Wednesday, January 14, 2009

Os primeiros tres dias na India

10/1/09

Não sei de onde tirei a idéia de que a India é de outro mundo. Sei que eu estava certa. Surpreendentemente o dia correu sem grandes surpresas. Saimos na hora marcada, chegamos no aeroporto tranquilos, o embarque foi sossegado e, apesar do tumulto no avião, conseguimos embarcar com apenas uma hora de atraso. Nao entendi bem qual foi o problema, mas foi resolvido e embarcamos. Assim que apagaram a luz do cinto de seguranca pedi encarecida e descaradamente para o cara bafudo do meu lado mudar para a fileira da frente, em que havia espaço livre. Foi a glória.

Chegamos em Delhi às 2 da manhã mas ja deu para ter uma ideia. Mesmo de madrugada todo mundo tasca a mao na buzina. Nosso motorista queria mostrar servico para garantir a gorjeta e foi o caminho inteiro do aeroporto ao hotel mostrando todas as estacoes de metro (???) e comentando: This very richmen people. This very richmen area. But I'm no richman – I'm very poor man.” Ele repetiu isso umas tres vezes no minimo. Para garantir que a mensagem fosse processada e a carteira, claro, aberta.

O mais legal foram as vacas no meio da rua, em plea madrugada. Nao qualquer rua, rua principal mesmo. Mas isso o motorista nao comentou. Deve ser muito trivial pra ele.

Finalmente chegamos no hotel, fizemos um check-in, pedimos um omelete (Alexandre) e queijo quente (eu) e enquanto nao chega escrevo. Aqui ja sao mais de 5 da manha, mas por causa do fuso horoario de 5:30h em relacao a Londres, estamos meio perdidos. Sabemos que deviamos estar dormindo, mas, well, antes de comer nao conseguiremos nem dormir.

Eh isso. Chegamos na India! Estamos mortos e felizes.

11/01

Para ser bem sincera, os primeiros minutos do dia foram insuportaveis. Tanto eu quanto o Alexandre estavamos podres ainda, apos uma noite de apenas 5 horas de sono entrecortadas por muito berro e coisas sendo jogadas com forca contra o chao (ou pelo menos foi assim que pareceu). Fazia tempo que nao via olheiras tao fundas em mim. Fomos tomar cafeh e aconteceu o que eu temia: Nojinho de tudo, medo de vomitar, estomago embrulhado e intestino completamente preso. Resultado: uma banana e cafeh preto de cafeh-da-manha. Resolvi que precisava mudar minha sorte, afinal das contas eh meu aniversario!

Tomei um banho, fui no banheiro (nada de diarreia) e ja me sentia outra pessoa. Tambem recebi parabens (atrasados e cobrados) do Alexandre. Soh fomos sair do hotel depois do meio-dia, ja que acordamos tarde.

Foi um susto do cao. Delhi eh um espetaculo de barulho e cheiros. Buzina aqui tem outro sentido (de verdade, nao to tentando ser engracadinha. Na boleia de todo caminhao ta escrito “Blow Horn” ou “Horn please”. Buzina aqui eh para ser notado, esqueçam retrovisores. Para que?) Nao preciso descrever alem, ne? Comentei que Delhi com certeza seria o lugar que meu pai mais odiairia no mundo mas que ao final de um dia inteiro rodando a cidade ele estaria gargalhando de incredulidade. Nao entendo direito como as coisas fundionam aqui, mas elas funcionam. O transito eh caos completo (carros na contra-mao, tuk tuks, motos, onibus, charretes de burrico, pedestres e ateh elefantes disputam espaco. Nao eh exagero. Estavamos numa via principal e vimos um elefante carregando troncos de arvore e respeitando o sinal fechado (ao contrario dos tuk tuks da vida).

Nossa primeira parada foi o Burli Temple, um templo hindu despretencioso e maravilhoso. Nao ha turistas la, e foi la que tive meu primeiro alumbramento espiritual. Pus os pes descansos naquele chao de marmore (ou algo semelhante) e fui acometida por um bem estar indescritivel. O cheiro, o ar, e elementos extrasensoriais me elevaram, really. Talvez eu ja estivesse predisposta a me sentir assim. De qualquer forma, foi um momento importante que vou carregar comigo na viagem e alem.

