Thursday, October 02, 2008

terceiras pessoas

Quase que não era eu escrevendo o email. Sempre fui assim: quando preciso fazer algo que exija um pouco de guts, resolvo o problema saindo de mim, olhando pra minha vida em terceira pessoa. Sempre funcionou para tirar peso de situações desnecessariamente carregadas. E sempre fiz uma puta tempestade em copo d’água, e sempre matei formiga a tiro de canhão. Se você é assim, dica: saia de você de vez em quando para agüentar as verdadeiras tempestades e as formigas gigantes (er...).

E foi o que fiz quando precisei de um pouco menos de mim e de minha ansiedade para mandar um email pro meu chefe. Coisa boba:

Hi Stuart,

Can we have a quick chat when you have 5 min?

Thanks

E o problema nem foi escrever, o problema foi mandar. Porque agora depende dele responder. E quando ele vier e falar, vamos ali conversar, terei de ir, e terei de falar. Que vou. Não sei quando, mas vou. Antes do final do ano, vou. Vou tentar não demonstrar que na verdade, verdade mesmo, não vejo a hora de sair deste prédio pela última vez. Vai ser estranho e lindo. Vou chorar com o peito apertado e livre, e vou rir do choro e chorar do riso. Sempre mais arregaçado, sempre mais agudo. Eu ainda não sei quanto agüento, mas sei que agüento muito.

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E estava outro dia nos segundos que antecedem o mergulhar no sono, pensando: acho que foi aos 20 anos que realmente parei de crescer e comecei a envelhecer. Eu lembro direitinho quando aconteceu. Foi aterrorizante mas ao mesm tempo libertador. Você descobre sem perceber que já não precisa sofrer tanto para que as coisas aconteçam. Elas agora dependem muito menos de você e muito mais do mundo. Ao mesmo tempo que o mundo não depende nada, nem um cuspe, de você. Duro e libertador.

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Essa noite sonhei com bebês, para variar. Eu tinha uma menina e estava num parque de topless, dando de mamar. E rodava e brincava com minha filha. Eu estava atrasada para alguma coisa, mas resolvi parar para brincar de levantá-la nos meus braços e ela sorria tão doce que eu percebia, com um quentinho doce no coração, que nenhum compromisso era mais importante do que aquele, de ver minha filha sorrir e gastar muito tempo com ela, deixando que todas as urgências, com o tempo, fiquem supérfluas. Foi um sonho indescritivelmente espiritual e encantador.

Depois sonhei com outro bebê, a Manu, filha da Cá. Sonhei que ela era seqüestrada e que nós duas ficávamos desesperadas atrás dela. Que sabíamos quem a tinha levado mas que o sujeito era perigoso e teríamos que sair da festa (rolava uma festa) de mansinho. Esse sonho não foi bom.

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Falando em sonho, ma’boy anda sonambulando novamente. Nada de jogar travesseiros desta vez. Ontem ele acendeu o abajur, ficou em pé em pose de Cristo Redentor. Claro que, com a luz, acordei. Diálogo:

EU: - Tá tudo bem?
ELE: Tudo bem!
EU: Por que você acendeu a luz?
ELE: Hã?
EU: Por que você acendeu a luz?
ELE: Hã?
EU: Por que você acendeu a luz?
ELE: Pra te mostrar!
EU: Mostrar o quê?
ELE: Não sei!
EU: Aiaiai, então deita e apaga a luz.

E ele obedeceu. E, claro, não lembrou de nada no dia seguinte.

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Meu astuto coleguinha Herrmann me mandou:

Blogging: Never before have so many people with so little to say said so much to so few.

Adorei.

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