Tuesday, January 27, 2009

os melhores dias

24/1

Acordamos sem pressa, fizemos tudo devagar e deus sabe quao sabios estavamos sendo. Pegamos o trem das 2pm para Nagarkot, uma cidade nas montanhas ao nordeste de Kathmandu. Pegamos uma pousadinha um pouco mais cara que o nosso budget de US$10 (US$15 pelo quarto) e ficamos num quarto bem bacana. Na verdade os primeiros momentoss em Nagarkot foram meio frustrantes. Chegamos pensando na possibilidade de uma vista frontal dos himalaias e nao vimos absolutamente nada. Uma nevoa impedia que vissemos alem de uns 500 metros. Alem disso, estava muito frio e, embora tivessemos trazido agasalho quente e calca termal, cometemos o abuso de pedir quatro edredons.

Nagarkot eh uma vilazinha pequena cheia de casinhas espalhadas, vendinhas bem simples e pousadas e hoteis vendendo a melhor vista dos himalaias. Nao ha muito o que fazer, really, a nao ser relaxar e torcer para a nevoa sair e podermos admirar as montanhas.

25/1

Levantamos antes do amanhecer para ver o sol nascendo por traz das montanhas do himalaia. Novamente nos frustramos. Vimos uma sombra de biquinho da montanha que nao durou 5 minutos e logo estava tudo encoberto por nuvens.

Demos entao Nagarkot por visto e comecamos a longa caminhada que se encerraria em Dulikhel. Arrumamos tudo devagar e saimos do hotel 11 da manha com as malas nas costas e um sorriso no rosto por comecarmos nossa primeira verdadeira aventura: uma caminhada de 3,5 horas ateh a cidade vizinha. Ou assim dizia a bosta do Lonely Planet.

Para comecar, caminhamos por 1 hora e meia, subida constante, ateh a Lookout Tower. A caminhada valeu a pena. Conseguimos ver as pontinhas dos Himalaias de la e tambem conhecemos uma familia de nepaleses Sherpa muito simpaticos que fizeram parte da subida conosco. Fizemos nosso pic-nic e seguimos por uma trilha que, segundo a bosta do Lonely Planet, nos levaria em 1,5 hora ateh Nala, a cidade vizinha a que pretendiamos chegar e de onde sai o onibus para Dhulikel – ou assim dizia a bosta do Lonely Planet.

Resumindo, a caminhada levou um total de 6 horas. Ridiculamente exustiva mas, confesso, a melhor parte da viagem inteira ateh agora. A trilha passava por varios vilarejos rurais em que todo mundo te cumprimenta, quer saber de onde voce eh, para onde vai e como se chama. Devemos ter dito mais de mil Namastes. As criancas me mataram de fofura. Pondo as palminhas nas maos juntas e falando, sempre sorrindo “na-m-teeee”. O Alexandre teve que ficar me puxando o tempo todo porque eu parava para falar com cada pequeno. Foi uma delicia.

Chegamos em Nala com o sol ja caindo e ja sem achar la tanta graca em tudo. Estavamos sujos, exaustos, com fome e ja com dores nas costas (o que se gravaria no dia seguinte, claro). Foi um alivio pelo menos ver que havia carros passando. Nos aproximamos de uma rodinha de 3 homens mais ou menos bem vestidos e que, julgamos, falavam ingles. Um deles conseguia se comunicar e nos informou: nao havia onibus para Banepa ou Dulikhel, nao havia taxi, nao havia hotel. Basicamente, estavamos fodidos. Iamos ter que ficar hospedados na casa de alguma boa alma em trocas de algumas rupias, ou teriamos que pegar carona. O cara que se comunicava, turnos out, conhecia a vila inteira e mobilizou duas motocicletas para nos levar.

Antes das motocicletas, uma meia hora se passou - tempo suficiente para que todo mundo da vila se reunisse em volta dos banquinhos onde estavamos sentados e ficassem nos olhando. Um pegou no cabelo do Alexandre, a outra ficou comparando a grossura da coxa dela com a minha (tadinha), a outra ficou abismada com meus brincos (comprados na India por sinal) enquanto eu fiquei abismada com a simplicidade dos brincos dela: uma argolinha de linha de carretel preta apenas, que com certeza foi colocada no furo com uma agulha de costura, e as extremidades da linha amarradas num nozinho para formar a argola. Encantador! Mostrei as fotos que havia tirado com minha camera digital e todas as criancas se juntaram em volta de mim para ver. Estava quase sufocando de tanta gente quando comecou uma verdadeira guerra civil entre as criancas. Vi chutes, puxadas de cabelo, pescotapas, socos etc. Todo mundo na faicxa etaria de 5 a 10 anos se matando para pegar uma posicao melhor para ver as fotografias. Bom, tive que dar um basta. “That's it, finished now!” eu disse, e a criancada obedeceu, meio com medo da loira louca que dava bronca sorrindo.

Subimos nas motos depois de concordar com o roubo de 500 rupias por cabeca e fomos para o hotel em Dulikhel.

Nao gostamos. O quarto era ok, mas o banheiro fedia pacas e nao tinha agua quente e a torneira nao funcionava direito, nem a descarga. Reclamamos com o faz-tudo do hotel, que conseguiu trabalho mesmo sendo fanho e tendo um ingles muito basico. Foi complicado. Ele se irritando que a gente nao entendia, nos nos irritando que ele nao saabia falar e ele se irritando que a getne se irritava que ele nao conseguia falar, e assim ia. No final, ficamos com esse quarto mesmo, mas pegamos a chave de mais outro para tomar banho e usar o banheiro.

Depois do jantar (minha primeira refeicao nao vegetariana desde que cheguei na Asia, sweet and sour chicken) fomos tomar banho no quarto numero 2 e, tchum, a luz acabou bem no meio. Desespero, breu total. Eu tava bem de saco cheio de estar tao cansada de tanta caminhada, sol na cabeca, hotel ruim, moto cara etx, e ainda ter que passar por mais perrengue. Deu vontade de sentar no chao e chorar, mas o chao era tao sujo... Fomos dormir bem cedo depois de contemplar um dos ceus mais espetaculares que ja vimos, com mais estrelas do que sou capaz de contar.

E apesar dos pesares, esse foi o melhor dia da viagem so far. A caminhada por entre os vilarejos com vista para as montanhas foi inesquecivel. E o melhor: fizemos tudo sozinhos, so nos dois. Nao podia ter sido melhor.

26/1

Acordamos sem relogio, mas mesmo assim antes das 8. Tudo doia. Costas principalmente. O Alexandre sentindo a panturrilha e as coxas. Dois idosos de 28, 29 anos. Abrimos a janela do quarto e uma surpresa: os Himalaias! Finalmente eles sorriam para nos. A cordilheira todinha foi ssaindo conforme o sol subia. Tomamos cafeh na frente da montanha e depois ficamos na sacada em frente ao quarto, fazendo alongamento e kenkodo (massagem do aikido que o Alexandre aprendeu, lucky me!) com vista para os picos nevados. Saimos do hotel meio-dia e quase chorei de ter que por de novo o backpack nas costas, mas fazer o que? Nao tinha muita escolha. Mais caminhada morro acima, uma meia horinha apenas.

Chegamos em Dulikhel downtown e decidimos que nao tinha muito o que ver na cidade, a nao ser alguns templos hindus, e ja estavamos meio de saco cheio de templos hindus porque vimos muitos, e sao todos meio parecidos. Resolvemos entao almocar na cidade e depois pegar um onibus local de volta a Kathmandu.

O onibus foi uma experiencia a parte. Para se ter uma ideia, a distancia de Dulikhel para Kathmandu eh de uns 30km. O busao teve o dom de levar 2 horas! Sim, uma media de 15km/h. Mas o que nao fazemos pela bagatela de 5 rupias, nao eh mesmo, minha gente? 35 rupias sao tipo R$1, para viajar de uma cidade a outra. Ta bem ok. Viajamos sentados, que eh o que importa. Aspiramos bastante a poluicao e, apesar da zona, estamos meio felizes de estarmos em Kathmandu (bem incongruentes, uma vez que dois dias antes nao viamos a hora de sair, mas que loucuras nao fazem os sentimentos de familiaridade, nao eh mesmo?). Voltamos para a mesma pousadinha, nos deram um quarto parecido mas melhor que o anterior, ficamos felizes e saimos para tirar dinheiro (eba! ATM! Fazia 2 dias que nao haviamos cruzado com um e comecamos a ficar preocupados) e comprar mantimentos.

Na volta, paramos para jantar num lugar descaradamente ocidental. Comemos pizza quatro queijos (mussarela, parmesao, queijo de cabra, queijo de yak – qual a traducao para yak?) e tomei um very longed for espresso.

Amanha eh dia de cair na estrada de novo. Vamos pegar um busao aas 7 da manha para Pokhara – 6 a 7 horas de viagem. Ponham Pokhara no Google Images para terem uma ideia. Nao sabemos quanto tempo ficaremos por la, nem quao facil eh o acesso, mas nao vos decepcionarei, prometo! Atualizo assim que puder.

De forma geral, estamos mais magros, corados e com casca mais grossa. Que venham os proximos 2 meses de viagem!