De la fomos para o Humayun's Tomb, outro espetaculo. O tempo comecou a ficar curto e corremos de la para o Red Fort. A muralha do forte tem mais de 2km, a maior do mundo depois da Muralha da China, segundo o nosso motorista.

Depois disso ja era de noite e estavamos cansados. Fomos levados a um lugar de chas e pashminas e compramos uns masala teas para preparar chai (cha indiano delicioso, tem pra vender no Brasil?). Mesmo porque aqui esquece o cafeh. Eh um pozinho que tem o dom de ser inferior a cafeh instantaneo e ateh para mim, cafeinaholic inveterada, nao desce. Supro minha dose de cafeina ccom cha preto mesmo.

Ja de noite passamos por India Gate, uma especie de Arco do Triunfo do oriente. Legal mas ja estavamos cansados e nao aguentavamos mais ser abordados por vendedores ambulantes MUITO insistentes. Sem falar com o jeito com que os indianos olham para mim, um misto de curiosidade (tal qual nos temos por elefantes e camelos andando pela rua) com tesao porque acham que mulher ocidental eh tudo puta. Mas isso vale um post a parte.

12/1 – Acordamos 5:30am para pegar a estrada. Muito, muito sono. Pela segunda noite seguida dormimos menos de 5 horas e, quem me conhece sabe, isso eh quase inconcebivel na realidade que tento me impor. Dei umas piscadas no carro mas nao conseguia dormir sabendo que tanta coisa nova e diferente se passava do lado de fora de meus olhos fechados. Chegamos e Agra ainda pela manha e, apos algumas paradas em templos e tumbas sem grande relevancia, fomos finalmente ao glorioso Taj Mahal (aqui pronunciado Taj Mal). Passeamos por la completamente estupefatos. Um dos lugares mais lindos a que ja fui na vida. Li muito a respeito de pessoas que visitaram e se decepcionaram, esperaavam mais. Sinceramente, nao consigo entender como. O Taj eh tudo o que dizem e mais. Queriamos ficar horas sentados pelo chao admirando a beleza do lugar, mas nosso tempo era curto e ainda tinhamos viagem pela frente.

Fomos escoltados ateh uma loja de mosaicos em marmore tais como os que existem dentro do Taj Mahal, e nao resistimos: compramos e despachamos pro Brasil dois enfeites para pormos em nossa casa nova. Um elefantinho (presente que o Alexandre me deu de aniversario) e um candelabro – que devem chegar em uns 20 dias, viu, mae?

Acabamos Agra e seguimos para Rathambore. Mais umas 7 horas de estrada. Cheguei meio mal de resfriado. Pedi um cobertor extra e fomos dormir apos um jantar espetacular no jardim com fogueiras.

Vale lembrar que eu e o Alexandre viramos vegetarianos aqui na India (claro que depois da India voltamos aa dieta normal, eh soh para nao comer macaco pensando que eh frango mesmo). Mas eu entendo o sentido de ser vegetariano aqui. Nao apenas religiosa mas gastronomicamente. Voce nao precisa comer carne alguma para ter refeicoes espetaculares. Tudo com arroz, naan bread, vegetais e molhos incriveis. Nesse dia de Agra o Alexandre passou um pouco mal. Nada demais, soh um mal estar geral. Haviamos comido muito pouco nesse dia e depois de uma refeicao completa ele ja estava melhor.

13/1 – Acordei pior do resfriado mas adotei a tecnica de sempre, que nao resolve mas para mim eh a solucao em situacoes assim: ignorei. Acordamos 5.30am de novo e as 6.30am estavamos prontos para sair para o safari. Pegamos o Kenta (especie de caminhao-jipe) e nos enfiamos no mato do Rajastao. O parque nacional do Rathambore eh famoso pelos tigres mas, curioso e tipico, nao vimos nenhum. Instead, vimos crocodilos, antilopes, passaros exoticos, macacos, veados, porcos selvagens, enfim, toda a arca. Mas nada de tigre. Ta bom. Fomos embora depois de mais um almoco espetacular e pegamos a estrada de novo, rumo a Jaipur. Apenas 4 horas de carro. Perto das distancias que temos percorrido, isso foi fichinha.

