Sunday, February 01, 2009

30/1 - Sarangkot, o nariz nos Himalaias

Acordamos, ainda escuro, com a porra da familia nepalesa urrante. Quem me conhece sabe o quanto odeio ser acordada desnecessariamente por gritos e passos.

Levantamos antes do que gostariamos e nos perguntamos como essa gente consegue ir dormir depois da gente, acordar antes, e ainda estar feliz? Enfim, fomos reclamar com o cara do hotel. Que se a gritaria nao arrefecesse mudariamos de hotel, que nao eh possivel, isso aqui eh um hotel e eles nao sao os unicos hospedes, que isso e aquilo. O cara prometeu falar com os nepaleses, o que acredito ter feito, visto que o gordao chefaao da tribo estava nos fuzilando com o olhar quando voltamos pro hotel no final do dia. Oh well.

Resolvemos alugar uma moto. Bem meia-boca, mas era o que tinha. Saimos de Pokhara para Sarangkot, de onde se tem uma vista estonteante dos himalaias, mais especificamente da Annapurna Range. Realmente o passeio eh sensacional. Estacionamos a moto e ainda subimos por mais ou menos 40 minutos. Foi bem dificil, o ar estava rarefeito e a subida era bem vertical, mas eventualmente, parando para pegar ar varias vezes, chegamos. E valeu a pena. Queria colocar algumas fotos para voces nao terem que simplesmente acreditar nas minhas palavras, mas com essa conexao fica realmente dificil.

Aproveitamos que estavamos com a moto e resolvemos ir por ai. Procuramos o gorge (como eh em portugues?) do rio Seti, nao achamos, fomos por ai pela Old City de Pokhara e nao achamos nada demais. Comemos poeira na estrada, encontramos o gorge do rio Seti quando nao estavamos mais procurando, paramos num monasterio e resolvemos ir o tanto quanto a existencia de uma estrada permitia no lado norte do Phewa Tal. Nos deparamos com galinhas e patos suicidas na estrada, vacas, bois e bufalos calmamente transformando a estrada em caos, passamos por buracos e buzinamos muito, ao estilo nepalo-indiano. Uma experiencia inesquecivel e carregada de adrenalina, como gostamos.

La no norte do lago, antes de entregarmos a moto, ainda vimos o para-hawking, uma tecnica desenvolvida aqui, aparentemente, em que se salta de paragliding com uma ave de rapina guiando o caminho. Deve ser lindo, voar e seguir uma ave que sempre voou e sabe o que esth fazendo, conhece corrente, pressao, temperatura, tudo melhor que qualquer profissional. Vimos as aves chegando, vimos outras presas no centro de para-hawking, e fomos ciceroneados por um ingles muito gente boa e eloquente – possivelmente ja estah no Nepal por tempo suficiente para ter deixado a inglesice de lado.

Voltamos pro hotel sem antes encontrarmos Matias, nosso amigo argentino com quem vivemos cruzando pela rua. Tambem paramos numa livraria para comprar livros. Acabei de terminar How to be Good, ddo Nick Hornby (as usual, fantastico)| e comprei The White Tiger, vencedor do Booker Price esse ano e que se passa numa India nada sagrada. O Alexandre comprou Into Thin Air, sobre uma subida ao Everest em 96 que deu muito errado.

Fomos para o hotel e mergulhamos em nossas leituras. Fomos no mesmo restaurante tibetano de sempre e voltamos pro hotel felizes. Foi um dia muito bom.

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