27/1

Acordamos 6am para pegar o onibus para Pokhara. Foi um pouco chato levantar, ir no banheiro e me deparar com um rato morto boiando na privada. Mas a gente vai relevando coisas cada vez mais irrelevaveis. Saimos mais uma vez do Khangsar Guest House e chegamos no ponto de onibus. Tinhams uns 50 onibus estacionados, o nosso era o ultimo. Uma bosta. Parecia onibus de cidade, o cara inventada acentos marcados e nos colocou no fundo do onibus. Tentei discutir mas o negocio ia engrossar, entao calei a boca e me resignei a vingancinhas do tipo jogar papel no chao, limpar a mao no acento do onibus etc. Muito adulta, eu sei.

Ao nosso lado viajou um coreano e um cara de Singapura (singapureano? Singapureo? Singapureiro?). Depois de mais de 6 horas de viagem, muitas paisagens lindas, muitas curvas e muitos vomitos (nao meus, claro, nem do Ale), chegamos em Pokhara.

Preciso dizer que foi amor a primeira vista. Ficamos no Dharma Guest House por US$6 a noite e saimos para passear antes mesmo do check-in. Nem cinco minutos do hotel vimos outro, Lakeside Guest House, que custa US$8 e eh bem melhor que o nosso. Amanha mudaremos. Almocamos la e seguimos contornando o lago Fewa. Consideramos um passeio de barco, mas vamos deixar para amanha. Demos uma sondada na cidade e a decisao foi unanime. Vamos ficar aqui ateh o dia 3/2, quando voltaremos a Kathmandu para partir para a Tailandia no dia seguinte.

Ainda nao sabemos bem como vamos usar nossos dias. Tem barco, tem caiaque, tem caminhadas de alguns dias pelas montanhas, tem caminhadas de um dia soh, como a do World Peace Pagoda, tem para-gliding, tem absolutamente tudo o que pode querer alguem vidrado em esportes de aventura. Tudo pode acontecer quando se tem 7 dias em um lugar.

Depois de longo passeio na beira da lagoa, com paradas para cafeh, para acariciar vacas e perguntar preco de algumas atividades, comecamos a voltar para o hotel. O por-do-sol estava lindo sobre o lago e ficamos sentados numa mini-pagoda admirando o silencio e nossa sorte de ter vindo parar aqui.

Chegamos finalmente no hotel quando ja estava escuro. A luz ainda nao tinha voltado, mas nada me deixaria de mal humor. O plano eh mais tarde irmos ao Cafeh Amsterdam, lugarzinho cool que parece ter rock e blues ao vivo.

Agora estou aqui, escrevendo, esperando a luz voltar para achar alguma conecao aberta e mandar noticias. Estou com muita saudade de todos, especialmente da minha amada hermeneuta, com quem sonhei essas noites!

10 comments:

Anonymous said...

Você inundou meu coração de amor e alegria agora com o final desse post e sabendo que vc tá curtinmdo tanto.
Te amo, hermaneuta!
tbn morro de saudades. Beijos

Anonymous said...

Você inundou meu coração de amor e alegria agora com o final desse post e sabendo que vc tá curtinmdo tanto.
Te amo, hermaneuta!
tbn morro de saudades. Beijos

Isabella Rogatschenko said...

PÔ, cara ...vcs tão em Pokhara ! Where on earth is that? Quanta aventura ! Cuidado, não inventem nada muito radical, tipo paraglider, senão vcs matam a véia ! Vera (mãe/sogra)

Anonymous said...

Quantas aventuras, Bia, adorei!

Bjs,
Papai

Bobby said...

Pô, khara, alucinante! Que nepal! Hehehe, essa dão!
Tô lendo, tô lendo. Noah (ó xeeeente, o não) agradece os elogios! beijoquinhas e saudades..ps: para de reclamar quando o lance custa 6 e não 5 pilas, que feio Dona Bia. Love ya xxx

Anonymous said...

Bobby:
HAHAHAHAHAAHHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHHAHAHAHAHAAHAH
que saudades de vc tb!
beijos, Jo/piu

Isabella Rogatschenko said...

Olá queridos...obrigada p/ lembrança do niver.Adorei!
Com certeza depois destas aventuras, voltarão c/ outra visão de mundo. Feliz jornada nos meses que virão!Economizem fôlego...vão precisar com certeza, he,he
Bjs e agarrões....tia Bel

Bia Singer said...

Obrigada pelos recados, queridos, lemos sempre e adoramos! Beijos mil!

LuSinger said...

ai... que delícia o seu relato, boneca! Você consegue passar todas as sensações de uma maneira tão especial...
Te amo!
Mamita

Anonymous said...
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