Saturday, January 24, 2009

duas semanas sem chuva

A parte da India estava praticamente acabada. Estavamos saindo para jantar quando, no lobby do hotel, nos deparamos com Henrique e Carol, casal querido que soh achavamos que encontrariamos em Bangkok, com sorte no ultimo dia de Nepal.

Pegamos um tuk-tuk a quatro (experiencia que nao recomendo visto que um tuk-tuk eh feito para levar dois passageiros) e fomos para Connaught Place, o lugar mais touristy de Delhi, mas muito legal tambem. Entramos num restaurante que foi recomendado pelo nosso motorista, mas ficamos com nojinho e soh comemos um cheese naan. De la fomos para um outro restaurante, bm mais caro mas com ambiente bem bom e comida idem. Conversamos muito, pusemos fofocas em dia, eles contaram como haviam sido os primeiros dois dias de viagem deles, nos contamos como fora nossa primeira semana. Uma delicia fechar India entre amigos.

Dia seguinte acordamos cedo e, apos um parto para fazer o check-out e conseguir nosso transfer para o aeroporto, chegamos sem correria. O aeroporto de Delhi, por causa dos ataques terroristas em Mumbai, estah um porre. Carimbam tudo, checam tudo, inclusive a policia nao deixa ninguem que nao tenha passagem na mao e passaporte entrar no saguao do aeroporto. Enfim, um mal necessario, maybe.

O voo ao Nepal durou 1h40min e de la de cima vimos o Himalaya. Chegamos em Kathmandu, pegamos o visto, as malas, e a paciencia que quase nao havia sobrado da India, para enfrentar a multidao de taxistas querendo nos levar para o hotel x ou y ou z, em que, naturalmente, eles ganhariam comissao caso “convertessem” um turista. Escolhemos pagar por um taxi que nao ganharia comissao. Primeira impressao foi ruim, confesso. Kathmandu eh uma zona, suja, poluida. Chegamos no Tibet Guest House, nossa primeira opcao, mas nao curtimos a relacao custo/beneficio.

Acabamos escolhendo o Khangsar Guest House, por cujo quarto de casal estamos pagando 6 dolares a diaria. Nao eh la um Hilton, claro. O banheiro, como bem descreveu o Lonely Planet, eh anorexico. Mas o chao eh de madeira, o quarto superiluminado e mais ou menos limpo. Tirei fotos e quando der para subi-las o farei.

Nos acomodamos e fomos jantar no Yak Cafe, o que seria nosso recanto todas as noites em Kathmandu. Comemos vegetable momos kottha, uma especie de dumpling frito tipico da culinaria nepalesa/tibetana. Alexandre comeu um ensopado de bufalo tambem. Demos o dia por acabado e fomos dormir sem nem saber que horas eram no horario local.

Dia seguinte, 22/1, dedicamos para ver tudo o que ha para ser visto em Kathmandu City.

Resumindo, muita gente, muito lixo (os coletores estao em greve, parece, entao fica um amontoado de lixo a ceu aberto no meio da rua, sem saco nem nada), muita poluicao (Kathmandu fica num vale entre montanhas altas, entao a poluicao produzida fica toda retida aqui). Depois de resolver pendencias burocraticas do tipo tirar dinheiro, comecamos uma caminhada do nosso bairro, Thamel, ateh Durbar Square, o principal ponto turistico. Chegando la tem um sem numero de altares e templos hindus, estatuas budistas, muita pomba, muito pedinte e muito picareta insistindo em ser nosso “guia”. Nao ficamos muito impressionados com Durbar Square, especialmente porque para circular precisamos pagar 200 rupias nepalesas (cerca de £2; pouco, eu sei, mas pagar pra andar na rua eh dose).

Depois de um almoco delicioso nepales num lugarzinho em Freak Street (!), pegamos um taxi para Patan, a cidade vizinha. Fomos direto ao Durbar Square de Patan que, dizem, eh bem melhor que o de Kathmandu. Concordamos. Eh bem mais legal sim, mas ainda assim cheio de vendedores ambulantes, pedintes, guias picaretas etc etc etc. Resolvemos voltar de Safa Tempo, uma especie de mini-lotacao eletrica em que se paga 10 rupias (tipo 10 pence) e as pessoas vao subindo e entupindo ateh ficar neguinho pendurado para fora. Valeu a experiencia, principalmente porque tinhamos acento bonitinho, do lado da janela. Otherwise eu estaria fora easily.