Chegamos em Jaipur 7 e pouco. A primeira impressao foi otima. A cidade parece mais civilizada que Delhi, menos barulhenta e mais cosmopolita. Como veremos mais tarde, a primeira impressao nao eh a que fica.

Chegamos no hotel, que ha apenas 2 anos ainda era um palacio. Ficamos otimamente hospedados e fomos muito bem recebidos. Hotel que super recomendo, este.

Mais uma vez o Alexandre passou meio mal. Resolveu misturar cerveja com lassi. Nao eh la a mistura ideal, mas enfim. Nada alem de mal estar. Ainda nao fomos batizados com diarreia e nem vomitos. E olha que ja estamos em nosso terceiro dia. Way to go!

14/1 – Um dia cheio pela frente. Acordamos 6.30am e descemos para o cafeh que, haviam nos dito, comecava aas 7h. Chegamos em baixo, tudo escuro e o recepcionista tinha montado uma cama e dormia atras do balcao. Ficamos meio sem saber o que fazer e voltamos pro quarto e ligamos para a recepcao (sacanagem, ne, mas o que podiamos fazer? Tinhamos encontro marcado com os elefantinhos). Eles levaram o cafeh da manha no quarto e saimos cedo para Amber Fort, outro lugar espetacular com palacios, portoes imensos, jardins, enfim, tal como no Brasil, quando se eh rico mesmo nao ha limite para as riquezas. Ficamos horas no palacio, a que cheguei nas costas de um elefante muito fofinho – o Alexandre nao quis ir de elefante por causa do estomago – e de Amber fomos para Jantar Mantar, casa de um Maharaja viciado em astronomia e cheio dos relogios solares e mapas estelares. Alexandre ficou doidinho e eu tambem adorei. Visitamos ainda o City Palace, paramos para almocar num lugar que nao curti, e depois fomos ao Surya Temple, ou templo do sol, tambem conhecido como templo dos macacos – preciso explicar?

Fomos novamente perseguidos por curiosos e ambulantes ao ponto da irritacao. Todo mundo vem falar conosco mas eh dificil discernir se sph querem falar oi (muitos soh querem isso mesmo) ou se estao querendo “donations”. Alem disso, quando passa um bando de homens sigo olhando para o chao, grudada no Alexandre, como se fossem me abduzir se olhasse na direcao deles. Na volta tomamos um chai que custou 3 rupias cada, ou seja, o equivalente a pouco mais de 1 centavo de real mais ou menos, e voltamos para o hotel. Meu resfriado estava comecando a pegar de novo e precisava descansar. Dormimos por um par de horas e ca estou, recem-acordada, escrevendo do jardim do hotel. Logo mais vamos jantar e preparar para pegar estrada amanha de manha, mais uma vez. Sentido Udaipur. Octopussy significa algo para voces? O filme do 007 foi filmado no palacio de la.

5 comments:

Anonymous said...

Xavier... que descrição maravilhosa. Me senti do teu ladinho, vendo tudo e observando tua carinha linda, admirada com tudo. Fora que morri de rir, jogando o cabeção pra trás. Que bom que nada de vômitos.
Demais!
miol beijos, Gonzalez

Isabella Rogatschenko said...

Que bom saber que por ora estão inteiros e ....BEM! Parece mesmo que está sendo uma bela viajem cheia de coisas inusitadas...que bom! Curatm muuuito! bjs

Isabella Rogatschenko said...

Adorei o relatório e fotos ! È bom desacelerar um pouco o ritmo turistico senão vcs não vao aguentar 3 meses nessa batida, né? Beijões e saudades !

Vera (mãe/sogra)

LuSinger said...

Amei a descrição das aventuras (muitas!) e desventuras (pouquíssimas...). Se cuidem, meninos. Sim bicó espero ansiosamente a chegada de seu elefantinho e candelabro... ;-).
Hoje a Tchuco trouxe mais uma mala sua... Acho que é a última, não é?

Jana Viscardi said...

Gatos!
Adorei as notícias. E fiquei aqui, da minha sala no lab, imaginando a Bia passeando de elefante... que luxo, hein, gata? :)
vou ver as fotos agora, pra constar se há uma imagem parecida com a que criei da moçoila em seu elephant. :)
uma beijoca,
aproveitem bastantão
Jana