Uma vilazinha toda bonequinha, cheia de historia. Casas tortas, ruas de pedra e, claro, um castelo espetacular. Ficamos umas 3 horas la dentro e parecia que eu tinha voltado no tempo, que realmente estava vivendo dentro daquela realidade. Recomendo.
* Estou querendo muito mesmo que o que eu quero que de certo, de.
* Continuo uma pilha de ansiedade. Subi de novo o remedio. Em breve devo aquietar, senao sou capaz de explodir com um peido.
Friday, February 03, 2006
extremamente tudo
Eu sou idiota ou o que? Estava relendo emails que mandei desde que cheguei aqui em Londres. Sou idiota ou o que? Deus, como mudei. Como fui anta. Como engolia os mais gordos e nojentos dos sapos. Mas no comeco, no comeco foi quando fui mais feliz. Quem eh que inventa o que eh idiota e o que nao eh? Fui a mais idiota das idiotas nas mais felizes ocasioes. E talvez a propria idiotice tenha ajudado.
Por que teimamos em nao sermos idiotas? Qual o problema em nao ver se nao ver te faz mais feliz? Por que queremos ver tudo se uma hora vamos morrer e tudo o que vimos nao vai mais significar nada?
Meus momentos mais doces sao aqueles em que fui idiota. Hoje olho para traz quase com tristeza. Eh engracado isso. A gente sente tristeza quando pensa num tempo em que eramos felizes. Por que nao apenas ser feliz aqui e agora? Por que a lembranca de algo bom eh sempre triste? Serah porque esse algo soh existe em forma de lembranca? Serah porque eh um tempo irrecuperavel? Serah que eh porque perdemos a capacidade de ser feliz como antes? Ou serah que nos decepcionamos com nossa idiotice?
Eu me decepciono com minhas idiotices. Acho que eh por isso que ja comecei a escrever meia duzia de livros e nunca terminei. Sempre passa o tempo, um tempo suficiente para eu idiotizar o passado e tudo o que fui um dia, tudo o que vivi, tudo o que escrevi. Tudo que era profundo fica mais raso que um pires.
**
Essa madrugada aconteceu. De novo.
**
Ontem joguei na loteria. De novo.
**
Hoje vou encontrar o Michael. Michael eh o velhinho irlandes que conheci no onibus em Dublin. Michael me ligou exatamente quando eu estava deitada, de olhos fechados, pedindo que meu falecido avo me mandasse forcas para enfrentar mais uma noite, mais um dia, mais uma semana. Michael foi o mensageiro. Depois que ele ligou, eu consegui dormir. Eu entendi a mensagem.
Por que teimamos em nao sermos idiotas? Qual o problema em nao ver se nao ver te faz mais feliz? Por que queremos ver tudo se uma hora vamos morrer e tudo o que vimos nao vai mais significar nada?
Meus momentos mais doces sao aqueles em que fui idiota. Hoje olho para traz quase com tristeza. Eh engracado isso. A gente sente tristeza quando pensa num tempo em que eramos felizes. Por que nao apenas ser feliz aqui e agora? Por que a lembranca de algo bom eh sempre triste? Serah porque esse algo soh existe em forma de lembranca? Serah porque eh um tempo irrecuperavel? Serah que eh porque perdemos a capacidade de ser feliz como antes? Ou serah que nos decepcionamos com nossa idiotice?
Eu me decepciono com minhas idiotices. Acho que eh por isso que ja comecei a escrever meia duzia de livros e nunca terminei. Sempre passa o tempo, um tempo suficiente para eu idiotizar o passado e tudo o que fui um dia, tudo o que vivi, tudo o que escrevi. Tudo que era profundo fica mais raso que um pires.
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Essa madrugada aconteceu. De novo.
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Ontem joguei na loteria. De novo.
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Hoje vou encontrar o Michael. Michael eh o velhinho irlandes que conheci no onibus em Dublin. Michael me ligou exatamente quando eu estava deitada, de olhos fechados, pedindo que meu falecido avo me mandasse forcas para enfrentar mais uma noite, mais um dia, mais uma semana. Michael foi o mensageiro. Depois que ele ligou, eu consegui dormir. Eu entendi a mensagem.
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