Os dias aqui tem que acabar cedo. Nao eh porque temos que acordar cedo, eh porque nao ha o que fazer. Explico: o Nepal inteiro esta passando por uma crise de energia absurda. Segundo um carinha com quem conversamos no Safa Tempo, a principal fonte de energia eh hidreletrica e simplesmente nao chove. Resultado eh o que vamos viver por 15 dias e que o povo daqui ja vive ha meses e sem data para terminar: apagao de 16 horas por dia. Repito, 16 HORAS POR DIA SEM LUZ OU ELETRICIDADE. Apenas 8 horas aleatorias (muda todo dia) de energia sao distribuidas em cada cidade. Fora das 8 horas, neguinho se vira com gerador e, se for de noite, todo mundo com lanterna em punhos porque nao ha nada iluminando o caminho a nao ser ocasionais carros.

Sendo assim, dormimos cedo e acordamos mais tarde do que gostariamos, mas ainda assim cedo. Estavamos de cafeh tomado e tudo pronto para maiss um dia aas 9h. Fomos a peh ateh o Swayambhunath, ou o templo dos macacos. Foi maravilhoso. A caminhada eh nojenta mas o destino final compensou. Chegamos la e fomos recebidos por dezenas de macacos assustadoramente humanos. Subimos o morro aos poucos, parando de vez em quando para rodar as praying wheels dos budistas e tirar fotos de bandeiras, macacos etc. Chegamos la em cima e nos maravilhamos com a stupa budista e as dezenas de templos e monasterios ao redor. Sentamos para um chai com um budista fofo que soh falava Ronaldo Calo ao se referir ao jogador de futebol Roberto Carlos.

Depois de algumas horas rodando o templo e alguma praying wheels, voltamos para o hotel, tomamos um banho (foi a vez do Alexandre ser cagado por pombas na rua) e fomos almocar. Conhecemos um frances gente boa que viaja 3 meses por ano por locais, digamos, diferentes. O cara eh meio louco. Veio pro Nepal tentar atravessar a fronteira e chegar no Tibet, o que eh arriscado (para a saude por causa da altitude e para sua integridade fisica por questoes sociopoliticas). Enfim, good luck for him.

Demos um tempo no hotel e pegamos um taxi para Bodnath, outra cidade vizinha que possui forte influencia e presenca tibetana e budista. Fomos direto a Bodhnath stupa, a maior do mundo! E chegamos la ao entardecer justamente para pegar os budistas fazendo seus mantras e prostacoes em sentido horario ao redor da stupa. Foi uma das experiencias mais misticas que tivemos ateh agora. Um lugar definitivamente especial e forte candidato a preferido so far.

By the way, stupas sao construcoes que abarcavam reliquias sagradas. Esta stupa em especial, dizem as mas (boas?) linguas, foi construida sobre um osso do proprio Buda.

Voltamos para o hotel de otimo humor apos um dia tao bom e tao especial, cheio de bons fluidos budistas. Aproveitamos o apagao para sair para jantar num lugar que sabiamos que teria gerador (Yak Cafe, claro). O Alexandre viciou em Thungba (uma cerveja quente que parece um chimarrao de millet) e o frances do almoco, que encontramos no hotel quando saimos para jantar, foi com a gente tambem. Agora, queridos, aproveito que a luz voltou para postar isto aqui e mante-los informados.

Estamos otimos, sem tropecos e sem problemas. Estamos nos virando muito bem e barganhando como nunca. Estamos quase afiados para a volta ao Brasil. ;-)

Eh isso. Amanha devemos pegar um busao para Nagarkot, de onde faremos um trekking de umas 3 horas para outra cidadezinha, de onde pegaremos um onibus para Dulikhel. Tudo serah devidamente documentado uma vez que os fatos de fato acontecam. Por aqui a gente nunca sabe!

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Ah sim, e o titulo do post, nada a ver com o conteudo, eh verdade. Duas semanas sem chuva, para quem vem de Londres, eh quase inconcebivel!

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