Tuesday, April 10, 2007

Bretagne, mon amour

Mais uma páscoa sem ovo de páscoa. Não tem problema, não tem problema. Entrei de regime, um dois e já.

Na verdade a páscoa não foi bem páscoa. Quando se está viajando, o dia que é ou que será é o que menos importa.

Voltei da Bretanha diferente. Diferente bom. Mas, primeiro, vamos falar de lá para depois falar de cá.

Dia 1
Acordamos às 5am, pouco depois das 6am estávamos os nove rumo a Portsmouth. Pegamos a balsa, que é na verdade um shopping center pequeno e ruim onde se é obrigado a ficar por quase 6 horas. Mas foi ótemo. Dia lindo, brisa do mar, boa companhia. Tudo certo. Chegamos na França e, claro, nos perdemos já que nenhum dos 9 tinha um mapa da Bretanha.

Aí veio aquela onda de estresse básica para um grupo de 9 viajando havia 15 horas. Sempre tem um ou outro mais mimado, mais enxaquecado, mais bicudo. Inevitável e inviável numa viagem em grupo (se cada um resolvesse emburrar eu teria agarrado ma’boy para um feriado romântico a dois e apenas dois). Anyway, depois tudo mudou. Mas o primeiro dia foi tenso. Tensão esta quebrada com um crepe às 10pm. Na verdade, dois crepes, ou galettes como eles dizem lá.

**

Dia 2
O combinado era sair às 9am, saímos às 10am. Fiquei satisfeita. Oito brasileiros e um coreano. Uma hora de atraso. Tá bom pra mim.

Fomos ao Mont St Michel. Lugar lindo, lindo. Parece uma ilhota encantada. Sobre um monte, a abadia. Para chegar na abadia, ruas estreitas e íngremes. Lá de cima, vista de tirar o fôlego. Era tudo tão rústico que dava vontade de se fantasiar de Idade Média e sair com candelabros por aí. Mas era dia. Seria estranho.

Almoçamos por lá e voltamos para St Malo. Nosso hotelzinho deveras modesto mas limpinho era muito bem localizado, na própria cidade intramuros. Fizemos a volta toda pela muralha, todos os ângulos da cidade, todos os ângulos do mar. Eu começava a perder o ar com tanta beleza.

Nesse dia jantamos num lugar legal, mas derrubei água no meu Byrifoy. De noite, não conseguia dormir e nem deixá-lo dormir porque não conseguia parar de gargalhar lembrando do pulo que ele deu para escapar da torrente. Fiquei imaginando se a Piu estivesse junto na hora. Seriam gargalhadas incontroladas, insuportáveis, até o amanhecer.

**

Dia 3
Mais realistas, acordamos mais tarde. Fomos para o sul. Antes do destino final, passamos por Dinan, um vilarejo todo apertável, cheio de história, com cara de cidade-fantasma mas coração de cidade histórica.

Depois chegamos na floresta do Merlin. Passeamos, vimos um olho gigantesco de pedaços de espelho (juro, juro), mato, água, tudo bom demais. Acho que até os insetos na França são elitistas. Nada dessa coisa pobre de ficar subindo nos outros, rastejando, picando, fazendo o nariz coçar.

Voltamos para St Malo cansados, já que a viagem até a floresta do Merlin é relativamente longa.

**

Dia 4
Resolvemos ir para Dinard, outro vilarejo a beiramar bem próximo de St Malo. O dia estava lindo mais uma vez. Fomos até a praia mas estava frio, muito frio, apesar do sol, muito sol. Fui até o mar benzer meus pés, como de costume, mas teve que ser aquela benzida bem avacalhada já que dez segundos de imersão já me anestesiaram os pés e comprimiram meus ossos. Mesmo assim, mar gélido e vento gélido, valeu.

Rodamos um pouco por ali e voltamos para St Malo para aproveitar o resto do último dia pela cidade. Fomos para o forte e assisti a boa parte do pôr-do-sol com o Byrifoy. Um dos momentos mais sublimes da viagem. Que lugar fantástico, esse.

Mais tarde fomos num barzinho, Pelican, fechar a viagem fechando o bar. Foi muito divertido também. Cantamos Parabéns a Você em francês e português, tudo junto, para o Byrifoy, à meia-noite.

Fui dormir feliz, como se a viagem estivesse apenas começando

**

Dia 5
Aquela coisa. Hora de voltar. Só sobrou tempo para passar numas lojinhas e comprar uma ou outra coisinha de lembrança, biscuit du beurre pro pessoal do trabalho e dar uma última olhada ao redor, antes de voltar pro futuro.

A balsa estava cheia. Cheia demais. Aliás, quase perdemos, já que a parada para almoçar em Caen durou mais que o previsto. Almoço esse que, até agora, me revolta o estômago. A coisa mais nojenta que eu já comi. Ou uma das. Mas nem quero escrever sobre isso porque estou no trabalho e vou ficar com ânsia e não vai ser legal. Digo apenas que no meio do prato tinha um ovo de páscoa forçado. Mas o ovo não era de chocolate.

Cheguei em Graceland quase meia-noite. Foi tudo muito bom, foi tudo muito memorável. A viagem passou, mas aí tem o outro lado, o outro lado que ficou. Estou irritantemente romântica e a culpa por essa catástrofe é toda dele. Vão reclamar.

No comments: